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Em quatro horas, GNR deteta 264 condutores sob influência do álcool e detém 78 pessoas

Na Área Metropolitana de Lisboa, a Unidade Nacional de Trânsito (UNT) da Guarda Nacional Republicana (GNR), no dia 14 de junho de 2026, entre as 04:00 e as 08:00 horas, desencadeou uma ação especial de fiscalização rodoviária direcionada para um dos principais fatores de risco da sinistralidade rodoviária que é a condução sob influência do álcool, em virtude das Festas dos Santos Populares da Cidade de Lisboa.

Segundo a GNR, a operação decorreu de forma concertada e coordenada pela Unidade Nacional de Trânsito, incidindo nos períodos horários e locais previamente identificados através da análise da informação operacional e do risco rodoviário, permitindo concentrar os meios de fiscalização nos principais eixos rodoviários da Área Metropolitana de Lisboa, onde a circulação apresenta maior intensidade e onde os comportamentos de risco podem produzir consequências mais gravosas.

A ação foi desenvolvida na Ponte Vasco da Gama (Alcochete)Autoestrada n.º 1 (A1) – Alverca, Autoestrada n.º 2 (A2) – Seixal, Autoestrada n.º 5 (A5) – OeirasAutoestrada n.º 8 (A8) – Loures e Itinerário Complementar n.º 20 (IC20) – Almada.

O balanço feito sobre as quatro horas de fiscalização, diz-nos que foram controlados 2.989 condutores, tendo sido detetados 264 excessos de álcool no sangue, dos quais 66 condutores foram detidos por conduzirem com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, constituindo crime de condução em estado de embriaguez.

Da operação resultaram ainda 78 detenções, das quais: 66 por condução em estado de embriaguez; 7 por falta de habilitação legal para conduzir; e 5 por outros ilícitos criminais
Foram ainda elaborados 236 autos de notícia por contraordenações rodoviárias.

Ressalte-se que todos os condutores fiscalizados e que se revelaram embriagados ou sob influência de álcool, segundo a GNR, foram imediatamente impedidos de continuar a conduzir durante um período mínimo de 12 horas, deixando de representar um risco imediato para a circulação rodoviária e para a segurança dos restantes utentes da via.

Desta forma, cada condutor impedido de continuar a conduzir sob influência do álcool representa um risco potencialmente evitado na estrada. O impedimento imediato destes comportamentos permite reduzir a probabilidade de ocorrência de acidentes graves, protegendo não apenas os próprios condutores, mas também os passageiros, peões e demais utilizadores da via pública.

A Guarda destaca ainda que entre as ocorrências registadas, intercetou um cidadão estrangeiro, de 36 anos de idade, sobre o qual pendia um Mandado de Detenção Europeu para cumprimento de pena pela prática do crime de tráfico de estupefacientes, tendo o mesmo sido imediatamente detido e levado à presença de Juiz no Tribunal da Relação de Lisboa.

Para esta operação foram mobilizados 164 militares, tendo a ação sido desenvolvida de forma coordenada pela Unidade Nacional de Trânsito, através dos seus Destacamentos de Ação de Conjunto, contando igualmente com o empenhamento dos Destacamentos de Trânsito territorialmente competentes, num dispositivo orientado para o controlo de fluxos rodoviários, mitigação do risco rodoviário e combate aos principais fatores associados à sinistralidade grave e à criminalidade cometida em ambiente rodoviário.

Como ficou demonstrado, para além do combate às infrações rodoviárias e outras, estas operações permitem identificar indivíduos procurados pela justiça, condutores sem habilitação legal e outros comportamentos suscetíveis de comprometer a segurança dos utentes da via, contribuindo para uma resposta integrada aos riscos presentes no ambiente rodoviário”, relembra a GNR no seu comunicado.

Edições regionais de O Pasquim em SP e RS ganham acervo digital

Logo Agência Brasil

Abertura política no país, lançamento do Plano Cruzado, fim da fabricação do fusca, acidente radioativo em Chernobyl. Foi em meio a esse cenário que, em 1986, os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul ganharam edições regionais de O Pasquim. 

O periódico, que havia se consolidado no Rio de Janeiro em plena ditadura militar, com uma linha editorial irreverente, crítica e, não raro, censurada, passou a falar com o sotaque desses dois estados por um curto período de tempo.  

Notícias relacionadas:

Para celebrar essa história, que completa quatro décadas, as 114 edições regionais do Pasquim foram digitalizadas e colocadas à disposição dos leitores na Biblioteca Nacional Digital. O acervo já incluía as 1.072 edições cariocas do jornal alternativo.

Quando surgiu a ideia de levar o Pasquim para São Paulo e para o Rio Grande do Sul, o tabloide já não tinha mais a relevância que teve nos anos 60 e 70. Dois jornalistas tomaram lideraram o projeto, movidos pela admiração que sentiam por essa que foi uma das marcas do jornalismo brasileiro. 

Em São Paulo, o jovem Paulo Markun embarcou na aventura (definição dele próprio), levando consigo Manoel Canabarro e apoiado por Dante Matiussi.

Assim que soube que o jornal se abriria a outros mercados, Flávio Braga pegou um ônibus do Rio Grande do Sul rumo ao Rio de Janeiro, disposto a convencer o cartunista Jaguar ─ na época, diretor de O Pasquim ─ a autorizar uma sucursal gaúcha.

Flávio acredita que as pessoas podem até saber da importância do Pasquim, mas dificilmente têm a real dimensão do que ele significou para toda uma geração. 

O jornalista exalta o papel transgressor expresso em artigos e entrevistas comandadas por nomes como Millôr Fernandes, Tarso de Castro, Sergio Cabral, Ruy Castro e Paulo Francis, além das charges e caricaturas de Jaguar, Henfil, Ziraldo. Tudo entremeado de palavrões, sátiras políticas e contracultura. "E isso em plena ditadura militar", pontua.

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

Pautas locais com a mesma irreverência

Uma das particularidades das edições regionais era a pauta. Os assuntos tratados eram locais, ainda que, eventualmente, utilizassem entrevistas e reportagens da matriz carioca. 

No Sul, o Pasquim manteve o tom satírico para, por exemplo, falar do típico "macho sulino", o que provocou confrontos e debates, lembra Flávio. 

Já em São Paulo, espelhou a "efervescência política, fruto do fim da ditadura, que tinha acabado pouquíssimo tempo antes", diz Markun.

As edições regionais expuseram também aspectos comportamentais típicos da contracultura e que eram muito mais visíveis no Rio de Janeiro, como, por exemplo, a liberdade sexual e o uso recreativo de drogas.

As sátiras políticas, responsáveis por boa parte do sucesso de O Pasquim, encontraram em políticos como Paulo Maluf um prato cheio. Governador do estado de São Paulo e, por duas vezes, prefeito da capital, Maluf não tinha o apoio político de nenhum dos colaboradores na regional paulista. 

"Todos eram contra o Maluf. Tinha os defensores do Eduardo Suplicy, que era do PT, do Orestes Quércia, que era do PMDB, e até do Antônio Ermínio de Moraes, que era, na época, do PTB, um empresário candidato pelo Partido Trabalhista Brasileiro, veja só", conta Markun.

Outra das particularidades de O Pasquim em suas edições regionais foi dar relevância ao trabalho de cartunistas e jornalistas locais. Em São Paulo, Markun, cita nomes como Marangoni, Régis, Laerte, Jau (Jaguar), Jô Soares, Augusto Nunes, Gabriel Priolli, Alberto Dines e Fernando Morais. 

“Aliás, os dois tiveram uma briga pública no Pasquim São Paulo, por conta da defesa de seus candidatos a governador", conta sobre Dines e Morais.

No Rio Grande do Sul, Flávio lembra: "Edgard Vasquez, que até hoje continua desenhando, Santiago, Bier (Augusto Franke Bier), Canini (Renato Vinícius Canini), o jornalista Reverbel e muitos outros. O jornal não existiria sem eles".

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

Sobrevivência no pós-ditadura

A subsistência financeira, crucial para qualquer publicação ontem e hoje, foi um dos aspectos determinantes para que O Pasquim durasse pouco mais de um ano, tanto em São Paulo quanto no Rio Grande do Sul.

No Sul, a redação ficava em Porto Alegre, e o tabloide se sustentou com parcerias estratégicas e anunciantes de peso, como a extinta companhia aérea Varig.

Em São Paulo, diz Markun, os anunciantes não eram muitos, e a venda avulsa era razoável, mas aquém do necessário. 

"Havia muita gente que ainda resistia à ideia de anunciar no Pasquim, por conta do passado mais irreverente", analisa Markun.

"Os cenários eram diferentes: no tempo da ditadura, o Pasquim foi um tal êxito de vendas que não foram os anúncios que deram dinheiro, foi a venda avulsa. Ele vendia 200 mil exemplares, um número impressionante", pontua.

Para Markun, a falta de clareza sobre qual seria o papel de um jornal alternativo, finda a ditadura, foi outro aspecto que tornou a sobrevivência das edições regionais difícil. 

"A imprensa tradicional já abria espaço para debates e discussões anteriormente proibidas, então, sobrava uma franja muito reduzida para a gente operar".

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

Digitalização

Esta semana, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) manteve, por unanimidade, a decisão que obriga uma produtora cultural a devolver à União R$ 812 mil captados por meio da Lei Rouanet, para o projeto de digitalização de “O Pasquim”. 

A produtora já tinha sido condenada em primeira instância pela Justiça Federal no Rio de Janeiro. O projeto havia sido aprovado pelo Ministério da Cultura e recebeu patrocínio da Petrobras. 

O problema surgiu na hora da prestação de contas, já que não foi comprovado que todo o acervo do jornal seria disponibilizado gratuitamente na internet.

Já a digitalização do acervo pela Biblioteca Nacional foi coordenada de forma voluntária pelo corretor de seguros Fernando Coelho dos Santos, outro admirador de O Pasquim, além de amigo de vários dos jornalistas e cartunistas que fizeram a fama do jornal. 

Depois que se aposentou, em 2016, Fernando trabalhou gratuitamente na digitalização do acervo original, das edições cariocas, e também coordenou uma exposição no SESC no cinquentenário do jornal, em 2019

Em seguida, o admirador do periódico alternativo trabalhou nas edições regionais de São Paulo e Rio Grande do Sul em conjunto com a Biblioteca Nacional, em um extenso trabalho de "formiguinha", que incluiu desde a reunião do material até a operacionalização técnica. De todas as edições publicadas regionalmente, faltou digitalizar apenas duas, que o corretor não conseguiu encontrar. 

"Hoje, o site do Pasquim dentro da Biblioteca Nacional Digital tem 100% do principal e 98% das duas franquias. E as franquias são uma coisa inédita, porque muitas pessoas não se lembram que elas existiram", conta.

Segundo Fernando, o trabalho foi uma espécie de doação. "Eu doei minha parte para essa história ficar. Tem tanta história! E fico muito feliz da Biblioteca Nacional Digital ter apoiado a ideia e ter ido além, porque o site é o único que tem tudo de um periódico que marcou época e é um dos mais importantes do Brasil".

