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Ouro fecha em alta à espera de Fed e com alívio no Oriente Médio

O ouro encerrou em alta na sessão desta quarta-feira (17) com os mercados à espera da decisão de política monetária do Fed (Federal Reserve), diante de um otimismo cauteloso com os relatos sobre os termos do acordo entre os Estados Unidos e Irã.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto encerrou em alta de 0,62%, a US$ 4.381,40 por onça-troy, enquanto a prata para julho avançou 1,1%, a US$ 70,77 por onça-troy.

O TD Securities aponta que o foco do mercado é a reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) e o tom que o novo presidente, Kevin Warsh, vai demonstrar em sua primeira reunião no cargo.

Com amplas expectativas em manutenção das taxas de juros, o banco canadense acredita que a decisão indicará postura mais hawkish, “como o abandono da sinalização de flexibilização monetária e revisões para cima nas projeções de inflação”.

Na mesma linha, o Saxo Bank aponta que os investidores vão observar com atenção os comentários de Warsh, em busca de entender as perspectivas de inflação além de sinalizações de como dirigentes estão “equilibrando as pressões inflacionárias ainda elevadas com os sinais de moderação do crescimento econômico e um mercado de trabalho gradualmente mais fraco”.

Para o Gold Bullion Company, os preços do ouro devem retornar ao nível de US$ 5 mil ainda este ano diante da demanda por parte dos bancos centrais globais. As previsões feitas no ano passado, de que o metal poderia atingir US$ 6 mil, estão “um pouco fora do alcance”, segundo a corretora.

Contudo, o TD Securities aponta que a tendência geral continua negativa para o ouro, apesar de os preços terem encontrado suporte em meio ao alívio geopolítico com o acordo entre EUA e Irã. Detalhes sobre os termos do memorando continuam gerando especulações.

Nesta quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, falou sobre a liberação de verbas aos iranianos, mas voltou a endurecer o tom contra o país caso o acordo não seja assinado.

*Com informações de Dow Jones Newswires.

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Análise: Acordo EUA e Irã não chega a conclusão sobre programa nuclear

Autoridades norte-americanas divulgaram, nesta quarta-feira (17), o texto do acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã. O documento, estruturado em 14 pontos, abrange temas que vão do cessar-fogo ao desenvolvimento econômico iraniano, mas chama atenção pela pouca ênfase dada ao programa nuclear do país.

De acordo com a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360°, o acordo não chega a uma conclusão estruturada sobre o avanço do desenvolvimento de armas nucleares.

“O acordo não resolve o ponto nevrálgico dessa relação, que é a questão nuclear em aberto”, explica Magnotta. “Ele fala em discussão desses pontos, mas não chega a nenhum tipo de parâmetro claro”, acrescentou.

O que o acordo prevê

Entre os pontos do documento, destaca-se a previsão do fim imediato da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, com respeito à soberania e à integridade territorial.

O acordo estabelece que um acordo final deve ser alcançado em até 60 dias.

Os Estados Unidos se comprometem a retirar o bloqueio naval ao Irã, enquanto o país persa deve garantir que o tráfego marítimo retorne ao nível pré-guerra em até 30 dias.

O documento também prevê a criação de um plano de reabilitação e desenvolvimento econômico do Irã, com financiamento de US$ 300 bilhões, além do fim das sanções norte-americanas em prazo a ser definido.

Em contrapartida, o Irã se compromete a nunca produzir armas nucleares. O acordo final deverá ser aprovado por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.

O que o acordo resolve — e o que deixa em aberto

Para Magnotta, o documento tem méritos importantes.

“Ele logo de cara interrompe a escalada militar”, pontuou, destacando que nenhum dos dois lados parecia capaz ou interessado em sustentar politicamente, economicamente e militarmente o conflito.

A analista também ressaltou a redução do risco sistêmico do ponto de vista econômico, citando os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre os preços do petróleo, do gás e a inflação global.

Do ponto de vista diplomático, o acordo cria uma janela de negociação adicional de 60 dias.

No entanto, Magnotta alertou para o que o documento deixa sem resposta.

Além da questão nuclear, o acordo não resolve as rivalidades geopolíticas na região do Oriente Médio nem elimina a desconfiança mútua entre as partes.

A analista também apontou a presença de atores regionais como Israel e Hezbollah como fatores capazes de desestabilizar todo o processo.

“A gente está diante de uma pausa na batalha, mas está longe efetivamente de um encerramento de uma guerra”, concluiu Magnotta.

Na avaliação da analista, ambos os lados têm razões para reivindicar vantagens com o acordo.

Do lado norte-americano, o documento permite declarar uma vitória política em um momento sensível, evita um choque energético global e reforça a narrativa de negociador.

Do lado iraniano, o acordo garante a sobrevivência do regime, sem qualquer menção a mudanças patrocinadas pelos Estados Unidos, além de proporcionar fôlego econômico com o afrouxamento das sanções e a liberação de ativos congelados.

Magnotta destacou ainda que o Estreito de Ormuz se tornou “um grande ativo de barganha” para o Irã nas negociações.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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EUA x Irã: Acordo garante fim imediato e permanente da guerra

A CNN teve acesso ao memorando de entendimento que detalha os termos de um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã. O documento, composto por 14 pontos, prevê a normalização das relações entre os dois países e inclui cláusulas sobre cessar-fogo, soberania, questão nuclear e economia.

Segundo o editor de Internacional da CNN Diego Pavão, que analisou o conteúdo do acordo, já houve uma pré-assinatura no fim de semana e a expectativa é de que uma cerimônia formal ocorra em Genebra, na Suíça, na sexta-feira (19), embora isso ainda não esteja confirmado.

“A CNN checou esses pontos do acordo com fontes do governo americano, mas é importante ressaltar que essas mesmas fontes dizem que pode haver alguma mudança até esse acordo ser formalizado“, explicou Pavão.

Fim da guerra e soberania do Irã

O primeiro ponto do acordo estabelece o “fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano”. Os Estados Unidos se comprometem a não atacar mais o Irã, enquanto o Irã se compromete a não atacar bases americanas na região do Golfo.

Diego Pavão destacou, no entanto, uma complexidade relevante: quem ataca o Líbano é Israel, não os Estados Unidos. “O que os Estados Unidos estão fazendo nesse momento é, na verdade, colocar para Israel um cessar-fogo que ele mesmo não está assinando, porque Israel não é signatário desse acordo provisório”, afirmou.

Segundo o editor, o presidente americano, Donald Trump, tem pressionado israelenses a não atacarem o Líbano, e incluir essa garantia no acordo pode ser algo problemático.

O segundo ponto trata do respeito à soberania e integridade territorial, com os Estados Unidos se comprometendo a não se intrometer em questões internas do Irã. “Isso é muito importante, porque lá no começo da guerra os Estados Unidos falavam muito em mudança de regime do Irã”, ressaltou Pavão.

O terceiro ponto estabelece um prazo de até 60 dias para que todas as questões sejam trabalhadas antes da assinatura de um acordo final.

Bloqueio naval, petróleo e questão nuclear

O quarto ponto representa uma vitória para o Irã: os Estados Unidos se comprometem a encerrar o bloqueio naval que impedia navios mercantes de atracar ou sair de portos iranianos. Na prática, isso permitirá ao Irã voltar a vender seu petróleo.

O acordo também determina que o tráfego marítimo retorne ao nível pré-guerra em até 30 dias. Pavão explicou que o texto não menciona explicitamente o Estreito de Ormuz — uma escolha deliberada para evitar que os Estados Unidos reconhecessem autoridade iraniana sobre a via.

“Se fala só o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, só que, claro, subentende que é o Estreito de Ormuz, porque é a única passagem geográfica entre esses dois pontos”, disse.

Outro ponto prevê que os Estados Unidos e seus aliados criem um plano para reabilitar e desenvolver economicamente o Irã, com uma cifra de US$ 300 bilhões mencionada, embora ainda sem definição clara.

