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Wall Street encerra sessão mista com Nasdaq a liderar as perdas num dia de escalada da guerra do Irão

A bolsa de Nova Iorque encerrou sessão, desta terça-feira, mista com o Nasdaq a liderar as perdas. O Dow Jones somou 0,17% para 50.870,94 pontos, o S&P 500 perdeu 0,27% para 7.385,48 pontos e o tecnológico Nasdaq recuou 0,97% para 25.678,82 pontos.

Wall Street fechou mista nesta terça-feira, com o Nasdaq a liderar as perdas (chegando a cair 3%) numa sessão na qual o índice de tecnologia foi pressionado por ações de inteligência artificial (IA).

Isto ocorre após a recuperação que essas empresas apresentaram na segunda-feira, com a volta em força dos compradores que aproveitaram as quedas, dando continuidade ao comportamento já comum que basicamente impede que as perdas se transformem em ajustes saudáveis ​​de avaliação.

A sessão foi marcada pela escalada da guerra do Médio Oriente. O presidente dos EUA anunciou esta terça-feira que voltaram a atacar o Irão como resposta pelo abate de um helicóptero norte-americano ao largo da costa de Omã. Donald Trump prometeu retaliação contra o regime de Teerão.

Numa publicação nas redes sociais, o Comando Central dos EUA refere que a ação militar é “uma resposta proporcional à injustificada agressão iraniana”, tendo “lançado ataques em auto-defesa contra o Irão às 17:00 [hora de Washington] por ordem do comandante em chefe”.

O petróleo reduziu as quedas que vinha a registar depois de Donald Trump ter afirmado que os EUA devem responder a um ataque a um helicóptero norte-americano, que o republicano diz ter sido levado a cabo por forças militares iranianas, diminuindo as esperanças de uma resolução rápida do conflito.

O crude WTI no NYMEX subiu 1,53% para 89,55 dólares.

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Mau tempo: Sul de Portugal abastecido de eletricidade por Espanha após Kristin

O Sul de Portugal teve de ser temporariamente abastecido de eletricidade por Espanha na sequência da tempestade Kristin, no final de janeiro, por causa dos danos nas ligações energéticas no território nacional, revelou hoje a ministra do Ambiente.

“A ligação de muita alta tensão entre o Norte e o Sul de Portugal foi profundamente afetada” pela tempestade Kristin, “que varreu o país com ventos de mais de 220 quilómetros por hora, a 28 de janeiro deste ano”, disse Maria da Graça Carvalho, em Madrid.

“Como a grande parte da produção de eletricidade se encontra a Norte, o Sul do país foi abastecido através de Espanha”, acrescentou a ministra, que falava nas comemorações do 10 de Junho organizadas pela embaixada de Portugal em Madrid.

As comemorações oficiais em Madrid do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas decorreram hoje, num evento no auditório do Museu Nacional Rainha Sofía, que incluiu um concerto de Marta Pereira da Costa.

Na cerimónia esteve a ministra do Ambiente e da Energia de Portugal e a ministra para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico de Espanha, Sara Aagesen.

“A presença conjunta das duas ministras reveste-se de particular simbolismo num ano em que as cheias que afetaram Portugal deram origem a uma pronta demonstração de solidariedade por parte de Espanha”, explicou a Embaixada de Portugal, num comunicado.

Na intervenção que fez hoje em Madrid, a ministra portuguesa destacou que Portugal e Espanha “trabalham em conjunto em muitas frentes”.

Ainda por causa do mau tempo e das inundações que atingiram a Península Ibérica este ano, Maria Graça Carvalho lembrou a gestão conjunta dos rios partilhados pelos dois países e como “a boa coordenação entre as barragens portuguesas e espanholas, no rio Tejo, evitaram uma cheia de grande dimensão em Lisboa”.

“De igual modo, a coordenação a nível do Guadiana permitiu-nos calcular com antecedência os efeitos e retirar as populações, nomeadamente da zona baixa de Mértola”, acrescentou.

A gestão dos rios partilhados por Portugal e Espanha está regulada pela Convenção de Albufeira, “que já conta com 26 anos de existência”, como lembrou hoje a ministra portuguesa.

Os dois países assinaram em 2024, numa cimeira em Faro, um acordo qualificado então pelas duas partes como histórico e o mais relevante das últimas décadas em termos de água, que, no quadro da Convenção de Albufeira, passou a garantir caudais mínimos diários no rio Tejo e caudais ecológicos no rio Guadiana.

Na cimeira ibérica seguinte, em Huelva, em março deste ano, tanto o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, como o homólogo espanhol, Pedro Sánchez, referiram os temporais deste ano e destacaram que foram evitadas situações ainda mais graves graças à cooperação entre os dois países e aos acordos sobre água saídos da cimeira de Faro.

Luís Montenegro destacou a cooperação e articulação entre os dois governos por causa das cheias e disse que a gestão conjunta dos caudais “foi fundamental para que as consequências não tivessem sido ainda piores” nos dois países, “mas em particular do lado português”.

Além a energia e da água, a ministra Maria da Graça Carvalho destacou hoje a cooperação e alinhamento de Portugal e Espanha em fóruns multilaterais (europeus, ibero-americanos e outros) nas questões relacionados com o clima e a conservação da natureza e destacou um dos projetos de cooperação bilateral e “colaboração transfronteiriça” mais emblemático, o da recuperação do lince ibérico.

Numa referência ao apagão elétrico na Península Ibérico em 28 de abril do ano passado, a ministra sublinhou que houve “trabalho conjunto, diário, na recuperação da eletricidade”.

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Euronext mantém PSI com 16 cotadas

A Euronext anunciou esta terça-feira, 9 de junho de 2026, os resultados da revisão anual do índice PSI, que não registou quaisquer alterações na sua composição. A atualização será implementada após o fecho dos mercados na sexta-feira, 19 de junho, produzindo efeitos a partir de segunda-feira, 22 de junho de 2026.

O índice principal da bolsa de Lisboa, o PSI (antigo PSI-20), é atualmente composto por 16 empresas cotadas.

De acordo com a entidade gestora, a revisão trimestral de junho concluiu pela manutenção de todas as empresas atualmente incluídas no principal índice bolsista nacional. Ainda assim, o supervisor independente reserva-se o direito de alterar a seleção divulgada, nomeadamente em caso de exclusão motivada por uma operação de aquisição, até à publicação dos dados finais após o fecho do mercado na quarta-feira, 17 de junho. A Euronext esclarece que quaisquer eventos ocorridos após essa data não implicarão a substituição de empresas que venham eventualmente a ser removidas da composição final do índice.

