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Conselho Orçamental Europeu alerta para “aumento injustificado da despesa” na UE

O Conselho Orçamental Europeu (COE), organismo consultivo independente da Comissão Europeia, avisou esta quarta-feira que o alívio das regras orçamentais da União Europeia (UE) devido à crise energética pode levar a uma “expansão orçamental discricionária injustificada”, criticando esta flexibilidade.

“A nova flexibilidade para medidas de apoio energético ao abrigo da cláusula de salvaguarda nacional, proposta pela Comissão no pacote de supervisão da primavera de 2026, pode conduzir a uma expansão orçamental discricionária injustificada num momento em que o nível de apoio orçamental continua elevado e a inflação está novamente a aumentar”, salienta o COE, num relatório hoje publicado e ao qual a Lusa teve acesso.

Segundo este organismo consultivo independente da Comissão Europeia, “a maioria das novas medidas de apoio não é direcionada para grupos específicos”, ao contrário do recomendando, no atual contexto de crise energética devido à guerra do Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas.

Em comunicado, o presidente do COE, Pieter Hasekamp, vinca que “o choque energético é real, mas exige transformação e não estímulo” orçamental.

“A credibilidade orçamental, construída através do cumprimento das trajetórias de despesa acordadas, é a nossa melhor proteção contra o aumento dos custos de financiamento. O apoio às famílias e às empresas deve ser temporário, direcionado e compensado por outras medidas e não servir como uma via indireta para um alívio mais amplo da política orçamental”, elenca o responsável.

A posição surge depois de a Comissão Europeia ter anunciado, na semana passada no âmbito do pacote de primavera do Semestre Europeu, que os Estados-membros podem beneficiar de alguma flexibilidade nas regras orçamentais não apenas para despesas com defesa, mas também para determinados investimentos em segurança energética.

Na prática, os países poderão acomodar mais facilmente despesas destinadas a reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e a reforçar a resiliência energética da UE recorrendo à mesma cláusula de salvaguarda nacional já ativada para o setor da defesa.

De acordo com Bruxelas, os investimentos em resiliência energética realizados desde fevereiro de 2026 podem beneficiar desta flexibilidade orçamental.

Ainda assim, há limites: dos até 1,5% do PIB de despesa adicional permitidos ao abrigo da cláusula de salvaguarda, apenas 0,3% do PIB por ano e 0,6% do PIB no total entre 2026 e 2028 podem ser utilizados para este tipo de medidas.

O executivo comunitário sublinhou, contudo, que esta flexibilidade não altera os mecanismos de controlo das contas públicas nem dispensa os Estados-membros de manter uma trajetória compatível com a sustentabilidade orçamental.

As regras orçamentais da UE visam assegurar a sustentabilidade das finanças públicas, estabelecendo que o défice orçamental não deve ultrapassar 3% do PIB e que a dívida pública deve manter-se abaixo de 60% do PIB ou seguir uma trajetória de redução credível quando excede esse limite.

O COE é um órgão consultivo independente criado pela Comissão Europeia para acompanhar e avaliar a aplicação das regras orçamentais da UE e, embora as suas análises e recomendações não tenham caráter vinculativo, são frequentemente utilizadas como referência no debate sobre a sustentabilidade das finanças públicas.

No relatório hoje publicado, o COE lembra, ainda, que “a atual situação macroeconómica e as perspetivas para a área do euro têm um grau excecional de incerteza devido às consequências da guerra no Irão” e sugere “apoios temporários, não distorcivos e bem direcionados”.

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10 Junho: Presidente da República salienta coragem e espírito de missão das Forças Armadas

O Presidente da República salientou hoje a “coragem, ideia de serviço e espírito de missão” das Forças Armadas ao longo de gerações e considerou que os militares compreendem com clareza que a defesa da paz exige resiliência.

Esta posição constou de uma mensagem de António José Seguro destinada ao XXIII Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes, que foi lida pelo presidente da comissão promotora da cerimónia, tenente-general António Menezes. Uma cerimónia que decorreu junto ao Monumento aos Combatentes do ultramar, em Belém, Lisboa.

“Esta homenagem tem um significado profundo. Não prestamos homenagem apenas ao passado militar de Portugal, prestamos homenagem a uma ideia de serviço, de coragem e de dever que continua a dar sentido à nossa identidade coletiva”, escreveu o chefe de Estado.

Na sua mensagem, o Presidente da República referiu-se à atual conjuntura mundial, “um tempo marcado pela incerteza, pela instabilidade internacional e pelo regresso da guerra ao espaço europeu”.

Neste contexto, segundo António José Seguro, “os portugueses compreendem hoje com maior clareza que a paz exige preparação, capacidade e resiliência, compreendem que a segurança de uma democracia depende também da solidez das suas instituições e da prontidão daqueles que a defendem”.

“As Forças Armadas continuam a desempenhar uma missão insubstituível ao serviço da República, na proteção dos portugueses, na defesa da soberania nacional, na resposta a emergências complexas, no cumprimento dos compromissos internacionais e na afirmação externa de Portugal como país credível, responsável e solidário”, sustentou.

Nesse sentido, na perspetiva do chefe de Estado, “honrar os combatentes significa também garantir que o reconhecimento nacional se traduz em dignidade, respeito e apoio efetivo”.

“Portugal não pode esquecer aqueles que carregam ainda hoje as consequências físicas e emocionais do serviço prestado ao país. Os combatentes merecem não apenas gratidão, mas também justiça, proximidade e reconhecimento concreto. A memória nacional constrói-se através de símbolos, mas sustenta-se através de ações”, completou.

António José Seguro referiu-se, ainda, às gerações mais jovens, advogando que “servir Portugal, seja nas Forças Armadas, na proteção das populações, na defesa da liberdade e da soberania, continuará sempre a representar uma das formas mais elevadas de compromisso cívico e de serviço ao país”.

“A todos os que serviram Portugal, deixo uma palavra de gratidão em nome dos portugueses. O vosso exemplo pertence à História de Portugal, mas pertence também ao seu futuro. Ao honrarmos os nossos combatentes, reforçamos a consciência do que somos, da liberdade conquistada e da responsabilidade coletiva de preservar”, acrescentou.

Após a leitura da mensagem do Presidente da República, o vice-almirante Henrique da Silva Fonseca, presidente da comissão executiva da cerimónia, recordou o seu percurso na Armada, com operações em Angola, mas também em Moçambique, designadamente em Cabo Delgado, em Timor-Leste e na Guiné-Bissau antes do 25 de Abril de 1974.

“Os combatentes do ultramar deixaram sementes de evolução, progresso e integração. Deram tempo – deram mesmo muito tempo – para que o problema político fosse resolvido”, declarou.

Em relação à atual situação, o vice-almirante advertiu que “o grande aliado”, os Estados Unidos, estão a alterar as suas prioridades estratégicas, privilegiando o Pacífico, enquanto a Rússia, a leste, já invadiu a Geórgia e a Ucrânia e ameaça outros países.

“A melhor homenagem que se pode prestar aos antigos combatentes é provar que o seu esforço não foi em vão. E continuamos dispostos a pegar em armas se tal for necessário”, afirmou.

Após os discursos, seguiu-se uma cerimónia inter-religiosa, católica e muçulmana, pelo tenente capelão Óscar Paiva e pelo sheik David Munir, uma homenagem aos mortos, a deposição de flores e o Hino Nacional pela Banda da GNR, com salva protocolar por um navio da Armada.

