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O problema de Portugal é um problema de azeite
Minerva Foods diversifica negócios e aposta em azeite extravirgem
A Minerva Foods, uma das maiores exportadoras de carne bovina da América do Sul, está ampliando sua atuação para além das proteínas animais. A companhia passou a distribuir nacionalmente o azeite extravirgem Alma Lusa, marca desenvolvida exclusivamente para a empresa e produzida com matéria-prima de origem 100% portuguesa.
A entrada no segmento faz parte da estratégia da companhia de expandir sua presença em categorias de maior valor agregado e fortalecer seu portfólio de alimentos. Segundo a Minerva Foods, o mercado brasileiro de azeites movimenta cerca de 100 mil toneladas por ano e apresenta potencial de crescimento, uma vez que o consumo per capita ainda está abaixo dos níveis observados em países europeus.
De acordo com Daniela Arantes, head global de Marketing e Comunicação da Minerva Foods, a decisão de ingressar na categoria foi baseada em estudos que identificaram oportunidades em um mercado concentrado em poucos grandes players.
“O azeite é uma categoria relevante para o consumidor e apresenta espaço para novas marcas. Além disso, possui aderência ao portfólio da companhia, que busca oferecer produtos complementares ao consumo alimentar”, afirma.
A executiva ainda aponta que o Alma Lusa foi desenvolvido para atender às preferências do consumidor brasileiro. “Com perfil sensorial mais leve e versátil, o produto pode ser utilizado tanto no preparo quanto na finalização de receitas. A empresa destaca ainda a tradição portuguesa na produção de azeites como um dos diferenciais da marca”, informou.
A iniciativa reforça o movimento de diversificação da Minerva Foods, que nos últimos anos ampliou sua atuação para segmentos como pescados, cordeiros, vegetais, batatas congeladas e produtos empanados.
Segundo a companhia, a inclusão do azeite no portfólio gera sinergias comerciais, fortalece a presença da marca nos pontos de venda e amplia as oportunidades de crescimento em categorias consideradas estratégicas.
Atualmente, o Alma Lusa já figura entre as principais marcas de azeite importado comercializadas no Brasil, de acordo com a empresa, o que demonstra a receptividade do produto no mercado nacional.
Para os próximos anos, a expectativa da Minerva Foods é consolidar o Alma Lusa como uma referência entre os azeites portugueses disponíveis no país. A estratégia inclui ampliar a participação de mercado da marca e diversificar a linha de produtos.
Recentemente, a companhia lançou uma nova versão de 250 mililitros, voltada a diferentes ocasiões de consumo e perfis de consumidores.
A aposta da Minerva Foods acompanha uma tendência observada no setor de alimentos, em que consumidores buscam cada vez mais produtos associados à qualidade, rastreabilidade e origem.
Nesse cenário, a empresa acredita que a combinação entre a tradição portuguesa na produção de azeites e sua estrutura de distribuição nacional pode impulsionar o crescimento da marca nos próximos anos.
Governo bloqueia quase metade do valor do seguro rural em 2026
O governo federal bloqueou R$ 461,7 milhões destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O valor faz parte de uma contenção do total R$ 1,01 bilhão aplicada ao orçamento do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) para proteção agropecuária.
A medida foi divulgada nesta terça-feira (9) no Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento). Os números mostram que o seguro rural concentra 45,7% de todo o contingenciamento realizado na pasta, tornando-se a área mais afetada pelo ajuste fiscal promovido pela equipe econômica em um ano de El Niño.
De acordo com os dados, os R$ 461,7 milhões contingenciados estão vinculados à ação “Concessão de Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural”.
O restante da contenção atinge programas de fomento ao setor agropecuário, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, além de ações ligadas à Embrapa. Ao todo, o bloqueio na Pasta é de R$ 788,4 milhões.
O seguro rural é considerado uma ferramenta estratégica para proteger produtores contra perdas provocadas por eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, geadas e tempestades. Por meio do programa, o governo subsidia parte do custo das apólices contratadas pelos produtores.
O bloqueio ocorre em meio às medidas adotadas pelo governo para cumprir as metas fiscais previstas para 2026. A equipe econômica tem promovido contingenciamentos em diferentes áreas do Orçamento para adequar as despesas aos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal.
Detalhes dos cortes:
- Seguro rural: corte de R$ 461,7 milhões
- Fomento Agropecuário: R$ 293 milhões
- Orçamento da Embrapa: R$ 550 mil (bloqueio para investimento em pesquisa) e R$ 33,1 milhões (verba que iria para infraestrutura da estatal).
Como o agronegócio enfrenta o risco climático que muda a cada safra
A reportagem entrou em contato com o MAPA, que não respondeu até o fechamento desta edição.
(Colaborou Isadora Camargo)