Separadamente, os Estados Unidos se comprometem a encerrar as sanções contra o Irã, mas apenas após a assinatura do acordo final. Quanto à questão nuclear, o Irã se compromete a não produzir armas nucleares, porém Pavão classificou esse ponto como “muito vago”, já que o acordo não especifica como isso será verificado na prática — questões como o destino do urânio enriquecido e das centrífugas ficam reservadas para o acordo final.

Status quo, petróleo e blindagem jurídica

O ponto 9 determina a manutenção do status quo: o Irã não pode, por exemplo, avançar no enriquecimento de urânio além do nível atual, enquanto os Estados Unidos não podem aumentar sua presença militar na região. “Tudo para do jeito que está agora”, resumiu Pavão.

Os Estados Unidos também vão emitir isenções de 60 dias para que países possam comprar petróleo iraniano sem sofrer punições, permitindo ao Irã vender sua produção de forma legítima durante esse período.

Além disso, cerca de US$ 120 bilhões em ativos iranianos congelados ao redor do mundo serão descongelados, com acesso inicial estimado em US$ 50 bilhões. O acordo prevê ainda um mecanismo de fiscalização — ainda a ser definido, podendo envolver a ONU ou a Agência Internacional de Energia Atômica — e determina que o acordo final seja aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, conferindo-lhe força jurídica vinculante.

“Se alguma das partes rasgar esse acordo, elas podem ser punidas de alguma forma por isso”, afirmou Pavão, acrescentando que países como Rússia e China, membros permanentes do Conselho, seriam na prática fiadores do acordo.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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Trump diz que poderia ter bombardeado Irã por mais dois anos sem acordo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (17) que se não fosse alcançado um acordo com o Irã, os Estados Unidos poderiam ter continuado a guerra por mais dois anos.

“Se não fizéssemos este acordo, poderíamos ter lançado mais bombas por mais três semanas, duas semanas, quatro semanas, dois anos”, disse Trump.

Trump fez os comentários numa coletiva de imprensa na cúpula do G7 na França, prevendo uma situação terrível se os mediadores não conseguirem chegar a um acordo para acabar com a guerra.

Embora Trump tenha sinalizado que estava disposto a continuar o bombardeio – e poderia retomá-lo se a próxima fase das negociações falhar – muitos em sua administração têm estado ansiosos para resolver o conflito, informou a CNN anteriormente.

 

 

“Queremos acabar com isso”, um funcionário do governo diretamente envolvido nas negociações disse anteriormente à CNN.

Trump havia alertado em uma reunião bilateral mais cedo com o primeiro-ministro indiano Modi que ele iria reiniciar os bombardeios se o Irã não cumprir os termos do memorando de entendimento.

“Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a jogar bombas bem no meio da cabeça deles porque se comportaram mal durante 47 anos”, disse ele.

O acordo ainda não foi divulgado publicamente ou assinado oficialmente.

Pesquisa: 6 em cada 10 americanos veem guerra com o Irã como erro

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Petróleo sobe a US$ 80 após AIE apontar que demanda terá salto em 2027

Os preços do petróleo voltaram ao campo positivo nesta quarta-feira (17), após a AIE (Agência Internacional de Energia) apontar que a demanda pela commodity deve ter forte recuperação após quedas expressivas neste ano por causa da guerra no Oriente Médio.

Na véspera, os preços do petróleo despencaram mais de 5%, atingindo uma nova mínima em três meses, enquanto os mercados avaliavam as perspectivas de retomada do fornecimento pelo Estreito de Ormuz.

Por volta das 12h, o petróleo WTI, referencia nos EUA, avançava 2,5%, a US$ 77 o barril.

No mesmo horário, o petróleo Brent subia cerca de 2,2%, para US$ 80 o barril.

O choque na oferta de petróleo no Golfo deve derrubar a demanda global antes que os fluxos pelo Estreito de Ormuz se normalizem gradualmente, afirmou a AIE (Agência Internacional de Energia) em relatório mensal divulgado nesta quarta-feira.

Segundo a entidade, a oferta tende a se recuperar com força, chegando a 8 milhões de barris por dia (bpd) em 2027, após a contração deste ano causada pela guerra no Oriente Médio.

Embora o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, cuja assinatura é esperada para esta semana, represente o avanço mais relevante nas negociações desde o início do conflito, a AIE avalia que a retomada plena do tráfego pela principal rota marítima da região deve levar meses.

A agência revisou sua projeção e agora estima que a demanda global por petróleo cairá 1,1 milhão de bpd neste ano, ante a previsão anterior de recuo de 420 mil bpd, pressionada por preços elevados e interrupções severas na oferta.

Para 2027, a AIE prevê que o crescimento da demanda volte a 2 milhões de bpd, à medida que os fluxos comerciais se normalizem, os preços recuem e o cenário econômico melhore.

No campo geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o memorando de entendimento com o Irã não é definitivo e que ele poderia retomar os ataques contra o país do Oriente Médio.

“É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?”, disse Trump na cúpula do G7 na França.

O presidente afirmou ainda que o memorando de entendimento não inclui o alívio imediato das sanções, destacando que esse assunto será debatido posteriormente.

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Wall Street opera mista antes de decisão de juros do Fed

Os principais índices acionários de Wall Street operam sem uma direção única nesta quarta-feira (17), com as ações do setor de semicondutores se recuperando antes da primeira decisão sobre a taxa de juros do Fed sob o comando do novo chair do Banco Central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, que foi indicado pelo presidente Donald Trump.

Os investidores aguardam a decisão do Federal Reserve sobre as taxas de juros, que será divulgada às 15h, pelo horário de Brasília, e a primeira coletiva de Kevin Warsh à frente do Federal Reserve na sequência, às 15h30.

Por volta das 12h05, pelo horário de Brasília, o Dow Jones subia 0,26%, a 52.137 pontos. O Nasdaq recuava 0,25%, a 26.310 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,09%, a 7.504 pontos.

O petróleo WTI, referência dos EUA, para julho, subia mais de 2%, a US$ 77,60 o barril. O petróleo Brent, referência global, para agosto, ganhava mais de 1,8%, a US$ 80,41 o barril.

A expectativa é de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% pela quarta reunião consecutiva, enquanto as autoridades lidam com as pressões inflacionárias decorrentes dos preços mais altos do petróleo, impulsionados pela guerra no Oriente Médio.

“O anúncio da taxa de juros é quase certamente um evento secundário”, destacou Nigel Green, CEO do deVere Group, em nota. “Os investidores querem saber como será o Federal Reserve de Kevin Warsh, como ele pensa”, acrescentou.

Além disso, o acordo entre o Irã e os Estados Unidos estabelece os termos do cessar-fogo entre os rivais históricos, a reabertura do Estreito de Ormuz, certo alívio financeiro para o Irã e uma reafirmação de Teerã de que jamais produzirá uma arma nuclear, segundo uma cópia do texto obtida pela CNN.

*Com informações da CNN Internacional e da Reuters

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

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Análise: Acordo EUA-Irã expõe limites e incomoda Israel

Israel, apesar de ter atuado conjuntamente com os americanos nos ataques contra o Irã, não deve assinar o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã.

Uma fonte israelense disse à CNN que o país pediu acesso à íntegra do memorando prestes a ser assinado, mas o pedido foi negado pelos Estados Unidos.

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna e o professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) Carlos Frederico Coelho analisaram ao WW os desdobramentos do acordo e suas implicações estratégicas para a região.

Irã se sente empoderado após o conflito

Segundo agências de inteligência americanas, as autoridades em Teerã se sentem empoderadas com os resultados da guerra até o momento. De acordo com essas mesmas fontes, o Irã estaria considerando bloquear novamente o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão.

Uma fonte com acesso a esses relatórios disse à CNN que, para o Irã, o Estreito de Ormuz se mostrou uma arma mais poderosa do que qualquer bomba nuclear.