Quem quiser saber mais sobre como era e o que significou O Pasquim, tanto nas edições originais, quanto na das franquias regionais, pode acessar o endereço: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/o-pasquim/

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

 

 

Edições regionais de O Pasquim em SP e RS ganham acervo digital

Logo Agência Brasil

Abertura política no país, lançamento do Plano Cruzado, fim da fabricação do fusca, acidente radioativo em Chernobyl. Foi em meio a esse cenário que, em 1986, os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul ganharam edições regionais de O Pasquim. 

O periódico, que havia se consolidado no Rio de Janeiro em plena ditadura militar, com uma linha editorial irreverente, crítica e, não raro, censurada, passou a falar com o sotaque desses dois estados por um curto período de tempo.  

Notícias relacionadas:

Para celebrar essa história, que completa quatro décadas, as 114 edições regionais do Pasquim foram digitalizadas e colocadas à disposição dos leitores na Biblioteca Nacional Digital. O acervo já incluía as 1.072 edições cariocas do jornal alternativo.

Quando surgiu a ideia de levar o Pasquim para São Paulo e para o Rio Grande do Sul, o tabloide já não tinha mais a relevância que teve nos anos 60 e 70. Dois jornalistas tomaram lideraram o projeto, movidos pela admiração que sentiam por essa que foi uma das marcas do jornalismo brasileiro. 

Em São Paulo, o jovem Paulo Markun embarcou na aventura (definição dele próprio), levando consigo Manoel Canabarro e apoiado por Dante Matiussi.

Assim que soube que o jornal se abriria a outros mercados, Flávio Braga pegou um ônibus do Rio Grande do Sul rumo ao Rio de Janeiro, disposto a convencer o cartunista Jaguar ─ na época, diretor de O Pasquim ─ a autorizar uma sucursal gaúcha.

Flávio acredita que as pessoas podem até saber da importância do Pasquim, mas dificilmente têm a real dimensão do que ele significou para toda uma geração. 

O jornalista exalta o papel transgressor expresso em artigos e entrevistas comandadas por nomes como Millôr Fernandes, Tarso de Castro, Sergio Cabral, Ruy Castro e Paulo Francis, além das charges e caricaturas de Jaguar, Henfil, Ziraldo. Tudo entremeado de palavrões, sátiras políticas e contracultura. "E isso em plena ditadura militar", pontua.

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

Pautas locais com a mesma irreverência

Uma das particularidades das edições regionais era a pauta. Os assuntos tratados eram locais, ainda que, eventualmente, utilizassem entrevistas e reportagens da matriz carioca. 

No Sul, o Pasquim manteve o tom satírico para, por exemplo, falar do típico "macho sulino", o que provocou confrontos e debates, lembra Flávio. 

Já em São Paulo, espelhou a "efervescência política, fruto do fim da ditadura, que tinha acabado pouquíssimo tempo antes", diz Markun.

As edições regionais expuseram também aspectos comportamentais típicos da contracultura e que eram muito mais visíveis no Rio de Janeiro, como, por exemplo, a liberdade sexual e o uso recreativo de drogas.

As sátiras políticas, responsáveis por boa parte do sucesso de O Pasquim, encontraram em políticos como Paulo Maluf um prato cheio. Governador do estado de São Paulo e, por duas vezes, prefeito da capital, Maluf não tinha o apoio político de nenhum dos colaboradores na regional paulista. 

"Todos eram contra o Maluf. Tinha os defensores do Eduardo Suplicy, que era do PT, do Orestes Quércia, que era do PMDB, e até do Antônio Ermínio de Moraes, que era, na época, do PTB, um empresário candidato pelo Partido Trabalhista Brasileiro, veja só", conta Markun.

Outra das particularidades de O Pasquim em suas edições regionais foi dar relevância ao trabalho de cartunistas e jornalistas locais. Em São Paulo, Markun, cita nomes como Marangoni, Régis, Laerte, Jau (Jaguar), Jô Soares, Augusto Nunes, Gabriel Priolli, Alberto Dines e Fernando Morais. 

“Aliás, os dois tiveram uma briga pública no Pasquim São Paulo, por conta da defesa de seus candidatos a governador", conta sobre Dines e Morais.

No Rio Grande do Sul, Flávio lembra: "Edgard Vasquez, que até hoje continua desenhando, Santiago, Bier (Augusto Franke Bier), Canini (Renato Vinícius Canini), o jornalista Reverbel e muitos outros. O jornal não existiria sem eles".

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

Sobrevivência no pós-ditadura

A subsistência financeira, crucial para qualquer publicação ontem e hoje, foi um dos aspectos determinantes para que O Pasquim durasse pouco mais de um ano, tanto em São Paulo quanto no Rio Grande do Sul.

No Sul, a redação ficava em Porto Alegre, e o tabloide se sustentou com parcerias estratégicas e anunciantes de peso, como a extinta companhia aérea Varig.

Em São Paulo, diz Markun, os anunciantes não eram muitos, e a venda avulsa era razoável, mas aquém do necessário. 

"Havia muita gente que ainda resistia à ideia de anunciar no Pasquim, por conta do passado mais irreverente", analisa Markun.

"Os cenários eram diferentes: no tempo da ditadura, o Pasquim foi um tal êxito de vendas que não foram os anúncios que deram dinheiro, foi a venda avulsa. Ele vendia 200 mil exemplares, um número impressionante", pontua.

Para Markun, a falta de clareza sobre qual seria o papel de um jornal alternativo, finda a ditadura, foi outro aspecto que tornou a sobrevivência das edições regionais difícil. 

"A imprensa tradicional já abria espaço para debates e discussões anteriormente proibidas, então, sobrava uma franja muito reduzida para a gente operar".

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

Digitalização

Esta semana, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) manteve, por unanimidade, a decisão que obriga uma produtora cultural a devolver à União R$ 812 mil captados por meio da Lei Rouanet, para o projeto de digitalização de “O Pasquim”. 

A produtora já tinha sido condenada em primeira instância pela Justiça Federal no Rio de Janeiro. O projeto havia sido aprovado pelo Ministério da Cultura e recebeu patrocínio da Petrobras. 

O problema surgiu na hora da prestação de contas, já que não foi comprovado que todo o acervo do jornal seria disponibilizado gratuitamente na internet.

Já a digitalização do acervo pela Biblioteca Nacional foi coordenada de forma voluntária pelo corretor de seguros Fernando Coelho dos Santos, outro admirador de O Pasquim, além de amigo de vários dos jornalistas e cartunistas que fizeram a fama do jornal. 

Depois que se aposentou, em 2016, Fernando trabalhou gratuitamente na digitalização do acervo original, das edições cariocas, e também coordenou uma exposição no SESC no cinquentenário do jornal, em 2019

Em seguida, o admirador do periódico alternativo trabalhou nas edições regionais de São Paulo e Rio Grande do Sul em conjunto com a Biblioteca Nacional, em um extenso trabalho de "formiguinha", que incluiu desde a reunião do material até a operacionalização técnica. De todas as edições publicadas regionalmente, faltou digitalizar apenas duas, que o corretor não conseguiu encontrar. 

"Hoje, o site do Pasquim dentro da Biblioteca Nacional Digital tem 100% do principal e 98% das duas franquias. E as franquias são uma coisa inédita, porque muitas pessoas não se lembram que elas existiram", conta.

Segundo Fernando, o trabalho foi uma espécie de doação. "Eu doei minha parte para essa história ficar. Tem tanta história! E fico muito feliz da Biblioteca Nacional Digital ter apoiado a ideia e ter ido além, porque o site é o único que tem tudo de um periódico que marcou época e é um dos mais importantes do Brasil".

Quem quiser saber mais sobre como era e o que significou O Pasquim, tanto nas edições originais, quanto na das franquias regionais, pode acessar o endereço: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/o-pasquim/

 

Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Paquim/Reprodução
Capa de edição do jornal O Pasquim. Foto: Pasquim/Reprodução

 

 

Caso suspeito de ebola é descartado em paciente no Rio Grande do Sul

14 June 2026 at 12:13

O Governo do Rio Grande do Sul descartou o caso suspeito de Ebola em um paciente de 64 anos na Grande Porto Alegre. O resultado negativo do exame analisado pela Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) foi divulgado na noite deste sábado (13).

O idoso tinha seu estado de saúde investigado desde a última quinta-feira (11), quando foi atendido em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo e, posteriormente, transferido para Porto Alegre.

Segundo a administração estadual, ele tem um histórico recente de permanência em Uganda, na África Ocidental, país que registra um surto da doença, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).. A análise do resultado pela Fiocruz foi comunicada ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde do estado gaúcho.

“A adoção imediata dos protocolos de vigilância demonstra a capacidade de resposta do sistema de saúde para situações que exigem investigação de doenças de potencial risco à saúde pública. O monitoramento do caso segue sendo realizado pelas equipes de assistência e vigilância em saúde”, explica a Secretária da Saúde, Lisiane Fagundes.

Durante a investigação, foi realizado teste rápido para malária, com resultado positivo para Plasmodium falciparum, sendo iniciado o tratamento específico. 

Nessa sexta-feira (12), o paciente havia sido transferido ao Grupo Hospital Conceição, em Porto Alegre. Neste sábado (13), amostras para o exame para a detecção de Ebola foram coletadas e enviadas para a Fiocruz.

A operação envolveu técnicos do Cevs e do Ministério da Saúde. As amostras foram transportadas por um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) até o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Recife entrega Praça Comandante Alex totalmente requalificada em Boa Viagem

13 June 2026 at 19:33

Os moradores do bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, contam agora com um espaço público totalmente renovado para o lazer e a convivência. Na manhã deste sábado (13), o prefeito Victor Marques entregou as obras de requalificação da Praça Comandante Alex, localizada na Rua José Aderval Chaves. A intervenção, executada pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), recebeu um investimento total de R$ 358 mil.

A modernização do espaço foi planejada para atender diretamente às demandas da própria comunidade. De acordo com o prefeito Victor Marques, a prefeitura ouviu os moradores antes de dar início ao projeto. "Ouvimos os moradores e um dos principais pedidos foi a implantação do parcão. A partir dessa escuta, fizemos uma requalificação completa, que agora oferece mais conforto, segurança e qualidade para quem vive e circula por aqui. Representa um ganho real para a população do entorno", destacou o gestor municipal.

Iniciadas em abril deste ano, as obras transformaram a infraestrutura e a paisagem da praça. O local recebeu piso intertravado, recuperação completa das áreas de circulação de pedestres, instalação de nova iluminação pública em tecnologia LED, projeto de paisagismo e novos bancos de concreto. Além disso, a principal novidade foi a criação de um "parcão", área destinada exclusivamente ao lazer de animais de estimação. O conjunto de melhorias visa qualificar o espaço para a convivência social e a prática de atividades físicas ao ar livre.

A intervenção na Praça Comandante Alex faz parte de um programa contínuo da gestão municipal voltado para a valorização dos espaços públicos e a melhoria da qualidade de vida nos bairros. Com essa inauguração, a Prefeitura do Recife atinge a marca de 105 praças recuperadas ou requalificadas no período entre 2021 e 2026. Ao todo, o montante investido pela administração municipal nesses espaços de lazer e convivência em diferentes regiões da capital pernambucana já supera os R$ 24,6 milhões.

