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Brasil e Marrocos movimentam US$ 2,8 bilhões em comércio agropecuário

13 June 2026 at 08:43

Brasil e Marrocos entram em campo neste sábado (13) pela Copa do Mundo, mas a conexão entre os dois países vai muito além do esporte. O comércio agrícola tem papel de destaque nessa relação, com o Brasil exportando produtos como açúcar, milho e café para o mercado marroquino, enquanto importa fertilizantes essenciais para sustentar a produtividade das lavouras nacionais.

Com uma população de cerca de 38 milhões de habitantes, o Marrocos vem investindo na modernização da agricultura e ampliando a demanda por alimentos e insumos, fortalecendo os laços comerciais com o Brasil.

Em 2025, as exportações brasileiras para o Marrocos somaram US$ 1,4 bilhão, enquanto as importações alcançaram o mesmo patamar, resultando em uma corrente de comércio de US$ 2,8 bilhões. Apesar do equilíbrio entre os fluxos, o Brasil encerrou o ano com déficit comercial de US$ 64,3 milhões. O país africano foi o 44º principal destino das exportações brasileiras no período.

A pauta exportadora brasileira foi fortemente concentrada no agronegócio. Os açúcares e melaços responderam por 58,1% das vendas ao mercado marroquino. Também figuraram entre os principais produtos agrícolas exportados milho, animais vivos, café, frutas e especiarias.

Na outra ponta da balança comercial, os fertilizantes químicos representaram 84,8% de todas as importações brasileiras provenientes do Marrocos em 2025, reforçando a importância do país africano para o abastecimento de insumos utilizados no campo brasileiro.

A parceria comercial segue em expansão neste ano. Entre janeiro e maio de 2026, as exportações brasileiras para o Marrocos somaram US$ 328,3 milhões, alta de 9,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as importações alcançaram US$ 881,7 milhões, avanço de 34,4%, elevando a corrente de comércio para US$ 1,2 bilhão. O saldo comercial ficou negativo em US$ 553,4 milhões para o Brasil.

Os açúcares e melaços continuaram liderando a pauta exportadora brasileira nos cinco primeiros meses do ano, enquanto os fertilizantes mantiveram a liderança entre os produtos importados do país africano.

Os números do IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) mostram a relevância do agro brasileiro nessa relação comercial. Em 2025, o Marrocos importou 1,81 milhão de toneladas de milho do Brasil, sendo 1,37 milhão de toneladas provenientes de Mato Grosso, equivalente a 75% do total embarcado pelo país.

As vendas do cereal renderam cerca de US$ 280 milhões aos produtores mato-grossenses ao longo do ano passado. Em 2026, até o início de maio, Mato Grosso já havia exportado 153 mil toneladas de milho para o mercado marroquino, movimentando aproximadamente US$ 33 milhões.

A carne bovina também integra a pauta comercial entre os dois países. Em 2025, Mato Grosso exportou 668 toneladas da proteína para o Marrocos, gerando receita de cerca de US$ 3 milhões. Ao longo do ano passado, o Brasil embarcou 6.658 toneladas de carne bovina para o país africano, com faturamento superior a US$ 23 milhões.

O açúcar segue como um dos principais produtos brasileiros no mercado marroquino. Em 2025, o país africano importou 1,48 milhão de toneladas do produto, em negócios avaliados em aproximadamente US$ 591 milhões.

Etanol E32 deve elevar demanda em 1 bilhão de litros

 

Tereos e gigantes aeroespaciais criam joint venture para SAF

13 June 2026 at 08:00

O grupo francês Tereos, um dos maiores produtores mundiais de açúcar, etanol e amidos, firmou parceria com a Technip Energies, a Airbus e a Safran para criar a Rebound, joint venture voltada à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) em larga escala no Porto de Dunquerque, no norte da França.

O projeto utilizará a tecnologia AtJ (Alcohol-to-Jet), que transforma etanol avançado produzido a partir de resíduos agrícolas e florestais em combustível de aviação sustentável. A previsão é de produção anual de cerca de 160 mil toneladas de SAF, o que colocará a unidade entre as maiores instalações desse tipo na Europa.

A iniciativa ocorre em meio à aceleração global da demanda por combustíveis de baixo carbono para a aviação. Pela regulamentação ReFuelEU Aviation, da União Europeia, a mistura obrigatória de SAF no combustível de aviação deverá atingir 6% em 2030 e chegar a 70% em 2050.

A expectativa do setor é de que a demanda pelo combustível cresça oito vezes entre 2030 e 2050.

A Tereos será responsável pelo fornecimento do etanol usado como matéria-prima no processo industrial.

Já a Technip Energies atuará no desenvolvimento de engenharia e na estruturação técnica do projeto. Airbus e Safran entram como parceiras industriais e potenciais compradoras do combustível produzido.

Segundo Jérôme Bos, Chief Strategy Officer da Tereos, o projeto reforça a estratégia de descarbonização da companhia e o desenvolvimento de cadeias industriais de baixo carbono.

“Estamos muito satisfeitos em contribuir para o surgimento da indústria de etanol para aviação na França, apoiando a descarbonização do setor”, afirmou o executivo em nota.

Uma das etapas consideradas estratégicas já foi concluída: o Porto de Dunquerque concedeu à Technip Energies uma área industrial para implantação do projeto. A localização oferece vantagens logísticas tanto para o recebimento da matéria-prima quanto para o escoamento do combustível sustentável.

O SAF é apontado hoje como a principal alternativa para reduzir as emissões do setor aéreo, um dos mais difíceis de descarbonizar globalmente. Entre as rotas tecnológicas disponíveis, o modelo Alcohol-to-Jet vem ganhando espaço por permitir o aproveitamento do etanol como insumo energético.

O movimento também reforça a corrida internacional pelo desenvolvimento de novas rotas de biocombustíveis. O Brasil, um dos maiores produtores globais de etanol, acompanha de perto a expansão desse mercado, especialmente diante do potencial de utilização do etanol de cana-de-açúcar na produção de SAF.

Os próximos passos do projeto incluem a seleção definitiva da tecnologia, obtenção das licenças ambientais, conclusão dos estudos de engenharia e estruturação financeira da planta.

A expectativa é que a criação formal da joint venture seja concluída no segundo semestre deste ano.

Colheita de milho de MT supera 10% da área, indica Imea

12 June 2026 at 23:40

A ​colheita de milho ​em Mato Grosso na safra 2025/26 atingiu 11,29% da área cultivada, avanço de 5,44 pontos percentuais na ⁠semana, ​e segue adiantada em ​relação ao mesmo período ⁠do ano passado, ⁠quando somava 7,20%, ​informou ‌o Instituto Mato-grossense ⁠de Economia Agropecuária (Imea).

Apesar do ritmo mais acelerado na comparação ‌anual, os ⁠trabalhos ‌permanecem abaixo da média histórica para a época, ⁠de 13,35%, ⁠segundo o instituto.

