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Custo político de nova escalada EUA-Irã é alto demais, diz especialista

10 June 2026 at 12:12

Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), avaliou ao WW os possíveis desdobramentos dos ataques entre EUA e Irã ocorridos na terça-feira (9). Segundo ele, o custo político de uma nova escalada entre os dois países é alto demais para que qualquer um dos lados declare abertamente o fim do cessar-fogo.

“O cálculo iraniano é esse: na teoria dos jogos, a gente tem um jogo para isso, que é o ‘jogo de chicken’, ou ‘jogo de covarde’, que pressupõe a existência de dois carros, cada um em direção contrária, esperando que o outro desvie no último momento”, explicou.

Ele ressaltou que, diante das armas disponíveis atualmente, esse tipo de confronto é “muito preocupante”.

Cessar-fogo como “ficção funcional”

O especialista descreveu o cessar-fogo vigente como uma “ficção funcional“. “Ambos os lados violam, mas nenhum quer declarar o fim porque o custo político de uma nova escalada é alto demais“, afirmou.

Para Coelho, o episódio recente confirma que o conflito entrou em um estágio de baixa intensidade crônica — uma situação que, segundo ele, “é mais perigosa do que parece, porque de certa forma normaliza a violação do cessar-fogo“.

Cada ciclo de ação e reação proporcional, alertou, “corrói um pouquinho mais a margem para um acordo real”.

Impactos econômicos e a questão do Líbano

O professor também destacou os efeitos econômicos do conflito, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz. “Enquanto Ormuz não abre, o mundo paga a conta dentro de um choque econômico que também vai se tornando sistêmico”, disse. Coelho lembrou que não é apenas petróleo que passa pelo estreito, ampliando o alcance das consequências globais.

Outro ponto abordado foi a questão do Líbano e sua relação com o conflito envolvendo Israel. Segundo Coelho, “quem traz a questão do Líbano de volta para a mesa é o Irã”, em uma tentativa de dissociar a resolução desse conflito da questão israelense.

O especialista avaliou ainda que, apesar de todos os ataques sofridos e de múltiplas lideranças terem sido assassinadas, o Irã sai estrategicamente fortalecido desse momento.

“Apesar de todos os ataques que sofreu, estrategicamente, o Irã, saindo desse conflito nesse momento, é melhor do que entrou”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Irã quer frentes libanesas e iranianas em conflito único, diz especialista

10 June 2026 at 11:42

O Irã está tentando transformar as frentes libanesa e a questão nuclear iraniana em um único conflito, contrariando os objetivos de Israel de separar as duas questões. A análise é de Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, em entrevista ao WW sobre os ataques trocados entre EUA e Irã na terça-feira (9).

Segundo o especialista, o episódio mais recente tem origem nos ataques iranianos a Israel ocorridos no fim de semana — uma ação considerada inédita. “Foi a primeira vez que o Irã atacou Israel sem ter sido atacado no seu próprio território”, destacou o especialista. A ofensiva iraniana teria sido motivada pelos ataques israelenses a Beirute, capital do Líbano.

Israel tenta separar as frentes, Irã resiste

De acordo com Paulo Filho, Israel vinha fazendo um esforço deliberado para dissociar o conflito com o Hezbollah da questão nuclear iraniana e do Estreito de Ormuz. O objetivo seria garantir liberdade de ação para atuar no Líbano sem provocar uma resposta americana relacionada ao programa nuclear do Irã.

“Só que isso não é possível”, afirmou o especialista, explicando que o Irã tem interesse justamente em manter as duas frentes entrelaçadas.

Trump age para conter escalada

Diante dos ataques mútuos entre Israel e Irã, o presidente americano, Donald Trump, teria agido com firmeza sobre ambos os lados para interromper os confrontos e preservar um ambiente favorável às negociações.