No encerramento, assistiu-se a uma passagem de aeronaves da Força Aérea, antes do tradicional almoço-convívio nos terrenos em frente ao Monumento aos Combatentes.

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Euribor sobem a 3 meses para novo máximo desde março de 2025 e caem a 6 e 12 meses

A Euribor subiu esta quarta-feira a três meses, para um máximo desde março de 2025, e desceu a seis e a 12 meses, face a terça-feira.

Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que avançou para 2,397%, continuou abaixo das taxas a seis (2,592%) e a 12 meses (2,841%).

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou hoje, ao ser fixada em 2,592%, menos 0,014 pontos do que na terça-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a abril indicam que a Euribor a seis meses representava 39,56% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,53% e 24,55%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor caiu hoje para 2,841%, menos 0,025 pontos do que na sessão anterior.

Em sentido oposto, a Euribor a três meses avançou hoje, fixando-se em 2,397%, mais 0,024 pontos que na terça-feira e um novo máximo desde 19 de março de 2025.

Esta semana realiza-se a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que termina na quinta-feira e é a terceira depois do início da guerra com o Irão, e o mercado prevê que a entidade suba as taxas diretoras, pela primeira vez em quase três anos.

Na anterior reunião, em 30 de abril, o BCE manteve as taxas diretoras, pela sétima reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

A média mensal da Euribor subiu, de novo, nos três prazos em maio, mas de forma menos acentuada do que em abril.

Em maio, a média mensal da Euribor subiu 0,051 pontos para 2,226% a três meses.

Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor avançou 0,082 pontos para 2,536% e 0,057 pontos para 2,804%, respetivamente.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

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10 Junho: Seguro defende paz, direitos humanos e “relação de equilíbrio” com aliados

O Presidente da República defendeu hoje, a partir dos Açores, a paz, os direitos humanos e a Carta das Nações Unidas e uma “relação de equilíbrio” com os aliados, no seu discurso do 10 de Junho.

Nesta ocasião, António José Seguro insistiu na ideia de que a “autonomia estratégica europeia” é conciliável com a “defesa transatlântica”, acrescentando: “Autonomia não significa isolamento. Significa liberdade de decisão e responsabilidade, aperfeiçoando, atualizando e reforçando cooperações bilaterais com os nossos aliados”.

Na cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde está situada a Base das Lajes, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas referiu que os Açores estão “num ponto estratégico da relação entre a Europa e o continente americano, entre o Atlântico Norte e as grandes rotas marítimas e aéreas que estruturam a ordem global”.

“Por todas estas razões, é um lugar que nos obriga a assumir especiais responsabilidades e deveres, no quadro da afirmação plena da nossa soberania, dos nossos interesses e do nosso futuro estratégico. Sempre no respeito mútuo do que está assumido, seja com um país, seja com a comunidade internacional e com a Carta das Nações Unidas. E na minha perspetiva, uma situação não está dissociada das outras”, afirmou, na parte inicial do seu discurso.

António José Seguro enquadrou “o presente e o futuro da Europa e da América do Norte” como “dimensões de uma mesma comunidade de segurança, que tem na NATO o seu pilar fundamental” e o Atlântico como “parte da autonomia estratégica europeia, do ponto de vista político, económico, energético, tecnológico e de segurança e defesa”.

“A garantia da segurança dos países europeus só é possível em articulação com os nossos aliados, numa relação de equilíbrio e reciprocidade, de respeito pela soberania dos Estados, assente em valores que, apesar da incerteza dos tempos, não mudam: a paz, a liberdade, os direitos humanos e o multilateralismo – valores que norteiam a ação das nossas Forças Armadas em Portugal e destacadas em missão por todo o mundo”, sustentou.

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CML quer abrir concursos públicos para cargos dirigentes. “É uma reforma estrutural na gestão do talento”, diz Gonçalo Reis

A Câmara Municipal de Lisboa vai avançar com a abertura de concursos públicos para a seleção de todos os cargos dirigentes do Município, numa iniciativa que pretende reforçar os princípios de mérito, transparência e igualdade de oportunidades no acesso a funções de direção.

A autarquia prepara-se assim para avançar com o que chama de “uma mudança profunda” na escolha da sua estrutura de liderança. Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Gonçalo Reis, vice-presidente do município com o pelouro dos Recursos Humanos, detalha o novo modelo de seleção dos quadros dirigentes, que põe fim às nomeações por substituição e institui o concurso público como regra obrigatória para todos os cargos. Trata-se, nas palavras do autarca, de “uma reforma estrutural na gestão dos recursos humanos e do talento e das competências da Câmara Municipal”.

A medida integra uma proposta que será submetida à próxima reunião do executivo municipal agendada para o diz 17 de junho e que diz respeito à constituição dos membros do júri responsáveis pelos procedimentos concursais.

A grande viragem prende-se com a alteração efetiva do método de escolha dos líderes das várias direções e divisões da autarquia. Gonçalo Reis explica que o objetivo central é introduzir novos padrões de exigência na administração pública local.

“Deixa de haver as chamadas de nomeação por substituição e todos os processos de quadros dirigentes (…) passam a ser por concurso. E esses é que são os grandes princípios que nós acreditamos. Ou seja, com esta alteração que queremos imprimir na Câmara asseguramos a transparência do processo, fomentamos a participação (…) incentivamos o mérito (…) e promovemos uma cultura de competências e de oportunidades de participação”, referiu.

Questionado sobre se os concursos são para vagas abertas ou não, Gonçalo Reis explicou que “atualmente, o universo de dirigentes da Câmara de Lisboa é composto por 163 cargos, quase na totalidade preenchidos (registam-se apenas três vagas em aberto: um diretor de departamento e dois chefes de divisão)”.

O vice-presidente da autarquia explica ao JE que esta estrutura divide-se em três níveis: 13 diretores municipais, ou seja a primeira linha dirigente, que reporta diretamente aos vereadores (incluindo áreas como Finanças, Engenharia Urbana e o Secretário-Geral), 47 diretores de departamento e 103 chefes de divisão.

Por se tratar de um “programa de grande escala”, o vice-presidente salvaguarda que a transição será feita de forma progressiva através de um plano plurianual. No entanto, garante avançar logo na segunda metade do ano.  “No segundo semestre de 2026 pretendemos e faremos já seguramente o lançamento de algumas dezenas de concursos”, revela Gonçalo Reis, que está optimista em relação à aprovação da medida que promete revolucionar o modelo de recrutamento na Câmara de Lisboa.

“Trata-se de pôr as pessoas certas nos lugares certos, escolhidas por processos que imprimam a transparência e que fomentem o mérito”, sublinhou.

Gonçalo Reis quer assegurar as estabilidade e faz um apelo aos atuais dirigentes para que concorram

Uma das principais preocupações manifestadas por Gonçalo Reis prende-se com a continuidade dos serviços municipais durante este período de transição. O vice-presidente esclarece que, como os atuais dirigentes se encontram em regime de substituição, “vão continuar em funções até ao resultado do concurso”, afastando qualquer cenário de vazio diretivo (vacatura).

O responsável pelos Recursos Humanos faz também um convite claro à permanência dos atuais quadros de comando, elogiando o talento já existente na autarquia.