© HÉLIA SCHEPPA/ PCR

Iniciadas em abril deste ano, as obras mudaram a paisagem da praça

Portugal de Lés-a-Lés: De Oásis em Oásis até ao descanso nas termas

Animação extraordinária ajudou a ultrapassar etapa abrasadora entre Alcochete e São Pedro do Sul

Foi um dia quente, muito quente mesmo, o vivido na segunda etapa do 28.º Portugal de Lés-a-Lés que levou a longa caravana mototurística de Alcochete a São Pedro do Sul. A temperatura andou regularmente acima dos 35º C e só a gigantesca animação nos setes (!) Oásis ajudou a ultrapassar as dificuldades dos 413 quilómetros ampliadas pela intensa canícula. Mais um dia de grande intensidade e elevada exigência para ficar na história da grande aventura gizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. Um ‘esforço’ que todos reconheceram “ter valido bem a pena”, num dia em que a regularidade foi palavra de ordem para cumprir o percurso dentro das 11 horas e 20 minutos previstas.

Talvez por isso os participantes apresentaram-se sem atrasos à partida da Avenida D. Manuel I, despedindo-se de Alcochete com Lisboa em pano de fundo, tentando também escapar à confusão do trânsito normal de uma sexta-feira, ampliada pelas centenas de motociclistas que só queriam sair dali rumo às estradas mais despovoadas da lezíria ribatejana. As longas retas até Santo Estevão ajudaram a acordar os mais renitentes, mas não preparam ninguém para a grande festa instalada pelos elementos do Almansor Motor Clube, com apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Benavente. O mais divertido dos controlos que contou com importante contributo da Cambota, a vaca que era necessário desafiar para conseguir o furinho na tarjeta que atesta a passagem na totalidade dos controlos horários.

Desafio e correrias à frente do pequeno bovino que abriram o apetite para as bifanas e chouriço assado bem como para a gigantesca variedade de bolos e doçarias a acompanhar o café do pote. Bolos de laranja, de iogurte, de bolacha, de noz, de cerveja, de lima, de limão, de coco, tartes de feijão e de amêndoa e tantos outros bolos caseiros, feitos e oferecidos por toda a comunidade de Santo Estevão. A oferta era tão extensa que a grande dificuldade estava mesmo na escolha.

Quem não teve esse embaraço foi o pequeno José Ledo que, aos sete anos, cumpriu um sonho que dura, imagine-se há quatro anos. Desde que o pai, com o mesmo nome, lhe ofereceu uma pequena moto que “chateia sem parar para vir ao Lés-a-Lés. E agora que tem idade legal para andar de moto não havia como não o trazer”. Misturando uma grande alegria com a timidez própria da idade, o mais pequeno dos Zés reconheceu, entre sorrisos, que “o calor fez sofrer um bocadinho, mas já estava preparado para aguentar”.

Mais interessante foi a resposta ao melhor momento desta grande aventura ao longo do País: “Sem dúvida as bolas de Berlim da Honda! Os bolos de Santo Estevão? Pareciam ótimos, mesmo sem ter provado, porque ainda estava muito cheio do pequeno-almoço no hotel”. E lá seguiu supersatisfeito à pendura do pai e com a companhia de amigos de Esposende, mas também de outras localidades do Minho e até da vizinha Galiza.

Valiosa e demonstrando grande conhecimento de causa, foi também a dica dada por Rodrigo Ribeiro em Santo Estevão de que “as vacas são mais perigosas porque marram de olhos abertos, ao contrário dos bois que fecham os olhos quando investem”. Curiosamente, o ex-deputado do PSD aprendeu esta singularidade bem conhecido do mundo tauromáquico graças aos ensinamentos de João Oliveira, ex-presidente da bancada parlamentar… do PCP.

Retas e mais retas… antes de muitas curvas

Saídos de Santo Estevão, lá continuaram as intermináveis retas num dia em que as paisagens foram bem mais variadas do que as estradas, que variaram entre as retas, até à travessia do Tejo, em Constância, seguindo-se um festival de curvas, com uma segunda parte da etapa em troços de montanha.

Retas que levaram o pelotão até Fazendas de Almeirim, onde foram bem exaltadas as tradições ribatejanas do toureio, mas também da sopa da pedra e do pampilho. Mais um arraial montado na Junta de Freguesia, com o apoio da BMW Motorrad, dos Aceleras da Charneca e d’Os Cagões das BMW, além da animação do Rancho Folclórico local, e que até contou com cerimoniosa visita do presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Joaquim Catalão.

Momento de festa ímpar, ora com uma tourinha, o boneco de touro para treinar as pegas de caras, ora dançando ao som de um artista local, ora cumprindo um dos principais desígnios do Lés-a-Lés: a descoberta gastronómica! Quer provando a bem conhecida sopa da pedra como o doce típico de Santarém, o pampilho, homenagem aos campinhos que na lezíria guardam os touros. O nome foi escolhido pela semelhança com a vara comprida usada pelos campinos para dirigir os animais, e o doce foi criado, há cerca de 30 anos, na Pastelaria Acides, local onde os alunos da Escola Agrária da região e a elite dos ‘forcados de Santarém’ se reuniam habitualmente para confraternizar.

Desta maneira foi criada uma doce homenagem às gentes ribatejanas, ligando os mais conhecidos ‘ex-líbris’ do Ribatejo (o touro e o cavalo), com um doce com cerca de 19/20 cm de comprimento por 4,5 cm de largura e 2 cm de espessura, numa cor amarelo-vidrada e tostada na parte superior, tendo como ingredientes farinha, açúcar em pó, ovos e manteiga e um recheio de doce de ovos com amêndoa.

Digestão dos bolos e da galhofa

Para fazer a digestão dos tesouros gastronómicos, mas também da barrigada de galhofa e boa disposição, nada como as estradinhas entre os verdejantes campos que aproveitam a fertilidade do vale do Tejo, antes da passagem por terras de fortes tradições no motocrosse. Benavente, Salvaterra de Magos, Glória do Ribatejo, Paço dos Negros e Raposa são nomes bem conhecidos dos adeptos da modalidade graças às pistas ali existentes.

E que ficarão na memória do galego Agustin Abalde Grela que viu a Serveta Jet 200 ficar com o depósito seco, talvez pela ‘estonteante’ velocidade que as longas retas permitiram a esta moto, fabricada em Espanha entre as décadas de 1960 e ’80 sob licença da Lambretta. Mais um problema “a juntar aos verificados no primeiro dia, quando a roda traseira desapertou-se ou as tampas laterais que caíram”. Quem parecia mais divertido com azares alheios era o companheiro, Pedro de La Fuente, normalmente vítima maior de todos os contratempos na sua Lambretta LI 150. E que, por esses e por outros obstáculos, só à terceira tentativa conseguiu cumprir o desejo de participar no Portugal de Lés-a-Lés. Primeiro foi a pandemia de Covid-19 em 2020 e no ano passado foram os problemas na máquina”.

Quem também teve problemas mecânicos foi o ex-piloto de enduro e Todo-o-Terreno Rodolfo Sampaio, que viu saltar o veio da transmissão da raríssima Honda 50 importada dos Estados Unidos. Uma falha já na parte final do dia que obrigou a reparação de improviso na berma da estrada, mas não ensombrou o mesmo sorriso que, curiosamente, se vira durante a manhã, mesmo à entrada de Santo Estevão, num grande cartaz de consultor imobiliário.

Lições gravadas na pedra

Também ele apreciou as vistas Oásis Yamaha/Bluemotor, com vistas sobre o Castelo de Almourol, onde o ‘road-book’ oferecia mais uma lição de história ao ensinar a muitos que as ameias da construção defensiva criada pelos mouros e reforçada pelo templário Gualdim Pais foram, afinal, colocadas durante o Estado Novo. E, depois da travessia por bucólicos azinhais e carvalhais, árvores que os motociclistas ajudam a proteger com a campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, tempo para novo Oásis, do Grupo Jomotos, em Santiago da Guarda, mesmo junto ao interessante Solar dos Condes de Castelo Melhor, antes de nova paragem em Vila Nova de Poiares, bem no centro da Capital da Chanfana.

Depois atravessando e bordejando o Mondego, a caravana foi vivendo a mudança de paisagens rumo a Penacova, com destino final à centenária Mata Nacional do Bussaco para mais uma animada e bem nutrida paragem na Porta de Sula. Local onde o Grupo Multimoto montou mais um Oásis, bem encostado aos muros que protegem a magia de mais de 40 hectares de uma floresta ímpar que a Fundação Mata do Bussaco gentilmente permitiu aceder de moto, passando pela Porta da Rainha rumo ao palácio mandado construir pelo Rei D. Carlos I e onde havia a obrigação de parar. Se não para apreciar o Palácio do Bussaco, pelo menos para fazer mais um furo na tarjeta, saindo depois pela Porta das Ameias em direção ao Luso.

Já com São Pedro do Sul no pensamento dos aventureiros, mais um Oásis, no espetacular parque de São João do Monte, onde a Cross-Pro ofereceu a água mais fresca do dia e um pão de chouriço, recheado também com cogumelos e azeitonas.

De barriga cheia, preparados para aguardar o momento de subida ao palanque, os mototuristas ainda tiveram tempo para uma boa dose de diversão no fantástico sobe-e-desce em estradas do Caramulo, pela Torre de Alcofra, a mais bem preservada das três de Vouzela, antes de passar pelas Termas de São Pedro do Sul e chegar, logo depois, à sede de concelho no Vale de Lafões. Local de onde parte a última tirada, até Vizela, que, mesmo sendo a mais curta, com ‘apenas’ 320 quilómetros de extensão será ‘osso duro de roer’. Ou não estivesse o Lés-a-Lés no norte de Portugal.

(Colaboração do Gabinete de Imprensa do Portugal de Lés-a-Lés)

Acordo com UE ampliou interesse do Canadá no Mercosul, diz governo

13 June 2026 at 09:00

Com a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, o governo brasileiro notou um aumento “significativo” no interesse de outros parceiros em negociações comerciais com o bloco sul-americano.

Depois do tratado histórico, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caminha para finalizar o quarto acordo de livre comércio fechado em quatro anos.

Segundo a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, há margem para fechar o acordo com o Canadá ainda em 2026.

Em maio, autoridades do Mercosul estiveram em Toronto para dar continuidade às negociações de um acordo de livre comércio do bloco. As reuniões levaram cinco capítulos do tratado à fase de encerramento.

Na avaliação de Tatiana Prazeres, o acordo comercial com a UE mostrou aos outros países que o Mercosul é capaz e tem interesse em concluir acordos comerciais relevantes.

Além disso, ela considera que o tratado acende um alerta nos outros parceiros de que há um concorrente tendo acesso preferencial aos mercados do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

“Os fatos dos europeus terem concluído um acordo que já está sendo implementado faz com que os outros vejam a nossa região de outra forma. Isso faz aumentar o interesse do Canadá e de outros pelo bloco do Mercosul”, disse Tatiana ao CNN Money.

Para fechar o acordo com os canadenses, ainda há algumas pendências relevantes em relação ao acesso de mercados. Entre as questões sendo negociadas, estão o cronograma da liberalização tarifária e regras de origem – tópicos centrais nesse tipo de negociação.

‘É natural que nesse momento da negociação haja uma combinação de interesses ofensivos e defensivos que ainda precisam ser equacionados”, disse a secretária.

Além da União Europeia, o bloco sul-americano já firmou acordos comerciais com EFTA e de Singapura. Na lista de negociações, o Mercosul busca avançar com a Indonésia, Vietnã, Índia, México e Emirados Árabes.