No entanto, logo em seguida, um drone abateu um helicóptero Apache americano — episódio descrito por Paulo Filho como incomum e ainda pouco esclarecido. “Do ponto de vista militar, é bem inédita, é bem incomum um drone abater um helicóptero Apache, isso vai ter que ser esclarecido”, disse.

Reação limitada para preservar negociações

Diante do abate do helicóptero, Trump se viu obrigado a responder, mas optou por uma reação contida. Segundo Paulo Filho, a intenção foi dar uma satisfação à opinião pública norte-americana sem escalar as tensões com Teerã.

“Ele faz o ataque de forma limitada, esperando que o Irã contra-ataque também de forma limitada, de modo a manter as negociações“, explicou o especialista.

Paulo Filho alertou, no entanto, que o equilíbrio é extremamente delicado. Incidentes como o do helicóptero Apache podem facilmente levar a uma escalada indesejada.

Ele ressaltou ainda que o Irã mantém uma grande liberdade de ação na região, em parte por sua capacidade de fechar o Estreito de Ormuz — o que representa, segundo ele, “um enorme trunfo para o governo iraniano”.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

PL aposta em análise rápida e definição de parâmetros a pesquisas no TSE

10 June 2026 at 08:15

A defesa do PL (Partido Liberal) aposta em uma análise rápida e em uma definição de parâmetros a pesquisas eleitorais pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) perante o processo sobre a suspensão do levantamento divulgado no último dia 19 pelo instituto AtlasIntel.

Nesta terça-feira (9), o plenário da Corte começou a discutir a liminar dada pelo presidente Kassio Nunes Marques. Não houve, porém, um resultado diante do pedido de vista – mais tempo para apreciação – pela ministra Estela Aranha.

Apesar do adiamento, a defesa do PL se mostrou otimista ao fim da sessão pelas falas de ministros.

Nunes Marques reforçou sua decisão liminar pela suspensão da pesquisa – como quer o PL — e apontou outros questionamentos no formato e na sequência das perguntas aplicadas pela AtlasIntel aos entrevistados.

Ele ponderou a colegas se o TSE vai se debruçar sobre critérios objetivos de pesquisas eleitorais ou se vai em outra direção. A ideia do novo presidente do TSE, se possível, é firmar critérios mais técnicos aos levantamentos.

Dias Toffoli, que assumiu uma vaga de ministro titular do TSE nesta terça, chegou a dizer que “se fosse parlamentar, deixaria as pesquisas livres”. Ao seu ver, as pesquisas são para medir a opinião pública em determinado momento, não para formar opinião pública.

O ministro ressaltou que, a depender do resultado do julgamento, o TSE vai definir os parâmetros que o tribunal terá de ter perante todos os candidatos e todas as pesquisas. Outro ponto levantado por Toffoli é em relação ao limite estabelecido sobre o que é induzir ou não alguém, algo que, para ele, não pode ser subjetivo.

Vice-presidente do TSE, André Mendonça disse que o pedido de vista concedido permite um diálogo com os institutos de pesquisas e a coleta de mais informações.

Ainda não há data para a retomada do julgamento, mas a expectativa da defesa do PL é que o caso volte ao plenário o quanto antes – especialmente por conta do recesso de julho e pela proximidade cada vez maior do pleito de outubro em si.

Também, que a decisão sirva como referência a futuras pesquisas eleitorais, inclusive com critérios metodológicos. Por exemplo, se aprofundar no que os institutos devem informar nos registros das pesquisas ao TSE e se poderão utilizar peças audiovisuais.

Uma das maiores preocupações da pré-campanha do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) é o efeito que pesquisas podem ter nos eleitores numa disputa tão acirrada, em que o resultado final do pleito pode ser decidido por uma diferença menor que dois pontos percentuais, por exemplo. Isso porque enxergam que o uso do chamado voto útil pelos eleitores é muito forte no país.

Na visão de integrantes da defesa do PL, uma decisão com a fixação de parâmetros seria benéfica para todos os candidatos, não apenas para Flávio Bolsonaro.

