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Análise: O que falta para a delação de Vorcaro ser aceita

10 June 2026 at 13:12

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, busca um acordo de colaboração premiada, mas enfrenta resistência significativa da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República). Segundo informações apuradas junto ao entorno de Vorcaro, a negociação estaria contaminada pelo ambiente político do país.

A expectativa predominante é que Vorcaro permaneça preso pelo menos até o fim das eleições, o que representaria ainda três ou quatro meses de detenção na Superintendência da Polícia Federal ou no Complexo Penitenciário da Papuda.

PF insatisfeita com o que foi apresentado

A Polícia Federal demonstra insatisfação com a segunda proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro. A avaliação dos investigadores é de que ele ainda não entregou todas as informações disponíveis — não forneceu todos os detalhes nem o volume de dados que os investigadores gostariam de obter.

Diante disso, parte do entorno de Vorcaro aposta que a delação seja encaminhada pela PGR. Uma resposta oficial sobre a aceitação ou rejeição da nova proposta era esperada até o final da semana.

Vorcaro ainda faz acréscimos ao material já apresentado. Há ainda a questão da homologação pelo relator André Mendonça, no STF (Supremo Tribunal Federal). Em paralelo, a Justiça das Bahamas reconheceu oficialmente a liquidação do Banco Master, decisão que facilita o processo de recuperação de ativos financeiros da instituição no exterior.

Duas versões em disputa

O analista de Política da CNN Caio Junqueira destacou que existe uma guerra de versões em torno do caso. De um lado, o entorno de Vorcaro sustenta que a PF e a PGR demonstram má vontade em fechar o acordo, em razão de conexões políticas com o STF e o Palácio do Planalto.

De outro, os investigadores afirmam que Vorcaro entregou pouco, que está escondendo recursos e que avançou pouco entre uma proposta e outra. “Ele diz que deu dinheiro para um contrato, por exemplo, mas ele não diz que aquela autoridade deu de volta com algum benefício a partir do exercício de sua função”, explicou Caio Junqueira.

Nenhum agente externo teria tido acesso direto ao conteúdo das propostas — tudo o que circula vem de pessoas que afirmam ter visto os documentos.

Politização e cálculo estratégico

O vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, avaliou que Vorcaro tenta conduzir a negociação preservando parte dos recursos, ainda que prometa devolver uma parcela. “O fato é que muita gente em Brasília está torcendo para que essa delação não saia, porque acaba poupando muita gente do desgaste”, afirmou o especialista.

Ele também apontou que a ampla rede de relacionamentos construída por Vorcaro ao longo dos anos teria operado no sentido de enviar sinais de que a delação não seria um bom negócio para ele.

A âncora da CNN Thais Herédia ressaltou que, para que a colaboração premiada seja aceita, é necessário que o colaborador confesse os crimes cometidos. Segundo ela, essa confissão seria justamente uma das peças que ainda falta.

Além disso, há questionamentos sobre a forma do ressarcimento — um número em torno de R$ 60 bilhões teria aparecido nas negociações —, e sobre a base de cálculo desse valor. “É uma linha muito tênue entre aquilo que as autoridades já têm e podem incriminá-lo e aquilo que pode virar uma peça a favor dele ao longo do tempo”, ponderou Herédia.

Clima político mudou em quatro meses

O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, recordou que, em janeiro e fevereiro, quando surgiram as primeiras mensagens do celular de Vorcaro e quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou um relatório a Edson Fachin citando um ministro do STF, o clima no mundo político era de “pânico absoluto”.

Quatro meses depois, segundo Rittner, esse clima mudou de forma significativa. A sucessão de idas e vindas nas negociações — troca de advogados, novas propostas, acréscimos — teria esvaziado, ao menos na percepção do ambiente político, o impacto potencial da delação.

“Tudo isso está dando uma sensação de algum relaxamento que pode ser falsa”, alertou Rittner, ressalvando que esse relaxamento pode ser um auto-engano.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Custo político de nova escalada EUA-Irã é alto demais, diz especialista

10 June 2026 at 12:12

Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), avaliou ao WW os possíveis desdobramentos dos ataques entre EUA e Irã ocorridos na terça-feira (9). Segundo ele, o custo político de uma nova escalada entre os dois países é alto demais para que qualquer um dos lados declare abertamente o fim do cessar-fogo.

