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Acordo entre EUA e Irã inclui fundo de US$300 bilhões, diz fonte

16 June 2026 at 22:15

Um fundo privado de US$300 bilhões destinado a estimular investimentos no Irã está previsto no acordo-quadro entre os EUA e o Irã, e mais da metade desse montante já foi comprometida, informou à Reuters uma fonte com conhecimento direto do acordo.

O fundo tem como objetivo oferecer a ambas as partes um incentivo econômico para que cheguem a um acordo final, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato, já que o plano ainda não foi anunciado, enquanto Washington e Teerã se preparam para assinar o acordo nesta sexta-feira (19).

Autoridades dos EUA e do Irã afirmaram no domingo (14) que haviam chegado a um entendimento sobre um acordo-quadro para pôr fim à guerra — que teve início quando forças norte-americanas e israelenses atacaram o Irã em 28 de fevereiro –, suspender o bloqueio dos EUA ao Irã e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota de abastecimento fundamental para o petróleo e o gás global.

O novo fundo é um veículo de investimento privado, não um programa de reconstrução ou reparações, e não incluirá dinheiro público nem subsídios, disse a fonte, acrescentando que empresas sediadas nos EUA, nos países árabes do Golfo, na Ásia, na América do Sul e na África concordaram em comprometer-se com financiamento.

Os investimentos prometidos abrangem os setores de energia, logística, manufatura e transporte, disse a fonte.

Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que Teerã havia inicialmente solicitado US$ 400 bilhões como indenização pelos danos de guerra causados pelos EUA, mas Washington havia afirmado que não forneceria esse montante.

Foi então que surgiu a ideia do fundo, que se chamará Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento.

O mecanismo prevê que os países da região contribuam de várias maneiras, disse a fonte iraniana. Isso inclui a obtenção de empréstimos, o estabelecimento de linhas de crédito ou o financiamento direto da reconstrução de locais danificados pela guerra, incluindo instalações como o complexo siderúrgico de Mobarakeh, refinarias, aeroportos e, de maneira mais ampla, a infraestrutura afetada pelo conflito.

O Irã, uma das maiores economias do Oriente Médio, praticamente não atraiu investimentos estrangeiros diretos significativos nas últimas quatro décadas, tendo sido excluído dos mercados de capitais globais por sucessivas ondas de sanções dos EUA e da comunidade internacional.

O país tem a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo e a quarta maior reserva comprovada de petróleo.

Possui também uma população jovem e qualificada de mais de 92 milhões de pessoas, uma base industrial diversificada e um potencial significativo ainda inexplorado em setores que vão desde o petroquímico e a mineração até o turismo e a agricultura.

O fundo de investimento é totalmente independente de uma via paralela de negociações sobre o levantamento das sanções dos EUA e a liberação dos ativos soberanos iranianos congelados no exterior, disse a fonte, descrevendo os dois como mecanismos financeiros distintos, com objetivos e prazos diferentes.

O fundo não será criado nem entrará em operação até que um acordo final e satisfatório seja concluído. O memorando de entendimento, uma vez assinado, tem como objetivo estruturar o processo nos próximos 60 dias.

“Ele só será criado uma vez que o acordo final tenha sido assinado”, disse a fonte.

“Durante esses 60 dias, os administradores do fundo trabalharão com iranianos e investidores para planejar e definir o escopo dos projetos”, acrescentou.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã e o do Paquistão, que ajudaram a mediar o acordo do fundo de investimento, não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

Uma porta-voz da Casa Branca citou uma entrevista da CBS com o vice-presidente americano, JD Vance, na segunda-feira (15), na qual ele afirmou que o Irã poderia ter acesso a um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões apoiado pelos países do Golfo caso cumpra um acordo com Washington, incluindo o desmantelamento de seu programa nuclear, a eliminação de seu estoque de material enriquecido e a aceitação de um rigoroso regime de inspeção e fiscalização.

“Esse é o tipo de coisa a que eles poderiam ter acesso, financiada pela coalizão da Costa do Golfo, desde que cumpram sua parte do acordo”, disse Vance em entrevista à CBS.

A fonte não quis revelar como o fundo será administrado nem por quem, observando que detalhes importantes ainda precisavam ser definidos.

Horas após a entrevista de Vance, o presidente dos EUA, Donald Trump, negou as notícias sobre o fundo de reconstrução como parte do acordo para encerrar a guerra.

“O Irã concordou em nunca ter uma arma nuclear! Além disso, a história de que os EUA estão pagando US$ 300 milhões ao Irã é Fake News, divulgada pelos democratas!!!”, escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth Social.

A fonte citou empresas da Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Malásia e Estados Unidos entre aquelas que assumiram compromissos, mas se recusou a fornecer uma lista completa.

O memorando de 60 dias é um marco, não um acordo definitivo, e espera-se que negociadores dos EUA e do Irã trabalhem em várias frentes durante esse período, abordando questões nucleares, sanções e segurança regional.

O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã

Irã alerta para “resposta severa” caso ataques ao Líbano continuem

16 June 2026 at 21:13

O quartel-general militar do Irã alertou Israel nesta terça-feira (16) para que encerre sua campanha contra o Hezbollah no Líbano, de acordo com um comunicado publicado pela agência de notícias semioficial Fars.

Se Israel não “puser fim à sua agressão no sul do Líbano, deve esperar uma resposta severa das poderosas forças armadas da República Islâmica do Irã”, diz o comunicado, que a Fars atribuiu ao principal comando militar conjunto do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya.

O Irã e o Paquistão insistiram que o acordo entre o Irã e os EUA exige que Israel cesse as hostilidades e, horas antes do anúncio do acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu publicamente que Israel interrompesse seus ataques no Líbano.

No entanto, um alto funcionário dos EUA afirmou que o acordo não exige que Israel se retire do país, e Israel se recusa a encerrar sua campanha militar contra o grupo militante libanês apoiado pelo Irã.

Mais cedo, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que Israel deve se retirar das “áreas ocupadas” no Líbano.

O comentário foi feito durante uma ⁠conversa por ⁠telefone com o ​presidente ‌do Parlamento ⁠libanês, Nabih Berri, enquanto Teerã e ‌Washington planejavam ⁠assinar ‌um acordo de paz nesta ⁠sexta-feira ⁠(19) para pôr fim à ‌guerra entre os dois países.

“A população do sul do ‌Líbano deve retornar às suas casas”, ⁠acrescentou Qalibaf em uma postagem ​em seu canal ​no Telegram.

Também nesta terça-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou clara sua frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dizendo a repórteres que ele precisava ser “mais responsável em relação ao Líbano”.

Trump entrou em conflito com Netanyahu diversas vezes nos últimos meses, acreditando que o líder israelense e seu governo estavam dificultando um acordo entre os EUA e o Irã ao atacar o Hezbollah no Líbano.

“Sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estaria disposto a fazer o que eu fiz”, disse Trump em resposta a uma pergunta sobre se ele estava frustrado com Netanyahu.

Netanyahu tem evitado confrontos públicos com Trump. Falando sobre o acordo EUA-Irã na segunda-feira (15), ele disse: “Há casos em que o presidente Trump e eu não concordamos. […] Sou responsável pelos interesses de segurança de Israel, e isso precisa ser feito com sabedoria.”

Uma fonte israelense informou que o primeiro-ministro está tentando organizar um encontro após o retorno do americano da Cúpula do G7 na Europa.

