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Análise: Tempestade perfeita esfria sonho dos 200 mil pontos

10 June 2026 at 04:15

O Ibovespa encerrou sua sétima semana consecutiva de queda e registrou o pior desempenho mensal desde 2023. O movimento de correção foi impulsionado principalmente pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira, aumentando a pressão sobre o principal índice do mercado acionário do país.

Para a analista do CNN Money, Lucinda Pinto, não há um único fator capaz de explicar o cenário, mas sim a combinação de diversos elementos que passaram a preocupar os investidores ao mesmo tempo.

“A gente tem que olhar mesmo para o momento do mercado que azedou. As coisas pioraram em uma semana de um jeito impressionante”, afirmou.

Entre os principais fatores de pressão, a analista destacou a percepção de que o espaço para novos cortes na taxa de juros ficou bastante reduzido.

“Tem gente falando que não existe mais espaço para corte de juros, e quando você olha para a curva, existe até uma precificação modesta de algum aumento”, explicou. Embora nenhum agente de mercado defenda abertamente uma alta da Selic, a mudança nas expectativas tem penalizado a bolsa.

A questão fiscal também segue no radar. Lucinda citou um cálculo da XP que aponta estímulos fiscais da ordem de R$ 200 bilhões, parte deles realizados fora do orçamento. “Isso é uma pressão adicional para o mercado”, avaliou.

Nesse contexto, empresas mais endividadas tendem a sofrer mais, diante do aumento do custo de financiamento e da necessidade de renegociação de passivos.

A saída de investidores estrangeiros também contribuiu para o enfraquecimento da bolsa. No início do ano, o Brasil era visto como uma alternativa para investidores que buscavam diversificar suas posições em relação às ações de tecnologia dos Estados Unidos. Além disso, o país se beneficiava da condição de exportador de petróleo e de sua distância dos principais focos de tensão geopolítica.

Esse cenário, porém, mudou. “Parece que aquela discussão de bolha de inteligência artificial acabou, e o investidor estrangeiro que estava vindo para o Brasil buscando uma alternativa voltaria em tese para esse setor”, disse Lucinda.

A analista observou ainda que o ganho fiscal esperado com a alta do petróleo não se concretizou da forma projetada pelo mercado.

“Tudo que a gente parece que ganharia do ponto de vista fiscal com a alta do petróleo está sendo gasto. O governo está usando ou para diminuir o impacto do aumento do petróleo ou para outras coisas”, afirmou.

Como resultado, tanto as blue chips quanto as ações mais ligadas ao ciclo doméstico passaram a sofrer maior pressão.

O cenário político também aumentou a cautela dos investidores. Segundo Lucinda, episódios recentes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e a aproximação do calendário eleitoral ampliaram as incertezas sobre a disputa presidencial de 2026.

“O mercado está olhando para a eleição realmente como algo bem difícil de prever”, afirmou.

Com isso, a janela de oportunidade que parte dos analistas enxergava no início do ano, quando o Ibovespa chegou próximo dos 200 mil pontos, parece ter se fechado.

“A festa realmente parece ter acabado muito antes do brasileiro ter oportunidade de aproveitá-la”, concluiu.

Para o próximo ciclo de governo, independentemente de quem vença as eleições, a analista projeta um ambiente marcado por inflação elevada, atividade econômica mais fraca e juros altos no cenário internacional, o que deve encarecer o crédito e ampliar a cobrança por disciplina fiscal.

Estudo: fim da escala 6×1 pode reduzir PIB, renda, empregos e empresas

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Principal desafio no Brasil hoje é a taxa de juros, diz CFO da JBS

10 June 2026 at 01:17

Em entrevista à CNN Brasil, o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou nesta terça-feira (9) que o principal desafio para o ambiente de negócios no Brasil é o patamar elevado da taxa básica de juros.

Segundo o executivo, a trajetória dos juros brasileiros depende diretamente da capacidade do governo de enfrentar o déficit fiscal e oferecer previsibilidade para a economia.

Durante o bate-papo, Tomazoni disse que questões econômicas e os planos do governo seguem no centro das atenções das empresas, que precisam se adaptar constantemente às mudanças no cenário macroecônomico.