Há ainda uma preocupação em torno das pesquisas acerca de candidatos a governos estaduais, pela grande quantidade das mesmas, sem necessariamente o que enxergam como qualidade em suas elaborações.

Nenhum candidato ganhou espaço com desgaste de Flávio, diz Arko Advice

10 June 2026 at 04:08

Ao WW, Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice, avaliou que o escândalo envolvendo o Banco Master gerou um dano relativamente limitado para as duas candidaturas que lideram as pesquisas de intenção de voto.

Segundo ele, nenhuma outra candidatura ao Planalto conseguiu ganhar espaço com o desgaste sofrido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Noronha destacou que, apesar da repercussão negativa provocada pela divulgação de áudios envolvendo Flávio e das especulações sobre uma possível substituição de candidatura, o nome segue na disputa.

“Ele continua sendo o principal antagonista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa disputa”, afirmou o consultor.

Recuperação nas pesquisas

Noronha apontou que algumas pesquisas já indicam uma recuperação de Flávio Bolsonaro após o período de maior desgaste.

“Dependendo do instituto que se olhe, alguma recuperação”, pontuou.

Para ele, a queda registrada quando os áudios foram divulgados demonstra que a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, assim como eventuais revelações de investigações da Polícia Federal, pode ser decisiva para um ou outro candidato, a depender do que vier a ser divulgado.

STF também saiu desgastado

O consultor também observou que o episódio acabou colocando o STF (Supremo Tribunal Federal) em uma posição de desgaste.

Segundo Noronha, a Corte, que já apresenta índice de desaprovação superior ao de aprovação, viu sua legitimidade questionada.

Para ele, a situação acabou, de certa forma, beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro, na medida em que parte da opinião pública passou a enxergar motivações políticas e interesses pessoais nas ações de um de seus membros, o ministro Alexandre de Moraes, no contexto do caso.

Apesar de reconhecer o potencial impacto eleitoral da delação e das investigações em curso, Noronha foi cauteloso em suas conclusões.

“Eu ainda não acredito que ela seja suficiente para abalar esses dois candidatos que hoje despontam como favoritos nessas pesquisas de intenção de voto”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Waack: Previsões frustradas de Trump agravam crise nos EUA

10 June 2026 at 02:02

Depois da guerra que iria durar cerca de 20 dias ter passado dos 100, o presidente americano, Donald Trump, voltou a bater o próprio recorde de previsões equivocadas.

Disse, na última madrugada, que em questão de dois a três dias ia fechar um acordo com o Irã pra resolver tudo. Da intratável questão nuclear até a reabertura do Estreito de Ormuz.

Foi a 37ª vez que Trump fez um anúncio desse tipo durante esses mencionados 100 dias de de conflito. Mas, foi antes do Irã ter derrubado um helicóptero de ataque americano ali junto do Estreito – na última segunda-feira (8) – que os americanos revidaram com ataques a alvos militares iranianos – nesta terça-feira (9).

Enquanto, na mesma guerra, travada em locais bem afastados entre si, Israel prosseguia em extensas operações militares no sul do Líbano. Contrariando o próprio Trump.

Que é, segundo ele mesmo diz, quem toma as decisões, diz o que vai acontecer, manda no jogo. Ou é o jogo que tomou conta do que faz ou não faz o presidente americano?

Trump apostou – fortemente influenciado ou até conduzido por Israel – numa grande ação militar para atingir objetivos políticos, que não foram atingidos, e está no momento numa situação pouco invejável.

Não consegue parar a guerra nos termos que pretende. Nem parece disposto a continuar uma guerra que está causando danos à economia mundial, e severos estragos políticos domésticos.

Pode ser que Trump ainda consiga alguma coisa para chamar de vitória no atual conflito. Mas não parece que vai ser sozinho.

Vai depender sobretudo….do adversário. É o chefão tendo de se entender com os aprendizes.

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