Embora a capacidade iraniana de controlar militarmente o estreito tenha sido reduzida pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos, informações de inteligência indicam que Teerã mantém cerca de dois terços dos lançadores de mísseis intactos e conserva metade da capacidade de estocagem de drones.

O Irã também aproveitou o cessar-fogo para retomar a produção de drones, e estimativas de maio apontavam que o país poderia repor totalmente sua capacidade de ataque com drones em cerca de seis meses.

Trump redesenhou a situação de forma desfavorável

Para Carlos Frederico Coelho, o conflito resultou em um redesenho estratégico que beneficia o Irã de maneira inesperada. “O Irã descobriu que o Estreito de Ormuz é de fato mais valioso do que uma arma nuclear e, a partir de agora, Teerã nunca vai negociar a partir de uma posição de fraqueza”, afirmou.

Segundo o professor de Relações Internacionais, o memorando a ser assinado é relativamente genérico, e especula-se que preveja cobranças por serviços marítimos e a devolução de fundos ao Irã. “Se tudo que a gente está enxergando de fato se concretize, a gente está diante de uma aventura absolutamente desastrada por parte do governo americano”, declarou.

Lourival Sant’Anna destacou que o conflito teria origem em um erro colossal de análise de inteligência. “Muitas dessas coisas, nós que acompanhamos o Irã há muitos anos, preveríamos que uma decapitação do regime não levaria à sua queda e que ele poderia recorrer ao fechamento do Estreito de Ormuz”, disse.

Para o analista, Israel perde com o desfecho do conflito tudo o que havia conquistado estrategicamente desde outubro de 2023, enquanto o Irã passa a ocupar posição de maior prestígio regional.

Israel em posição delicada e pressão americana

Carlos Frederico Coelho avaliou que as opções de Israel dependem do nível de pressão que os Estados Unidos exercerão. Nas últimas horas, houve ataques no sul do Líbano, e o Irã afirmou ter registrado 84 violações do cessar-fogo nos dois dias anteriores à assinatura prevista.

O Irã também declarou que o memorando corre risco de não avançar caso as operações israelenses no território libanês continuem.

“O Irã está numa condição de máxima capacidade de barganha nesse momento”, avaliou o professor da Eceme, acrescentando que, até a sexta-feira (19) da assinatura, o país poderia exigir dos Estados Unidos um controle mais efetivo sobre as ações de Israel. “O Irã perde a guerra e ganhou a mão no baralho e ganhou a mesa”, resumiu.

Europa e o interesse no desbloqueio do estreito

Na reunião do G7, os europeus demonstraram disposição para colaborar com o processo de reabertura do Estreito de Ormuz, incluindo o deslocamento de ativos para a remoção de minas da região.

Carlos Frederico Coelho explicou que o interesse europeu é direto: a combinação dos conflitos no Irã e na Ucrânia gera pressão inflacionária significativa sobre os preços de energia no continente. “Tudo que os europeus puderem fazer com o mínimo agora de segurança certamente está no interesse dos governantes europeus”, disse.

Coelho ressaltou, porém, que a reabertura efetiva do estreito depende de mais do que um comunicado oficial. “O petróleo só vai fluir quando as empresas seguradoras e os navios acreditarem que há segurança. Essas empresas não confiam em comunicado de imprensa”, afirmou.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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Leia o acordo completo de 14 pontos entre os EUA e o Irã

O acordo entre o Irã e os Estados Unidos estabelece os termos do cessar-fogo entre os rivais históricos, a reabertura do Estreito de Ormuz, algum alívio financeiro para o Irã e uma reafirmação de Teerã de que jamais produzirá uma arma nuclear, segundo uma cópia do texto obtida pela CNN.

O memorando de entendimento de 14 pontos ainda não foi divulgado oficialmente, mas uma cópia foi obtida pela CNN junto a um funcionário americano. Um diplomata que compareceu à cúpula do G7 na França esta semana confirmou o conteúdo, assim como outras duas fontes diplomáticas com conhecimento das negociações.

Nos termos do acordo, os EUA permitirão que o Irã venda seu petróleo e produtos petroquímicos, e Teerã poderá ter acesso a um fundo de desenvolvimento de US$ 300 bilhões se cumprir os compromissos relacionados ao seu programa nuclear em negociações futuras.

O documento não inclui detalhes sobre o que acontecerá com o urânio altamente enriquecido do Irã.

A fonte oficial americana disse à CNN que o texto reflete o acordo assinado digitalmente pelo presidente Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf no domingo (14). 

No entanto, dada a discrição tanto dos EUA quanto do Irã em relação ao texto, permanece incerto se a versão preliminar compartilhada com a CNN refletirá a redação exata do documento final, que deverá ser assinado presencialmente na sexta-feira, na Suíça.

Detalhes técnicos também estão sendo finalizados, portanto, a redação ainda pode sofrer alterações.

Em declarações à CNN, autoridades americanas minimizaram a importância do memorando, classificando-o como um “documento político” que não reflete compromissos importantes assumidos pelo Irã com os EUA em conversas informais, especificamente sobre o futuro do programa nuclear iraniano.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário quando lhe foi apresentada a minuta obtida pela CNN. A agência de notícias iraniana semioficial Tasnim classificou as versões vazadas da minuta como imprecisas. A Bloomberg havia publicado anteriormente uma versão do documento.

O memorando de entendimento deverá ser assinado formalmente na sexta-feira, dando início a um período de 60 dias para negociar os termos finais do acordo.

Leia abaixo o texto na íntegra:

1 — A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos, juntamente com seus aliados na guerra atual, declaram, mediante a assinatura deste Memorando de Entendimento, o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se a não iniciar, a partir de agora, qualquer ação hostil um contra o outro, e a abster-se da ameaça ou do uso da força um contra o outro. O acordo final confirmará as disposições deste Artigo e dos demais Artigos.

2 — A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos comprometem-se a respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro e a abster-se de interferir nos assuntos internos um do outro.

— A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos comprometem-se a negociar e chegar a um acordo final dentro de um prazo máximo de 60 dias, prorrogável por mútuo consentimento.

4 — Imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento, os Estados Unidos suspendem o bloqueio naval e impedem qualquer interferência ou obstrução contra a República Islâmica do Irã, e restabelecem o tráfego marítimo em sua capacidade total em um prazo máximo de 30 dias; o tráfego de navios será proporcional ao volume de tráfego pré-guerra por parte da República Islâmica do Irã. Os Estados Unidos também se comprometem a retirar suas forças das áreas circundantes em até 30 dias após o acordo final.

5 — Ao assinar este Memorando de Entendimento, a República Islâmica do Irã tomará medidas imediatas para garantir que a circulação de navios mercantes do Golfo Pérsico para o Mar de Omã e vice-versa seja retomada, dentro de 30 dias, ao volume anterior à guerra, levando em consideração a necessidade de remoção de obstáculos técnicos e neutralização de minas pelo Irã.

6 — Os Estados Unidos comprometem-se, juntamente com seus parceiros regionais, a criar um plano abrangente, acordado por ambas as partes, para a reabilitação e o desenvolvimento econômico da República Islâmica do Irã, garantindo um financiamento de pelo menos US$ 300 bilhões. O mecanismo de implementação deste plano, como parte do acordo final, será formulado em 60 dias.

7 — Os Estados Unidos comprometem-se a pôr fim, num cronograma a ser acordado como parte do acordo final, a todos os tipos de sanções atualmente impostas à República Islâmica do Irã, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), bem como a todas as sanções unilaterais dos EUA, tanto primárias quanto secundárias.

8 — A República Islâmica do Irã reitera que jamais produzirá armas nucleares. A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos concordaram que o destino do material enriquecido e o destino de todas as demais questões nucleares mutuamente acordadas, incluindo as necessidades nucleares do Irã, serão adequadamente abordados em um acordo final; o acordo final confirmará as disposições deste Artigo.

9 — A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos concordam que, enquanto não houver um acordo final, manterão o status quo: o Irã manterá o status quo em seu programa nuclear, e os Estados Unidos não imporão novas sanções ao Irã nem reforçarão suas forças na região.

