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Depois de BCE e Japão, seguem-se Fed e Banco de Inglaterra

17 June 2026 at 07:01

Depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter arrancado duas semanas intensas de reuniões dos bancos centrais com uma subida de 25 pontos base (pb) e de o Banco do Japão (BoJ) ter dado seguimento com igual mexida, agora é a Reserva Federal dos EUA que se reúne, isto um dia antes do Banco de Inglaterra (BoE). No entanto, em ambos os casos, a expectativa é de uma manutenção do atual nível, sobretudo face à assinatura iminente do acordo de paz entre os EUA e o Irão.

O mercado está a dar como praticamente adquirido que a reunião desta quarta-feira não trará alterações nos juros diretores da maior economia do mundo, isto apesar do disparo recente da inflação que levou o indicador a 4,2% em maio, o valor mais alto desde abril de 2023. O acordo iminente entre norte-americanos e iranianos para pôr fim à guerra começada em fevereiro está a fazer descer os preços do barril de petróleo, mas, nos EUA, um corte de juros nunca foi o cenário base para os investidores.

Olhando para as taxas implícitas de mercado fornecidas pela FedWatch Tool, do CME Group, é constatável que o mercado atribui atualmente, na véspera do anúncio da decisão de política monetária, uma probabilidade de 99,6% à manutenção do atual intervalo entre 3,5% e 3,75%, mas, há um mês, essa probabilidade era de 98,7%. Ou seja, um mês não alterou as perspetivas dos investidores, pelo que o memorando de entendimento entre Washington e Teerão não é o fator chave nesta equação.

Ainda assim, os analistas antecipam que a Fed “elimine o viés acomodatício adotado desde o início do atual ciclo de cortes de juros”, mostrando assim uma “crescente preocupação com a inflação persistente”, explica Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da AllianzGI.

“As atas sugerem que o equilíbrio interno se deslocou para uma postura mais restritiva, dada a crescente incerteza sobre a duração e os efeitos económicos do conflito no Médio Oriente”, acrescenta. Tal ficaria também em linha com a postura do novo presidente, Kevin Warsh, conhecido por ser agressivo contra a inflação.

Além da leitura mais recente do índice de preços no consumidor (IPC), o índice de gastos pessoais de consumo (PCE), a medida preferida da Fed na avaliação da inflação, mostra o indicador subjacente acima do objetivo de 2% desde 2021 e com uma tendência crescente nos últimos meses, reforçando a necessidade de lidar com a pressão cada vez mais abrangente nos preços.

Por outro lado, o novo presidente do banco central “herda o Comité mais dividido em mais de três décadas, com três membros votantes a já discordarem do viés acomodatício em Abril, enquanto o governador cessante, Stephen Miran, voltou a votar a favor de um corte na taxa de juro”. Isto combinado com os comentários de Warsh no passado sobre ‘mudança de regime’ na Reserva Federal podem complicar os primeiros tempos do banqueiro.

Daniel Murray, diretor interino de investimentos e líder da unidade de pesquisa da EFGAM, argumenta precisamente que a conferência de imprensa será “mais animada do que habitual”, dados os comentários passados de Warsh, o ambiente em que se estreia na presidência do banco central e a sua vontade explícita de reduzir a comunicação da Fed.

“Apesar de Warsh ser altamente educado e um antigo governador da Fed, a vontade de comunicar menos pode estar relacionada com o facto de que não é um economista treinado, pelo que poderá ficar desconfortável com as questões de jornalistas experientes em política monetária norte-americana”, escreve.

Japão e Austrália divergem

A reunião da Fed finaliza dois dias após o BoJ ter seguido o rumo do BCE e ter subido taxas em 25 pb, levando o indicador de referência a 1% – o valor mais alto dos juros diretores nipónicos em 31 anos. E as subidas não devem ficar por aqui.

O governador interino, Shinichi Uchida, sinalizou que o banco central continuará a combater a pressão nos preços e voltará a subir taxas, dado o risco de espiral inflacionista. O acordo entre EUA e Irão dá algum alívio, mas a pressão nos custos das empresas tem sido transmitida à economia via preços e também salários, arriscando uma inflação mais entrincheirada e persistente.

A decisão era tomada como adquirida pelos mercados, que já precificavam a subida, mas nem por isso foi unânime, com um dissidente entre os oito votantes. Ainda assim, com os juros em 1% e a taxa de inflação a chegar a 1,4% na leitura mais recente, a taxa real permanece negativa.

Como tal, e dada a fraqueza do iene nos mercados cambiais aliada a ganhos salariais consideráveis, o mercado inclina-se para nova subida este ano, independentemente do desfecho do conflito americano-israelita no Médio Oriente. O banco ING aponta para outubro para esta nova subida.

