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O surto de Ebola no Congo pode ser o pior de todos os tempos

O chefe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África alertou que o surto de Ebola no Congo pode ser o pior de todos os tempos, afirmando nesta terça-feira (16) que contê-lo poderá custar bilhões de dólares posteriormente, caso as falhas críticas na resposta não sejam corrigidas rapidamente.

Mais de 800 casos da rara cepa Bundibugyo, para a qual não existe tratamento ou vacina comprovada, foram relatados no Congo, 192 deles fatais. A doença, transmitida por fluidos corporais mesmo após a morte, está se espalhando rapidamente por três províncias da República Democrática do Congo, segundo dados do governo.

“Se não conseguirmos conter o surto muito em breve, será pior do que o que tivemos na África Ocidental e no leste da República Democrática do Congo”, disse Jean Kaseya, diretora-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC), em uma reunião virtual de chefes de Estado africanos e doadores no Burundi.

Seu alerta, que ecoou uma projeção semelhante do CDC dos EUA, referia-se ao surto que afetou a Guiné, a Libéria e Serra Leoa de 2014 a 2016, que matou mais de 11.000 pessoas, e a um surto menos mortal em 2018 no Congo.

Mas até agora, um plano africano para arrecadar 518 milhões de dólares nos próximos seis meses recebeu apenas uma fração desse valor, de acordo com o presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, que preside a União Africana.

“Os recursos recebidos não ultrapassam 100 milhões de dólares”, disse ele em suas observações iniciais.

Kaseya, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC), alertou que as necessidades totais de financiamento aumentariam drasticamente se o plano inicial não recebesse apoio suficiente. “Se não conseguirmos o financiamento nas próximas quatro semanas, não pediremos novamente US$ 500 milhões, mas sim cerca de US$ 1,5 bilhão. Se houver atraso, o valor subirá para US$ 7,5 bilhões”, afirmou.

Desafios Críticos

Um funcionário da Cruz Vermelha afirmou separadamente, na terça-feira, que a epidemia de Ebola no leste da República Democrática do Congo ainda não havia atingido o pico.

“Tememos que isso possa levar um ano para acabar com essa doença”, disse Bruno Michon, gerente de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a repórteres por videoconferência do leste do Congo.

A resposta foi dificultada pela falta de centros de tratamento e pela resistência da comunidade às rigorosas medidas de higiene. Autoridades de saúde afirmaram que, mais de um mês após a declaração do surto, a verdadeira dimensão ainda era desconhecida .

Michon afirmou que as equipes da FICV, que auxiliam no engajamento comunitário e no sepultamento seguro e digno das vítimas do Ebola, sofreram abusos verbais, ameaças e ataques nos últimos dias.

Os corpos das vítimas do Ebola são altamente infecciosos após a morte e os enterros tradicionais inseguros — nos quais os familiares manuseiam o corpo sem o equipamento de proteção adequado — são um dos principais fatores de transmissão.

Kaseya, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC), listou uma série de desafios críticos, incluindo recursos insuficientes para rastrear os contatos dos mais de 800 casos confirmados de Ebola.

“Estamos monitorando apenas 12% da nossa população. Este é um indicador importante para nós. Significa que ainda não sabemos a magnitude deste surto”, disse ele.

Ele afirmou ainda que há uma grande escassez no número de equipes de sepultamento e uma falta relatada de equipamentos de proteção individual.

EUA pedem mais contribuições de outros

Os trabalhadores humanitários dizem que o apoio a este surto de Ebola é inferior ao de surtos anteriores, incluindo o da África Ocidental, no qual soldados britânicos e americanos, bem como médicos estrangeiros, prestaram auxílio.

O representante de Washington disse que foi o doador mais rápido e mais generoso e pediu que outros contribuíssem .

África do Sul, China, Alemanha e França também afirmaram na reunião que forneceriam mais apoio para ajudar na emergência.

O que sabemos sobre o surto de Ebola que a OMS declarou emergência global

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“Primeira linha de defesa” contra o Ébola colapsou. Maior surto de sempre de estirpe rara

O surto da estirpe Bundibugyo na RDC é o maior alguma vez registado — e a água, a absoluta primeira linha de defesa em qualquer emergência de saúde pública, simplesmente não existe, alertam os cientistas. O número de infeções por Ébola na República Democrática do Congo (RDC) é provavelmente muito superior aos valores oficiais, devido à falta de água potável e de saneamento, alertou esta terça-feira a Oxfam. A Oxfam alerta ainda que o número de casos é provavelmente superior aos valores oficiais, à medida que o rastreio de contactos diminui e as infraestruturas de higiene se desmoronam. A organização

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Ebola Outbreak Could Become Worst on Record, Africa C.D.C. Chief Warns

Health workers have warned that the outbreak, already one of the worst in decades, could take as long as a year to contain if infection rates do not flatten.

© Arlette Bashizi for The New York Times

Treating a patient suspected of having Ebola at a hospital in Mongbwalu, Democratic Republic of Congo, last month.
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Boto analisa estreias de Paquetá e Danilo, do Flamengo, na Copa do Mundo

O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, avaliou as estreias dos jogadores Lucas Paquetá e Danilo na Copa do Mundo. Ambos são representantes do clube na Seleção Brasileira.

Boto analisou as performances individuais após o empate do Brasil com Marrocos no último sábado (13). Ele destacou que, apesar de não serem excepcionais, as atuações foram consideradas positivas para o time.

“Acho que o Paquetá, assim como quase toda a Seleção Brasileira, teve uma atuação um pouco abaixo do esperado. Danilo entrou bem na partida, pois conseguiu conter o lado esquerdo do Marrocos, que era muito perigoso”, disse Boto.

Atuações individuais na partida

Danilo entrou no segundo tempo como lateral-direito, substituindo Ibañez. Paquetá começou jogando, mas foi substituído aos 17 minutos da etapa final.

O dirigente também comentou sobre o adversário, Marrocos, e o empate por 1 a 1. “O empate não me surpreendeu pela qualidade de Marrocos, que todos conhecemos, e sobretudo nós, portugueses, pelo que nos fizeram no Mundial do Catar”, afirmou, citando a eliminação de Portugal na Copa anterior.

Boto complementou sua avaliação, ressaltando a força do time africano. “É uma seleção realmente muito boa, bem organizada taticamente e com jogadores muito fortes tecnicamente e muito rápidos”, completou em entrevista ao diário espanhol “As”.

