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Sem citar tarifas, cônsul diz que EUA estão abertos para capital do Brasil

10 June 2026 at 13:09

O cônsul-geral do Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, disse que as portas dos Estados Unidos estão abertas para o capital brasileiro e as companhias nacionais.

A avaliação do cônsul é de que o atual contexto é propício para o investimento brasileiro nos EUA. Ele citou que as condições da economia americana são favoráveis por conta da baixa carga tributária, ao grande mercado consumidor e ao que chamou de “cultura do empreendedorismo“.

“Quero deixar uma mensagem clara: as portas dos Estados Unidos estão mais do que nunca abertas para o capital brasileiro”, afirmou em evento com empresários e lideranças em São Paulo, nesta terça-feira (9).

Murakami citou ainda uma série de investimentos de grandes companhias brasileiras no país, entre elas, a Embraer e a JBS.

“Os estados dos EUA, governadores e agências de desenvolvimento estão comprometidos em aumentar suas parcerias com o setor privado, tanto para empresas americanas, mas também para empresas brasileiras”, declarou.

Por outro lado, Murakami evitou comentar sobre a proposta de taxação dos EUA contra o Brasil, a partir da investigação com base na Seção 301. Apesar de ser o tema central do encontro desta terça, o cônsul não citou o assunto durante sua coletiva.

Apesar dessa sinalização, a avaliação majoritária dos empresários presentes no evento é de que o impasse com os americanos deve ser resolvido no curto prazo, além de que as novas tarifas teriam impacto limitado na economia brasileira.

O governo dos EUA tem até 15 de julho para decidir sobre a definição e aplicação da proposta, que passará por consultas públicas e audiências antes da aprovação.

Pix, etanol e pirataria: O que motiva tarifaço dos EUA contra o Brasil

Tarifaço dos EUA tem componente político, mas de curto prazo, diz Meirelles

10 June 2026 at 12:59

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o novo tarifaço dos Estados Unidos que pode atingir o Brasil possui um componente político, mas de curto prazo.

Meirelles participou nesta terça-feira (9) de um evento com lideranças e economistas em São Paulo.

O ex-ministro da Fazenda afirmou, no entanto, que o Pix pode ser visto por empresas americanas de pagamentos como uma forma de concorrência desigual.

Meirelles ressaltou as qualidades e benefícios gerados pela ferramenta para a economia brasileira, mas explicou os argumentos das companhias americanas sobre o meio de pagamento do BC.

O Pix é citado pelo USTR (Representante comercial dos Estados Unidos) que questiona distorções competitivas em várias áreas com relação ao Brasil, entre elas, meio de pagamentos, serviços financeiros e comércio eletrônico.

Meirelles disse que avanços regulatórios e a operação direta pelo BC fizeram com que o Pix ganhasse escala rápida. Para ele, esse cenário faz com que os americanos vejam uma desigualdade na ferramenta.

O governo dos EUA tem até 15 de julho para decidir sobre a definição e aplicação da proposta, que passará por consultas públicas e audiências antes da aprovação.

Em seu relatório, o USTR conclui que o uso do Pix como meio de pagamento eletrônico é “injusto e discriminatório” contra empresas americanas.

“O duplo papel do Banco Central do Brasil como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses, diante da ausência de salvaguardas processuais adequadas”, afirma um trecho do documento.

Pix, etanol e pirataria: O que motiva tarifaço dos EUA contra o Brasil

Aumento de preço dos combustíveis afeta fazendeiros dos EUA

10 June 2026 at 12:57

Os altos custos da energia estão pressionando os produtores de grãos em toda a região agrícola dos Estados Unidos, à medida que a guerra com o Irã restringe ​o abastecimento de combustível pelo Estreito de Ormuz e eleva os preços do diesel a níveis recordes ​nos principais Estados agrícolas.

Muitos agricultores já estavam sob pressão antes do conflito e enfrentavam o quarto ano consecutivo de margens em queda, prejudicados por uma seca recorrente, altos custos de insumos e as consequências das políticas comerciais do presidente dos EUA, Donald Trump, que têm pesado sobre os preços das safras.

O conflito levou os preços do diesel em vários Estados do Meio-Oeste, principal região produtora de milho e soja dos Estados Unidos, a novos recordes históricos em maio, justamente quando os agricultores intensificavam o plantio e outros trabalhos de campo da primavera.

O diesel em Wisconsin atingiu US$5,873 por galão, enquanto em Indiana chegou a US$6,167 e em Illinois subiu para US$6,14 em meados de maio. Ohio e Michigan também registraram recordes, de acordo com dados da associação de motoristas AAA.

O ⁠preço médio nacional do diesel subiu mais de 40% desde o início do ​conflito no Oriente Médio. Os preços globais do petróleo, que influenciam o diesel e a gasolina, subiram cerca de 30% desde o final de fevereiro.

Nas fazendas dos Estados ​Unidos, o diesel alimenta os equipamentos necessários para operações cruciais no campo, desde a pulverização de pesticidas e o plantio de sementes até a fertilização dos campos e a colheita.