Mais a sul, o Banco da Reserva da Austrália (RBA) optou por manter esta terça-feira as taxas sem mexidas, embora sinalizando prováveis novas subidas no horizonte. Foi a primeira reunião este ano do banco central australiano sem mexidas nos juros, isto após três subidas que deixaram os juros de referência em 4,35%.

Mais de metade dos analistas ouvidos pelo Canal 9 australiano apostam em pelo menos mais uma subida de juros até final do ano e mais de 60% destes apontam para a próxima reunião, em agosto.

Falcões ingleses perdem fôlego

Além do Japão, também o Reino Unido vê o banco central reunir esta semana, sendo improvável uma mexida em junho – e até mesmo no resto do ano.

Os investidores chegaram a equacionar uma subida perante novo choque energético, embora se dividissem entre junho e julho, mas o entendimento entre norte-americanos e iranianos já pressiona a cotação do petróleo em baixa, sendo expectável uma certa normalização do mercado energético nos próximos meses.

Como tal, a possibilidade de uma subida esta quinta-feira deixou de estar em cima da mesa e o mercado antecipa agora apenas 25% de probabilidades de tal acontecer em julho, além de ter ajustado em baixa as previsões para as mexidas nos juros de referência de três para apenas uma este ano.

Ainda assim, e olhando para a tendência recente nas votações do banco, não seria surpreendente ver dissidentes. O banco ING antecipa pelo menos dois votos a favor de nova subida, o que deixaria o resultado em 7-2 no Comité do BoE.

BC do Japão eleva taxa de juros ao maior nível em 31 anos

16 June 2026 at 11:30

O Banco do Japão elevou a taxa de juros para o ​maior patamar em 31 anos nesta terça-feira (16), marcando mais ​um passo decisivo na normalização da política monetária, com foco em conter as pressões inflacionárias decorrentes do choque energético causado pela guerra no Oriente Médio.

O aumento foi o primeiro desde dezembro e alinha o Banco do Japão com outros bancos centrais que estão adotando uma política monetária mais restritiva para combater a inflação, incluindo o Banco Central Europeu.

O vice-presidente Shinichi Uchida reconheceu o recente acordo de paz entre os ⁠EUA e o Irã, que descreveu ​como uma “medida bem-vinda”, mas observou riscos inflacionários persistentes.

“Em comparação com a reunião anterior, o ​risco de uma deterioração acentuada da economia diminuiu. Por outro lado, os aumentos de preços estão ⁠se generalizando e há o risco de que ⁠a inflação subjacente se desvie de nossa meta”, disse Uchida em uma coletiva ​de ‌imprensa realizada em nome do presidente Kazuo Ueda, que não compareceu à reunião por motivos de saúde.

Em ⁠um movimento amplamente esperado, o banco central decidiu elevar sua taxa de juros de curto prazo de 0,75% para 1%, levando os custos dos empréstimos a níveis vistos pela última vez em 1995.

Em comunicado anunciando ‌a ⁠decisão, o Banco do ‌Japão afirmou que o risco de uma deterioração acentuada da economia japonesa devido ao conflito no Oriente Médio diminuiu graças aos avanços na obtenção de fontes alternativas de energia.

Por outro lado, as perspectivas de ⁠preços merecem atenção, já que as empresas estavam repassando ⁠os custos crescentes do petróleo umas às outras em um “ritmo relativamente rápido”, o que pode elevar os preços ao consumidor ‌em uma ampla gama de itens, afirmou.

“Levando em conta que as expectativas de inflação de médio e longo prazo também continuaram a aumentar, há o risco de a inflação subjacente se desviar para acima de nossa meta de preços”, afirmou o banco central.

A decisão foi tomada por 7 ‌votos a 1. Toichiro Asada, que ingressou na diretoria em abril como o primeiro membro escolhido a dedo pela primeira-ministra Sanae Takaichi, discordou da visão de que os riscos de queda para ⁠o crescimento decorrentes do conflito no Oriente Médio eram maiores do que os riscos de inflação.

O Banco do Japão também decidiu suspender seu programa de redução gradual de compras de títulos a partir de ​abril do próximo ano e continuar a comprar cerca de 2 trilhões de ienes (US$ 12,5 bilhões) em ​títulos do governo japonês por mês.

Ele descontinuará a prática de realizar uma revisão anual de seu plano de redução de compras de títulos, mas permanecerá pronto para ajustar o ritmo das compras, se necessário, em futuras reuniões de política monetária.