O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã

EUA avaliam que Irã pode fechar Ormuz quando quiser, apesar de acordo

16 June 2026 at 20:02

As agências de inteligência dos Estados Unidos avaliaram recentemente que o Irã agora pode bloquear de forma efetiva o acesso ao Estreito de Ormuz quando desejar. Isso significa que o regime adquiriu uma nova e poderosa capacidade de prejudicar a economia global como resultado da guerra, segundo três fontes familiarizadas com a avaliação.

Independentemente do acordo provisório que deverá ser formalmente assinado na sexta-feira para reabrir a importante via marítima, o Irã demonstrou durante o conflito atual que consegue interromper o acesso ao estreito, e avaliações da inteligência americana indicam que isso poderá ocorrer novamente.

“Agora entregamos ao Irã o controle de fato sobre o estreito — uma arma mais poderosa do que qualquer arma nuclear”, disse à CNN uma das fontes familiarizadas com as avaliações da inteligência dos EUA, enfatizando como a guerra alterou profundamente a forma como Teerã pensa em utilizar táticas semelhantes no futuro.

O Irã também aprendeu que pode usar ataques direcionados contra a infraestrutura energética dos países do Golfo como uma capacidade assimétrica, depois de fazê-lo com grande eficácia durante a guerra, acrescentou uma segunda fonte. Essa seria outra ferramenta que Teerã poderá explorar a seu favor daqui para frente.

Os EUA tiveram de negociar intensamente com o Irã para reabrir totalmente o estreito, o que evidencia a influência contínua dos iranianos sobre a situação.

A CNN procurou a Casa Branca e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional para comentar o assunto.

Um alto funcionário americano afirmou à CNN que o Irã não poderá acessar “nenhum benefício” do acordo provisório se o estreito não permaneça aberto ou se descumprir os demais pontos acertados. O funcionário não detalhou quais seriam esses benefícios, mas explicou que os EUA reduzirão gradualmente seu bloqueio na mesma proporção em que o Irã restabelecer o tráfego no estreito.

“Se o Irã cumprir sua parte, o alívio virá e a influência americana será mantida durante todo o processo”, acrescentou.

Outra fonte familiarizada com o acordo reconheceu à CNN que o Irã tentou interromper o livre fluxo de energia no estreito, mas acabou desagradando a China e os países do Golfo.

“O Irã paga um preço quando faz isso”, disse a fonte, observando que qualquer tentativa futura de fechar efetivamente o estreito acarretaria consequências autoinfligidas.

A incerteza sobre os termos do acordo e outros riscos também deverão manter o tráfego nesse ponto estratégico reduzido por semanas ou meses, segundo autoridades da indústria marítima e especialistas que monitoram a movimentação de navios.

Uma das principais razões pelas quais o Irã acredita que pode continuar usando o estreito como instrumento de pressão é que ainda mantém uma parcela significativa de seu arsenal, incluindo mísseis, drones, lançadores de mísseis e centenas de pequenas embarcações rápidas que continuam assediando navios que tentam atravessar a passagem e que também podem ser usadas para instalar minas navais.

Além disso, o Irã vem reconstruindo sua base industrial militar mais rapidamente do que os EUA esperavam e já retomou a produção de drones, informou anteriormente a CNN.

Houve discussões sobre a possibilidade de aliados patrulharem o estreito após sua reabertura, mas ainda não está claro como isso funcionaria. Segundo as fontes, as avaliações de inteligência mais recentes já consideram essa possibilidade.

Mesmo com um acordo aparentemente encaminhado para reabrir o estreito e encerrar o conflito atual, diversas fontes afirmaram que o Irã vem planejando uma “opção nuclear econômica” caso as negociações com os EUA fracassem: fazer com que os houthis, principal força aliada de Teerã no Iêmen, fechem o estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico — outro gargalo estratégico do comércio global e que se tornou uma rota vital durante os meses em que o Estreito de Ormuz permaneceu fechado.

Em conjunto, as recentes avaliações da inteligência dos EUA destacam o impacto duradouro da decisão do presidente Donald Trump de iniciar o conflito sem considerar plenamente a disposição do Irã de fechar o Estreito de Ormuz e levantam novas dúvidas sobre a capacidade de Teerã de usar a economia global como instrumento de pressão no futuro — um problema que vai além de qualquer acordo provisório entre os dois países para reabrir a passagem marítima.

Desde que o Irã fechou o estreito, as agências de inteligência americanas vêm reavaliando continuamente como e em quais circunstâncias Teerã poderá recorrer novamente a esse instrumento de pressão, segundo três fontes.

Embora ainda não haja consenso dentro da comunidade de inteligência, várias fontes afirmam que o Irã saiu fortalecido pelo fato de ter conseguido fechar o estreito e atacar a infraestrutura energética dos países do Golfo sem consumir uma parcela significativa de suas capacidades militares.

Agora que o Irã demonstrou possuir tanto a intenção quanto a capacidade de fechar o estreito, alguns funcionários americanos acreditam que o país estará mais inclinado a repetir essa medida no futuro, disseram duas fontes.

Na segunda-feira, uma autoridade do governo afirmou que o objetivo é “criar um mecanismo que torne impossível” um novo fechamento do estreito.

O vice-presidente JD Vance declarou à CNN, em entrevista a Jake Tapper, que acredita que uma das razões pelas quais o Irã aceitou chegar a um acordo-quadro com os EUA é porque “reconhece que está perdendo essa influência sobre o Estreito de Ormuz”.

Mais cedo, Trump afirmou que o estreito “já está parcialmente aberto” e será totalmente reaberto na sexta-feira, quando EUA e Irã deverão assinar formalmente um memorando de entendimento.

“Eles estão procurando algumas minas que já foram encontradas, mas os navios já estão começando a sair”, disse Trump durante uma reunião com o presidente francês, Emmanuel Macron, na cúpula do G7. “Na sexta-feira, estará completamente aberto.”

“Não acho que vamos precisar de muita ajuda, porque temos um acordo segundo o qual ele ficará aberto e sem cobrança de pedágio. Tivemos uma pequena discussão sobre isso, mas será sem pedágio”, acrescentou.

No entanto, Trump pouco explicou sobre como qualquer acordo poderia impedir o Irã de tomar medidas semelhantes no futuro, especialmente depois que os EUA suspenderem o bloqueio naval e retornarem gradualmente a uma postura militar mais normal na região.

Erro de cálculo fortaleceu o Irã

O Irã há muito ameaçava fechar o estreito em resposta a ataques de adversários estrangeiros, incluindo EUA e Israel, mas não havia demonstrado capacidade de fazê-lo com sucesso antes da decisão de Trump de iniciar operações militares ao lado de Israel neste ano.

Segundo várias fontes, uma das razões pelas quais o governo Trump subestimou a disposição iraniana de fechar o estreito foi a crença de que isso prejudicaria mais o próprio Irã do que os EUA — visão reforçada pelas ameaças vazias feitas por Teerã após os ataques americanos a instalações nucleares iranianas no verão passado.

Altos funcionários do governo também estavam confiantes de que a China acabaria usando sua influência sobre o Irã para impedir um fechamento efetivo do estreito.

Por isso, o governo Trump decidiu priorizar ataques contra alvos militares iranianos em vez de destinar recursos para dissuadir o Irã de tentar bloquear o Estreito de Ormuz, disseram duas fontes familiarizadas com as discussões de planejamento.

Mas poucos dias após o início do conflito, ficou claro que houve um erro de cálculo.

“Perder o controle do estreito será o maior erro desta era, porque é uma carta que os EUA não conseguem neutralizar sem mobilizar tudo o que têm”, afirmou uma quarta fonte envolvida no planejamento militar da guerra. “Agora não há como reverter a situação sem concentrar uma força militar gigantesca.”