O avanço semanal, ‌contudo, indica intensificação das atividades no campo no maior produtor brasileiro do cereal.

A ‌safra de milho de Mato Grosso em 2025/26 ⁠está estimada em 53,35 milhões de toneladas, 3,76% ​abaixo do recorde registrado ​no ciclo passado, informou o Imea no início do mês.

(Por Roberto ‌Samora)

JBS encerra operações em duas fábricas nos Estados Unidos

12 June 2026 at 22:43

A JBS informou nesta sexta-feira (12) o fechamento de duas unidades nos Estados Unidos em meio ao cenário de redução da oferta de gado no país. As operações foram encerradas em uma planta de processamento de carne bovina na Pensilvânia e em uma fábrica de produtos de maior valor agregado localizada em Memphis, no estado do Tennessee.

Em nota, o CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho, afirmou que a decisão foi difícil devido aos impactos sobre os funcionários e as comunidades locais. Segundo ele, a empresa está concentrada em oferecer apoio aos colaboradores afetados, com transparência, respeito e oportunidades de realocação em outras unidades da companhia.

A JBS USA ressaltou que as medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla voltada para crescimento, modernização e competitividade de longo prazo nos Estados Unidos.

Ao longo do último ano, a empresa realizou investimentos significativos em novas instalações e melhorias em diversas operações no país, incluindo grandes expansões nos estados do Texas, Geórgia e Iowa. Os projetos têm como objetivo ampliar a capacidade de produção de alimentos preparados e produtos de maior valor agregado, modernizar as operações e reforçar a capacidade da companhia de atender seus clientes nos próximos anos.

“A JBS USA está investindo fortemente nos Estados Unidos e no futuro da produção de alimentos”, disse Batista Filho. “Ao mesmo tempo, precisamos garantir que nossas operações sejam eficientes, modernas e competitivas. Ao investir onde estamos crescendo e realizar ajustes difíceis onde são necessários, estamos construindo uma empresa mais forte e resiliente.”

No início deste ano, a JBS USA integrou seus negócios de carne bovina e de produtos embalados prontos para o varejo em uma plataforma mais unificada, com o objetivo de aumentar a eficiência, melhorar a produtividade e ampliar a capacidade de produção de itens de maior valor agregado.
Por meio de comunicado, a JBS informou que a produção das unidades que serão desativadas será absorvida por outras plantas de sua rede nos Estados Unidos, de forma a preservar o fornecimento de produtos e o atendimento aos clientes.

A companhia também reforçou seu compromisso com o setor agropecuário norte-americano, destacando a continuidade das parcerias com pecuaristas, produtores e comunidades rurais em diferentes regiões do país.

Apesar dos ajustes nas operações, a empresa mantém uma visão positiva para os próximos anos. Segundo o CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho, a demanda global por proteínas segue em expansão, o que sustenta os investimentos da companhia em modernização, eficiência e crescimento. De acordo com o executivo, as mudanças anunciadas buscam fortalecer a competitividade da empresa e garantir melhores condições para atender o mercado no longo prazo.

Pesquisa: brasileiros devem continuar a consumir carne bovina

Soja fecha em baixa em Chicago após semana de volatilidade

12 June 2026 at 20:42

A soja encerrou o pregão desta sexta-feira (12) em baixa na Bolsa de Chicago, refletindo a cautela dos investidores após uma semana marcada por forte volatilidade. O contrato com vencimento em julho recuou 0,18%, fechando cotado a US$ 11,32 por bushel.

Segundo a Agrinvest, o complexo soja operou no campo negativo ao longo da sessão. Após as reações ao relatório mais recente do USDA e às notícias envolvendo um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, os contratos chegaram a ensaiar uma recuperação na abertura dos negócios, mas perderam força no decorrer do dia.

O óleo de soja apresentou desempenho relativamente mais firme, especialmente diante da forte queda observada nos preços do petróleo. Ainda assim, a pressão sobre o complexo energético acabou influenciando negativamente as commodities ligadas ao setor, limitando o avanço dos derivados da oleaginosa.

Com isso, o mercado seguiu ajustando posições e monitorando os desdobramentos no cenário macroeconômico e energético, fatores que continuam ditando o comportamento dos preços no curto prazo.

Milho

Os contratos futuros do milho fecharam a sexta-feira em leve alta na Bolsa de Chicago, em que o vencimento para julho avançou 0,24%, encerrando o pregão cotado a US$ 4,12 por bushel.

A Granar apontou que a recuperação foi impulsionada por movimentos de cobertura de posições por parte dos investidores, após as perdas registradas nas últimas sessões, além das preocupações com a falta de umidade em áreas das Grandes Planícies norte-americanas. Apesar do avanço no dia, o cereal acumulou sua terceira semana consecutiva de desvalorização.

O mercado também acompanhou de perto os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã. A evolução das tensões no Oriente Médio e seus reflexos sobre os preços do petróleo são considerados fatores importantes para a cadeia do milho, especialmente diante das expectativas em torno da ampliação do uso de etanol nos Estados Unidos.

Nesse contexto, os agentes monitoram a tramitação no Senado norte-americano da proposta que autoriza a comercialização da gasolina E-15 durante todo o ano. A medida, já aprovada pela Câmara dos Representantes, pode ampliar a demanda por etanol e, consequentemente, por milho, principal matéria-prima utilizada na produção do biocombustível no país.

Trigo

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do trigo encerraram a sessão desta sexta-feira em queda. O vencimento para julho recuou 0,38%, fechando cotado a US$ 5,84 por bushel.

Apesar da baixa no dia, o cereal conseguiu interromper a sequência de perdas observada nas duas semanas anteriores e encerrou a semana acumulando valorização.

A Granar apontou que o mercado foi influenciado pela realização de lucros e pela cautela dos investidores diante das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã, que podem resultar em um acordo para redução das tensões na região e reabertura do Estreito de Ormuz.

Além do cenário geopolítico, os preços seguem pressionados pelos fundamentos sazonais. O avanço da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos e a proximidade do início da colheita em outras importantes regiões produtoras do Hemisfério Norte reforçam as expectativas de maior oferta no mercado global, limitando movimentos mais expressivos de alta.

Especialistas preveem El Niño positivo para safra argentina

12 June 2026 at 20:33

Embora condições intensas do El Niño possam ​prejudicar as colheitas em grande parte ​do mundo, o fenômeno climático provavelmente impulsionará a produção agrícola na Argentina no segundo semestre do ano, afirmaram especialistas em clima.

Na quinta-feira, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que as condições do El Niño se intensificarão à medida que o segundo ⁠semestre de 2026 avança.

