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Arko Advice: Caso Master e pautas-bomba dominam cenário em Brasília

13 June 2026 at 17:07

A questão do Banco Master segue provocando expectativa e preocupação entre os atores políticos e na mais alta Corte do país. A avaliação é de Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice. A revista Veja publicou reportagem que afeta Davi Alcolumbre, segundo a qual ele teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. Além disso, a Polícia Federal comunicou que rejeitou a proposta de acordo de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, embora uma nova proposta esteja sendo negociada com a Procuradoria-Geral da República.

Mesmo diante da possibilidade de rejeição do acordo, o caso deve continuar influenciando a disputa eleitoral de outubro, uma vez que as investigações prosseguem independentemente de qualquer acordo. Segundo Noronha, o Banco Master já produziu reflexos importantes no cenário sucessório, e ainda persistem muitas dúvidas sobre o alcance político das investigações.

No campo econômico, Noronha destacou a intensa preocupação do governo com projetos que ampliam o gasto fiscal, denominados de pautas-bomba. O Senado já aprovou uma proposta relacionada a dívidas rurais com impacto estimado em R$ 140 bilhões ao longo dos próximos 13 anos, segundo a equipe econômica, que sinalizou que Lula pode vetar o projeto ou recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso ele avance.

Houve ainda uma manifestação de Gilmar Mendes que, sem citar o projeto especificamente, defendeu que medidas que ampliem despesas públicas sejam acompanhadas das respectivas fontes de financiamento. A agenda legislativa segue intensa, apesar da proximidade com o calendário eleitoral.

Hugo Mota anunciou a intenção de votar na semana de 15 a 19 de junho, um projeto de lei de autoria do governo que trata das especificidades de determinadas categorias profissionais no contexto do debate sobre o fim da escala 6×1. O objetivo, segundo Noronha, é destravar a pauta da Câmara, já que o projeto tramita em regime de urgência constitucional. Entre as propostas que Hugo Mota pretende votar estão o projeto que aumenta o faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) — classificado pela equipe econômica como pauta-bomba por ter impacto fiscal estimado em cerca de R$ 50 bilhões — e o projeto sobre inteligência artificial.

No Senado, a expectativa recai sobre a Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1. Davi Alcolumbre continua demonstrando resistência ao projeto, enquanto o governo insiste para que a matéria avance o mais rapidamente possível.

Judiciário, economia e agenda externa

No âmbito do Judiciário, Noronha destacou um julgamento previsto para a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal envolvendo Eduardo Bolsonaro. O caso decorre de declarações públicas e postagens em redes sociais nas quais ele afirmou ter atuado para incentivar sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo, a PGR e a Polícia Federal. A tendência, segundo Noronha, é que ele seja condenado, gerando mais desgaste no campo bolsonarista.

Na agenda econômica, está prevista a reunião do Banco Central para decidir a taxa de juros, com expectativa de nova redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Pesquisas eleitorais também devem ser divulgadas, com pelo menos dois levantamentos já registrados, do BTG Pactual e do CNT-MDA. No plano externo, Lula viaja para a França para participar da reunião do G7, ocasião em que pretende conversar com Donald Trump sobre tarifas — tema que também se tornou objeto de disputa eleitoral, inclusive com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Análise: Direita e Esquerda disputam camisa da Seleção Brasileira

13 June 2026 at 17:03

A camisa da Seleção Brasileira tornou-se palco de uma disputa política entre representantes da direita e da esquerda. Em ano eleitoral e com a Copa do Mundo em curso, estrategistas dos dois campos buscam explorar ao máximo o apelo do uniforme canarinho junto à população brasileira.

De um lado, Flávio Bolsonaro (PL), em discurso para apoiadores, chegou a se referir à peça como “camisa do Bolsonaro”, reforçando a narrativa de que a família Bolsonaro representa o patriotismo nacional.

Do outro, o presidente Lula (PT) publicou fotos nas redes sociais vestindo a camisa da seleção e tem defendido que a esquerda também adote o verde e amarelo durante o torneio.

Dividendos eleitorais em jogo

Segundo Matheus Teixeira, analista de Política da CNN, o movimento não é por acaso. “Os marqueteiros de campanha, os estrategistas, seja de Flávio Bolsonaro, seja do presidente Lula, também estão estudando como explorar isso ao máximo para conseguir colher o maior dividendo eleitoral possível”, afirmou.

O analista destacou que o engajamento gerado pela camisa da seleção nas redes sociais é notável: enquanto publicações comuns de Lula podem ter menos de 10 mil curtidas, uma foto do político com o uniforme da seleção ultrapassou 700 mil curtidas em um único fim de semana.

Matheus Teixeira ressaltou que o PT historicamente utiliza o vermelho como símbolo partidário, cor associada ao movimento operário e sindical no Brasil e no mundo. No entanto, em períodos de Copa do Mundo, Lula costuma fazer questão de vestir a camisa do Brasil para se aproximar do eleitorado.

“O PT nasceu ali do sindicalismo e, portanto, sempre explorou o uso da cor vermelha, mas em época de Copa do Mundo, o presidente Lula sempre também faz questão de usar a camisa do Brasil justamente para tentar se conectar um pouco mais diretamente com o povo brasileiro”, explicou o analista.

Soberania nacional e críticas cruzadas

O embate vai além da camisa. Matheus Teixeira apontou que Lula tem explorado o discurso da soberania nacional em meio à possibilidade de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, associando a bandeira do país a esse contexto.

Paralelamente, deputados do Partido dos Trabalhadores têm circulado nas redes sociais imagens de uma manifestação bolsonarista em que teria sido exibida a bandeira dos Estados Unidos, utilizando o episódio para questionar o patriotismo do campo adversário.

“De lado a lado, um buscando argumento para desgastar e medir quem seria mais patriota”, resumiu o analista.

Para Matheus Teixeira, o fenômeno é uma consequência natural da centralidade do futebol na cultura brasileira. “A Copa do Mundo permeia, o futebol permeia todo o nosso país e a nossa cultura, a política não fica de fora”, concluiu. Os dois lados seguem estudando formas de transformar o entusiasmo do torneio em capital eleitoral.

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Impacto do fim da 6×1 chegará nas prateleiras dos mercados, diz Apas

13 June 2026 at 16:02

O eventual fim da escala de trabalho 6×1 pode gerar impactos diretos nos preços dos produtos nas prateleiras dos supermercados. É o que afirmou Erlon Ortega, da Apas (Associação Paulista de Supermercados), em entrevista ao Agora CNN deste sábado (13).

Segundo ele, o setor já enfrenta uma escassez significativa de mão de obra e teme que a mudança agrave ainda mais esse cenário.

Déficit de vagas e aumento de custos

Ortega destacou que, somente no estado de São Paulo, o setor supermercadista já registra um déficit de 35 mil vagas. “Um projeto que a gente tira 10% da nossa força de trabalho nos obriga a contratar cerca de 10% a mais”, afirmou.

Para ele, isso gera dois problemas centrais: o aumento do custo operacional e a dificuldade de encontrar trabalhadores disponíveis para preencher as novas vagas necessárias.

Em relação ao impacto nos preços ao consumidor final, Ortega foi direto: “Nós calculamos o impacto em torno de 9% a 10%”. Ele ressaltou que os efeitos não se limitariam ao setor de supermercados, alcançando também condomínios, hospitais, bares, restaurantes e a agricultura. “O impacto é matemático e chegará na prateleira”, declarou.