10 — Os Estados Unidos comprometem-se a que, imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento e até a data do levantamento das sanções, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitirá isenções para as exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e seus derivados, e todos os serviços relacionados, incluindo serviços bancários, de seguros, de transporte e similares.

11 — Os Estados Unidos comprometem-se a que, tendo em conta o progresso das negociações para um acordo final, os fundos e ativos congelados ou restritos da República Islâmica do Irã sejam liberados e disponibilizados integralmente. Esses fundos, quer estejam na conta principal ou tenham sido transferidos, serão utilizados para qualquer pagamento final ao beneficiário determinado pelo Banco Central da República Islâmica do Irã e estarão totalmente disponíveis para uso. Os Estados Unidos comprometem-se a emitir todas as autorizações e licenças necessárias com base nisso.

12 — A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos concordam que será estabelecido um mecanismo de implementação para supervisionar a implementação bem-sucedida e o compromisso futuro com o Acordo Final.

13 — Após a assinatura deste Memorando de Entendimento e mediante o recebimento de garantias quanto ao início da implementação dos Artigos 4, 5, 10 e 11 deste Memorando de Entendimento, e à continuidade da implementação dessas medidas, a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos iniciarão negociações para um Acordo Final exclusivamente com relação aos Artigos restantes.

14 — O acordo final será aprovado por meio de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

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Autoridades dos EUA trabalham para divulgar rapidamente acordo com o Irã

Negociadores americanos estão trabalhando para divulgar rapidamente o texto do acordo entre Washington e Teerã, mesmo minimizando a importância da linguagem específica do documento, disseram autoridades americanas à CNN.

As autoridades descreveram o texto do acordo como incrivelmente vago, com o objetivo principal de criar um ambiente mais favorável para as negociações presenciais, altamente técnicas, que virão a seguir. Acrescentaram que a estrutura visa dar ao Irã a capacidade de vendê-la politicamente para seu público interno.

Além disso, as autoridades disseram que o texto do memorando de entendimento, que o vice-presidente americano, JD Vance, disse à CNN na segunda-feira (15) ter uma página e meia, não refletia compromissos importantes assumidos pelo Irã em conversas informais com os EUA, os quais, segundo elas, davam mais confiança ao país para assinar o acordo.

“As pessoas não devem dar muita importância à linguagem do memorando de entendimento”, disse um dos funcionários, descrevendo o acordo como um “documento político”.

“O que é mais importante do que o documento em si são os entendimentos que temos uns com os outros, e é por isso que é importante finalizá-lo, para que possamos criar o ambiente necessário para discutir todos esses assuntos, porque basicamente diz que vamos suspender as sanções, vamos chegar a um acordo sobre o programa nuclear, vamos descongelar os fundos”, disse o mesmo funcionário.

“Mas vamos suspender as sanções quando, você sabe, com base no progresso. Vamos liberar os fundos assim que tivermos concordado com os mecanismos para isso”, disse.

O que se sabe sobre o acordo?

O Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo que encerrará o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA, reabrirá o Estreito de Ormuz e dará início a 60 dias de negociações sobre questões nucleares.

O texto do memorando de entendimento entre os dois países será divulgado publicamente. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que isso ocorrerá “muito em breve”, provavelmente após uma cerimônia formal de assinatura na sexta-feira (19).

Já um alto funcionário do governo Trump disse que o documento deverá ser publicado nas próximas 24 a 48 horas.

Veja o que se sabe — e o que ainda não se sabe — sobre os principais temas envolvidos:

Estreito de Ormuz

Os EUA afirmaram que o estreito será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, com Trump declarando que a passagem pela via marítima será “permanentemente livre de pedágios”.

No entanto, duas agências de notícias iranianas semioficiais informaram na segunda-feira (15) que, embora Teerã permita o trânsito gratuito durante a janela de 60 dias em que ocorrerão novas negociações, pretende cobrar taxas após esse período.

A agência Fars News afirmou que o Irã “pretende obter benefícios financeiros do tráfego comercial de navios pelo Estreito de Ormuz”.

Questões de segurança também influenciarão o cronograma da reabertura.

CNN informou anteriormente que o Irã instalou minas no estreito, e os negociadores precisarão chegar a acordos sobre como removê-las.

Cessar-fogo

O Paquistão, que mediou o acordo, declarou que ambos os lados “anunciaram o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

No entanto, o acordo não inclui uma exigência para que Israel se retire do Líbano, segundo um alto funcionário dos EUA na segunda-feira. Israel, que não é parte do acordo, reiterou que suas forças não deixarão o território libanês.

Os EUA manterão sua atual presença militar no Oriente Médio durante as negociações técnicas entre EUA e Irã, com uma redução planejada caso um acordo final seja alcançado, afirmou um alto funcionário do governo americano.

Questões nucleares

Os EUA disseram que o Irã forneceu garantias de que nunca desenvolverá uma arma nuclear. Contudo, não há compromissos concretos sobre o programa nuclear iraniano nem sobre seus estoques de urânio. Essas questões foram deixadas para negociações futuras.

Sanções e recursos congelados

O Irã afirmou que as negociações nucleares de 60 dias só começarão depois que os EUA liberarem bilhões de dólares em recursos financeiros congelados. Porém, uma autoridade americana declarou que nenhum valor será liberado sem compromissos claros por parte do Irã.

A economia

Os preços do petróleo caíram para os níveis mais baixos dos últimos três meses após o anúncio do acordo, mas ainda permanecem cerca de US$ 10 por barril acima dos níveis registrados antes do conflito.

Uma recuperação econômica mais ampla provavelmente levará meses para acontecer.

O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã

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“Divisor de águas”, diz premiê do Canadá à CNN sobre acordo entre EUA e Irã

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse à CNN nesta terça-feira (16) que o memorando de entendimento entre o Irã e os EUA, que põe fim à guerra, é “um divisor de águas”, prometendo o apoio de seu país à implementação do acordo.

“Estamos muito satisfeitos com o acordo que foi firmado”, disse Carney em uma entrevista exclusiva no local da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França.

“Ele estabelece as bases para garantir que o Irã não tenha uma arma nuclear. Ele estabelece as bases para uma reintegração gradual das economias da região. Ele estabelece as bases para uma solução no Líbano, que discutimos hoje. Portanto, é positivo”, afirmou.

O primeiro-ministro confirmou ter visto o acordo, que o governo Trump manteve em segredo, mas prometeu divulgar mais perto da cerimônia oficial de assinatura na sexta-feira (19), na Suíça.

Ele afirmou estar “totalmente” de acordo, “assim como todos os outros” que participam da cúpula do G7 desta semana na França.

Os comentários de Carney representam uma das primeiras avaliações do acordo feitas por alguém que não está diretamente envolvido nas negociações. Ele disse que o acordo prevê “um cessar-fogo por um período de 60 dias”, detalhando “uma série de condições e o que acontecerá quando elas forem cumpridas”.

Ele também reconheceu “um grande incentivo financeiro” para o Irã cumprir sua parte do acordo e tomar medidas concretas nos próximos dois meses, incluindo permitir o tráfego pelo Estreito de Ormuz, auxiliar na remoção de minas e negociar a remoção dos estoques de urânio enriquecido.

Trump negou que os EUA pagariam ao Irã por seu urânio enriquecido, insistindo na noite de segunda-feira no Truth Social: “A história de que os EUA estão pagando 300 milhões de dólares ao Irã é Fake News, divulgada pelos democratas!!!”.

Mas o vice-presidente americano, JD Vance, que participou das negociações e deverá estar presente na Suíça ainda esta semana para a assinatura oficial do acordo, reconheceu em entrevista à CBS que os iranianos “poderiam ter acesso” a um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões se cumprirem os termos do acordo.

Ele afirmou que o fundo seria financiado por nações árabes do Golfo Pérsico.