“Todos os atuais dirigentes podem concorrer aos cargos. Eu diria, e eu digo mesmo, acho que é normal que muitos deles concorram. E digo, e ainda bem. Porque a Câmara Municipal tem, atualmente, nos seus quadros de dirigentes, muitas pessoas perfeitamente competentes com as valências técnicas e com todas as condições. E agora, essas vão ao concurso. E se forem selecionadas, no fundo são reconfirmados e ganham uma legitimação adicional”.

A grande mais-valia do modelo assenta, contudo, na abertura do universo de recrutamento. No caso dos 13 diretores municipais (os cargos de topo), a autarquia vai fazer uso da prerrogativa legal que permite abrir as candidaturas a profissionais externos à administração local.

“Podem concorrer funcionários da Câmara, funcionários da função pública sem ser da Câmara Municipal, e funcionários e pessoas do setor privado. E isso é muito interessante, porque nós aqui estamos a dar um passo além, porque estamos mesmo a alargar o pool de talento”, anuncia Gonçalo Reis.

“Todos os atuais dirigentes podem concorrer aos cargos e até acho que mais do que poderem, e eu digo mesmo, acho que é normal que muitos deles concorram e ainda bem. Porque, também há que sublinhar isso, a Câmara Municipal tem, atualmente, nos seus quadros de dirigentes, muitas pessoas muito competentes e com valências técnicas”, destaca o vice-presidente da autarquia.

Câmara de Lisboa vai abrir concursos públicos para todos os cargos dirigentes da autarquia para implementar meritocracia

Segundo a autarquia, trata-se do primeiro processo concursal abrangente para os quadros dirigentes desde 2010, sendo que há cerca de 16 anos não eram lançados concursos desta dimensão para cargos de direção. O atual executivo considera que esta iniciativa representa uma das suas marcas distintivas, ao assumir o compromisso de promover uma organização municipal assente na qualificação, no talento e na competência dos seus dirigentes.

No total, estão a ser preparados 163 procedimentos concursais, que abrangem cargos de diretores municipais, diretores de departamento e chefes de divisão. Para conduzir estes processos serão constituídos 38 júris de seleção, um número inferior ao dos concursos previstos, uma vez que, em várias áreas funcionais, o mesmo júri acompanhará mais do que um procedimento.

O júri será composto por personalidades internas e externas à Câmara Municipal de Lisboa, escolhidas em função da sua competência, idoneidade, independência e experiência profissional. O objetivo, de acordo com a autarquia, é garantir processos de recrutamento rigorosos, transparentes e centrados no mérito dos candidatos.

O novo modelo estabelece mandatos com regras diferenciadas para a duração das comissões de serviço dos candidatos vencedores dos concursos, separando de forma clara os cargos de natureza mais estratégica das funções puramente técnicas, como explicou Gonçalo Reis.

Ao abrigo destas novas diretrizes, os diretores municipais passam a cumprir mandatos de cinco anos, os quais apenas podem ser renovados uma única vez, fixando assim um limite máximo de 10 anos de permanência no cargo. Em contrapartida, os diretores de departamento e os chefes de divisão terão mandatos de três anos, com a possibilidade de renovação sem qualquer limite, dado tratarem-se de cargos com um perfil marcadamente mais técnico, sublinha o vice-presidente da CML.

Após a aprovação da proposta em reunião de Câmara, o documento seguirá para apreciação e votação na Assembleia Municipal de Lisboa. Concluída essa fase, serão abertos os respetivos procedimentos concursais, cujo arranque está previsto para o segundo semestre de 2026.

A Câmara Municipal de Lisboa defende que a realização destes concursos permitirá reforçar a cultura de mérito na organização, aumentar a transparência nos processos de recrutamento e seleção e alargar as oportunidades de acesso a cargos dirigentes, quer para trabalhadores da autarquia, quer para candidatos externos.

Calendário e o funcionamento do júri

Tal como já referido, o arranque formal da iniciativa está agendado para a reunião de Câmara do dia 17 de junho, onde será votada a constituição do júri examinador. Uma vez aprovado pelo executivo municipal e, posteriormente, pela Assembleia Municipal, o processo transita para a Direção de Recursos Humanos para que os avisos de abertura comecem a ser emitidos.

Questionado sobre o perfil de quem vai avaliar os candidatos, Gonçalo Reis adianta que o júri será constituído por “pessoas com idoneidade” e competências firmadas em gestão pública, recursos humanos e dinâmicas autárquicas, combinando quadros internos e peritos externos.

“O júri para os diretores municipais tem sempre alguns elementos que são de fora da Câmara — académicos e pessoas com credibilidade académica, setorial e com experiência nestas áreas. E depois, o júri para os chefes de departamento e diretores de departamento são também quadros seniores da Câmara. É um mix de quadros da Câmara com independentes”.

Demonstrando total convicção no acolhimento político da proposta, Gonçalo Reis antecipa uma aceitação pacífica e robusta nos órgãos deliberativos da cidade. “A expectativa é altíssima que isto venha a ser aprovado e implementado, porque esta iniciativa vai na direção certa, vai na direção da transparência, do mérito, de processos previsíveis e de alargamento de oportunidades”, sublinha.

Sem querer interferir na autonomia de outras autarquias, o vice-presidente defende que a capital portuguesa tem o dever de liderar pelo exemplo no que toca às metodologias de governação e captação de recursos humanos.

“Eu não quero dar lições aos outros municípios (…) Agora, nós achamos que o município de Lisboa deve dar o exemplo e os nossos critérios de exigência são os critérios de exigência mais altos que existem. A Câmara Municipal tem que estar regida pelas melhores práticas de gestão de recursos humanos.”

A terminar, Gonçalo Reis reforça a visão de longo prazo que norteia este plano, recusando a ideia de que se trate de uma resposta conjuntural para problemas pontuais.

“O nosso objetivo estrutural é ter as pessoas certas nos lugares certos e escolhidas de acordo com processos transparentes e que fomentem o mérito. (…) Nós não estamos a resolver a situação A ou B ou C. Nós estamos a colocar em prática na Câmara uma nova política estrutural, definitiva e sistemática para a gestão do talento”.

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Ouro e prata caem mais de 2% para novos mínimos desde o final de março

O preço do ouro e da prata registou esta quarta-feira uma queda superior a 2%, para novos mínimos desde meados de março, afetado pelo fortalecimento do dólar e pelas expectativas de subidas das taxas de juro.

De acordo com dados da Bloomberg, às 09:30 em Lisboa, a onça ‘troy’ de ouro descia 2,21% e cotava-se a 4.166,9 dólares, caindo para o seu nível mais baixo desde 23 de março passado.

Por sua vez, o preço da prata descia 2,30%, para 63,85 dólares, também o nível mais baixo desde 23 de março.

Este ano, o ouro já desvalorizou quase 3,5% e, desde o início do conflito no Médio Oriente, em 28 de fevereiro, caiu quase 20%.

Desde o seu máximo histórico de 5.595,47 dólares, em 29 de janeiro, o ouro perdeu quase 26% do seu valor.

No caso da prata, a cotação regista uma queda de 10,6% no acumulado do ano. Desde o início das tensões no Irão, o recuo ultrapassa os 27% e atinge os 47% desde 29 de janeiro, quando atingiu máximos históricos nos 121,65 dólares.

