Granos troca de controle e mira R$ 1 bilhão com aquisições e exportações
Um tropeço no meio do caminho não permitiu que a Granos Alimentos, especializada em vegetais congelados, deixasse de ser interessante para investidores. E então, depois de dez anos sob comando do fundo Arlon, a gestora Cleam Capital conseguiu o controle da empresa.
A troca de comando ocorreu em momento de interesse de ambas as partes. O vendedor é uma gestora americana criada pela Continental Grain Company, que tinha ficado apenas com esse ativo no Brasil e pretendia fazer o desinvestimento. Já o comprador é a Cleam Capital, family office do empresário Wellington Guimarães, fundador da Show Tecnologia, empresa de rastreamento e gestão de frotas.
Guimarães ganhou projeção no mercado após expandir a Show Tecnologia e adquirir a Omnilink, empresa de rastreamento veicular que pertencia ao Pátria Investimentos. A compra da Granos marca uma diversificação dos investimentos da família para além do setor de tecnologia.
O valor na negociação não foi divulgado, mas a Granos é uma empresa de faturamento de R$ 300 milhões e que se consolidou no mercado de congelados, após apenas um erro na história: investir em plant-based em 2023, quando comprou a Gerônimo.
“Foi uma decisão ruim. Era uma moda e não se mostrou sustentável porque o consumidor entendeu que as fórmulas dos produtos não eram adequadas, apesar de as nossas proteínas vegetais serem clean label”, diz à CNN, Fernando Giansante, CEO da Granos desde 2018.
“Perdemos 50% do que investimentos”, resume.
Agora, com novo controle, a meta é crescer três vezes em cinco anos e chegar a um faturamento de R$ 1 bilhão.
Para isso, está no projeto a aquisição de outras empresas, tanto de vegetais congelados, quanto de frutas, além do início das exportações.
A empresa chegou a realizar seu primeiro embarque para os Estados Unidos após obter certificações internacionais, mas os planos foram temporariamente afetados pelo aumento das tarifas de importação e pelas condições cambiais.”
Mercado de congelados
A Granos é hoje a maior empresa de legumes congelados do país, com 40% do mercado, mas muito concentrada nas regiões Sul e Sudeste. O produto principal é o brócolis, mas a empresa também comercializa couve-flor, mix de legumes e ervilha. A batata fica de fora.
“O mercado de batata pré-frita é outro, com enormes players que têm distribuição diferente. Mas somos parceiros de alguns deles na produção com marca terceira”, explica Giansante.
“O mercado americano pode ser um importante alavanca de crescimento. O Equador, por exemplo, exporta mais de 60 mil toneladas de brócolis por ano para os Estados Unidos, enquanto toda a indústria brasileira de vegetais congelados produz menos do que isso”, afirma o executivo.
O faturamento da Granos é dividido um terço proveniente da terceirização (co-parker), um terço produção e venda com marca própria no varejo, e o restante vem do fornecimento de produtos ao food service. Entre os clientes de marca estão Bonduelle e Swift.
Mais barato do que se pensa
O consumo de vegetais congelados é ainda muito concentrado no Sudeste do país e Giansante vê oportunidades para expandir. “É um produto mais barato, mas o consumidor não está habituado a essa conta. Ninguém compra um quilo de brócolis em florete. Nesse volume, nosso produto é cerca de 40% más barato que o fresco.”
O executivo vê a expansão do mercado com vendas no atacarejo e expansão de marmitas saudáveis. “Com as canetas de emagrecimento e sem as pessoas terem tempo para cozinhar, os congelados são o futuro. São saudáveis, nutritivos e fáceis de preparar.”
No centro do sucesso da Grano, Giansante ressalta a parceria com 100 produtores rurais para garantir a sustentabilidade e o fornecimento do brócolis. Em 2025, R$ 24,3 milhões foram destinados à agricultura familiar em contratos futuros.
“Garantimos a compra de toda a produção, de acordo com parâmetros pré-definidos, disse o executivo. Os demais vegetais são comprados no mercado spot.


