Dia de Portugal com vinhos do Porto e Douro em Berna

© ALEX PLAVEVSKI/EPA

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9) o acordo entre Mercosul e Efta, bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. O acordo prevê compromisso de liberalização tarifária em setores industriais e agrícolas, respeitando as especificidades de cada mercado.
Os dois blocos se beneficiarão do tratado, concluído em julho de 2025, com melhorias no acesso aos mercados para mais de 97% de suas exportações. Juntos, Mercosul e Efta formam um mercado de 290 milhões de consumidores e um PIB, em 2024, de US$ 4,3 trilhões.
O texto havia sido aprovado ainda nesta terça na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, uma espécie de comissão mista que analisa temas do bloco no Conresso. Com isso, a medida se transformou em um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) e foi ao plenário na mesma tarde.
O relator do texto, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), celebrou a aprovação do acordo. Segundo o congressista, a ideia é diversificar os mercados para os produtores brasileiros em meio a uma instabilidade geopolítica.
“Ampliar mercados deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade. O acordo aproxima o Brasil de economias altamente desenvolvidas, amplia oportunidades para nossos exportadores e fortalece a posição do Mercosul no comércio internacional”, afirmou.
Com uma população de 15 milhões de pessoas e um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 1,4 trilhão, os quatro integrantes deste bloco estão entre os maiores PIB per capita do mundo.
O acordo estabelece uma área de livre comércio, com a eliminação das tarifas de importação do comércio bilateral.
Segundo o governo, ambos os blocos passarão a se beneficiar de acesso melhorado para mais de 97% de suas exportações ao outro bloco.
O Brasil liberará aproximadamente 97% do comércio e cerca de 1,2% com quotas e preferências fixas. Já a Efta eliminará 100% de suas tarifas de importação nos setores industrial e pesqueiro.
A Suíça discute limitar a população a 10 milhões de habitantes. O tema vai ser votado num referendo considerado o “Brexit suíço”. A iniciativa é do partido de direita nacionalista Partido Popular Suíço (SVP), maior força política do país.
“No fim das contas, o que queremos é proteger aquilo que amamos, garantir que a Suíça continue a ser um lugar maravilhoso para se viver. Não vamos acabar com os congestionamentos da noite para o dia, mas isso permitir-nos-á adaptar a infraestrutura rodoviária e ferroviária e construir moradias. Mas não a um ritmo que acabaria por nos impedir de absorver esse enorme fluxo de pessoas”, diz o parlamentar Yvan Pahud, do SVP.
“Essa iniciativa é extremamente perigosa. É perigosa porque, em primeiro lugar, é absolutamente xenófoba. No fundo, transforma os estrangeiros em bodes expiatórios, como se fossem a resposta para todos os males da sociedade. É perigosa porque é enganosa. Não resolverá a questão da sustentabilidade, como o seu nome afirma, ostensivamente. Pelo contrário, corre o risco de empobrecer a Suíça e de enfraquecer fundamentalmente os acordos que atualmente temos com a União Europeia, que são mais importantes do que nunca”, afirma, por sua vez, Delphine Klopfenstein, do Partido Verde.
Atualmente, a Suíça tem pouco mais de nove milhões de habitantes. E os estrangeiros representam quase 28% da população.
Segunda a proposta, se a população ultrapassar 9,5 milhões, o governo seria obrigado a tomar medidas para impedir que chegue a 10 milhões.
Ou seja, encerrar acordos que incentivam o crescimento populacional, incluindo a livre circulação com a União Europeia.
As empresas temem que um “sim” limite o acesso à mão de obra qualificada e prejudique as relações com o principal mercado de exportação da Suíça.
“Na Suíça, por exemplo, mais de 50% da nossa equipa hoteleira são estrangeiros. Se não tivermos mais acesso a esses trabalhadores qualificados, seria muito difícil continuar a operar o setor de hotelaria e gastronomia na Suíça no nível atual”, diz Martin von Moos, da associação do setor hoteleiro da Suíça.
