Suécia interceta dois caças russos perto do seu espaço aéreo

© TOMS KALNINS/EPA

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Uma investigação da Polícia Federal revelou uma nova arma do crime organizado para o tráfico internacional de drogas por rotas marítimas, principalmente para a Europa: as narcolanchas.
Nessa quinta-feira (11), a superintendência da PF na Bahia realizou uma operação contra um esquema de tráfico de cocaína da Máfia dos Balcãs. O fluxo começava com a obtenção da droga em países latinos como Bolívia, Peru e Colômbia, passando pelo Brasil, com parada na Àfrica Ocidental para então chegar aos países europeus.
A complexa rota do tráfico transoceânico culmina em destinos importantes na Sérvia, Croácia e Bósnia. Os portos brasileiros de Santos e de Salvador servem como intermediários cruciais para a viagem pelo Atlântico, até a chegada em Cabo Verde, por exemplo, onde ocorre o reabastecimento e transbordo para à Europa.
No transporte da droga, inovações são cada vez mais utilizadas para dificultar o rastreamento do fluxo criminoso pelas autoridades. As narcolanchas, supervelozes, semi-rígidas ou infláveis, são usadas para transporte rápido em rotas curtas ou para abastecer embarcações maiores em alto-mar.
Elas são projetadas para atingir velocidades acima de navios de patrulha convencionais, representando maior desafio tático para forças de segurança marítima no Oceano Atlântico. Com os veículos, o crime organizado explora os seguintes pontos:
A investigação aponta que modelos de embarcações também são utilizados como “espinha dorsal” da rota marítima do tráfico. Veleiros são usados em longas travessias e “narcossubmarinos” são projetadas para máxima discrição. A Marinha Portuguesa já apreendeu um submergível que transportava mais de 1,7 tonelada de cocaína.
A apreensão do veleiro “Oceania Dos” com 2,8 toneladas de cocaína em 2023, interceptado a 600 milhas náuticas de Cabo Verde, originou a investigação que culminou na operação “Balcãs”, dessa quinta.
O Cartel dos Balcãs é um dos principais compradores de cocaína exportada do Brasil, com uma crescente demanda pela droga cada vez mais pura e lucros que alimentam outras atividades criminosas como lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
Mesmo com o aumento da fiscalização pela Polícia Federal e Marinha de diversos países, o crime organizado têm alterado rotas, métodos e dinâmicas. Um exemplo são os itinerários constantemente alterados para evitar padrões detectáveis pelas agências de inteligência.
Além das narcolanchas, a tecnologia subaquática com Narcossubmarinos e embarcações semissubmersíveis tornam as interceptações cada vez mais complexas.
As múltiplas camadas de intermediários, passando por exemplo por Brasil e África Ocidental, dificultam também a identificação dos líderes das organizações criminosas