Fifa divulga salário e Infantino acumula remuneração de R$ 25 milhões

Esse texto foi gerado por inteligência artificial com base no conteúdo produzido pela Itatiaia. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN.

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Surto de Ebola na RD Congo pode ser o pior de todos os tempos, diz agência

O diretor do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças alertou nesta terça-feira (16) que o surto de Ebola na República Democrática do Congo pode ser o pior de todos os tempos, afirmando que conter a epidemia posteriormente poderia custar bilhões de dólares se as falhas críticas na resposta não forem corrigidas rapidamente.

Mais de 800 casos da rara cepa Bundibugyo, para a qual não há tratamento ou vacina comprovados, foram registrados na República Democrática do Congo, sendo 192 deles fatais.

A doença, transmitida por fluidos corporais mesmo após a morte, está se espalhando rapidamente por três províncias, segundo dados do governo.

“Se não contivermos o surto muito em breve, ele será pior do que o que tivemos na África Ocidental e no leste da RDC”, afirmou o diretor-geral do CDC da África, Jean Kaseya, em uma reunião virtual com chefes de Estado africanos no Burundi.

Seu alerta, que ecoou uma projeção semelhante do CDC dos Estados Unidos, referiu-se ao surto que afetou a Guiné, a Libéria e a Serra Leoa entre 2014 e 2016, que matou mais de 11.000 pessoas, e a um surto menos letal ocorrido em 2018 no Congo.

Um representante da Cruz Vermelha afirmou separadamente nesta terça-feira (16) que a epidemia de Ebola no leste da República Democrática do Congo ainda não havia atingido seu pico.

“Tememos que possa levar um ano para erradicar essa doença”, disse Bruno Michon, gerente de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a repórteres por videoconferência a partir do leste da RD Congo.

A resposta tem sido dificultada pela falta de centros de tratamento e pela resistência da comunidade a medidas rigorosas de higiene.

Autoridades de saúde afirmaram que, mais de um mês após a declaração do surto, a verdadeira dimensão do problema ainda é desconhecida.

Michon disse que as equipes da Cruz Vermelha, que auxiliam no envolvimento da comunidade e no enterro seguro e digno das vítimas do Ebola, enfrentaram insultos, ameaças e ataques nos últimos dias.

Kaseya, do CDC africano, listou uma série de desafios críticos, incluindo recursos insuficientes para rastrear os contatos dos mais de 800 casos confirmados de Ebola.

“Estamos acompanhando apenas 12% das pessoas. Esse é um indicador importante para nós. Significa que, até o momento, não sabemos a magnitude desse surto”, disse ele. Há também uma grande escassez no número de equipes de sepultamento e uma falta relatada de equipamentos de proteção individual, acrescentou.

RS investiga caso suspeito de ebola na Grande Porto Alegre

O CDC da África está buscando US$518 milhões para um plano conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de conter o surto na África, alertando que isso poderá custar dezenas de bilhões de dólares no futuro se o apoio não for concedido.

“Se não conseguirmos esses recursos nas próximas quatro semanas, não pediremos novamente US$500 milhões, mas sim cerca de US$1,5 bilhão. Se atrasarmos isso, serão US$7,5 bilhões”, disse Kaseya.

“Se não investirmos hoje com ações claras para combater todas essas vulnerabilidades das quais estamos falando, teremos que lidar com um surto que custaria muito dinheiro.”

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse na mesma reunião que aumentará sua contribuição para o combate ao Ebola para US$13,5 milhões. A China também afirmou que fornecerá mais apoio de emergência.

Ebola: o que é, sintomas e tratamento

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Abate de gado atinge melhor resultado em 27 anos no Brasil

O Brasil abateu 10,29 milhões de cabeças de gado no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado para o período segundo o IBGE, com uma série iniciada em 1997. O volume representa um avanço de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e 6,9% abaixo do registrado no trimestre anterior. 

Suínos 

Também no primeiro trimestre de 2026, foram abatidas 15,27 milhões de cabeças de suínos, alta de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025 e leve queda de 0,1% na comparação com o 4º trimestre de 2025. Esse foi o melhor resultado para um primeiro trimestre na série histórica. 

Frangos 

Quanto ao abate de frangos, foram abatidas 1,71 bilhão de aves, aumento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025 e queda de 0,5% na comparação com o 4º trimestre de 2025. Esse resultado foi o segundo melhor para um trimestre, superado apenas pelo recorde do trimestre anterior. 

Aquisição de leite 

A aquisição de leite cru nos três primeiros meses do ano foi de 6,78 bilhões de litros, acréscimo de 2,6% em relação ao 1º trimestre de 2025, e queda de 8,0% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Foi a maior aquisição de leite em um primeiro trimestre de toda a série histórica. 

Peças de couro 

Sobre a aquisição de peças de couro pelos curtumes, foi registrada estabilidade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e queda de 3,3% em comparação ao quarto trimestre de 2025, somando 10,75 milhões de peças de couro. 

Ovos 

Noprimeiro trimestre de 2026, foram produzidos 1,21 bilhão de dúzias de ovos de galinha, alta de 0,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e queda de 3,5% sobre o total apurado no trimestre imediatamente anterior. 

 

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Guerras no Congo e menor cooperação em saúde favorecem surto do ebola

Logo Agência Brasil

As guerras que dilaceram o Leste da República Democrática do Congo (RDC) há décadas e a redução da cooperação internacional na área da saúde favoreceram a proliferação do atual surto de ebola na África. A doença volta a assombrar o continente em meio à escassez de profissionais de saúde na região.

O epicentro do surto ocorre na província de Ituri, no Nordeste da RDC, que responde por 93% do total de casos confirmados (676) no país, seguida pelas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, que são os departamentos mais afetados pelas guerras congolesas.

Notícias relacionadas:

A quase 2 mil quilômetros de distância da capital do país, Kinshasa, essa é uma região disputada por cerca de 100 grupos paramilitares que lutam pelo controle das atividades minerais da RDC. Estima-se que milhões de pessoas sejam refugiadas das guerras locais.

“O surto está se desenrolando em um contexto humanitário complexo e afetado por conflitos, caracterizado por populações altamente móveis e frequentemente deslocadas”, diz informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), que acrescenta que o surto continua a evoluir rapidamente.
 