Alternativa da escala 5×2 é vista com bons olhos

Questionado sobre a possibilidade de adoção da escala 5×2 com manutenção das 44 horas semanais — alternativa mencionada anteriormente por João Galassi, da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) —, Ortega afirmou que diversas lojas no estado de São Paulo já operam nesse modelo com resultados positivos.

“O colaborador tem duas folgas por semana, mas ele trabalha as 44 horas. E isso não implica num aumento de custo muito elevado”, explicou.

No entanto, Ortega alertou que pequenos e médios supermercados — que representam a grande maioria das 27 mil lojas no estado de São Paulo — teriam muita dificuldade de se adaptar caso as horas de trabalho sejam reduzidas sem alternativas flexíveis.

Ele defendeu o Projeto de Lei nº 12, em discussão no Senado, que permitiria maior liberdade na definição das jornadas de trabalho. “Nós precisamos que isso passe, nós não podemos mais ter esse engessamento”, afirmou.

Apelo por debate equilibrado

Ortega também elogiou a postura do Senado em conduzir a discussão com mais cautela do que a Câmara dos Deputados. Ele citou um manifesto assinado por mais de 3 mil entidades, incluindo confederações como CNI, CNC e Fiesp, expressando preocupação com os impactos da mudança.

“É o setor produtivo, é o setor que emprega, que está mostrando quanto isso pode ser prejudicial se tivermos essa discussão de afogadilho”, disse.

Para Ortega, ouvir o setor produtivo, os trabalhadores e, especialmente, os consumidores é fundamental para que a discussão seja conduzida de forma equilibrada e racional.

Ele defendeu ainda que a modernização das relações de trabalho poderia trazer para o mercado formal mais de 20 milhões de pessoas que hoje atuam na informalidade. “Não existe empresa forte com trabalhador fraco. Não existe também trabalhador forte com empresa fraca. Nós estamos do mesmo lado”, concluiu.

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Ancelotti vai optar pela experiência em estreia na Copa, diz Michel Bastos

13 June 2026 at 15:29

A Seleção Brasileira faz sua estreia na Copa do Mundo neste sábado (13) contra Marrocos, e o comentarista Michel Bastos avaliou os principais aspectos da partida. Para ele, Carlo Ancelotti deve privilegiar a experiência na escalação, diante de um adversário que ele considera o mais difícil da fase de grupos para o Brasil.

Michel Bastos, que disputou a Copa do Mundo de 2010 pela Seleção Brasileira, destacou que a ansiedade faz parte do processo, mas que jogadores experientes sabem lidar com esse momento.

“A ansiedade existe, isso não tem dúvida, mas há muitos jogadores experientes ali que já viveram, já jogaram uma Copa do Mundo, então eles sabem, conhecem esse processo”, afirmou. Segundo ele, após o apito inicial, a adrenalina toma conta e os atletas conseguem executar seu trabalho normalmente.

Marrocos é o adversário mais difícil do grupo

Na avaliação de Michel Bastos, Marrocos representa o maior desafio do Brasil na fase de grupos. “Entre Haiti e Escócia, é a seleção mais forte que o Brasil vai enfrentar”, disse. Ele ressaltou que, apesar das dificuldades, enfrentar uma equipe de força logo na estreia pode ser positivo para o time brasileiro. O comentarista destacou ainda que Marrocos perdeu uma referência importante com um corte recente — um jogador que atua pelos lados do campo com estilo agudo — mas que a seleção africana ainda conta com muita qualidade técnica e gosta da posse de bola.

“O próprio Rafinha falou, eles são considerados os brasileiros na África”, comentou.

Preocupação na lateral e confiança em Danilo

A posição de lateral foi apontada por Michel Bastos como um setor de atenção para a Seleção Brasileira. Com o corte de Wesley, que seria o titular na lateral direita, Ancelotti optou por convocar um meia e testar Danilo na posição. “Danilo não é unanimidade, até porque no seu clube não vinha jogando, mas é um jogador que Ancelotti tem muita confiança”, avaliou. Michel Bastos lembrou ainda que o Brasil foi historicamente muito bem servido nessa posição, com nomes como Roberto Carlos, Cafu, Dani Alves e Marcelo, o que eleva o nível de exigência da torcida. Apesar das ressalvas, o comentarista defendeu que é preciso dar confiança a quem está disponível.

Trocas de treinador prejudicaram a preparação

Michel Bastos também comentou o impacto das quatro trocas de treinador desde 2022 na construção da equipe. Para ele, a instabilidade atrapalhou a formação de uma base sólida. “Anos atrás a gente sempre tinha uma base da seleção brasileira, e nos últimos anos isso não vem acontecendo”, disse.

Ele destacou que Ancelotti chegou em um momento já próximo da Copa do Mundo, com pouco tempo para montar o elenco e definir seu modelo de jogo. Como exemplo positivo de continuidade, citou as seleções da França e da Argentina, que mantiveram grande parte do elenco campeão ao longo dos ciclos. Na sua avaliação, é justamente por isso que, neste momento, Ancelotti deve optar pelos jogadores mais experientes na escalação inicial.

Para o jogo contra Marrocos, Michel Bastos projetou que Ancelotti vai montar uma equipe com linha mais avançada, pressionando a saída de bola dos adversários. “O Brasil vai montar essa equipe para ter essa linha mais alta, pressionar a equipe do Marrocos, não deixar eles jogarem, porque eles têm muita qualidade técnica”, analisou. O comentarista apostou em uma vitória brasileira por 2 a 1, reconhecendo que jogos de estreia em Copas do Mundo costumam ser disputados e apertados.

Veja o ranking das seleções mais “desgastadas” para a Copa do Mundo

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Neymar recuperado pode ser solução ofensiva para a Seleção, diz ex-zagueiro

13 June 2026 at 15:11

O ex-zagueiro Marcelo Gonçalves, que disputou a Copa do Mundo de 1998 com a Seleção Brasileira, avaliou as perspectivas do Brasil para a estreia no torneio, marcada para este sábado (13), diante do Marrocos. Em entrevista à CNN, Gonçalves destacou que Carlo Ancelotti deve priorizar uma organização defensiva sólida, aproveitando a velocidade dos atacantes para os contra-ataques.

Para Gonçalves, o plano de jogo de Ancelotti já está bem definido. “Ele deve optar por manter uma linha defensiva fortalecida com o Danilo na direita, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alexandre, porque são jogadores reconhecidos no futebol europeu e mundial, e isso tem um peso quando você vai jogar uma Copa do Mundo”, afirmou.

Neymar como peça-chave no setor ofensivo

Gonçalves ressaltou que a presença de Neymar, caso esteja recuperado, pode ser determinante para as soluções ofensivas da equipe.

“A gente não pode deixar de lembrar que o Neymar, estando recuperado, deve ser esse jogador, esse número 10, esse meio ofensivo para encontrar as soluções ofensivas com rapidez e inteligência, para colocar os atacantes na cara do gol”, disse. O ex-zagueiro também citou Vini Júnior, Rafinha, Matheus Cunha, Luiz Henrique, Igor Thiago e Endrick como opções para o setor de ataque, enquanto Bruno Guimarães, Casimiro e Paquetá formariam o meio-campo.

Preocupação defensiva e referência dentro de campo

O ex-zagueiro reconheceu que a fragilidade defensiva da Seleção nos últimos jogos é uma preocupação real.

“Para a Copa do Mundo, você tem que procurar ter uma solidez defensiva para poder contra-atacar, já que nós temos esses jogadores com muita velocidade pelas laterais”, ponderou.