O PSI integra a família de índices da Euronext e é alvo de revisões trimestrais em junho, setembro e dezembro, sendo a revisão anual completa realizada em março. A próxima reunião do Comité de Índices (Index Steering Committee) está agendada para 9 de setembro de 2026.

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Emiratis querem dar trinca a hambúrgueres em Portugal

A gestora estatal de capital de risco de Abu Dhabi está interessada em comprar uma cadeia de hambúrgueres em Portugal.

A Mubadala está a preparar uma oferta pela empresa que detém a cadeia Burger King em Portugal e Espanha, detida pelo fundo britânico Cinven.

O “Expansion” revela que a Mubadala já contratou assessores para apresentar a oferta pela Restaurant Brand Europeu (RBE), que gere também as cadeias Popeyes e Tim Horton na Ibéria.

Outros interessados são os fundos americanos Meritage Group e Apollo Global Management, segundo o jornal espanhol, que preparam as ofertas não-vinculativas para apresentar nas próximas semanas.

A Mubadala chegou a ser acionista da EDP e é atualmente acionista da petrolífera espanhola Moeve.

A Burger King ibérica era detida pela Ibersol, mas foi vendida no final de 2022 por 260 milhões de euros à RBI, num total de 158 restaurantes.

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MOBI.E bate recorde histórico em maio com quase um milhão de carregamentos

Mobi.E

A rede de carregamento MOBI.E bateu um novo recorde em maio de 2026. Este foi o melhor mês de sempre para a mobilidade elétrica em Portugal.

Ao longo do mês de maio, os condutores fizeram mais de 968 mil carregamentos na rede. Este número subiu 36% em relação ao ano passado. A rede está agora muito perto de atingir um milhão de carregamentos num só mês.

Mais de 238 mil pessoas usaram os postos através de cartões ou aplicações. Isso significa que o número de utilizadores cresceu 106% face a maio de 2025.

O consumo de energia na rede passou os 22 mil MWh, um aumento de 42% num ano. Toda esta eletricidade permitiu aos carros elétricos andar mais de 666 milhões de quilómetros.

Para acompanhar a procura, a rede ganhou 350 novos pontos de carregamento desde abril. No final de maio, Portugal já tinha 7.972 postos públicos, que dão um total de 15.090 pontos de carregamento.

Além disso, a rede está mais rápida. Cerca de 39% dos postos (mais de 3.100) já fazem carregamentos rápidos ou ultrarrápidos.

Este crescimento ajudou muito o planeta. Só em maio, evitou-se a emissão de 18 mil toneladas de poluição (CO₂). Isto equivale ao que 299 mil árvores conseguem limpar do ar num ano. Graças a esta mudança, os condutores deixaram de gastar mais de 6,7 milhões de litros de gasóleo.

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Estádio do Boavista FC recebe proposta superior a 25 milhões

O estádio do Boavista FC recebeu uma proposta superior a 25 milhões de euros no leilão de insolvência que terminou esta terça-feira.

A última de 12 licitações deu entrada esta tarde, com a última a atingir os 25,7 milhões de euros, ainda abaixo do valor mínimo de quase 33 milhões de euros, segundo a leiloeira Leilosoc.

O leilão inclui o estádio do Bessa, assim como o complexo desportivo do Boavista, na cidade do Porto, que obteve 15 licitações, com a última a ser de 6,5 milhões de euros, acima do valor mínimo.

Os licitadores são principalmente do setor desportivo e imobiliário, segundo a leiloeira.

Longe dos dias de glória, o Boavista Futebol Clube está agora em processo de insolvência e viu vários ativos a serem vendidos.

Num passado longínquo, a 18 de maio de 2001, este clube da invicta conseguiu derrubar o domínio dos três grandes ao fim de 70 anos de primeira liga. No jogo frente ao Desportivo dos Aves, o Boavista Futebol Clube sagrou-se campeão nacional ao com 100 anos de história. A equipa era então capitaneada por Pedro Emanuel, treinada por Jaime Pacheco e presidida por João Loureiro.

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Apple culpa regras da Europa por deixar Siri IA fora da UE

Reguladores da União Europeia (UE) criticaram a Apple na terça-feira. A empresa culpou as regras tecnológicas da UE por não lançar a sua nova assistente Siri Inteligência Artificial (IA) na Europa. Os reguladores disseram que rejeitaram o pedido da Apple. A empresa queria um prazo de 18 meses sem cumprir as regras, segundo a “Reuters”.

A dona do iPhone disse que a Siri IA não vai estar disponível na UE no início. Isto aplica-se a iPhones e iPads. A Apple culpou a Comissão Europeia. Disse que a Comissão não quis trabalhar em conjunto para garantir a privacidade e a segurança.

A Apple propôs um sistema temporário por 18 meses. Esse sistema serviria para ligar outros assistentes à Siri IA em segurança. Mas os reguladores não aceitaram a ideia.

A Comissão Europeia rejeitou as críticas da Apple. “A decisão de não lançar a Siri IA na UE é apenas da Apple”, disse o porta-voz Thomas Regnier. “A Apple não conseguiu criar soluções que cumpram as regras de privacidade e segurança da UE”, disse Regnier.
A Europa valeu quase 27% das vendas totais da Apple no ano passado. A empresa não mostra os valores separados apenas para a UE. No ano passado, a Apple disse que a lei da UE a obrigou a adiar várias funções. Isso incluiu ver o ecrã do iPhone no Mac. Também afetou a tradução em direto nos AirPods e funções de mapas baseadas no local.
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Equipa da Sérvulo assessora Liga Portugal no processo de centralização dos direitos televisivos de futebol

A Sérvulo & Associados tem acompanhado juridicamente a Liga Portugal e Liga Centralização no processo de implementação do decreto-lei que impôs a comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos clubes/sociedades desportivas da Liga Portugal Betclic  e da Liga MeuSuper.

A proposta de chave de distribuição foi aprovada esta segunda-feira, na Assembleia Geral da Liga Portugal, no Porto, com 80% dos votos.

A equipa multidisciplinar que assessora a Liga é liderada por Miguel Gorjão-Henriques, sócio responsável pelas áreas de Concorrência e Europeu, que conta também com Morgana Grácio, associada da mesma equipa, e os sócios Pedro Silveira Borges, de Corporate e M&A, Henrique Rodrigues Silva, de Direito Público, e Miguel Santos Almeida, de Contencioso.

A Liga Portugal estima que o montante angariado com os direitos televisivos dos clubes em Portugal possa atingir 225 milhões por temporada.