O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã

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EUA querem retirada de minas de Ormuz; operação será um desafio para o Irã

O governo Donald Trump quer que o Irã remova as minas colocadas no Estreito de Ormuz, mas um especialista diz que a tarefa deve ser desafiadora para Teerã.

Um documento com os pontos de discussão da Casa Branca sobre o memorando de entendimento afirma que “o Irã fará a desminagem e removerá todos os obstáculos” na estratégica via marítima.

Um alto funcionário do governo dos Estados Unidos disse a jornalistas na segunda-feira que Washington espera que as operações no estreito “voltem ao normal rapidamente, certamente em até 30 dias, assim que eles se comprometerem a remover todas as minas”.

Scott Savitz, engenheiro sênior da RAND, disse à CNN que o Irã é “muito bom em instalar minas, mas as contramedidas contra minas são um tipo de operação fundamentalmente diferente, então não está claro quão eficiente eles são nisso”.

“Isso é difícil, exige muito cuidado e é um trabalho que demanda extrema precisão”, observou.

“É tecnicamente muito complexo. É mais provável que (o Irã) tenha algumas capacidades de sonar e alguma capacidade para talvez fazer varreduras”, mas quase certamente não para identificar a localização exata das minas, afirmou.

A autoridade americana também disse na segunda-feira que, se os iranianos “não estiverem agindo rápido o suficiente”, os EUA poderiam ajudá-los a lidar com a remoção das minas, porque “neste momento sabemos onde todas as minas estão”.

De acordo com o funcionário do governo, há algumas minas que, se forem priorizadas, podem ser eliminadas abrindo várias outras rotas de navegação.

Irã já colocou minas no Estreito de Ormuz em outra guerra; entenda

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Papa Leão sobre acordo provisório entre EUA e Irã: “graças a Deus”

O papa Leão elogiou nesta terça-feira (16) o acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra regional no Oriente Médio, dizendo “graças a Deus” sobre a previsão de as duas potências formalizarem o acordo na sexta-feira (19).

O pontífice, que foi alvo de ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, após criticar a guerra contra o Irã, disse esperar que o acordo ponha fim ao conflito de vez.

“Ainda haverá vários pontos a serem resolvidos, mas é sempre melhor fazê-lo por meio do diálogo, por meio de negociações, e não voltando à guerra”, disse o primeiro papa norte-americano a jornalistas do lado de fora de sua residência em Castel Gandolfo, na Itália.

“Espero que isso seja realmente uma solução para a guerra, que a guerra tenha realmente acabado e que possamos seguir em frente”, disse ele.

Relembre atrito entre Trump e o papa

Menos de 24 horas após os EUA e Israel iniciarem os ataques ao Irã em 28 de fevereiro, o pontífice pediu o fim da “espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”. Ele repetiu esse apelo ao longo do conflito.

No dia 7 de abril, Trump publicou nas redes sociais que “uma civilização inteira morreria” a menos que Teerã cumprisse seu prazo para reabrir o Estreito de Ormuz ainda naquele dia.

O papa Leão XIII classificou a ameaça como “verdadeiramente inaceitável” ao falar com jornalistas algumas horas após a publicação do líder americano.

No dia 12 do mesmo mês, Trump publicou uma longa crítica ao papa no Truth Social. “Não quero um Papa que critique o Presidente dos Estados Unidos”, escreveu Trump. Ele também disse a repórteres que “não é fã do papa Leão”.

No mesmo dia, Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial retratando-o como Jesus, vestindo túnicas brancas e vermelhas e composta no estilo da arte religiosa.

Na época, o pontífice disse à CNN que não tem “nenhum medo do governo Trump” e prometeu “continuar com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje”.

Questionado se devia um pedido de desculpas ao líder a Igreja Católica após seus comentários, Trump disse ontem: “Não, não devo, porque o papa Leão XIII disse coisas erradas. Ele era muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não podemos ter um Irã nuclear.”

O presidente também apagou ontem a imagem de si mesmo como Jesus do Truth Social, dizendo a repórteres que pensava que a imagem o retratava como médico.

Quem é Robert Prevost, o papa Leão XIV?

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Acordo entre EUA e Irã inclui fundo de US$300 bilhões, diz fonte

Um fundo privado de US$300 bilhões destinado a estimular investimentos no Irã está previsto no acordo-quadro entre os EUA e o Irã, e mais da metade desse montante já foi comprometida, informou à Reuters uma fonte com conhecimento direto do acordo.

O fundo tem como objetivo oferecer a ambas as partes um incentivo econômico para que cheguem a um acordo final, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato, já que o plano ainda não foi anunciado, enquanto Washington e Teerã se preparam para assinar o acordo nesta sexta-feira (19).

Autoridades dos EUA e do Irã afirmaram no domingo (14) que haviam chegado a um entendimento sobre um acordo-quadro para pôr fim à guerra — que teve início quando forças norte-americanas e israelenses atacaram o Irã em 28 de fevereiro –, suspender o bloqueio dos EUA ao Irã e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota de abastecimento fundamental para o petróleo e o gás global.

O novo fundo é um veículo de investimento privado, não um programa de reconstrução ou reparações, e não incluirá dinheiro público nem subsídios, disse a fonte, acrescentando que empresas sediadas nos EUA, nos países árabes do Golfo, na Ásia, na América do Sul e na África concordaram em comprometer-se com financiamento.

Os investimentos prometidos abrangem os setores de energia, logística, manufatura e transporte, disse a fonte.

Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que Teerã havia inicialmente solicitado US$ 400 bilhões como indenização pelos danos de guerra causados pelos EUA, mas Washington havia afirmado que não forneceria esse montante.

Foi então que surgiu a ideia do fundo, que se chamará Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento.

O mecanismo prevê que os países da região contribuam de várias maneiras, disse a fonte iraniana. Isso inclui a obtenção de empréstimos, o estabelecimento de linhas de crédito ou o financiamento direto da reconstrução de locais danificados pela guerra, incluindo instalações como o complexo siderúrgico de Mobarakeh, refinarias, aeroportos e, de maneira mais ampla, a infraestrutura afetada pelo conflito.

O Irã, uma das maiores economias do Oriente Médio, praticamente não atraiu investimentos estrangeiros diretos significativos nas últimas quatro décadas, tendo sido excluído dos mercados de capitais globais por sucessivas ondas de sanções dos EUA e da comunidade internacional.

O país tem a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo e a quarta maior reserva comprovada de petróleo.

Possui também uma população jovem e qualificada de mais de 92 milhões de pessoas, uma base industrial diversificada e um potencial significativo ainda inexplorado em setores que vão desde o petroquímico e a mineração até o turismo e a agricultura.

O fundo de investimento é totalmente independente de uma via paralela de negociações sobre o levantamento das sanções dos EUA e a liberação dos ativos soberanos iranianos congelados no exterior, disse a fonte, descrevendo os dois como mecanismos financeiros distintos, com objetivos e prazos diferentes.

O fundo não será criado nem entrará em operação até que um acordo final e satisfatório seja concluído. O memorando de entendimento, uma vez assinado, tem como objetivo estruturar o processo nos próximos 60 dias.

“Ele só será criado uma vez que o acordo final tenha sido assinado”, disse a fonte.

“Durante esses 60 dias, os administradores do fundo trabalharão com iranianos e investidores para planejar e definir o escopo dos projetos”, acrescentou.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã e o do Paquistão, que ajudaram a mediar o acordo do fundo de investimento, não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

Uma porta-voz da Casa Branca citou uma entrevista da CBS com o vice-presidente americano, JD Vance, na segunda-feira (15), na qual ele afirmou que o Irã poderia ter acesso a um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões apoiado pelos países do Golfo caso cumpra um acordo com Washington, incluindo o desmantelamento de seu programa nuclear, a eliminação de seu estoque de material enriquecido e a aceitação de um rigoroso regime de inspeção e fiscalização.

“Esse é o tipo de coisa a que eles poderiam ter acesso, financiada pela coalizão da Costa do Golfo, desde que cumpram sua parte do acordo”, disse Vance em entrevista à CBS.