“O plano de governo é importante para sabermos como vamos lidar com o déficit fiscal, que no fundo é o que precisamos para ter uma taxa de juros menor”, afirmou.

Em meio aos conflitos contínuos no Oriente Médio, o mercado financeiro segue em um cenário de forte volatilidade, oscilando entre o otimismo e a cautela por parte dos investidores.

Nesse contexto, Tomazoni disse ainda que a JBS possui uma visão privilegiada das transformações econômicas globais por operar em diversos mercados. Na avaliação dele, o cenário internacional vive uma mudança de paradigma, com o enfraquecimento do modelo baseado na globalização e no livre comércio.

“O pêndulo foi primeiro para a globalização e para o livre comércio, o que ajudou as economias a crescerem. Mas elas não cresceram no mesmo ritmo. Algumas ganharam mais mercado que outras, e agora o pêndulo está voltando para um mundo mais protecionista”, avaliou o executivo.

Apesar do avanço das barreiras comerciais e da maior proteção aos mercados domésticos em diversas regiões, o CEO da JBS avalia que a presença global da empresa reduz os impactos dessas mudanças sobre seus negócios.

Segundo Tomazoni, a estratégia de manter operações produtivas em diferentes países permite à empresa adaptar seus fluxos comerciais de acordo com as condições de cada mercado.

“Independentemente dos acordos fechados ou das barreiras comerciais, sempre vamos ter um ângulo para exportar o nosso produto”, afirmou.

Café, carne e óleo são produtos que mais impactam o bolso das pessoas

Ouro fecha em queda com expectativa de alta nos juros; prata despenca 5%

9 June 2026 at 23:01

O ouro encerrou em queda nesta terça-feira (9) voltando a bater as mínimas do ano, em meio à piora no sentimento diante das expectativas de taxas de juros elevadas por um período prolongado nos Estados Unidos diante da continuidade das tensões no Oriente Médio.

A prata também registrou baixas acentuadas. Além do cenário geopolítico, o mercado avalia dados econômicos sobre a economia dos Estados Unidos, à espera do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto encerrou em queda de 1,76%, a US$ 4.286,4 por onça-troy, enquanto a prata para julho recuou 4,9%, a US$ 65,240 por onça-troy.

Os metais aceleraram as perdas no final da sessão após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o país irá responder a um ataque do Irã que abateu um helicóptero americano.

No lado iraniano, o tom mais duro também foi reforçado pelo presidente do Parlamento do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, que publicou uma aparente ameaça aos americanos no X. Em meio ao cenário, o ouro voltou a operar na faixa de US$ 4.200, recuando ao menor nível desde novembro de 2025.

Enquanto isso, as apostas por uma política monetária mais restritiva, assim como uma inflação mais alta, também pressionam os metais preciosos, segundo o TD Securities. De acordo com o MUFG, as expectativas de juros altos por mais tempo continuam sendo um obstáculo para ativos não rentáveis, como o ouro.

O metal “permanece cerca de 18% abaixo do seu nível pré-conflito, refletindo o impacto combinado do aumento dos rendimentos dos títulos, de um dólar mais forte e da mudança nas expectativas das taxas”, afirma.

Na mesma linha, o Commerzbank avalia que, caso os dados de inflação dos EUA apresentem alta acima do esperado, o preço do metal dourado deve continuar em queda.

“Enquanto prevalecerem as expectativas de aumento das taxas de juros, o ouro provavelmente permanecerá em baixa”, pontua a instituição.

Mais cedo, o mercado acompanhou a divulgação de uma série de números sobre a economia americana, como o déficit comercial, os estoques no atacado e as vendas de moradias usadas.

*Com informações de Dow Jones Newswires.

Novo Desenrola já beneficiou 6 milhões de pessoas, diz Dario Durigan

Logo Agência Brasil

O Novo Desenrola, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas, já beneficiou, nos primeiros dias do programa, mais de 6 milhões de pessoas e famílias, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Deste total, cerca de 4 milhões de pessoas tiveram suas dívidas quitadas.