Gonçalves também destacou a importância de ter uma referência técnica como Neymar no elenco, traçando um paralelo com a geração de 94, 98 e 2002. “Ter jogadores com essa referência influencia muito e é muito importante para uma possível conquista de uma Copa do Mundo”, afirmou, lembrando que aquela geração foi a única da história do futebol brasileiro a chegar a três finais consecutivas de Copa do Mundo.

Marrocos evoluiu, mas Brasil é favorito

Questionado sobre a evolução da seleção marroquina desde 1998, quando o Brasil venceu por 3 a 0, Gonçalves reconheceu que a diferença entre as equipes diminuiu consideravelmente.

“Essa diferença hoje em dia se encurtou. No último jogo contra o Marrocos, que era amistoso depois da Copa do Mundo de 2022, nós fomos derrotados por 1×0”, recordou. O ex-zagueiro destacou que o Marrocos mescla jogadores experientes, como Hakimi, do Paris Saint-Germain, com novos talentos, como Dias, do Real Madrid, e Rassal, do Manchester United. Apesar disso, Gonçalves disse acreditar em uma vitória brasileira.

“Eu acredito numa vitória da seleção brasileira, mas vai ser um jogo difícil. O meu palpite é 2×1”, concluiu.

Copa 2026: quem são os brasileiros que vão jogar por outros países

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Veja seleções “sem passaporte próprio” na Copa do Mundo 2026

13 June 2026 at 14:00

A Copa do Mundo de 2026 contará com seleções que representam territórios “sem passaporte próprio”, como a Escócia e Curaçao. Esses países fazem parte de nações maiores — o Reino Unido e a Holanda, respectivamente — mas participam do torneio de forma independente graças a exceções previstas no estatuto da FIFA.

O editor de Internacional da CNN Diego Pavão explicou que existem duas lógicas distintas quando o assunto é reconhecimento de países. “São duas lógicas diferentes quando a gente olha, por exemplo, para a geopolítica, para as relações internacionais, para a diplomacia, para a própria ONU”, afirmou.

Nessa perspectiva, determinados países não podem ser divididos. No entanto, para o futebol e para a FIFA, essa divisão é possível em casos específicos.

A exceção da Escócia

A Escócia é um dos quatro países constituintes do Reino Unido, ao lado da Inglaterra, do País de Gales e da Irlanda do Norte. Ela se classificou para a Copa do Mundo de 2026 e enfrentará o Brasil na fase de grupos.

A possibilidade de disputar o torneio de forma independente existe porque o estatuto da FIFA prevê uma exceção especial para o Reino Unido, reconhecido como país criador do futebol. Segundo Diego Pavão, “o Reino Unido, por ser um país criador do futebol, tem o direito de disputar uma Copa do Mundo com seus países jogando de forma independente”.

Essa condição foi estabelecida historicamente quando a FIFA começou a se expandir. A Federação de Futebol da Escócia, por exemplo, é anterior à própria FIFA — fundada em 1873, décadas antes da criação da entidade máxima do futebol, em 1904.

O editor destacou que o Reino Unido condicionou sua adesão à FIFA ao direito de seus países jogarem separadamente: “A gente vai fazer parte da FIFA, não vamos boicotar a FIFA, mas a gente quer jogar separadamente com os nossos países”.

O caso de Curaçao

Curaçao é uma pequena ilha caribenha com cerca de 150 mil habitantes, localizada próxima à Venezuela, e é um país constituinte da Holanda. Sua participação independente na Copa do Mundo se baseia em um segundo artigo de exceção do estatuto da FIFA, que permite que um território jogue separado do país ao qual pertence, desde que o “país mãe” conceda autorização formal.

“A Holanda deu uma autorização especial para Curaçao, que faz parte da Holanda, poder jogar a Copa separadamente”, explicou Pavão.

Diferentemente de outros territórios com fortes movimentos separatistas, Curaçao não apresenta tensões políticas expressivas em relação à Holanda, o que facilitou a concessão dessa autorização.

Pavão usou a Espanha como contraponto: “A Espanha nunca daria uma autorização para a Catalunha jogar a Copa do Mundo separadamente”, pois isso poderia inflar o movimento separatista local.

Além disso, quando Curaçao entrar em campo na Copa, tocará seu próprio hino — escrito em papiamento, a língua local da ilha —, e não o hino holandês.

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Qual será o impacto da Copa do Mundo no governo Trump? Entenda

13 June 2026 at 14:00

A Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, chega em um momento politicamente ambíguo para o presidente americano, Donald Trump.

O torneio, que teve início na última quinta-feira (11), tem colocado em evidência tanto as dificuldades econômicas enfrentadas pelos americanos quanto às tensões diplomáticas do governo com países africanos.

Durante participação no videocast Fora da Ordem, o analista de internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, avaliou que o evento esportivo acaba funcionando como um espelho das contradições do atual momento político e econômico dos Estados Unidos.

Dificuldades econômicas em evidência

O que mais repercute internamente, de acordo com Lourival, são as dificuldades financeiras da população americana para acompanhar o torneio.

“As passagens aumentaram de preço e os hotéis não estão com a ocupação que esperavam”, afirmou o analista.

Ele destacou que a Copa acaba colocando em evidência os problemas econômicos que os americanos enfrentam, relativos ao alto custo de vida e ao choque de energia causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

Caso do árbitro somali

Outro ponto de repercussão negativa para o governo americano foi o impedimento da entrada do árbitro somali Omar Artan nos Estados Unidos.

Celebrado em toda a África após ser selecionado para a equipe de arbitragem da Copa, Omar foi retido por cerca de 11 horas pelas autoridades americanas, que alegaram ter encontrado evidências de ligação dele com o Al-Shabaab, grupo terrorista ligado à Al-Qaeda na Somália. O árbitro negou qualquer vínculo com o grupo e declarou não conhecer ninguém ligado a ele.

Ao retornar à Somália, onde foi recebido pelo presidente do país, Omar fez declarações consideradas “muito suaves”, sem criticar diretamente os Estados Unidos.

“Ele tem 34 anos de idade e disse esperar ter oportunidade de um dia ser árbitro em uma outra Copa”, afirmou Lourival.

O analista ressaltou que casos semelhantes de impedimento de entrada também afetaram iraquianos, iranianos e outros profissionais de países africanos.

Desgaste com o continente africano

Para Lourival, o episódio reacende feridas antigas entre os africanos e Trump.

O analista citou declarações anteriores do presidente americano nas quais ele teria usado termos depreciativos para se referir ao continente africano e à comunidade somali nos Estados Unidos, além de ter pedido que deputadas de minorias — como Ilhan Omar, Rashida Tlaib, Alexandria Ocasio-Cortez e Presley — “voltassem para os países delas”, gerando o slogan “send them back” de seu primeiro mandato.

Segundo o analista, todas essas tensões favorecem a China, que já possui enorme projeção sobre o continente africano.

“As feridas se reabrem e isso favorece a China, a projeção e a disputa por influência que ela tem na África com os Estados Unidos e com o Ocidente, com a Europa de maneira geral”, concluiu.

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Combate ao crime passa por redução da maioridade penal?

13 June 2026 at 12:07

O empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na sexta-feira (12), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o “combate ao crime passa por redução da maioridade penal?”

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados por 44 votos a 18, após intensos debates entre parlamentares. A proposta agora segue para análise em uma comissão especial antes de chegar ao plenário da Casa.

A medida prevê que adolescentes de 16 e 17 anos acusados de crimes hediondos — como homicídio, estupro e latrocínio — passem a responder criminalmente e possam ser condenados à prisão. Atualmente, menores de 18 anos estão sujeitos apenas a medidas socioeducativas.