Ao contrário ⁠de outros setores que podem trocar de combustível, a maioria das máquinas agrícolas dos EUA ⁠é projetada para funcionar com diesel, deixando os agricultores altamente expostos à volatilidade do preço do diesel.

“É um custo enorme”, disse Glenn Brunkow, que ​cultiva ‌soja e cria gado em Wamego, Kansas. “Não há muito que possamos fazer a respeito, e não tínhamos previsto isso no orçamento. Surgiu do nada e nos pegou de surpresa.”

Antes da guerra, as despesas ⁠relacionadas a combustível representavam cerca de 3% a 4% dos custos médios de insumos de um agricultor de culturas em linha de Illinois, ou aproximadamente US$16 a US$23 por acre, disse Ben Klieve, analista da Benchmark, referindo-se a estimativas da Universidade de Illinois.

Se os preços do diesel permanecerem no nível atual, os custos relacionados ao combustível podem subir para 5% a 6% dos custos totais de insumos, ou de ‌uma média ⁠de US$20 por acre para ‌US$30 por acre para os agricultores de culturas em linha, disse Klieve.

“É um ambiente muito difícil para os agricultores atualmente”, disse ele. “Os preços dos grãos que eles estão produzindo caíram drasticamente nas últimas semanas e estão, na verdade, abaixo dos níveis anteriores à guerra com o Irã, enquanto os custos de insumos, como diesel e fertilizantes, permanecem significativamente mais altos, de modo que seus resultados financeiros só estão ⁠ficando mais fracos.”

Agricultores se preparam para perdas 

O agricultor de milho e soja Tom Murphy disse que adiou os ⁠planos de arar os campos que alugou recentemente no noroeste de Indiana porque não queria gastar combustível precioso para operar suas máquinas.

Antes da alta nos preços, Murphy pretendia arar cinco campos para nivelar o solo, de modo que fosse ‌mais fácil operar os equipamentos de pulverização e colheita. No entanto, ele arou apenas um deles, tentando esticar os cerca de 6.000 galões de diesel agrícola que comprou em dezembro. Ele ainda usará os campos para o plantio, mas a terra não estará nas condições que ele desejava.

“Vamos deixá-los um pouco irregulares este ano e arrumá-los no ano que vem, acho”, disse Murphy.

Ele afirmou no final de maio que ainda tinha cerca de 2.500 galões armazenados desde dezembro e precisaria comprar mais para cuidar das plantações durante a importante estação de cultivo do verão.

Don Bloss, ‌produtor de grãos e soja em Pawnee City, Nebraska, disse que estava pagando tarifas de transporte mais altas aos caminhoneiros para levar o milho por 80 milhas até o mercado.

“Você só tem que continuar assinando os cheques”, disse Bloss. “Estamos à mercê de todo mundo.”

Mais dificuldades a caminho

Especialistas alertaram que os preços dos combustíveis podem subir ainda mais se a guerra ⁠no Irã continuar a restringir o abastecimento global de combustíveis.

A demanda por produtos petrolíferos dos EUA permaneceu alta desde o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem crítica para quase um quinto do fluxo global de petróleo. Se as exportações de gasolina e diesel permanecerem próximas a níveis recordes à medida que o verão se aproxima, a reserva de abastecimento doméstico que ajuda a manter os preços ​sob controle poderá encolher ainda mais.

Os estoques de óleo combustível destilado dos EUA caíram para o nível mais baixo em 23 anos em maio, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA. ​Os estoques de destilados do país, que incluem diesel e óleo para aquecimento, caíram 2,1 milhões de barris na semana encerrada em 22 de maio, para 100,8 milhões de barris, o nível mais baixo desde maio de 2003.

O caminho está longe de estar livre, já que persiste a incerteza em torno de um possível acordo entre os EUA e o Irã, disse Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy.

“De modo geral, qualquer revés nas negociações poderia reverter rapidamente a recente ‌queda nos preços dos combustíveis”, disse De Haan.

 

 

FAO vê risco de choque nos fertilizantes e na produção agrícola

10 June 2026 at 12:51

O diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), Qu Dongyu, afirmou que a crise no Estreito de Ormuz representa um risco para a segurança alimentar global, especialmente devido aos possíveis impactos sobre o fornecimento de fertilizantes e insumos agrícolas.

Segundo Qu, o estreito é uma rota estratégica para o comércio internacional. Aproximadamente 35% das exportações globais de petróleo bruto, 20% das exportações de GNL (gás natural liquefeito), entre 20% e 30% das exportações mundiais de fertilizantes e cerca de 50% das exportações globais de enxofre passam pela região.

“O fechamento do Estreito de Ormuz não é uma questão regional, é um risco global para a segurança alimentar”, afirmou durante Sessão do Conselho da entidade.