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Anacom: Reclamações digitais registam subida histórica de 238%

As reclamações sobre serviços digitais em Portugal registaram uma subida histórica no início de 2026. Segundo os dados mais recentes da Anacom, as queixas triplicaram pelo terceiro trimestre consecutivo em comparação com o mesmo período de 2025.

Ao todo, a entidade reguladora contabilizou 98 reclamações nos primeiros três meses deste ano, o que se traduz num crescimento expressivo de 238% face ao ano anterior.

O principal motivo de descontentamento dos utilizadores prende-se com a suspensão, restrição ou remoção de contas e conteúdos por parte das plataformas. Os fornecedores justificam estas ações com base em infrações à lei ou aos termos de utilização, mas os clientes consideram que as medidas são indevidas. Este problema motivou 54 queixas, representando 55% do total de ocorrências.

Ainda assim, a maior subida percentual pertence às críticas sobre a forma como as próprias empresas tratam as reclamações, que saltaram de apenas um caso em 2025 para 19 casos em 2026. A denúncia de conteúdos ilegais surge logo a seguir na lista com 25 reclamações, as quais a Anacom encaminhou para as autoridades competentes. As dúvidas e problemas com a identidade e segurança dos utilizadores motivaram 5% das queixas do trimestre.

No que toca às empresas visadas, o grupo Meta está no centro da maioria dos protestos e concentra mais de metade das reclamações recebidas. O Instagram lidera o grupo com 29% das queixas, seguido de perto pelo Facebook com 27%.

Com números bastante mais baixos surgem o WhatsApp, que também pertence à Meta, e o TikTok, acumulando 4% cada um. O restante volume de queixas dividiu-se por mais de duas dezenas de outros intermediários digitais.

A Anacom destaca que a maior parte destas reclamações visa plataformas de muito grande dimensão e com sede noutros países europeus. Devido a isso, o regulador português já avançou com o envio de 38 reclamações com indícios de infração ao Regulamento dos Serviços Digitais para os seus homólogos estrangeiros.

A grande maioria destas queixas, num total de 36, seguiu diretamente para o Coordenador de Serviços Digitais da Irlanda, tendo as restantes sido partilhadas com os reguladores do Luxemburgo e dos Países Baixos.

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Ordem satisfeita com alteração ao Código de Processo Penal que exclui advogados de multas por atos “dilatórios”

A Ordem dos Advogados (OA) saudou a aprovação da alteração ao Código de Processo Penal (CPP) e do Regulamento das Custas Processuais (RCP), no passado dia 3 de junho, que determina que as multas por atos manifestamente infundados ou dilatórios não sejam um encargo da classe.

“Esta alteração vai ao encontro da posição reiteradamente manifestada pela OA, que sempre considerou que a redação anteriormente proposta geraria pressão sobre o exercício da Advocacia e comprometeria a liberdade e a independência dos mandatários, colocando em risco a efetividade do direito de defesa dos cidadãos”, recorda a entidade em nota de imprensa.

A este respeito, João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados, sublinha que “o legítimo combate à morosidade processual não pode converter-se em pressão sobre quem tem o dever, perante o cliente, de usar todos os instrumentos legalmente previstos para o defender”. “Penalizar o defensor pelo cumprimento do mandato é amputar o direito de defesa. E o direito de defesa é, em qualquer Estado de Direito, condição da Justiça”, defende o advogado.

Apresentada pelo grupo parlamentar do PSD, a proposta de lei nº 54/XVII/1 foi aprovada na especialidade no dia 3 de junho e estabelece multas por atos manifestamente infundados ou dilatórios para arguidos, assistentes, partes civis ou pessoas afetadas.
AOrdem dos Advogados defende a definição com clareza do que constitui um “ato manifestamente infundado ou dilatório”, alertando para a subjetividade do conceito e para a possibilidade de pôr em causa os direitos dos intervenientes nos processos.
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Donos da mina de Boticas lamentam nova tentativa de atrasar projeto de lítio

Os donos do projeto de lítio de Boticas, distrito de Vila Real, lamentam a nova tentativa de travar o projeto.

A Savannah confirmou esta terça-feira que recebeu uma ordem de suspensão temporária dos trabalhos de geotecnica dada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, na sequência de uma providência cautelar.

“A Savannah lamenta mais uma tentativa por parte da Direção do Baldio de Covas do Barroso e da UDCB de atrasar o processo de desenvolvimento do Projeto Lítio do Barroso, sendo esta a terceira
vez que submetem providências cautelares aos tribunais”, segundo comunicado divulgado hoje.

“Estamos em total acordo com a Senhora Ministra do Ambiente e da Energia que referiu recentemente: “o verdadeiro “flagelo” no que toca à demora dos projetos são as providências cautelares e não os processos de licenciamento, que são “rigorosos” e têm tempo limite”, pode-se ler na nota.

A companhia britânica garante que vai “com tranquilidade, esperar pelo desenvolvimento do processo de apreciação dos méritos da referida providência cautelar. A Savannah irá também, com toda a normalidade, retomar os trabalhos assim que tenha confirmação para o fazer pelas autoridades competentes, tal como aconteceu no ano passado, em 2025”.

A empresa disse que só foi notificada hoje e que a suspensão só produz efeitos a partir desta data, “ao contrário do veiculado pelo grupo de sempre e que comprova o carácter ilegal do bloqueio feito na semana passada aos trabalhos das nossas equipas no terreno”.

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PSI fecha no ‘vermelho’, penalizado pelo setor energético

A bolsa de Lisboa fechou o dia em terreno negativo, com uma descida de 0,32% para 8.902,89 pontos.

A Galp liderou o dia, a perder 2,44% para 18,99 euros, seguida da EDP Renováveis, que desceu 1,50% para 13,80 euros. A Ibersol derrapou 1,17% para 10,12 euros, os CTT deslizaram 1,02% para 5,82 euros, a Semapa diminuiu 0,65% para 23,05 euros e a EDP recuou 0,11% para 4,419 euros.

Em contraciclo, a Altri subiu 1,43% para 4,980 euros, a Jerónimo Martins ganhou 1,42% para 17,82 euros, a Navigator aumentou 1,11%, a Sonae somou 0,32% para 1,8980 euros e a NOS avançou 0,28% para 4,986 euros.

As principais praças europeias fecharam mistas, com o CAC40 a avança 0,05% para 8.203,43 pontos e o Ibex35 desceu 0,25% para 18.178,33 pontos.

O analista de mercados do Millennium Investment Banking, Ramiro Loureiro, afirma que as bolsas europeias foram oscilando entre território de ganhos e perdas, mas a grande maioria acabou por encerrar em baixa. O recuo dos preços do petróleo, em reação a declarações de Donald Trump, que apontaram para um progresso significativo em direção ao fim do conflito no Médio Oriente, prometendo fumo branco dentro de dois dias, ainda trouxeram ânimo”.

