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Pejotização pode crescer com o fim da jornada 6×1, diz especialista

A possível aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6×1 pode gerar um aumento significativo nos custos das empresas e impulsionar a pejotização no Brasil. A avaliação é de Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da FGV Ibre, em entrevista ao CNN Novo Dia.

Segundo Barbosa Filho, a redução da jornada de trabalho prevista no texto aprovado na Câmara dos Deputados — de 44 para 40 horas semanais — representa uma queda de 9% no tempo disponível do trabalhador. “A produtividade total desse trabalhador por mês vai cair”, afirmou. “Isso significa que somente a redução do trabalho daria um aumento de 10% no custo do trabalho.”

O pesquisador explicou que, ao se considerar também os dois dias de descanso remunerado por semana previstos na proposta, o impacto total sobre os custos das empresas pode chegar a 20%.

“Obviamente, a empresa vai buscar a alternativa. A alternativa pode ser a informalidade, pode ser a quebra do vínculo de trabalho”, disse Barbosa Filho. Ele acrescentou que todas as empresas que puderem repassar esse aumento de custo aos preços o farão, atingindo o consumidor de forma geral e pressionando a inflação.

Barbosa Filho destacou ainda o risco de aumento da rotatividade no mercado de trabalho. De acordo com ele, é comum que, diante de reduções de jornada com manutenção de salário, as empresas substituam trabalhadores que ganham acima do piso da categoria por outros com remuneração menor.

“O risco que a gente tem hoje em dia da PEC é que uma parte desse aumento de custo vire rotatividade, uma parte vire o trabalhador migrar para a informalidade”, alertou.

Pejotização como saída para as empresas

Questionado sobre o risco de pejotização, o pesquisador foi direto: “Quando isso é possível, o trabalhador acaba virando uma PJ, ele cria um CNPJ e acaba prestando um serviço para a empresa.”

Para Barbosa Filho, sempre que o custo relativo do trabalho aumenta, tanto empresas quanto trabalhadores reagem, e a pejotização é uma das possibilidades que estarão “em cima da mesa”.

O pesquisador também comentou sobre alternativas que circulam no Congresso para mitigar os impactos econômicos da proposta, como a ampliação do limite do MEI. No entanto, ele ponderou que essa medida traz riscos próprios.

“Você abrir mais espaço para o MEI, que tem um grande subsídio na Previdência, vai contra o equilíbrio fiscal do governo e ao mesmo tempo você acaba fortalecendo um tipo de vínculo que não é aquele vínculo formal com carteira”, concluiu.

Barbosa Filho ressaltou que empresas de pequeno porte, com margens menores, serão as mais afetadas caso a PEC seja aprovada nos moldes atuais.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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Zambelli tem que deixar lista da Interpol após decisão italiana, diz defesa

A Justiça da Itália divulgou, na última quinta-feira (11), a decisão que negou a extradição de Carla Zambelli. Após a publicação do documento, o advogado de Zambelli afirmou que ela deve ser retirada da lista da Interpol. A situação jurídica da ex-deputada, no entanto, permanece nebulosa.

Segundo apuração do analista de Política Pedro Venceslau, o advogado Fábio Pagnozzi declarou que começa agora uma nova etapa do ponto de vista jurídico.

“Ele ainda não consegue entender direito como fica a situação da Carla Zambelli no que se refere à difusão vermelha da Interpol”, relatou Venceslau ao CNN 360º desta sexta-feira (12). Os nomes incluídos na difusão vermelha da Interpol ficam impedidos de circular em aeroportos internacionais, e pode resultar em prisão.

De acordo com informações apuradas por Venceslau junto ao analista de Segurança Pública Elijonas Maia, quando uma pessoa é presa, seu nome é retirado da difusão vermelha. “A questão é que o nome pode voltar à lista da Interpol se houver um pedido da Polícia Federal brasileira ou do governo brasileiro”, destacou Venceslau.

O advogado Fábio Pagnozzi informou que pretende solicitar ajuda ao governo italiano para fazer a interlocução com a Interpol e com as autoridades policiais, a fim de entender com precisão qual é a situação jurídica de Zambelli e se ela está liberada para circular pela União Europeia.

“Evidentemente que no Brasil ela não pode pisar neste momento, porque tem uma ordem de prisão contra ela. Se ela pode sair da Itália, essa é uma outra questão que precisa ser repondida”, afirmou o analista.