A fonte não quis revelar como o fundo será administrado nem por quem, observando que detalhes importantes ainda precisavam ser definidos.

Horas após a entrevista de Vance, o presidente dos EUA, Donald Trump, negou as notícias sobre o fundo de reconstrução como parte do acordo para encerrar a guerra.

“O Irã concordou em nunca ter uma arma nuclear! Além disso, a história de que os EUA estão pagando US$ 300 milhões ao Irã é Fake News, divulgada pelos democratas!!!”, escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth Social.

A fonte citou empresas da Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Malásia e Estados Unidos entre aquelas que assumiram compromissos, mas se recusou a fornecer uma lista completa.

O memorando de 60 dias é um marco, não um acordo definitivo, e espera-se que negociadores dos EUA e do Irã trabalhem em várias frentes durante esse período, abordando questões nucleares, sanções e segurança regional.

O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã

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Irã alerta para “resposta severa” caso ataques ao Líbano continuem

O quartel-general militar do Irã alertou Israel nesta terça-feira (16) para que encerre sua campanha contra o Hezbollah no Líbano, de acordo com um comunicado publicado pela agência de notícias semioficial Fars.

Se Israel não “puser fim à sua agressão no sul do Líbano, deve esperar uma resposta severa das poderosas forças armadas da República Islâmica do Irã”, diz o comunicado, que a Fars atribuiu ao principal comando militar conjunto do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya.

O Irã e o Paquistão insistiram que o acordo entre o Irã e os EUA exige que Israel cesse as hostilidades e, horas antes do anúncio do acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu publicamente que Israel interrompesse seus ataques no Líbano.

No entanto, um alto funcionário dos EUA afirmou que o acordo não exige que Israel se retire do país, e Israel se recusa a encerrar sua campanha militar contra o grupo militante libanês apoiado pelo Irã.

Mais cedo, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que Israel deve se retirar das “áreas ocupadas” no Líbano.

O comentário foi feito durante uma ⁠conversa por ⁠telefone com o ​presidente ‌do Parlamento ⁠libanês, Nabih Berri, enquanto Teerã e ‌Washington planejavam ⁠assinar ‌um acordo de paz nesta ⁠sexta-feira ⁠(19) para pôr fim à ‌guerra entre os dois países.

“A população do sul do ‌Líbano deve retornar às suas casas”, ⁠acrescentou Qalibaf em uma postagem ​em seu canal ​no Telegram.

Também nesta terça-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou clara sua frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dizendo a repórteres que ele precisava ser “mais responsável em relação ao Líbano”.

Trump entrou em conflito com Netanyahu diversas vezes nos últimos meses, acreditando que o líder israelense e seu governo estavam dificultando um acordo entre os EUA e o Irã ao atacar o Hezbollah no Líbano.

“Sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estaria disposto a fazer o que eu fiz”, disse Trump em resposta a uma pergunta sobre se ele estava frustrado com Netanyahu.

Netanyahu tem evitado confrontos públicos com Trump. Falando sobre o acordo EUA-Irã na segunda-feira (15), ele disse: “Há casos em que o presidente Trump e eu não concordamos. […] Sou responsável pelos interesses de segurança de Israel, e isso precisa ser feito com sabedoria.”

Uma fonte israelense informou que o primeiro-ministro está tentando organizar um encontro após o retorno do americano da Cúpula do G7 na Europa.

O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã

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EUA avaliam que Irã pode fechar Ormuz quando quiser, apesar de acordo

As agências de inteligência dos Estados Unidos avaliaram recentemente que o Irã agora pode bloquear de forma efetiva o acesso ao Estreito de Ormuz quando desejar. Isso significa que o regime adquiriu uma nova e poderosa capacidade de prejudicar a economia global como resultado da guerra, segundo três fontes familiarizadas com a avaliação.

Independentemente do acordo provisório que deverá ser formalmente assinado na sexta-feira para reabrir a importante via marítima, o Irã demonstrou durante o conflito atual que consegue interromper o acesso ao estreito, e avaliações da inteligência americana indicam que isso poderá ocorrer novamente.

“Agora entregamos ao Irã o controle de fato sobre o estreito — uma arma mais poderosa do que qualquer arma nuclear”, disse à CNN uma das fontes familiarizadas com as avaliações da inteligência dos EUA, enfatizando como a guerra alterou profundamente a forma como Teerã pensa em utilizar táticas semelhantes no futuro.

O Irã também aprendeu que pode usar ataques direcionados contra a infraestrutura energética dos países do Golfo como uma capacidade assimétrica, depois de fazê-lo com grande eficácia durante a guerra, acrescentou uma segunda fonte. Essa seria outra ferramenta que Teerã poderá explorar a seu favor daqui para frente.

Os EUA tiveram de negociar intensamente com o Irã para reabrir totalmente o estreito, o que evidencia a influência contínua dos iranianos sobre a situação.

A CNN procurou a Casa Branca e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional para comentar o assunto.

Um alto funcionário americano afirmou à CNN que o Irã não poderá acessar “nenhum benefício” do acordo provisório se o estreito não permaneça aberto ou se descumprir os demais pontos acertados. O funcionário não detalhou quais seriam esses benefícios, mas explicou que os EUA reduzirão gradualmente seu bloqueio na mesma proporção em que o Irã restabelecer o tráfego no estreito.

“Se o Irã cumprir sua parte, o alívio virá e a influência americana será mantida durante todo o processo”, acrescentou.

Outra fonte familiarizada com o acordo reconheceu à CNN que o Irã tentou interromper o livre fluxo de energia no estreito, mas acabou desagradando a China e os países do Golfo.

“O Irã paga um preço quando faz isso”, disse a fonte, observando que qualquer tentativa futura de fechar efetivamente o estreito acarretaria consequências autoinfligidas.

A incerteza sobre os termos do acordo e outros riscos também deverão manter o tráfego nesse ponto estratégico reduzido por semanas ou meses, segundo autoridades da indústria marítima e especialistas que monitoram a movimentação de navios.

Uma das principais razões pelas quais o Irã acredita que pode continuar usando o estreito como instrumento de pressão é que ainda mantém uma parcela significativa de seu arsenal, incluindo mísseis, drones, lançadores de mísseis e centenas de pequenas embarcações rápidas que continuam assediando navios que tentam atravessar a passagem e que também podem ser usadas para instalar minas navais.

Além disso, o Irã vem reconstruindo sua base industrial militar mais rapidamente do que os EUA esperavam e já retomou a produção de drones, informou anteriormente a CNN.

Houve discussões sobre a possibilidade de aliados patrulharem o estreito após sua reabertura, mas ainda não está claro como isso funcionaria. Segundo as fontes, as avaliações de inteligência mais recentes já consideram essa possibilidade.

Mesmo com um acordo aparentemente encaminhado para reabrir o estreito e encerrar o conflito atual, diversas fontes afirmaram que o Irã vem planejando uma “opção nuclear econômica” caso as negociações com os EUA fracassem: fazer com que os houthis, principal força aliada de Teerã no Iêmen, fechem o estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico — outro gargalo estratégico do comércio global e que se tornou uma rota vital durante os meses em que o Estreito de Ormuz permaneceu fechado.

Em conjunto, as recentes avaliações da inteligência dos EUA destacam o impacto duradouro da decisão do presidente Donald Trump de iniciar o conflito sem considerar plenamente a disposição do Irã de fechar o Estreito de Ormuz e levantam novas dúvidas sobre a capacidade de Teerã de usar a economia global como instrumento de pressão no futuro — um problema que vai além de qualquer acordo provisório entre os dois países para reabrir a passagem marítima.

Desde que o Irã fechou o estreito, as agências de inteligência americanas vêm reavaliando continuamente como e em quais circunstâncias Teerã poderá recorrer novamente a esse instrumento de pressão, segundo três fontes.