A população está dividida. A pesquisa mais recente indica 47% a favor do limite e 52% contra.
“Bem, digamos apenas que, considerando o tamanho do país, já temos mais do que suficiente. Quero dizer, com mais de 10 milhões [de habitantes], o que vamos fazer? Onde vamos colocar todas essas pessoas? É muito bonito acolhê-las, mas o que elas vão fazer? Ficar na rua?”, afirma um morador de Orbe.
“As pessoas estão a ser bombardeadas com esse medo de imigrantes e da imigração, quando na realidade sabemos muito bem que a economia suíça não pode sobreviver sem a imigração. E admito que gostaria de ver mais gente na Suíça, porque, quando eu me aposentar, precisaremos de pessoas a trabalhar para sustentar o sistema de previdência [segurança social]”, diz, por outro lado, uma moradora de Genebra.
Assim como outros países europeus, a Suíça também enfrenta o envelhecimento da população. Até 2055, a proporção de pessoas em idade ativa (entre 20 e 64 anos) deve cair de 60% para 56%.
Ao mesmo tempo, a parcela de idosos com mais de 65 anos deve aumentar significativamente, de 21% para 27%, segundo o Escritório Federal de Estatísticas da Suíça.
Referendos são um pilar da política suíça, com os eleitores a ir às urnas cerca de quatro vezes por ano para decidir sobre diferentes questões nacionais e regionais.
O referendo sobre limitar a população do país será realizado no dia 14 de junho.
A Seleção da Suíça encontrou um motivo inusitado de preocupação durante a preparação para a Copa do Mundo de 2026. Instalada em San Diego, no estado da Califórnia, a equipe está treinando em uma região cercada por áreas onde há registro frequente da presença de cobras, incluindo espécies consideradas peçonhentas.
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A situação foi destacada pela própria delegação suíça nas redes sociais. Em uma publicação, a seleção mostrou o entorno do centro de treinamento e indicou a área habitada pelos animais, chamando atenção para um risco que vai além dos desafios dentro de campo.

De acordo com informações sobre a fauna local, San Diego abriga 28 espécies diferentes de cobras. Entre elas, a mais comum é a Cascavel do Pacífico Sul, uma espécie venenosa cuja picada pode provocar dores intensas e outras complicações que exigem atendimento médico imediato.
Preparação para a estreia
Enquanto adota medidas de precaução durante a estadia na Califórnia, a seleção suíça mantém o foco na disputa da Copa do Mundo. A equipe integra o Grupo B da competição, ao lado de Catar, Canadá e Bósnia.
A estreia dos suíços está marcada para o próximo sábado (13), às 16h, no horário de Brasília. O adversário será o Catar, em partida que será realizada na cidade de Santa Clara, também nos Estados Unidos.
Até o início do torneio, a delegação permanecerá em San Diego realizando treinamentos e ajustes finais para a competição, ao mesmo tempo em que segue as recomendações de segurança relacionadas à presença de cobras na região.
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Há quase 20 anos um jovem engenheiro civil português foi trabalhar para a Suíça em plena crise financeira mundial à procura de oportunidades na sua carreira.
Começou por trabalhar numa cimenteira, mas passados uns anos chegou ao mundo da energia solar descentralizada, isto num país conhecido pelos seus invernos rigorosos. Fundou a sua companhia em 2015, em conjunto com o seu sócio suíço, para levar o sol aos cantões da confederação helvética.
A Youdera começou por estar focada inteiramente no mercado suíço, mas decidiu atravessar os Alpes e os Pirinéus para entrar no mercado ibérico. Em 2021, deu-se a entrada em Portugal, num regresso a casa de Pedro Miranda, para investir no seu país.
Agora, os luso-suíços da Youdera, sediados em Lausana, vão receber 150 milhões de euros do fundo francês Amundi para investir na produção descentralizada de energia solar no mercado ibérico focada nas empresas, em troca de uma participação acionista.
A Amundi é o maior gestor europeu de ativos com 2.400 milhões de ativos sob gestão, situando-se entre os 10 maiores gestores mundiais.