Carla Zambelli fugiu do Brasil após ser condenada a 10 anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Posteriormente, foi também condenada por porte ilegal de arma e ameaça, em episódio ocorrido em São Paulo às vésperas de uma eleição. Sobre essa segunda condenação, há outro processo de extradição em andamento na Itália.

Decisão italiana

A decisão da Corte Suprema italiana, tomada em 22 de maio e tornada pública nesta sexta-feira, apontou que houve violação do direito a um julgamento justo no processo conduzido no Brasil.

O documento afirma que Alexandre de Moraes, relator do caso, acumulou funções ao ser simultaneamente vítima de um dos crimes imputados a Zambelli e integrante do colegiado julgador. Esta circunstância, segundo a corte italiana, teria comprometido a imparcialidade do processo.

Em resposta, o presidente do STF Edson Fachin assinou uma nota em defesa da Primeira Turma da Corte, responsável pelo julgamento. Ele afirmou que o processo transcorreu em conformidade com a Constituição Federal brasileira, com direito à ampla defesa.

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ANR: PEC sobre 6×1 não pode trazer limitações para as relações de trabalho

Em entrevista à CNN, o presidente da ANR (Associação Nacional de Restaurantes), Erik Momo, avaliou que a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 tem viés eleitoral e não leva em conta as particularidades do setor de restaurantes. Para ele, a ausência de um período de transição adequado representa um dos principais complicadores para os empresários do segmento.

Momo destacou que os restaurantes são empregadores de grande número de pessoas e que a mão de obra precisa estar disponível exatamente no momento em que o consumidor busca atendimento. “A gente não tem muita flexibilidade de alocar essas pessoas para os horários em que seria interessante para o estabelecimento”, afirmou.

Impacto nos custos e nos preços

Segundo Momo, a implementação acelerada da mudança forçaria os estabelecimentos a realizarem um número maior de contratações para cobrir os horários em que a mão de obra não estaria disponível.

“Vai ter com certeza que fazer maior número de contratações para cobrir essa necessidade nos horários em que a gente não tem a mão de obra disponível”, disse. Como consequência direta, ele alertou que os custos adicionais seriam inevitavelmente repassados ao preço final cobrado do consumidor.

Momo também ressaltou que a proposta não contempla o tempo necessário para que os empresários realizem estudos de impacto e reorganizem suas escalas de trabalho. “Para ter um tempo de a gente conseguir fazer esse impacto, esse estudo, precisaria ter uma transição mais lenta, que se fosse por etapas”, declarou.

Ele sugeriu que uma alternativa seria já inserir os novos contratados no regime diferente, evitando o impacto imediato de uma equiparação salarial generalizada.

Diversidade do setor exige regras flexíveis

O representante da ANR chamou atenção para a grande diversidade de modelos de negócio dentro do setor de alimentação fora do lar. Enquanto um restaurante que funciona apenas no horário de almoço, de segunda a sexta, em uma zona comercial, já opera naturalmente em escala 5×2, estabelecimentos em cidades litorâneas dependem de uma mão de obra intensa em períodos específicos de temporada.

“A gente não tem uma regra que a gente consegue implantar para todo mundo e que seja igual para todos”, afirmou Momo.

Ele também questionou a lógica de proibir determinadas jornadas sem considerar a vontade do próprio trabalhador. “Se eu tenho um garçom que trabalha para mim hoje seis dias na semana e está ganhando bem, eu vou chegar para ele e falar: infelizmente, você está sendo proibido de trabalhar um sexto dia”, exemplificou.

Para Momo, a PEC, ao focar no objetivo de “acabar com a escala 6×1”, adota uma visão que não considera as consequências práticas da medida. “Quando a gente coloca acabar com a 6×1, a gente acaba trazendo uma visão mais obtusa de terminar com um tipo de jornada”, disse.

Necessidade de regra geral sem limitações operacionais

Momo defendeu que, por se tratar de uma PEC que altera a Constituição, a norma precisa ser uma regra geral que funcione para todos os setores, “sem limitações que tragam complexidades para a operação”.

Ele citou como exemplo setores que já possuem regulamentações específicas, como trabalhadores de plataformas petrolíferas e profissionais de saúde em hospitais, que operam em regimes diferenciados por necessidade. “Por que não olhar para as necessidades individuais?”, questionou.