Os especialistas explicam que os metais preciosos estão a ser afetados pelo fortalecimento do dólar após o início da guerra no Irão, além das maiores expectativas de subidas das taxas de juro por parte dos bancos centrais face ao forte aumento da inflação, consequência da revalorização do preço da energia.

O analista da XTB, Manuel Pinto, citado pela agência Efe, salienta que os metais preciosos continuam sob pressão devido ao fortalecimento do dólar e à subida das taxas de rendibilidade da dívida, impulsionadas pelas expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal dos EUA (Fed).

“No entanto, a incerteza em torno da primeira reunião do novo presidente da Fed e as dúvidas sobre a capacidade do organismo para conter as pressões inflacionistas poderão aumentar os receios de um cenário de estagflação, um ambiente historicamente favorável para ativos como o ouro e a prata”, afirma.

Os especialistas da Indosuez Wealth Management indicam também que, embora o ouro tenha tido dificuldades em avançar desde o início do conflito no Médio Oriente, devido principalmente ao desaparecimento das expectativas de cortes nas taxas de juro, continuam a considerar que, a médio prazo, o contexto geopolítico global e a diversificação das reservas se mantêm como fatores de apoio para o metal precioso.

A UBS mantém-se otimista em relação ao ouro a médio prazo e prevê que o seu preço atinja os 5.500 dólares por onça durante o primeiro semestre de 2027.

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Irão: Costa condena ataques ao Kuwait e pede que todos privilegiem diplomacia

O presidente do Conselho Europeu condenou esta quarta-feira os ataques iranianos ao Kuwait e defendeu que a “diplomacia é a única maneira de se alcançar a segurança e estabilidade no Médio Oriente”, pedindo a todos que privilegiem essa via.

Numa mensagem divulgada nas redes sociais, António Costa refere que falou hoje ao telefone com o príncipe herdeiro do Kuwait, Sabah Khalid Al Hamad Al-Sabah, a quem manifestou “a total solidariedade da Europa após os recentes ataques do Irão e dos seus grupos aliados [‘proxies’]”.

“A diplomacia é a única maneira de se alcançar a segurança e estabilidade no Médio Oriente – a UE insta todas as partes a permanecerem comprometidas com a via diplomática”, defende.

O presidente do Conselho Europeu acrescenta que se está a assinalar o 40.º aniversário das relações diplomáticas entre a UE e o Kuwait e diz esperar que os laços entre as duas partes se reforcem no futuro.

O Irão anunciou hoje ataques contra bases norte-americanas no Kuwait, Bahrein e Jordânia, em resposta a ataques dos Estados Unidos, por sua vez justificados como retaliação contra o abate de um helicóptero norte-americano no Estreito de Ormuz.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein e a base aérea de Ali Al Salem no Kuwait, enquanto a Jordânia assegurou ter intercetado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais.

O Irão utilizou mísseis e drones para atacar cerca de vinte alvos, entre os quais hangares de caças F-35 em território jordano e sistemas de radar no Bahrein, avançou a Fars.

Teerão advertiu para uma “resposta mais severa”, caso continue o que descreveu como “agressão” norte-americana, acrescenta a agência iraniana próxima da Guarda da Revolução.

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Bolsa de Lisboa e Europa caem no vermelho

A bolsa de Lisboa e os principais índices europeus caíram a meio da sessão no vermelho depois de terem iniciado o dia a negociar no verde. O índice português (PSI) desvaloriza 0,41% para os 8.866,44 pontos.

As maiores descidas na bolsa portuguesa vão para os CTT que quebra 2,84% para os 5,66 euros, seguida pela EDP Renováveis que desce 2,32% para os 13,48 euros, e a Mota-Engil desliza 1,38% para os 4,41 euros.

No vermelho encontra-se também a EDP, a Jerónimo Martins, o Banco Comercial Português (BCP), a Teixeira Duarte, a Galp Energia, e a REN.

No verde está a Corticeira Amorim que sobe 2,92% para os 6,70 euros, seguida pela Semapa que valoriza 1,30% para os 23,35 euros, e a NOS avança 0,98% para os 5,03 euros.

A negociar no verde está também a Navigator e a Sonae.

Europa está no vermelho

As principais bolsas europeias estão a negociar no vermelho. O DAX (Alemanha) quebra 0,65% para os 24.258,70 pontos, o CAC 40 (França) desce 0,35% para os 8.175,03 pontos, e o FTSE 100 (Reino Unido) desvaloriza 0,40% para os 10.186,30 pontos.

O AEX (Países Baixos) quebra 0,09% para os 1.045,88 pontos, o IBEX 35 (Espanha) desce 0,45% para os 18.104,75 pontos, e o FTSE MIB (Itália) desvaloriza 0,16% para os 50.180,50 pontos.

O petróleo está a ser negociado em baixa com o brent a descer 0,34% para os 91,14 dólares e o crude desvaloriza 0,18% para os 88.04 dólares.

O euro está a subir 0,12%, face ao dólar, para os 1,15530 dólares e o euro quebra 0,03%, face à libra, para as 0,86252 libras.

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Festival Air Invictus ainda sem autorização da ANAC para a sua realização

A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ainda não autorizou a realização do Air Invictus, agendado para 19, 20 e 21 de junho no Porto, Gaia, Maia e Matosinhos, acrescentando que o promotor apresentou alterações no início desta semana.

“A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ainda não proferiu decisão sobre o pedido de realização do evento aeronáutico em apreço, encontrando-se o mesmo em fase de avaliação técnica. Salienta-se que o promotor do evento apresentou alterações, no início desta semana, que abrangem diversos domínios”, explica o regulador da aviação civil, em resposta enviada hoje à agência Lusa, quando faltam nove dias para o início do festival.

Segundo a ANAC, “a avaliação em curso incide sobre as diversas atividades que o requerente [promotor] pretende integrar no evento aeronáutico”.

“A decisão final será proferida após a conclusão da análise dos novos elementos apresentados e terá por base critérios exclusivamente relacionados com a segurança operacional, a proteção de terceiros (no solo e no ar) e o cumprimento do enquadramento legal e regulamentar aplicável ao evento e a cada uma das operações nele integradas”, salienta o regulador.

A ANAC lembra que a sua atuação visa a “prossecução do interesse público na salvaguarda da segurança de pessoas e bens”, sublinhando que o princípio da segurança é “o seu objetivo primordial e orientador em todas as vertentes da sua ação regulatória e de supervisão, encontrando-se empenhada na concretização e garantia efetiva desse desígnio”.

Em 08 de maio, a Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD), após uma reunião com a organização do Air Invictus e a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), revelou, em comunicado, que o evento ainda “não tinha a autorização definitiva para a sua realização”, por parte da ANAC.

No comunicado, emitido há um mês, a AAMTD adiantou que, de acordo com a informação transmitida pela organização, o regulador da aviação civil “apenas emitiria o seu parecer cerca de 15 dias antes da data do evento, agendado para 19, 20 e 21 de junho”.

Na ocasião, esta associação exigiu respostas e soluções, sublinhando que o facto de a ANAC vir a pronunciar-se cerca de 15 dias antes do evento era “estruturalmente inviável para operadores que planeiam a dois e três anos de antecedência”.