Red Cross workers disinfect after handling the body of a person who died of Ebola, as aid agencies intensify efforts to contain a new Ebola outbreak involving the Bundibugyo strain, at the Centre Medical Evangelique (CME) in Hoho commune of Bunia, Ituri province, Democratic Republic of Congo, May 21, 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere     TPX IMAGES OF THE DAY Red Cross workers disinfect after handling the body of a person who died of Ebola, as aid agencies intensify efforts to contain a new Ebola outbreak involving the Bundibugyo strain, at the Centre Medical Evangelique (CME) in Hoho commune of Bunia, Ituri province, Democratic Republic of Congo, May 21, 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere     TPX IMAGES OF THE DAY
Província de Ituri é o epicentro do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) - Foto: Reuters/Gradel Muyisa Mumbere/Arquivo/Proibida reprodução

O professor de história da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Nuno Carlos de Fragoso Vidal explica à Agência Brasil que o atual surto surgiu em uma região marginalizada da RDC que está sob influência de Ruanda, que financia o principal grupo paramilitar naquela região, o M23.

“É um conflito latente que já causou várias dezenas de milhares de mortos ao longo dos anos. É uma terra de ninguém, uma zona de grupos armados e de influência de Ruanda, que explora recursos naturais a seu favor. Esses grupos exploram, por exemplo, o coltan [mineral crítico] e depois ele é exportado via Ruanda”, afirma o especialista.

Natural de Angola, o professor acrescenta que as equipes de saúde têm dificuldade em acessar as áreas controladas por grupos paramilitares hostis. Ele lembra que o suposto acordo de paz costurado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, com os governos de Ruanda e da RDC, em junho de 2025, não tem saído do papel.  

“Esses acordos não saem do papel porque emergiu em Ruanda um presidente [Paul Kagame] com pretensões de controlar uma vasta região e recursos que não pertencem ao país. E ele é muito protegido pelo Ocidente, pelos EUA, mas, sobretudo, pela Inglaterra. Existe, de fato, uma apropriação indevida de recursos daquela zona do Congo”, comenta.

Além da República Democrática do Congo, o surto afeta também Uganda, um país vizinho. “Em Uganda, o surto permanece epidemiologicamente ligado à transmissão originada na República Democrática do Congo”, diz a OMS.

Menor cooperação internacional

Além das guerras do Leste da RDC, especialistas acrescentam que a redução da cooperação internacional na área da saúde, nos últimos anos, também favorece o surto de ebola e citam, como agravante, a saída dos Estados Unidos da OMS. Washington figurava como maior doador da organização.

Além disso, a ajuda internacional dos EUA prevista no orçamento para a República Democrática do Congo caiu cerca de 90%, saindo de US$ 1,41 bilhão em 2024, para US$ 0,14 bilhão, em 2026. Esse é um dos resultados da política de Donald Trump de reduzir a ajuda internacional estadunidense no mundo, em especial, a fornecida por meio da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Apesar da redução no financiamento da saúde global, os EUA se apresentam como maior país doador para combate ao surto de ebola, com cerca de US$ 338 milhões em assistência humanitária à RDC, ao Sudão do Sul e a Uganda.
 

A health worker takes the temperature of an M23 rebel at the entrance to the Rodolphe Merieux Laboratory, National Biomedical Research Institute (INRB), where samples from suspected Ebola cases are examined, as part of the response to the epidemic in Goma, North Kivu province of the Democratic Republic of Congo, May 19, 2026. REUTERS/Arlette Bashizi A health worker takes the temperature of an M23 rebel at the entrance to the Rodolphe Merieux Laboratory, National Biomedical Research Institute (INRB), where samples from suspected Ebola cases are examined, as part of the response to the epidemic in Goma, North Kivu province of the Democratic Republic of Congo, May 19, 2026. REUTERS/Arlette Bashizi
Profissional de saúde mede a temperatura de um rebelde do M23 na entrada do Laboratório Rodolphe Merieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), onde são examinadas amostras de casos suspeitos de ebola, como parte da resposta à epidemia em Goma, província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo - Foto: Reuters/Arlette Bashizi/Arquivo/Proibida reprodução

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes de Sousa, acrescenta à Agência Brasil que a postura dos EUA de esvaziar as organizações multilaterais, como a OMS, em favor de estruturas de cooperação bilaterais, traz incertezas para o combate ao novo surto.

“Além da redução do nível de repasse de recursos para área da saúde, há o desmonte das estruturas de governança da saúde global. Os repasses, que antes ocorriam através de estruturas conhecidas, agora ficaram ligados a negociações bilaterais contaminadas por interesses comerciais, sobretudo em relação a terras raras, que é da pauta de interesse econômico dos EUA”, explica o epidemiologista.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Africanos (Nenaf) da ESPM, Natalia Fingermann, destacou que as mudanças nos canais de cooperação internacionais dificultam o monitoramento sobre a aplicação desses recursos.

“Era muito fácil os EUA levarem esses recursos via OMS, pois ficava completamente transparente essa transferência. Hoje a gente sabe que o CDC da África ainda não recebeu nenhuma transferência norte-americana desse montante anunciado”, explicou.

Na semana passada, a OMS informou que três laboratórios na RDC ficaram sem insumos para testes de detecção do vírus ebola.

Potências aumentam gastos com defesa

O aumento dos gastos em defesa de potências europeias é apontado como fator adicional que dificulta a resposta à emergência de saúde global representada pelo ebola na África, como destaca a professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Natalia Fingermann.

“Desde o ano passado, a União Europeia e alguns países importantes dentro da África, como o Reino Unido e França, optaram por reduzir os recursos de ajuda internacional para ampliar os gastos militares internos”, comenta Natalia Fingermann.

Em 2025, os países da Europa, pressionados pelos EUA, concordaram em elevar os gastos com defesa de 2% até 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, houve um aumento de 20% no total gasto com defesa pelos países europeus, e pelo Canadá, se comparado com 2024, segundo o Relatório Anual da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Para combater o ebola, a União Europeia anunciou € 15 milhões em assistência humanitária adicional para o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África).
 