Para o representante da ANR, a medida, da forma como está sendo conduzida, impõe uma solução sem efetividade real. “A gente está enfiando goela abaixo do empreendedor e da população uma solução que não vai ter uma efetividade a não ser um repasse para preço, para proteger a margem e proteger o próprio emprego”, afirmou.

Momo concluiu que, se o empreendedor for obrigado a fechar o negócio por falta de resultado, toda a equipe contratada acabará perdendo — algo que, segundo ele, não é do interesse nem dos trabalhadores nem dos empresários.

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Economista defende que transição para fim da 6×1 seja “mais longa possível”

O sucesso da PEC do fim da escala 6×1 dependerá diretamente do ritmo de implementação das mudanças. Essa é a avaliação do professor de economia do Insper Sergio Firpo, em entrevista ao Live CNN desta sexta-feira (12). Ele alertou que uma redução implementada de forma precipitada pode não gerar os efeitos desejados.

“Não adianta a gente, na canetada, querer reduzir jornada, querer reduzir número de dias trabalhados, sem ter muito bem pensado como isso vai se refletir em ganhos de produtividade por hora trabalhada”, disse o professor.

Ele ressaltou que a redução simples da jornada de trabalho não aumentará a produtividade de forma imediata e poderá elevar custos. “Isso pode gerar informalidade em setores específicos da economia. Informalidade é aquele emprego sem carteira, que é a forma que empresas pequenas, com margens muito pequenas, têm para poder sobreviver”, explicou Firpo.

Para o especialista, a saída está em tratar cada setor e cada empresa de forma diferente, levando em conta tamanho e região. Ele defendeu que a transição seja “a mais longa possível”, para que as empresas tenham tempo de reorganizar o trabalho, promover treinamentos e, em alguns casos, adotar novas tecnologias.

“O sucesso dessa mudança depende de como a gente vai lidar com essa transição”, afirmou Firpo, reforçando que uma implementação acelerada e desordenada pode comprometer os resultados esperados.

Discussão sobre detalhes da proposta

Segundo Firpo, o debate sobre o mérito da proposta já está superado. “O mérito está estabelecido, os deputados e senadores estão convencidos de que essa proposta deve ir à frente”, afirmou. A discussão agora, de acordo com ele, concentra-se nos detalhes de como a redução da jornada será colocada em prática.

O especialista explicou que a solução encontrada pelo Congresso, para evitar que a pauta trave os trabalhos da Câmara, foi fazer com que o Projeto de Lei enviado pelo Executivo contenha apenas o essencial. As mudanças mais relevantes relacionadas à implementação da redução da jornada deverão vir por meio de lei complementar futura.

“A gente tem que acompanhar o encaminhamento desse Projeto de Lei complementar, porque isso vai ser decisivo para o sucesso da redução da jornada”, destacou Firpo.

Ao ser questionado sobre como construir uma convergência entre as demandas dos trabalhadores e as preocupações do setor produtivo, Firpo foi categórico ao rejeitar a desoneração da folha de pagamentos como solução intermediária.

“Acho que pode ser muito ruim do ponto de vista fiscal”, afirmou, acrescentando que “pioras fiscais têm impactos importantes sobre a qualidade de vida da população como um todo”, pressionando juros e inflação.

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PGR foca em devolução de dinheiro por Daniel Vorcaro

A PGR (Procuradoria-Geral da República) concentra suas investigações na devolução de recursos por Daniel Vorcaro. Segundo apuração da analista de política Isabel Mega, o montante em negociação gira em torno de R$ 40 a R$ 60 bilhões, valor que precisaria retornar às origens de onde foi retirado.

De acordo com Mega, entre os prejudicados que aguardam a restituição estão fundos de aposentadoria e o BRB (Banco de Brasília), que registrou rombo decorrente das movimentações investigadas.

“Se a defesa de Daniel Vorcaro conseguir evoluir sobre o formato da devolução e a quantia que vai ser devolvida, chegando a esses R$ 60 bilhões, a avaliação de fontes é de que haveria alguma chance de o desfecho ser diferente do desfecho que foi construído até aqui com essas duas negativas da Polícia Federal”, afirmou Mega ao Live CNN desta sexta-feira (12).