“No entanto, os investidores parecem neste momento estar a proceder a uma rotação de ativos, realizando mais-valias em setores mais cíclicos, em especial no tecnológico, entrando nos mais defensivos. No plano macroeconómico, as balanças comerciais da China, Alemanha e EUA mostraram ritmo de exportações e importações acima do esperado, dando um sinal de resiliência económica”, refere.

No mercado do petróleo o texano WTI perde 4,53%, fixando o barril nos 87,16 dólares e o Brent desce 3,94% para 90,55 dólares. O gás natural aumenta 0,48% para 3,162 dólares.

No mercado cambial o euro valoriza 0,15% face ao dólar, fixando-se nos 1,1553 dólares.

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Comissão Europeia obriga Meta a reabrir WhatsApp a assistentes de IA de terceiros

A Comissão Europeia obrigou esta terça-feira a Meta a restabelecer o acesso de assistentes de IA de terceiros ao WhatsApp, até concluir uma investigação à empresa, afirmando que isso é imprescindível para impedir “danos irreparáveis” à concorrência no setor.

Esta decisão surge depois de, em fevereiro, a Comissão Europeia ter notificado a Meta sobre um potencial abuso de posição dominante no mercado, após a empresa tecnológica ter anunciado em outubro uma atualização dos termos do WhatsApp Business que impedia a utilização de assistentes de Inteligência Artificial (IA) de terceiros na aplicação.

Em reação a esta notificação da Comissão Europeia, a Meta decidiu, em março, voltar a permitir a utilização desses assistentes, mediante o pagamento de uma taxa, o que o executivo comunitário considerou ser, “na prática, equivalente à anterior proibição de acesso”, uma vez que a taxa em questão é “demasiado elevada”.

Num comunicado hoje divulgado, a Comissão Europeia considera que é necessário forçar a Meta a restabelecer o acesso de assistentes de IA de terceiros ao WhatsApp “para prevenir danos graves e irreparáveis à concorrência no mercado em crescimento dos assistentes de IA de uso geral”.

“A alteração de política da Meta corre o risco de prejudicar a concorrência num momento crucial para o desenvolvimento desse mercado, em que operadores de menor dimensão e novos concorrentes podem desafiar os grandes intervenientes já estabelecidos”, afirma o executivo.

Assim, a Comissão Europeia ordena à Meta que “restabeleça o acesso de assistentes de IA de uso geral de terceiros ao WhatsApp Business, nos mesmos termos e condições que vigoravam antes de 15 de outubro de 2025, altura em que esse acesso era gratuito para todos esses assistentes de IA”.

“A Meta deverá manter esse acesso nessas condições até que a Comissão adote uma decisão final sobre o caso. Tal é necessário para garantir a eficácia dos poderes da Comissão em matéria de aplicação do direito da concorrência, bem como de qualquer decisão final que venha a ser adotada relativamente à legalidade da conduta da Meta”, lê-se.

A Meta tem agora até cinco dias úteis para cumprir a ordem hoje anunciada pela Comissão Europeia.

Citada no comunicado, a vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta da Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, refere que é necessário tomar esta medida provisória porque, “nos mercados em rápida evolução, pode-se perder competitividade” no tempo que a Comissão Europeia demora a chegar a uma decisão final.

“É por esta razão que estas medidas provisórias permanecerão em vigor durante toda a investigação, a fim de evitar danos que seriam praticamente impossíveis de reparar”, afirma.

A comissária salienta que a decisão hoje tomada irá “salvaguardar a concorrência no mercado em crescimento dos assistentes de IA, preservando um canal essencial para chegar aos consumidores na Europa – o WhatsApp – e permitindo que as empresas de IA inovem, ganhem escala e concretizem plenamente o seu potencial”.

“Com a decisão hoje adotada, garantimos também que os cidadãos europeus continuem a poder escolher os assistentes de IA que desejam utilizar com o WhatsApp, em vez de essa escolha lhes ser imposta”, acrescenta.

A Meta é a dona das redes sociais Facebook e Instagram, bem como de aplicações de comunicação para consumidores, como o WhatsApp e o Messenger.

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Governo anuncia a criação de nova Alfândega de Sines

O governo anunciou a criação da Alfândega de Sines esta terça-feira. Na cerimónia de apresentação, o ministro de Estado e das Finanças assinalou a importância crescente da região na “dinamização da economia nacional”. A alfândega funcionará nas instalações do Porto de Sines a partir do dia 1 de janeiro de 2027.

“Os investimentos que Sines tem conseguido atrair e as manifestações de interesse que
continuamos a receber, mostram que, além de um relevante complexo industrial, Sines é hoje um
marco na atração de investimento e mão-de-obra altamente qualificados, posicionando o país na
rota da inovação e desenvolvimento tecnológico”, indicou o ministro.

Paralelamente, o Governo indicou que, “no âmbito da reorganização territorial dos serviços aduaneiros desconcentrados, proceder-se-á à eliminação da Alfândega do Jardim do Tabaco [Lisboa], prevendo-se a sua reconfiguração como delegação aduaneira”.

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Apple apresenta assistente Siri IA que não vai funcionar na Europa e na China

A Apple revelou esta segunda-feira a reformulação do seu assistente Siri transformado em inteligência artificial (IA) conversacional, mas apoiado na tecnologia da Google, dois anos depois do fracasso de uma primeira tentativa desenvolvida internamente.

Com lançamento previsto para o outono, exceto na China e na Europa por questões regulamentares, o assistente da Apple, renomeado SiriAI, permitirá delegar a redação de emails, pesquisar através das aplicações ou deixar a ferramenta interpretar o que aparece no ecrã.

O assistente, que necessita de dispositivos recentes com chips Apple, baseia-se numa adaptação própria dos modelos Gemini do Google, aumentando a dependência do gigante de Cupertino em relação ao seu vizinho em Mountain View.

A Apple, que fez da privacidade dos dados um argumento comercial central, ao contrário do Google, insistiu várias vezes na apresentação baseada no facto de estas funções IA funcionarem apenas no seu ecossistema seguro.

A apresentação de segunda-feira, 8 de junho, como de costume pré-gravada, marcou a última aparição do chefe da Apple, Tim Cook, na abertura da conferência anual de criadores (WWDC): “foi a honra de uma vida”, declarou no final aquele que cederá a direção geral a partir de 1 de setembro a John Ternus, responsável pela engenharia de hardware.