De acordo com o diretor-geral, o principal impacto da crise não seria uma escassez imediata de alimentos, mas um choque relacionado aos fertilizantes e à produção agrícola. Com a crise alcançando a marca de 100 dias, agricultores da Ásia, África e América Latina já enfrentam aumento dos custos de produção e decisões mais complexas sobre o uso de fertilizantes e o planejamento das safras.

Diante desse cenário, a FAO apresentou um conjunto de recomendações de curto, médio e longo prazo. Entre as medidas imediatas estão a manutenção da abertura do comércio internacional, a não adoção de restrições às exportações de insumos agrícolas, a proteção de corredores humanitários para alimentos e a busca por rotas logísticas alternativas.

A organização também informou que está ampliando iniciativas voltadas ao uso mais eficiente de fertilizantes, incluindo mapeamento de solos, agricultura de precisão e sistemas de cultivo consorciados para reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados. Além disso, trabalha na criação de fundos para o desenvolvimento de alternativas como amônia verde e biofertilizantes.

Qu também alertou para possíveis riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño ainda neste ano, que podem afetar a produção agrícola em países já submetidos a crises alimentares.

Recursos para emergências

Durante o discurso, o diretor-geral apresentou uma atualização sobre o Apelo Global de Emergência e Resiliência, lançado pela FAO em dezembro de 2025 com o objetivo de alcançar 100 milhões de pessoas até 2026.

Até o final de maio deste ano, a iniciativa havia recebido US$ 206 milhões dos US$ 2,5 bilhões considerados necessários, o equivalente a cerca de 8% da meta financeira.

“Embora os recursos recebidos estejam fazendo a diferença, eles também nos lembram da dimensão do desafio que temos pela frente”, declarou.

A FAO destacou ações realizadas em áreas afetadas por conflitos e insegurança alimentar. No Sudão, a organização e seus parceiros vacinaram mais de 6,2 milhões de animais em 17 estados, beneficiando aproximadamente 1,9 milhão de pessoas. Em Gaza, o fornecimento emergencial de ração para mais de 2.200 criadores permitiu a manutenção dos rebanhos e a continuidade da produção de alimentos, segundo a entidade.

Apesar do déficit de recursos do apelo global, a FAO informou ter mobilizado US$ 564 milhões em contribuições voluntárias até o final de maio, valor cerca de 4% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Cooperação internacional

Qu também ressaltou o apoio recebido de instituições financeiras internacionais e de fundos voltados ao clima e ao meio ambiente. Segundo ele, a parceria entre a FAO e o Fundo Global para o Meio Ambiente atingiu, em dezembro de 2025, a marca de US$ 2 bilhões em financiamentos.

O diretor-geral destacou ainda a adesão de mais de 77 países ao Programa de Parceria Global para Doenças Animais Transfronteiriças, iniciativa voltada à prevenção e ao controle de enfermidades que afetam a produção agropecuária.

Na América Latina e no Caribe, as prioridades incluem a preservação dos avanços recentes na redução da fome, além do enfrentamento dos altos custos de dietas saudáveis e da pobreza rural. 

Ao encerrar o discurso, Qu reforçou a necessidade de fortalecer a capacidade de antecipação e resposta a crises em um cenário marcado por conflitos, eventos climáticos e desafios econômicos globais.

Governo amplia benefícios do Reidi para sistemas aeroportuários

10 June 2026 at 12:40

O Ministério de Portos e Aeroportos assinou nesta terça-feira (9) uma portaria que amplia o acesso ao Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) para projetos de infraestrutura aeroportuária. A medida também inclui sistemas de proteção ao voo instalados em aeródromos públicos.

Com a nova regulamentação, o benefício fiscal passa a abranger projetos relacionados a sistemas aeroportuários e de proteção ao voo em aeródromos públicos, incluindo aeroportos administrados pela Infraero, estados e municípios, além de empreendimentos em áreas aeroportuárias voltados à operação e desenvolvimento logístico e comercial.

Segundo o Ministério, a medida integra a estratégia do programa Investe + Aeroportos e tem como objetivo ampliar a atratividade do setor para investimentos privados, além de estimular a ocupação econômica dos sítios aeroportuários.

Durante o evento, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou que a atualização do Reidi busca fortalecer o ambiente de negócios e aumentar a capacidade de atração de capital nacional e estrangeiro para o setor de infraestrutura aeroportuária.

“O Reidi vem para consolidar esse desejo de fazermos do setor de aeroportos algo atrativo para o capital nacional e para o capital estrangeiro, fazendo com que a infraestrutura cumpra seu papel de desenvolver o país, gerar oportunidades para o nosso povo, renda para os brasileiros e bons negócios para quem acredita e investe no Brasil”, disse.

De acordo com a diretora de Assuntos Econômicos do ministério, Helena Venceslau, a portaria corrige uma limitação da norma anterior, que restringia o benefício às concessionárias aeroportuárias. Com a mudança, projetos prioritários em aeródromos públicos passam a ter acesso ao regime, ampliando a segurança jurídica para investidores.

“A portaria anterior limitava o acesso ao Reidi às concessionárias aeroportuárias. Com a atualização, ampliamos o alcance da política pública para projetos prioritários de infraestrutura, criando mais oportunidades para investimentos no setor.”

