Ouro e prata caem mais de 2% para novos mínimos desde o final de março
O preço do ouro e da prata registou esta quarta-feira uma queda superior a 2%, para novos mínimos desde meados de março, afetado pelo fortalecimento do dólar e pelas expectativas de subidas das taxas de juro.
De acordo com dados da Bloomberg, às 09:30 em Lisboa, a onça ‘troy’ de ouro descia 2,21% e cotava-se a 4.166,9 dólares, caindo para o seu nível mais baixo desde 23 de março passado.
Por sua vez, o preço da prata descia 2,30%, para 63,85 dólares, também o nível mais baixo desde 23 de março.
Este ano, o ouro já desvalorizou quase 3,5% e, desde o início do conflito no Médio Oriente, em 28 de fevereiro, caiu quase 20%.
Desde o seu máximo histórico de 5.595,47 dólares, em 29 de janeiro, o ouro perdeu quase 26% do seu valor.
No caso da prata, a cotação regista uma queda de 10,6% no acumulado do ano. Desde o início das tensões no Irão, o recuo ultrapassa os 27% e atinge os 47% desde 29 de janeiro, quando atingiu máximos históricos nos 121,65 dólares.
Os especialistas explicam que os metais preciosos estão a ser afetados pelo fortalecimento do dólar após o início da guerra no Irão, além das maiores expectativas de subidas das taxas de juro por parte dos bancos centrais face ao forte aumento da inflação, consequência da revalorização do preço da energia.
O analista da XTB, Manuel Pinto, citado pela agência Efe, salienta que os metais preciosos continuam sob pressão devido ao fortalecimento do dólar e à subida das taxas de rendibilidade da dívida, impulsionadas pelas expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal dos EUA (Fed).
“No entanto, a incerteza em torno da primeira reunião do novo presidente da Fed e as dúvidas sobre a capacidade do organismo para conter as pressões inflacionistas poderão aumentar os receios de um cenário de estagflação, um ambiente historicamente favorável para ativos como o ouro e a prata”, afirma.
Os especialistas da Indosuez Wealth Management indicam também que, embora o ouro tenha tido dificuldades em avançar desde o início do conflito no Médio Oriente, devido principalmente ao desaparecimento das expectativas de cortes nas taxas de juro, continuam a considerar que, a médio prazo, o contexto geopolítico global e a diversificação das reservas se mantêm como fatores de apoio para o metal precioso.
A UBS mantém-se otimista em relação ao ouro a médio prazo e prevê que o seu preço atinja os 5.500 dólares por onça durante o primeiro semestre de 2027.