O ​fenômeno El Niño causa o aquecimento das águas oceânicas ​na região central e oriental do Pacífico equatorial, levando a uma ⁠redução das chuvas em grande parte ⁠da Ásia e da Austrália e gerando temores ​quanto ‌à diminuição do abastecimento global de alimentos e ao aumento dos ⁠preços devido às secas.

Mas na Argentina, um dos principais exportadores de soja, milho e trigo, o fenômeno aumenta a frequência e a intensidade ‌das chuvas, ⁠o que ‌geralmente favorece o desenvolvimento das culturas, afirmaram especialistas em clima.

“A safra de 2026/27 será inteiramente marcada pela presença do El Niño e ⁠será um fator positivo”, disse German ⁠Heinzenknecht, meteorologista da Consultoria Argentina de Climatologia Aplicada.

O último El Niño intenso ocorreu no ‌ciclo 2015/16, quando a Argentina registrou a segunda maior safra de soja de sua história, com 59,1 milhões de toneladas métricas, e a produtividade média do milho foi 7% superior à média ‌dos últimos 10 anos, segundo dados oficiais.

“No coração agrícola, uma área que não sofre inundações por ter boa drenagem de água, ⁠o El Niño produz rendimentos muito bons”, disse o especialista em clima Eduardo Sierra.

O plantio de milho na Argentina começará em setembro ​e o de soja em outubro.

Os produtores do país já estão ​semeando a safra de trigo 2026/27, que pode chegar a 20 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Rosário, o que seria a terceira maior safra do cereal ‌para a Argentina.

Como o produtor financia a safra no Brasil?

Cacau fecha em alta na bolsa de Nova York com aumento da oferta global

12 June 2026 at 20:04

Na bolsa de Nova York, os contratos futuros do cacau encerraram a sessão desta sexta-feira (12) em alta. O vencimento para setembro avançou 1,84%, fechando cotado a US$ 3.868 por tonelada.

Apesar da valorização no fechamento, o mercado segue atento aos sinais de aumento da oferta global. Segundo informações do Barchart, os preços da commodity enfrentaram pressão ao longo da semana após novos dados indicarem maior disponibilidade do produto na Costa do Marfim, principal produtor mundial de cacau.

O país africano revisou para cima sua estimativa de recebimento de cacau nos portos, acrescentando mais de 260 mil toneladas ao volume projetado para a atual temporada. Dados acumulados mostram que os produtores enviaram 1,95 milhão de toneladas aos portos entre 1º de outubro de 2025 e 7 de junho de 2026, volume 18,9% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

O crescimento dos embarques reforça as expectativas de uma oferta mais robusta no mercado global, fator que continua sendo monitorado pelos investidores.

Café

Os contratos futuros do café arábica encerraram a sessão em alta na Bolsa de Nova York. O vencimento para setembro avançou 1,26%, fechando negociado a US$ 2,53 por libra-peso.

O mercado deu continuidade ao movimento de valorização iniciado na véspera, sustentado pelas preocupações com o ritmo da colheita brasileira. As previsões climáticas indicam volumes expressivos de chuva nas principais regiões produtoras do país, o que pode dificultar os trabalhos no campo e atrasar a entrada da nova safra no mercado.

Segundo a empresa de monitoramento climático Vaisala, são esperadas precipitações de moderada a forte intensidade ao longo desta semana nas áreas cafeeiras do Brasil. Além disso, os modelos meteorológicos apontam que as chuvas podem persistir também na próxima semana, aumentando a atenção dos operadores quanto à oferta do produto.

Açúcar

Nesta sessão, o vencimento do açúcar para entrega em outubro recuou 0,77% na bolsa de Nova York, fechando cotado a 14,23 centavos de dólar por libra-peso.

A commodity seguiu pressionada por fatores externos. O fortalecimento do dólar reduziu a competitividade do açúcar negociado em moeda norte-americana, enquanto as perspectivas de um possível acordo provisório entre Estados Unidos e Irã alimentaram expectativas de maior fluidez no comércio da commodity no Oriente Médio.

Com isso, os preços em Nova York atingiram o menor patamar das últimas sete semanas, refletindo o aumento do apetite vendedor e a cautela dos investidores diante do cenário internacional.

Por outro lado, o mercado encontrou algum suporte nas novas projeções da consultoria Czarnikow. A empresa revisou sua estimativa para o balanço global de açúcar na safra 2026/27, reduzindo a previsão de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 10 mil toneladas. A mudança reflete a maior destinação de cana para a produção de etanol no Brasil, favorecida pelos preços mais elevados do petróleo no mercado internacional.

Algodão

O algodão com contrato futuro para entrega em dezembro fechou com ligeira alta de 0,08% e precificado em 76,42 centavos de dólar a libra-peso.

Suco de Laranja

Os contratos futuros do suco de laranja encerraram o pregão em baixa. O vencimento julho recuou 0,57%, fechando a US$ 1,64 por libra-peso.

Deriva de herbicidas já provocou mais de 400 ocorrências em vinhedos do RS

12 June 2026 at 19:42

A deriva de herbicidas hormonais já provocou mais de 400 ocorrências registradas em vinhedos do Rio Grande do Sul desde 2018 e passou a ser considerada um fator permanente de risco para a expansão da vitivinicultura em diferentes regiões do estado.

O levantamento realizado pela Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Feeng), a partir de dados oficiais da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), identificou que aproximadamente 700 hectares de vinhedos foram diretamente afetados no período analisado.

Nas regiões mais impactadas, o universo de áreas expostas ao problema supera 4 mil hectares distribuídos em cerca de 45 municípios gaúchos. Os dados apontam perdas de produtividade entre 20% e 55% nas áreas atingidas. Em algumas situações, os prejuízos podem ultrapassar 80% da produção.

A maior parte dos registros está concentrada em regiões onde a vitivinicultura divide território com sistemas agrícolas extensivos que utilizam herbicidas hormonais para o controle de plantas daninhas. Entre os princípios ativos mais utilizados estão o 2,4-D, dicamba, picloram e fluroxipir.

No entanto, os efeitos vão além da redução imediata da safra. O estudo aponta que a deriva pode provocar abortamento floral, menor pegamento dos frutos, deformações vegetativas e enfraquecimento das videiras. Em situações mais severas, os produtores precisam investir na recuperação ou até mesmo na renovação completa dos vinhedos.

A pesquisa identificou ocorrências em praticamente todas as regiões produtoras de vinho do estado, incluindo Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Região Central, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missões e, de forma mais pontual, a Serra Gaúcha.
Segundo a professora doutora Shana Sabbado Flores, uma das coordenadoras do trabalho, o fenômeno deixou de ser percebido como um episódio isolado pelos produtores.

“Os resultados indicam que a deriva deixou de ser percebida pelos produtores como um evento pontual e passou a ser considerada um fator permanente de risco. Isso tem reflexos diretos sobre investimentos, expansão da atividade e perspectivas de desenvolvimento da vitivinicultura em diferentes regiões do Rio Grande do Sul”, comentou.