Autoridades americanas acreditam que o Irã decidiu fechar o estreito em resposta à declaração inicial de Trump de que o objetivo da guerra era derrubar o regime iraniano, enxergando isso como uma ameaça existencial que justificava uma escalada sem precedentes.

A mesma fonte observou que Teerã não tomou essa medida imediatamente após os bombardeios, mas esperou alguns dias até acreditar que havia compreendido o verdadeiro objetivo dos EUA.

“O Irã foi deliberado na forma como escalou o conflito”, acrescentou.

Influência significativa

Neste momento, os iranianos estão calibrando suas ações, afirmam todas as fontes, e ainda não está claro como o acordo provisório que deverá ser assinado em Genebra pode alterar o cenário.

Mas está claro que o Irã adquiriu uma influência significativa ao demonstrar capacidade de fechar o estreito.

Teerã também sabe que pode fazer os houthis fecharem o estreito de Bab el-Mandeb, mas está ciente de que uma medida tão drástica prejudicaria o processo diplomático e as negociações nucleares prestes a começar.

Fechar Bab el-Mandeb e, ao mesmo tempo, manter fechado o Estreito de Ormuz provocaria um enorme choque na economia global, disse uma das fontes.

A segunda fonte familiarizada com as avaliações recentes da inteligência americana observou que é significativo o fato de os houthis ainda não terem retomado ataques em larga escala contra embarcações americanas ou europeias, embora tenham declarado que navios de bandeira ou propriedade israelense continuam sendo alvos legítimos.

Expandir o leque de alvos para além de embarcações israelenses representaria uma escalada grave, acrescentou a fonte.

Segundo as fontes, o Irã só não ordenou até agora que os houthis adotassem essa medida porque sabe que isso poderia comprometer as negociações de paz em andamento.

Mas essa continua sendo uma carta que Teerã poderá jogar caso a busca por um acordo fracasse e os EUA retomem operações militares em larga escala.

Entenda por que os EUA não conseguem proteger o Estreito de Ormuz

Acordo EUA-Irã permite que Teerã venda petróleo logo após assinatura

16 June 2026 at 19:27

Os Estados Unidos permitirão que o Irã comece a vender petróleo e combustível imediatamente, nos termos do memorando de entendimento firmado entre as duas partes para pôr fim à guerra, disse nesta terça-feira uma autoridade norte-americana de alto escalão.

A cláusula que prevê a suspensão das sanções sobre as vendas de petróleo iraniano entrará em vigor assim que o acordo for assinado nesta semana e abrange também serviços como os bancários, de transporte e de seguros, para facilitar as vendas, disse a fonte.

Segundo a autoridade norte-americana, o acordo tem condições.

“Este é um acordo baseado no cumprimento de metas”, disse a autoridade, sob condição de anonimato.

“O Irã só poderá ter acesso aos benefícios do memorando de entendimento se cumprir todos os pontos acordados — incluindo a renúncia a armas nucleares, a neutralização de seu material enriquecido e a não interferência no livre tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.”

Com alta no petróleo, governo acende alerta para evitar efeitos no Brasil

Com trégua na guerra, Trump retoma foco em políticas tarifárias; entenda

16 June 2026 at 16:20

Tarifa” pode ser uma das palavras favoritas do presidente americano Donald Trump. Mas desde que a guerra com o Irã eclodiu, ela raramente fez parte do seu vocabulário.

Com um frágil acordo entre os Estados Unidos e o Irã oferecendo um caminho para encerrar a guerra que dura meses, as tarifas voltam à agenda de Trump. E a situação pode se deteriorar rapidamente.

Às vésperas da Cúpula do G7 desta semana na França, Trump ameaçou impor um imposto de 100% sobre o vinho francês caso o presidente da França, Emmanuel Macron, não abandonasse um imposto digital de 3% sobre serviços.

O tributo é especialmente prejudicial para gigantes de tecnologia dos EUA, como Amazon, Alphabet, Apple e Meta.

“Pedi a ele que não cobrasse das empresas americanas, e se o fizerem, não terei escolha senão cobrar uma tarifa de 100% sobre todos os champanhes e todos os vinhos provenientes da França“, disse Trump ao New York Post em entrevista publicada na segunda-feira.

Trump vem fazendo esse tipo de ameaça desde que o imposto foi instituído em 2019. Antes de seu aviso mais recente, ele ameaçou em janeiro introduzir uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhe franceses após Macron sinalizar que não se juntaria ao “Board of Peace” de Trump sobre Gaza.

Mas, por uma série de razões, Trump não cumpriu essas ameaças.

A Casa Branca negou qualquer conexão entre o acordo com o Irã e o aviso tarifário de Trump em relação à França.

“Não há uma mudança de direção aqui; o presidente está respondendo a uma questão sobre a qual ele claramente já tomou uma posição”, disse o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, ao CNN em um comunicado.

Além dos vinhos e Champanhe franceses, que correm o risco de provocar uma retaliação mais ampla da União Europeia, Trump também prometeu aumentar as tarifas sobre carros da UE, alegando que o bloco comercial violou um acordo firmado no verão passado.

Além disso, o USTR propôs recentemente tarifas a partir de 12,5% sobre todos os produtos do Japão, China e Índia em razão de alegadas preocupações com trabalho forçado.

Espera-se que essas tarifas entrem em vigor após o vencimento de um imposto de importação temporário de 10% no próximo mês.

A economia ainda se recupera da última rodada de tarifas

Trump introduziu tarifas abrangentes no último mês de abril, paralisando empresas e congelando suas tomadas de decisão e contratações. A maioria das taxas foi posteriormente derrubada pela Suprema Corte.

Agora, mais de um ano depois, os efeitos das tarifas sobre o mercado de trabalho estão apenas começando a se dissipar

Empregadores que hesitavam em contratar mais trabalhadores devido ao clima comercial incerto voltaram a contratar: a economia dos EUA adicionou uma média de 188.000 empregos por mês nos últimos três meses — muito diferente do ano passado, quando menos de 10.000 empregos eram adicionados a cada mês.

Mas a inflação anual, que marcava apenas 2,4% antes da guerra EUA-Israel com o Irã, disparou para 4,2% no mês passado, a maior taxa em três anos, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor.

Em base mensal, os preços subiram 0,5%, com o custo mais elevado da energia respondendo por 60% do aumento.

Assim, a perspectiva de uma série de novas tarifas de importação chega em um momento especialmente precário.

Mas os economistas têm encontrado conforto em uma medida de inflação subjacente que exclui os preços de alimentos e energia. Esse indicador, conhecido como inflação “núcleo”, registrou 0,2% em base mensal e 2,9% em maio.

Isso indica que — pelo menos por ora — os preços mais altos da energia, de modo geral, não elevaram significativamente os preços de outros bens e serviços desde o início da guerra.

Nem sempre é assim, dado que a energia é uma das principais despesas para as empresas e, quando os preços sobem, elas frequentemente repassam esse custo aos consumidores.

Ainda não há um veredicto sobre isso, mesmo que o Estreito de Ormuz retorne ao tráfego de petroleiros anterior à guerra.

“Acreditamos que os EUA enfrentam um problema de inflação persistente, em parte por causa do conflito no Oriente Médio, mas também pelo enraizamento da inflação da era pandêmica nos preços dos serviços”, escreveram economistas do BNP Paribas em uma nota na semana passada.