Motorcycle taxis carry passengers following a resurgence of Ebola involving the Bundibugyo strain, a rare variant of the virus with no approved vaccine currently available, along Ben Kiwanuka street in Kampala, Uganda May 21, 2026. REUTERS/Abubaker Lubowa Motorcycle taxis carry passengers following a resurgence of Ebola involving the Bundibugyo strain, a rare variant of the virus with no approved vaccine currently available, along Ben Kiwanuka street in Kampala, Uganda May 21, 2026. REUTERS/Abubaker Lubowa
Movimentação de pessoas em Kampala, Uganda, país também afetado pelo surto de ebola - Foto: Reuters/Abubaker Lubowa/Arquivo/Proibida reprodução

Escassez de profissionais

A União Africana e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram um plano para conter a expansão do vírus, em que solicitam aportes financeiros de US$ 517 milhões para os próximos seis meses.

Em comunicado, o CDC África, órgão continental de combate a doenças, destacou que, entre os principais problemas para o controle do surto de ebola, está a escassez de profissionais, como epidemiologistas, clínicos e especialistas de laboratório.

Para o Conselho Consultivo e Técnico do CDC África, as prioridades são, entre outras, a ampliação da capacidade de testes diagnósticos rápidos da doença e a melhoria do “acesso humanitário e a coordenação civil-militar para garantir que as equipes de resposta possam chegar em segurança às comunidades afetadas”.

Para o professor de história da África da UFRJ Nuno Vidal, como ocorrem dentro do continente africano, os surtos de ebola não despertam o interesse que mereceriam.

“Do ponto de vista exclusivamente sanitário, o medo é que isto pudesse, eventualmente, sair para fora da África. Enquanto não sair da África, ou não se espalhar muito para além daquela região, não aciona todos os alarmes à nível internacional”, avalia.

Casos e mortes na RDC e Uganda

Dados da OMS registrados até o dia 10 de junho informam que foram confirmados 676 casos do vírus Ebola na República Democrática do Congo, com 136 mortes.

Em Uganda, até o dia 11 de junho, foram registrados 19 casos confirmados e dois óbitos. “Uganda não relatou nenhum novo caso nos últimos seis dias”, diz a OMS. Pelo menos 37 pessoas se recuperaram da doença nos dois países.

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Guerras no Congo e menor cooperação em saúde favorecem surto do ebola

Logo Agência Brasil

As guerras que dilaceram o Leste da República Democrática do Congo (RDC) há décadas e a redução da cooperação internacional na área da saúde favoreceram a proliferação do atual surto de ebola na África. A doença volta a assombrar o continente em meio à escassez de profissionais de saúde na região.

O epicentro do surto ocorre na província de Ituri, no Nordeste da RDC, que responde por 93% do total de casos confirmados (676) no país, seguida pelas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, que são os departamentos mais afetados pelas guerras congolesas.

Notícias relacionadas:

A quase 2 mil quilômetros de distância da capital do país, Kinshasa, essa é uma região disputada por cerca de 100 grupos paramilitares que lutam pelo controle das atividades minerais da RDC. Estima-se que milhões de pessoas sejam refugiadas das guerras locais.

“O surto está se desenrolando em um contexto humanitário complexo e afetado por conflitos, caracterizado por populações altamente móveis e frequentemente deslocadas”, diz informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), que acrescenta que o surto continua a evoluir rapidamente.
 

Red Cross workers disinfect after handling the body of a person who died of Ebola, as aid agencies intensify efforts to contain a new Ebola outbreak involving the Bundibugyo strain, at the Centre Medical Evangelique (CME) in Hoho commune of Bunia, Ituri province, Democratic Republic of Congo, May 21, 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere     TPX IMAGES OF THE DAY Red Cross workers disinfect after handling the body of a person who died of Ebola, as aid agencies intensify efforts to contain a new Ebola outbreak involving the Bundibugyo strain, at the Centre Medical Evangelique (CME) in Hoho commune of Bunia, Ituri province, Democratic Republic of Congo, May 21, 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere     TPX IMAGES OF THE DAY
Província de Ituri é o epicentro do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) - Foto: Reuters/Gradel Muyisa Mumbere/Arquivo/Proibida reprodução

O professor de história da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Nuno Carlos de Fragoso Vidal explica à Agência Brasil que o atual surto surgiu em uma região marginalizada da RDC que está sob influência de Ruanda, que financia o principal grupo paramilitar naquela região, o M23.

“É um conflito latente que já causou várias dezenas de milhares de mortos ao longo dos anos. É uma terra de ninguém, uma zona de grupos armados e de influência de Ruanda, que explora recursos naturais a seu favor. Esses grupos exploram, por exemplo, o coltan [mineral crítico] e depois ele é exportado via Ruanda”, afirma o especialista.

Natural de Angola, o professor acrescenta que as equipes de saúde têm dificuldade em acessar as áreas controladas por grupos paramilitares hostis. Ele lembra que o suposto acordo de paz costurado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, com os governos de Ruanda e da RDC, em junho de 2025, não tem saído do papel.  

“Esses acordos não saem do papel porque emergiu em Ruanda um presidente [Paul Kagame] com pretensões de controlar uma vasta região e recursos que não pertencem ao país. E ele é muito protegido pelo Ocidente, pelos EUA, mas, sobretudo, pela Inglaterra. Existe, de fato, uma apropriação indevida de recursos daquela zona do Congo”, comenta.

Além da República Democrática do Congo, o surto afeta também Uganda, um país vizinho. “Em Uganda, o surto permanece epidemiologicamente ligado à transmissão originada na República Democrática do Congo”, diz a OMS.

Menor cooperação internacional

Além das guerras do Leste da RDC, especialistas acrescentam que a redução da cooperação internacional na área da saúde, nos últimos anos, também favorece o surto de ebola e citam, como agravante, a saída dos Estados Unidos da OMS. Washington figurava como maior doador da organização.

Além disso, a ajuda internacional dos EUA prevista no orçamento para a República Democrática do Congo caiu cerca de 90%, saindo de US$ 1,41 bilhão em 2024, para US$ 0,14 bilhão, em 2026. Esse é um dos resultados da política de Donald Trump de reduzir a ajuda internacional estadunidense no mundo, em especial, a fornecida por meio da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Apesar da redução no financiamento da saúde global, os EUA se apresentam como maior país doador para combate ao surto de ebola, com cerca de US$ 338 milhões em assistência humanitária à RDC, ao Sudão do Sul e a Uganda.
 