A AAMTD adiantou que a paragem total da navegação no Rio Douro durante os três dias do evento implicaria “perdas de milhões de euros para os operadores marítimo-turísticos, sem qualquer mecanismo de compensação definido”, acrescentando “não existirem locais alternativos para recolocar as embarcações, pois o encerramento do rio não tem solução logística conhecida”.

Fundada em 2018, a AAMTD representa 33 operadores do turismo fluvial na Via Navegável do Douro, entre navios-hotéis, cruzeiros diários, embarcações de animação turística e navegação local e tem como missão defender os interesses do setor, promover a sustentabilidade da atividade e assegurar um diálogo institucional permanente com as autoridades competentes.

Em comunicado já divulgado pelos promotores do Air invictus lê-se que “está a chegar o maior evento aéreo e aeroespacial alguma vez organizado em Portugal”.

“O Air Invictus traz aos céus do Porto, Gaia, Maia e Matosinhos uma animação ímpar. A adrenalina vai estar ao máximo com acrobacias e corridas onde estarão os melhores pilotos do mundo, mas há também espaço para o desfile de modelos clássicos e contemporâneos civis e militares, muita música e animação com o Revenge of The 90’S e a espetacularidade de um show de drones que pode fazer história em Matosinhos, logo no primeiro dia do evento”, adiantou a organização.

Segundo os promotores, “muito mais do que uma corrida, a primeira edição do Air Invictus em Portugal contempla uma vasta oferta em terra e no ar, com um total de 15 eventos distribuídos” pelas cidades do Porto, de Gaia, da Maia e de Matosinhos.

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Devolvidas 10 milhões de embalagens em 2 meses do Sistema de Depósito e Reembolso

O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) recolheu mais de 10 milhões de embalagens desde que entrou em funcionamento, há dois meses, nos mais de 2.500 pontos ‘Volta’ distribuídos por todo o país, anunciou hoje a entidade gestora.

Em comunicado, a SDR Portugal – associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do sistema, operacional desde 10 abril, – considera que “este marco, alcançado ainda na fase de transição da operação, demonstra a efetiva adesão inicial dos cidadãos à ‘Volta’”.

“10 de junho, 10 milhões de habitantes, 10 milhões de embalagens devolvidas: uma coincidência simbólica que assinala a adesão dos consumidores à ‘Volta’”, enfatiza.

O sistema permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros, mediante a sua devolução nos mais de 2.500 pontos ‘Volta’ existentes em Portugal continental, Açores e Madeira, número que deverá aumentar para mais de 3.000 nos próximos meses.

A estes, juntam-se 50 quiosques ‘Volta’, sobretudo em zonas com forte presença do setor da hotelaria, restauração e cafetaria.

Para a SDR Portugal, este resultado “assume particular relevância tendo em conta que o sistema se encontra ainda numa fase de transição, com a entrada progressiva no mercado de embalagens identificadas com o símbolo ‘Volta’”.

“O valor alcançado – 10.006.067 embalagens recolhidas em apenas dois meses – reflete a participação expressiva dos consumidores e o compromisso das entidades aderentes ao SDR na estabilização de uma rede de recolha nacional, operacional e eficiente”, sustenta.

Citado no comunicado, o presidente da SDR Portugal destaca que este número “corresponde, em média, a uma embalagem devolvida por cada cidadão, mas representa muito mais do que um marco estatístico”.

“Estamos a assistir ao início de uma mudança de comportamentos e confiantes de que Portugal seguirá o percurso dos sistemas de depósito e reembolso mais bem-sucedidos da Europa, contribuindo para o cumprimento das exigentes metas europeias de circularidade e sustentabilidade”, afirma Leonardo Mathias.

Os dados de operação hoje divulgados indicam que as devoluções acontecem com maior frequência ao fim de semana, em especial aos domingos, no que a SDR Portugal diz evidenciar “a adaptação progressiva do sistema às rotinas da população”.

Até 09 de agosto, o sistema encontra-se num período de transição, em que coexistem no mercado embalagens com e sem o símbolo ‘Volta’, à medida que os produtos disponíveis vão sendo progressivamente substituídos pelas novas embalagens integradas na operação.

Assim, a aquisição de embalagens sem o símbolo ‘Volta’ não envolve o pagamento do valor de depósito associado, pelo que estas também não são aceites pelo sistema, devendo antes ser encaminhadas para os respetivos ecopontos.

Os pontos automáticos ‘Volta’ existentes nos supermercados e hipermercados e os quiosques reconhecem as embalagens elegíveis e permitem a devolução do valor de depósito sob diversas formas: vale convertível em numerário, vale de desconto no ponto de venda, carregado num cartão de fidelização ou através de outras soluções digitais, ainda em desenvolvimento. É também possível optar pela doação a instituições de cariz social.

As embalagens podem ser devolvidas em qualquer ponto ou quiosque, independentemente do local de compra, podendo também as embalagens adquiridas em estabelecimentos como cafés, restaurantes ou bares ser entregues nesses locais.

Para serem abrangidas, as garrafas e latas devem conter o símbolo ‘Volta’, o código de barras legível, estar vazias, não amolgadas ou amachucadas e, no caso das garrafas, com tampa.

Segundo destaca a entidade gestora, o SDR é “essencial para que Portugal cumpra as metas europeias de recolha seletiva e reciclagem de embalagens de bebidas de uso único, incluindo o objetivo de atingir 90% de recolha até 2029”.

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Portugal coloca 1.078 milhões em dívida a 9 e a 19 anos com juros até 3,894%

Portugal colocou esta quarta-feira 1.078 milhões de euros em Obrigações do Tesouro, numa operação marcada pela subida das taxas de juro exigidas pelos investidores, num contexto de maior incerteza geopolítica e de expectativas de manutenção de uma política monetária restritiva por parte do Banco Central Europeu (BCE).

Do montante global emitido, 636 milhões de euros correspondem a obrigações com maturidade em outubro de 2035, com uma taxa de juro de 3,342% e uma procura equivalente a 2,04 vezes a oferta. Já a linha com vencimento em abril de 2045 captou 442 milhões de euros, a uma taxa de 3,894%, tendo registado uma procura de 2,33 vezes o montante disponibilizado.

Na emissão a nove anos, a taxa ficou acima da registada no leilão realizado em março, quando o juro se fixou em 3,175%, refletindo um agravamento das condições de financiamento nos mercados.

“O aumento das taxas registado no leilão de hoje espelha o atual ambiente geopolítico, marcado pelos avanços e recuos do conflito com o Irão”, afirma Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa. Segundo o analista, “esta tensão tem introduzido maior instabilidade no mercado de dívida e alterado as perspetivas de inflação no médio prazo”.

Na sua análise, Filipe Silva considera que este enquadramento reforça a expectativa de uma política monetária mais restritiva. “Antecipa-se que o Banco Central Europeu avance com uma subida de 25 pontos base na reunião de junho, embora a materialização de novas pressões inflacionistas possa forçar os bancos centrais a adotar uma postura ainda mais restritiva”, sublinha.

O analista acrescenta ainda que, apesar de o BCE ter reiterado estar preparado para responder a um eventual choque energético, “o abrandamento económico que se faz sentir em várias economias torna cada vez mais complexa a tarefa de manter a inflação sob controlo”.

Apesar da subida dos juros, a operação voltou a revelar uma procura robusta por parte dos investidores, com as duas linhas de dívida a registarem uma procura superior ao dobro do montante colocado.