K-pop no Dia dos Namorados: 10 músicas românticas para conhecer

13 June 2026 at 00:15

O Dia dos Namorados também tem espaço para os kpoppers de plantão, apaixonados ou solteiros, que gostam de sofrer ao som das canções românticas do pop sul-coreano.

Para isso, a CNN Brasil reuniu 10 canções do gênero que não podem ficar de fora da sua playlist nesta sexta-feira (12). Confira:

“Buzz Love” – And Team

“Buzz Love” retrata a sensação emocionante de se apaixonar pela primeira vez. A música compara o amor a uma energia contagiante que toma conta dos pensamentos e faz o coração acelerar. A letra destaca a empolgação, a curiosidade e a felicidade de descobrir sentimentos novos por alguém especial.

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“Fall in Love Again” – P1harmony

“Fall In Love Again” fala sobre dar uma nova chance ao amor depois de uma decepção. O eu lírico tenta convencer alguém machucado por relacionamentos passados a confiar novamente, mostrando que nem todas as pessoas irão causar sofrimento.

“Fever” – Ennypen

“FEVER” utiliza a febre como metáfora para representar uma paixão intensa e avassaladora. A letra descreve um sentimento tão forte que causa dor e desejo ao mesmo tempo, mostrando alguém completamente consumido pela atração. O amor é retratado como algo irresistível, capaz de deixar a pessoa vulnerável e obcecada.

“Darl+ing” – Seventeen

“Darl+ing” aborda a busca por conforto e apoio emocional em uma pessoa especial. A música mostra alguém que deseja compartilhar seus sentimentos mais sinceros e construir uma relação baseada em confiança, carinho e compreensão. A mensagem principal é que o amor pode ajudar a superar inseguranças e momentos difíceis.

“Ready to Love” – Seventeen

“Ready to Love” retrata o momento em que alguém percebe que está pronto para amar de verdade. A letra expressa sentimentos intensos e a vontade de assumir os riscos de um relacionamento, deixando de lado dúvidas e medos para viver plenamente esse amor.

“Just One Day” – BTS

“Just One Day” fala sobre o desejo de passar apenas um dia ao lado da pessoa amada. A música descreve momentos simples, como conversar, caminhar e estar junto, mostrando que pequenas experiências podem se tornar especiais quando compartilhadas com alguém importante.

“Replay” – SHINee

“Replay” conta a história de um jovem apaixonado que admira profundamente uma pessoa mais experiente. A letra transmite a inocência do primeiro amor e o desejo de ser reconhecido como alguém maduro o suficiente para estar ao lado da pessoa que ama.

“Inception” – ATEEZ

“Inception” explora um amor tão intenso que invade sonhos e pensamentos. A música retrata alguém preso às lembranças de uma pessoa especial, incapaz de distinguir completamente entre fantasia e realidade. O resultado é uma atmosfera emocional marcada pela saudade e pelo desejo.

“Kiss of Fire” – WOODZ

“Kiss of Fire” apresenta uma paixão ardente e intensa, utilizando o fogo como símbolo de desejo e atração. A letra mostra alguém disposto a se entregar completamente aos sentimentos, mesmo sabendo que essa relação pode trazer riscos e sofrimento. 

“Favorite (Vampire)” – NCT

“Favorite (Vampire)” compara o amor a uma maldição irresistível. A temática vampírica simboliza uma atração tão forte que o eu lírico aceita abrir mão de tudo pela pessoa amada. A música mistura romance, obsessão e entrega emocional, criando uma narrativa intensa e dramática.

Conheça o SEVENTEEN, grupo de k-pop que quebrou recorde de vendas

 *Sob supervisão de Ana Beatriz Dias, da CNN Brasil

Dia dos namorados: 10 K-dramas de romance para maratonar

12 June 2026 at 23:38
Neste Dia dos Namorados (12), muitos casais apaixonados preferem ficar em casa e aproveitar para comemorar a data de forma aconchegante e confortável. Maratonar filmes e séries de romance sempre é uma boa opção para os caseiros, e é nesse momento que as produções sul-coreanas se encaixam perfeitamente.

A CNN Brasil reuniu 10 K-dramas de sucesso que são perfeitos para celebrar essa data especial e conhecer novas histórias de amor. Veja:

“A coroa perfeita”

A Coroa Perfeita • Reprodução/redes sociais

Lançado em 10 de abril de 2026, o drama sul-coreano A Coroa Perfeita está disponível no Disney+. Estrelada por IU e Byeon Woo-seok, a produção se passa em uma versão alternativa da Coreia do Sul governada por uma monarquia constitucional. A trama acompanha Sung Hee-ju, herdeira de um poderoso conglomerado, e o Grão-Príncipe Yi An, que se veem envolvidos em um casamento por conveniência. Entre disputas de poder, diferenças sociais e intrigas da família real, os dois acabam desenvolvendo sentimentos genuínos um pelo outro.

“Se a vida te der tangerinas”

When Life Gives You Tangerines (L to R) Park Bo-gum as Yang Gwan-sik, IU as Oh Ae-sun in When Life Gives You Tangerines Cr. Yoo Eun-mi/Netflix © 2025 • Divulgação

A série é uma produção original da Netflix, lançada em 7 de março de 2025. Os protagonistas são os queridinhos IU e Park Bo-gum. Ambientada na ilha de Jeju, a trama acompanha Ae-sun, uma jovem sonhadora e determinada, e Gwan-sik, um rapaz leal e reservado. Ao longo de décadas, os dois enfrentam perdas, desafios familiares e transformações sociais, construindo uma história de amor marcada pela perseverança e pelo afeto duradouro.

“O amor mora ao lado”

• Divulgação/Netflix

O drama, lançado em 17 de agosto de 2024, também está disponível na Netflix. A série é protagonizada por Jung Hae-in e Jung So-min. A história acompanha dois amigos de infância que se reencontram na vida adulta quando uma mulher decide recomeçar sua trajetória após enfrentar uma crise pessoal e profissional. O reencontro desperta sentimentos antigos e abre espaço para um romance leve e maduro, marcado por humor e autodescoberta.

“Vinte e cinco, vinte e um”

Vinte e cinco, vinte e um • Divulgação/Netflix

Estreada em 12 de fevereiro de 2022, a série está disponível na Netflix. O elenco principal é liderado por Kim Tae-ri e Nam Joo-hyuk. A trama se passa durante a crise financeira asiática do fim dos anos 1990 e acompanha Na Hee-do, uma jovem esgrimista determinada a realizar seus sonhos, e Baek Yi-jin, um rapaz que luta para reconstruir a vida após a falência de sua família.

“Mr. Plankton”

Mr. Plankton • Divulgação/Netflix

Lançada em 8 de novembro de 2024, a série da Netflix tem como protagonistas Woo Do-hwan e Lee Yoo-mi. A narrativa acompanha um homem que descobre uma notícia devastadora sobre sua saúde e decide embarcar em uma jornada para encontrar suas origens biológicas. Ao seu lado segue uma ex-namorada prestes a se casar, dando início a uma viagem emocional repleta de humor, drama e reflexões sobre pertencimento.

“Sorriso real”

Sorriso Real • Divulgação/Netflix

Lançado em 17 de junho de 2023, o romance da Netflix é estrelado por Lee Jun-ho e Im Yoon-ah. A história gira em torno de um herdeiro de uma rede de hotéis de luxo que detesta sorrisos falsos e de uma funcionária conhecida justamente por seu sorriso impecável. O encontro entre personalidades opostas resulta em uma história cômica, ambientada dentro de um hotel.

“O amor pode ser traduzido?”

O Amor Pode Ser Traduzido? • Reprodução / Netflix

O K-drama de 2026 é protagonizado por Kim Seon-ho e Go Youn-jung. A trama acompanha um intérprete multilíngue e uma celebridade global que desenvolvem uma relação inesperada enquanto enfrentam barreiras culturais, diferenças de personalidade e os desafios da fama internacional. 

“Pousando no amor”

Son Ye Jin, à esquerda, e Hyun Bin – Pousando no Amor • Lim Hyo Seon/Netflix

Exibida pela primeira vez em 14 de dezembro de 2019, a série também está disponível no catálogo da Netflix. Os protagonistas são Son Ye-jin e Hyun Bin. A trama acompanha uma empresária sul-coreana que, após um acidente de parapente, cai acidentalmente na Coreia do Norte. Lá, ela é encontrada por um oficial do exército norte-coreano, que decide protegê-la. O relacionamento entre os dois desafia fronteiras políticas e culturais, tornando-se um dos romances mais populares da história dos k-dramas.

“Beijo explosivo”

Beijo Explosivo • Reprodução/ Netflix

Exibida pela primeira vez em 12 de novembro de 2025, a série sul-coreana Beijo Explosivo está disponível no catálogo da Netflix. Estrelada por Jang Ki-yong e Ahn Eun-jin, a produção acompanha dois jovens que vivem uma paixão intensa durante uma viagem à ilha de Jeju, mas acabam sendo separados pelas circunstâncias. Anos depois, o destino os reúne novamente quando ela passa a trabalhar na empresa da família dele, escondendo sua verdadeira identidade ao se apresentar como uma mulher casada. Entre desencontros, segredos e situações inusitadas, os dois precisam lidar com sentimentos que nunca desapareceram.

“Meu ídolo”

Meu ídolo • Divulgação

Exibido pela primeira vez em 2025, o k-drama “Meu Ídolo” está disponível na Netflix. Estrelada por Choi Soo-young e Kim Jae-young, a série acompanha uma advogada fã de K-pop que passa a defender seu ídolo favorito após ele se tornar suspeito de um crime. Misturando romance e mistério, o K-drama conquistou o público com sua história cativante.

Netflix: 80% dos assinantes assistem a produções coreanas

*Sob supervisão de Ana Beatriz Dias, da CNN Brasil

Café é decorado com universo de K-dramas para o Dia dos Namorados em SP

12 June 2026 at 22:10

O Café TIM, localizado na zona Oeste de São Paulo, foi decorado com uma proposta diferente neste Dia dos Namorados (12). A proposta é uma ativação inspirada em K-dramas de sucesso como “A Coroa Perfeita” e “Amor de Mentirinha”.

Em parceria com o Disney+, a nova ambientação temática inspirada nas produções coreanas convida os visitantes a mergulharem em uma experiência que combina entretenimento, cultura pop e interação.

O espaço foi pensado para transportar os fãs para o universo do gênero, que conquistou milhões de admiradores ao redor do mundo e se consolidou como um dos fenômenos mais relevantes do entretenimento digital nos últimos anos.

Veja as imagens:

Café é decorado com inspiração em universo dos K- dramas • Divulgação/TIM
Café é decorado com inspiração em universo dos K- dramas • Divulgação/TIM
Café é decorado com inspiração em universo dos K-dramas • Divulgação/TIM

Segundo levantamento da Rakuten Viki, plataforma especializada em conteúdos asiáticos, o Brasil está entre os mercados mais engajados do mundo quando o assunto é consumo de K-dramas, refletindo a força crescente da chamada “onda coreana” no país.

Para celebrar o Dia dos Namorados e marcar o lançamento da nova ambientação, os visitantes poderão participar de uma ação especial inspirada nos elementos românticos que tornaram os K-dramas tão populares.