Notícias relacionadas:

“São pessoas com dívidas pequenas de até R$ 100”, detalhou o ministro da Fazenda nesta terça-feira (9), durante entrevista concedida ao portal UOL.

O Novo Desenrola Brasil foi criado com o objetivo de reduzir a inadimplência e facilitar a recuperação do crédito. A iniciativa beneficia principalmente brasileiros de baixa e média renda, em especial quem ganha até cinco salários mínimos e tem dívidas bancárias em atraso.

Para tanto, são oferecidas condições mais favoráveis do que as disponíveis no mercado para quitar ou parcelar débitos.

Entre suas principais características estão descontos que podem chegar a até 90% sobre o valor da dívida e juros reduzidos (limitados a cerca de 1,99% ao mês). O parcelamento pode ser de até 48 meses.

Há também a possibilidade de uso de parte do FGTS para abater débitos e a “desnegativação” de consumidores com dívidas de pequeno valor.

Juros

Durante a entrevista, Durigan disse que a alta taxa de juros cobrada no Brasil é algo que, de fato, tem prejudicado as pessoas, mas que, por meio do programa, o governo tem ajudado a população a lidar com essa situação.

“Dados desta manhã mostram que mais de 6 milhões de pessoas e famílias já foram beneficiadas pelo Novo Desenrola logo nos primeiros dias do programa”, disse o ministro ao lembrar que essa é uma mobilização nacional que tem previsão de se encerrar no dia 2 de agosto.

Segundo Durigan, “cerca de 4 milhões de pessoas foram negativadas por terem dívidas pequenas, de até R$ 100; e 1,1 milhão de pessoas já pagaram suas dívidas à vista, com descontos médios superiores a 80%”.

“Essas pessoas limparam o nome e estão novamente aptas a consumir”, ressaltou.

Juros

O ministro da Fazenda negou que os juros no país estejam altos porque o governo gasta muito.

“Eles decorrem de desarranjos causados, em grande parte, pela guerra [dos EUA e de Israel contra o Irã]. Por isso, enquanto houver esse cenário, estamos adotando medidas de subvenção [de preços], como a da gasolina”, acrescentou ao reafirmar que, do ponto de vista fiscal, nada foi alterado.

“Nossas metas serão cumpridas”, concluiu o titular da Fazenda.

Novo Desenrola já beneficiou 6 milhões de pessoas, diz Dario Durigan

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O Novo Desenrola, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas, já beneficiou, nos primeiros dias do programa, mais de 6 milhões de pessoas e famílias, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Deste total, cerca de 4 milhões de pessoas tiveram suas dívidas quitadas.

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“São pessoas com dívidas pequenas de até R$ 100”, detalhou o ministro da Fazenda nesta terça-feira (9), durante entrevista concedida ao portal UOL.

O Novo Desenrola Brasil foi criado com o objetivo de reduzir a inadimplência e facilitar a recuperação do crédito. A iniciativa beneficia principalmente brasileiros de baixa e média renda, em especial quem ganha até cinco salários mínimos e tem dívidas bancárias em atraso.

Para tanto, são oferecidas condições mais favoráveis do que as disponíveis no mercado para quitar ou parcelar débitos.

Entre suas principais características estão descontos que podem chegar a até 90% sobre o valor da dívida e juros reduzidos (limitados a cerca de 1,99% ao mês). O parcelamento pode ser de até 48 meses.

Há também a possibilidade de uso de parte do FGTS para abater débitos e a “desnegativação” de consumidores com dívidas de pequeno valor.

Juros

Durante a entrevista, Durigan disse que a alta taxa de juros cobrada no Brasil é algo que, de fato, tem prejudicado as pessoas, mas que, por meio do programa, o governo tem ajudado a população a lidar com essa situação.

“Dados desta manhã mostram que mais de 6 milhões de pessoas e famílias já foram beneficiadas pelo Novo Desenrola logo nos primeiros dias do programa”, disse o ministro ao lembrar que essa é uma mobilização nacional que tem previsão de se encerrar no dia 2 de agosto.