“O cálculo iraniano é esse: na teoria dos jogos, a gente tem um jogo para isso, que é o ‘jogo de chicken’, ou ‘jogo de covarde’, que pressupõe a existência de dois carros, cada um em direção contrária, esperando que o outro desvie no último momento”, explicou.

Ele ressaltou que, diante das armas disponíveis atualmente, esse tipo de confronto é “muito preocupante”.

Cessar-fogo como “ficção funcional”

O especialista descreveu o cessar-fogo vigente como uma “ficção funcional“. “Ambos os lados violam, mas nenhum quer declarar o fim porque o custo político de uma nova escalada é alto demais“, afirmou.

Para Coelho, o episódio recente confirma que o conflito entrou em um estágio de baixa intensidade crônica — uma situação que, segundo ele, “é mais perigosa do que parece, porque de certa forma normaliza a violação do cessar-fogo“.

Cada ciclo de ação e reação proporcional, alertou, “corrói um pouquinho mais a margem para um acordo real”.

Impactos econômicos e a questão do Líbano

O professor também destacou os efeitos econômicos do conflito, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz. “Enquanto Ormuz não abre, o mundo paga a conta dentro de um choque econômico que também vai se tornando sistêmico”, disse. Coelho lembrou que não é apenas petróleo que passa pelo estreito, ampliando o alcance das consequências globais.

Outro ponto abordado foi a questão do Líbano e sua relação com o conflito envolvendo Israel. Segundo Coelho, “quem traz a questão do Líbano de volta para a mesa é o Irã”, em uma tentativa de dissociar a resolução desse conflito da questão israelense.

O especialista avaliou ainda que, apesar de todos os ataques sofridos e de múltiplas lideranças terem sido assassinadas, o Irã sai estrategicamente fortalecido desse momento.

“Apesar de todos os ataques que sofreu, estrategicamente, o Irã, saindo desse conflito nesse momento, é melhor do que entrou”, concluiu.

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Irã quer frentes libanesas e iranianas em conflito único, diz especialista

10 June 2026 at 11:42

O Irã está tentando transformar as frentes libanesa e a questão nuclear iraniana em um único conflito, contrariando os objetivos de Israel de separar as duas questões. A análise é de Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, em entrevista ao WW sobre os ataques trocados entre EUA e Irã na terça-feira (9).

Segundo o especialista, o episódio mais recente tem origem nos ataques iranianos a Israel ocorridos no fim de semana — uma ação considerada inédita. “Foi a primeira vez que o Irã atacou Israel sem ter sido atacado no seu próprio território”, destacou o especialista. A ofensiva iraniana teria sido motivada pelos ataques israelenses a Beirute, capital do Líbano.

Israel tenta separar as frentes, Irã resiste

De acordo com Paulo Filho, Israel vinha fazendo um esforço deliberado para dissociar o conflito com o Hezbollah da questão nuclear iraniana e do Estreito de Ormuz. O objetivo seria garantir liberdade de ação para atuar no Líbano sem provocar uma resposta americana relacionada ao programa nuclear do Irã.

“Só que isso não é possível”, afirmou o especialista, explicando que o Irã tem interesse justamente em manter as duas frentes entrelaçadas.

Trump age para conter escalada

Diante dos ataques mútuos entre Israel e Irã, o presidente americano, Donald Trump, teria agido com firmeza sobre ambos os lados para interromper os confrontos e preservar um ambiente favorável às negociações.

No entanto, logo em seguida, um drone abateu um helicóptero Apache americano — episódio descrito por Paulo Filho como incomum e ainda pouco esclarecido. “Do ponto de vista militar, é bem inédita, é bem incomum um drone abater um helicóptero Apache, isso vai ter que ser esclarecido”, disse.

Reação limitada para preservar negociações

Diante do abate do helicóptero, Trump se viu obrigado a responder, mas optou por uma reação contida. Segundo Paulo Filho, a intenção foi dar uma satisfação à opinião pública norte-americana sem escalar as tensões com Teerã.

“Ele faz o ataque de forma limitada, esperando que o Irã contra-ataque também de forma limitada, de modo a manter as negociações“, explicou o especialista.