José Eduardo Cardozo se posicionou de forma contundente contra a redução da maioridade penal, apresentando argumentos em três frentes distintas. Do ponto de vista jurídico, afirmou que a regra vigente na Constituição constitui uma cláusula pétrea e, portanto, não pode ser alterada por emenda constitucional.

“Se o Congresso Nacional vier a fazer, inevitavelmente o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade ou por maioria imensa de votos, vai declarar inconstitucional esta PEC”, declarou. Segundo ele, apenas uma nova Constituição poderia promover tal mudança.

Cardozo destacou que os presídios brasileiros já estão absolutamente superlotados. “Em que presídio vão se colocar esses adolescentes?”, questionou. Ele alertou ainda que a construção de novos presídios leva em média cinco anos e demanda recursos vultosos, que precisariam ser retirados de outras áreas, como educação.

“O sistema prisional brasileiro ficará incontrolável, mais ainda do que já é”, advertiu, recordando que já havia feito esse alerta em audiência pública na Câmara dos Deputados. Cardozo classificou o movimento como “populismo penal”, afirmando que parlamentares reconheciam a irracionalidade da medida, mas temiam perder votos ao se opor a ela.

Leonardo Bortoleto defendeu com igual convicção a redução da maioridade penal, reconhecendo as limitações do sistema prisional brasileiro, mas argumentando que a inércia diante da criminalidade não é uma alternativa aceitável.

Para ele, o Brasil enfrenta uma realidade em que organizações criminosas recrutam jovens deliberadamente porque sabem que eles não serão imputados com o mesmo rigor aplicado a adultos. “A criminalidade recruta jovens porque sabe que eles não serão imputados com o mesmo rigor de um adulto”, afirmou.

Bortoleto reconheceu que encarcerar jovens de 16 e 17 anos é uma medida extrema, mas sustentou que muitos desses adolescentes já são veteranos no crime, tendo sido cooptados por organizações criminosas ainda aos 10 anos de idade.

“Não há a menor dúvida de que não é uma solução nem de perto agradável encarcerar um brasileiro de 16 e 17 anos. Agora, nós não podemos fechar os olhos para uma realidade que é a do país”, declarou. Segundo ele, a redução da maioridade penal poderia, paradoxalmente, proteger os próprios adolescentes, ao desestimular o recrutamento precoce pelo crime organizado.

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El Niño virá mais forte; veja impactos e áreas que devem ser mais afetadas

13 June 2026 at 12:00

Cientistas da NOAA (Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera), principal agência climática dos Estados Unidos, confirmaram oficialmente o retorno do El Niño. O fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e as projeções indicam que ele pode se intensificar significativamente nos próximos meses, com potencial para se tornar um episódio de forte intensidade histórica.

De acordo com um relatório divulgado na manhã desta quinta-feira (11), a NOAA aponta uma probabilidade de 60% de que o El Niño atinja intensidade forte até o final do ano, o que representa um agravamento considerável das previsões climáticas globais.

O que é o El Niño e como ele se desenvolve

O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes explicou que o El Niño consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico na região equatorial central. “Quando essa temperatura fica acima de meio grau, numa média de 30 anos, e durante três meses, caracteriza-se o início do El Niño”, afirmou.

Atualmente, a temperatura da região está 0,7°C acima da média histórica, configurando um evento de fraca intensidade, mas com tendência de crescimento. Segundo Pedro Côrtes, essa temperatura pode ultrapassar 2°C nos próximos seis meses, o que caracterizaria um El Niño forte.

Impactos esperados no Brasil

Pedro Côrtes destacou que os efeitos do fenômeno no Brasil seguem um padrão bem definido: aumento das chuvas na região Sul, tendência de secas no Norte e no Nordeste, e risco elevado de incêndios florestais no Centro-Oeste.

“Houve episódios, como recentemente, onde nós tivemos com o El Niño as enchentes no Rio Grande do Sul e secas históricas na Amazônia”, recordou o analista, citando rios que ficaram com volume de água drasticamente reduzido, isolando comunidades inteiras e causando mortes de animais.

O analista também alertou que o aquecimento global potencializa os efeitos do El Niño, independentemente da intensidade do fenômeno. “A gente não precisa ter um El Niño forte para que as consequências sejam exacerbadas em função do aquecimento global”, disse Pedro Côrtes.

Ele lembrou que a tragédia no Rio Grande do Sul, em abril de 2024, ocorreu quando o El Niño já estava em fase de enfraquecimento, o que demonstra a gravidade dos impactos mesmo fora do pico do fenômeno.

Fator que pode moderar os efeitos no Brasil

Pedro Côrtes apontou um elemento que pode ajudar a reduzir a intensidade dos impactos no país: Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês), fenômeno que alterna fases de águas quentes e frias no norte do Oceano Pacífico ao longo de décadas.

“Nós estamos numa fase fria e quando essa fase fria ocorre, nós não temos um evento tão forte para o Brasil”, explicou. Ainda assim, o analista foi categórico: “De qualquer forma, a gente vai enfrentar problemas com ele.”

Mais de 8 milhões vivem em áreas de risco

O pesquisador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) Giovanni Dolif alertou que o Brasil conta com mais de 8,5 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco, muitas das quais sequer têm conhecimento dessa situação. “Muitas dessas pessoas não têm noção de que vivem em uma área de risco”, afirmou.

Ele recomendou que a população busque informações junto à Defesa Civil para identificar o tipo de risco ao qual está exposta — seja inundação ou deslizamento de terra — e saiba como agir diante de alertas. Giovanni Dolif destacou ainda que a pressão da sociedade sobre as autoridades contribui para acelerar ações preventivas.

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GLP-1 pode ajudar em tratamentos renais, dizem nefrologistas a Kalil

13 June 2026 at 11:00

Novas classes de medicamentos estão surgindo como aliadas no tratamento de doenças renais, oferecendo perspectivas promissoras para retardar a progressão da condição e reduzir a necessidade de diálise e transplante. O tema foi debatido pelo Dr. Roberto Kalil e os nefrologistas Lúcio Requião e Caio Bastos, no CNN Sinais Vitais deste sábado (13) .

Lúcio Requião, vice-diretor do Hospital do Rim e professor da Escola Paulista de Medicina, apresentou duas classes de medicamentos que estão entrando no tratamento da doença renal. A primeira é a finerinona, descrita como uma versão aprimorada da espironolactona.

“A espironolactona já é uma medicação para hipetensão que nós usamos há muito tempo, e a finerinona é um melhorado, com muito menos efeito colateral e que, de fato, retarda a progressão da doença renal“, afirmou Requião. Segundo esse, essa eficiência foi detectada primeiro em pacientes com diabetes e mais recentemente no tratamento renal.

A segunda classe mencionada são os análogos do GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras“, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade, que também demonstraram efeito direto sobre os rins. “Nós não sabemos ainda os mecanismos, precisa ainda de estudo de longo prazo para saber a segurança dessa classe, mas deve ser uma classe que deve ser incorporada no arsenal terapêutico“, explicou Requião.

Outra classe de medicamentos originalmente desenvolvida para o controle do diabetes, mas que demonstrou efeitos protetores sobre o coração e os rins são os inibidores do cotransporte SGLT2, conhecidos como gliflozinas. Segundo nefrologista do Hospital do Rim Caio Bastos, esses medicamentos também apresentaram efeitos protetores sobre o coração e os rins.