Segundo Durigan, “cerca de 4 milhões de pessoas foram negativadas por terem dívidas pequenas, de até R$ 100; e 1,1 milhão de pessoas já pagaram suas dívidas à vista, com descontos médios superiores a 80%”.

“Essas pessoas limparam o nome e estão novamente aptas a consumir”, ressaltou.

Juros

O ministro da Fazenda negou que os juros no país estejam altos porque o governo gasta muito.

“Eles decorrem de desarranjos causados, em grande parte, pela guerra [dos EUA e de Israel contra o Irã]. Por isso, enquanto houver esse cenário, estamos adotando medidas de subvenção [de preços], como a da gasolina”, acrescentou ao reafirmar que, do ponto de vista fiscal, nada foi alterado.

“Nossas metas serão cumpridas”, concluiu o titular da Fazenda.

Juros dos depósitos a prazo sobem em abril pelo terceiro mês consecutivo

A remuneração dos novos depósitos a prazo aumentou em abril pelo terceiro mês consecutivo, para 1,44%, uma tendência em linha com a zona do euro, apesar de continuar abaixo do verificado no mês homólogo, divulgou hoje BdP.

Segundo o Banco de Portugal (BdP), a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares avançou 0,02 pontos percentuais em abril face a março, para 1,44%.

Este indicador compara com uma média de 1,64% no mesmo mês do ano passado.

A remuneração dos novos depósitos a prazo caiu de forma consecutiva desde janeiro de 2024 (2,91%) até agosto de 2025 (1,39%, tendo registado ligeiras variações nos meses seguintes.

No final de abril, e face a março, o montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares avançou 288 milhões de euros, para 13.398 milhões de euros, no valor mais alto da série histórica.

Em termos homólogos, compara com os 12.970 milhões de euros colocados em abril de 2025.

A taxa de juro média dos novos depósitos com prazo até um ano também aumentou 0,02 pontos percentuais, cifrando-se em 1,44%, tendo estes representado 97% dos novos depósitos no mês em análise.

No quadro europeu, a taxa de juro média avançou 0,05 pontos percentuais, cifrando-se em 1,91%.

Portugal foi, no mês em análise, o sexto país com a taxa mais baixa da zona euro.

Junto das empresas, a remuneração média para depósitos a prazo subiu face a março, passando de 1,79% para 1,83%, que compara com 2,01% um ano antes.

Junto das sociedades, os novos depósitos somaram 11.326 milhões de euros, menos 188 milhões de euros do que no mês anterior. No mês em análise, os depósitos a prazo até um ano representaram 99,7% dos novos depósitos a prazo das empresas.

Euribor sobe a 3 meses para máximo desde abril de 2025 e cai a 6 e 12 meses

Euribor

A taxa Euribor subiu hoje a três meses para um novo máximo desde abril de 2025 e desceu a seis e a 12 meses em relação a quinta-feira.

Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que avançou para 2,312%, continuou abaixo das taxas a seis (2,584%) e a 12 meses (2,842%).

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, desceu hoje, ao ser fixada em 2,584%, menos 0,004 pontos do que na quinta-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a março indicam que a Euribor a seis meses representava 39,41% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,62% e 24,65%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também recuou hoje, para 2,842%, menos 0,009 pontos do que na sessão anterior.

Em sentido contrário, a Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,312%, mais 0,001 pontos que na quinta-feira e um novo máximo desde abril de 2025.

A média mensal da Euribor subiu, de novo, nos três prazos em maio, mas de forma menos acentuada do que em abril.

Em maio, a média mensal da Euribor subiu 0,051 pontos para 2,226% a três meses.

Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor avançou 0,082 pontos para 2,536% e 0,057 pontos para 2,804%, respetivamente.