A health worker takes the temperature of an M23 rebel at the entrance to the Rodolphe Merieux Laboratory, National Biomedical Research Institute (INRB), where samples from suspected Ebola cases are examined, as part of the response to the epidemic in Goma, North Kivu province of the Democratic Republic of Congo, May 19, 2026. REUTERS/Arlette Bashizi A health worker takes the temperature of an M23 rebel at the entrance to the Rodolphe Merieux Laboratory, National Biomedical Research Institute (INRB), where samples from suspected Ebola cases are examined, as part of the response to the epidemic in Goma, North Kivu province of the Democratic Republic of Congo, May 19, 2026. REUTERS/Arlette Bashizi
Profissional de saúde mede a temperatura de um rebelde do M23 na entrada do Laboratório Rodolphe Merieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), onde são examinadas amostras de casos suspeitos de ebola, como parte da resposta à epidemia em Goma, província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo - Foto: Reuters/Arlette Bashizi/Arquivo/Proibida reprodução

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes de Sousa, acrescenta à Agência Brasil que a postura dos EUA de esvaziar as organizações multilaterais, como a OMS, em favor de estruturas de cooperação bilaterais, traz incertezas para o combate ao novo surto.

“Além da redução do nível de repasse de recursos para área da saúde, há o desmonte das estruturas de governança da saúde global. Os repasses, que antes ocorriam através de estruturas conhecidas, agora ficaram ligados a negociações bilaterais contaminadas por interesses comerciais, sobretudo em relação a terras raras, que é da pauta de interesse econômico dos EUA”, explica o epidemiologista.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Africanos (Nenaf) da ESPM, Natalia Fingermann, destacou que as mudanças nos canais de cooperação internacionais dificultam o monitoramento sobre a aplicação desses recursos.

“Era muito fácil os EUA levarem esses recursos via OMS, pois ficava completamente transparente essa transferência. Hoje a gente sabe que o CDC da África ainda não recebeu nenhuma transferência norte-americana desse montante anunciado”, explicou.

Na semana passada, a OMS informou que três laboratórios na RDC ficaram sem insumos para testes de detecção do vírus ebola.

Potências aumentam gastos com defesa

O aumento dos gastos em defesa de potências europeias é apontado como fator adicional que dificulta a resposta à emergência de saúde global representada pelo ebola na África, como destaca a professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Natalia Fingermann.

“Desde o ano passado, a União Europeia e alguns países importantes dentro da África, como o Reino Unido e França, optaram por reduzir os recursos de ajuda internacional para ampliar os gastos militares internos”, comenta Natalia Fingermann.

Em 2025, os países da Europa, pressionados pelos EUA, concordaram em elevar os gastos com defesa de 2% até 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, houve um aumento de 20% no total gasto com defesa pelos países europeus, e pelo Canadá, se comparado com 2024, segundo o Relatório Anual da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Para combater o ebola, a União Europeia anunciou € 15 milhões em assistência humanitária adicional para o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África).
 

Motorcycle taxis carry passengers following a resurgence of Ebola involving the Bundibugyo strain, a rare variant of the virus with no approved vaccine currently available, along Ben Kiwanuka street in Kampala, Uganda May 21, 2026. REUTERS/Abubaker Lubowa Motorcycle taxis carry passengers following a resurgence of Ebola involving the Bundibugyo strain, a rare variant of the virus with no approved vaccine currently available, along Ben Kiwanuka street in Kampala, Uganda May 21, 2026. REUTERS/Abubaker Lubowa
Movimentação de pessoas em Kampala, Uganda, país também afetado pelo surto de ebola - Foto: Reuters/Abubaker Lubowa/Arquivo/Proibida reprodução

Escassez de profissionais

A União Africana e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram um plano para conter a expansão do vírus, em que solicitam aportes financeiros de US$ 517 milhões para os próximos seis meses.

Em comunicado, o CDC África, órgão continental de combate a doenças, destacou que, entre os principais problemas para o controle do surto de ebola, está a escassez de profissionais, como epidemiologistas, clínicos e especialistas de laboratório.

Para o Conselho Consultivo e Técnico do CDC África, as prioridades são, entre outras, a ampliação da capacidade de testes diagnósticos rápidos da doença e a melhoria do “acesso humanitário e a coordenação civil-militar para garantir que as equipes de resposta possam chegar em segurança às comunidades afetadas”.

Para o professor de história da África da UFRJ Nuno Vidal, como ocorrem dentro do continente africano, os surtos de ebola não despertam o interesse que mereceriam.

“Do ponto de vista exclusivamente sanitário, o medo é que isto pudesse, eventualmente, sair para fora da África. Enquanto não sair da África, ou não se espalhar muito para além daquela região, não aciona todos os alarmes à nível internacional”, avalia.

Casos e mortes na RDC e Uganda

Dados da OMS registrados até o dia 10 de junho informam que foram confirmados 676 casos do vírus Ebola na República Democrática do Congo, com 136 mortes.

Em Uganda, até o dia 11 de junho, foram registrados 19 casos confirmados e dois óbitos. “Uganda não relatou nenhum novo caso nos últimos seis dias”, diz a OMS. Pelo menos 37 pessoas se recuperaram da doença nos dois países.

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“Si siguen gritando, los mataremos”: los ataques contra la educación aumentan un 40% en el mundo

En la madrugada del 2 de agosto de 2024, unos 15 miembros de la banda 400 Mawozo irrumpieron en el Instituto Montfort, una escuela para niños y jóvenes sordos y sordociegos en la comuna Croix-des-Bouquets, en Haití. “Los niños tenían mucho miedo. Empezaron a gritar y los miembros de la banda les apuntaron con sus armas y dijeron: ‘Si siguen gritando, los mataremos’. Los niños se tiraron al suelo y ellos se llevaron todo”, explicaba una responsable del centro.

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© NurPhoto (via Getty Images)

Niños palestinos asisten a clase en una escuela provisional del campo de refugiados de Jabalia, en el norte de la franja de Gaza, el 13 de abril de 2026.
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Mundial2026: Árbitro do Qatar vai dirigir estreia de Portugal com a RD Congo

VTM

O árbitro natural do Qatar, de 38 anos, vai ter como assistentes em Houston os compatriotas Taleb Almarri e Saoud Almaqaleh, enquanto os sul-africanos Abongile Tom e Zakhele Siwela vão desempenhar as funções de quarto árbitro e ‘juiz’ assistente de reserva, respetivamente.

A FIFA não divulgou qual a composição da equipa de videoarbitragem (VAR).