Paulo Filho alertou, no entanto, que o equilíbrio é extremamente delicado. Incidentes como o do helicóptero Apache podem facilmente levar a uma escalada indesejada.

Ele ressaltou ainda que o Irã mantém uma grande liberdade de ação na região, em parte por sua capacidade de fechar o Estreito de Ormuz — o que representa, segundo ele, “um enorme trunfo para o governo iraniano”.

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O Grande Debate: Politização pode contaminar eventual delação de Vorcaro?

10 June 2026 at 06:26

O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o cientista político Magno Karl debateram, na terça-feira (9), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se a “politização pode contaminar eventual delação de Vorcaro?”

O entorno de Daniel Vorcaro, do Banco Master, avalia que as negociações de sua delação premiada foram contaminadas por interesses políticos. A avaliação, apurada pela CNN Brasil, indica ainda que o ex-banqueiro deve permanecer preso pelo menos até o fim do processo eleitoral.

Segundo fontes próximas a Vorcaro, há um incômodo com o que consideram má vontade da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República em relação ao material entregue nas negociações. O entorno afirma que esse material estaria mais aprofundado do que a primeira versão e que detalharia a relação do ex-banqueiro com personagens dos três poderes.

A avaliação é de que não interessaria às autoridades avançar com algo que pudesse gerar amplo prejuízo político antes das eleições.

Tese da politização é uma “vacina política”

José Eduardo Cardozo foi categórico ao rebater a tese levantada pelo entorno de Vorcaro. Para ele, a narrativa da politização funciona como o que chamou de “vacina política”, uma estratégia para desviar a atenção dos fatos investigados.

“Quem é o entorno de Vorcaro? Só pode ser pessoas que de algum nível têm uma relação com ele. Se têm relação com ele, possivelmente participaram do grande universo de falcatruas que ele produziu”, afirmou. Segundo Cardozo, essas pessoas teriam interesse em que a delação não avançasse, pois temem ser envolvidas no processo.

Cardozo também questionou a lógica de uma delação premiada que não acrescenta informações novas. “Se o delator mente ou não apresenta as provas que provavelmente tenha, por que se vai negociar com ele se ele não está acrescentando nada?”, argumentou.

Para ele, a Polícia Federal, o Ministério Público e o ministro do STF André Mendonça, que conduz o inquérito, agiram de forma absolutamente natural ao não concordar com o material apresentado. Cardozo destacou ainda que a pena de Vorcaro tende a ser elevada, independentemente de uma eventual delação, dada a quantidade e a gravidade dos ilícitos investigados.

Politização é natural, mas não justifica o esquema

Magno Karl reconheceu que algum grau de politização no caso é inevitável, dado que o esquema investigado teria distribuído bilhões de reais entre agentes da política brasileira. “É muito difícil não haver politização na abordagem, na discussão, na investigação de um crime que literalmente distribuiu bilhões, pelos players da política no Brasil”, disse.

No entanto, Karl foi enfático ao afirmar que isso não transforma Vorcaro em vítima. “O sistema funciona para proteger a sociedade, não é para proteger o bandido”, afirmou.

Karl também destacou que Vorcaro teria mentido na primeira proposta de delação, e que a imprensa, uma semana depois, descobriu fatos com provas que ele nem havia mencionado. Para o analista, o entorno do ex-banqueiro prefere falar sobre política justamente para desviar o foco das provas concretas.

“Algumas coisas são apenas uma questão de polícia e bandido. E é importante que a gente não esqueça quem é a polícia e quem é o bandido nesse caso”, concluiu.

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Nenhum candidato ganhou espaço com desgaste de Flávio, diz Arko Advice

10 June 2026 at 04:08

Ao WW, Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice, avaliou que o escândalo envolvendo o Banco Master gerou um dano relativamente limitado para as duas candidaturas que lideram as pesquisas de intenção de voto.

Segundo ele, nenhuma outra candidatura ao Planalto conseguiu ganhar espaço com o desgaste sofrido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Noronha destacou que, apesar da repercussão negativa provocada pela divulgação de áudios envolvendo Flávio e das especulações sobre uma possível substituição de candidatura, o nome segue na disputa.

“Ele continua sendo o principal antagonista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa disputa”, afirmou o consultor.