Dow Jones atinge nova máxima recorde com petróleo em queda

16 June 2026 at 14:40

O índice ​Dow Jones ​atingiu um novo pico recorde nesta terça-feira (16) uma vez que os preços do petróleo caíram ⁠ainda ​mais devido ​ao otimismo em torno ⁠de um ⁠acordo de paz ​entre ‌os Estados Unidos ⁠e o Irã, enquanto a SpaceX ultrapassou ‌o valor ⁠de ‌mercado da Amazon e se tornou a ⁠quinta ⁠empresa mais valiosa dos ‌EUA.

O Índice Dow Jones Industrial Average subia 0,59%, para 51.977,30 pontos, ‌enquanto o S&P 500 tinha variação ⁠positiva de 0,01%, a 7.555,24 pontos, e ​o Nasdaq Composite ​avançava 0,03%, para 26.675,54 pontos.

Por que jovens nos EUA estão com dificuldades para conseguir emprego?

Acordo EUA-Irã promete fim da guerra; ainda há questões sem resposta

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Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram ter chegado a um acordo para pôr fim ao conflito iniciado em fevereiro deste ano. Até o momento, entretanto, ainda há muitas dúvidas sobre como esse pacto irá caminhar. Empresas de transporte marítimo afirmam que pode levar semanas para que a confiança seja restaurada após a reabertura do Estreito de Ormuz, e questões fundamentais continuam sem resposta.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o acordo para interromper o conflito entre os EUA e o Irã está “fechado” e avançando para uma segunda fase. Os detalhes ainda não foram divulgados e os dois países afirmam que uma trégua permanente ainda precisa ser negociada.

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O acordo provisório prorrogaria por mais 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabriria o Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou desde que EUA e Israel atacaram o país em fevereiro.

Os negociadores abordariam questões difíceis, como o futuro do programa nuclear do Irã, durante a próxima fase das negociações, que, segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, teria início na Suíça na sexta-feira (19), após a assinatura formal do acordo-quadro.

Mais duas questões que Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usaram para justificar a guerra — acabar com o apoio do Irã a grupos armados regionais e conter seu programa de mísseis — não devem constar na agenda dessas negociações.

O vice-presidente norte-americano JD Vance e o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, devem comparecer à assinatura formal na sexta-feira (19), em Genebra.

Acordo final 

Os preços do petróleo caíram para novas mínimas de três meses nesta terça-feira, um dia depois de despencarem quase 5% após a notícia do acordo, embora autoridades do setor afirmem que a produção de petróleo e gás do Oriente Médio levará meses para se recuperar totalmente.

Vance disse à CNN que o memorando assinado é um “documento muito geral”. Os detalhes seriam divulgados nos próximos dois dias, segundo autoridades norte-americanas.

Os dois lados ainda enfrentam pressões após um conflito que matou pelo menos 7 mil pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou os mercados globais de energia.

O acordo expõe Trump a críticas dentro de seu próprio partido, enquanto os líderes do Irã podem enfrentar o risco de novos protestos se não conseguirem aliviar as pressões econômicas após uma guerra destrutiva.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Acordo EUA-Irã promete fim da guerra; ainda há questões sem resposta

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Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram ter chegado a um acordo para pôr fim ao conflito iniciado em fevereiro deste ano. Até o momento, entretanto, ainda há muitas dúvidas sobre como esse pacto irá caminhar. Empresas de transporte marítimo afirmam que pode levar semanas para que a confiança seja restaurada após a reabertura do Estreito de Ormuz, e questões fundamentais continuam sem resposta.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o acordo para interromper o conflito entre os EUA e o Irã está “fechado” e avançando para uma segunda fase. Os detalhes ainda não foram divulgados e os dois países afirmam que uma trégua permanente ainda precisa ser negociada.

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O acordo provisório prorrogaria por mais 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabriria o Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou desde que EUA e Israel atacaram o país em fevereiro.

Os negociadores abordariam questões difíceis, como o futuro do programa nuclear do Irã, durante a próxima fase das negociações, que, segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, teria início na Suíça na sexta-feira (19), após a assinatura formal do acordo-quadro.

Mais duas questões que Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usaram para justificar a guerra — acabar com o apoio do Irã a grupos armados regionais e conter seu programa de mísseis — não devem constar na agenda dessas negociações.

O vice-presidente norte-americano JD Vance e o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, devem comparecer à assinatura formal na sexta-feira (19), em Genebra.

Acordo final 

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Vance disse à CNN que o memorando assinado é um “documento muito geral”. Os detalhes seriam divulgados nos próximos dois dias, segundo autoridades norte-americanas.

Os dois lados ainda enfrentam pressões após um conflito que matou pelo menos 7 mil pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou os mercados globais de energia.

O acordo expõe Trump a críticas dentro de seu próprio partido, enquanto os líderes do Irã podem enfrentar o risco de novos protestos se não conseguirem aliviar as pressões econômicas após uma guerra destrutiva.

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Trump diz que enviará acordo com o Irã ao Congresso para revisão

16 June 2026 at 14:25

O presidente americano, Donald Trump, se comprometeu nesta terça-feira (16) a enviar o texto final de seu acordo provisório com o Irã ao Congresso dos Estados Unidos para revisão, embora tenha admitido que não pensou nisso inicialmente.

“Sim, eu enviaria. Nunca pensei em enviar, nunca mesmo, mas enviarei. Enviarei ao Congresso”, disse Trump a repórteres na cúpula do G7 na França.

O líder americano apresentou sua decisão quase como uma reflexão tardia: “Gostei da ideia. Enviem ao Congresso, por favor.”

Em resposta às notícias sobre o acordo no domingo (14), o senador da Carolina do Sul e aliado de Trump, Lindsey Graham, disse: “De acordo com nossa lei, qualquer acordo nuclear com o Irã será enviado ao Congresso para revisão e votação. Aguardo com expectativa a análise do produto final e acredito ser imprescindível que o arquiteto do acordo, o vice-presidente Vance, e seus parceiros de negociação participem do processo de apresentação do acordo final ao Congresso.”

Sentado ao lado do presidente dos Emirados Árabes Unidos, sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, Trump brincou dizendo que conseguiria o apoio dos democratas para o acordo se dissesse que não queria sua aprovação.

“O que eu gostaria de fazer é enviar ao Congresso dizendo que vocês não deveriam aprová-lo, e eu mesmo conseguirei a aprovação”, disse ele. “Não importa o que eu diga, eles querem fazer o contrário.”

Assinatura do documento

Autoridades norte-americanas e iranianas devem se reunir na Suíça na sexta-feira (19) para iniciar negociações detalhadas, abrindo um prazo de 60 dias para discussões técnicas complexas.

Espera-se que elas abranjam questões como o futuro do urânio altamente enriquecido do Irã e o levantamento das sanções.

Aliados europeus expressaram preocupação de que uma equipe de negociação norte-americana inexperiente possa ter dificuldades para garantir um acordo robusto, o que poderia levar a um impasse prolongado.

Um fator crucial para a manutenção do acordo provisório será a situação no Líbano, onde o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que suas tropas permanecerão no sul pelo tempo que for necessário para combater o Hezbollah. Teerã exigiu a retirada israelense.

Trump criticou a estratégia de Israel no Líbano e também sugeriu que a vizinha Síria — que, sob a Presidência de Ahmed al-Sharaa, luta para estabilizar o país após anos de guerra civil — estaria em melhor posição para intervir.

“Sugeri a Israel que deixasse a Síria lidar com o Hezbollah porque, para ser honesto, acho que eles fazem um trabalho melhor nessa área”, disse ele.