Abdulrahman Al Jassim, internacional desde 2013 e que já esteve no último Campeonato do Mundo, em 2022, realizado no seu país, vai dirigir pela primeira vez um encontro da seleção principal portuguesa, porém já se cruzou anteriormente com Portugal, mas no Mundial de sub-20, em 2017, quando o conjunto luso empatou com a Costa Rica (1-1) na fase de grupos.

Nessa partida, Al Jassim expulsou o então capitão Rúben Dias, que integra a seleção nacional neste Mundial, numa partida em que também participaram o guarda-redes Diogo Costa e o lateral Diogo Dalot, igualmente eleitos pelo selecionador Roberto Martínez para a competição que decorre nos Estados Unidos, no México e no Canadá, até 19 de julho.

Portugal vai disputar o Grupo K e tem estreia marcada para quarta-feira frente à República Democrática do Congo, em Houston, numa partida com início agendado para as 12:00 locais (18:00 em Lisboa).

Segue-se o estreante Uzbequistão, em 23 de junho, também em Houston e igualmente com início às 12:00 (18:00), ficando o grupo fechado em 27 de junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, num jogo que começa às 19:30 (00:30 de 28 de junho).

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Relatoras da ONU a serviço de George Soros e Trump contra Cuba

Relatoras da ONU, financiadas por Soros e fundações dos EUA, assinam carta anticuba com base em ONG ligada à CIA e à extrema-direita espanhola.

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Existe um vasto histórico que comprova o modus operandi do imperialismo – sobretudo o norte-americano – quando precisa chegar às vias de fato para derrubar um governo incômodo e substituí-lo por uma marionete que entregue os recursos naturais e a economia de determinado país à rapina dos grandes monopólios internacionais.

A invasão militar, ou o golpe de Estado, não pode ocorrer sem uma preparação diante da opinião pública nacional e externa. O governo a ser derrubado precisa ser retratado como malvado, violador dos direitos humanos, patrocinador do terrorismo ou uma ameaça à segurança internacional. Para isso, o imperialismo utiliza sua indústria de propaganda – mas alguém precisa fornecer material que sirva de base a essa propaganda.

É quando entram os “especialistas” e os organismos internacionais, sejam de ONGs ou mesmo das próprias Nações Unidas. Eles apresentam relatórios e declarações condenando o governo em questão, denúncias essas que são rápida e massivamente distribuídas pela indústria propagandística do imperialismo, repetidas mil vezes e ecoadas por novos “especialistas” e organismos igualmente controlados pelos Estados Unidos e sua rede de aliados.

Em março, foi publicada uma carta dirigida ao governo cubano, assinada por quatro relatoras das Nações Unidas, alegando que ele desrespeita os direitos humanos ao manter presos políticos sem o devido processo legal. Seriam os encarcerados pela tentativa de revolução colorida de julho de 2021, chamada pelo aparato de propaganda imperialista de “protestos democráticos”.

No documento, datado de 7 de janeiro, elas aludem a “um padrão sistemático de criminalização da dissidência e o uso da coerção, incluindo a detenção arbitrária e o exílio forçado, contra defensores de direitos humanos, ativistas e artistas em Cuba”. Elas dizem ter recebido essas informações, mas não mencionam de quem. Veremos em seguida quem está por trás dessas acusações.

Mas, antes, quem são essas relatoras? Uma delas é a colombiana Gina Romero, relatora especial sobre os direitos de liberdade de reunião pacífica e de associação. No âmbito acadêmico, ela tem um mestrado na Sorbonne e foi professora convidada na Universidade de Columbia. Para os latino-americanos são títulos de honra estudar e ministrar em universidades da França e dos Estados Unidos. Mas para a França e os EUA, ter estudantes e professores estrangeiros em suas universidades é uma forma de produzir intelectuais confiáveis para seus objetivos, que possam voltar aos seus países e assumir cargos governamentais ou corporativos nos quais possam fazer lobby a favor do imperialismo.

A ideologia do imperialismo, nas últimas décadas, desde o combate ao “comunismo” na guerra fria até o combate ao “terrorismo islâmico”, tem sido a defesa de uma suposta democracia que se contrapõe ao autoritarismo comunista e islâmico. E as entidades das Nações Unidas e de órgãos multilaterais dominados pelas potências ocidentais a utilizam como seu carro-chefe.

Não é à toa que a senhora Romero, como informa o seu resumo biográfico na ONU, tenha liderado “várias iniciativas para a promoção e defesa da democracia e do Estado de Direito” antes de ser nomeada para o cargo atual, em 2024. Ela fundou e foi diretora executiva por quase 10 anos da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Democracia (Redlad), que durante anos recebeu financiamento do Departamento de Estado dos EUA e do National Endowment for Democracy (NED), fundo estatal dos EUA.

Como diretora executiva da Redlad, Romero também trabalhou na Secretaria do Pilar da Sociedade Civil na Comunidade de Democracias, entidade intergovernamental fundada no auge do poderio norte-americano por Madeleine Albright, então secretária de Estado dos EUA, e formada como uma aliança de governos ocidentais e seus fantoches para fazer frente aos “inimigos da democracia” – isto é, os que não se submetem aos ditames imperialistas. Ainda foi membro do comitê diretivo do Movimento Mundial para a Democracia, lançado em 1999 pelo NED, que funciona como seu secretariado.

A outra relatora que assina a carta anti-cubana é Irene Khan, para a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e de expressão. Ela foi secretária-geral da Anistia Internacional entre 2001 e 2009. A Anistia Internacional é uma das maiores organizações não-governamentais imperialistas a nível internacional e, como tal, embora se defina como uma ONG, recebe financiamento de governos europeus e da Open Society Foundations de George Soros, por exemplo. Entre 2012 e 2019, a senhora Khan dirigiu a International Development Law Organization, outra entidade financiada pelo governo dos EUA, Reino Unido, União Europeia e outros aliados, além de fundações como o British Council, Fundação Bill e Melinda Gates e Fundação Ford. Ela ainda faz parte do conselho de administração do Overseas Development Institute, com sede em Londres e que é sustentado com fundos da Comissão Europeia, governos europeus, USAID, etc. Assim como suas colegas, Khan é professora em diversas instituições de ensino de topo do Ocidente, além de ter sido assessora do Banco Mundial.