O governo avalia que a medida pode impulsionar novos investimentos, gerar empregos e fortalecer a infraestrutura aeroportuária brasileira.

Durigan diz apoiar PEC da autonomia do BC, mas adverte cuidado com projeto

10 June 2026 at 12:19

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite de terça-feira (9), ser favorável ao fortalecimento do Banco Central com a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65, que garante autonomia orçamentária e financeira ao BC.

Ele advertiu, no entanto, que “é preciso tomar cuidado, porque a pretexto de fortalecer o BC, uma série de outras regras podem ser incluídas e isso pode atrapalhar”.

Conforme o Broadcast noticiou mais cedo na terça, a equipe econômica do governo Lula trabalha em uma alternativa à PEC. A ideia seria manter o BC como autarquia, mas com maior autonomia para gerir os próprios recursos.

A PEC 65 é o primeiro item da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado desta quarta-feira, (10).

O presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), garantiu, em entrevista ao Broadcast, que a matéria será votada e não há possibilidade de retirar o texto da pauta.

O relator senador Plínio Valério (PSDB-AM), descartou qualquer possibilidade de acolher uma mudança no texto.

Apesar disso, Durigan disse que pretende falar novamente com Plínio Valério “para que a gente tenha espaço de arrumar o texto e não ter um texto ruim sendo votado no Senado”.

Na Aquishow, Ministério da Pesca lança plano sustentável para aquicultura

10 June 2026 at 12:01

Durante a abertura da Aquishow Brasil 2026, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, nesta terça-feira (9), o ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araújo, anunciou o lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura. A iniciativa busca estruturar, organizar e modernizar a cadeia produtiva do setor em todo o país.

Em seu discurso, o ministro destacou a importância da competitividade, da inovação e da assistência técnica para ampliar a produção nacional. Segundo ele, investir em educação e qualificação é fundamental para o crescimento sustentável da atividade.

A solenidade também foi marcada por reivindicações do setor produtivo. O presidente do Conselho da Peixe SP, Hemerson Esteves, pediu atenção do governo federal à entrada de tilápias importadas do Vietnã, que, segundo produtores, chegam ao mercado brasileiro com preços inferiores aos praticados no país.

Em entrevista à Itatiaia, o ministro afirmou que um comitê já discute o tema e destacou medidas adotadas pelo governo para fortalecer a produção nacional, entre elas o endurecimento das regras para a importação do pescado. “O ministério está ao lado do produto brasileiro e do produtor brasileiro. Por isso, o comitê segue aberto ao diálogo sobre essa questão”, afirmou.

Invasão da Tilápia do Vietnã

E o tema “Tilápia invasora vinda do Vietnã e os problemas comerciais e de saúde” dominou as discussões na abertura da feira.  O ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araújo, comentou o endurecimento das regras tributárias dos estados de Minas Gerais e São Paulo para a tilápia estrangeira.   

“Eu observei, vi que o estado de Minas Gerais, o estado de Pernambuco, mais recentemente também, publicaram portarias em relação à importação e a comercialização do peixe tilápia do Vietnã. A gente, enquanto o Ministério da Pesca e Aquicultura, tem observado isso de perto e ver de que forma realmente a chegada da tilápia do Vietnã tem impactado no mercado interno e, obviamente, o Ministério da Pesca e Aquicultura defende o setor de tilapicultura brasileira”.   

Marilza Patrício, secretária executiva da Peixe SP, responsável pela organização da Aquishow Brasil 2026, reforça que é preciso que os governos ajudem os produtores brasileiros.   

“O estado brasileiro, ele precisava observar um pouco mais que ele é mantido por quem produz? O Brasil, o estado brasileiro, servidores públicos, Poder Judiciário, porque o estado não tem receita, ele não gera receita, ele só recebe”.   

Bruno Machado, diretor executivo da Peixe MG, reconhece que as medidas de endurecimento com a tilápia de fora tem raízes comerciais, mas a questão do risco de saúde, segundo ele, é real.   

“Fatalmente, nosso mercado global falar que não tem viés comercial é uma mentira generalizada. Os países do mundo inteiro trabalham fronteiras como comerciais, muitas vezes transvestidas de sanitário. Mas sempre vai ter a questão comercial, até porque quando entra, como estava entrando em Minas, um produto com zero de imposto, compete de forma desleal com os nossos produtores. Mas a questão sanitária é uma questão real. O Vietnã e vários países ali daquela parte da Ásia possuem uma doença que nós não temos aqui ainda, que é a TiLV [vírus da tilápia do lago] entre outras. Essa é uma viral. Tem algumas bacterianas que não têm em Minas. Mas o filé chega congelado, ele é processado. Não tem como isso isso ir para para o meio natural e contaminar. Tanto tem que um dos exemplos mais clássicos de doenças suinoculturas veio através de hambúrguer”.   