Ela lembra que delações antigas, como a de Antônio Palocci e de Mauro Cid, também tiveram idas e vindas. A diferença agora é o “potencial de artilharia” sobre diferentes grupos políticos, a depender das informações que venham a ser entregues.

Ir além do que já foi investigado

Segundo Mega, o principal problema nas delações oferecidas à PF até aqui é que Vorcaro não tem conseguido entregar informações além daquilo que os investigadores já conhecem.

“Os celulares dele estão dizendo muito mais coisa do que ele próprio”, afirmou a analista. Para obter os benefícios da colaboração premiada, ele precisaria ir além do que já foi apresentado, algo que, até o momento, não ocorreu e que irritou a cúpula da Polícia Federal.

Com a condução do caso agora sob o olhar da PGR, fontes dentro da instituição apontam que o cerne da investigação é seguir o rastro do dinheiro.

“Seguindo o dinheiro, você consegue encontrar as duas pontas e também ter materialidade para caminhos de devolução“, explicou Isabel Mega.

Complexidade das investigações

Isabel Mega destacou que, na operação que prendeu Henrique Vorcaro, o pai de Daniel Vorcaro, houve denúncias sobre a utilização de criptomoedas para movimentar valores altíssimos.

Há dúvidas sobre como seria tratada a questão das carteiras digitais em um eventual acordo de devolução, o que torna o cenário ainda mais desafiador para as autoridades.

Apesar da expectativa gerada pela atuação da PGR, Isabel Mega ponderou que a visão predominante entre fontes em Brasília é de cautela. “Com a PGR, esse processo também periga em não avançar”, alertou a analista.

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Delação de Vorcaro era vista com ceticismo desde o início pela PF

A Polícia Federal rejeitou, na quinta-feira (11), a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. De acordo com a apuração da analista de política da CNN Clarissa Oliveira, ao Live CNN, a PF via a delação de Vorcaro com ceticismo desde o início das negociações.

Segundo os investigadores da PF, o ex-banqueiro não trouxe elementos novos nem provas suficientes para avançar além do que já havia sido coletado com base em documentos e dados extraídos do próprio celular de Vorcaro.

Ainda segundo Clarissa Oliveira, há uma negociação em andamento na PGR (Procuradoria-Geral da República), mas com uma abordagem diferente, voltada principalmente para a questão financeira.

Ceticismo da PF desde o início

Clarissa Oliveira destacou que, antes mesmo de ouvir o que Vorcaro tinha a dizer, integrantes da cúpula da Polícia Federal já demonstravam resistência à negociação. “Esse cara aí não tem nada para acrescentar que a gente já não saiba”, era o tom que circulava nos bastidores, segundo a analista.

Ela ressaltou que já havia, portanto, uma postura refratária da instituição em relação à colaboração do ex-banqueiro desde o princípio.

A dúvida central que permanece, conforme apontou Clarissa, é se as informações fornecidas por Vorcaro seriam suficientes para justificar os benefícios de uma delação premiada.

“Quem que ele está entregando de tão importante, que informação que ele traz de tão relevante para o cenário da investigação que justifique ele ter um benefício e ser isento em alguma medida dos crimes que ele próprio vai admitir que cometeu”, questionou a analista.

Impacto no cenário eleitoral

O caso Master já havia impactado de maneira significativa a disputa entre pré-candidatos à presidência da República, provocando um abalo à figura do senador Flávio Bolsonaro (PL) em razão de seu vínculo com Daniel Vorcaro.

Clarissa Oliveira lembrou que esse impacto ocorreu por meio de vazamentos para a imprensa, e não por uma divulgação oficial da Polícia Federal nem por qualquer delação formal.

Com a nova rejeição da proposta, a analista avalia que é possível que o caso Master perca projeção no cenário eleitoral. “É possível que, caso a rejeição da delação ocorra de fato, tanto pela PGR quanto pela Polícia Federal, a gente veja esse caso arrefecer, esse caso Master perder tanta projeção assim em cima do cenário eleitoral, a não ser que surja algum fato novo nas investigações que até agora não veio a público”, afirmou Clarissa.

Ela também destacou que figuras de diferentes campos políticos teriam articulado para que nenhum novo fato relevante viesse a público dentro do caso Master, em meio ao período pré-eleitoral.