Regressar à realidade depois de assistir ao hediondo é o mais difícil. Podemos deixar-nos corroer pela raiva ou pela loucura. Ou podemos escrever. Kamel Daoud, escritor, jornalista e cronista franco-argelino, escolheu escrever. As suas obras estão proibidas na Argélia, país que o viu nascer e tornar-se homem das Letras. É um “inimigo do Islão”. Exilou-se em França. A cidadania francesa faz do autor um cidadão europeu, estatuto que Daoud traduz como liberdade do corpo, de acesso ao espaço público.
Na sua passagem por Lisboa, por ocasião do Choix Goncourt du Portugal, o escritor duplamente distinguido com o mais prestigiado prémio das letras francesas, o Goncourt, conversou com o JE. As obras distinguidas estão editadas em português: “Meursault, contra-investigação”, o seu romance de estreia, e “Huris”, um relato ficcional dos massacres durante a “década negra” da Argélia (1992-2002). Ele que viveu a guerra civil, que caustica o islamismo radical, que não abdica dos seus princípios éticos e cujas crónicas em diversas publicações francesas e internacionais são peças relevantes para compor o ‘puzle Kamel Daoud’.
O otimismo é possível?
A pergunta é inevitável após uma troca de impressões sobre a nossa relação com os ecrãs, com a omnipresença da tecnologia e com os perigos que ela encerra, por exemplo, no que toca à leitura. Daoud diz que a leitura sofre, claro, mas que o mais preocupante são as consequências. E sintetiza: “falta de compaixão, insensibilidade para com o outro.” O discurso parece pessimista ante o comportamento humano, mas Kamel Daoud diz ter “esperança”, apesar das convulsões que hoje vivemos. “Quando há um grande avanço tecnológico, existe sempre um momento de hesitação. Depois, inventamos instrumentos regulatórios”. E dá um exemplo. “Quando a imprensa foi inventada, explodiram as seitas, a pornografia. Mas, depois, inventou-se o depósito legal, os direitos de autor.” Levámos 150 anos, mas fizemos progressos, recorda. Por isso mantém-se otimista. “Penso que haverá instrumentos regulatórios para a internet, as redes sociais e a IA. Não são os do nosso tempo, mas acabarão por ser criados. Até lá, haverá um grande choque”. Não faz futurologia, mas por tudo o que tem lido, acha plausível que haja um grande choque económico, num primeiro momento.
A geopolítica também está a abanar alicerces – económicos e de ordem moral, para não irmos mais longe. Daoud é muito claro quando o assunto são as guerras. “Proíbo-me eticamente de falar sobre guerras e lugares que não conheço. Porquê? Porque quando vivi a guerra civil argelina, não gostava de ouvir pessoas que falavam do que não sabiam. Quando os islamistas tomaram o poder na Argélia, em 1991, as pessoas disseram, em França, na Europa e noutros lugares: ‘mas isto é a democracia a funcionar’.” Pausa. Fala na sua revolta, nos direitos humanos. “Sim, mas no dia em que a tua filha é raptada, violada e degolada, o que fazes aos princípios?” O que mais gosta na literatura é que ela “nos mostra os nossos limites em relação a isso. É por isso que existem duas realidades sobre o Irão, Israel, a Palestina. Existe a própria realidade, aquela que podes descobrir se lá fores. É humano, portanto é complexo. E há a realidade das projeções que fazemos sobre os outros. À distância, fazemos muitas projeções. E toda a gente fala da Palestina, mas não vemos um único palestiniano falar sobre o que se passa.”
Nada disto é simples. E menos ainda simplista para quem vem de uma guerra que matou 200 mil pessoas. “Mas não tenho direito a falar sobre ela porque sou filho da terra. Em França, tenho sofrido muitos ataques de certos meios de comunicação, que me rotulam de islamofóbico”, partilha. “O que quero dizer é que são as nossas histórias que condicionam a nossa forma de ver o mundo. Assim, a posição mais honesta é tomar consciência da sua própria história íntima.” Porquê? – questionamos. “Porque te permite compreender o outro, que é diferente, mas consciente de quem tu és.” E cita Albert Camus. “Admiro-o porque disse ‘não’. Porque disse que o homem deve estar acima dos princípios. Não abaixo deles.”