Recuperação nas pesquisas

Noronha apontou que algumas pesquisas já indicam uma recuperação de Flávio Bolsonaro após o período de maior desgaste.

“Dependendo do instituto que se olhe, alguma recuperação”, pontuou.

Para ele, a queda registrada quando os áudios foram divulgados demonstra que a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, assim como eventuais revelações de investigações da Polícia Federal, pode ser decisiva para um ou outro candidato, a depender do que vier a ser divulgado.

STF também saiu desgastado

O consultor também observou que o episódio acabou colocando o STF (Supremo Tribunal Federal) em uma posição de desgaste.

Segundo Noronha, a Corte, que já apresenta índice de desaprovação superior ao de aprovação, viu sua legitimidade questionada.

Para ele, a situação acabou, de certa forma, beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro, na medida em que parte da opinião pública passou a enxergar motivações políticas e interesses pessoais nas ações de um de seus membros, o ministro Alexandre de Moraes, no contexto do caso.

Apesar de reconhecer o potencial impacto eleitoral da delação e das investigações em curso, Noronha foi cauteloso em suas conclusões.

“Eu ainda não acredito que ela seja suficiente para abalar esses dois candidatos que hoje despontam como favoritos nessas pesquisas de intenção de voto”, concluiu.

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Análise: Redução da maioridade penal faz oposição desafiar o PT

9 June 2026 at 23:13

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, mais uma vez, nesta terça-feira (9), a votação da proposta que reduz a maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos.

A análise havia sido interrompida anteriormente por um pedido de vista, e o tema voltou a ganhar destaque no cenário político nacional.

Nessa etapa do processo legislativo, a CCJ não analisa o mérito da proposta — ou seja, se ela deve ou não ser aprovada —, mas sim se o texto é constitucional e admissível.

Debate ressurge em momento de comoção e articulação eleitoral

Ao CNN 360°, analista de política da CNN Pedro Venceslau destacou que o debate sobre a maioridade penal tramita há muito tempo no Congresso Nacional e costuma ressurgir com maior intensidade em momentos de comoção popular.

“Recentemente teve o caso do cão Orelha, lá em Santa Catarina, aquele que foi assassinado por um grupo de adolescentes, e que também, nesse momento, se retomou esse debate sobre a questão da maioridade penal”, afirmou Venceslau.

A discussão, no entanto, ocorre em um momento politicamente sensível, quando pré-candidatos à presidência da República estão organizando seus programas de governo e a segurança pública desponta como um dos temas centrais da disputa eleitoral, explica o analista

Venceslau apontou que o avanço desse debate beneficia especialmente Flávio Bolsonaro e o campo político mais conservador, que sempre defendeu a redução da maioridade penal como uma de suas principais bandeiras.

“É aquele campo político mais linha dura, que faz um discurso de mais severidade na questão de penas, de aumento de penas, especialmente para crimes hediondos”, explicou o analista.

Em contrapartida, o tema representa um terreno desconfortável para o PT, partido que, desde sua fundação em 1980, se posiciona contrariamente à medida.

PT enfrenta desafio diante da popularidade da pauta

De acordo com Venceslau, pesquisas internas dos partidos em períodos eleitorais indicam que a redução da maioridade penal tem maior aceitação do que rejeição entre o eleitorado.

“É diferente da questão da pena de morte, por exemplo, que aí já é uma divisão mais acentuada”, comparou o analista.

Esse cenário torna ainda mais difícil para o PT encontrar uma posição intermediária no debate sem incorrer em incoerência com sua trajetória histórica ligada aos direitos humanos.

Venceslau ressaltou ainda que Lula tem buscado dialogar com eleitores mais conservadores e encontrar uma bandeira sólida na área de segurança pública.

A PEC da segurança pública, no entanto, segue no Congresso sem previsão de votação no Senado.

Caso o debate avance pela CCJ e chegue ao plenário da Câmara às vésperas do recesso — período que coincide com as convenções partidárias —, “o PT vai acabar ficando na defensiva, porque não é a sua zona de conforto”, concluiu o analista.

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Análise: Vaia a Trump na NBA não está vinculada diretamente à desaprovação

9 June 2026 at 23:01

Donald Trump foi intensamente vaiado durante o jogo 3 das finais da NBA, entre o New York Knicks e San Antonio Spurs, realizado em Nova York, em um dos ginásios mais famosos do mundo, o Madison Square Garden. As manifestações do público ocorreram tanto na chegada de Trump ao local quanto durante a execução do hino norte-americano.