Trump diz que divulgará texto de acordo provisório com o Irã em breve

16 June 2026 at 14:06

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta terça-feira (16) divulgar publicamente o texto do acordo provisório com o Irã “em alguns dias” e chegou a sugerir a leitura do documento na íntegra diante das câmeras.

Ele afirmou que está aguardando um “momento oportuno” para a divulgação pública.

“Gostaria de estabelecer um acordo formal primeiro, antes de prosseguirmos com isso, mas não tenho problema algum com a formalidade. É um documento excelente”, disse ele durante uma reunião com o líder dos Emirados Árabes Unidos, o presidente Mohamed bin Zayed Al Nahyan, à margem da cúpula do G7 na França.

“Eis o que diz: o Irã jamais terá uma arma nuclear”, prosseguiu Trump.

O líder americano assinou o acordo eletronicamente no domingo (14), mas o texto completo não foi divulgado publicamente. Nem os membros do Congresso nem os demais líderes mundiais leram o documento na íntegra. Mas o presidente minimizou qualquer sigilo.

“Provavelmente farei uma coletiva de imprensa e lerei o documento palavra por palavra para vocês, para que a imprensa o cubra corretamente, pois é um documento muito importante”, disse ele.

“Revisarei o documento com a imprensa daqui a alguns dias”, acrescentou Trump.

Assinatura do documento

Autoridades norte-americanas e iranianas devem se reunir na Suíça na sexta-feira (19) para iniciar negociações detalhadas, abrindo um prazo de 60 dias para discussões técnicas complexas.

Espera-se que elas abranjam questões como o futuro do urânio altamente enriquecido do Irã e o levantamento das sanções.

Aliados europeus expressaram preocupação de que uma equipe de negociação norte-americana inexperiente possa ter dificuldades para garantir um acordo robusto, o que poderia levar a um impasse prolongado.

Um fator crucial para a manutenção do acordo provisório será a situação no Líbano, onde o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que suas tropas permanecerão no sul pelo tempo que for necessário para combater o Hezbollah. Teerã exigiu a retirada israelense.

Trump criticou a estratégia de Israel no Líbano e também sugeriu que a vizinha Síria — que, sob a Presidência de Ahmed al-Sharaa, luta para estabilizar o país após anos de guerra civil — estaria em melhor posição para intervir.

“Sugeri a Israel que deixasse a Síria lidar com o Hezbollah porque, para ser honesto, acho que eles fazem um trabalho melhor nessa área”, disse ele.

Trump critica Netanyahu e diz que ele deve ser “responsável” com o Líbano

16 June 2026 at 11:40

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou clara sua frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dizendo a repórteres nesta terça-feira (16) que ele precisava ser “mais responsável em relação ao Líbano”.

Trump entrou em conflito com Netanyahu diversas vezes nos últimos meses, acreditando que o líder israelense e seu governo estavam dificultando um acordo entre os EUA e o Irã ao atacar o Hezbollah no Líbano.

O Irã insiste que qualquer acordo de cessar-fogo deve incluir o Líbano.

“Sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estaria disposto a fazer o que eu fiz”, disse Trump em resposta a uma pergunta sobre se ele estava frustrado com Netanyahu.

“Tive um ótimo relacionamento com Bibi, mas agora Bibi precisa ser mais responsável em relação ao Líbano”, afirmou ele, referindo-se ao primeiro-ministro israelense por seu apelido.

Netanyahu tem evitado confrontos públicos com Trump. Falando sobre o acordo EUA-Irã na segunda-feira, ele disse: “Há casos em que o presidente Trump e eu não concordamos. […] Sou responsável pelos interesses de segurança de Israel, e isso precisa ser feito com sabedoria.”

Trump diz que próxima fase de negociações com o Irã será “mais fácil”

16 June 2026 at 11:15

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a próxima fase das negociações com o Irã seria “mais fácil” do que a rodada inicial que levou ao Memorando de Entendimento anunciado recentemente.

“Passamos para uma segunda etapa, que eu acho que será ainda mais fácil”, disse Trump durante um encontro com o emir do Catar à margem da cúpula do G7 na França.

Autoridades afirmaram que a próxima fase envolverá discussões técnicas sobre o programa nuclear iraniano, bem como auxílio financeiro para Teerã e detalhes sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

Trump também insistiu que os EUA não investiriam “nenhum dinheiro no Irã”, buscando acalmar os temores de alguns de seus aliados de que Teerã receberia fundos americanos.

Autoridades afirmaram, em vez disso, que um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões seria financiado por países do Golfo.

Guerra entre EUA e Irã deve dominar discussões na Cúpula do G7

16 June 2026 at 10:12

Enquanto os líderes mundiais se reúnem na Cúpula do G7 nesta terça-feira (16), espera-se que a guerra com o Irã domine as discussões.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, queria entrar na cúpula das principais nações industrializadas em uma posição de força e com um acordo em mãos, segundo fontes.

E após meses de conflito e negociações que geraram imenso ceticismo entre os demais líderes do G7, ele finalmente conseguirá isso — embora ainda existam dúvidas significativas sobre os detalhes do acordo e até que ponto cada lado o cumprirá.

Os líderes do grupo foram forçados a lidar com o aumento dos preços da energia devido ao prolongado fechamento do Estreito de Ormuz.

Nos últimos meses, Trump criticou duramente quase todos eles por sua relutância em ajudar a patrulhar a importante via navegável, criando um clima tenso para o encontro desta semana.

Antes da cúpula, autoridades de quatro dos países do G7 afirmaram que a forma de avançar no Oriente Médio — mesmo com um acordo em vigor — certamente seria tema de intensos debates a portas fechadas no Hotel Royal Belle Époque, em Évian-les-Bains, cidade na França onde acontece o evento deste ano.

Nesta terça-feira (16), os líderes de três países árabes — Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos — também participarão das negociações, a convite do presidente francês Emmanuel Macron, para ajudar a direcionar as questões complexas que afetam a região.

Trump também se reunirá individualmente com cada um deles.

Técnico do Irã diz que equipe é “oprimida” por tensões durante a Copa

16 June 2026 at 09:40

O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, disse nesta segunda-feira que sua equipe estava sendo “oprimida” devido a mudanças de última hora nos planos de viagem, decorrentes das tensões entre o Irã e os Estados Unidos. Ele acrescentou que a interrupção afetou o desempenho da equipe após o empate em 2 a 2 com a Nova Zelândia .

A federação iraniana de futebol negociou, em cima da hora, a transferência do centro de treinamento da equipe do Arizona para o México, em meio à incerteza sobre os vistos americanos e à crescente percepção de que a presença da seleção nos Estados Unidos deveria ser mantida ao mínimo, disse o embaixador do Irã no México à Reuters.

Ghalenoei, de 62 anos, disse que sofreram mais transtornos, já que o Irã esperava permanecer em Los Angeles durante a noite de segunda-feira, mas, em vez disso, foi obrigado a retornar imediatamente ao México.

“Deveríamos ficar aqui esta noite para nos recuperar e voltar amanhã ao meio-dia, mas não nos permitiram”, disse Ghalenoei. “Para ser honesto, não faço ideia do porquê. Acho que talvez a nossa seleção seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo.”

“Quero falar sobre o tratamento injusto dado à seleção iraniana. Passamos tanto tempo no ar que acho que quase não pisamos em terra firme. Não nos deram a oportunidade de chegar duas semanas antes para nos adaptarmos e nos aclimatarmos. Mesmo hoje à noite, logo após a partida, nos disseram que tínhamos que ir embora, sendo que hoje é o momento mais importante para o nosso próximo jogo, quando precisamos nos recuperar e nos preparar. Mas, em vez disso, temos que pegar um avião e voltar para Tijuana. Isso também está nos causando muita dificuldade.”