Para os pesquisadores, a sustentabilidade da agricultura gaúcha depende da convivência entre diferentes sistemas produtivos. O desafio, segundo o estudo, está em desenvolver mecanismos que permitam o avanço simultâneo das diversas cadeias agrícolas sem comprometer a competitividade da vitivinicultura.

Os resultados completos da pesquisa serão apresentados no próximo dia 17 de junho, em Dom Pedrito, durante evento promovido pelo Consevitis-RS.

Opções sustentáveis dentro dos vinhedos

A preocupação crescente com o tema tem levado parte do setor a rever práticas agrícolas e buscar alternativas para reduzir a dependência de insumos químicos, além do impacto da deriva de propriedades vizinhas.

Na campanha Gaúcha, a vinícola Salton tem intensificado a substituição gradual de herbicidas por plantas de cobertura nos vinhedos próprios localizados em Santana do Livramento. Desde 2021, o sistema utiliza gramíneas de inverno, como o azevém, para controlar plantas espontâneas, reduzir a erosão e contribuir para a conservação do solo.

Neste ano, a empresa entrou no Escopo 3, metodologia que contabiliza impactos ambientais gerados ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a compra de insumos até a entrega do produto ao consumidor final. A iniciativa coloca a vinícola entre as pioneiras do setor vitivinícola brasileiro na adoção desse tipo de inventário.

Moratória da soja: após falta de consenso, processos voltam aos relatores

12 June 2026 at 19:24

Após uma série de reuniões no Nusol (Nucleo de Solução Consensual de Conflitos) do STF (Supremo Tribunal Federal) em busca de um acordo sobre os processos referentes à Moratória da Soja, os processos retornaram aos gabinetes dos ministros relatores. 

Segundo o STF, as reuniões foram marcadas por um “amplo diálogo entre as partes” e pela construção de um “ambiente propício à construção de solução consensual”. Apesar do avanço nas negociações, um recuo das autoridades envolvidas ao longo das tratativas inviabilizou a celebração de um acordo, de acordo com o Nusol. 

Assim, o supervisor do Núcleo, o magistrado auxiliar do Gabinete da Presidência Álvaro Ricardo, encaminhou os processos de volta para o gabinete dos relatores. 

Ao todo, o impasse da moratória da soja é pautado em duas ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) principais:

  • ADI 7774: De relatoria do Ministro Flávio Dino, referente à lei do Estado de Mato Grosso, que proíbe a concessão de benefícios fiscais e de terrenos públicos a empresas que aderiram a acordos comerciais para a limitação da expansão agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental específica. 
  • ADI 7775: De relatoria do Ministro Dias Toffoli, o processo é referente a uma lei semelhante, mas de Rondônia.

O STF ainda tem em pauta mais processos secundários referentes a esses impasses:  ADI 7863 (de autoria do Ministro Luiz Fux, referente à legislação de Tocantins) e ADI 7823 (sem autoria, e referente à legislação do Maranhão).

Estiveram presentes nas reuniões em maio representantes da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), e dos partidos PCdoB, Psol, PV e Rede. 

Também participaram de reuniões no Nusol os procuradores de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins.

Com a decisão do Nusol, os Ministros devem encaminhar os processos para votação em plenário. Como a pauta de junho já foi fechada, a expectativa é que as ADIs sejam julgadas a partir de julho.

O que é a moratória? 

A Moratória da Soja é um acordo firmado em 2006 entre tradings, indústria e organizações da sociedade civil para impedir a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia após julho de 2008.

As ações em análise no Supremo discutem a legalidade de leis estaduais que tentam limitar os efeitos da moratória.

De um lado, representantes do setor produtivo afirmam que o acordo cria restrições além das previstas no Código Florestal. Do outro, organizações ambientais defendem que a iniciativa ajudou a reduzir o desmatamento na Amazônia. 

UE realiza auditoria e Brasil espera retomar exportações de pescados

12 June 2026 at 16:50

O governo brasileiro espera que a auditoria técnica da União Europeia, em andamento até 18 de junho, possa abrir caminho para a retomada das exportações de pescados brasileiros ao bloco europeu, suspensas desde 2018. A expectativa foi manifestada pelo ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, em entrevista exclusiva ao CNN Agro News.

“Nesse momento estamos recebendo a missão europeia, a auditoria totalmente técnica que deve acontecer até o dia 18 de junho. E, então, a gente espera que, com o resultado dessa missão, a gente possa trazer boas novas de que a União Europeia abrirá o mercado, mais uma vez, para o mercado brasileiro”, disse.

Segundo o ministro, a Europa é um mercado estratégico para o setor pesqueiro brasileiro. Ele afirmou que o país produz pescado de qualidade, com valor nutricional e em conformidade com exigências ambientais.

Araújo também defendeu a diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Segundo ele, a ampliação do acesso a novos mercados é uma estratégia para reduzir a dependência de parceiros comerciais específicos.

Ao comentar medidasamericanas, o ministro afirmou que o episódio reforça a necessidade de o Brasil buscar alternativas comerciais. “O tarifaço americano nos prova que o Brasil é um país soberano e não deve ficar refém de país nenhum”, disse.

Ainda segundo o ministro, o governo tem trabalhado na abertura de mercados e na prospecção de novos destinos para os produtos brasileiros. A expectativa do setor é que o resultado da auditoria europeia possa contribuir para uma eventual retomada das exportações de pescados ao bloco.

Fim da escala 6×1 pode elevar demanda por mão de obra no campo

12 June 2026 at 15:50

A possível adoção do fim da escala 6×1 no Brasil já começa a gerar preocupação em setores intensivos em mão de obra, como a fruticultura. Para Sidney Tavares, diretor da Timbaúba, a mudança poderá ampliar os custos operacionais e aumentar a necessidade de contratação de trabalhadores em atividades rurais, especialmente na colheita.

Em fazendas de frutas, parte das operações ocorre durante a madrugada para minimizar os impactos do calor sobre os produtos. É o caso da colheita de uvas e cocos em regiões produtoras do Nordeste e Sudeste.

“O clima é mais ameno e impacta menos na fruta. Por isso, fazemos a colheita de madrugada”, afirmou Tavares.

Segundo ele, o eventual fim da escala 6×1 teria impacto principalmente nas operações de campo. A estimativa é de que seria necessário ampliar em cerca de 5% o quadro de funcionários para manter o mesmo ritmo de produção.

“Na indústria o impacto é menor porque já trabalhamos em sistema 12×36. Mas no campo haveria necessidade de contratação”, disse.

O setor afirma, porém, que enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra disponível. A escassez de trabalhadores rurais tem levado empresas do agro a buscar alternativas, como mecanização e automação de processos.

“Se essa mão de obra não existir, o caminho será acelerar a mecanização”, afirmou o produtor.