Alguns minutos antes da transmissão da “keynote”, Tim Cook veio saudar uma última vez a comunidade de criadores reunida na Apple Park, enxugando uma lágrima sob uma salva de aplausos, conforme constatou um jornalista da agência de notícias francesa AFP.

Há dois anos, durante a mesma conferência, Tim Cook tinha anunciado que a Apple estava a alcançar um marco importante para integrar massivamente a IA generativa, acompanhando o frenesim que tomou conta do setor desde o lançamento do ChatGPT. Mas, o lançamento nunca ocorreu. A tão esperada reformulação do assistente de voz Siri, elogiado nos anúncios do grupo, nunca se concretizou, custando à Apple uma ação coletiva de clientes americanos, que a empresa aceitou pagar este ano, de 250 milhões de dólares (216,8 milhões de euros).

O atraso da Apple na corrida à IA não é um obstáculo para muitos analistas. Com mais de 2,5 mil milhões de dispositivos ativos, a Apple poderia sair-se bem quando os usos de IA para o público em geral chegarem à sua maturidade.

“A Apple está a fazer uma enorme aposta na IA: não ter de gastar centenas de mil milhões por ano em infraestruturas de IA (…) para colher os frutos”, escreve John Gruber, um comentador muito seguido.

“A IA é uma tecnologia incrivelmente poderosa, capaz de moldar a sociedade a fundo”, declarou o responsável pelo software da Apple, Craig Federighi, no vídeo de apresentação.

“No entanto, alguns parecem avançar de cabeça baixa, como se estivessem a perseguir a IA pela IA, sem real consideração pelas pessoas”, acrescentou, ao apoiar esta nova estratégia.

O grupo apresentou também longamente o reforço do controlo parental, no momento em que os gigantes americanos da tecnologia enfrentam uma pressão crescente da sociedade civil em relação à proteção de menores.

Apesar da ausência de uma oferta de IA competitiva, a ação da Apple desafiou amplamente a gravidade nos últimos dois anos.

A sua capitalização supera os 4.000 mil milhões de dólares, estando entre as três maiores do mundo, atrás da Nvidia e próxima do Google.

No trimestre encerrado em março, a Apple registou um lucro líquido de quase 30 mil milhões de dólares [27,3 mil milhões de euro] (+19%) , impulsionado por vendas massivas do iPhone 17. As dificuldades do grupo em desenvolver as suas ferramentas de IA de forma autónoma contrastam com a sua cultura de controlo total, desde os chips caseiros até aos softwares.

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Fatura com tokens de IA a explodir: CEO da OpenAI diz que agora custos são um “grande problema”

O CEO da OpenAI (que detém o ChatGPT), Sam Altman, realizou recentemente um retrato sobre o estado da inteligência artificial (IA). Pelo meio ficou um alerta. Os custos com os tokens, ligados à tecnologia, estão a subir muito rapidamente levando mesmo a que as empresas estejam a estabelecer limites.

Os tokens nada mais são do que as unidades de dados processados pelos modelos de IA, como o Gemini, o ChatGPT, e o Claude, pertencentes à Google, OpenAI e Anthropic.

“No início de 2026, o problema nunca foi levantado. As pessoas estavam totalmente satisfeitas com o valor que estavam a gastar. Agora, os custos da IA ​​são um grande problema”, referiu Sam Altman, durante um evento corporativo, em declarações transcritas pela Business Insider, sobre os custos ligados aos tokens de IA.

Sam Altman salientou durante um evento que há seis anos e ano o maior utilizador de tokens, da OpenAI, tinha um consumo de 100 mil por mês.

“Isso tornava-o muito provavelmente o líder mundial em gastos com tokens”, referiu o CEO da tecnológica. “Passados seis anos e meio este valor está próximo da média per capita mundial. O líder em gastos com tokens na OpenAI utiliza cerca de 100 mil milhões de tokens por mês”, referiu Sam Altman.

E este nem é o maior consumidor de tokens no mundo, algo que o CEO da OpenAI vê como uma “vergonha pessoal”. O consumo é visto por várias empresas, entre as quais a OpenAI, como algo de relevo, ao ponto de ter um ranking sobre quem mais consome. Além disso a tecnológica está também no negócio da venda de tokens.

A Business Insider salienta que a OpenAI deve ter gasto mais de mais de 100 mil milhões de tokens num mês, enquanto que o New York Times chegou a avançar que um funcionário da tecnológica chegou a gastar 210 mil milhões de tokens numa semana. Existe também relatos de que o criador da OpenClaw, Peter Steinberger, já atingiu 603 mil milhões de tokens em 30 dias.

Este consumo de tokens tem sido de tal ordem que já existem empresas a colocar limites nos gastos sendo a Amazon e a Uber alguns desses exemplos, salienta a Business Insider.

Sam Altman referiu que o tópico dos gastos em tokens tem sido de tal ordem que até já originou um meme. “A minha empresa gastou todo o orçamento de 2026 no primeiro trimestre, podem tornar isto mais eficiente?”.

No caso do CEO da Faros AI, Vitaly Gordon, um dos seus engenheiros gastou 40 mil dólares (34 mil euros) em tokens, em maio. “E eu realmente não sei se devo impedi-lo ou se devo andar por aí a dizer a todos os outros para fazerem o mesmo”, disse Vitaly Gordon, citado pela TechCrunch.

E há quem tenha faturas bem superiores. Um consultor para a área da IA, referiu à Axios, que uma empresa encontrou uma conta de 500 milhões de dólares (432 milhões de euros), para o Claude (modelo da Anthropic), depois de não ter definido limites de utilização para os seus funcionários.

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Oliver Wyman alerta que atual regulação deixa banca com 20% da capacidade necessária para financiar economia europeia

Os bancos europeus estão estruturalmente limitados na sua capacidade de financiar a economia do continente, e a arquitectura regulatória acumulada desde a crise financeira global é a principal razão. A conclusão é do relatório European Bank Competitiveness — Enabling banks to play a greater role financing European growth, elaborado pela consultora Oliver Wyman a pedido da Federação Bancária Europeia (EBF) e divulgado esta terça-feira.

O estudo estima que as necessidades de investimento adicional anual da União Europeia ascendem atualmente a cerca de 1,4 biliões de euros — significativamente acima dos 800 mil milhões calculados no Relatório Draghi de 2024 e dos 1,2 biliões estimados pelo BCE em 2025. A diferença reflete a escalada das necessidades de defesa, invocadas pelos líderes europeus, face à instabilidade geopolítica crescente, bem como um conjunto mais alargado de prioridades ambientais e sociais.