Aquishow Brasil 2026, considerada o maior evento da aquicultura nacional, começou nesta terça-feira (9) e segue até quinta-feira (11), reunindo produtores, pesquisadores, empresas e representantes do setor.

Combustível nuclear usado: problema ou recurso para o Brasil?

10 June 2026 at 11:19

O que fazer com o combustível depois do reator?  No início deste ano, o Ministério de Minas e Energia do Brasil submeteu à consulta pública o Plano Nacional de Energia 2055. Entre suas diretrizes está a ampliação da capacidade de geração nuclear no país até 14 GW(e), o que equivale a um aumento de cerca de sete vezes. Se o Brasil de fato seguir esse caminho, uma das questões centrais surgirá já em uma etapa inicial.

Afinal, com qual combustível funcionarão as futuras usinas nucleares e o que acontecerá com esse combustível dali a alguns anos, após o fim de seu período de uso no reator? São questões de enorme importância tanto para a eficiência econômica das usinas nucleares quanto para o meio ambiente e para uma postura responsável em relação ao legado dos projetos nucleares.

A segunda questão costuma ser formulada de maneira mais simples: o que fazer com o combustível nuclear usado? A parte mais difícil do combustível nuclear usado são os conjuntos irradiados. Trata-se de combustível que já operou por vários anos no reator e foi descarregado do núcleo. Sua composição ainda inclui urânio, plutônio, produtos de fissão e outros elementos formados durante a operação do reator. Esse material continua altamente radioativo e quente, de modo que seu manejo exige tecnologias específicas, controle rigoroso e planejamento de longo prazo.

Hoje, as usinas nucleares adotam uma abordagem consagrada. Depois de descarregado do reator, o combustível usado é mantido inicialmente por alguns anos em uma piscina de resfriamento localizada junto ao reator, onde diminuem sua geração de calor e sua radioatividade. Em seguida, ele pode ser colocado em cilindros especiais chamados canisters e em contêineres de concreto para o armazenamento a seco de longa duração na própria área da usina. Essa opção permite manejar o combustível nuclear usado com segurança por décadas e é empregada na usina nuclear de Angra.

A próxima etapa é o isolamento definitivo desse combustível em um repositório geológico profundo dedicado. Essa instalação deve garantir segurança por centenas de milhares de anos e, por isso, precisa ser instalada em rochas estáveis a uma profundidade de no mínimo 400 metros. Na prática, essa solução ainda não foi concretizada em nenhum lugar, mas a Finlândia e a Suécia chegaram bem perto dela. Espera-se que o repositório finlandês entre em operação nos próximos anos, e o projeto sueco, depois de 2030.

Mas é importante entender: o combustível nuclear usado não é um rejeito homogêneo que perdeu totalmente seu valor. Nos reatores modernos, o urânio é consumido apenas parcialmente. No momento em que é descarregado do reator, ele ainda representa cerca de 96% da massa dos elementos combustíveis usados. Outro 1%, aproximadamente, corresponde ao plutônio, que se forma no reator durante o uso do combustível. Tanto o urânio quanto o plutônio são materiais que, com as tecnologias adequadas, podem ser reincorporados ao ciclo do combustível nuclear e, assim, utilizados mais uma vez na produção de combustível para usinas nucleares.

É justamente aqui que surge uma alternativa ao simples armazenamento de longo prazo: o reprocessamento, ou reciclagem, do combustível nuclear usado. Sua finalidade é separar o combustível nuclear usado em seus componentes. A tecnologia extrai os materiais aptos à produção de novo combustível e prepara os rejeitos restantes para um isolamento seguro. Em outras palavras, aquilo que à primeira vista parece apenas um problema pode, com outra abordagem tecnológica, tornar-se parte da base de recursos da energia nuclear.

O que a reciclagem muda

A reciclagem do combustível nuclear usado é um reprocessamento radioquímico complexo, no qual o material é separado em seus componentes. Dele pode-se extrair urânio apto à produção de novo combustível, enquanto os componentes restantes são preparados para um manejo seguro e o posterior isolamento.

Em termos práticos, isso altera a própria lógica do ciclo do combustível nuclear. Em vez do esquema linear que vai da mineração de urânio à produção de combustível, à operação no reator e ao armazenamento de longa duração, abre-se a possibilidade de fechar parcialmente o ciclo. Parte dos materiais retorna à produção, e o volume do que de fato deve ser tratado como rejeito é reduzido de maneira significativa.

Em primeiro lugar, a reciclagem permite usar o urânio natural de forma mais eficiente, considerando que trata-se de um recurso cuja demanda crescerá à medida que a energia nuclear se expandir no mundo. Em segundo lugar, ela reduz a pressão sobre a futura infraestrutura de armazenamento e disposição. Em terceiro lugar, esse modelo torna o próprio programa nuclear mais compreensível para a sociedade. A questão do combustível nuclear usado não recebe uma resposta adiada, mas uma resposta tecnologicamente estruturada.