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Análise: PF resistiu à delação de Vorcaro desde início

A PF (Polícia Federal) rejeitou, na quinta-feira (11), a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. De acordo com o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao Live CNN, a resistência da PF em relação à delação do ex-banqueiro remonta ao momento de sua prisão, no início de março, quando começou a se ventilar que ele desejava colaborar e fechar um acordo.

Segundo os investigadores, o ex-banqueiro não trouxe elementos novos nem provas suficientes para avançar além do que já havia sido coletado com base em documentos e dados extraídos do próprio celular de Vorcaro.

Ceticismo desde o começo das negociações

Segundo Elijonas Maia, os delegados da Polícia Federal já demonstravam ceticismo desde as primeiras tratativas. “Será mesmo que ele vai falar? Será que ele tem algo a entregar além do que a gente já sabe, além do que a gente já tem e conseguiu descobrir por conta de um celular, de oito que foram apreendidos durante as operações contra ele?”, questionavam os investigadores.

A PF chegou a não convocar Vorcaro para um depoimento durante as negociações — procedimento que, segundo Elijonas, costuma ocorrer em outros casos para avaliar se o potencial delator está de fato disposto a colaborar.

Outro ponto levantado pelo analista diz respeito à posição de Vorcaro na estrutura investigada. Para a Polícia Federal, ele é apontado como o líder da organização criminosa em questão.

Em tese, o mecanismo da delação premiada é utilizado por integrantes que estão abaixo do líder para delatar quem está acima. “Como fechar um acordo com o líder do grupo criminoso que vai delatar quem?”, questionou o analista, destacando esse entrave adicional nas negociações.

Fantasmas do passado influenciaram a cautela da PF

Elijonas Maia apontou ainda que dois fatores históricos pesaram sobre a postura cautelosa da Polícia Federal. O primeiro foi o legado da Operação Lava Jato, marcado por diversas delações que, após serem firmadas, foram posteriormente anuladas.

O segundo foi o caso da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi fechada somente com a Polícia Federal e gerou críticas da PGR (Procuradoria-Geral da República) à época.

“A Polícia Federal, nesse momento, quando estava negociando com o Daniel Vorcaro, analisou também isso, esses fantasmas, Lava Jato, Cid, críticas, e foi com cautela e com essa resistência para avançar nessa negociação”, afirmou Maia.

O analista concluiu que, além da cautela institucional, a posição de Vorcaro como suposto líder da organização tornava inviável uma delação nos moldes tradicionais. “Não tem como delatar para baixo e apresentar provas de quem está abaixo e tentar se livrar dessa forma, dessa teia aí criada em torno do Master”, disse o analista.

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PGR adota cautela com proposta de delação de Vorcaro e mantém indefinição

Integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) que negociam com os advogados de Daniel Vorcaro uma proposta de delação premiada adotam postura de cautela em relação às tratativas. Segundo apuração do analista de Política da CNN Teo Cury, ao CNN Novo Dia, a Procuradoria segue analisando os anexos apresentados pela defesa do ex-banqueiro e ainda não sinalizou uma decisão definitiva sobre o caso.

A proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro tem duas frentes: uma junto à PF (Polícia Federal) e outra junto à Procuradoria-Geral da República. Após a rejeição da PF, cabe agora à PGR dar a palavra final sobre se concordará ou não com o posicionamento da Polícia Federal.

Histórico das negociações

A primeira versão da proposta foi apresentada no começo de maio. Vinte dias depois, a Polícia Federal rejeitou o acordo, argumentando que não havia elementos suficientes e que Daniel Vorcaro mais se justificava na proposta do que apontava crimes cometidos por ele ou por pessoas próximas.

A PGR, contudo, seguiu as tratativas. Posteriormente, a PF retornou às negociações, mas voltou a rejeitar a proposta. A informação da nova negativa foi repassada à defesa na quarta-feira (10), e o ministro André Mendonça, do STF, foi comunicado na quinta-feira (11).

De acordo com Teo Cury, tanto a PF quanto a PGR têm demonstrado resistência à proposta pelos mesmos motivos: a avaliação de que Vorcaro não assumiu suas responsabilidades, não admitiu crimes que teria cometido e não apontou a responsabilidade de outras pessoas.