“O verdadeiro valor poderá ser ainda mais elevado, uma vez que alguns sectores estrategicamente importantes ainda não estão plenamente reflectidos nestas estimativas”, alerta a Oliver Wyman no seu relatório.

“O número exato é menos importante do que a escala global e a direção a seguir, uma vez que o ponto-chave é que as necessidades de investimento da Europa estão a aumentar, e não a diminuir. Esta tendência é impulsionada pela aceleração da adoção da IA, pela crescente procura por centros de dados, pelo investimento em infraestruturas energéticas e pela crescente incerteza geopolítica, fatores que, em conjunto, estão todos a contribuir tanto para a escala como para a urgência do desafio”.

Face a este cenário, o Oliver Wyman conclui que os bancos europeus apenas conseguem, nas condições atuais, assegurar cerca de 20% das necessidades anuais de financiamento privado adicional.

“O sistema de financiamento europeu não está atualmente configurado para satisfazer estas necessidades de financiamento em grande escala. Estimamos que os bancos apenas possam satisfazer cerca de 20% das necessidades de investimento do sector privado no enquadramento atual, enquanto os canais de financiamento alternativos permanecem menos desenvolvidos do que noutras grandes economias”, refere o documento.

Para cobrir 60% dessas necessidades, seria necessário um reforço de capital CET1 da ordem dos 540 mil milhões de euros — um valor que nenhum ajustamento incremental consegue absorver sem reformas estruturais., segundo o estudo.

“A AFME estima que mais de 225 mil milhões de euros de capital e 250 mil milhões de euros de liquidez estão retidos em filiais porque as isenções transfronteiriças não estão totalmente disponíveis. Já o Instituto Europeu dos Mercados de Capitais (ECMI) estima que um mercado de titularização da UE mais forte poderia suportar um volume adicional de empréstimos anual de 130 a 320 mil milhões de euros”

O relatório da Oliver Wyman deixa sete recomendações que visam reforçar o ecossistema de financiamento da Europa, aumentando a capacidade de financiamento dos bancos, apoiando uma União de Poupança e Investimento mais robusta, reduzindo a fragmentação e melhorando a eficiência com que o capital é mobilizado e alocado a toda a economia europeia.

O relatório apresenta várias estimativas para ilustrar o impacto potencial das recomendações. Limitar a almofada de capital para instituições de risco sistémico, a O-SII a 1% (a reserva mínima para G-SIB), poderia libertar aproximadamente 50 mil milhões de euros de capital CET1 e apoiar cerca de 300–400 mil milhões de euros de capacidade de crédito adicional.

Na mesma linha, a eliminação da almofada de capital para risco sistémico poderia libertar aproximadamente 19–29 mil milhões de euros de capital e apoiar cerca de 120–230 mil milhões de euros de capacidade de crédito adicional.

Adicionalmente, a eliminação da dedução relativa ao software poderia libertar aproximadamente 18 a 35 mil milhões de euros de capital CET1 e apoiar cerca de 140 a 220 mil milhões de euros de capacidade de crédito adicional.

A “software deduction” refere-se à dedução (ou abatimento) de custos de software no cálculo do capital regulatório dos bancos. Ao investir em software, as entidades financeiras capitalizam o ativo no balanço, mas as normas exigem que este valor seja deduzido dos fundos próprios para garantir liquidez e solvência.

Por outro lado, a AFME (Association for Financial Markets in Europe) estima que mais de 225 mil milhões de euros de capital e 250 mil milhões de euros de liquidez estão retidos em filiais porque as isenções transfronteiriças não estão totalmente disponíveis.

Já o Instituto Europeu dos Mercados de Capitais (ECMI) estima que um mercado de titularização da UE mais forte poderia suportar um volume adicional de empréstimos anual de 130 a 320 mil milhões de euros.

“Estes valores não devem ser considerados como perfeitamente cumulativos. Eles abordam diferentes restrições, afetam diferentes bancos e dependem da procura, das ponderações de risco e dos rácios de capital-alvo das instituições. No entanto, demonstram que uma recalibração direcionada poderia ter um impacto significativo”, defende a Oliver Wyman.

“O relatório cita um estudo da EBF sobre 15 bancos europeus que concluiu que os aumentos dos requisitos de capital entre 2021 e 2024 absorveram mais de 90% do crescimento cumulativo dos resultados retidos, deixando menos de 10% disponíveis para apoiar a expansão do balanço. Esta dinâmica equivale, segundo o documento, a uma redução da capacidade de crédito na ordem de 1 a 1,5 biliões de euros”

Rentabilidade não traduz maior capacidade de dar crédito

Um dos argumentos centrais do estudo é que a recente melhoria da rentabilidade dos bancos europeus — cujo retorno médio sobre o capital dos dez maiores bancos da UE passou de cerca de 5% em 2015 para cerca de 10% em 2025 — não se traduz automaticamente em maior capacidade de crédito. “Rentabilidade e capacidade de concessão de crédito não são a mesma coisa”, sublinha o documento.

“Apesar de os bancos da UE se apresentarem agora mais rentáveis, o relatório afirma que estes estão limitados porque rentabilidade e capacidade de concessão de crédito não são a mesma coisa. Na verdade, os bancos não concedem crédito simplesmente por serem rentáveis”, mas sim quando as operações “geram um retorno ajustado ao risco aceitável após consideração dos custos de financiamento, perdas esperadas, requisitos de capital, requisitos de liquidez e custos operacionais”.

Acresce que o tipo de investimento de que a Europa mais necessita — infra-estruturas de longa duração, transição energética, inteligência artificial, semicondutores, defesa — concentra-se precisamente nos ativos mais intensivos em capital, de maior prazo e perfil de risco mais elevado, que o enquadramento regulatório atual desincentiva. “À medida que a qualidade de crédito do mutuário se deteriora e os prazos aumentam, o capital consumido cresce de forma desproporcionada, tornando estas operações economicamente pouco atrativas para os bancos”, explica o relatório.

Ou seja, estas exposições consomem quantidades significativas de capital e liquidez, o que aumenta o retorno necessário para que o crédito continue a ser economicamente atraente.

Ao mesmo tempo, os crescentes requisitos de capital regulamentar absorveram uma parte expressiva dos lucros bancários nos últimos anos. Um estudo da Federação Bancária Europeia (EBF) baseado em 15 bancos europeus constatou que os aumentos nestas exigências regulatórias entre 2021 e 2024 consumiram mais de 90% do crescimento acumulado dos lucros retidos, deixando menos de 10% disponíveis para apoiar uma expansão adicional do balanço.

Esta dinâmica equivale, segundo o documento, a uma redução da capacidade de crédito na ordem de um bilião a 1,5 biliões de euros.