Embora ainda não haja consenso dentro da comunidade de inteligência, várias fontes afirmam que o Irã saiu fortalecido pelo fato de ter conseguido fechar o estreito e atacar a infraestrutura energética dos países do Golfo sem consumir uma parcela significativa de suas capacidades militares.

Agora que o Irã demonstrou possuir tanto a intenção quanto a capacidade de fechar o estreito, alguns funcionários americanos acreditam que o país estará mais inclinado a repetir essa medida no futuro, disseram duas fontes.

Na segunda-feira, uma autoridade do governo afirmou que o objetivo é “criar um mecanismo que torne impossível” um novo fechamento do estreito.

O vice-presidente JD Vance declarou à CNN, em entrevista a Jake Tapper, que acredita que uma das razões pelas quais o Irã aceitou chegar a um acordo-quadro com os EUA é porque “reconhece que está perdendo essa influência sobre o Estreito de Ormuz”.

Mais cedo, Trump afirmou que o estreito “já está parcialmente aberto” e será totalmente reaberto na sexta-feira, quando EUA e Irã deverão assinar formalmente um memorando de entendimento.

“Eles estão procurando algumas minas que já foram encontradas, mas os navios já estão começando a sair”, disse Trump durante uma reunião com o presidente francês, Emmanuel Macron, na cúpula do G7. “Na sexta-feira, estará completamente aberto.”

“Não acho que vamos precisar de muita ajuda, porque temos um acordo segundo o qual ele ficará aberto e sem cobrança de pedágio. Tivemos uma pequena discussão sobre isso, mas será sem pedágio”, acrescentou.

No entanto, Trump pouco explicou sobre como qualquer acordo poderia impedir o Irã de tomar medidas semelhantes no futuro, especialmente depois que os EUA suspenderem o bloqueio naval e retornarem gradualmente a uma postura militar mais normal na região.

Erro de cálculo fortaleceu o Irã

O Irã há muito ameaçava fechar o estreito em resposta a ataques de adversários estrangeiros, incluindo EUA e Israel, mas não havia demonstrado capacidade de fazê-lo com sucesso antes da decisão de Trump de iniciar operações militares ao lado de Israel neste ano.

Segundo várias fontes, uma das razões pelas quais o governo Trump subestimou a disposição iraniana de fechar o estreito foi a crença de que isso prejudicaria mais o próprio Irã do que os EUA — visão reforçada pelas ameaças vazias feitas por Teerã após os ataques americanos a instalações nucleares iranianas no verão passado.

Altos funcionários do governo também estavam confiantes de que a China acabaria usando sua influência sobre o Irã para impedir um fechamento efetivo do estreito.

Por isso, o governo Trump decidiu priorizar ataques contra alvos militares iranianos em vez de destinar recursos para dissuadir o Irã de tentar bloquear o Estreito de Ormuz, disseram duas fontes familiarizadas com as discussões de planejamento.

Mas poucos dias após o início do conflito, ficou claro que houve um erro de cálculo.

“Perder o controle do estreito será o maior erro desta era, porque é uma carta que os EUA não conseguem neutralizar sem mobilizar tudo o que têm”, afirmou uma quarta fonte envolvida no planejamento militar da guerra. “Agora não há como reverter a situação sem concentrar uma força militar gigantesca.”

Autoridades americanas acreditam que o Irã decidiu fechar o estreito em resposta à declaração inicial de Trump de que o objetivo da guerra era derrubar o regime iraniano, enxergando isso como uma ameaça existencial que justificava uma escalada sem precedentes.

A mesma fonte observou que Teerã não tomou essa medida imediatamente após os bombardeios, mas esperou alguns dias até acreditar que havia compreendido o verdadeiro objetivo dos EUA.

“O Irã foi deliberado na forma como escalou o conflito”, acrescentou.

Influência significativa

Neste momento, os iranianos estão calibrando suas ações, afirmam todas as fontes, e ainda não está claro como o acordo provisório que deverá ser assinado em Genebra pode alterar o cenário.

Mas está claro que o Irã adquiriu uma influência significativa ao demonstrar capacidade de fechar o estreito.

Teerã também sabe que pode fazer os houthis fecharem o estreito de Bab el-Mandeb, mas está ciente de que uma medida tão drástica prejudicaria o processo diplomático e as negociações nucleares prestes a começar.

Fechar Bab el-Mandeb e, ao mesmo tempo, manter fechado o Estreito de Ormuz provocaria um enorme choque na economia global, disse uma das fontes.

A segunda fonte familiarizada com as avaliações recentes da inteligência americana observou que é significativo o fato de os houthis ainda não terem retomado ataques em larga escala contra embarcações americanas ou europeias, embora tenham declarado que navios de bandeira ou propriedade israelense continuam sendo alvos legítimos.

Expandir o leque de alvos para além de embarcações israelenses representaria uma escalada grave, acrescentou a fonte.

Segundo as fontes, o Irã só não ordenou até agora que os houthis adotassem essa medida porque sabe que isso poderia comprometer as negociações de paz em andamento.

Mas essa continua sendo uma carta que Teerã poderá jogar caso a busca por um acordo fracasse e os EUA retomem operações militares em larga escala.

Entenda por que os EUA não conseguem proteger o Estreito de Ormuz

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Acordo EUA-Irã permite que Teerã venda petróleo logo após assinatura

Os Estados Unidos permitirão que o Irã comece a vender petróleo e combustível imediatamente, nos termos do memorando de entendimento firmado entre as duas partes para pôr fim à guerra, disse nesta terça-feira uma autoridade norte-americana de alto escalão.

A cláusula que prevê a suspensão das sanções sobre as vendas de petróleo iraniano entrará em vigor assim que o acordo for assinado nesta semana e abrange também serviços como os bancários, de transporte e de seguros, para facilitar as vendas, disse a fonte.

Segundo a autoridade norte-americana, o acordo tem condições.

“Este é um acordo baseado no cumprimento de metas”, disse a autoridade, sob condição de anonimato.

“O Irã só poderá ter acesso aos benefícios do memorando de entendimento se cumprir todos os pontos acordados — incluindo a renúncia a armas nucleares, a neutralização de seu material enriquecido e a não interferência no livre tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.”

Com alta no petróleo, governo acende alerta para evitar efeitos no Brasil

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Com trégua na guerra, Trump retoma foco em políticas tarifárias; entenda

Tarifa” pode ser uma das palavras favoritas do presidente americano Donald Trump. Mas desde que a guerra com o Irã eclodiu, ela raramente fez parte do seu vocabulário.

Com um frágil acordo entre os Estados Unidos e o Irã oferecendo um caminho para encerrar a guerra que dura meses, as tarifas voltam à agenda de Trump. E a situação pode se deteriorar rapidamente.

Às vésperas da Cúpula do G7 desta semana na França, Trump ameaçou impor um imposto de 100% sobre o vinho francês caso o presidente da França, Emmanuel Macron, não abandonasse um imposto digital de 3% sobre serviços.

O tributo é especialmente prejudicial para gigantes de tecnologia dos EUA, como Amazon, Alphabet, Apple e Meta.

“Pedi a ele que não cobrasse das empresas americanas, e se o fizerem, não terei escolha senão cobrar uma tarifa de 100% sobre todos os champanhes e todos os vinhos provenientes da França“, disse Trump ao New York Post em entrevista publicada na segunda-feira.

Trump vem fazendo esse tipo de ameaça desde que o imposto foi instituído em 2019. Antes de seu aviso mais recente, ele ameaçou em janeiro introduzir uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhe franceses após Macron sinalizar que não se juntaria ao “Board of Peace” de Trump sobre Gaza.

Mas, por uma série de razões, Trump não cumpriu essas ameaças.

A Casa Branca negou qualquer conexão entre o acordo com o Irã e o aviso tarifário de Trump em relação à França.

“Não há uma mudança de direção aqui; o presidente está respondendo a uma questão sobre a qual ele claramente já tomou uma posição”, disse o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, ao CNN em um comunicado.