“É uma nova medicação que descobriram que melhor do que proteger por diabetes, ela protege o coração”, afirmou Bastos. Ele ressaltou ainda que as gliflozinas estão disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) para pacientes de maior risco.

Diálise

Requião enfatizou que o diagnóstico precoce é fundamental para retardar a progressão da doença renal. Segundo ele, o pilar do tratamento é a prevenção, com o controle adequado do diabetes, da hipertensão e dos demais fatores de risco.

“Uma vez que desenvolveu, tem um caminho longo aqui, que são janelas de oportunidades que nós podemos intervir para não chegar na diálise no transplante”, declarou Requião.

Requião ressaltou que, na era pré-diálise, todos os pacientes com falência renal morriam em decorrência da condição. A introdução da diálise representou um marco histórico na medicina.

Além disso, o avanço tecnológico nas máquinas e nos produtos utilizados, aliado ao conhecimento científico acumulado, tem contribuído para melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes que necessitam de hemodiálise ou diálise peritoneal.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Pressão criou condição para EUA e Irã quererem fim da guerra, diz professor

13 June 2026 at 03:58

Um possível acordo provisório de paz entre Estados Unidos e Irã pode ser assinado nos próximos dias, segundo análise do professor de Relações Internacionais Danny Zahreddine, ao WW.

Para ele, a pressão econômica mútua entre os dois países criou uma condição favorável para que ambos os lados busquem uma saída do conflito.

Zahreddine destacou que, desta vez, há um elemento novo que diferencia o atual momento das declarações anteriores sobre um possível entendimento.

“O posicionamento público do ministro das Relações Exteriores, o Abbas Araghchi, dizendo que eles não chegaram tão perto quanto chegaram agora”, foi apontado pelo professor como um sinal relevante de avanço nas negociações.

Pressões econômicas de ambos os lados

O professor explicou que a pressão imposta pelos americanos aos portos iranianos, impedindo o Irã de exportar petróleo pelo Golfo Pérsico, combinada com as pressões que os próprios Estados Unidos enfrentam em razão dos preços do petróleo e dos fertilizantes, criou um cenário em que os dois lados têm interesse em resolver o impasse.

Segundo Zahreddine, os termos do acordo já estariam prontos há mais de duas semanas, e a questão era apenas o timing escolhido pelos americanos para anunciá-lo como uma vitória política.

Divisões internas no governo iraniano

Zahreddine também chamou atenção para as tensões internas no governo iraniano.

De um lado, a linha mais dura, ligada à Guarda Revolucionária, se opõe a qualquer acordo que considere desfavorável, preferindo uma postura de confronto total.

Do outro, uma ala mais moderada e reformista, representada pelo próprio Araghchi, enxerga o protocolo de entendimento como uma vitória razoável.

Essa divisão interna representa um dos principais desafios para a conclusão do acordo.

Apesar do otimismo cauteloso, o professor ressaltou que o presidente americano, Donald Trump, já afirmou, por quase 40 vezes desde abril, que um acordo estava prestes a ser assinado.

Por isso, Zahreddine concluiu que é necessário aguardar a semana seguinte para uma avaliação mais precisa sobre a real possibilidade de um entendimento definitivo entre os dois países.

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Especialista: Capacidade produtiva reduzida deve ser notada com fim da 6×1

13 June 2026 at 03:33

A possível aprovação do fim da escala 6×1 no Brasil traz consigo impactos econômicos relevantes que vão além do debate sobre qualidade de vida dos trabalhadores. Em entrevista ao CNN Prime Time, Gustavo Madi, da consultoria LCA, avaliou que, embora a medida atenda a um anseio da sociedade por maior equilíbrio entre trabalho e lazer, ela carrega custos significativos para o setor produtivo.

Para Madi, a sociedade precisa estar ciente de que a redução da jornada de trabalho encarece os processos produtivos.

“Essa medida atende a um pedido da sociedade de reequilibrar o tempo de vida entre as horas de trabalho e o lazer ou as demais atividades não remuneradas, mas ela tem um custo”, afirmou.

Produtividade por hora versus produção total

Madi explicou a diferença entre produtividade por hora e capacidade produtiva total.

Segundo ele, o trabalhador mais descansado tende a render mais, cometer menos erros e apresentar menor rotatividade, o que eleva a produtividade por hora trabalhada.

No entanto, esse ganho não é suficiente para compensar a redução no total de horas trabalhadas ao longo de um mês.

“Esse aumento da produtividade por hora não é suficiente para compensar a produção total no intervalo maior de tempo. Ao longo de um mês, por exemplo, o total trabalhado por esse funcionário vai se reduzir, isso significa um menor nível de produção”, disse Madi.

Para ele, a medida tem, portanto, “um custo em termos de redução da capacidade produtiva da população como um todo”.

Possível aumento de trabalhadores autônomos e novas contratações CLT

Questionado sobre a possibilidade de crescimento no número de profissionais autônomos após a mudança na escala, Madi reconheceu que isso pode ocorrer para parte dos trabalhadores, que podem optar por continuar trabalhando o mesmo número de horas para obter maior renda.

Contudo, ele avaliou que o efeito predominante deve ser outro.

“O efeito predominante vai ser você ter uma certa compensação com o aumento de empregos CLT para compensar a redução de horas trabalhadas por cada funcionário”, explicou.

Ao ser indagado sobre quem arcará com os custos da medida, Madi afirmou que a resposta depende das dinâmicas de cada setor.

Segundo ele, a conta deve ser dividida entre uma redução da lucratividade das empresas e um aumento de preços ao consumidor.

“Ao longo do tempo, esse aumento de preços significa a inflação. A inflação corrói o poder de compra dos trabalhadores”, alertou.

Madi ponderou que, num primeiro momento, a expectativa de reduzir a jornada sem diminuir salários ou rentabilidade pode se concretizar, mas que esse benefício tende a ser reduzido pelo efeito inflacionário ao longo do tempo.

Além disso, ele destacou impactos sobre as finanças públicas: empresas menos lucrativas recolhem menos imposto de renda, mas o aumento de contratações pode elevar a arrecadação sobre a folha salarial, criando um efeito parcialmente compensatório.

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Defesa de Vorcaro pressiona PF com jogada “desesperada”, diz especialista

13 June 2026 at 03:24

O caso envolvendo Daniel Vorcaro e a possibilidade de uma delação premiada ganhou novos contornos após o que especialistas descrevem como uma manobra da defesa do ex-banqueiro.

Para Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, o vazamento de informações e a ventilação de possíveis novos nomes — majoritariamente políticos — configuram uma jogada “desesperada” para pressionar as autoridades competentes.

Em entrevista ao WW nesta sexta-feira (12), Barreto avaliou que a estratégia da defesa de Vorcaro visava pressionar a PF (Polícia Federal) e a  PGR (Procuradoria-Geral da República) a aceitarem o acordo de delação premiada do ex-banqueiro.

Comparação com a Lava Jato

Para contextualizar a situação, Barreto recorreu à Operação Lava Jato como parâmetro de análise. Segundo ele, existe no histórico recente do país o exemplo de “uma operação um pouco descontrolada, de ataques sem uma estrutura hierárquica, os políticos empurrando uns aos outros em direção ao foco para conseguirem se livrar”.

Em contraposição, o especialista descreveu um modelo investigativo oposto: “uma investigação e um processo de apuração top-down, controlado com seus efeitos dosados”, no qual os envolvidos chegariam a estabelecer um cronograma para a divulgação de informações.