Mary Lawlor, relatora sobre os defensores dos direitos humanos, outra das responsáveis pela carta anti-cubana, também trabalhou na Anistia Internacional. Durante 12 anos ela foi diretora da seção irlandesa dessa organização, da qual já era membro da junta diretiva desde 1975 e a qual presidiu de 1983 a 1987. Em 2001, fundou a organização para a proteção dos defensores de direitos humanos Front Line Defenders, da qual foi diretora executiva por 15 anos. Essa entidade é financiada pela Comissão Europeia, governos europeus e ocidentais e as fundações Ford e Open Society, dentre outros.

A quarta signatária é a grega Alexandra Xanthaki. Tendo se mudado há cerca de 30 anos para o Reino Unido, é mestre em “Direitos Humanos e Direitos de Emergência” pela Queen’s University de Belfast, doutora pela Keele University da Inglaterra, membro da Faculdade de Direitos Humanos de verão em Oxford e professora de Direito na Brunel University de Londres, onde dirige um projeto financiado pela União Europeia.

Como relatora da ONU para direitos culturais, ela aderiu à antiga campanha de difamação sobre repressão das minorias étnicas no Tibete, tendo sido criticada pelo governo chinês. Curiosamente, defendeu o direito de militares russos participarem dos Jogos Olímpicos, contanto que não tenham cometido “atrocidades, crimes contra a humanidade, genocídio” ou espalhado “propaganda de guerra” durante o conflito na Ucrânia. No entanto, em declarações ao New York Times, afirmou que a operação especial russa representa “uma gradual destruição de toda a vida cultural” na Ucrânia, sem aparentemente se importar com o esmagamento da cultura russa, significativa no Donbass, durante os oito anos anteriores à “invasão”, pois o regime golpista de Kiev já havia imposto leis discriminatórias contra os russos étnicos desde 2014.

As quatro signatárias baseiam-se em informações fornecidas por alguém, mas não mencionam quem. No entanto, uma organização chamada Prisoners Defenders reivindica o mérito de ter apresentado as informações às relatoras. Trata-se de uma ONG sediada em Madri e fundada pelo empresário cubano-espanhol Javier Larrondo, cujo breve resumo biográfico na própria página da organização confessa que tem “vasta experiência” em conspirações contra o governo cubano promovidas “tanto de forma filantrópica como com fundos de subvenção”. Mas por quem eles são pagos? A ONG também admite, em sua página, receber financiamento de um programa de “promoção de transição” (no caso, para o capitalismo) do Ministério de Relações Exteriores da República Tcheca.

Larrondo também atuou em conjunto com o contrarrevolucionário Oswaldo Payá e ajudou a fundar a União Patriótica de Cuba (UNPACU), que pretende derrubar a revolução cubana e devolver o país ao status de semicolônia dos Estados Unidos. Segundo relatos, ele teria vínculos com a antiga filial espanhola da Fundação Nacional Cubano Americana, uma entidade financiada pela CIA para promover atividades terroristas contra Cuba, e com a máfia cubana de Miami.

Embora a Prisoners Defenders proclame trabalhar “pelos direitos humanos e a defesa pró-democracia”, sua atuação é quase integralmente voltada contra Cuba e, em menor medida, Belarus, Irã, Vietnã, Síria (ao menos até a queda de Assad), Turquia, Paquistão e Bahrein – quase todos governos incômodos aos Estados Unidos. Contudo, não há nenhuma linha sobre a defesa dos direitos humanos na Espanha, onde a ONG se situa – pelo contrário, a Prisoners Defenders faz lobby no parlamento espanhol e no parlamento europeu, especialmente junto a deputados do PP e do próprio VOX, a extrema-direita espanhola. A ONG ainda se gaba de ser reconhecida pelo Departamento de Estado, o Congresso dos EUA e outras entidades da mesma rede imperialista da qual fazem parte as relatoras da ONU que alimentam sua propaganda anti-cubana.

Esse caso evidencia como funciona a campanha imperialista sobre os direitos humanos: os banqueiros e magnatas da burguesia americana e europeia pagam ONGs para produzirem discursos, depois funcionários da ONU que também são seus assalariados dão legitimidade a esses discursos, que são repercutidos pelos meios de comunicação dominantes, como o Infobae e o El País, no caso em questão. Todos com a mesma origem de financiamento, treinamento e sustentação, todos na mesma rede de domínio global dos Estados Unidos e do imperialismo ocidental para escravizar os povos dos pequenos países.

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Andic en un mensaje a su padre: "No me extraña que pensaras que era capaz de matarte"

Jonathan Andic, hijo del fundador de Mango, envió un mensaje a su padre en julio de 2024, cinco meses antes de su muerte, en el que celebraba los avances de la terapia familiar en que estaban inmersos y recordaba sus "discusiones" con él: "No me extraña que pensaras que era capaz hasta de matarte".

Los mensajes recuperados del móvil de Jonathan Andic, de su padre Isak y de la psicoterapeuta que trataba a la familia son algunos de los principales indicios en que se basa la Fiscalía para oponerse al recurso que la defensa presentó contra la fianza de un millón de euros que la jueza instructora impuso al primogénito del fundador de Mango, investigado por su supuesto homicidio.

La Fiscalía se apoya en esos mensajes, incluidos en informes de los Mossos d'Esquadra aportados al juzgado, para apuntar como móvil del presunto homicidio la mala relación entre padre e hijo: "Comprendo que era imposible sanear nuestra relación, no me sorprende que la cuerda se rompiera", dijo Jonathan al fundador de Mango por watsapp en julio de 2024. 

(Noticia en ampliación)

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What to Know About the Ebola Outbreak

Aid agencies are racing to help health workers in the Democratic Republic of Congo. The virus is known to have killed at least 140 people, but the true toll may be far higher.

© Arlette Bashizi for The New York Times

At the Mongbwalu General Hospital in Ituri Province, Democratic Republic of Congo. That province, in the northeast of the country, is where the current outbreak was first identified.
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SP descarta segundo caso suspeito de ebola

Logo Agência Brasil

O governo de São Paulo descartou o segundo caso suspeito de ebola, que estava sob investigação na capital paulista.

Internada na quarta-feira (10), a paciente, uma brasileira de 31 anos, era acompanhada no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Os exames que afastaram a suspeita foram realizados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Notícias relacionadas:

A paciente está em tratamento para gastroenterocolite aguda. Ela havia viajado recentemente para a República Democrática do Congo (RDC), permanece internada e teve evolução clínica favorável. 