Amir Ghalenoei, técnico do Irã

Ele não disse quem havia imposto a restrição.

O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A Fifa não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

A preparação para a partida foi marcada por drama fora de campo, com a equipe jogando em solo americano apenas 24 horas após o anúncio de um acordo de paz para encerrar a guerra que começou quando os EUA e Israel atacaram o Irã em fevereiro.

O atacante iraniano Mehdi Taremi afirmou que as restrições estavam impedindo a equipe de jogar o seu melhor no torneio.

“Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol”, disse ele. “Acho que a FIFA tem que nos ajudar mais do que isso.”

Taremi descreveu uma atmosfera agitada no domingo, com a viagem de Tijuana para Los Angeles, depois para o hotel e finalmente para o estádio para ver o jogo. Eles deveriam ter tido dois dias para se ambientar em Los Angeles, acrescentou.

“É uma situação muito ruim que afeta nossa equipe e nós só queremos paz”, disse Taremi, acrescentando que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, visitou o vestiário do Irã na segunda-feira.

O técnico Ghalenoei também destacou a ausência de membros importantes da comissão técnica, com alguns dirigentes e membros da imprensa impossibilitados de viajar devido a restrições de visto, o que fez com que os treinadores assumissem responsabilidades adicionais no banco de reservas.

“Muitos membros da nossa equipe de gestão não estão aqui”, disse ele.

“Tivemos que lidar com esses papéis por conta própria.”

Apesar dos contratempos, Ghalenoei elogiou a resiliência de seus jogadores por terem conquistado o empate, embora tenha afirmado que as exigências da viagem cobraram seu preço, com vários jogadores sofrendo de cãibras, que ele atribuiu à fadiga decorrente do deslocamento extra.

Pesquisa: cresce o número de torcedores que acreditam no hexa

 

Trump diz que Ormuz foi reaberto, mas a maioria dos navios permanece parada

16 June 2026 at 08:15

O presidente Donald Trump afirma que o vital Estreito de Ormuz foi reaberto nos termos de um acordo firmado no domingo (14) com o Irã. Fontes do setor de transporte marítimo não estão tão convencidas.

“Navios estão começando a se movimentar, muitos carregados com petróleo, para fora do Estreito de Ormuz”, publicou Trump na segunda-feira (15) em suas redes sociais.

Mas especialistas que monitoram o movimento de navios dizem que não é bem assim. A incerteza sobre o conteúdo do acordo e outros riscos provavelmente manterão o tráfego através desse ponto de estrangulamento crítico reduzido a um mínimo por semanas ou meses.

“As declarações dos EUA e do Irã são atualmente vagas e não oferecem informações suficientes sobre aspectos essenciais, como cronogramas e rotas seguras”, disse Jakob Larsen, diretor de segurança do Conselho Marítimo Internacional e do Báltico (BIMCO), uma importante organização internacional de operadores de navios, em um comunicado.

“Devido à falta de detalhes e a um histórico de garantias excessivamente otimistas, acreditamos que a situação de segurança para a indústria naval permanece instável e ainda consideramos muito arriscado que os navios iniciem a travessia neste momento”, disse ele.

“Aconselhamos os armadores a continuarem realizando avaliações de risco minuciosas e apelamos a todas as partes para que priorizem a segurança dos marítimos.”

Alguns navios já estavam atravessando o estreito – mesmo quando a guerra estava em pleno andamento.

“Apesar do bloqueio naval em curso e da acentuada queda no tráfego comercial, volumes surpreendentes de petróleo bruto e derivados ainda parecem estar transitando pelo estreito”, escreveu Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do JPMorgan, em um relatório recente para clientes.

E em outros momentos de oportunidade durante acordos provisórios anteriores, os navios correram para as saídas.

Bob McNally, fundador e presidente do Rapidan Energy Group, disse à CNN que entre 0% e 10% do fluxo normal de petróleo estava conseguindo sair do estreito na maioria dos dias, o que, segundo ele, ajudou a impedir que os preços do petróleo subissem.

A expectativa de que o estreito esteja perto de ser reaberto fez com que os contratos futuros de petróleo caíssem para a mínima em três meses na segunda-feira (15).

Mas a Kpler, que monitora a movimentação de navios, afirmou que seus dados não mostram nenhuma movimentação significativa para os 220 petroleiros e os quase 500 navios no total que estão presos no Golfo Pérsico.

“Isso não é uma surpresa, já que o acordo só deve ser assinado na sexta-feira”, disse Matt Smith, analista-chefe de petróleo da Kpler.

Ele acrescentou que provavelmente levará de três a quatro meses para que o tráfego possa ser considerado “normal”.

A maioria dos operadores de navios vai querer ver outros navios atravessarem o estreito antes de se sentirem confiantes para fazê-lo eles mesmos, disse Smith – e o mesmo vale para as seguradoras marítimas, que ainda não demonstraram disposição para segurar navios que transitam pelo estreito.

Mas sem seguro, os navios ficarão ainda mais hesitantes em transitar, criando um impasse.

“É um dilema do ovo e da galinha”, disse Smith.

As principais seguradoras marítimas não indicavam em seus sites que estavam novamente segurando embarcações em caso de ataques. Uma seguradora marítima, a Skuld, confirmou que não havia alterado suas limitações de cobertura.

“Qualquer revisão de mercado das taxas, especialmente as taxas de guerra que se aplicam no Estreito de Ormuz, dependeria quase certamente da certeza de viagens seguras”, afirmou a empresa.

Larsen, da BIMCO, disse que as companhias de navegação precisam de garantias de que rotas livres de minas foram estabelecidas. Trump afirmou na segunda-feira que esse trabalho já está em andamento.

“Eles estão fazendo uma pequena busca por algumas minas que já encontraram, mas… os navios estão começando a sair agora”, disse Trump durante uma reunião com o presidente francês Emmanuel Macron na cúpula do G7. “Na sexta-feira, estará completamente aberto.”

Mas Larsen disse que as companhias de navegação também precisam de esclarecimentos sobre questões como manter uma distância segura entre os navios e a proteção naval.

“Os navios presos no Golfo Pérsico estarão interessados ​​em sair assim que for seguro fazê-lo”, disse Larsen. “O próximo passo é garantir aos armadores que a travessia do Estreito de Ormuz não só é permitida, como também segura.”

Matt Eagan, Maisie Linford e Donald Judd, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

EUA e Irã firmam acordo a distância antes de cerimônia presencial

16 June 2026 at 01:03

Os governos dos Estados Unidos e do Irã já assinaram eletronicamente o acordo preliminar para encerrar o conflito armado no Oriente Médio. O uso de assinaturas digitais antecipou a formalização do documento nesta segunda-feira (15), deixando para a próxima sexta-feira (19), em Genebra, apenas o rito da cerimônia presencial e a divulgação do texto completo à comunidade internacional.

A ratificação remota envolveu o topo da liderança política de ambos os países. Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump e o vice-presidente J.D. Vance chancelaram o texto digitalmente. Pelo lado iraniano, a assinatura eletrônica coube ao presidente do Parlamento, Mohammed Qalibaf. A estratégia de assinar o documento a distância permitiu consolidar o entendimento político antes mesmo do encontro físico das delegações em solo suíço, onde a presença de J.D. Vance já está confirmada, embora a lista completa de diplomatas ainda não tenha sido fechada.