Sensação de controle que se desfez

Barreto relatou que, até recentemente, havia em Brasília a percepção de que o caso caminhava para um desfecho mais controlado.

Nesse cenário, o próprio Vorcaro estaria, nas palavras do especialista, “enrolando as organizações”, possivelmente após receber um recado para “segurar a onda” e, assim, conseguir se livrar da situação posteriormente. Essa sensação, no entanto, teria sido abalada pelos acontecimentos mais recentes.

O que se viu a partir de determinado momento, segundo Barreto, foi um vazamento atribuído, nos bastidores, à própria defesa de Vorcaro.

A estratégia teria consistido em especular sobre a existência de outros políticos envolvidos — incluindo o presidente do Senado e uma ala do PT — “de certa maneira para criar algum tipo de frisson na opinião pública, na imprensa para que a Polícia Federal, as instituições fossem pressionadas a aceitar” o acordo.

Para o especialista, trata-se de “uma jogada um pouco desesperada, talvez, da defesa”, que reacendeu o risco de o processo “perder o controle novamente com vazamentos”.

Barreto resumiu o momento como um limiar em que o país pode “entrar num bang-bang onde as instituições perdem um pouco o controle desse processo de investigação e de apuração”.

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Pontos principais não estão sendo tratados entre EUA e Irã, diz professor

13 June 2026 at 02:11

As negociações em curso entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito entre os dois países não estão abordando os pontos centrais do impasse, como a questão nuclear iraniana. A avaliação é de Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em entrevista ao Hora H.

Segundo Alexandre Coelho, caso um acordo seja firmado, ele deverá ser classificado como um entendimento tático e extremamente frágil.

“Se esse acordo sair, será um acordo muito frágil, será o que a gente pode dizer até de um acordo tático”, afirmou.

Para ele, o principal objetivo norte-americano nas negociações é simplesmente evitar a continuidade do conflito armado, sem necessariamente resolver as disputas estruturais entre os dois países.

Estratégia de escalada e desmobilização do Estreito de Ormuz

Os recentes ataques realizados pelos Estados Unidos, de acordo com Alexandre Coelho, faziam parte de uma estratégia deliberada de escalada seguida de desescalada, com o objetivo de pressionar o Irã a aceitar condições mais favoráveis a Washington.

O professor destacou que o foco central do possível acordo seria a desmobilização do Estreito de Ormuz, permitindo a passagem de petroleiros pela região — e que mesmo essa medida seria implementada de forma gradual.

“No mais, permanecemos no mesmo patamar, na mesma guerra de atrito para a qual esse conflito está caminhando”, avaliou.

Alexandre Coelho também ressaltou que, ao declarar vitória na guerra, o Irã obteve um triunfo do ponto de vista estratégico, ainda que os Estados Unidos mantenham clara superioridade militar.

“Do ponto de vista militar, não há dúvidas que os Estados Unidos domina a questão militar”, reconheceu.

No entanto, acrescentou que, do ponto de vista estratégico, os norte-americanos estão em desvantagem, em parte devido às diferenças entre os sistemas políticos dos dois países e seus impactos sobre a política externa de cada nação.

Netanyahu como variável de risco para o acordo

Outro ponto destacado por Alexandre Coelho foi o papel do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, como fator de instabilidade no contexto das negociações.

Para o professor, Netanyahu se tornou um passivo para os próprios Estados Unidos, em razão de acusações de corrupção, de um processo no Tribunal Penal Internacional e de um mandado de prisão contra ele.

“Os Estados Unidos, ou Donald Trump, me parece que se tornou refém do Netanyahu”, afirmou.

Alexandre Coelho apontou ainda que a própria base de apoio de Donald Trump já não sustenta mais Netanyahu, especialmente no que diz respeito à guerra.

Além de Netanyahu, o professor identificou o Hezbollah, no sul do Líbano, como outra variável capaz de comprometer qualquer entendimento alcançado.

“Pode colocar tudo a perder desse frágil acordo, desse frágil memorando de entendimento”, concluiu, indicando que as negociações previstas em Genebra merecem atenção nos próximos dias.

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Aprovação da PEC da 6×1 na Câmara foi irresponsabilidade, diz Abrasel

13 June 2026 at 01:21

Ao Hora H, Paulo Solmucci, da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), classificou como “irresponsabilidade” a velocidade com que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados.

Solmucci afirmou que o tema deveria ser debatido com muito mais tempo e cautela, dado o impacto que a medida teria sobre a vida de todos os brasileiros.

Críticas à celeridade da votação

Solmucci foi enfático ao avaliar o processo legislativo na Câmara.

“Eu nunca vi tanta irresponsabilidade na minha vida na política brasileira, como aconteceu na Câmara“, declarou.

Segundo ele, houve uma pressão para que um assunto de tamanha relevância fosse votado em apenas 45 dias, sem o devido debate com a sociedade.

Em contrapartida, Solmucci demonstrou satisfação com a postura adotada pelo senador Davi Alcolumbre no âmbito do Senado Federal.

“Estamos muito animados com a postura do senador Davi Alcolumbre, que tem mostrado uma responsabilidade democrática muito grande”, disse.

De acordo com Solmucci, Alcolumbre tem defendido abertamente que o tema seja discutido com calma e que toda a sociedade conheça os custos envolvidos.

Impacto econômico para o setor

O representante da Abrasel detalhou os efeitos práticos que a aprovação da PEC traria para bares e restaurantes.

Segundo ele, o setor enfrentaria um aumento de custo de 20%, além de uma dificuldade estrutural relacionada à substituição de funções especializadas.

“É impossível pegar um garçom e ele virar cozinheiro”, exemplificou, ao explicar que, para manter a oferta de serviços, as empresas precisariam contratar um trabalhador adicional para cobrir o dia a menos trabalhado, elevando proporcionalmente os custos.

Solmucci alertou ainda que os impactos não se restringiriam ao setor de alimentação.

Segundo ele, condomínios residenciais e clínicas médicas também registrariam aumentos de cerca de 20% em seus custos.

O representante da Abrasel criticou a narrativa de que seria possível “trabalhar menos, ganhar igual e ficar mais tempo com a família” sem consequências econômicas, chamando-a de “falácia”.

Como alternativa, ele citou a proposta do senador Rogerio Marinho (PL), que prevê o trabalho por hora, permitindo que cada trabalhador ajuste sua jornada conforme suas necessidades e seu desejo de geração de renda.

Risco para trabalhadores de periferias

Solmucci também destacou um efeito colateral que considera grave: a possibilidade de empresas maiores e mais ricas disputarem mão de obra especializada com pequenos estabelecimentos de bairros periféricos.

Na prática, segundo ele, restaurantes de regiões mais abastadas de São Paulo poderiam atrair cozinheiras de bairros como Campo Limpo, levando ao fechamento de pequenos negócios locais e ao desemprego de outros trabalhadores.

“Vai todo mundo trabalhar longe de casa. Duas horas de ônibus para ir e duas horas de ônibus para voltar”, afirmou, concluindo que a medida, na forma como foi aprovada na Câmara, pioraria a qualidade de vida dos trabalhadores em vez de melhorá-la.

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Chanceler do Irã afirma que país venceu a guerra contra os EUA

12 June 2026 at 23:07

O chanceler iraniano Abbas Araghchi declarou publicamente que o Irã é o vencedor da guerra contra os Estados Unidos, em meio à crescente expectativa pela assinatura de um acordo entre os dois países.