Casais e fãs das séries coreanas receberão uma foto instantânea em estilo polaroid, produzida na hora, além de uma caixa de chocolates com frases inspiradas em histórias e personagens presentes no catálogo do Disney+.

*Sob supervisão de Gabriela Maraccini

Netflix: 80% dos assinantes assistem a produções coreanas

Coreia do Sul vence República Tcheca de virada

Logo Agência Brasil

Em outros tempos, ninguém poderia apostar que uma seleção asiática mandasse numa partida de Copa do Mundo contra uma seleção europeia. Mas, nesta Copa de 2026, a Coreia do Sul mostrou um futebol mais vistoso e eficiente do que a República Tcheca, em jogo válido pela primeira rodada do Grupo A, em Guadalajara, no México.

Aos 13 minutos do 1° tempo, Kan Lee chutou de fora da área e o goleiro Kovar espalmou a corner. Aos 38, o ídolo Son, jogador do Los Angeles F. C., dos Estados Unidos, teve a oportunidade de abrir o placar, estava livre, na meia lua da grande área, mas chutou para fora.

Notícias relacionadas:

Os primeiros 45 minutos não foram generosos em emoção. Com mais posse de bola, a Coreia do Sul não criava muitas chances. A República Tcheca, com jogadores mais altos, não conseguia sequer utilizar a bola aérea como arma de ataque. Assim, o 0 a 0 era mais do que justo.

Com três minutos do segundo tempo, Jae Lee arriscou rasteiro e o goleiro Kovar defendeu em dois tempos. Aos dez, o sul-coreano Son novamente teve a bola do jogo nos pés. Frente a frente com o goleiro tcheco, ele tentou dar uma “cavadinha”, mas acertou o peito de Kovar e conseguiu só um escanteio.

Aos 13 minutos, a antiga máxima do futebol de “quem não faz, leva”, se concretizou. Numa jogada de lateral cobrado para a área, Krejci subiu sozinho e testou as redes do goleiro Seung Kim: 1 a 0 para a República Tcheca.

Aos 21 minutos, a Coreia do Sul chegou ao empate. In Hwang é lançado dentro da área, dá um drible no zagueiro tcheco e um leve toque para tirar do goleiro Kovar. Um gol de “cavadinha”, executada corretamente desta vez: 1 a 1.

Aos 31, a República Tcheca chegou ao segundo gol, com Soucek. Numa cobrança de falta para a área, ele cabeceou livre dentro da pequena área, mas a arbitragem marcou impedimento e o gol foi corretamente anulado.

A Coreia do Sul reagiu imediatamente. Aos 34, cruzamento rasteiro para a área e o reserva Oh chegou com tudo para empurrar para as redes. A bola ainda bateu no goleiro Kovar, mas não teve jeito, era a virada: 2 a 1.

Aos 36, Hlozek teve a chance de empatar, em mais uma jogada de lateral cobrado para dentro da área, mas o goleiro Seung Kim fez uma bela defesa no pé da trave, impedindo um gol certo. Aos 48, Sadilek teve grande oportunidade, chutando rasteiro de dentro da área e, novamente, o goleiro sul-coreano salvou sua equipe, defendendo sem dar rebote.

Quando o árbitro egípcio apitou o fim do jogo, um alívio: a vitória por 2 a 1 fez os muitos torcedores sul-coreanos no estádio vibrarem. Na realidade, o placar premiou a seleção que mais buscou a vitória e mostrou melhor futebol. A República Tcheca, limitada à força e à altura dos seus jogadores, não teve técnica para conseguir sequer um empate na estreia.

Agora, México e Coreia do Sul lideram a chave A com 3 pontos e vão se enfrentar logo na segunda rodada, no dia 18 de junho, também em Guadalajara. Os tchecos terão que se recuperar na partida contra a África do Sul, na mesma data, em Atlanta, nos Estados Unidos.

Coreia do Sul vence República Tcheca de virada

Logo Agência Brasil

Em outros tempos, ninguém poderia apostar que uma seleção asiática mandasse numa partida de Copa do Mundo contra uma seleção europeia. Mas, nesta Copa de 2026, a Coreia do Sul mostrou um futebol mais vistoso e eficiente do que a República Tcheca, em jogo válido pela primeira rodada do Grupo A, em Guadalajara, no México.

Aos 13 minutos do 1° tempo, Kan Lee chutou de fora da área e o goleiro Kovar espalmou a corner. Aos 38, o ídolo Son, jogador do Los Angeles F. C., dos Estados Unidos, teve a oportunidade de abrir o placar, estava livre, na meia lua da grande área, mas chutou para fora.

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Os primeiros 45 minutos não foram generosos em emoção. Com mais posse de bola, a Coreia do Sul não criava muitas chances. A República Tcheca, com jogadores mais altos, não conseguia sequer utilizar a bola aérea como arma de ataque. Assim, o 0 a 0 era mais do que justo.

Com três minutos do segundo tempo, Jae Lee arriscou rasteiro e o goleiro Kovar defendeu em dois tempos. Aos dez, o sul-coreano Son novamente teve a bola do jogo nos pés. Frente a frente com o goleiro tcheco, ele tentou dar uma “cavadinha”, mas acertou o peito de Kovar e conseguiu só um escanteio.

Aos 13 minutos, a antiga máxima do futebol de “quem não faz, leva”, se concretizou. Numa jogada de lateral cobrado para a área, Krejci subiu sozinho e testou as redes do goleiro Seung Kim: 1 a 0 para a República Tcheca.

Aos 21 minutos, a Coreia do Sul chegou ao empate. In Hwang é lançado dentro da área, dá um drible no zagueiro tcheco e um leve toque para tirar do goleiro Kovar. Um gol de “cavadinha”, executada corretamente desta vez: 1 a 1.

Aos 31, a República Tcheca chegou ao segundo gol, com Soucek. Numa cobrança de falta para a área, ele cabeceou livre dentro da pequena área, mas a arbitragem marcou impedimento e o gol foi corretamente anulado.

A Coreia do Sul reagiu imediatamente. Aos 34, cruzamento rasteiro para a área e o reserva Oh chegou com tudo para empurrar para as redes. A bola ainda bateu no goleiro Kovar, mas não teve jeito, era a virada: 2 a 1.

Aos 36, Hlozek teve a chance de empatar, em mais uma jogada de lateral cobrado para dentro da área, mas o goleiro Seung Kim fez uma bela defesa no pé da trave, impedindo um gol certo. Aos 48, Sadilek teve grande oportunidade, chutando rasteiro de dentro da área e, novamente, o goleiro sul-coreano salvou sua equipe, defendendo sem dar rebote.

Quando o árbitro egípcio apitou o fim do jogo, um alívio: a vitória por 2 a 1 fez os muitos torcedores sul-coreanos no estádio vibrarem. Na realidade, o placar premiou a seleção que mais buscou a vitória e mostrou melhor futebol. A República Tcheca, limitada à força e à altura dos seus jogadores, não teve técnica para conseguir sequer um empate na estreia.

Agora, México e Coreia do Sul lideram a chave A com 3 pontos e vão se enfrentar logo na segunda rodada, no dia 18 de junho, também em Guadalajara. Os tchecos terão que se recuperar na partida contra a África do Sul, na mesma data, em Atlanta, nos Estados Unidos.

Filosofia portuguesa, a provável existência | Por Jorge Queiroz

12 June 2026 at 12:30

Há uma filosofia portuguesa? Foram diversas as tentativas de sínteses da História da Filosofia Portuguesa.

Nos séculos XVI e XVII a teoria geocêntrica foi substituída pela heliocêntrica, a Terra deixou de ser centro do universo, provou-se girar à volta do sol, a descoberta provocou mudanças profundas. As ciências autonomizaram-se da religião, a filosofia ganhou asas, capacidades e liberdade critica.

Encontramos centenas de obras de filosofia produzidas por autores portugueses ou de períodos anteriores à nacionalidade. As marcas são o debate do cristianismo primitivo face às heresias, identidades, o “encoberto” e o messianismo, sebastianismo, e o Destino, Quinto Império, problemáticas psicanalíticas mais recentes sobre “ser português”.

Da filosofia, repositório de temas da existência, uma breve viagem sobre Portugal.

JORGE QUEIROZ
Sociólogo

Na Idade Media surgiram teólogos como Paulo Orósio do século V, natural de Bracara Augusta, foi a Hipona conhecer Santo Agostinho, ambos escreveram obras inspiradas na tomada de Roma por Alarico I, o primeiro a “História contra os Pagãos” e Agostinho na “Cidade de Deus” reflecte sobre os Bárbaros e o ataque a Roma.

São Martinho de Dume, ou de Braga, no século VI, foi um bispo que escreveu o “De Correctione Rusticorum”, influenciado pelos ciclos astrais sugeriu o início equinocial do ano, a mudança da designação romana dos dias da semana para a forma actual.

Pedro Hispano ou João XXI (1215-1277), único Papa português, foi médico, professor, teólogo, escreveu a “Summulæ Logicales”, análise da lógica aristotélica que teve 260 edições em toda a Europa. Papa durante oito meses, morreu em Viterbo soterrado por um desmoronamento no palácio onde vivia.

D. Duarte (1391-1438), décimo rei de Portugal, o “Rei Filosofo”, escreveu o “Leal Conselheiro” e um manual de cavalaria, o “Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela”. Morreu vitimado pela peste deixando herdeiro menor, o futuro rei Afonso V “o Africano”.

O Infante D. Pedro (1392-1449) o mais culto da dinastia de Avis, “Infante das Sete Partidas” viajou pela Europa, foi regente dez anos por morte do irmão D. Duarte e por vontade popular. A “Carta de Bruges” dirigida ao irmão contém reflexões e recomendações sobre a boa governação ainda actuais. Escreveu o “Tratado da virtuosa benfeitoria”, traduziu o “Livro dos ofícios” de Cícero. Justo e ético, morreu em Alfarrobeira numa cilada da aristocracia feudal, deixou obra relevante, foi injustamente apagado da História de Portugal.

Com a expansão marítima portuguesa, revelou-se Duarte Pacheco Pereira (1460-1533), cosmógrafo que negociou o Tratado de Tordesilhas, estava na armada de Pedro Alvares Cabral que “achou” o Brasil, deixou o misterioso “Esmeraldo Situ Orbis”, desaparecido durante 400 anos, reflecte a ciência sustentada pela prática, a “madre de todas as cousas”.

Damião de Góis (1502-1574) destacou-se nos centros da cultura europeia, foi secretário da feitoria de Antuérpia, guarda-mor da Torre do Tombo, conheceu Erasmo e Loyola, na sua extensa obra destacam-se a Crónica de D. Manuel I, universalista com temas inovadores. Despertou invejas, o companheiro jesuíta Simão Rodrigues denunciou-o à Inquisição como erasmista, foi maltratado e preso. Morreu em Alenquer, terra natal onde hoje existe um museu com o seu nome, dedicado às vítimas do Santo Ofício.

Francisco Sanches (1550-1622), foi um filósofo céptico, adversário do pensamento de Aristóteles, a sua obra de referência é “Quod nihil scitur” ou “O Que nada se sabe”.

O jesuíta Padre António Vieira (1608 -1697), missionário e pregador no Brasil e também filosofo, usou sermões para defender ideais humanistas e os indígenas, a abolição da escravatura. Em 2013 a obra completa de Vieira foi publicada em trinta volumes.