A espada de Dâmocles
A literatura regressa à conversa, cortesia de Camus. O direito à ficção está em perigo? “Primeiro, a ficção está ameaçada pelo populismo. Os populistas são grandes romancistas falhados. Vendem-nos ficção mal escrita, e, quando acreditamos nisso, ou vamos para a prisão ou assediam-nos nas redes sociais. Segundo, a ficção está ameaçada pelos ecrãs e pelas redes sociais. O ‘fake’ matou a ficção, porque ficção e ‘fake’ não são a mesma coisa. A ficção é a portadora da verdade. O ‘fake’ está lá para te enganar. Terceiro, temos as leis.” E detalha. “Na Argélia, fui condenado a três anos de prisão por um romance que escrevi. Mais grave, a 20 de maio deste ano, foi publicada uma nova lei que proíbe que se escreva sobre a guerra da independência da Argélia.” Esta nova lei prevê uma condenação de 5 a 10 anos de prisão para quem escrever fora da narrativa oficial. “Imagine um escritor que é refugiado em Portugal, em França, onde quer que seja. Vai ter medo. Ninguém vai escrever sobre a guerra civil argelina. Sobre o que realmente se passou.”
O que diria a um jovem que quer ser escritor, mas sem uma espada de Dâmocles a pesar-lhe sobre a cabeça? “Quando tens uma resposta, escreve um artigo. Quando tens uma pergunta sem resposta, escreve um romance.” Resposta rápida, objetiva. “Para escrever um bom romance é preciso uma pergunta que ainda não tem uma resposta definitiva”, reforça Kamel Daoud, antes de dizer que escreveu uma carta aberta ao Papa, já publicada, quando da sua visita, em abril, à Argélia. Pediu-lhe para não esquecer uma história de Camus – de novo o seu compatriota nos acompanha. “É uma história sublime, muito curta. São Demétrio tinha um encontro com Deus. No caminho, encontra um camponês com uma carroça partida. Então, coloca-se-lhe um dilema: ‘Se ajudar o camponês, vou perder o encontro com Deus. Sou um santo, esse é o propósito da minha vida. Mas se me encontrar com Deus tendo deixado um camponês a sofrer, não serei santo’.” Pausa.
“Não há uma única resposta certa. Há escolhas a fazer”, realça o escritor. E reflexões. Como esta: será que demasiada democracia mata a democracia? É uma questão que Daoud por vezes formula perante uma plateia. “Há os que radicalizam a sua posição dizendo que é por termos demasiada democracia que somos fracos. Outros dizem que só temos esta democracia para nos defender. E há ainda os que escolhem por desespero e votam na extrema-direita. Sabemos bem que, entre segurança e democracia, as pessoas escolhem a segurança.”
O escritor lembra que vive em França desde 2023 e tem a cidadania francesa há poucos anos. Continua “impressionado com a liberdade do corpo”, com o acesso ao espaço público na Europa. “Podemos ir a um jardim e sentarmo-nos a desfrutar do sol. Estarmos aqui sentados, tu com o teu caderno, o teu gravador… Na Argélia haveria polícia no local.” Ou pior. E, agora, com as redes sociais e a extrema-direita na Argélia, “os ânimos estão cada vez mais exaltados.” Viajar é impossível. Por isso dedicou uma das suas mais recentes crónicas ao ato extraordinário que é poder viajar. “Quando viajas para a Europa descobres a liberdade. Por mais que os soberanistas, a extrema-direita, os entusiastas do Brexit digam ‘não, temos de recuar’, o facto de se poder viajar é, a meu ver, a maior conquista da Europa.”
Daoud pesa as palavras. “Agora, o Ocidente é acusado de ter fronteiras fechadas. As fronteiras mais mortíferas estão, de facto, por toda a Europa, mas as fronteiras mais mortíferas também estão em casa, do outro lado. Aqueles que vêm do Sul para Marrocos, para a Tunísia, para a Argélia, morrem. São rejeitados. São colocados em camiões e abandonados no deserto. As fronteiras do outro lado são mortais.” A expressão retoma a serenidade. “Para mim, este é o maior sucesso da Europa: esta liberdade do corpo, esta fronteira vivida sem violência. Nunca me senti tão europeu como hoje.” E as fronteiras mortais? “Muitos acusam a Europa, mas esquecem-se que, primeiro, [as fronteiras] despertam a paixão violenta das ditaduras.”