A declaração ocorre em um momento em que as negociações avançam para o que deve ser um memorando de entendimento entre Teerã e Washington. O documento em negociação deve abrir um prazo de 60 dias para discussões técnicas, mas já traria algumas condições e efeitos imediatos a partir de sua assinatura.

Declarações do chanceler iraniano

Araghchi afirmou que as questões nucleares serão discutidas em uma etapa posterior, sinalizando como o acordo pretende tratar um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Ele também declarou que o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, será anunciado no acordo provisório, e que em breve será divulgado um comunicado conjunto com Omã sobre o futuro controle do Estreito de Ormuz.

As declarações do chanceler iraniano contrastam diretamente com a posição do governo americano, que afirma ter sido os Estados Unidos os vencedores do conflito.

Mesmo com as negociações em estágio avançado, as versões apresentadas pelos dois lados permanecem conflitantes, com cada um reivindicando a vitória na guerra.

Os iranianos descrevem uma versão com diversas concessões por parte dos Estados Unidos, enquanto o lado americano apresenta um texto com concessões do Irã — incluindo pontos com os quais Teerã nunca havia concordado anteriormente.

Donald Trump teria cancelado ataques previstos para a noite de quinta-feira justamente em razão do avanço das negociações para o memorando de entendimento.

Nos bastidores, Trump demonstraria frustração por considerar difícil projetar a imagem de que os Estados Unidos saíram mais fortes do conflito, uma vez que o Irã não teria reconhecido os ataques mais recentes como particularmente poderosos.

Mudança de postura do Irã

Ao longo do conflito, o Irã teria mudado a postura que adotava nos últimos anos, quando preferia atuar por meio de grupos associados, como o Hezbollah no Líbano, evitando confrontos diretos.

A postura mais ousada de Teerã, no entanto, não impediu ataques de Israel ao Irã, ao Líbano, nem novos ataques americanos registrados recentemente.

Apesar das versões divergentes, ambos os lados apontam para a possibilidade concreta de pelo menos um acordo provisório.

O documento deve estabelecer condições iniciais para que discussões técnicas sobre o programa nuclear iraniano e outras questões possam ocorrer nos meses seguintes.

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Fim da 6×1: Estamos preocupados com risco econômico, diz Alfredo Cotait

12 June 2026 at 22:21

A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate econômico e trabalhista no Brasil. Em entrevista ao CNN 360º, Alfredo Cotait, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), defendeu uma abordagem mais flexível para a reforma da jornada de trabalho e alertou para os riscos econômicos da proposta aprovada na Câmara dos Deputados.

Segundo Cotait, a entidade não é contrária à discussão sobre mudanças na jornada de trabalho, mas considera que o texto aprovado pelos deputados impõe restrições excessivas. “A proposta que foi aprovada na Câmara engessa de tal forma que vai prejudicar uma série de setores que precisariam ser examinados com um pouco mais de cuidado”, afirmou.

PEC alternativa como saída

Cotait destacou como alternativa a PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL), que, segundo ele, flexibiliza a jornada de trabalho sem retirar os direitos garantidos pela CLT. “Essa PEC vem a calhar porque ele flexibiliza o horário de trabalho, a jornada de trabalho, sem que o trabalhador perca os seus direitos na CLT”, explicou. Na visão da entidade, o modelo ideal seria aquele em que o trabalhador pudesse definir quantas horas deseja trabalhar, recebendo por hora trabalhada, de acordo com suas necessidades.

O representante do setor empresarial ressaltou ainda que a proposta de jornada flexível seria de aplicação imediata, uma vez que a legislação trabalhista vigente já permite a negociação entre empregadores e empregados. “O negociado prevalece sobre o legislado”, reiterou Cotait, referindo-se à reforma trabalhista aprovada anteriormente.

Risco econômico e impacto nos preços

Um dos pontos centrais da fala de Cotait foi a preocupação com os efeitos econômicos da extinção da escala 6×1 nos moldes propostos pela Câmara. Ele alertou que o aumento dos custos trabalhistas seria repassado aos preços ao consumidor, gerando pressão inflacionária. “A gente está muito preocupado com o risco econômico, porque quem vai pagar a conta são os próprios trabalhadores e a sociedade civil em geral, porque vai haver um aumento de custos”, disse.

O presidente da CACB completou que: “Todo aumento de custos de mão de obra é repassado para preço. Provavelmente vai ter uma inflação, e isso vai ser pago pela sociedade”.

Cotait apontou os setores de comércio e serviços como os mais vulneráveis às mudanças, por dependerem de escalas variadas que não se encaixam no modelo 5×2. Ele citou exemplos concretos, como restaurantes que precisariam contratar mais funcionários sem encontrar mão de obra disponível no mercado, e condomínios que teriam de reorganizar toda a sua equipe de trabalho.

Período de transição insuficiente

Outro ponto de crítica levantado por Cotait foi o prazo de transição previsto na proposta da Câmara. Para ele, os dois meses estipulados são insuficientes para que as empresas se adaptem às novas regras. “Os dois meses que eles estão colocando é muito pouco”, afirmou. “Eu acho que teria que ter uma certa transição paulatina um pouco mais longa para que as empresas pudessem se adaptar.”

Cotait também ponderou que o momento atual não seria o mais adequado para avançar com a discussão, em razão da proximidade das eleições. No entanto, reiterou o apoio da entidade a um debate mais amplo e cuidadoso sobre o tema. “Somos a favor da discussão, quem sabe num outro momento”, concluiu.

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Villar: Mercado imobiliário exige visão de longo prazo e análise do crédito

12 June 2026 at 22:13

O mercado imobiliário demanda uma perspectiva de longo prazo por parte de seus agentes. Segundo análise do CEO da Moura Dubeux, Diego Villar, durante entrevista ao programa “É Negócio, trata-se de um exercício constante de projeção e tentativa de acerto diante de múltiplas variáveis econômicas.

O mercado imobiliário é altamente dependente do crédito, que pode ser analisado sob dois aspectos principais: o volume, ou seja, a capacidade do mercado de gerar oferta de crédito, e a taxa de juros. Ambos os fatores influenciam diretamente a dinâmica do setor e precisam ser monitorados com atenção.

Além do crédito, a confiança na economia e no emprego desempenha papel fundamental. A decisão de adquirir um imóvel representa o maior endividamento que uma pessoa assume ao longo da vida, o que exige que o comprador tenha expectativa real de capacidade de pagamento.

Inflação e juros altos como desafios estruturais

Outro ponto destacado é a necessidade de antecipar os efeitos da inflação, que contribui para a manutenção de juros elevados. Esse cenário impõe ao setor a responsabilidade de planejar a produção com cautela e responsabilidade.

De acordo com Villar, o mercado imobiliário funciona como “um exercício pleno de olhar para os próximos 4 ou 5 anos”, buscando prever variáveis que, em um país como o Brasil, tendem a se comportar de forma extrema em determinados momentos. A volatilidade do cenário macroeconômico torna esse planejamento ao mesmo tempo essencial e desafiador.

Mercado imobiliário concentra demanda no luxo e na baixa renda

O mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento em que a demanda se concentra nos dois extremos do espectro: o segmento de luxo e alto padrão, de um lado, e o segmento econômico, de outro. Segundo Villar, essa configuração é reflexo tanto do déficit habitacional quanto dos incentivos governamentais em vigor.

O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil. Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.

Minha Casa Minha Vida e alto padrão lideram a demanda

O programa Minha Casa Minha Vida tem sido apontado como um dos principais fatores que sustentam a demanda no segmento econômico. “O segmento de luxo é alto padrão e o segmento econômico, por conta não só do déficit (habitacional), mas também do incentivo que o governo vem dando com o programa Minha Casa Minha Vida”, afirmou. Atualmente, quase 90% da composição de investimentos e comercializações está concentrada nessas duas pontas.