Luís António Verney (1713-1792), filosofo “estrangeirado” foi personalidade destacada do iluminismo português, criticou os jesuítas pela excessiva teorização e dogmatismo, o ensino devia basear-se na experiência. Escreveu o “Verdadeiro Método de Estudar” editado em 1746 a pedido de D. João V, colaborou na reforma do ensino, defendeu que a escola elementar devia ser para ambos os sexos e para todas as classes sociais, paga pelo Estado. Exilou-se em Roma, devido às ameaças, onde morreu.

O atribulado século XIX, com invasões napoleónicas, fuga da corte para o Brasil, guerra civil entre liberais e absolutistas, o ultimato inglês deu origem a acesos debates e à ascensão das correntes republicanas. Sucederam-se pensadores como Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846) anti idealista defendeu a separação entre filosofia e ciência, teve a oposição de Guerra Junqueiro (1850-1923) Sampaio Bruno (1857-1915), Teófilo Braga (1843.-1924),…

A Geração de 70, reflecte o mal-estar do século XIX, os “Vencidos da Vida” teve continuidade no século XX, no debate entre as visões europeístas e antieuropeístas.

Entre a I Republica e o Estado Novo entre 1910 e 1932 surgiu a revista “A Águia” órgão da Renascença Portuguesa nela escreveu António Sérgio. O movimento filosófico da Escola do Porto, inspirou-se em Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra, Amorim Viana e outros.

Em 1943, Álvaro Ribeiro publicou “O Problema da Filosofia Portuguesa”, considerava que o pensamento filosófico em Portugal não era autónomo, porque exposto a sistemas filosóficos estrangeiros, a dialéctica de “castiços” e “estrangeirados”.

Cabral de Moncada afirmou em 1960 que a “preocupação nacionalista mais ou menos extravagante, é fortemente detractora das filosofias estrangeiras e quase xenófoba“, António Braz Teixeira considerava a ideia de Deus, que as relações entre a filosofia e a religião são o cerne do debate especulativo português, Fernando Pessoa como uma «forma de provincianismo mental».

Eduardo Lourenço em finais do século XX afirmou “logo que nos aproximamos da linha tórrida do racional tornamo-nos tímidos, ficamos paralisados, perdemos a imaginação”.

Personalidade filosófica singular e libertária não enquadrável em grupos foi Agostinho da Silva (1904-1994), exiliado político, expulso do ensino por se recusar a assinar a declaração de que não participava em “organizações subversivas”. Foi para o Brasil em 1947 onde leccionou em Universidades, regressou a Portugal em 1969. Deixou extensa obra como as “Sete cartas a um jovem filósofo” (1945), “Carta Vária” (1989) e “Vida conversável” (1994).

Entre os filósofos da segunda metade do século XX de uma corrente com proximidades com a psicologia social e a psicanalise destacaram-se os irmãos Fernando e José Gil, Mário Sotto Mayor Cardia, Eduardo Lourenço.

A filosofia portuguesa é um oceano de turbulências, o mistério de existir.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

Leia também: Geohistória e alterações climáticas | Por Jorge Queiroz

Algarve: Reino da Água no Império de Aquém e Além-Mar | Por Virgílio Machado

12 June 2026 at 11:30

As relações entre água, sociedade e poder são estudadas na geopolítica. Neste cantinho da Península Ibérica que foi Reino multisecular e de Aquém e Além-Mar cumpre discernir significados e sentidos políticos associadas à hidrografia de massas de água como ribeiros, rios, açudes, correntes, barragens, lagos, mares e oceanos.

Afinal, Portugal foi Império construído na água, segundo Jerry Brotton em Trading Territories. Faz sentido. Mas teria o Algarve, esse ufanado Reino, algum antecedente nessa construção? A hipótese é ousada. Aceita-se o desafio. Com observação atenta e estrutural.

Existe um fortíssimo legado de água em toponímias de cidades ou lugarejos no Algarve. Lagos, Lagoa, Olhão, Albufeira são hoje sedes de município. Fontes da Benémola, Santa em Quarteira, do Poço do Bispo, de Boliqueime, Sítio das Fontes, Olhos de Água induzem urbanidade no seu controlo e domínio.

VIRGÍLIO MACHADO, Professor da UAlg e autor dos livros
“Viagem ao Reino do Algarve” e “Portugal Geopolítico”

Nomes atuais de rios e ribeiras (Guadiana, Odeleite, Odelouca), provindos do wad árabe, constituíram reforço de uma cultura hidrológica perene, fonte de riqueza e poder para atividades humanas diversas como agricultura, produção de energia ou fluxo de água para orientação no transporte e comércio.

O respeito do Guadiana como fronteira natural entre Portugal e Castela no Tratado de Badajoz de 1267 na fundação do Reino do Algarve português. Facto geopolítico singular na história medieval peninsular prenunciador da importância da água na demarcação  e aceitação das ordens políticas. O mar, a sul e ocidente, seriam outros elementos naturais para domínio e controlo do Reino, facto hidropolítico que o vincularia à procura de outras margens além-mar, na existência de ameaças inimigas que nele se transportavam para saque, pirataria e captura de escravos.

Fortaleza de Sagres. Fonte (Município de Faro, 2026)

Eventos dramáticos têm consequências geopolíticas dinâmicas. Ainda que faltem dados científicos decisivos, secas como as 1385-1398 ou 1412-1413, marcaram escassez de trigo com a necessidade de sua procura para o Norte de África. Assim como de ouro para pagamento do financiamento da guerra com Castela até 1411. O Algarve seria apoio decisivo nas expedições marítimas e militares consequentes.

O controlo apurar-se-ia no tempo. Cartas marítimas precisas que localizavam rotas de navegação, mercados e mercadorias. Implantação de portos e ilhas chave em bacias hidrográficas com água potável. Conhecimento prático de ventos, marés e inclinações de sol e lua para eficiência no transporte marítimo. O respeito toponímico da cultura hidrológica no Algarve é causa e reflexo da expansão geopolítica de Portugal. Os reis recusaram a expressão Império. Preferiram Reino dos Algarves de Aquém e Além-Mar.

A assimilação dos mouros foi outro fator decisivo. A miscigenação e o casamento inter-racial foram mote inspirador. J. H. Parry e Boies Penrose em Europe and a Wider World e The Age of Discovery apontam aqui a fragilidade da eficiência administrativa e prática na ordem imperial portuguesa face aos congéneres europeus. Pela mistura inter-racial que prejudicou capacidades de hierarquia e controlo. Mas a História do Algarve teve outros antecedentes.

Nas periferias dos Impérios, em reação militar, formam-se outros Impérios. O Império Otomano na periferia do Bizantino. Ou as confederações bárbaras nos confins do Romano. Por sua vez, na Baixa Idade Média, as tribos nómadas berberes do Norte de África procuraram em sociedades agrárias ou com boas localizações comerciais, extorsão de recursos, coleta de impostos ou termos favoráveis de troca. O Sul Ibérico seria cobiçado e conquistado.

Entre o desmembramento do Califado de Córdova(1031) e a conquista do Algarve(1249-1250), dois Impérios berberes formaram-se, os Almorávidas e os Almoadas, caracterizadas por um sunismo ortodoxo religioso e monoteísmo profundo. Chegaram a ter entre 1 e 2 milhões de km2 de extensão.

Rio Guadiana. Fonte (Município de Faro, 2026)

A resposta do Portugal cristão vitorioso seria nomádica e mimética. O fim dos Almoadas no Algarve nunca deixou de criar um efeito reflexo, como desejo de um Império- Espelho alimentado por brilhos de outrora e ameaças atuais sobre capacidade militar, desafios no acesso renovado a trigo, cobiça em ouro para meio de pagamento e escravos para mão de obra no Norte de África. O Algarve fronteira seria o território logístico conveniente.

É a História do Império nomádico português causa das suas forças e fraquezas. Marítimo, com vocação agrária assente em produtos exportáveis, menor capacidade de coleta de impostos populacionais, dependência de pontos-chave críticos para vantagem no transporte e comércio, matriz energética e de produção alimentar dispersas. O Algarve inspirou matricialmente a experiência hidrográfica.

Nas falésias de Sagres, fronteiras da bacia do Guadiana ou nas águas da Ria Formosa respira-se uma das belas Histórias HidroPolíticas do Mundo. A Água como suporte de identidade geopolítica. Não há melhor forma de inspirar o respeito do Poder pela Natureza!

Virgílio Machado, autor dos livros “Viagem ao Reino do Algarve” e Portugal Geopolítico” (http:reinosdoalgarve.com).

Leia também: O primeiro mapa geopolítico de Portugal (e do Algarve) | Por Virgílio Machado

A melhor coisa em ser eu, é ter umas óptimas mamas. A pior é só verem isso: Pornoprecariedade e feminismo em Mia Khalifa | Por Cobramor

12 June 2026 at 10:40

Mia Khalifa sentiu, no cinema porno, uma glória com duração tão efémera como a das ejaculações masculinas a que foi sujeita.

Embora tenha sido apenas actriz de filmes para adultos durante três meses, foi o suficiente para carregar uma mácula frequentemente associada à da prostituição, embora a relação entre ambas seja virtualmente nula.

Desde então, tentou e falhou em vários empregos 9 às 5, de empregada de escritório até comentadora desportiva, devido à dificuldade de se libertar do estigma da pornografia, sofrendo regularmente os efeitos no já intrinsecamente ambiente de toxicidade corporativa.

COBRAMOR
Autor, tradutor e editor

Como forma de assumir o controlo da narrativa da sua própria sexualidade e corpo, e também como rejeição declarada do ciclo de exploração da produtora de filmes pornográficos que detém os direitos dos seus filmes, disponíveis na internet, optou, como tantas outras mulheres, pela plataforma onlyfans, onde pode decidir os limites e o grau de exposição.

Mia reconhece e assume toda as contradições que encarna ao afirmar-se feminista e criticando abertamente a uberização da indústria pornográfica, subsistindo, simultaneamente da mesma linha extractiva, com a lucidez de quem foi sujeita, mesmo brevemente, ao varrimento de quaisquer barreiras na maximização da rentabilidade da degradação feminina.

Mia Khalifa. Crédito: Slow Factory

A controvérsia sobe de nível pela fama ter surgido quando filmou cenas de sexo envergando um hijab, numa confirmação da hipersexualização étnica, materializada no infindável fetiche da dominação eurocêntrica sobre todos os corpos femininos, em particular, os racializados.

Nunca tal a impediu de se pronunciar contra a instrumentalização cum shot das mulheres pelo capitalismo normalizador da violência sexual, de género como exercício hegemónico do poder.

Ao ser libanesa filha de emigrantes, Mia ilustra na perfeição a tese de Edward Said, onde a única característica unificadora dos orientais é uma fabricação pseudogeográfica e antropológica ocidental. Toda a sua identidade foi construída por terceiros, na impossível encruzilhada do conflito entre as exigências dum cristianismo neoliberalizado e as do neoconservadorismo islâmico. Chegou mesmo a conhecer períodos de crise aguda onde tentou, em todos os sentidos, branquear-se, para corresponder à ideia predominante da mulher ocidental, sucumbindo tanto ao beco sem saída do género feminino como à labiríntica condição de Estrangeiro, ambos, papéis desenhados pela autoridade masculina.