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Bruxelas poderá processar Portugal por falhas nas regras sobre transparência salarial

A Comissão Europeia está a analisar o estado da transposição das novas regras sobre transparência salarial pelos Estados-membros, incluindo Portugal, e poderá abrir um processo de infração por incumprimento, disse esta quarta-feira à Lusa fonte comunitária.

“Se um Estado-membro não tiver notificado as medidas de transposição no prazo legal, a Comissão avaliará a situação e poderá instaurar um processo de infração”, disse à Lusa um porta-voz do executivo comunitário.

“Até que a Comissão tenha avaliado formalmente os projetos de medidas nacionais notificados ou os processos legislativos em curso, não iremos especular sobre potenciais processos de infração futuros”, acrescentou.

A mesma fonte salientou ser “da máxima importância que os Estados-membros transponham a diretiva de forma rápida e eficaz, de modo a que os parceiros sociais, os empregadores e os trabalhadores beneficiem de segurança jurídica”.

O prazo para a transposição para a legislação nacional da Diretiva sobre Transparência Salarial terminou no dia 7.

Esta diretiva verte em lei aplicável o princípio consagrado no Tratado de salário igual para trabalho igual ou de valor igual entre mulheres e homens e, refere ainda o porta-voz, a prioridade da Comissão, desde a adição das novas regras em 2023, “continua a ser a transposição atempada e correta da diretiva que resulte numa mudança real para os trabalhadores e em particular para as mulheres”.

Ao abrigo das novas regras, os empregadores são obrigados a divulgar a faixa salarial inicial ou o salário base nos anúncios das vagas ou antes da entrevista e os funcionários têm o direito de solicitar por escrito informações sobre o seu nível salarial individual e sobre os níveis médios de remuneração, discriminados por sexo, para categorias de trabalhadores que desempenham funções equivalentes.

As empresas da UE têm ainda de tomar medidas se a disparidade remuneratória em função do género for superior a 5%.

A diretiva inclui igualmente disposições sobre a indemnização das vítimas de discriminação remuneratória e sanções, incluindo coimas, para os empregadores que violem as regras.

Segundo dados de Bruxelas, a falta de transparência salarial foi identificada como um dos principais obstáculos à eliminação da disparidade salarial entre homens e mulheres, que se mantém em cerca de 11%, o que significa que as mulheres ganham, em média, menos 11% do que os homens por hora por trabalho igual ou de valor igual, de acordo com informação do Eurostat relativa a 2024.

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Irão: China pede “calma e moderação” após ataques dos Estados Unidos e retaliação

A China apelou esta quarta-feira à “calma e moderação” após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adotem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões.

Lin afirmou ainda que os diferendos devem ser resolvidos por meios políticos e diplomáticos e defendeu a concretização, “o mais rapidamente possível”, de um cessar-fogo “abrangente e duradouro”.

As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem realizado três vagas de ataques contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache norte-americano no estreito de Ormuz, uma operação à qual Teerão respondeu com ataques contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein.

O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reafirmou hoje o “direito à autodefesa” da República Islâmica e advertiu os países do Golfo sobre a sua “responsabilidade” em impedir que os Estados Unidos utilizem os seus territórios para atacar o Irão.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein, enquanto a Jordânia assegurou ter intercetado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais.

A nova escalada ocorre apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que continua a ser possível alcançar um acordo com Teerão dentro de “dois ou três dias”, após várias semanas de negociações com a República Islâmica.

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10 Junho: Presidente da República atribui três condecorações nas comemorações na Madeira

O Presidente da República, António José Seguro, vai condecorar, na quinta-feira, uma personalidade e duas entidades no âmbito das comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades, na sua primeira visita oficial.

Segundo a informação disponibilizada na página oficial da Presidência da República, o Chefe de Estado que tem chegada prevista à Madeira às 12:40, tendo como foco a celebração dos 40 anos da autonomia e da adesão de Portugal na União Europeia.

Uma das condecorações será atribuída a Eduardo Luis Mendes Rodrigues, o presidente da Associação Teatro Experimental do Funchal (ATEF), fundada em 1975.

Também serão agraciadas a Banda Municipal de Santana e o Centro da Mãe- Associação de Solidariedade Social que tem como missão “o apoio à família, a defesa da vida humana e a promoção da dignidade da mulher”, fundada em 1999, que se dedica “ao apoio especializado a jovens grávidas, mães e respetivos filhos em situação de vulnerabilidade”.

A cerimónia de imposição das insígnias está marcada para as 16:30 no Palácio de São Lourenço no Funchal.

No primeiro dia da visita, António José Seguro ainda vai à Universidade da Madeira, à Startup Madeira – Incubadora de Empresas e à ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, no Campus da Penteada às 14:45.

Às 17:00 vai decorrer a cerimónia de apresentação do livro “50 anos de Autonomia Regional 1976-2026”, do Professor Rui Carita, e a inauguração da exposição fotográfica “50 anos de Autonomia”, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira.

O dia termina com um jantar oferecido pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, na Quinta Vigia, a residência oficial do líder madeirense.

No dia seguinte (12 de junho), do programa consta a cerimónia comemorativa dos 50 anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira e dos 40 anos da Adesão de Portugal à União Europeia – Assinatura da Declaração do Funchal, que tem como palco a Fortaleza de São João Baptista do Pico, Funchal, pelas 10:00.

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BCE colocou restrições à Revolut devido à rapidez de aprovação de novos produtos financeiros

BCE

O Banco Central Europeu (BCE) tomou medidas para restringir as operações da fintech Revolut no ano passado, avançou esta quarta-feira o Financial Times. Estas limitações à filial europeia da fintech, com sede no Reino Unido, deveu-se às preocupações sobre a rapidez com que a empresa aprovava novos produtos financeiros.

De acordo com fontes consultadas pela publicação britânica estas restrições temporárias, que foram aplicadas no verão passado, continuariam em vigor até que fossem corrigidas as “deficiências” nos processos de aprovação. A Revolut foi obrigada a realizar uma revisão por terceiros das suas funções de risco, conformidade e jurídicas que regem os lançamentos de novos produtos na Europa.

O Financial Times adianta também que as restrições foram ainda mais apertadas fora do bloco para a filial europeia da Revolut, impedindo-a de fazer aquisições ou de conquistar novos clientes fora do continente.

A publicação britânica referiu que o conselho europeu da Revolut foi informado das restrições em julho de 2025. Uma fonte referiu ao Financial Times que, desde o verão passado, a Revolut melhorou o seu processo interno de lançamento de produtos, com análises mais rigorosas de novas iniciativas por parte de especialistas internos.

A Revolut citada pela publicação britânica referiu que mantém um “diálogo contínuo e construtivo” com os seus reguladores, incluindo o Banco Central Europeu, como parte das suas operações normais enquanto banco totalmente licenciado. “A Revolut está empenhada nos mais elevados padrões de governação e gestão de riscos. Em conformidade com as expectativas de supervisão, reforçamos regularmente o nosso ambiente de controlo interno e os nossos processos operacionais”, acrescentou a fintech.

Já o BCE não prestou comentários.