Apesar disso, nem todas as culturas possuem soluções tecnológicas plenamente adaptadas. Enquanto a colheita mecanizada da uva já possui maior desenvolvimento, culturas como o coco ainda dependem fortemente do trabalho manual.

“Hoje ainda precisamos empregar muita gente para a colheita do coco”, explicou.

O setor também acompanha medidas recentes voltadas à formalização do trabalho temporário no campo. Produtores avaliam que mudanças nas regras relacionadas ao trabalhador safrista podem ampliar a oferta de mão de obra formal nos próximos anos.

Na avaliação de representantes da fruticultura, entretanto, esse movimento tende a ser gradual e dependerá também de campanhas de orientação para trabalhadores rurais.

A preocupação do setor ocorre em um momento em que diferentes cadeias do agro já relatam dificuldade de contratação em regiões produtoras, especialmente para atividades sazonais e de alta demanda física.

Alimentação no domicílio tem maior alta em 18 anos para mês de maio

12 June 2026 at 15:19

Os alimentos voltaram a ser os grandes vilões da inflação. A alimentação em domicílio subiu 1,65% em maio, a maior alta do segmento para o mês em 18 anos. De 2008 até agora, o acumulado foi de 2,27%.

O pico reflete a alta no grupo de “Alimentos e Bebidas”, monitorado no IPCA, impactando diretamente as refeições dentro dos lares.

O avanço foi puxado principalmente pela disparada da batata-inglesa, que ficou 44,69% mais cara, além das altas do tomate (20,62%), da cebola (16,80%) e das carnes (1,39%).

Com os alimentos liderando as altas, o grupo Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pela inflação de maio e contribuiu para levar o IPCA acumulado em 12 meses acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.

Dentre os nove grupos monitorados pelo IBGE, o de alimentação também atingiu o maior nível em 15 anos para o mês de maio. Há o componente sazonal influenciando, pois o quinto mês do ano é período de entressafra no Brasil, influenciando nos preços de muitos alimentos.

Este ano, em especial, o fator guerra no Oriente Médio influenciou o preço dos insumos e interferiu nos custos de produção e distribuição dos itens no território brasileiro, mexendo com os preços nas gôndolas de mercado, segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves.

De acordo com ele, já é possível observar reflexos do cenário internacional sobre os alimentos. “O que se mostra claro é o efeito dos fretes nos preços de alimentos”, afirmou.

No caso do tomate, exemplifica o gerente de pesquisa, o frio retardou o amadurecimento do fruto, enquanto a passagem da safra das águas para o período seco reduziu a disponibilidade de batata-inglesa no mercado. Como resultado, os preços subiram 20,62% e 44,69%, respectivamente.

O movimento reforça a pressão sobre o orçamento das famílias e ajuda a explicar por que a inflação oficial do país acelerou para 0,58% no mês. Não fosse a categoria de Alimentos e Bebidas, o IPCA de maio seria 0,37%, o que evidencia o peso do grupo, como destaca o IBGE.

Para o agronegócio, o resultado reflete uma combinação de fatores climáticos, sazonalidade da oferta de hortaliças e custos de produção. A recuperação dos preços da carne bovina também segue influenciando o índice.

4G avança em 3 mil áreas rurais e amplia acesso a 2 milhões de pessoas

12 June 2026 at 14:38

Mais de 2 milhões de brasileiros que vivem em áreas rurais passaram a contar com sinal 4G nos últimos três anos. A expansão da conectividade alcançou 2.902 localidades em todas as regiões do país, segundo dados divulgados pelo MCom (Ministério das Comunicações).

O avanço ocorre em um momento em que a conectividade é considerada uma infraestrutura cada vez mais importante para o agronegócio. Além do acesso a serviços digitais, a internet é usada para monitoramento de máquinas, rastreamento de rebanhos, gestão das propriedades, coleta de dados climáticos e adoção de tecnologias de agricultura de precisão.

O setor também vê a conectividade como uma das bases para a expansão de ferramentas de inteligência artificial no campo, que dependem da transmissão contínua de dados gerados por máquinas, sensores e equipamentos instalados nas propriedades rurais.

As áreas atendidas não contavam com banda larga móvel e passaram a ter acesso à telefonia celular e a serviços digitais.

O Nordeste lidera a expansão da cobertura desde 2023, com 956 localidades conectadas. Em seguida aparecem o Sudeste, com 749 áreas atendidas; o Sul, com 571; o Norte, com 426; e o Centro-Oeste, com 200 localidades.

Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a chegada do 4G às áreas rurais contribui para ampliar o acesso da população a serviços essenciais e reduzir a exclusão digital.

“Conectar as áreas rurais faz parte de um desafio ainda maior: incluir todos os brasileiros no mundo digital. Nossa meta é aproximar as pessoas dos serviços básicos essenciais, da telemedicina e da educação a distância, além de tornar o pequeno produtor mais autônomo ao permitir o acesso a bancos e plataformas governamentais diretamente pelo celular, sem precisar sair de sua propriedade”, afirmou.

Segundo o ministério, a instalação da cobertura móvel em áreas rurais exige uma série de etapas técnicas e regulatórias.

O processo inclui a definição do local de instalação, autorizações para uso de radiofrequência, licenciamento da estação, obtenção de licenças ambientais e construção da infraestrutura necessária para receber as torres de telefonia, que podem chegar a quase 32 metros de altura.

A expansão do 4G integra um conjunto de políticas públicas de telecomunicações e compromissos assumidos pelas operadoras no leilão do 5G.

As ações também envolvem o Gired (Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV), responsável por iniciativas voltadas ao uso eficiente do espectro e à ampliação da conectividade em regiões rurais e remotas.

Com as novas ativações, moradores de distritos, assentamentos e comunidades tradicionais passam a contar com internet móvel de alta velocidade diretamente nos celulares.

O acesso pode facilitar a emissão de documentos, o uso de serviços bancários, a educação a distância e atividades ligadas à economia agrícola local.

Europa anuncia €540 milhões para auxílio em compra de fertilizantes

12 June 2026 at 13:27

A Comissão Europeia anunciou, nesta sexta-feira (12) um pacote de 540 milhões de euros destinado ao auxílio na aquisição de fertilizantes pelos agricultores do bloco, diante da escalada dos preços causada por tensões geopolíticas e interrupções nas cadeias globais de abastecimento. 

A medida busca assegurar o fornecimento de insumos essenciais ao setor agrícola e garantir a continuidade da produção nas próximas safras, reduzindo os impactos da volatilidade do mercado sobre a segurança alimentar europeia. 

Do total anunciado, 300 milhões de euros deverão vir de um reforço da reserva agrícola da União Europeia previsto no orçamento de 2026. Os Estados-Membros poderão complementar os recursos com aportes nacionais de até 200% do valor recebido, elevando o potencial total de apoio para até 1,5 bilhão de euros.