Ele mais está se blindando e blindando as pessoas na avaliação dos investigadores“, afirmou o analista. Caso a PGR feche o acordo, o texto deverá ser encaminhado a André Mendonça, a quem caberá avaliar e decidir se valida ou não a delação.

Provas e critérios para a homologação

A Polícia Federal possui atualmente oito celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, além de uma vasta quantidade de mensagens e documentos obtidos ao longo de oito operações deflagradas desde novembro.

Segundo Teo Cury, três critérios são necessários para a homologação de um acordo de delação premiada: a apresentação de elementos novos, a corroboração de provas já existentes e a capacidade de o colaborador restituir os cofres públicos.

No caso de Vorcaro, o prejuízo estimado está entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões, e ainda não há consenso sobre sua capacidade de devolver esse valor.

PGR não trabalha com prazos

A indefinição sobre o cronograma da PGR é um ponto de atenção. Conforme relatou Cury, a Procuradoria deixou claro que não trabalha com prazos e tomará sua decisão quando considerar o momento adequado.

Diferentemente da PF, que foi mais vocal em seu descontentamento com a proposta, a PGR tem atuado de forma mais discreta. “Conversando com quem acompanha, há ainda resistências. Não à toa a PGR ainda não deu uma palavra final sobre esse assunto”, destacou o analista.

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Previsão do tempo: semana termina com chuvas espalhadas pelo país

A semana encerra com chuvas se espalhando por grande parte do Brasil. Um sistema de baixa pressão atmosférica, que nos últimos dias se deslocava pela altura do Paraguai, avançou pelo continente e chegou ao oceano, dando origem a um ciclone extratropical. O fenômeno influencia as condições do tempo nesta sexta-feira (12) e, em seguida, forma uma frente fria.

Imagens de satélite mostram nuvens se concentrando na região Sul do Brasil e avançando pelas regiões Centro-Oeste e Sudeste. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alertas de temporais para diversas cidades, classificadas em zonas amarela e laranja no mapa meteorológico. As áreas marcadas em laranja indicam situação mais crítica.

Sul do Brasil registra as condições mais severas

A faixa que vai do nordeste do Rio Grande do Sul até o Paraná concentra as chuvas mais intensas do dia. Porto Alegre (RS) deve registrar até 35 milímetros de precipitação, tornando-se a capital mais chuvosa do país nesta sexta-feira (12), com temperatura máxima de apenas 16°C e tempo bastante fechado.

Em Florianópolis (SC), a máxima chega a 20°C com 20 milímetros de chuva previstos. Já em Curitiba (PR), o dia começa com 13°C e não deve ultrapassar os 17°C, com nuvens carregadas tomando conta do céu da capital paranaense desde as primeiras horas da manhã.

Além das chuvas, há alerta de ventos fortes, com rajadas de até 60 km/h no centro-sul do país.

Sudeste e Centro-Oeste também sob influência do ciclone

Em São Paulo, o sol aparece na maior parte do dia, com pancadas mais pontuais e isoladas previstas para o período. A precipitação máxima esperada na capital paulista é de 5 milímetros. A temperatura não deve ultrapassar os 21°C.

O Rio de Janeiro apresenta cenário semelhante de chuvas isoladas, porém com máxima de 29°C e sensação de calor à tarde. Em Belo Horizonte (MG), a chuva é um pouco mais expressiva, podendo chegar a 15 milímetros. Em Campo Grande (MS), a máxima fica em 24°C.

Brasília (DF), que normalmente apresenta tempo seco em junho, também registra previsão de chuva nesta sexta-feira (12), com até 10 milímetros. O ciclone extratropical puxa umidade pelo Centro-Oeste, o que explica o céu encoberto sobre a capital federal, onde a temperatura máxima fica em torno de 25°C.

Goiânia (GO) apresenta cenário semelhante, com nuvens carregadas se formando desde a manhã e previsão de chuva ao longo do dia.

Nordeste enfrenta retorno de temporais

Na costa leste do Nordeste, voltam os alertas de temporais entre o Rio Grande do Norte e Pernambuco. Em Recife (PE), a chuva já se fazia presente em alguns pontos da capital desde as primeiras horas, com previsão de 20 milímetros de precipitação e tempo bastante fechado.

Em João Pessoa (PB), são esperados 11 milímetros de chuva, com pancadas mais intensas previstas para a tarde. Pela manhã, o sol predomina e as temperaturas sobem, chegando à máxima de cerca de 30°C, com sensação de tempo abafado.