El “no sé qué ponerme” se convierte en todo un mantra cuando el calor se apodera de las calles. Un armario cápsula puede poner fin a ese ritual de dudas frente al armario. Si todavía no conoces en qué consiste realmente, se trata de un repertorio de prendas versátiles e inteligentes capaces de combinar entre sí.










Polonia comparte frontera con Ucrania, Bielorrusia y el enclave ruso de Kaliningrado. Por meras cuestiones geográficas, pero también históricas, Varsovia se toma muy en serio las ambiciones estragégicas de Moscú que, sostiene, no se limitan a Ucrania. El Gobierno de coalición liberal encabezado por Donald Tusk urge a los socios europeos de la OTAN a tomarse en serio la amenaza rusa. A Varsovia le preocupa, porque como dice el secretario de Estado de Exteriores, Marcin Bosacki (Poznań, 55 años), en una entrevista con EL PAÍS el martes pasado en Madrid, el presidente ruso, Vladímir “Putin percibe divisiones y caos en la OTAN”. Bosacki contestaba así acerca del mensaje que envían al Kremlin algunas decisiones de los socios, como las declaraciones erráticas de Donald Trump, presidente de Estados Unidos, tradicional garante de la seguridad europea, aunque Polonia sigue siendo el más firme defensor de la alianza euroatlántica.
León XIV finalizó este viernes su visita a España con un balance que combina un mensaje poderoso en defensa de los migrantes y contra el discurso del odio, con omisiones dolorosas. El Papa ha pasado de puntillas sobre el mayor escándalo de la Iglesia española en las últimas décadas: los abusos sexuales por parte de miembros del clero y su encubrimiento sistemático. Esta semana posiblemente deje un poso duradero en España por el poder de su palabra, por la plasticidad y la fascinación de las imágenes de la Sagrada Familia y, sobre todo, porque con sus discursos y gestos se está erigiendo, poco más de un año después de su entronización, en una figura antagónica del otro líder estadounidense global, Donald Trump. Pero el viaje también deja otro poso evidente de decepción.

© CIRO FUSCO (EFE)
Dejada atrás la pequeña aldea georgiana de Odzisi, echando un vistazo hacia el otro lado del valle se vislumbra con claridad un recinto fortificado: son instalaciones del FSB, el servicio secreto ruso, cuyos agentes se encargan de las tareas de vigilancia de la frontera artificial impuesta tras la intervención armada rusa de 2008 y gracias a la cual Moscú controla el territorio georgiano de Osetia del Sur.
© Hayk Baghdasaryan (REUTERS)
Tomarse una baja por enfermedad es tanto un derecho como un deber inalienables del trabajador, pero en el caso de la gobernadora del Banco Central de Rusia, Elvira Nabiúllina, también se convierte en una cuestión de Estado. La economía rusa atraviesa un momento delicado y el paradero de su salvadora ha provocado una ola de rumores desde que suspendió a última hora su intervención en el Foro Económico Internacional de San Petersburgo el pasado 3 de junio. En estos últimos nueve días ni la economista ni su equipo han acudido tampoco a otra reunión con el presidente, Vladímir Putin, para discutir la política monetaria. De hecho, la economía rusa encara una encrucijada en la que los deseos del Kremlin son incompatibles con la visión de los expertos del banco central. Estos intentan mantener bajo control la inflación y el desbarajuste provocados por el gasto militar, mientras que Putin quiere más madera para su guerra.

© ANTON VAGANOV (REUTERS)
Desde hace semanas, los foros y grupos especializados en oposiciones europeas echan humo. Bullen con consejos para superar las pruebas, con rumores sobre las fechas de examen, hojas de cálculo para estimar posibilidades de éxito y mensajes de quienes llevaban años esperando el momento para examinarse. La razón de tanta expectación cabe en una cifra: más de 174.000 personas han solicitado participar en la principal oposición para convertirse en funcionario de la Unión Europea, atraídas por hacer carrera internacional, estabilidad laboral y un salario de entrada de en torno a los 5.500 euros brutos mensuales; una cantidad que para los países del sur de Europa es tremendamente atractiva. Detrás de esta competencia masiva, además, se libra otra batalla menos visible: la de los Estados miembros por aumentar la presencia de sus nacionales en la administración europea.

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