“Um resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas do início dos sintomas não é suficiente para afastar a infecção. Nessa situação, o protocolo prevê uma nova coleta após esse período. As duas amostras apresentaram resultado negativo, atendendo ao critério laboratorial para o descarte do caso”, explicou Adriana Bugno, diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz, em nota à imprensa.

O primeiro caso suspeito, de um homem de 37 anos que também viajou para a RDC, foi descartado no dia 1º de junho.

Durante o acompanhamento de ambos, o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE-SP) iniciou a investigação após os pacientes atenderem aos critérios clínicos e epidemiológicos para a classificação como casos suspeitos, considerando o histórico recente de viagem a áreas com transmissão ativa e os sintomas apresentados, além de notificar o Ministério da Saúde.

“Casos suspeitos precisam ser identificados e investigados com rapidez, mesmo quando o risco de introdução da doença é muito baixo. Isso permite adotar as medidas de assistência e biossegurança desde o primeiro atendimento e concluir o diagnóstico de forma segura”, afirmou à imprensa Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde.

Surto 

A República Democrática do Congo enfrenta um surto de ebola. O número de casos confirmados da doença já passa de 689, com registro de 139 mortes.

De acordo com informações da agência de notícias Reuters, 17 novos casos foram notificados nas últimas 24 horas, todos na província de Ituri, onde os primeiros casos foram registrados.

* Com informações da Reuters

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SP descarta segundo caso suspeito de ebola

Logo Agência Brasil

O governo de São Paulo descartou o segundo caso suspeito de ebola, que estava sob investigação na capital paulista.

Internada na quarta-feira (10), a paciente, uma brasileira de 31 anos, era acompanhada no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Os exames que afastaram a suspeita foram realizados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Notícias relacionadas:

A paciente está em tratamento para gastroenterocolite aguda. Ela havia viajado recentemente para a República Democrática do Congo (RDC), permanece internada e teve evolução clínica favorável. 

“Um resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas do início dos sintomas não é suficiente para afastar a infecção. Nessa situação, o protocolo prevê uma nova coleta após esse período. As duas amostras apresentaram resultado negativo, atendendo ao critério laboratorial para o descarte do caso”, explicou Adriana Bugno, diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz, em nota à imprensa.

O primeiro caso suspeito, de um homem de 37 anos que também viajou para a RDC, foi descartado no dia 1º de junho.

Durante o acompanhamento de ambos, o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE-SP) iniciou a investigação após os pacientes atenderem aos critérios clínicos e epidemiológicos para a classificação como casos suspeitos, considerando o histórico recente de viagem a áreas com transmissão ativa e os sintomas apresentados, além de notificar o Ministério da Saúde.

“Casos suspeitos precisam ser identificados e investigados com rapidez, mesmo quando o risco de introdução da doença é muito baixo. Isso permite adotar as medidas de assistência e biossegurança desde o primeiro atendimento e concluir o diagnóstico de forma segura”, afirmou à imprensa Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde.

Surto 

A República Democrática do Congo enfrenta um surto de ebola. O número de casos confirmados da doença já passa de 689, com registro de 139 mortes.

De acordo com informações da agência de notícias Reuters, 17 novos casos foram notificados nas últimas 24 horas, todos na província de Ituri, onde os primeiros casos foram registrados.

* Com informações da Reuters

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Germany’s Diehl in talks to produce Ukraine’s Flamingo cruise missile on German soil

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Germany's missile maker Diehl Defence is negotiating to manufacture Ukraine's Flamingo cruise missile in Germany, the Financial Times reported. Talks with the Ukrainian developer Fire Point are planned for the coming weeks, as European states hunt for weapons able to reach deep into Russia.

Four years of full-scale war have turned Ukraine's defense industry from an aid recipient into a source of battle-tested designs, with Kyiv's manufacturers now fielding interceptor drones and advancing a domestic ballistic missile program that European militaries increasingly want to tap. German Flamingo production would hand Europe a ground-launched deep-strike weapon independent of Washington's political swings, while giving Fire Point the orders and financing to scale output.

"This could really happen"

Diehl chief executive Helmut Rauch briefed journalists during the ILA Berlin Air Show.

"We are in discussions about how we could work together," he said. "I think this could really happen. In the next few weeks, we have several meetings regarding this and then we will see." 

For a new product, he added, it "makes a lot of sense to have it also in Germany or other countries," and Diehl is "optimistic and positive" about cooperation. The Ukrainian outlet Militarnyi noted that joint output of the FP-5 Flamingo in Europe could become the largest example of NATO countries adopting Ukrainian defense know-how.

IRIS
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Germany delivers IRIS-T to Ukraine — high-tech system that engages cruise missiles, as Russia continues to strike residential buildings

German Defense Minister Boris Pistorius, visiting Kyiv last month, said the "technological leaps here in Ukraine are remarkable." Joint ventures are being explored for long-range drones, air defenses, and electronic warfare, he said.

The initiative comes as Berlin scrambles to replace US Tomahawk missiles that were due in Germany this year alongside an American battalion. US President Donald Trump scrapped that Biden-era decision amid friction with Chancellor Friedrich Merz around the war in Iran. 

Diehl builds the Iris-T air-defense system, a mainstay of Ukraine's protection against Russian missile attacks. The firm inked a technology deal with Fire Point in April without disclosing details.

Render of the Pulse P19 multi-purpose optionally piloted aircraft. Source: Quantum Systems
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German company that already supplies Ukraine with drones has unveiled Shahed-hunter aircraft with four weapons categories on single airframe

Twice the Tomahawk's range, 200 missiles a month

The ground-launched Flamingo claims over 3,000 km of reach — roughly double the Tomahawk's. The missile has so far played a limited part in Ukraine's long-range campaign, and some reports have questioned its effectiveness. At least two Flamingos, though, struck a military plant in the Russian city of Cheboksary on 10 June, about 900 km from the Ukrainian border — the longest successful known Flamingo strike so far.

Fire Point co-founder and chief designer Denys Shtilierman told the Financial Times in May that the company turns out about 200 Flamingos a month with capacity to spare. 

"We just need orders and money," he said, admitting an engine bottleneck he expected to resolve soon.

So far, however, publicly documented Flamingo attacks remain limited to a handful of strikes, each involving only a small number of missiles.
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