O sol predomina apenas no estado do Tocantins e no interior do Nordeste. No Norte do país, as pancadas perdem força ao longo do dia.

Nos próximos meses, espera-se uma redução das chuvas no Nordeste em decorrência do El Niño. A NOAA (Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos) declarou oficialmente o início do fenômeno, que tem cerca de 60% de chance de atingir intensidade muito forte durante o próximo verão do Hemisfério Sul.

As temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do Brasil, com chuvas concentradas na região Sul.

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Análise: os motivos da PF para rejeitar nova delação de Vorcaro

A PF (Polícia Federal) rejeitou, na quinta-feira (11), a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, o ex-banqueiro não trouxe elementos novos nem provas suficientes para avançar além do que já havia sido coletado com base em documentos e dados extraídos do próprio celular de Vorcaro.

A decisão representa mais um revés para a defesa de Vorcaro, que chegou a renovar parte de sua equipe de advogados entre a primeira e a segunda tentativas de colaboração. Apesar dos acréscimos feitos à proposta inicial, a mudança não foi suficiente para convencer a Polícia Federal.

Com as portas fechadas na PF, as atenções da defesa se voltam agora para a possibilidade de firmar algum tipo de acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Divergência entre a defesa e a Polícia Federal

No entorno de Vorcaro, a percepção é de que a Polícia Federal nunca teve interesse real em fechar um acordo de colaboração premiada. Segundo relatos colhidos pela CNN, a defesa afirma que a proposta continha fatos inéditos, confissões do próprio Vorcaro e informações que apontariam o caminho do crime para outras autoridades.

“Tem muita coisa e a polícia nunca quis fazer”, foi a afirmação ouvida de interlocutores ligados ao ex-banqueiro. A PF, por sua vez, sustenta que as informações apresentadas não acrescentaram substância ao que os investigadores já detinham.

Um dos pontos avaliados pelos investigadores foi a capacidade de Vorcaro em ressarcir os prejuízos causados, especialmente ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e ao BRB. A avaliação é de que esses valores poderiam chegar a R$ 60 bilhões.

PGR como última esperança e data-chave

A possibilidade de um acordo com a PGR ainda não está descartada e representa, segundo os analistas, a principal esperança de Vorcaro para reduzir o tempo que passará preso.

O posicionamento da Procuradoria é considerado decisivo, pois cabe a ela definir o formato da denúncia contra o ex-banqueiro e o tamanho do pedido de condenação.

O prazo para que Vorcaro permaneça na superintendência da PF, com acesso facilitado a seus advogados, se esgota nesta sexta-feira (12), tornando essa uma data-chave para o desdobramento do caso.

A âncora da CNN Thais Herédia destacou que o caso não envolve apenas Vorcaro. A delação de Paulo Henrique Costa, ligado ao BRB, também é acompanhada de perto. Segundo avaliação de um operador político em Brasília, o ex-presidente do BRB poderia revelar informações sobre Vorcaro que o próprio ex-banqueiro ainda não entregou às autoridades, potencialmente comprometendo-o ainda mais.

Cenários políticos e tensão em Brasília

O sócio da Fatto Inteligência Política Rafael Favetti elencou três cenários políticos possíveis a partir dos desdobramentos do caso. O primeiro seria o cenário-base, no qual as eleições ocorreriam mais ou menos como estão hoje, com os impactos já conhecidos já cristalizados.

O segundo envolveria o caso atingindo mais fortemente figuras da oposição. O terceiro cenário seria o de o caso comprometer alguém muito próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que exigiria uma resposta do governo e de sua campanha.

Favetti ressaltou que Brasília vive uma tensão constante em torno da possível homologação de uma delação, pois supõe-se que, a partir desse momento, nomes e provas seriam tornados públicos. “Todas as vezes que sai alguma coisa do celular de Vorcaro, a política responde, até em popularidade de candidatos”, afirmou.

O analista de Política da CNN Caio Junqueira, por sua vez, observou que, ao contrário do que ocorreu no caso do tenente-coronel da reserva Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), no qual diversas instâncias se empenharam para viabilizar a colaboração premiada, no caso Vorcaro parece haver um movimento contrário, com o sistema judicial e político atuando para que o acordo não se concretize.