Atualmente, apenas a França, a Rússia e, em parte, a Índia dispõem, em escala industrial, da tecnologia de reprocessamento de elementos combustíveis usados. China e Japão buscam dominá-la. Estados Unidos e Coreia do Sul estudam ativamente essa tecnologia. Um dos exemplos mais conhecidos é a França, onde o reprocessamento dos elementos combustíveis usados faz com que o volume de rejeitos de alta atividade destinados à disposição final seja reduzido em cinco vezes, e a toxicidade desses rejeitos, em dez vezes. Além disso, ao reincorporar ao ciclo do combustível o urânio e o plutônio extraídos dos elementos combustíveis, os franceses economizam de 20% a 25% do urânio natural.

A experiência russa: do armazenamento ao ciclo fechado

A Rússia foi ainda mais longe no desenvolvimento da reciclagem. Nas unidades da Rosatom, dos elementos combustíveis usados, extraem-se não apenas urânio e plutônio, mas também os actinídeos menores, como netúnio, amerício e cúrio. São eles que determinam a geração de calor e a atividade dos rejeitos em um horizonte de até 1 milhão de anos. Na Rússia, esses elementos são enviados para irradiação em reatores rápidos, onde ocorrem sua transmutação e fissão, com conversão em elementos mais seguros. Essa abordagem, baseada em fracionamento e transmutação, permite, após o reprocessamento, restringir à disposição final apenas a fração de vida curta, formada por estrôncio e césio. Esse material é então vitrificado e encaminhado ao destino final.

A Rosatom ocupa posição de liderança no desenvolvimento das tecnologias de quarta geração. Na usina nuclear de Beloyarsk, já começaram os trabalhos preparatórios para a construção da unidade geradora com o reator de nêutrons rápidos BN-1200M. Na região de Tomsk, por sua vez, está sendo criado, pela primeira vez no mundo, um complexo integrado em um mesmo local, formado por uma unidade geradora com o reator rápido BREST-OD-300 e um ciclo fechado do combustível incorporado à própria usina. Esse ciclo inclui a fabricação de combustível novo de nitreto de urânio-plutônio e o reprocessamento do combustível irradiado.

Ao mesmo tempo, a Rússia continua sendo o único país a operar de forma ininterrupta um reator rápido comercial (o BN-600, desde 1980). O país também colocou em operação industrial o reator rápido BN-800 com carga plena de combustível MOX de urânio-plutônio, e nele foi obtida a primeira experiência de queima de actinídeos menores em reator. Os avanços da Rosatom nessa área atraíram grande atenção para as apresentações russas na Conferência Internacional da AIEA sobre Reatores Rápidos e Ciclos de Combustível Associados (FR 26), realizada de 18 a 21 de maio, em Pequim.

O que isso pode significar para o Brasil

Não se pode afirmar de antemão se esse cenário será aplicável ao combustível usado na usina nuclear de Angra e nas futuras usinas nucleares brasileiras. Para isso, é necessária uma avaliação profissional de engenheiros, economistas e do órgão regulador. É preciso levar em conta a composição do combustível, os volumes acumulados e futuros de combustível nuclear usado, o custo da logística e do reprocessamento, os requisitos de segurança, a infraestrutura de armazenamento de longo prazo e a percepção da sociedade sobre essas soluções.

Mas, se o Brasil planeja ampliar a geração nuclear, é importante iniciar essa conversa desde já. O país tem diferentes opções possíveis. Pode continuar desenvolvendo um sistema de armazenamento a seco seguro, avaliar futuramente a possibilidade de disposição geológica, estudar a experiência internacional de reprocessamento do combustível nuclear usado e considerar a cooperação com empresas que detêm as tecnologias correspondentes.

A Rosatom vê boas perspectivas de diálogo técnico com parceiros brasileiros sobre esse tema. Não se trata de uma receita universal pronta, mas da possibilidade de avaliar como as tecnologias de reciclagem podem funcionar nas condições específicas do Brasil, avaliando seu programa nuclear, sua base industrial, sua regulação e seus objetivos energéticos de longo prazo.

A questão central aqui é mais ampla que o destino de elementos combustíveis específicos. O Brasil terá de definir qual modelo de energia nuclear deseja construir: um modelo linear, em que o combustível, depois de usado, passa a ser uma questão de armazenamento de longo prazo ou um modelo mais complexo, porém mais racional, em que parcela significativa dos materiais retorna ao ciclo do combustível.

Para um país com ambições energéticas de longo prazo, o combustível nuclear usado não é um detalhe técnico que se possa adiar para o futuro. É parte da segurança energética, da política industrial e da confiança da sociedade na energia nuclear. Quanto antes essa questão for incorporada ao planejamento estratégico, mais robusto poderá ser todo o futuro programa nuclear do Brasil.

* Ivan Dybov, diretor da Rosatom América Latina

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.

Minerva Foods diversifica negócios e aposta em azeite extravirgem

10 June 2026 at 10:45

A Minerva Foods, uma das maiores exportadoras de carne bovina da América do Sul, está ampliando sua atuação para além das proteínas animais. A companhia passou a distribuir nacionalmente o azeite extravirgem Alma Lusa, marca desenvolvida exclusivamente para a empresa e produzida com matéria-prima de origem 100% portuguesa.