Surgindo como uma Barbie, não no sentido tradicional, mas no reformado como proposto pelo filme homónimo, Mia tem feito a travessia do trauma para a cura, numa manifestação exacta da cultura pós-moderna, apesar de todas as forças a empurrarem, o sentido oposto.

Todas as críticas de Mia à estrutura heteronormativa, cujas tendências são ditadas pela pornografia, são frequentemente desconsideradas, dada a razão da sua fama, numa obstrução de qualquer possibilidade de reconhecimento da sua autenticidade ou mesmo redenção – ambas, concedidas, por defeito ao género masculino.

Assim, vê todas as suas acções automaticamente remetidas para a esfera performativa e sexualizada, também devido às suas voluptuosas formas, exibindo-as despudoramente enquanto critica a mentalidade que as valoriza sobre outras características femininas, expondo assim a armadilha dessa atenção vazia. Como a própria descreve: a melhor coisa em ser eu é ter umas óptimas mamas, a pior é só verem isso.

A Mia, resta frequentar o pântano dos apátridas, não encaixando nos modelos americanos ou nos libaneses. Nessa zona cinzenta tanto autónoma como ghettificada Mia ostenta, qual estandarte, a sua unibrow – inaceitável pelos padrões de beleza ocidentais e pela qual foi humilhada – como orgulhoso símbolo de revolta e afirmação árabe, igualmente sustentada na sua permanente crítica à situação do Médio Oriente, desenhando um paralelo entre a indiferença perante o genocídio e o male gaze do voyeurismo sobre as mulheres.

O triplo grau de desumanização a que Mia tem sido sujeita – actriz porno, mulher e imigrante – remetem-na para a situação limite de decidir entre a submissão às lógicas mercantis ou à autoexploração nos próprios termos, concedendo-se espaço para recorrer a uma artificialização da beleza acompanhada de uma censura às condições que a encorajam, também na forma de autocrítica.

Identificando as tensões internas do feminismo, onde tantas vezes o moralismo burguês de raiz religiosa colide com a vontade de interseccionalidade, Mia é apátrida também nessa ideologia que a rejeita por falta de enquadramento na ideia ocidental de emancipação. Não só o seu corpo é o proverbial campo de batalha anunciado por Barbara Kruger na sua arte homónima produzida para a Marcha de Washington em 1989, mas também por ser duplamente refém, tanto do fetiche como das restrições do orientalismo.

Se o uso declarado do corpo para consumo alheio, a inscreve na categoria das trabalhadoras sexuais, essa condição proletária apenas se consegue mover nas franjas do proletariado maioritariamente conservador e assim sustentáculo involuntário da arquitectura pornoprecária, inspiradora e também continuidade do mundo do trabalho, antecipadora em décadas do pseudonarcisismo da cultura influencer / empreendedor.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

Leia também: Cristina Ferreira, santa padroeira do machosfera | Por Cobramor

Um jardim fora do tempo | Por Maria João Neves

12 June 2026 at 09:45

Queridos leitores e participantes do Café Filosófico,

O texto que vos deixo para esta sexta sessão dedicada ao Estoicismo é inteiramente ficcional. Nasceu do desejo — quase da necessidade — de imaginar uma conversa entre dois grandes pensadores andaluzes: María Zambrano, natural de Vélez-Málaga, e Séneca, nascido em Córdoba. Ambos se envolveram na política do seu tempo, ambos sofreram as agruras da condenação ao exílio.

A ligação entre ambos não é apenas fruto da imaginação. María Zambrano dedicou mesmo uma obra a Séneca, reconhecendo nele uma voz filosófica profundamente próxima da sua própria reflexão sobre a condição humana, a razão e o destino.

Embora separados por mais de vinte séculos, sinto que este diálogo impossível faz todo o sentido. E é precisamente essa conversa sonhada, construída entre tempos, silêncios e afinidades, que hoje quero partilhar convosco.

Um jardim fora do tempo

O entardecer descia lentamente sobre o branco pátio andaluz. As colunas lembravam vagamente a mesquita de Córdoba; a brisa trouxe de longe o perfume do mar, como se soprasse desde Vélez-Málaga. Não havia Roma, nem Madrid, nem século algum. Apenas duas figuras caminhando lado a lado: Séneca e María Zambrano.

MARIA JOÃO NEVES
Doutorada em Filosofia Contemporânea, Vice-presidente BlueZC Institute (www.bluezc.com)

Zambrano: Há lugares que continuam a viver dentro da alma mesmo quando somos expulsos deles. A Andaluzia é um desses lugares. Não é apenas terra; é uma luz que permanece na memória.

Séneca: O sábio aprende que nenhuma terra lhe pertence verdadeiramente. Somos hóspedes do mundo.

Zambrano: E, no entanto, sofremos quando somos arrancados da origem.

Séneca: Sofremos porque confundimos o necessário com o eterno. Fui exilado para a Córsega e descobri que o homem leva consigo a sua verdadeira pátria: o espírito disciplinado.

Zambrano: Tu transformaste o exílio em exercício moral. Eu transformei-o em noite interior. Cruzar fronteiras, perder Espanha, atravessar oceanos… tudo isso me ensinou que a alma humana não pensa apenas com conceitos — pensa com feridas.

Séneca: A dor pode instruir, se não a transformarmos em tirana.

Zambrano: Mas há dores que falam como oráculos. A minha filosofia nasceu ouvindo aquilo que a razão pura desejava calar: o coração, o sonho, a memória, a esperança, o delírio, a poesia. Assim é a razão poética.

Séneca: Explica-me essa razão. Na minha escola, a razão deve governar as paixões.

Zambrano: A tua razão é solar. Quer clareza, firmeza, ordem. A minha aceita também a sombra. Há verdades que não aparecem sob a luz violenta da lógica. Algumas revelações chegam como música distante, entendem-se melhor na penumbra.

Séneca: Então desejas reconciliar filosofia e mistério?

Zambrano: Sim. O homem não vive apenas de conceitos. Vive de símbolos, de silêncio, de esperança. A filosofia muitas vezes expulsou a alma para construir sistemas perfeitos.

Séneca: E, no entanto, sem disciplina interior, a alma dispersa-se. Vi em Roma homens destruídos pelos desejos, pela ambição, pelo medo da morte. Considero a razão a nossa maior aliada na luta contra as paixões.

Zambrano: Também na política do meu século vi ideologias transformarem homens em abstrações. Talvez por isso eu tenha desconfiado das filosofias excessivamente sistemáticas e tenha querido acolher as razões do coração.

Séneca: Isso pode ser perigoso? A tirania nasce quando o homem deixa de se governar a si mesmo. Nero queria dominar o mundo porque era incapaz de dominar os seus próprios impulsos.

Zambrano: Tu estiveste tão próximo do poder. Isso atormentava-te?

Séneca: Todos os dias. Ensinar virtude a um imperador é como tentar ensinar serenidade a uma tempestade. Permaneci porque pensei poder moderar a violência. Talvez me tenha enganado.

Zambrano: Mas tentaste viver a tua filosofia. Isso é raro.

Séneca: Nem sempre consegui. O filósofo não é um deus; é um doente que tenta curar-se enquanto ajuda outros doentes.

Zambrano: Essa frase contém mais verdade do que muitos tratados. Também eu fracassei muitas vezes. Escrevia sobre esperança enquanto atravessava desespero. Falava da aurora enquanto caminhava pela noite do exílio.

Séneca: Talvez a filosofia verdadeira só possa nascer assim: quando a vida põe à prova cada palavra.

O vento moveu as folhas do limoeiro sob o qual conversavam. Durante alguns instantes, ambos permaneceram em silêncio.

Zambrano: Diz-me, Séneca: o que é a liberdade?

Séneca: Não depender daquilo que o destino pode tirar. Quem depende da riqueza, da glória ou da aprovação vive acorrentado. Livre é aquele que governa a sua alma.

Zambrano: Vejo nisso grandeza, mas também certa solidão. Eu diria que a liberdade nasce quando o ser humano consegue reconciliar-se consigo mesmo e com o mistério do mundo. Não apenas dominar-se — escutar-se.

Séneca: Escutar-se sem disciplina pode ser perigoso.

Zambrano: E disciplinar-se sem escutar-se pode matar a alma.

Séneca: Talvez as nossas filosofias sejam dois remédios para doenças diferentes.

Zambrano: Sim. Tu escrevias para um império fatigado pelo excesso. Eu escrevia para um século destruído pela ruptura interior.

Séneca: Mas ambos vimos o mesmo abismo: o homem afastado de si.

A primeira estrela apareceu no céu, e o perfume do jasmim espraiou-se pelo ar.

Séneca: Sempre considerei a morte uma lei natural. Não deve ser temida.

Zambrano: Eu nunca consegui olhar a morte apenas com serenidade estóica. Para mim, ela permanece envolta em sombra sagrada. Não apenas termina a vida — revela algo dela.

Séneca: A morte revela o valor do tempo.

Zambrano: E também a fragilidade da consciência humana. Talvez por isso eu tenha amado tanto a aurora: porque cada amanhecer parece dizer que a verdade ainda não terminou de nascer.

Séneca: Enquanto eu preferia o entardecer. A hora em que o espírito recolhe o que aprendeu durante o dia.

Zambrano: Aurora e entardecer… talvez sejamos dois modos da mesma luz andaluza.

Séneca: Dois exilados procurando uma pátria que não pode ser conquistada pelos exércitos.

Zambrano: Como se chama essa pátria?

Séneca: Ataraxia — Serenidade.

Zambrano: Mas afinal, que lugar ocupam os sentimentos no teu estoicismo?

Séneca: Não lhes nego lugar algum, María, apenas lhes recuso o trono. Os sentimentos pertencem à natureza humana; surgem em nós como o vento levanta o mar. O erro não está em senti-los, mas em entregar-lhes o governo da alma. Há uma primeira comoção que nenhum sábio evita: o estremecimento diante da perda, a sombra do medo perante a morte, a ternura diante do sofrimento. É próprio da condição humana.

O estoicismo não deseja transformar o homem em pedra. Deseja apenas que ele não se torne escravo das suas tempestades.

Zambrano: Talvez, Séneca, a nossa divergência não esteja nos sentimentos, mas no modo como escutamos aquilo que eles revelam.

Tu desejas salvaguardar a lucidez contra a tirania das paixões — e compreendo a nobreza desse esforço. Mas eu temo que, ao exigir dos sentimentos que se submetam à medida da razão, acabemos por ouvir apenas aquilo que a consciência já consegue traduzir em ordem. Há zonas da alma que chegam antes da clareza; regiões obscuras onde a verdade ainda não aprendeu a falar através de conceitos.

O sofrimento, por exemplo, nem sempre vem para ser dominado. Às vezes vem para abrir. Há dores que desorganizam o eu precisamente porque trazem consigo uma revelação impossível de alcançar pela serenidade. O homem não se conhece apenas quando se governa a si mesmo; conhece-se também quando se perde, quando vacila, quando desce às suas próprias entranhas.

E talvez a filosofia tenha cometido, durante séculos, o erro de querer iluminar demasiado cedo aquilo que precisava amadurecer na penumbra.