Além do suporte financeiro, a Comissão propôs ajustes na PAC (Política Agrícola Comum) para acelerar o acesso dos agricultores à assistência. Entre as medidas está a criação de um novo mecanismo de liquidez para situações de crise no desenvolvimento rural.

O instrumento poderá ser cofinanciado em até 65% pelo Feader (Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural) e utilizar recursos não empregados anteriormente. O apoio poderá ser concedido por meio de pagamentos fixos por hectare e implementado através dos Planos Estratégicos da PAC.

Outra medida permitirá aos Estados-Membros antecipar pagamentos diretos aos agricultores antes de 16 de outubro, com taxas de adiantamento ampliadas. A proposta inclui ainda a possibilidade de ajustes nos orçamentos destinados aos pagamentos diretos referentes ao ano civil de 2027.

As alterações legislativas na PAC serão encaminhadas ao Parlamento Europeu e ao Conselho da União Europeia para análise e aprovação. Já a proposta relacionada à reserva agrícola será submetida à votação dos Estados-Membros no Comitê da Organização Comum dos Mercados. Se aprovada, a adoção final está prevista para o final de julho de 2026.

O pacote integra o Plano de Ação para Fertilizantes, apresentado pela Comissão Europeia em maio deste ano. A iniciativa reúne medidas emergenciais para ampliar o acesso aos fertilizantes e ações de longo prazo voltadas ao fortalecimento da produção interna e da segurança de abastecimento no bloco.

Comida mais cara: inflação de alimentos sobe a 1,33% e alerta agro

12 June 2026 at 13:04

Mais um mês consecutivo, o grupo de alimentos e bebidas puxa a inflação brasileira para cima, com uma alta de 1,33%, indicada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de maio, divulgado nesta sexta-feira (12) pelo IBGE.

O percentual mostra estabilidade em relação ao mês de abril, com tímida queda de 0,01 ponto percentual.

alimentação no domicílio registrou variação de 1,65%, com influência das altas da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%), repetindo os itens que também registraram altas em abril e que vem aumentando de preço desde o início de janeiro.

Com quedas de preços estiveram o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%).

alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,49% com o lanche saindo de 0,71% em abril para 0,49% em maio e a refeição de 0,54% para 0,51% no mesmo período.

A inflação oficial do país ficou em 0,58% em maio, desacelerando em relação aos 0,67% registrados em abril. Apesar do alívio no índice geral, os alimentos seguiram como principal foco de pressão para o consumidor. O grupo Alimentação e Bebidas avançou 1,33% no mês, respondendo pela maior contribuição para o resultado do IPCA.

Entre os produtos que mais pesaram na inflação estiveram itens in natura e alimentos básicos, refletindo fatores climáticos, custos de produção e oscilações de oferta. Para o agronegócio, o resultado reforça como o comportamento das safras e do abastecimento continua influenciando diretamente o custo de vida dos brasileiros.

Etanol

O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil contribuiu para a queda no preço do etanol, cujo recuo foi de 6,20% em maio, após alta de 0,62% em abril.

Mesmo com a demanda aquecida pelo etanol diante das pressões da Guerra no Oriente Médio e maior valor dos combustíveis fósseis, a oferta maior do biocombustível ajudou aliviou a inflação dos Transportes, sendo a principal contribuição para a desaceleração da inflação desse grupo.

Com a intensificação da moagem e o aumento da oferta de matéria-prima para as usinas, cresce a disponibilidade de etanol no mercado, o que tende a pressionar os preços para baixo.

O movimento também reforça a importância do agronegócio para a dinâmica da inflação brasileira, uma vez que a produção agrícola influencia diretamente os custos dos combustíveis renováveis.

Além do etanol, o óleo diesel recuou 2,34% em maio. Embora o combustível seja derivado do petróleo, sua importância para o campo é estratégica, já que é amplamente utilizado em máquinas agrícolas e no transporte da produção.

A queda dos combustíveis contribui para reduzir custos logísticos ao longo da cadeia agropecuária, com potencial de amenizar pressões sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.

Colheita de café alcança 12% em área da Cooxupé com alerta para El Niño

12 June 2026 at 12:03

A colheita de café alcançou uma média de 12% na área de atuação da Cooxupé até o último dia 5 de junho, o ritmo ainda é menor do que as últimas duas safras, que na mesma época estavam em 13,7% (2025) e 13,6% (2024) nos mais de 370 municípios nas regiões do Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas e média mogiana do estado de São Paulo.

Nos últimos dias de maio, chuvas de granizo atingiram algumas regiões de café de Minas Gerais, que antecipou problemas climáticos deste ano. Nesta quinta-feira (11), a NOOA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) informou que o El Niño já está ativo e as chances do fenômeno ser “muito forte” ultrapassa 60%.

No caso da cooperativa, que é a maior da América Latina com mais de 22 mil cafeicultores, o ritmo de colheita semanal é um termômetro para o mercado, que precifica o mercado futuro do café, dentro e fora do Brasil.

A colheita está mais adiantada nos cafezais de São Paulo, com 18,3% dos trabalhos de campo concluídos.

Com as chuvas em Minas Gerais, o andamento dos trabalhos de campo variaram, com as regiões de Matas de Minas e Sul de Minas mais adiantadas, com 16% e 15% das áreas colhidas, respectivamente.

No Cerrado Mineiro, a colheita está bem abaixo das vizinhas mineiras, em 5,3% das plantas de café colhidas.

Governo amplia cota da tainha após pressão de pescadores em SC

12 June 2026 at 11:34

O governo federal publicou no final da noite desta quarta-feira (11), em edição extra do Diário Oficial da União, a portaria que amplia em 430 toneladas a cota da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina. A medida ocorre poucos dias após a suspensão da atividade, determinada quando a captura atingiu 90% do limite autorizado para a safra.

A nova regulamentação divide a cota adicional entre duas regiões do estado. O litoral centro-norte receberá autorização para capturar mais 230 toneladas, enquanto o litoral centro-sul terá direito a outras 200 toneladas.

Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a decisão foi tomada após reuniões do Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Safra e análise de dados científicos sobre o comportamento da temporada deste ano.

A revisão ocorreu após relatos de pescadores catarinenses de que a abundância da espécie foi concentrada em determinadas regiões, enquanto outras localidades registraram baixa presença dos cardumes em razão das condições oceanográficas.

De acordo com o Ministério, um levantamento comparando a produção de 2026 com séries históricas mostrou que apenas três, dos 25 municípios costeiros catarinenses, alcançaram volumes semelhantes aos registrados em anos anteriores. O cenário foi mais crítico no litoral norte. Segundo o governo federal, 12 dos 14 municípios da região não registraram captura de tainha durante a temporada.

Com base na diferença entre a produção histórica e a registrada neste ano, além dos parâmetros de Rendimento Máximo Sustentável utilizados na avaliação dos estoques pesqueiros, o governo definiu a ampliação das cotas.