“Investimos em centrais fotovoltaicas, em sistemas de baterias e vendemos energia diretamente na propriedade do clientes através de um PPA [acordo de energia]. Para este modelo de negócio é preciso capital porque somos nós que investimos nos sistemas descentralizados de energia”, diz Pedro Miranda, presidente-executivo da Youdera, em entrevista ao Jornal Económico.
E dos 150 milhões, qual a percentagem que pretendem investir em Portugal? “Vai depender da procura de cada mercado. Podemos colocar mais em Espanha ou mais em Portugal, consoante as oportunidades surgirem. A nossa perspetiva é alocar esse capital o mais depressa possível e que consigamos passar para o próximo nível”.
Objetivo: atingir 500 megawatts de potência instalada nos três mercados até 2030. “É uma perspetiva muito ambiciosa no longo prazo, mas há muito potencial”.
Quem entra com o capex é a Youdera, o que vai servir para facilitar a aposta das empresas. “Somos nós que fazemos o investimento. Somos uma empresa de infraestrutura, de sistemas de energia. Fornecemos energia descentralizada. O cliente tem muitas formas de financiar, muitas formas de chegar a estes tipos de sistemas. Podem ir com capitais próprios, podem ir ao banco ou podem recorrer a uma empresa como a nossa que presta um serviço chave-na-mão completo de energia a um preço mais barato face ao da rede”.
“A vantagem de fazer connosco? Não tem que aportar capital, é uma vantagem essencial. Nós investimentos totalmente no capex. Também fazemos a operação e a gestão. Por vezes, toma-se a decisão de investir com capitais próprios, mas sem competências técnicas ou sem conhecimento para gerir as instalações… nós trazemos esse profissionalismo: as empresas não querem comprar um problema, mas uma solução, e nós conseguimos aportá-la”, defende.
A companhia tem comprado instalações já existentes, entrando numa segunda fase dos projetos. “Assim, se eu chegar hoje a uma empresa que fez um investimento há dois anos e agora a empresa precisa de liquidez, temos capacidade de chegar e comprar aquela instalação. O nosso mercado é nova instalação, mas também a já existente, comprando portfólios no mercado”, revelando que já fechou várias operações no mercado secundário.
“Portugal tem a sorte de estar numa latitude que permite pensar que o solar pode cobrir uma grande percentagem das nossas necessidades. Quando mais para norte vamos, mais essa produção é central e concentrada nos meses de verão, no inverno há menos horas de sol. A Alemanha está a norte da Suíça e tem uma capacidade instalada brutal. Muitas vezes não é uma questão de latitude ou de geografia, é uma questão regulatória e dos mecanismos que permitem à indústria expandir-se”, afirma.
Sobre se a guerra no Médio Oriente está a trazer mais clientes, afirma que “numa primeira fase, as empresas retraem-se porque aumenta o risco. Mas depois, quando começam a processar os potenciais impactos, começam-se a mexer mais e isso nota-se: processos que estavam em banho maria começam agora a fechar”.
E quais as diferenças entre fazer negócios nos dois países? “A Suíça é um país mais nórdico, mais organizado. Os suíços instalam a mesma capacidade desde há dez anos. Não se podem instalar sistemas fotovoltaicos de grande escala porque existem restrições de nível paisagístico e é um país bastante pequeno, não há espaço para instalar painéis no chão. Em Portugal, diria que mereceríamos um bocadinho de mais planeamento a mais largo prazo”, explica.
Sobre questões de licenciamento, a empresa não tem nada a assinalar. “Em Portugal, não nos queixamos muito desse problema, uma vez que, como estamos a instalar na propriedade dos nossos clientes e os clientes já estão conectados à rede, o processo de licenciamento é relativamente fácil, comparando com a Espanha, onde na maior parte dos casos a energia descentralizada não consegue injetar na rede por falta de capacidade ou por falta de vontade política”.
Em termos de timings, o gestor diz que o licenciamento “é muito rápido, uma questão de meses. Esse problema geralmente não se põe para potência baixas”.
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