ESTREITO DE ORMUZ

O principal efeito dessa assinatura remota foi o anúncio da reabertura total do Estreito de Ormuz, prevista para ocorrer até sexta-feira. A liberação da rota marítima, essencial para o comércio global de petróleo e gás, promete aliviar a forte pressão inflacionária provocada pelo bloqueio que se estendia pelos últimos três meses de hostilidades.

Apesar do ineditismo e da agilidade proporcionada pela assinatura digital, o cenário ainda é tratado com cautela por Teerã e Washington. O Ministério das Relações Exteriores do Irã enfatizou que o memorando firmado nesta segunda-feira funciona como uma trégua inicial para desanuviar a crise, e que os temas mais complexos da agenda bilateral — como o programa nuclear iraniano e o fim definitivo das sanções econômicas americanas — serão discutidos ao longo dos próximos 60 dias.

© Alex Brandon / Estadão Conteúdo

Donald Trump anunciou formalização do acordo

Trump nega financiamento de US$ 300 bilhões ao Irã citado por autoridades

16 June 2026 at 02:48

O presidente dos EUA, Donald Trump, negou nesta segunda-feira (15) as notícias de que o governo estaria considerando um fundo de US$ 300 bilhões para o Irã como parte de um acordo para encerrar a guerra.

“O Irã concordou em nunca ter uma arma nuclear! Além disso, a história de que os EUA estão pagando US$ 300 milhões ao Irã é Fake News, divulgada pelos democratas!!!”, escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth Social.

Os comentários de Trump vieram horas depois de o vice-presidente americano, JD Vance, ter dito que os iranianos “poderiam ter acesso” a um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões se cumprirem os termos do acordo, mas que esse fundo seria financiado pelas nações do Golfo.

“Esse é o tipo de coisa a que eles poderiam ter acesso, financiada pela coalizão da Costa do Golfo, desde que cumpram sua parte do acordo”, disse Vance em entrevista à CBS.

Na manhã desta segunda-feira, altos funcionários dos EUA disseram que a ideia de um grande fundo de reconstrução, juntamente com o congelamento de ativos e o alívio de sanções, estava entre as opções que seriam discutidas com o Irã na sexta-feira.

“E o que será discutido com eles é, como vocês verão no memorando de entendimento, a possibilidade de liberar fundos congelados, aliviar as sanções, um grande fundo de US$ 300 bilhões para reconstruir o país”, disse um alto funcionário dos EUA.

O que é o urânio enriquecido?

Trump pode divulgar o acordo com Irã antes de sexta-feira, diz Vance

16 June 2026 at 02:29

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse em entrevista à Fox News nesta segunda-feira (15) que o presidente americano, Donald Trump, pode decidir divulgar o acordo de Washington com Teerã antes de sexta-feira (19).

O acordo, assinado eletronicamente pelos líderes dos EUA e do Irã, deve ter uma cerimônia de assinatura presencial na sexta-feira.

Mais cedo, em entrevista à CNN, o Vance afirmou que Teerã receberia benefícios caso cumprisse suas obrigações.

O vice-presidente fez a explicação após ser questionado sobre os termos do documento, no qual não estaria escrito explicitamente que o regime iraniano deve encerrar o programa de mísseis balísticos e parar de financiar grupos como Hamas e Hezbollah, por exemplo.

“O memorando (…) tem cerca de uma página e meia, então é um documento bem geral, mas isso fez parte das conversas que tivemos com os iranianos em várias questões”, comentou o vice-presidente.

“Vamos ter que resolver esses detalhes durante a fase de negociações técnicas, mas o que o memorando faz é estabelecer uma estrutura na qual os iranianos recebem benefícios ao cumprir suas obrigações”, adicionou.

O que esperar do acordo entre EUA e Irã?

O Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo que encerrará o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA, reabrirá o Estreito de Ormuz e dará início a 60 dias de negociações sobre questões nucleares.

O texto do memorando de entendimento entre os dois países será divulgado publicamente. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que isso ocorrerá “muito em breve”, provavelmente após uma cerimônia formal de assinatura na sexta-feira (19).

Já um alto funcionário do governo Trump disse que o documento deverá ser publicado nas próximas 24 a 48 horas.

Veja o que se sabe — e o que ainda não se sabe — sobre os principais temas envolvidos:

Estreito de Ormuz

Os EUA afirmaram que o estreito será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, com Trump declarando que a passagem pela via marítima será “permanentemente livre de pedágios”.

No entanto, duas agências de notícias iranianas semioficiais informaram na segunda-feira (15) que, embora Teerã permita o trânsito gratuito durante a janela de 60 dias em que ocorrerão novas negociações, pretende cobrar taxas após esse período.

A agência Fars News afirmou que o Irã “pretende obter benefícios financeiros do tráfego comercial de navios pelo Estreito de Ormuz”.

Questões de segurança também influenciarão o cronograma da reabertura.

CNN informou anteriormente que o Irã instalou minas no estreito, e os negociadores precisarão chegar a acordos sobre como removê-las.

Cessar-fogo

O Paquistão, que mediou o acordo, declarou que ambos os lados “anunciaram o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

No entanto, o acordo não inclui uma exigência para que Israel se retire do Líbano, segundo um alto funcionário dos EUA na segunda-feira. Israel, que não é parte do acordo, reiterou que suas forças não deixarão o território libanês.

Os EUA manterão sua atual presença militar no Oriente Médio durante as negociações técnicas entre EUA e Irã, com uma redução planejada caso um acordo final seja alcançado, afirmou um alto funcionário do governo americano.

Questões nucleares

Os EUA disseram que o Irã forneceu garantias de que nunca desenvolverá uma arma nuclear. Contudo, não há compromissos concretos sobre o programa nuclear iraniano nem sobre seus estoques de urânio. Essas questões foram deixadas para negociações futuras.

Sanções e recursos congelados

O Irã afirmou que as negociações nucleares de 60 dias só começarão depois que os EUA liberarem bilhões de dólares em recursos financeiros congelados. Porém, uma autoridade americana declarou que nenhum valor será liberado sem compromissos claros por parte do Irã.

A economia

Os preços do petróleo caíram para os níveis mais baixos dos últimos três meses após o anúncio do acordo, mas ainda permanecem cerca de US$ 10 por barril acima dos níveis registrados antes do conflito.

Uma recuperação econômica mais ampla provavelmente levará meses para acontecer.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

Vance diz que Israel provavelmente apoiará o acordo com Irã “mais adiante”

16 June 2026 at 00:15

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o governo Trump acredita que Israel acabará por apoiar o novo acordo entre EUA e Irã, mesmo que ainda existam divergências entre Washington e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre o caminho para o fim do conflito.

“Bem, o que sabemos é que este acordo tornará Israel mais seguro”, disse Vance em entrevista ao “NBC Nightly News” nesta segunda-feira (15).

“Estamos bastante confiantes de que os israelenses apoiarão este acordo assim que avançarmos um pouco mais no processo”, acrescentou.

O vice-presidente reconheceu que os Estados Unidos e Israel nem sempre estiveram alinhados.

“Acho que, fundamentalmente, os Estados Unidos têm seus próprios interesses”, disse Vance.

“Também temos interesses em comum, mas às vezes discordamos em algumas questões, e acho isso totalmente razoável”, afirmou o republicano.

Netanyahu, em suas primeiras declarações públicas sobre o acordo entre EUA e Irã, disse na segunda-feira que ele e o presidente americano, Donald Trump, “nem sempre concordam”.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

Análise: Acordo entre EUA e Irã era momento que Netanyahu mais temia

15 June 2026 at 23:29

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estava reunido com o gabinete de segurança em um bunker, preparado para a possibilidade de mísseis balísticos iranianos atingirem o local, quando o telefone tocou.