A distribuição regional contempla os municípios de Araquari, Balneário Barra do Sul, Balneário Camboriú, Balneário Piçarras, Barra Velha, Bombinhas, Governador Celso Ramos, Itajaí, Itapema, Itapoá, Joinville, Navegantes, Penha, Porto Belo e São Francisco do Sul no litoral centro-norte.

Já a cota destinada ao litoral centro-sul abrange Biguaçu, Florianópolis, Palhoça, Paulo Lopes, Garopaba, Imbituba, Laguna, Jaguaruna, Balneário Rincão, Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota e Passo de Torres.

Segundo o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, a ampliação busca atender regiões que tiveram baixo desempenho durante a safra sem comprometer os critérios técnicos adotados para a gestão da espécie. A safra deste ano também registrou forte concentração da captura em algumas localidades do estado. O aumento da oferta provocou queda nos preços em determinados mercados e relatos de desperdício do pescado.

O Ministério da Pesca afirma que continuará monitorando a temporada e defende que a ampliação da cota seja acompanhada por medidas que garantam a sustentabilidade dos estoques e a distribuição equilibrada da produção entre as comunidades pesqueiras catarinenses.

A pesca de arrasto da tainha foi suspensa no último domingo (7), após determinação do Governo Federal. A determinação gerou reação de pescadores e autoridades da região.

Senado analisa uso de fundo do pré-sal para financiar dívidas do agro

Logo Agência Brasil

O plenário do Senado deve analisar, nesta quarta-feira (10), o projeto de lei (PL) que destina recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de agricultores que perderam parte da safra devido a calamidades climáticas.

O governo se manifestou contrário ao parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), porque ele não acolheu demandas apresentadas pelo Ministério da Fazenda para modificar o texto que veio da Câmara dos Deputados.

Notícias relacionadas:

O projeto 5.122 de 2023, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no final de maio, ainda prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO). 

O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Iago Montalvão avalia que o PL pode prejudicar o programa Minha Casa Minha Vida, que vem sendo financiado pelo Fundo do Pré-Sal.

“O fundo vai virar, por dois anos pelo menos, um instrumento de subsídio do agronegócio. Isso inviabilizaria as demais políticas, como de habitação social. Nós não sabemos o valor que será destinado às dívidas do setor. Mas pode inviabilizar qualquer outro uso que não vá para a educação”, avalia.

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. A outra metade é dividida entre áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte. 

Procurada pela reportagem para comentar o possível impacto do PL para o Minha Casa Minha Vida, o Ministério das Cidades informou que não se manifesta sobre projetos em tramitação no Parlamento.

Estima-se que Fundo do Pré-Sal tenha contribuído com cerca de R$ 35 bilhões para o Minha Casa Minha Vida entre 2025 e 2026, permitindo aumentar a meta do programa, na atual gestão, para 3 milhões de residências até o final de 2026. 

Limite será definido pelo Executivo

O texto que chegou da Câmara dos Deputados previa entre R$ 30 bilhões e R$ 100 bilhões para financiar dívidas de agricultores. Porém, o senador Renan Calheiros transferiu, para o Poder Executivo, a definição do limite de gastos com o refinanciamento do agro.

O economista Iago Montalvão considera que o governo será pressionado a destinar um valor alto para refinanciar essas dívidas.

“O Fundo Social, em última instância, virou uma forma de apagar incêndios. Quando há uma calamidade e é preciso recurso rápido, se usa o Fundo. Isso fez com que ele virasse também objeto de disputa. O setor do agronegócio viu uma possibilidade de disputar um recurso fora desse âmbito do ajuste fiscal”, completou.

A Agência Brasil procurou a assessoria do relator Renan Calheiros, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. 

Fundo Social do Pré-sal

Criado em 2010 para financiar políticas de caráter permanente com recursos do pré-sal, que é uma riqueza finita, o fundo vem sofrendo alterações ao longo dos anos, com a inclusão de novas atribuições.

Em 2025, uma medida provisória (MP) do governo federal, transformada em lei posteriormente pelo Parlamento, incluiu o financiamento de políticas de habitação social e de mitigação das mudanças climáticas, servindo também como fonte de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes de maio de 2024.  

Debate no Senado

O projeto de lei, pautado para votação no plenário nesta quarta-feira, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi criticado pelo governo, que gostaria de ter algumas demandas atendidas, conforme explicou, no dia da votação na CAE, o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA).

“Não chegamos a um denominador comum e o relatório, evidente que absorve algumas coisas, mas ainda tem contradições com o Ministério da Fazenda. Minha pretensão é que a gente pudesse, efetivamente, voltar à mesa de negociação”, disse a liderança governista. 

O relator Renan Calheiros comentou que acolheu diversas demandas do Ministério da Fazenda, mas que não atendeu todos os pedidos porque, segundo ele, inviabilizaria o socorro aos produtores rurais.

“[Entre as sugestões do governo, acolhemos] a retirada de limites globais fixos anteriormente propostos e a adoção do critério de enquadramento baseado na ocorrência de duas perdas de 30% [da plantação] em duas safras”, disse Renan.

Por outro lado, o relator não acatou a sugestão do ministério de reduzir os limites para os produtores se enquadrarem no programa, além de não acatar o pedido para aumentar a taxa de juros do refinanciamento para 12%. O PL fixa os juros entre 3,5% e 7,5%. Procurado, o Ministério da Fazenda não quis se pronunciar.

Os financiamentos previstos no projeto têm como limite o valor de R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por associação ou cooperativa de produtores, com prazo de pagamento de dez anos, além de três anos de carência.

Ruralistas comemoram

A aprovação do PL na CAE foi comemorada pelas principais lideranças da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que compareceram à votação.

“Nós não engessamos [o limite de financiamento] - não é R$ 30 bilhões, não é R$ 50 bilhões, não é R$ 100 bilhões -, porque os fundos são coisas que vão começar do zero, e pode ter mais ou menos dinheiro, pode ter outros fundos. Não é a proposta dos nossos sonhos, mas é a proposta possível”, avaliou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA.

TCU

Em acórdão publicado em maio de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia identificado “o esvaziamento financeiro e o desvirtuamento dos objetivos de criação do Fundo Social, bem como a ausência de estruturas para sua governança”.

“Dos R$ 146 bilhões arrecadados, restavam em 2022 apenas R$ 20 bilhões, sendo que somente para pagamento de dívida pública, no período de 2021 e 2022, foram gastos R$ 64 bilhões”, informou o ministro do TCU Antonio Anastasia

A lei aprovada em 2025 buscou resolver os problemas apontados pelo TCU, segundo o economista Iago Montalvão. Para ele, houve um desvirtuamento do fundo, no governo anterior, para pagar a dívida pública.