Em 30 de abril, na segunda reunião desde o início da guerra, o BCE manteve as taxas diretoras, pela sétima reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

O mercado antecipou esta manutenção das taxas diretoras, mas prevê um aumento na próxima reunião de política monetária do BCE, que se realiza em 10 e 11 de junho em Frankfurt, Alemanha.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

Renminbi e competitividade chinesa relembram Paradoxo de Kaldor

5 June 2026 at 08:37

A valorização recente do renminbi (RMB) está longe de ser um simples detalhe cambial. Desde 2025, a moeda chinesa tem reforçado a sua tendência de alta. Poderá uma moeda fortemente controlada por um governo, neste caso o chinês, tornar-se, num futuro próximo, uma das principais unidades de conta de uma eventual nova reorganização financeira mundial? Pelo menos geograficamente, no sudeste asiático, o RMB vai conquistando o seu espaço, ainda que de forma lenta, mas consistente. Desde janeiro de 2025, o RMB passou de 7,30 yuan por dólar para 6,76 yuan, uma valorização de 8% face à moeda americana. Contra o euro, e ao longo dos últimos 12 meses, passou de 8,45 yuan por euro para 7,85 yuan, uma apreciação de 7,7%.

Apesar das tensões geopolíticas, das tarifas e dos esforços de diversificação das cadeias de abastecimento pelo Ocidente, a ‘máquina exportadora’ chinesa continua extremamente competitiva. Quando empresas de todo o mundo compram produtos chineses, acabam por aumentar a procura de yuans, um suporte ‘natural’ para a moeda. A China lidera de longe as exportações mundiais de bens há vários anos. Em 2025, as suas exportações ultrapassaram os 3,5 biliões de dólares, muito acima dos restantes principais países exportadores, vendendo desde eletrónica, painéis solares, baterias, veículos elétricos, químicos, aos têxteis e bens manufaturados.

A diferença entre a China e os restantes países aumentou após 2020, alicerçada na enorme capacidade industrial, nas cadeias de abastecimento integradas, nos baixos custos de produção, no investimento acentuado em infraestruturas e na crescente especialização em tecnologia e indústria pesada. A China importou 2,6 biliões de dólares em bens durante 2025, o segundo maior importador mundial, atrás apenas dos EUA. Comprou sobretudo chips, petróleo, gás natural, ferro, cobre e produtos agrícolas (soja). Exporta muito mais do que importa, mantendo um considerável excedente comercial, o qual se reflete na força do renminbi. É precisamente esse confronto entre “fábrica do mundo”, a China, e “consumidor do mundo”, os EUA, que está no centro da atual disputa monetária entre o dólar e o renminbi.

A tendência de queda do dólar desde o início de 2025, impulsionada pela expectativa de aceleração do ciclo de descida das taxas de juro nos EUA, reduziu a atratividade relativa dos ativos denominados em dólares. Todavia, nos últimos meses, apesar de as taxas de juro na China manterem uma tendência de baixa e nos EUA de alta, com os juros americanos a aumentarem devido aos receios inflacionistas e às tensões no Médio Oriente, o renminbi continua a valorizar, evidenciando uma força estrutural que vai muito além do simples diferencial de taxas de juro.

Também a reentrada de investidores internacionais em ativos chineses, após vários anos difíceis para o mercado imobiliário e para as bolsas chinesas, reforça a valorização do RMB. Embora continue a existir cautela, os fluxos de capital voltaram a melhorar, impulsionando a procura de yuans. Existe igualmente uma estratégia chinesa de longo prazo e Pequim continua empenhada em aumentar o papel internacional do RMB. O uso da moeda chinesa em acordos comerciais bilaterais tem crescido, sobretudo com países da Ásia, Médio Oriente, África e América Latina. Paralelamente, a expansão do yuan digital e dos sistemas alternativos de pagamentos internacionais procura reduzir a dependência do sistema financeiro dominado pelo dólar.

Contudo, o PBoC não quer uma valorização acentuada da moeda que reduziria a competitividade das exportações chinesas, um dos pilares do crescimento económico do país. O cenário mais plausível continua a ser uma apreciação gradual e gerida pelas autoridades chinesas. À semelhança das moedas da Alemanha e do Japão no pós-Segunda Guerra, a combinação de excedentes comerciais, internacionalização gradual do RMB e enfraquecimento estrutural do dólar poderá prolongar a tendência de valorização da moeda, relembrando o Paradoxo de Kaldor.

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