Não desejo um homem afogado pelas paixões, tampouco. Mas temo o homem excessivamente reconciliado consigo mesmo. Há uma lucidez que protege — e outra que empobrece. Talvez a verdade não habite apenas na calma do sábio, mas também na inquietação do homem comum.

Café Filosófico | 17 Junho 2026 | 21:00 – 22:30 | Club Farense | Contribuição: 5€ | Inscrições: filosofiamjn@gmail.com

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia

Leia também: A Visão do Alto | Por Maria João Neves

Ex-presidente sul-coreano condenado a 30 anos de prisão por enviar drones para o Norte

By: Lusa
12 June 2026 at 09:00
Yoon procurou “criar condições de guerra” para impor a lei marcial, em dezembro, concluíram os procuradores. O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol foi esta quinta-feira condenado a 30 anos de prisão por enviar drones militares para a Coreia do Norte em 2024, com o objetivo de provocar Pyongyang e decretar a lei marcial. Os procuradores especiais consideraram, em abril, que a tentativa de Yoon de “criar condições de guerra” através do envio desses drones tinha prejudicado a segurança do Estado, aumentando as tensões com o Norte. O antigo chefe de Estado, de 65 anos, já tinha sido condenado a prisão perpétua

EA 24: A pedra de Roseta | Por José Garrido

12 June 2026 at 08:30

Quando Ptolomeu V foi coroado rei do Egipto em 204 AC, o aparelho de estado, numa iniciativa com prática pujante até aos dias de hoje, apressou-se a emitir um decreto estabelecendo o culto divino do novo governante… Pese embora o papiro estivesse nessa altura em uso continuado havia mais de dois mil anos, era práctica comum que as leis mais relevantes fossem entalhadas numa laje de pedra, uma estela, instalada num templo.

Séculos mais tarde, em data imprecisa, talvez na Idade Média, como tantas vezes na história, a pedra, sem atenção ao seu papel e mensagem original, foi utilizada como material de construção numa fortificação na cidade de Roseta, no delta do Nilo, a sessenta quilómetros a leste de Alexandria.

Novo salto na história, em 1798, Napoleão Bonaparte embarca para a sua Campanha do Egipto, nos três anos seguintes deambula pelo Próximo Oriente, somando vitórias, derrotas e também episódios caricatos… não resiste à tentação de se enroupar na religião local e por ocasião do aniversário do Profeta apresenta-se de turbante, vestido à oriental, e proclama-se ‘digno filho do Profeta’, nada que Alexandre não tivesse feito 2000 anos antes, filho de Amon, ou que Trump não faça com os seus memes com Cristo.

JOSÉ GARRIDO
Consultor em Marketing Turístico e Escritor

Sensivelmente por essa altura, o tenente francês Bouchard, redescobre, por entre as muralhas arruinadas do forte de Roseta, a estela de Ptolomeu V que é recolhida com o propósito de a despachar para Paris. Os grandes homens sabem quando começam as campanhas militares, mas a verdade é que ninguém prevê quando elas acabam – o que também é válido até hoje. Cópias da pedra original são então distribuídas por várias instituições. A estela é capturada pelas tropas inglesas e termina no British Museum, onde continua a ser exibida, com curtos hiatos, como quando por receio dos bombardeamentos de Londres, esteve temporariamente num dos túneis do chamado metropolitano postal a 15 metros de profundidade, próximo de Holborn. Com o número de inventário “EA 24”, é considerada o objecto mais visitado do museu.

Figeac na Occitânia. Crédito: José Garrido

Adiantando a história: sabemos de que tratava a pedra, mas não logo à época da sua descoberta. Que Ptolomeu tinha feito uma oferta de prata e cereais ao templo – ça va de soit, poderia ter dito o tenente Bouchard, na altura – que as cheias do Nilo tinham sido particularmente fortes naquele ano e que haviam represado as águas – aqui está a primeira coisa que não parecemos ter aprendido com a história – e que, como contrapartida, o clero honraria o nascimento e a coroação do rei como dias santos e prestar-lhe-ia culto ao lado dos outros deuses.

Estará o leitor a perguntar-se: onde é que vai esta digressão histórica? Peço-lhe um pouco mais de paciência.

A reprodução gigante da Pedra de Roseta. Crédito: José Garrido

O decreto inscrito na estela termina com a indicação de que seja colocada uma cópia em cada templo escrita na “língua dos deuses”, os hieróglifos egípcios, na “língua dos documentos oficiais” uma versão mais moderna do egípcio, usada nos negócios e pelas pessoas no seu dia-a-dia, e “na língua dos gregos” então utilizada na corte ptolemaica. Ou seja, a Pedra de Roseta apresentava-se, à época, apesar de os textos estarem incompletos, como um documento único: trilingue.

Agora sim.

Figeac é uma pequena cidade histórica, arrimada à margem do rio Célé, na região francesa da Occitânia. Para além de um centro histórico medieval de grande interesse, com profusão de edifícios de notável arquitectura, foi a terra do linguista Jean-François Champolion, famoso por ter sido o primeiro a decifrar o mistério, ou os mistérios, da Pedra de Roseta, providenciando a sua primeira tradução.

Bem no coração de Figeac, um excelente edifício de vários andares, perfeitamente integrado no casco urbano, alberga o museu que lhe é dedicado, o Museu Champolion das Escritas do Mundo, sobre a evolução diacrónica das diferentes escritas que a humanidade foi desenvolvendo desde os alvores da História.

Uma rua de Figeac. Crédito: José Garrido

Não contam com o original da Pedra de Roseta, mas sim com uma réplica – moldagem precisa – a instrumentação moderna para a sua análise detalhada e uma instalação artística de grandes dimensões recobrindo o pátio, ao ar livre, do próprio museu.

Desde 1799 que se sabia que a pedra tinha o carácter de um documento trilingue, mas pouco mais se sabia. Sensivelmente desde o fim do Império Romano que a língua dos hieróglifos deixara de ser entendida, a componente grega, apesar do conhecimento generalizado do grego antigo, utilizava a versão helenística da corte ptolemaica, uma coisa razoavelmente desconhecida, e o texto em demótico, pensava-se, que fosse língua copta. Logo em 1803 foi possível contar com uma tradução do grego, mas graças ao génio de Champolion, apenas vinte anos mais tarde era anunciada a decifração dos hieróglifos. Um trabalho meticuloso de recuperação das três versões do mesmo texto e, a partir daí, não só a sua interpretação integral como o estabelecimento do seu papel instrumental na descodificação de muitos outros textos.

Orgulho no filho da terra. Crédito: José Garrido

Em Junho de 1823 Champolion escrevia a um colega: “A minha investigação demonstrou que o sistema gráfico egípcio […] é uma mistura de três tipos de sinais empregues simultaneamente em todos os textos […]: sinais figurativos, sinais simbólicos e sinais fonéticos (dos sons).“

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

Leia também: Uma égua ruça, um jumento com albarda, um rapaz e um podengo* | Por José Garrido

Coreia do Sul estreia na Copa com virada por 2 a 1 sobre a República Tcheca em Guadalajara

12 June 2026 at 05:39

Coreia do Sul e República Tcheca fizeram um bom primeiro tempo com chances claras de gol em Guadalajara. Os sul-coreanos foram mais agressivos, iniciaram a partida com mais ofensividade e criaram as melhores chances em finalizações de fora da área. Nos minutos finais, a Coreia teve duas chances claríssimas de gol, mas não conseguiu acertar o alvo nos chutes.

O segundo tempo começou movimentado. Aos 13 minutos, a Tchéquia abriu o placar. Coufal cobrou lateral com força para a área, Krejcí entrou em velocidade e cabeceou com força para o fundo da rede. Mas a Coreia seguiu com paciência e empatou aos 21 minutos com um golaço de Hwang In-Beom, que invadiu a área, deu um corte no goleiro e no zagueiro e bateu de pé direito.

Aos 32 minutos, a seleção europeia marcou com Soucek, mas o VAR pegou impedimento e anulou o gol. O castigo para a República Tcheca veio no lance seguinte. Paik Seung-Ho lançou Hwang In-Beom, que disparou pela esquerda e cruzou para Oh Hyeon-Gyu bater de primeira e virar o jogo em Guadalajara.

Com os resultados dos dois primeiros jogos do grupo, o México lidera o Grupo A com 3 pontos (mesma pontuação da Coreia do Sul, mas ganha no saldo de gols). A República Tcheca ainda não pontuou na competição.

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Coreia do Sul e República Tcheca fecham primeiro dia de Copa do Mundo

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O primeiro dia da Copa do Mundo de 2026 não terminou com o jogo de abertura. Ainda nesta quinta-feira (11), às 23h (horário de Brasília), Coreia do Sul e República Tcheca se enfrentam no Estádio Akron, em Zapopan, estado de Jalisco (México). A partida é válida pelo Grupo A, o mesmo dos anfitriões mexicanos e da África do Sul. 

Os asiáticos, que têm um quarto lugar de 2002 - quando foram anfitriões ao lado do Japão - como melhor campanha em Mundiais, disputam o torneio pela 11ª vez seguida. Foram 11 vitórias, cinco empates e 40 gols marcados nas eliminatórias, liderados pelo astro Son Heung-Min, atualmente do Los Angeles (Estados Unidos).

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O atacante de 33 anos, de longa passagem pelo Tottenham (Inglaterra), está a dois gols de se tornar o maior artilheiro da seleção sul-coreana. Ele já balançou as redes 56 vezes, duas a menos que Cha Bun-Kun, ídolo do futebol do país nas décadas de 1970 e 1980.

Além de Son, que acumula 144 jogos pela Coreia do Sul, o técnico Hong Myung-Bo tem a experiência de Lee Jae-Sung, que está há cinco anos no Mainz (Alemanha) e é o segundo do atual elenco com mais partidas representando o país. Outro meia importante para o time é Lee Kang-In, bicampeão europeu pelo Paris Saint-Germain (França).

Do lado tcheco, esta será a segunda Copa desde a dissolução da Tchecoslováquia, em 1992. A antecessora foi vice-campeã em 1934 e 1962, superada por Itália e Brasil, respectivamente. O país volta ao torneio após 20 anos querendo, desta vez, passar de fase.

Nas eliminatórias, após campanha irregular e uma inesperada derrota para Ilhas Faroe, a República Tcheca teve de encarar duas disputas de pênaltis, contra Irlanda e Dinamarca, na repescagem europeia. O atacante Patrick Schick, destaque do Bayer Leverkusen (Alemanha), fez cinco gols, sendo o artilheiro da caminhada.

O técnico Miroslav Koubek, de 74 anos e nove meses, assumiu o time na repescagem e vai superar o belga Hugo Broos (sete meses mais novo) - que, mais cedo, dirigiu a África do Sul contra o México - para tornar-se o mais velho a comandar uma seleção em Copas. Já o meia Tomás Soucek, se participar, ao menos, dos três jogos da fase de grupos, entra para o top-5 em partidas vestindo a camisa do país, com 93 atuações.

Este será o quatro confronto entre as seleções, sendo o primeiro em uma Copa. Em 1998, o amistoso realizado em Seul, capital sul-coreana, terminou 2 a 2. Três anos depois, a República Tcheca recebeu o jogo em Drnovice e goleou por 5 a 0. O último duelo ocorreu em 2016, novamente com mando tcheco, em Praga. Desta vez, o time asiático ganhou por 2 a 1.

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