Além das vaias, Trump ainda saiu do evento com a fama de pé frio: a equipe de Nova York, que vinha de 13 vitórias consecutivas, foi derrotada dentro de casa na ocasião.

Contexto importa na avaliação do episódio

Para a analista de Internacional Fernanda Magnotta, ao CNN 360º, a imagem é simbólica e emblemática, mas precisa ser contextualizada antes de qualquer conclusão mais ampla. “De fato, o presidente Trump tem índices de rejeição mais altos da história das presidências dos Estados Unidos em geral e enfrenta o seu momento de desgaste mais acentuado em particular”, afirmou Magnotta.

No entanto, a analista ponderou que o episódio ocorreu em uma das cidades mais democratas dos Estados Unidos, onde Trump historicamente registra os mais altos índices de rejeição.

Magnotta também destacou o perfil demográfico do público presente. Segundo ela, o público da NBA costuma ser mais urbano, mais jovem e mais progressista do que a média do eleitorado americano — inclusive do que aquele segmento que, em muitos casos, define o resultado de eleições para o lado republicano ou trumpista.

Desgaste evidente, mas Trump segue como força mobilizadora

A analista reconheceu que há um desgaste evidente e até um certo conforto das pessoas em manifestar sua desaprovação publicamente. Contudo, ressaltou que, historicamente, esse tipo de reação em estádios e ginásios é relativamente comum. “Para muitos políticos, mais do que a rejeição, o problema era a indiferença. O presidente Trump, apesar de ser odiado por muitos, ainda é uma força mobilizadora importante”, destacou também.

Como evidência dessa capacidade de mobilização, a analista apontou as eleições locais e de meio de mandato previstas para novembro, nas quais candidatos alinhados a Trump ainda têm obtido êxito em diversas disputas. Para Magnotta, o episódio da vaia deve ser acompanhado como um sintoma, mas está longe de representar a característica predominante do cenário político nos Estados Unidos.

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Análise: Repetição de Trump sobre acordo com Irã gera gap de credibilidade

9 June 2026 at 22:50

Um levantamento da CNN revelou que Donald Trump já afirmou estar próximo de fechar um acordo com o Irã ao menos 37 vezes desde o início do cessar-fogo. Nesta terça-feira (9), Trump voltou a repetir a declaração, afirmando que o acordo poderia ser concluído “em dois ou três dias”.

A analista de Internacional Fernanda Magnotta analisou o comportamento e o classificou dentro de um padrão recorrente nas negociações conduzidas por Trump. Segundo ela, existe um termo específico utilizado em circunstâncias como essa no campo das negociações internacionais: o “gap de credibilidade”.

“A gente está falando basicamente de situações em que um determinado líder anuncia repetidamente um resultado que ele considera iminente, mas esse resultado, na prática, não se concretiza”, explicou Magnotta em comentário no CNN 360º desta terça-feira.

A consequência direta desse comportamento, segundo a analista, é que mercados, aliados e até os adversários passam a, de certa maneira, desconsiderar essas declarações.

Magnotta observou que, neste caso, o problema não está necessariamente em não atingir um acordo, mas em “criar uma expectativa temporal específica e não conseguir entregar”.

Padrão identificado em outros conflitos

A analista apontou casos anteriores em que esse padrão se manifestou de forma clara. O primeiro exemplo citado foi o das negociações com a Coreia do Norte, quando Trump chegou a se reunir com Kim Jong-un. Em 2019, ele foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a pisar em território norte-coreano.

“Foi considerado um evento histórico, sem precedentes, mas na prática, pouco avanço se verificou depois daquele aperto de mão“, afirmou Magnotta.

Ela ressaltou que Trump prometia anúncios transformadores que nunca se concretizaram: “Para além do efeito simbólico, a relação com os Estados Unidos nunca mudou e a Coreia do Norte continuou a sua narrativa, a sua ofensiva contra o Ocidente”.

O segundo exemplo mencionado por Magnotta foi o da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ela lembrou que Trump prometeu soluções rápidas para o conflito diversas vezes. A analista lembra que, durante a campanha eleitoral, o presidente norte-americano chegou a afirmar que encerraria a guerra em 24 horas. Nenhuma dessas promessas se materializou.