Além dos vinhos e Champanhe franceses, que correm o risco de provocar uma retaliação mais ampla da União Europeia, Trump também prometeu aumentar as tarifas sobre carros da UE, alegando que o bloco comercial violou um acordo firmado no verão passado.

Além disso, o USTR propôs recentemente tarifas a partir de 12,5% sobre todos os produtos do Japão, China e Índia em razão de alegadas preocupações com trabalho forçado.

Espera-se que essas tarifas entrem em vigor após o vencimento de um imposto de importação temporário de 10% no próximo mês.

A economia ainda se recupera da última rodada de tarifas

Trump introduziu tarifas abrangentes no último mês de abril, paralisando empresas e congelando suas tomadas de decisão e contratações. A maioria das taxas foi posteriormente derrubada pela Suprema Corte.

Agora, mais de um ano depois, os efeitos das tarifas sobre o mercado de trabalho estão apenas começando a se dissipar

Empregadores que hesitavam em contratar mais trabalhadores devido ao clima comercial incerto voltaram a contratar: a economia dos EUA adicionou uma média de 188.000 empregos por mês nos últimos três meses — muito diferente do ano passado, quando menos de 10.000 empregos eram adicionados a cada mês.

Mas a inflação anual, que marcava apenas 2,4% antes da guerra EUA-Israel com o Irã, disparou para 4,2% no mês passado, a maior taxa em três anos, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor.

Em base mensal, os preços subiram 0,5%, com o custo mais elevado da energia respondendo por 60% do aumento.

Assim, a perspectiva de uma série de novas tarifas de importação chega em um momento especialmente precário.

Mas os economistas têm encontrado conforto em uma medida de inflação subjacente que exclui os preços de alimentos e energia. Esse indicador, conhecido como inflação “núcleo”, registrou 0,2% em base mensal e 2,9% em maio.

Isso indica que — pelo menos por ora — os preços mais altos da energia, de modo geral, não elevaram significativamente os preços de outros bens e serviços desde o início da guerra.

Nem sempre é assim, dado que a energia é uma das principais despesas para as empresas e, quando os preços sobem, elas frequentemente repassam esse custo aos consumidores.

Ainda não há um veredicto sobre isso, mesmo que o Estreito de Ormuz retorne ao tráfego de petroleiros anterior à guerra.

“Acreditamos que os EUA enfrentam um problema de inflação persistente, em parte por causa do conflito no Oriente Médio, mas também pelo enraizamento da inflação da era pandêmica nos preços dos serviços”, escreveram economistas do BNP Paribas em uma nota na semana passada.

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Dow Jones atinge nova máxima recorde com petróleo em queda

O índice ​Dow Jones ​atingiu um novo pico recorde nesta terça-feira (16) uma vez que os preços do petróleo caíram ⁠ainda ​mais devido ​ao otimismo em torno ⁠de um ⁠acordo de paz ​entre ‌os Estados Unidos ⁠e o Irã, enquanto a SpaceX ultrapassou ‌o valor ⁠de ‌mercado da Amazon e se tornou a ⁠quinta ⁠empresa mais valiosa dos ‌EUA.

O Índice Dow Jones Industrial Average subia 0,59%, para 51.977,30 pontos, ‌enquanto o S&P 500 tinha variação ⁠positiva de 0,01%, a 7.555,24 pontos, e ​o Nasdaq Composite ​avançava 0,03%, para 26.675,54 pontos.

Por que jovens nos EUA estão com dificuldades para conseguir emprego?

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Acordo EUA-Irã promete fim da guerra; ainda há questões sem resposta

Logo Agência Brasil

Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram ter chegado a um acordo para pôr fim ao conflito iniciado em fevereiro deste ano. Até o momento, entretanto, ainda há muitas dúvidas sobre como esse pacto irá caminhar. Empresas de transporte marítimo afirmam que pode levar semanas para que a confiança seja restaurada após a reabertura do Estreito de Ormuz, e questões fundamentais continuam sem resposta.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o acordo para interromper o conflito entre os EUA e o Irã está “fechado” e avançando para uma segunda fase. Os detalhes ainda não foram divulgados e os dois países afirmam que uma trégua permanente ainda precisa ser negociada.

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Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, escreveu ontem nas redes sociais que o acordo provisório era um “passo importante” para interromper os combates, mas observou que o acordo final para uma trégua duradoura “ainda não tomou forma”.

O acordo provisório prorrogaria por mais 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabriria o Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou desde que EUA e Israel atacaram o país em fevereiro.

Os negociadores abordariam questões difíceis, como o futuro do programa nuclear do Irã, durante a próxima fase das negociações, que, segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, teria início na Suíça na sexta-feira (19), após a assinatura formal do acordo-quadro.

Mais duas questões que Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usaram para justificar a guerra — acabar com o apoio do Irã a grupos armados regionais e conter seu programa de mísseis — não devem constar na agenda dessas negociações.

O vice-presidente norte-americano JD Vance e o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, devem comparecer à assinatura formal na sexta-feira (19), em Genebra.

Acordo final 

Os preços do petróleo caíram para novas mínimas de três meses nesta terça-feira, um dia depois de despencarem quase 5% após a notícia do acordo, embora autoridades do setor afirmem que a produção de petróleo e gás do Oriente Médio levará meses para se recuperar totalmente.

Vance disse à CNN que o memorando assinado é um “documento muito geral”. Os detalhes seriam divulgados nos próximos dois dias, segundo autoridades norte-americanas.

Os dois lados ainda enfrentam pressões após um conflito que matou pelo menos 7 mil pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou os mercados globais de energia.

O acordo expõe Trump a críticas dentro de seu próprio partido, enquanto os líderes do Irã podem enfrentar o risco de novos protestos se não conseguirem aliviar as pressões econômicas após uma guerra destrutiva.

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Acordo EUA-Irã promete fim da guerra; ainda há questões sem resposta

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Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram ter chegado a um acordo para pôr fim ao conflito iniciado em fevereiro deste ano. Até o momento, entretanto, ainda há muitas dúvidas sobre como esse pacto irá caminhar. Empresas de transporte marítimo afirmam que pode levar semanas para que a confiança seja restaurada após a reabertura do Estreito de Ormuz, e questões fundamentais continuam sem resposta.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o acordo para interromper o conflito entre os EUA e o Irã está “fechado” e avançando para uma segunda fase. Os detalhes ainda não foram divulgados e os dois países afirmam que uma trégua permanente ainda precisa ser negociada.

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Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, escreveu ontem nas redes sociais que o acordo provisório era um “passo importante” para interromper os combates, mas observou que o acordo final para uma trégua duradoura “ainda não tomou forma”.

O acordo provisório prorrogaria por mais 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabriria o Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou desde que EUA e Israel atacaram o país em fevereiro.

Os negociadores abordariam questões difíceis, como o futuro do programa nuclear do Irã, durante a próxima fase das negociações, que, segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, teria início na Suíça na sexta-feira (19), após a assinatura formal do acordo-quadro.

Mais duas questões que Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usaram para justificar a guerra — acabar com o apoio do Irã a grupos armados regionais e conter seu programa de mísseis — não devem constar na agenda dessas negociações.

O vice-presidente norte-americano JD Vance e o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, devem comparecer à assinatura formal na sexta-feira (19), em Genebra.

Acordo final 

Os preços do petróleo caíram para novas mínimas de três meses nesta terça-feira, um dia depois de despencarem quase 5% após a notícia do acordo, embora autoridades do setor afirmem que a produção de petróleo e gás do Oriente Médio levará meses para se recuperar totalmente.

Vance disse à CNN que o memorando assinado é um “documento muito geral”. Os detalhes seriam divulgados nos próximos dois dias, segundo autoridades norte-americanas.

Os dois lados ainda enfrentam pressões após um conflito que matou pelo menos 7 mil pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou os mercados globais de energia.

O acordo expõe Trump a críticas dentro de seu próprio partido, enquanto os líderes do Irã podem enfrentar o risco de novos protestos se não conseguirem aliviar as pressões econômicas após uma guerra destrutiva.

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