A entrada no segmento faz parte da estratégia da companhia de expandir sua presença em categorias de maior valor agregado e fortalecer seu portfólio de alimentos. Segundo a Minerva Foods, o mercado brasileiro de azeites movimenta cerca de 100 mil toneladas por ano e apresenta potencial de crescimento, uma vez que o consumo per capita ainda está abaixo dos níveis observados em países europeus.

De acordo com Daniela Arantes, head global de Marketing e Comunicação da Minerva Foods, a decisão de ingressar na categoria foi baseada em estudos que identificaram oportunidades em um mercado concentrado em poucos grandes players.

“O azeite é uma categoria relevante para o consumidor e apresenta espaço para novas marcas. Além disso, possui aderência ao portfólio da companhia, que busca oferecer produtos complementares ao consumo alimentar”, afirma.

A executiva ainda aponta que o Alma Lusa foi desenvolvido para atender às preferências do consumidor brasileiro. “Com perfil sensorial mais leve e versátil, o produto pode ser utilizado tanto no preparo quanto na finalização de receitas. A empresa destaca ainda a tradição portuguesa na produção de azeites como um dos diferenciais da marca”, informou.

A iniciativa reforça o movimento de diversificação da Minerva Foods, que nos últimos anos ampliou sua atuação para segmentos como pescados, cordeiros, vegetais, batatas congeladas e produtos empanados.

Segundo a companhia, a inclusão do azeite no portfólio gera sinergias comerciais, fortalece a presença da marca nos pontos de venda e amplia as oportunidades de crescimento em categorias consideradas estratégicas.

Atualmente, o Alma Lusa já figura entre as principais marcas de azeite importado comercializadas no Brasil, de acordo com a empresa, o que demonstra a receptividade do produto no mercado nacional.

Para os próximos anos, a expectativa da Minerva Foods é consolidar o Alma Lusa como uma referência entre os azeites portugueses disponíveis no país. A estratégia inclui ampliar a participação de mercado da marca e diversificar a linha de produtos.

Recentemente, a companhia lançou uma nova versão de 250 mililitros, voltada a diferentes ocasiões de consumo e perfis de consumidores.

A aposta da Minerva Foods acompanha uma tendência observada no setor de alimentos, em que consumidores buscam cada vez mais produtos associados à qualidade, rastreabilidade e origem.

Nesse cenário, a empresa acredita que a combinação entre a tradição portuguesa na produção de azeites e sua estrutura de distribuição nacional pode impulsionar o crescimento da marca nos próximos anos.

Demanda global impulsiona investimentos em DDGS no Brasil

 

Itamaraty vê política mineral brasileira como defasada e cobra avanço de PL

10 June 2026 at 10:01

O secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, embaixador Maurício Lyrio, afirmou que a política mineral brasileira está defasada diante da nova disputa global por minerais críticos e defendeu o avanço do PL (projeto de lei) que trata do tema no Congresso Nacional.

Segundo ele, o Brasil tem uma posição privilegiada no cenário internacional por reunir grandes reservas minerais, matriz energética limpa e capacidade diplomática para negociar com diferentes potências. No entanto, essa vantagem ainda esbarra em um marco regulatório considerado pouco atualizado.

“Há um problema de atualização urgente por conta de uma evolução tecnológica com um material que ainda não se refletiu na legislação brasileira”, disse Lyrio, durante seminário internacional de minerais críticos e estratégicos, organizado pela Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).

O embaixador afirmou que os recursos naturais voltaram a ter papel central na distribuição de poder entre os países. A corrida tecnológica e a disputa por cadeias produtivas fizeram com que minerais críticos deixassem de ser apenas um tema econômico e passassem a ocupar espaço estratégico na geopolítica.

Lyrio citou a China como exemplo de país que, desde os anos 1980, adotou uma política agressiva para transformar reservas minerais em vantagem competitiva. Pequim conseguiu antecipar a importância de elementos estratégicos, como terras raras, e desenvolver políticas públicas voltadas não apenas à extração, mas também ao processamento e à agregação de valor.

O secretário afirmou que essa tendência também passou a ser seguida por outros países e blocos econômicos. Ele mencionou a Indonésia, que adotou medidas mais restritivas para estimular o processamento local de minerais, e a UE (União Europeia), que tem buscado reduzir sua dependência externa por meio de incentivos à produção e ao refino de minerais críticos.

De acordo com Lyrio, a UE estabeleceu metas para ampliar sua capacidade de processamento, o que mostra que a disputa internacional não está limitada ao acesso às reservas, mas envolve também o domínio das etapas industriais da cadeia.

“Há uma política agressiva dos Estados de buscarem não só segurança de suprimento de minerais, mas também maior concentração da agregação de valor em seus territórios”, disse.

Para ele, o setor não pode ser tratado como uma política pública comum, já que envolve temas estratégicos para a economia, a indústria, a tecnologia e a segurança nacional.