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Risco digital começa antes do impacto: KPMG defende antecipação como fator crítico para as empresas

A cibersegurança deixou de ser apenas uma preocupação tecnológica para assumir um papel central na competitividade, na confiança e no crescimento das organizações. Esta é uma das principais conclusões do relatório Cybersecurity Considerations 2026, da KPMG, que alerta para a necessidade de uma abordagem mais preventiva e integrada face ao aumento das ameaças digitais.

Segundo o estudo, que reúne contributos de mais de duas dezenas de especialistas internacionais, 79% dos CEOs globais consideram o cibercrime e a insegurança digital como a maior ameaça aos seus negócios, ultrapassando fatores como a pressão regulamentar (69%) e os conflitos geopolíticos (57%).

A consultora  destaca que os ciberataques começam muito antes do seu impacto se tornar visível, explorando vulnerabilidades que servem de porta de entrada para operações cada vez mais sofisticadas. Neste contexto, a antecipação surge como um elemento-chave para reforçar a resiliência das organizações, numa altura em que a inteligência artificial (IA), a fragmentação geopolítica e a evolução da regulamentação estão a transformar o panorama do risco digital.

“A confiança digital é hoje um diferencial competitivo. À medida que a IA amplia capacidades – tanto de atacantes como de defensores – é essencial gerir o risco associado a identidades não humanas em toda a cadeia de valor. Segurança e compliance não têm de ser um travão à inovação; pelo contrário, podem ser um catalisador, ao garantirem resiliência digital”, afirma Sérgio Martins, Cybersecurity Partner da KPMG Portugal.

O relatório identifica a inteligência artificial como o principal motor de transformação do ciberespaço. Se, por um lado, os atacantes recorrem à automação, à IA generativa e a agentes autónomos para escalar ataques, por outro, as empresas utilizam estas mesmas tecnologias para detetar ameaças em tempo real e responder com maior rapidez a incidentes.

De acordo com os dados apresentados, 92% dos executivos do setor tecnológico acreditam que a gestão de agentes autónomos de IA será uma competência essencial nos próximos cinco anos. Ainda assim, a confiança pública continua a ser um desafio: mais de metade da população mundial (54%) afirma desconfiar da utilização desta tecnologia, reforçando a necessidade de mecanismos robustos de segurança e governação.

Entre as principais tendências destacadas pela KPMG está o crescimento exponencial das chamadas identidades não humanas – contas de serviço, máquinas, aplicações e agentes de IA –, que já superam largamente o número de utilizadores humanos nas organizações.

Esta realidade está a ampliar a superfície de ataque. O estudo revela que 59% das empresas foram vítimas, no último ano, de uma violação de segurança provocada por terceiros, frequentemente através da exploração de credenciais de máquinas com permissões excessivas. A consultora alerta mesmo que a próxima grande falha de segurança poderá resultar não de um erro humano, mas de uma máquina a operar sem controlo adequado.

Geopolítica, regulação e cadeia de abastecimento redefinem a segurança

A crescente tensão geopolítica e o reforço do quadro regulatório estão também a obrigar empresas e entidades públicas a repensarem as suas infraestruturas tecnológicas, a relação com fornecedores e a localização dos dados.

Na União Europeia, diretivas como a NIS2, a DORA e a CER estão a deslocar o foco da simples proteção da informação para a resiliência operacional, exigindo que as organizações demonstrem capacidade para resistir, responder e recuperar de incidentes cibernéticos, especialmente em setores críticos como energia, telecomunicações, saúde e banca.

Ao mesmo tempo, a cadeia de abastecimento está a transformar-se numa verdadeira “attack chain”. A dependência de fornecedores de serviços cloud, software, inteligência artificial e serviços digitais faz com que o risco cibernético se estenda a todo o ecossistema empresarial. Segundo a KPMG, a resiliência da supply chain é atualmente o principal fator a influenciar as decisões de negócio a curto prazo, enquanto 45% das organizações admitem que o risco regulamentar associado a terceiros aumentou significativamente.

Perante este cenário, o papel do Chief Information Security Officer (CISO) está também a evoluir. O responsável pela segurança da informação deixa de ser apenas um gestor técnico para assumir uma função estratégica, contribuindo para integrar a segurança nos processos de inovação, na adoção da inteligência artificial e no crescimento sustentável das empresas.

A mensagem do relatório é clara: num contexto marcado pela incerteza tecnológica e geopolítica, a cibersegurança já não é apenas uma questão de defesa. É um ativo económico, um fator de diferenciação competitiva e uma condição essencial para reforçar a confiança digital.

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Bolsa de Lisboa e Europa abrem no verde

A bolsa de Lisboa abre a sessão desta quarta-feira com uma subida de 0,13% para os 8.914,13 pontos. Os principais índices europeus estão também no verde.

As maiores subidas na bolsa portuguesa vão para a Mota-Engil que valoriza 1,34% para os 4,53 euros, seguida pela Corticeira Amorim que sobe 1,23% para os 6,59 euros, e a REN avança 0,86% para os 3,50 euros.
A negociar no verde está também o Banco Comercial Português (BCP), a EDP, a Galp Energia, os CTT, a Navigator, e a Jerónimo Martins.
No vermelho encontra-se a Ibersol que desce 1,17% para os 10,12 euros, seguida pela Teixeira Duarte que desvaloriza 0,97% para os 0,40 euros, e a Semapa cai 0,65% para os 23,05 euros.
A negociar no vermelho está ainda a NOS.

Europa está no verde

O DAX (Alemanha) sobe 0,32% para os 24.496,85 pontos, o CAC 40 (França) avança 0,15% para os 8.215,38 pontos, e o FTSE 100 (Reino Unido) está inalterado nos 10.227,09 pontos.

O AEX (Países Baixos) sobe 0,13% para os 1.048,18 pontos, o IBEX 35 (Espanha) valoriza 0,36% para os 18.251,76 pontos, e o FTSE MIB (Itália) avança 0,56% para os 50.543,50 pontos.

O petróleo está a negociar em alta com o brent a subir 0,02% para os 91,47 dólares e o crude valoriza 0,01% para os 88,21 dólares.

O euro está a subir 0,08%, face ao dólar, para os 1,15481 dólares e o euro valoriza 0,02%, face à libra, para as 0,86296 libras.

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Plataforma de financiamento colaborativo imobiliário lança primeiro projeto residencial em Turim

A Wecity, plataforma digital de financiamento colaborativo imobiliário, anunciou a sua entrada no mercado italiano, no que é considerado mais um passo na estratégia de expansão internacional da empresa. A operação arranca com um projeto de desenvolvimento residencial em Turim, uma das principais cidades económicas da região do Piemonte, no norte de Itália.

Através do seu modelo de financiamento alternativo e participativo, a plataforma vai permitir que investidores particulares e institucionais participem na aquisição, remodelação e posterior venda de 12 apartamentos localizados no edifício da Via Sacchi 16, numa operação desenvolvida em parceria com o promotor imobiliário LoBa Invest.

O projeto prevê um financiamento total de 1,45 milhões de euros, estruturado em duas fases. A primeira tranche, de 1 milhão de euros, destina-se a suportar parte da aquisição do imóvel e o arranque das obras, enquanto a segunda, de 450 mil euros, financiará a conclusão da intervenção.

Segundo a empresa, o promotor assegura um investimento próprio de 570 mil euros, reforçando a robustez da operação. Para os investidores da plataforma, o projeto oferece uma taxa de juro anual de 11%, com um prazo estimado de nove meses, acrescido de uma eventual prorrogação de três meses, estando ainda garantido por uma hipoteca de primeiro grau sobre a totalidade das habitações.