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Análise: Trump diz que guerra com o Irã acabou

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, nesta quinta-feira (11), que os EUA “encerraram a guerra com o Irã”, após afirmar ter obtido um compromisso de que Teerã nunca desenvolverá uma arma nuclear.

A declaração, no entanto, foi imediatamente contestada por representantes iranianos, que negaram qualquer resolução definitiva e reafirmaram que qualquer tratado deverá incluir o Líbano entre suas cláusulas.

Cerca de cinco horas separaram uma ameaça de Trump de tomar o controle da Ilha de Kharg da publicação em que o presidente anunciava a suspensão de ataques programados, alegando ter alcançado algum entendimento com o Irã nas negociações em curso.

O memorando de entendimento

Estados Unidos e Irã caminham em direção a um memorando de entendimento estruturado em duas etapas. A primeira prevê o desbloqueio do tráfego no Estreito de Ormuz em até 30 dias. A segunda estabeleceria uma janela de 60 dias para discussões sobre um novo acordo nuclear, ainda sob premissas e compromissos desconhecidos.

Trump chegou a afirmar que o memorando poderia ser assinado no próximo final de semana, com a participação do vice-presidente americano, JD Vance, na Europa. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, porém, ressaltou que o país ainda não havia tomado uma decisão final.

O pesquisador e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) Vitélio Brustolin observou que o conteúdo divulgado sobre o memorando pelos portais Axios e Al Jazeera é muito semelhante à proposta apresentada pelo Paquistão em abril, que Trump havia chamado de “totalmente inaceitável“.

Para Brustolin, o que se vislumbra é, na prática, uma extensão da pausa já existente no conflito. “Parece uma pausa maior, uma extensão da pausa aqui”, afirmou.

O especialista alertou ainda que, caso Trump declare oficialmente o fim da guerra, será muito difícil retomar uma ofensiva caso o Irã não cumpra os termos negociados — especialmente no que diz respeito à entrega do urânio enriquecido.

Os pontos de impasse

O pesquisador de Harvard e professor de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo) Hussein Kalout delineou os principais obstáculos às negociações. Segundo ele, o Irã não aceita negociar o abandono do seu programa de mísseis balísticos, que considera um escudo de defesa convencional.

Também resiste a cessar o financiamento e o armamento de grupos armados na região, vistos como uma extensão do seu poderio bélico. Por fim, os iranianos exigem contrapartidas concretas: o desbloqueio de parte dos cerca de US$ 100 bilhões retidos pelos Estados Unidos como condição para abrir mão do urânio enriquecido a 60%.

“O avanço do acordo depende de todas essas variáveis. O que houve entre as partes é a intenção de discutir essas variáveis. Agora, a profundidade delas e o compromisso em torno delas ainda está em processo de evolução”, declarou Kalout.

Pressões internas e o papel de Israel

Trump enfrenta pressões domésticas significativas. Uma pesquisa divulgada recentemente aponta que 81% dos norte-americanos são contrários à forma como ele tem conduzido o conflito, e apenas 27% da população apoia a guerra, segundo Vitelio Brustolin.

Desde o início das hostilidades, o preço do galão de gasolina subiu cerca de 50% nos postos americanos, e a inflação atingiu 4,20% — a maior dos últimos três anos. As eleições legislativas de novembro, que definirão o controle da Câmara e do Senado, pressionam o republicano a apresentar uma resolução célere.

Senadores como Lindsey Graham, Ted Cruz, Roger Wicker e Mitch McConnell já criticaram publicamente as negociações, comparando-as ao acordo firmado durante o governo de Barack Obama — que os republicanos sempre repudiaram.

No que diz respeito a Israel, Brustolin destacou que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, precisa se manter no poder diante de quatro acusações de corrupção internas, de uma possível responsabilização pelos ataques de 7 de outubro de 2023 e de uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional.

“Israel está fazendo a vontade específica do Netanyahu, que não necessariamente é o interesse de Israel”, afirmou. Netanyahu condiciona a retirada do sul do Líbano ao desarmamento do Hezbollah — condição que o grupo armado recusa, mesmo sob pressão do próprio governo libanês.

Kalout concluiu que Trump teme, acima de tudo, chegar a um acordo que, no contexto interno americano, seja percebido como semelhante ao tratado firmado pelo governo Obama.

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