Disparada do petróleo: Veja medidas que países estão adotando contra preços

Bolsas da Ásia fecham mistas; Nikkei atinge recorde após BoJ elevar juro

16 June 2026 at 11:23

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta terça-feira (16), com o índice japonês Nikkei chegando a superar brevemente a marca de 70 mil pontos pela primeira vez, antes de o BoJ (Banco do Japão) elevar sua taxa de juros em 25 pontos-base, para 1%, o maior patamar em três décadas.

O Nikkei subiu 0,13% em Tóquio, a 69.404,50 pontos, novo recorde de fechamento, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 2,11% em Seul, a 8.726,60 pontos. Em outras partes da Ásia, o Taiex registrou ganho de 0,91% em Taiwan, a 45.809,19 pontos, e o Hang Seng caiu 1,40% em Hong Kong, a 24.493,95 pontos.

No Japão, a ação do aplicativo de transporte Go saltou 10% na estreia em Tóquio, após a maior IPO (oferta pública inicial) do país neste ano.

Na China continental, o Shanghai Composto teve leve baixa de 0,11%, a 4.091,89 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,02%, a 2.817,80 pontos.

Investidores na Ásia também seguem na expectativa de que Estados Unidos e Irã assinem até o fim da semana um acordo de paz provisório, anunciado no domingo (14), para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada há três meses e meio.

A perspectiva de que o acordo leve à reabertura do Estreito de Ormuz – por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial – mantém a commodity em baixa. No fim da madrugada, o Brent caía mais de 2%, para cerca de US$ 81 por barril.

Além do BoJ, que também decidiu reduzir as compras de títulos da dívida pública do Japão, o Fed (Federal Reserve) e o BoE (Banco da Inglaterra) anunciam decisões de juros nesta semana, amanhã e na quinta-feira (18), respectivamente.

Na Oceania, a bolsa da Austrália ficou praticamente estável, com alta marginal de 0,04% do índice S&P/ASX 200 em Sydney, a 8.917,70 pontos.

Disparada do petróleo: Veja medidas que países estão adotando contra preços

Banco do Japão sobe taxas de juro para nível mais elevado em 31 anos

16 June 2026 at 08:57

O Banco Central do Japão (BoJ) decidiu subir as taxas de juro em 25 pontos base, esta terça-feira, para 1%, o nível mais elevado em 31 anos. A decisão teve sete votos favoráveis e um voto a defender a manutenção das taxas de juro. Esta é a primeira subida desde dezembro e a primeira vez desde 1995 que a taxa chega a 1%. O banco central asiático confirmou também que iria abrandar o ritmo de compra de obrigações em cerca de 200 biliões de yen (mil milhões de euros) por trimestre, assinalou a CNBC.

O estrategista da região Ásia-Pacífico da J.P. Morgan Asset Management, Tai Hui, citado pela CNBC, apesar de sublinhar que esta subida dos juros já ser esperada, destacou que o grande apoio do banco central a este aumento indica que o conselho está mais atento às “preocupações com a inflação do que com o crescimento”.

Tai Hui referiu também que a reabertura do Estreito de Ormuz, deve diminuir a incerteza sobre os choques de oferta para o Japão, sublinhando que a reabertura deste canal também deu ao banco central asiático “mais confiança” para retomar a normalização da política monetária.

No domingo as forças norte-americanas e iranianas confirmaram a existência de um entendimento para colocar fim ao conflito. Isto fez as bolsas subirem, os preços do petróleo caírem, e o ouro e a prata subirem, no decorrer da sessão de segunda-feira. No âmbito desse acordo seria reaberto o Estreito de Ormuz num prazo de 30 dias e colocado um fim ao bloqueio dos Estados Unidos ao Irão. Além disso foi estabelecido um prazo de 60 dias de negociações entre os dois países, prolongando-se o cessar-fogo.

O banco central asiático destacou também a influência que a subida do petróleo, por via do conflito no Médio Oriente, tem tido na economia japonesa.

“No entanto, a transmissão dos preços decorrentes da subida do crude tem ocorrido a um ritmo relativamente acelerado nas transações entre empresas, o que pode estender-se a um aumento dos preços no consumidor numa vasta gama de artigos”, referiu o BoJ, em declarações transcritas pela CNBC.

E já há quem acredita que a subida das taxas de juro devem continuar até 2027.

“Com o Banco a alertar para os riscos ascendentes para a inflação, esperamos que volte a aumentar as taxas na sua reunião de outubro e as eleve para 2,0% até ao final do próximo ano”, avançaram os analistas da Capital Economics, em nota transcrita pela publicação financeira Investing. A previsão destes analistas é que o BoJ continue a subida das taxas de juro deixando-as nos 1,75% até final de 2027.

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