“O Fundo Social do Pré-sal foi criado partindo da visão de que o Brasil precisa utilizar riquezas finitas, como o petróleo, para investir em áreas cujos resultados sejam permanentes”, comentou.

Montalvão ressaltou que ainda persistem, no fundo, problemas de transparência que tornam difícil para a sociedade acompanhar o uso desses recursos.

“Hoje, a gente consegue ver a receita dos royalties, da participação especial, que vai para o Fundo Social. Mas você não tem o dado consolidado, por exemplo, de qual é o patrimônio hoje do fundo. Você não consegue encontrar isso”, lamenta.

O TCU estimou que, entre 2023 e 2032, o Fundo do Pré-Sal arrecade um montante de quase R$ 1 trilhão, mais especificamente R$ 968 bilhões.

Senado analisa uso de fundo do pré-sal para financiar dívidas do agro

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O plenário do Senado deve analisar, nesta quarta-feira (10), o projeto de lei (PL) que destina recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de agricultores que perderam parte da safra devido a calamidades climáticas.

O governo se manifestou contrário ao parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), porque ele não acolheu demandas apresentadas pelo Ministério da Fazenda para modificar o texto que veio da Câmara dos Deputados.

Notícias relacionadas:

O projeto 5.122 de 2023, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no final de maio, ainda prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO). 

O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Iago Montalvão avalia que o PL pode prejudicar o programa Minha Casa Minha Vida, que vem sendo financiado pelo Fundo do Pré-Sal.

“O fundo vai virar, por dois anos pelo menos, um instrumento de subsídio do agronegócio. Isso inviabilizaria as demais políticas, como de habitação social. Nós não sabemos o valor que será destinado às dívidas do setor. Mas pode inviabilizar qualquer outro uso que não vá para a educação”, avalia.

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. A outra metade é dividida entre áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte. 

Procurada pela reportagem para comentar o possível impacto do PL para o Minha Casa Minha Vida, o Ministério das Cidades informou que não se manifesta sobre projetos em tramitação no Parlamento.

Estima-se que Fundo do Pré-Sal tenha contribuído com cerca de R$ 35 bilhões para o Minha Casa Minha Vida entre 2025 e 2026, permitindo aumentar a meta do programa, na atual gestão, para 3 milhões de residências até o final de 2026. 

Limite será definido pelo Executivo

O texto que chegou da Câmara dos Deputados previa entre R$ 30 bilhões e R$ 100 bilhões para financiar dívidas de agricultores. Porém, o senador Renan Calheiros transferiu, para o Poder Executivo, a definição do limite de gastos com o refinanciamento do agro.

O economista Iago Montalvão considera que o governo será pressionado a destinar um valor alto para refinanciar essas dívidas.

“O Fundo Social, em última instância, virou uma forma de apagar incêndios. Quando há uma calamidade e é preciso recurso rápido, se usa o Fundo. Isso fez com que ele virasse também objeto de disputa. O setor do agronegócio viu uma possibilidade de disputar um recurso fora desse âmbito do ajuste fiscal”, completou.

A Agência Brasil procurou a assessoria do relator Renan Calheiros, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. 

Fundo Social do Pré-sal

Criado em 2010 para financiar políticas de caráter permanente com recursos do pré-sal, que é uma riqueza finita, o fundo vem sofrendo alterações ao longo dos anos, com a inclusão de novas atribuições.

Em 2025, uma medida provisória (MP) do governo federal, transformada em lei posteriormente pelo Parlamento, incluiu o financiamento de políticas de habitação social e de mitigação das mudanças climáticas, servindo também como fonte de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes de maio de 2024.  

Debate no Senado

O projeto de lei, pautado para votação no plenário nesta quarta-feira, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi criticado pelo governo, que gostaria de ter algumas demandas atendidas, conforme explicou, no dia da votação na CAE, o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA).

“Não chegamos a um denominador comum e o relatório, evidente que absorve algumas coisas, mas ainda tem contradições com o Ministério da Fazenda. Minha pretensão é que a gente pudesse, efetivamente, voltar à mesa de negociação”, disse a liderança governista. 

O relator Renan Calheiros comentou que acolheu diversas demandas do Ministério da Fazenda, mas que não atendeu todos os pedidos porque, segundo ele, inviabilizaria o socorro aos produtores rurais.

“[Entre as sugestões do governo, acolhemos] a retirada de limites globais fixos anteriormente propostos e a adoção do critério de enquadramento baseado na ocorrência de duas perdas de 30% [da plantação] em duas safras”, disse Renan.

Por outro lado, o relator não acatou a sugestão do ministério de reduzir os limites para os produtores se enquadrarem no programa, além de não acatar o pedido para aumentar a taxa de juros do refinanciamento para 12%. O PL fixa os juros entre 3,5% e 7,5%. Procurado, o Ministério da Fazenda não quis se pronunciar.

Os financiamentos previstos no projeto têm como limite o valor de R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por associação ou cooperativa de produtores, com prazo de pagamento de dez anos, além de três anos de carência.

Ruralistas comemoram

A aprovação do PL na CAE foi comemorada pelas principais lideranças da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que compareceram à votação.

“Nós não engessamos [o limite de financiamento] - não é R$ 30 bilhões, não é R$ 50 bilhões, não é R$ 100 bilhões -, porque os fundos são coisas que vão começar do zero, e pode ter mais ou menos dinheiro, pode ter outros fundos. Não é a proposta dos nossos sonhos, mas é a proposta possível”, avaliou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA.

TCU

Em acórdão publicado em maio de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia identificado “o esvaziamento financeiro e o desvirtuamento dos objetivos de criação do Fundo Social, bem como a ausência de estruturas para sua governança”.

“Dos R$ 146 bilhões arrecadados, restavam em 2022 apenas R$ 20 bilhões, sendo que somente para pagamento de dívida pública, no período de 2021 e 2022, foram gastos R$ 64 bilhões”, informou o ministro do TCU Antonio Anastasia

A lei aprovada em 2025 buscou resolver os problemas apontados pelo TCU, segundo o economista Iago Montalvão. Para ele, houve um desvirtuamento do fundo, no governo anterior, para pagar a dívida pública.

“O Fundo Social do Pré-sal foi criado partindo da visão de que o Brasil precisa utilizar riquezas finitas, como o petróleo, para investir em áreas cujos resultados sejam permanentes”, comentou.

Montalvão ressaltou que ainda persistem, no fundo, problemas de transparência que tornam difícil para a sociedade acompanhar o uso desses recursos.

“Hoje, a gente consegue ver a receita dos royalties, da participação especial, que vai para o Fundo Social. Mas você não tem o dado consolidado, por exemplo, de qual é o patrimônio hoje do fundo. Você não consegue encontrar isso”, lamenta.

O TCU estimou que, entre 2023 e 2032, o Fundo do Pré-Sal arrecade um montante de quase R$ 1 trilhão, mais especificamente R$ 968 bilhões.

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