A entrada em Itália surge num contexto de crescente necessidade de soluções alternativas de financiamento para o setor residencial. A Wecity considera que o mercado italiano apresenta características semelhantes às de Portugal e Espanha, nomeadamente um défice estrutural de oferta habitacional e uma procura crescente por mecanismos de financiamento mais ágeis e flexíveis.

“A Itália reúne características semelhantes às de Portugal e Espanha: forte procura habitacional, interesse dos investidores e necessidade de novas soluções de financiamento. Acreditamos que a experiência acumulada pela Wecity nestes mercados nos permitirá contribuir para o desenvolvimento de novos projetos residenciais e oferecer oportunidades atrativas aos investidores”, afirma Antonio Mañas, CEO da Wecity.

A plataforma chega a Itália depois de consolidar a sua atividade em Espanha e em Portugal, onde opera há cerca de três anos. O mercado italiano representa, assim, o segundo grande passo da expansão internacional da empresa, que sublinha ainda o seu compromisso com a transparência e com o enquadramento regulamentar europeu, operando ao abrigo do regime ECSP (European Crowdfunding Service Providers).

Até ao momento, a Wecity já financiou mais de 255 milhões de euros através de 192 projetos imobiliários. Em Portugal, o volume financiado atingiu 11,9 milhões de euros em 2025 e, apenas nos primeiros cinco meses deste ano, a plataforma já ultrapassou esse valor, com 12,7 milhões de euros financiados, superando o total registado durante todo o ano anterior.

Fundada em Espanha e com presença em Portugal, a Wecity atua como uma plataforma digital que liga promotores imobiliários e investidores num ecossistema colaborativo. Nos últimos cinco anos, financiou cerca de 250 milhões de euros em projetos imobiliários e afirma liderar, no mercado europeu de financiamento colaborativo, o rácio de reembolso de empréstimos. Enquanto Prestador de Serviços de Financiamento Colaborativo autorizado, a empresa está habilitada a prestar serviços em Portugal.

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Era Agêntica: 80% das pesquisas já incluem IA e obrigam marcas a reinventar estratégias

A crescente integração da Inteligência Artificial (IA) nos motores de pesquisa está a transformar profundamente o marketing digital, obrigando as marcas a competir não apenas pela atenção dos consumidores, mas também pela recomendação dos próprios sistemas de IA. A conclusão foi destacada no evento “What’s Next in the Agentic Era: Disrupção no Marketing, Media e Medição”, promovido pela Incubeta em parceria com a Google, que reuniu em Lisboa profissionais das áreas de marketing, media, dados e tecnologia.

Segundo Michael Ossendrijver, Group Chief Solutions Officer da Incubeta Global, “o manual tradicional do marketing digital foi reescrito”, sublinhando que os consumidores procuram cada vez mais respostas diretas, em vez de navegarem por múltiplos resultados. “Mindshare is becoming Model Share”, afirmou, sintetizando a mudança de paradigma.

De acordo com o responsável, cerca de 80% das pesquisas já apresentam respostas geradas por IA, tendência que deverá intensificar-se nos próximos anos. Em paralelo, o tráfego proveniente de sistemas de IA para plataformas de comércio eletrónico registou um crescimento de 393% face ao ano anterior, com taxas de conversão 42% superiores às do tráfego digital tradicional.

Este novo contexto está a alterar o papel dos agentes digitais, que passam a mediar a relação entre consumidores e marcas. O tradicional funil de marketing — baseado em pesquisas, cliques e navegação em websites — dá lugar a um modelo em que a decisão é cada vez mais influenciada por recomendações automatizadas.

Apesar da rápida evolução, a maioria das empresas ainda não está preparada para esta transformação. Dados da Incubeta indicam que 81% dos profissionais de marketing admitem não ter uma estratégia clara para interpretar e operacionalizar métricas relacionadas com IA.

Também Patrícia Nabeto, country manager da Incubeta em Portugal, alertou para a ausência de uma abordagem estruturada à adoção da tecnologia. “A verdade é que não há uma estratégia para o uso de Inteligência Artificial nas empresas”, afirmou.

Um estudo da empresa junto de líderes de marketing e executivos dos setores do retalho e comércio eletrónico revela ainda inconsistências na perceção de desempenho: embora 70,4% considerem eficaz a aplicação dos orçamentos, apenas 41,6% reconhecem que uma parte significativa do investimento não gera o retorno esperado.

A responsável destaca ainda o chamado “Imposto da Ineficiência”, apontando que muitas organizações continuam a aumentar os seus orçamentos — 73,6% fazem-no anualmente — sem resolver falhas estruturais, o que resulta na amplificação de ineficiências operacionais.

No plano estratégico, a adoção de IA é amplamente reconhecida como crítica: 77% dos líderes acreditam no seu impacto positivo no desempenho, mas apenas 55% dizem ter capacidade para a implementar eficazmente. Além disso, 12% das empresas ainda não utilizam IA nas suas operações de marketing.

O evento evidenciou também a emergência do conceito de “Agentic Commerce”, em que agentes de IA passam a intermediar a descoberta e recomendação de produtos. Neste cenário, a visibilidade baseada em SEO perde relevância, sendo substituída pela capacidade das marcas de comunicarem eficazmente com os algoritmos que orientam as decisões de compra.

A mudança implica uma revisão das estratégias de conteúdo, com menor foco em palavras-chave e maior aposta em descrições semânticas e informativas que facilitem a interpretação por modelos de linguagem.

Com a participação de empresas como Farfetch, Google, Sonae MC, Vodafone e Worten, o encontro reforçou a ideia de que a chamada Era Agêntica representa uma transformação estrutural na forma como as marcas criam valor e competem num ecossistema digital cada vez mais mediado por inteligência artificial.

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Benfica confirma saída de José Mourinho para o Real Madrid por 15 milhões de euros

O Sport Lisboa e Benfica oficializou junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), na terça-feira, a saída de José Mourinho para o Real Madrid por 15 milhões de euros.

“A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD (“Benfica SAD”) informa que o Real Madrid CF formalizou a intenção de
contratar o treinador José Mário dos Santos Mourinho Félix pelo valor de 15 milhões de euros correspondente à cláusula de rescisão do contrato de trabalho desportivo em vigor, tendo o treinador dado o seu acordo a essa contratação”, referiu o clube português.

No passado domingo Florentino Pérez venceu as eleições no Real Madrid frente a Enrique Riquelme.

Durante a campanha eleitoral Florentino Pérez tinha prometido contratar o treinador português, algo que agora acaba por oficializar.

José Mourinho regressa assim ao Real Madrid clube espanhol no qual entrou em 2010 para sair em 2013. Pelo clube espanhol o treinador português venceu uma liga espanhola, uma taça de Espanha, e uma supertaça de Espanha.

Benfica chega a acordo com Marco Silva

O Benfica com a saída de José Mourinho confirmou, junto da CMVM, na terça-feira, que “chegou a acordo com o treinador Marco Alexandre Saraiva da Silva (Marco Silva) para a celebração de um contrato de trabalho desportivo para vigorar até ao final da época desportiva 2027/2028, extensível até 2028/2029″.

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