Consequentemente, a questão não é saber se os bancos europeus são rentáveis, mas sim se o quadro atual proporciona capacidade e incentivos suficientes para que invistam capital nos tipos de financiamento a longo prazo e de elevada intensidade de que a Europa tanto necessita.

O argumento do relatório não reside na falta de rentabilidade dos bancos, mas sim na urgência de um quadro de financiamento que apoie melhor a mobilização dos balanços bancários, a par dos mercados de capitais e dos investidores institucionais, para satisfazer as ambições de investimento do continente.

O estudo da Oliver Wyman dá força ao argumento da comissária europeia responsável pelos Serviços Financeiros e União da Poupança e dos Investimentos , quando conclui que a Europa não tam falta de poupança. “As famílias europeias detinham aproximadamente 37 biliões de euros em ativos financeiros em 2023. No entanto, muito pouco deste capital está a ser canalizado para investimento produtivo, particularmente nos sectores estratégicos que impulsionarão o crescimento e a competitividade futuros”, lê-se no documento.

“As iniciativas da União de Poupança e Investimento representam um passo importante para mercados de capitais mais profundos e integrados. No entanto, as necessidades de investimento da Europa são imediatas, e a construção da escala e da profundidade dos mercados de capitais necessárias para as satisfazer levará tempo”, alerta a Oliver Wyman.

“Não é desregulação, é melhor regulação”

Antecipando as críticas, o relatório rejeita a ideia de que estas propostas equivalem a um retrocesso regulatório. “O objectivo não é a desregulação; é uma melhor regulação — preservar a resiliência enquanto se removem constrangimentos desnecessários ao investimento produtivo”, afirma o documento. A consultora recorre a uma analogia: “Se a regulação é para o sistema financeiro o que a medicina é para o corpo humano, é essencial na dose certa — mas prejudicial em excesso.”

O estudo relembra que as reformas pós-crise foram “necessárias e bem-sucedidas na restauração da estabilidade e da confiança” e que o rácio CET1 médio dos maiores bancos europeus se situava em 16,2% no final de 2025, acima do intervalo óptimo de 10% a 14% identificado pelo Banco de Internacional de Pagamentos (BIS) e dos 11% que o Banco de Inglaterra concluiu, em dezembro de 2025, serem o nível adequado para o sistema bancário britânico.

A nota final é de urgência. “As necessidades de investimento da Europa não são projeções teóricas. São imediatas e crescentes. A inação tem custos que vão muito além do sector financeiro”, conclui o relatório, lembrando que a Europa possui 37 biliões de euros em ativos financeiros nos balanços das famílias mas canaliza apenas 17% para títulos financeiros — contra 43% nos Estados Unidos.

Output floor do Basileia III pode retirar 450 a 600 mil milhões de capacidade de crédito

Entre as ameaças identificadas, destaca-se a implementação integral do output floor do Basileia III, que deverá estar concluída até 2030. A Oliver Wyman estima que esta medida poderá aumentar os ativos ponderados pelo risco dos sete G-SIBs europeus em cerca de 12%, com um impacto de redução da capacidade de crédito entre 450 mil milhões e 600 mil milhões. Em sentido inverso, os G-SIBs norte-americanos verão os seus requisitos de capital cair entre 8% e 10% com as propostas atualmente em discussão nos Estados Unidos — uma assimetria que preocupa a consultora.

O relatório desmonta igualmente o argumento de que os bancos europeus enfrentariam requisitos mais elevados sob as regras americanas, invocado num documento do BCE. “As diferenças estruturais e regulatórias entre os EUA e a UE influenciam a composição dos activos dos bancos, enviesando essa análise”, contrapõe o Oliver Wyman, apontando que os bancos norte-americanos podem transferir hipotecas para a Fannie Mae e Freddie Mac através de mercados de titularização líquidos — o que reduz significativamente a fatia de hipotecas no seu balanço —, enquanto os bancos europeus são obrigados a deduzir parcialmente os ativos de software ao capital CET1.

“As sete recomendações deste relatório visam reforçar o ecossistema de financiamento da Europa, aumentando a capacidade de financiamento dos bancos, apoiando uma União de Poupança e Investimento mais robusta, reduzindo a fragmentação e melhorando a eficiência com que o capital é mobilizado e alocado a toda a economia europeia”

Sete recomendações para impulsionar o financiamento bancário

Para fazer face a este diagnóstico, o relatório avança com sete recomendações agrupadas em três eixos. O primeiro, já referido, passa por reforçar a capacidade de financiamento, e a Oliver Wyman propõe “racionalizar e recalibrar os add-ons de capital” europeus, nomeadamente os buffers O-SII, cujo limite máximo o estudo sugere fixar em 1% (o mínimo aplicado aos G-SIBs), o que liberaria cerca de 50 mil milhões de capital CET1 e permitiria 300 a 400 mil milhões de euros de crédito adicional. O mesmo eixo contempla a eliminação do Systemic Risk Buffer — que poderia libertar entre 19 e 29 mil milhões de capital — e a revisão da dedução de ativos de software, cuja remoção libertaria 18 a 35 mil milhões de CET1 e suportaria 140 a 220 mil milhões de empréstimos adicionais.

O segundo eixo recomenda incorporar objetivos explícitos de crescimento e competitividade nos mandatos dos reguladores e supervisores europeus — algo que o Reino Unido fez em 2023 para a PRA e a FCA, e que os EUA adoptaram em 2025 no âmbito do Financial Stability Oversight Committee.

“A filosofia regulatória europeia está cada vez mais desfasada dos principais centros financeiros mundiais”, constata o documento, notando que a UE é a única grande jurisdição onde nenhum regulador bancário possui um mandato estatutário explícito de crescimento ou competitividade.

O terceiro eixo centra-se no desbloqueio do contínuo de financiamento: concretizar o pleno potencial da União de Poupança e Investimento, desobstruir a titularização — cujo mercado europeu de centros de dados securitizados totaliza apenas 800 milhões de dólares desde 2018, contra 63,6 mil milhões de dólares nos EUA — e remover a fragmentação que mantém, segundo a AFME, mais de 225 mil milhões de euros de capital e 250 mil milhões de euros de liquidez imobilizados em subsidiárias devido à ausência de dispensas transfronteiriças.

O relatório foi elaborado por Elie Farah, Huw van Steenis, Magnus Burkl, Elisa Haining e Ryan Lancaster, da Oliver Wyman, e foi encomendado pela Federação Bancária Europeia. Mas os autores salientam que as conclusões representam a visão independente da consultora e não necessariamente as posições da EBF ou dos seus membros.