Na linha estava o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligando para dar notícias de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã.

Essa foi a segunda ligação entre os dois líderes no domingo (14).

Na primeira, Trump disse ao líder israelense que estava “muito irritado” com o ataque de Israel a Beirute e que Netanyahu “não tem o menor juízo”, segundo o jornal Axios.

Nesta segunda-feira (15), Trump o informou que a guerra que haviam iniciado juntos no final de fevereiro estava efetivamente encerrada.

Quando o presidente Barack Obama assinou o acordo nuclear com o Irã em 2015, Netanyahu o rejeitou publica e veementemente.

Ele discursou perante o Congresso, sabendo que contava com o apoio dos republicanos, ao criticar duramente tanto o acordo quanto o presidente que o negociou. Desta vez, o primeiro-ministro israelense praticamente não se pronunciou publicamente sobre o homem que firmou o acordo.

O acordo é o cenário que as autoridades israelenses temiam há semanas: ele poderia reabrir o Estreito de Ormuz e levar ao alívio das sanções econômicas contra Teerã, ao mesmo tempo que adiaria as negociações sobre as questões que eram os objetivos declarados de guerra de Israel.

Navios no Estreito de Ormuz em Musandam, Omã 8 de maio de 2026 • REUTERS/Stringer

O memorando de entendimento deixa para uma discussão posterior os temas espinhosos do programa nuclear iraniano e seu arsenal de mísseis balísticos, mesmo oferecendo um alívio econômico ao regime que Netanyahu desejava derrubar.

Quando Netanyahu finalmente se pronunciou publicamente após o anúncio do memorando de entendimento por Trump, já haviam se passado horas desde que outros políticos israelenses se manifestaram.

Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (15), Netanyahu mal mencionou o acordo durante os oito minutos de discurso de abertura.

Talvez ainda mais surpreendente seja o fato de ele mal ter mencionado Trump em seus comentários iniciais, em vez de se gabar do relacionamento entre eles, como tem feito regularmente há anos.

Questionado sobre o acordo posteriormente, ele disse: “Há casos em que o presidente Trump e eu não concordamos. Sou responsável pelos interesses de segurança de Israel, e isso precisa ser feito com sabedoria”.

O acordo também pode acarretar novas restrições à capacidade de Israel de combater o Hezbollah, já que o Irã exige uma retirada militar israelense completa do sul do Líbano, algo que Israel já declarou não estar disposto a fazer.

Nesta segunda-feira (15), um alto funcionário americano disse a repórteres que a retirada “não era uma condição do acordo”.

“Se o Irã não for capaz de controlar o Hezbollah e atacar posições ou cidades israelenses, Israel terá o direito de se defender e responder”, alegou o oficial.

Embora Netanyahu tenha evitado até agora um confronto público direto com Trump, figuras de todo o espectro político israelense têm se mostrado bem menos contidas.

Os próprios parceiros de Netanyahu na coalizão, o ministro das Finanças Bezalel Smotrich e o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben Gvir, classificaram o acordo como “perigoso” e declararam que Israel não se considera vinculado a ele.

O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que concorre para destituir Netanyahu, classificou o ocorrido como “uma virada perigosa na segurança de Israel”.

O ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, também um dos principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro, descreveu-o como um “resultado lamentável” fruto da falta de estratégia e coragem.

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Israel • REUTERS/Amir Cohen

Meses atrás, fontes disseram à CNN que sua equipe política havia planejado um caminho claro para a eleição: uma vitória rápida sobre o Irã, uma visita triunfal à Casa Branca em setembro, uma revanche de Trump a Israel na reta final e uma avalanche de imagens presidenciais impulsionando Netanyahu até as urnas em outubro.

Em vez disso, as discussões para pôr fim à guerra estão tensionando as relações entre os dois líderes. Uma série de desentendimentos públicos expôs a pressão de Trump sobre Israel para que este encerre a guerra e limite suas ações no Líbano.

Seus apelos veementes para que Israel cesse fogo e os anúncios sobre as negociações nucleares na Truth Social, bem como um comentário recente à ABC News questionando se Netanyahu ainda deseja “continuar” na política, pegaram o primeiro-ministro israelense de surpresa, segundo fontes.

O consultor político Nadav Strauchler, que já trabalhou com Netanyahu, descreveu o momento atual como um “ponto de teste”, mas não um ponto de ruptura.

“Eu não decretaria o fim dessa relação tão rapidamente”, disse ele, acrescentando que, com as eleições de outubro a cerca de quatro meses de distância, a relação pode se recuperar, e prevendo que Trump ainda será uma peça central na campanha.

“Trump já se irritou antes — com Netanyahu, com outros líderes — e as coisas tendem a voltar ao normal”, disse Strauchler à CNN.

“Até as últimas duas semanas, quase não havia divergências entre eles. Mesmo agora, Trump ainda o respeita e não está fechando as portas. Ainda restam 60 dias para influenciar o acordo nuclear final. Enquanto houver uma vela acesa e a janela aberta, Netanyahu tentará entrar pela chaminé”, adicionou.

A mudança de humor é fácil de perceber no Canal 14, a rede de televisão pró-Netanyahu em que apresentadores que antes chamavam Trump de o maior presente para o povo judeu agora o denunciam como um “perdedor” que enfraqueceu tanto Israel quanto os Estados Unidos.

Uma fonte do Likud (o Congresso israelense) chegou a compará-lo, em conversa privada, ao imperador do Japão em um momento de derrota.

“Neste momento, Trump é extremamente impopular entre a base de apoio de Netanyahu”, disse a fonte, observando, porém, que essa mudança ainda pode ser temporária, considerando as eleições de outubro.

Os números contam a mesma história. Uma pesquisa recente do Instituto da Democracia de Israel, publicada na semana passada, revelou uma queda acentuada na parcela de israelenses judeus que consideram a segurança de Israel uma preocupação central para Trump — de 64% em março para 41% neste mês, o nível mais baixo registrado desde o final de 2024.

“A popularidade de Trump está em declínio”, escreveu o analista político de direita Mati Tuchfeld no jornal Maariv na semana passada, “não um colapso ou uma quebra, mas a tendência é de queda”.

A equipe de campanha de Netanyahu, relatou ele, está agora buscando uma nova mensagem porque uma campanha “Fortes Juntos” com os dois líderes “não alcançará mais o mesmo efeito que se esperava inicialmente”.

Líderes da oposição também estão de olho nessa mudança. Uma fonte familiarizada com seus planos disse à CNN que, se Trump apoiar Netanyahu, seus oponentes pretendem usar isso contra ele, apresentando o fato como prova de que ele “se tornou um cachorrinho e abandonou os interesses de segurança de Israel”.

Figuras da oposição, segundo a fonte, têm enviado mensagens aos contatos de Trump, pedindo que não apoie Netanyahu nem participe ativamente de sua campanha.

No entanto, a equipe do premiê ainda acredita que se trata apenas de um obstáculo temporário. Nos bastidores, uma fonte israelense disse à CNN que Netanyahu está buscando discretamente uma reunião a sós com o presidente americano — algo que seu gabinete negou.

Tal encontro permitiria a Netanyahu transmitir suas preocupações sobre o iminente acordo com o Irã a Trump. E daria ao israelense a moeda de troca política que ele esperava usar: uma demonstração de sua proximidade com o americano.

O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã

 

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