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Portugal coloca 1.078 milhões em dívida a 9 e a 19 anos com juros até 3,894%

10 June 2026 at 11:20

Portugal colocou esta quarta-feira 1.078 milhões de euros em Obrigações do Tesouro, numa operação marcada pela subida das taxas de juro exigidas pelos investidores, num contexto de maior incerteza geopolítica e de expectativas de manutenção de uma política monetária restritiva por parte do Banco Central Europeu (BCE).

Do montante global emitido, 636 milhões de euros correspondem a obrigações com maturidade em outubro de 2035, com uma taxa de juro de 3,342% e uma procura equivalente a 2,04 vezes a oferta. Já a linha com vencimento em abril de 2045 captou 442 milhões de euros, a uma taxa de 3,894%, tendo registado uma procura de 2,33 vezes o montante disponibilizado.

Na emissão a nove anos, a taxa ficou acima da registada no leilão realizado em março, quando o juro se fixou em 3,175%, refletindo um agravamento das condições de financiamento nos mercados.

“O aumento das taxas registado no leilão de hoje espelha o atual ambiente geopolítico, marcado pelos avanços e recuos do conflito com o Irão”, afirma Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa. Segundo o analista, “esta tensão tem introduzido maior instabilidade no mercado de dívida e alterado as perspetivas de inflação no médio prazo”.

Na sua análise, Filipe Silva considera que este enquadramento reforça a expectativa de uma política monetária mais restritiva. “Antecipa-se que o Banco Central Europeu avance com uma subida de 25 pontos base na reunião de junho, embora a materialização de novas pressões inflacionistas possa forçar os bancos centrais a adotar uma postura ainda mais restritiva”, sublinha.

O analista acrescenta ainda que, apesar de o BCE ter reiterado estar preparado para responder a um eventual choque energético, “o abrandamento económico que se faz sentir em várias economias torna cada vez mais complexa a tarefa de manter a inflação sob controlo”.

Apesar da subida dos juros, a operação voltou a revelar uma procura robusta por parte dos investidores, com as duas linhas de dívida a registarem uma procura superior ao dobro do montante colocado.

IGCP volta ao mercado com leilões de OT a 9 e 19 anos até 1,25 mil milhões de euros

5 June 2026 at 13:38

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) anunciou a realização, no próximo dia 10 de junho, pelas 10h30, de dois leilões de Obrigações do Tesouro (OT), com maturidade em 12 de outubro de 2035 e 15 de fevereiro de 2045.  O montante indicativo global da operação situa-se entre 1.000 milhões e 1.250 milhões de euros.

As duas linhas correspondem, respetivamente, a prazos remanescentes de cerca de 9 anos e 19 anos, permitindo ao Estado português continuar a assegurar financiamento de longo prazo num contexto em que os investidores permanecem atentos à evolução da inflação, da política monetária e dos riscos geopolíticos.

A nova operação surge após dois leilões realizados este ano pelo Tesouro português que evidenciaram uma procura sólida, embora acompanhada por alguma pressão ascendente sobre as taxas de juro.

No mais recente leilão, realizado a 12 de maio, Portugal colocou 1.426 milhões de euros em OT. A emissão incluiu uma linha a quatro anos, com vencimento em outubro de 2030, no montante de 671 milhões de euros e uma yield de 2,834%, e uma linha a dez anos, com vencimento em junho de 2036, no valor de 755 milhões de euros e uma yield de 3,452%. A procura superou duas vezes a oferta em ambas as maturidades, com rácios de cobertura de 2,07 e 2,05 vezes, respetivamente.

Na altura, Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa, destacou que a subida da taxa da linha a dez anos face ao leilão de abril — de 3,304% para 3,452% — refletia um ajustamento das expectativas dos investidores relativamente às condições macroeconómicas e à perceção de risco no médio e longo prazo.

Já no leilão de 11 de março, o Tesouro captou 1.410 milhões de euros através de OT a sete e nove anos. A linha com vencimento em outubro de 2033 registou uma yield de 3,009% e uma procura equivalente a 1,92 vezes a oferta, enquanto a linha com vencimento em abril de 2035 apresentou uma yield de 3,175% e um rácio de cobertura de 1,89 vezes.

Segundo Filipe Silva, o agravamento das taxas observado nessa operação refletia o aumento da volatilidade nos mercados obrigacionistas e a revisão das expectativas dos investidores relativamente à inflação, num contexto marcado pelas tensões geopolíticas envolvendo o Irão.

O leilão de 10 de junho permitirá assim aferir o apetite dos investidores por dívida portuguesa em prazos mais longos, especialmente na nova referência com vencimento em 2045. A comparação com a emissão de março poderá ser particularmente relevante para a linha de outubro de 2035, cuja maturidade é semelhante à OT abril de 2035 colocada há três meses com uma yield de 3,175%.

Os resultados serão também um indicador importante da evolução dos custos de financiamento do Estado português numa fase em que os mercados continuam a ajustar as suas expectativas quanto à trajetória futura das taxas de juro na Zona Euro.

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