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Google paga 920 milhões por mês à SpaceX para alugar capacidade computacional

A Google vai pagar 920 milhões de dólares (795,3 milhões de euros à taxa de câmbio atual), por mês, entre outubro de 2026 e junho de 2029, para alugar capacidade computacional à SpaceX, de acordo com um documento entregue junto do regulador dos mercados norte-americanos (SEC) na passada sexta-feira.

Este acordo surge numa altura em que a SpaceX se prepara para entrar em bolsa esta sexta-feira (12 de junho). O momento será histórico. A empresa de satélites, foguetões, e de inteligência artificial, liderada por Elon Musk, colocara as suas ações a um preço de 135 dólares. Isto deixa a avaliação da empresa em 1,77 biliões de dólares (1,52 biliões de euros). Como resultado a organização deve captar 75 mil milhões de dólares (64,5 mil milhões de euros) superando o máximo de 25,5 mil milhões de dólares (21,9 mil milhões de euros) da Saudi Aramco de 2019.

O banco que vai liderar a oferta pública inicial da empresa (IPO) será o Goldman Sachs. E na dianteira estará também o Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup, e JP Morgan Chase.

A entrada em bolsa da SpaceX tornará Elon Musk o primeiro bilionário da história. Este detém mais de 40% das ações da empresa de foguetões, satélites, e inteligência artificial, e possui 82% do poder de voto.

Esta cedência de capacidade computacional da SpaceX, à Google, resulta do investimento que tem sido feito pela empresa dirigida por Elon Musk em centros de dados (data centers) que possuem mais de dois gigawatts, como assinala a Euronews.

A Alphabet, detentora da Google, é uma das investidoras na SpaceX.

O documento entregue junto da SEC refere que a Google vai utilizar 110 mil unidades de processamento gráfico (GPU), processadores e componentes de memória da Nvidia instalados nos centros de dados da SpaceX.

Mas se a SpaceX não conseguir fornecer essa quantidade de GPU contratada, até 30 de setembro de 2026, a Google pode rescindir o contrato ou aceitar as GPU fornecidas por um valor reduzido após um período de carência de um mês.

Google pretende angariar 80 mil milhões de dólares para financiar procura “sem precedentes” por IA

A Google anunciou a 1 de junho que pretendia angariar 80 mil milhões de dólares (68,6 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) com o objetivo de financiar investimento na sua infraestrutura de computação de inteligência artificial (IA) para responder à procura “sem precedentes” de clientes. A Berkshire Hathaway adquiriu 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros) em ações da tecnológica, numa colocação privada, composta por cinco mil milhões de dólares em ações ordinárias de Classe A a um preço de 351,81 dólares por ação e cinco mil milhões de dólares em ações ordinárias de categoria C a um preço de 348,20 dólares por ação.

A oferta de ações que a Google anunciou na segunda-feira inclui: “Ofertas subscritas simultâneas: ofertas públicas subscritas de 30 mil milhões de dólares (25,7 mil milhões de euros), consistindo em: 15 mil milhões de dólares (12,8 mil milhões de euros) em recibos de depósito que representam ações preferenciais obrigatórias convertíveis; e 15 mil milhões de dólares (12,8 mil milhões de euros) em ações ordinárias Classe A e ações de capital Classe C; Oferta no mercado: Programa de oferta no mercado (ATM) de 40 mil milhões de dólares (34,3 mil milhões de euros) para ações ordinárias de Classe A e ações ordinárias de Classe C ao longo do tempo, com início previsto para o terceiro trimestre de 2026”, esclareceu a Google sobre a oferta de ações que está a colocar no mercado.

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Portugueses concluem projeto de baterias na América

A EDP Renováveis concluiu um projeto de baterias no estado do Arizona, nos Estados Unidos da América.

Este é o seu maior sistema de armazenamento de baterias com capacidade de 200 MW/800 MWh, suficiente para abastecer mais de 44 mil famílias.

O projeto Flatland Energy Storage vai contribuir para “garantir um fornecimento fiável durante períodos de maior procura e para apoiar o crescimento das necessidades energéticas do estado”.

“Os sistemas elétricos estão a tornar-se cada vez mais complexos e a procura de energia continua a aumentar, tornando cada vez mais importante o investimento em sistemas mais resilientes. Projetos de armazenamento de energia à escala, como este — o maior dentro do Grupo EDP até à data — são fundamentais para reforçar a estabilidade e a resiliência da rede, bem como para assegurar um desempenho mais fiável do sistema”, disse Miguel Stilwell d’Andrade, presidente-executivo do Grupo EDP.

Este projeto vai gerar mais de 17 milhões de euros de impacto económico local e regional ao longo da sua vida útil, incluindo receitas para as autoridades locais.

“A EDP Renováveis América do Norte é um dos principais promotores e operadores de infraestruturas de energia limpa no Arizona, com cerca de 600 MW de capacidade operacional bruta em energia solar e armazenamento, abastecendo o equivalente a mais de 113.000 lares”, segundo a companhia.

A EDP conta com um portfólio de mais de 460 MW de armazenamento em operação e em construção nos Estados Unidos, Europa, América do Sul e Ásia-Pacífico.

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Wall Street arranca sessão em alta com Nasdaq a liderar os ganhos

A bolsa de Nova Iorque abriu sessão, desta terça-feira, em terreno positivo com o Nasdaq a liderar os ganhos.

Assim, o Dow Jones somou 0,55% para 51.063,16 pontos, o S&P 500 ganhou 0,74% para 7.460,84 pontos, e o tecnologico Nasdaq valorizou 0,84% para 26.148,56 pontos.

Segundo o analista de mercados do Millenium Ramiro Loureiro “Wall Street arranca em alta, prolongando a recuperação de ontem, mais vincada no setor tecnológico. Donald Trump referiu um progresso significativo para o fim do conflito no Médio Oriente, após a suspensão das hostilidades entre Israel e o Irão, prometendo divulgar pelo menos uma ideia de acordo até amanhã, o que está a levar a uma descida dos preços do petróleo e a motivar os investidores”.

“O apetite pelo ecossistema de Inteligência Artificial está de regresso, no dia em que surgem notícias de que a China prepara um plano de 295 mil milhões para implementação de IA em todo o país”, sublinhou o especialista.

No seio empresarial, o analista destacou que “a Applied Digital dispara perante um novo contrato com um Hyperscaler e a Nebius está animada após o lançamento de um programa de IA Física com ferramentas da NVIDIA”.

No plano macroeconómico “foi revelado que as exportações e as importações norte-americana cresceram acima do previsto no mês de abril”.

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