“É preciso ter uma uniformização de um arcabouço geral que estabeleça uma política específica do setor, e não meramente uma faixa como qualquer outra da política mineral brasileira”, disse.

Nesse contexto, o embaixador afirmou que o Brasil tem sido procurado por diferentes países interessados em firmar parcerias na área mineral. Para ele, a questão central é como o país vai lidar com essa demanda externa sem se limitar ao papel de fornecedor de matéria-prima.

PL minerais críticos

O PL dos minerais críticos, aprovado pela Câmara dos Deputados, aguarda análise no Senado. O relator no Senado ainda não foi definido. Também não está fechado se o projeto passará por comissões ou se será analisado em regime de urgência.

O governo federal, porém, tem interesse em acelerar a tramitação.

A proposta aprovada pela Câmara, cria a PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos) e o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), vinculado à Presidência da República.

O texto será analisado pelos senadores em meio à pressão de mineradoras por ajustes em pontos considerados sensíveis, como o poder do conselho, a homologação de operações societárias, as regras vinculadas à exportação, a obrigação de investimento em P&D e o prazo máximo para pesquisa mineral.

Pela versão aprovada, o poder público, por meio do CIMCE poderá homologar, por meio de mecanismo de triagem e nos termos de regulamento, mudanças de controle societário, participação relevante de empresas estrangeiras, acesso a informações geológicas estratégicas, contratos internacionais de fornecimento e operações envolvendo títulos minerários ligados à União.

O PL também prevê instrumentos para estimular beneficiamento, transformação mineral, industrialização e agregação de valor no Brasil.

 

Vendas de flores devem crescer 8% no dia dos namorados

10 June 2026 at 09:02

O mercado brasileiro de flores projeta crescimento de 8% nas vendas para o Dia dos Namorados deste ano, na comparação com 2025, segundo estimativa do Ibraflor  (Instituto Brasileiro de Floricultura). Considerada a segunda melhor data para o setor, atrás apenas do Dia das Mães, a celebração de 12 de junho responde por cerca de 10% do volume anual de vendas da floricultura nacional.

“A busca por presentes mais personalizados e afetivos tem impulsionado principalmente a venda de flores de corte e de arranjos exclusivos, elaborados a partir da combinação de espécies, cores e texturas”, diz Renato Opitz, diretor do Ibraflor.

Segundo ele, as flores seguem como protagonistas da data pela capacidade de transmitir emoção e pela possibilidade de criação de composições diferenciadas. Apesar disso, as flores e plantas em vasos também vêm ampliando espaço no mercado, especialmente espécies associadas à delicadeza e ao simbolismo afetivo, como o antúrio, conhecido pelo formato semelhante a um coração.

Entre as flores de corte mais procuradas para o período estão as tradicionais rosas vermelhas, consideradas símbolo clássico da paixão.” A rosa vermelha é um clássico atemporal. É a flor mais comercializada em todas as datas festivas em todas regiões do mundo”, conta Optiz.

Também aparecem entre as preferidas espécies como lisianthus, alstroemérias, lírios, tulipas, gérberas, girassóis e orquídeas de corte.

A tendência, no entanto, vai além dos buquês tradicionais. O mercado aposta em composições mais sofisticadas e criativas, com combinações que misturam rosas, lisianthus e alstroemérias em arranjos românticos, além de buquês com girassóis e flores do campo, vistos como opções mais leves e descontraídas.

Outra tendência apontada por Optiz são os arranjos em tons pastel, com flores brancas, rosadas e lilases, que vêm conquistando espaço entre consumidores em busca de presentes delicados e modernos.

No segmento de plantas em vasos, orquídeas, antúrios, violetas, lírios da paz, kalanchoes floridas e mini roseiras aparecem entre as opções mais procuradas para presentear. Além da estética, os consumidores valorizam o simbolismo de durabilidade, cuidado e fortalecimento das relações associado a essas espécies.

No Brasil, o avanço dos garden centers e das floriculturas online também tem favorecido o crescimento das vendas e ampliado o acesso dos consumidores aos produtos do setor.

“A digitalização do comércio de flores e a expansão das vendas online têm contribuído para fortalecer o mercado, principalmente em datas sazonais, quando cresce a procura por entregas rápidas e por arranjos personalizados”, explica Optiz

O Ceaflor, um dos principais polos de comercialização do setor no país, projeta crescimento entre 5% e 7% nas vendas em relação ao ano passado.

A expectativa positiva do setor foi reforçada pelo desempenho registrado no Dia das Mães, considerado acima das expectativas. Para a semana que antecede o Dia dos Namorados, o Ceaflor estima aumento de 50% na movimentação de cargas em comparação com períodos comuns.

Além de rosas e orquídeas, o Ceaflor destaca a procura crescente por flores coloridas, plantas ornamentais e suculentas. A data também aquece as vendas de itens complementares, como chocolates, cachepôs, cestas e acessórios decorativos, agregando valor aos presentes.

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