“A gente vai percebendo que isso corresponde a uma espécie de padrão, que na leitura de Trump provavelmente tem um quê de estratégico. É como se ele estivesse usando um certo otimismo público para conduzir um processo de negociação, é uma ferramenta”, avaliou Magnotta.

Custo político

Fernanda Magnotta alertou que, apesar de eventual caráter estratégico, o custo dessa postura “no curto prazo é muito alto”. “Não há previsibilidade clara, a gente não tem necessariamente garantias de que isso vá acontecer e o relógio da opinião pública costuma ser um pouco impaciente“, afirmou.

A analista também destacou a contradição presente no cenário atual: ao mesmo tempo em que Trump promete avanços negociais com o Irã, ele próprio declarou que um helicóptero americano teria sido derrubado por forças iranianas e que haveria retaliação.

A chama da guerra continua acesa e a escalada nos conflitos pode acontecer às vezes a partir de faíscas muito pequenas”, concluiu Magnotta.

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Fim da 6×1 vai gerar inflação nos alimentos, diz vice-presidente da CNA

9 June 2026 at 21:43

A proposta de fim da escala de trabalho 6×1 pode ter como consequência direta o aumento dos preços dos alimentos no Brasil.

Essa é a avaliação de Marcelo Bertoni, vice-presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), em entrevista ao CNN 360°.

Segundo Bertoni, o setor agropecuário já enfrenta escassez de mão de obra, e a mudança na legislação trabalhista agravaria esse cenário, elevando os custos de produção e, consequentemente, os preços nas prateleiras dos supermercados.

Impacto no setor agropecuário

Bertoni destacou as especificidades do trabalho no campo para justificar sua preocupação.

“O nosso setor tem muitas especificações diferentes de trabalho, principalmente na leiteria. Você trabalha a semana inteira, você tem períodos de plantio, de safra, que você fica quatro meses sem sábado, domingo, sem feriado”, afirmou.

Para ele, a rigidez de uma escala fixa não se adequa à realidade do agronegócio.

O representante da CNA foi enfático ao alertar sobre as consequências econômicas da medida.

“Com certeza, nós teremos um aumento de custo de produção. Nenhuma empresa trabalha no vermelho. Esses custos serão repassados para a população. Quem vai pagar a conta é a população”, declarou.

Bertoni acrescentou ainda que, se houver mais custo de produção, haverá inflação, que chegará ao bolso do consumidor na gôndola do supermercado.

Defesa da flexibilização e negociação direta

Em vez da PEC que propõe o fim da escala 6×1, Bertoni defendeu a PEC 12, de autoria do senador Rogério Marinho, que prevê flexibilidade para que o trabalhador possa negociar diretamente com o empregador as condições de trabalho.

“Eu acho que essa liberdade de escolha o trabalhador possa ter para fazer isso discutindo com o seu empregador”, disse.

Ao ser questionado sobre o argumento dos sindicatos de que, nessas negociações, o empregador sempre leva vantagem, Bertoni discordou.

“Eu preciso do trabalhador e o trabalhador precisa do empregador. As forças são iguais nesse sentido. Não há o porquê dizer que um tem mais força do que o outro, sendo que os dois dependem diretamente um do outro”, argumentou.

Ele citou como exemplo o setor de enfermagem, que opera na escala 12×36, e no qual profissionais acabam acumulando dois empregos, trabalhando 72 horas semanais.

Críticas ao ritmo da discussão

Bertoni também criticou a velocidade com que a proposta avançou na Câmara dos Deputados, defendendo um debate mais amplo antes de qualquer votação definitiva no Senado.

“Essa discussão, essa análise, tem gente falando pelo nosso setor que não é do nosso setor”, afirmou.

Para ele, a proposta não foi suficientemente debatida e o momento político — em ano eleitoral — não favorece uma análise aprofundada do tema.

Sobre as perspectivas de tramitação no Senado, Bertoni afirmou acreditar que as discussões precisam ser mais aprofundadas do que foram na Câmara.

“As discussões teriam que ser maiores do que foi na Câmara dos Deputados”, concluiu, sem precisar um prazo para a conclusão do processo legislativo.

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