Taxa de juros e a classe média reprimida

Um dos principais entraves para o crescimento do segmento intermediário é o nível elevado das taxas de juros, que dificulta o acesso da classe média ao crédito imobiliário. “Se o país entra numa trajetória de redução de taxa de juros e isso consegue enquadrar mais a classe média na aprovação do crédito imobiliário, a gente consegue ter uma classe média mais demandante”, destacou Villar. Após anos de juros altos, a demanda reprimida nesse segmento é considerada bastante elevada.

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EUA saem da guerra mais fracos do que antes do conflito, diz professor

12 June 2026 at 22:13

A expectativa de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã cresceu. Em entrevista ao CNN 360°, o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit avaliou o cenário geopolítico atual e afirmou que os Estados Unidos saem do conflito muito mais fracos do que estavam antes de sua eclosão.

Donald Trump teria repostado uma publicação do chanceler iraniano indicando que um memorando de entendimento entre os dois países nunca esteve tão próximo. Para Rudzit, no entanto, a incerteza ainda é grande.

“Com Donald Trump tudo é possível“, disse o professor, ressaltando que as postagens de Trump em sua rede social Truth Social têm como objetivo manter sua base engajada, especialmente porque a guerra é vista negativamente pela própria base Maga.

Condições para um acordo

Rudzit apontou dois pontos que considera fundamentais para que qualquer acordo seja considerado legítimo. O primeiro é que a Agência Internacional de Energia Atômica tenha acesso irrestrito ao programa nuclear iraniano — o chamado protocolo adicional, que permitiria a inspetores o acesso a qualquer instalação, a qualquer tempo.

“Se ele não conseguir no mínimo que a agência volte a ter esse acesso irrestrito… as críticas vão ser muito grandes”, afirmou o professor, lembrando que um acordo menos rigoroso seria considerado inferior ao que havia sido firmado anteriormente e do qual os Estados Unidos se retiraram.

O segundo ponto destacado por Rudzit é a liberação da passagem pelo Estreito de Ormuz a qualquer navio. Segundo o professor, o Irã tentará ao máximo preservar o controle sobre esse estreito, que representa um instrumento econômico estratégico.

“É um instrumento econômico que todo presidente americano evitou dar para o Irã e que o Trump entregou”, declarou. Negociadores do Catar estiveram em Teerã justamente durante uma nova escalada de ataques, o que, segundo Rudzit, indica que o diálogo continua, ainda que seja difícil saber o quanto a porta permanece aberta.

Enfraquecimento político dos EUA

Ao analisar a projeção de poder dos Estados Unidos após o conflito, Rudzit foi categórico: “Hoje os Estados Unidos saíram muito mais fracos do que estavam antes dessa guerra.”

O professor destacou que o enfraquecimento é, sobretudo, de prestígio — já que os EUA não conseguiram derrotar um inimigo consideravelmente inferior em termos militares e econômicos.

Ele traçou um paralelo com a Rússia, que também saiu com prestígio reduzido após não conseguir derrotar a Ucrânia. Aliados no Golfo Pérsico, segundo Rudzit, passaram a desconfiar da aliança com Washington ao perceberem que a estrutura militar americana não é capaz de protegê-los diante da nova lógica de guerra com drones.

O professor também mencionou a capa da revista Economist, que retratou Xi Jinping com um sorriso no segundo plano, ao lado de uma frase atribuída a Napoleão: “nunca interrompa seu inimigo quando estiver fazendo algo errado.”

Para Rudzit, o conflito serviu de lição para americanos, chineses e outros países sobre o quanto uma nação mais fraca pode enfrentar uma potência maior — lição que, segundo ele, a China aplica tanto em relação a uma possível confrontação com os EUA quanto a uma eventual invasão a Taiwan.

Reflexos no conflito entre Israel e Hezbollah

Questionado sobre os desdobramentos no Oriente Médio, Rudzit fez questão de distinguir o conflito como sendo entre Israel e o Hezbollah — e não entre Israel e o Líbano, uma vez que o governo libanês já teria assinado acordos com Israel.

O professor avaliou que Teerã busca manter os dois teatros de operações interligados para preservar o Hezbollah como instrumento de pressão sobre Israel.

Rudzit também apontou que teria sido forte a influência de Benjamin Netanyahu sobre Donald Trump para que este acreditasse que, eliminando a liderança iraniana, o regime cairia e o Oriente Médio seria transformado.

“Muito pelo contrário, ele está entrando para a história como um presidente que praticamente perdeu o Oriente Médio”, afirmou. O professor concluiu que a situação permanece muito fluida e que é difícil prever para onde os acontecimentos vão caminhar.

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Pejotização pode crescer com o fim da jornada 6×1, diz especialista

12 June 2026 at 21:31

A possível aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6×1 pode gerar um aumento significativo nos custos das empresas e impulsionar a pejotização no Brasil. A avaliação é de Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da FGV Ibre, em entrevista ao CNN Novo Dia.

Segundo Barbosa Filho, a redução da jornada de trabalho prevista no texto aprovado na Câmara dos Deputados — de 44 para 40 horas semanais — representa uma queda de 9% no tempo disponível do trabalhador. “A produtividade total desse trabalhador por mês vai cair”, afirmou. “Isso significa que somente a redução do trabalho daria um aumento de 10% no custo do trabalho.”

O pesquisador explicou que, ao se considerar também os dois dias de descanso remunerado por semana previstos na proposta, o impacto total sobre os custos das empresas pode chegar a 20%.

“Obviamente, a empresa vai buscar a alternativa. A alternativa pode ser a informalidade, pode ser a quebra do vínculo de trabalho”, disse Barbosa Filho. Ele acrescentou que todas as empresas que puderem repassar esse aumento de custo aos preços o farão, atingindo o consumidor de forma geral e pressionando a inflação.

Barbosa Filho destacou ainda o risco de aumento da rotatividade no mercado de trabalho. De acordo com ele, é comum que, diante de reduções de jornada com manutenção de salário, as empresas substituam trabalhadores que ganham acima do piso da categoria por outros com remuneração menor.

“O risco que a gente tem hoje em dia da PEC é que uma parte desse aumento de custo vire rotatividade, uma parte vire o trabalhador migrar para a informalidade”, alertou.

Pejotização como saída para as empresas

Questionado sobre o risco de pejotização, o pesquisador foi direto: “Quando isso é possível, o trabalhador acaba virando uma PJ, ele cria um CNPJ e acaba prestando um serviço para a empresa.”

Para Barbosa Filho, sempre que o custo relativo do trabalho aumenta, tanto empresas quanto trabalhadores reagem, e a pejotização é uma das possibilidades que estarão “em cima da mesa”.

O pesquisador também comentou sobre alternativas que circulam no Congresso para mitigar os impactos econômicos da proposta, como a ampliação do limite do MEI. No entanto, ele ponderou que essa medida traz riscos próprios.

“Você abrir mais espaço para o MEI, que tem um grande subsídio na Previdência, vai contra o equilíbrio fiscal do governo e ao mesmo tempo você acaba fortalecendo um tipo de vínculo que não é aquele vínculo formal com carteira”, concluiu.

Barbosa Filho ressaltou que empresas de pequeno porte, com margens menores, serão as mais afetadas caso a PEC seja aprovada nos moldes atuais.

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