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Idosa que vivia em trabalho análogo à escravidão foi entregue aos 12 anos

13 June 2026 at 07:36

A idosa, de 62 anos, que foi resgatada após passar 49 anos em condição análoga à escravidão, enquanto trabalhava como empregada doméstica, teria sido entregue pelo próprio pai à família empregadora em 1977, quando tinha apenas 12 anos.

Segundo relato da própria vítima, a promessa era de que receberia educação e seria criada pelos patrões.

No entanto, ainda adolescente, foi retirada da escola, não foi alfabetizada e passou a trabalhar de forma ininterrupta por quase cinco décadas, sem folgas semanais ou férias.

Ela foi encontrada, nessa quarta-feira (10), em uma residência familiar no centro de Bragança Paulista, no interior de São Paulo, durante uma operação conjunta do MPT (Ministério Público do Trabalho) e da Inspeção do Trabalho do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

Durante a ação, a vítima se emocionou ao contar que não saía do apartamento há cerca de quatro meses.

Ela disse aos agentes que a rotina era muito exaustiva e comprometia sua saúde física, mental e pessoal, já que não lavava os cabelos há mais de um mês. Após as investigações, a trabalhadora foi afastada do local e acolhida por familiares.

A fiscalização constatou também que ela exercia as atividades inclusive aos domingos e em feriados como Natal e Ano Novo.

Aposentadoria era utilizada pelos patrões

Em 2015, a mulher conseguiu se aposentar graças a um curto período de registro em carteira. Na época, recebia pequenas quantias a título de remuneração, mas os valores eram administrados pela patroa, que liberava dinheiro apenas quando ela solicitava.

Após a aposentadoria, ela não recebeu qualquer pagamento, mas continuou trabalhando na residência. Nos últimos meses, dormia no quarto da empregadora, uma idosa acamada da qual era a única cuidadora.

Segundo a apuração, a idosa passava noites em claro auxiliando a mulher, mesmo estando doente e sem acesso a tratamento médico. Além disso, os valores de sua aposentadoria eram utilizados para custear despesas da casa da patroa.

Segundo o MPT, os valores que precisam ser pagos à vítima somam R$ 1,6 milhão. O montante inclui R$ 672,9 mil em verbas trabalhistas e rescisórias, além de indenizações por danos morais individuais e coletivos, fixadas em R$ 500 mil cada.

O advogado da família solicitou prazo para se manifestar sobre o caso. O MPT concedeu 20 dias para a apresentação da defesa.

*Sob supervisão de AR.

Defesa de Vorcaro pressiona PF com jogada “desesperada”, diz especialista

13 June 2026 at 03:24

O caso envolvendo Daniel Vorcaro e a possibilidade de uma delação premiada ganhou novos contornos após o que especialistas descrevem como uma manobra da defesa do ex-banqueiro.

Para Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, o vazamento de informações e a ventilação de possíveis novos nomes — majoritariamente políticos — configuram uma jogada “desesperada” para pressionar as autoridades competentes.

Em entrevista ao WW nesta sexta-feira (12), Barreto avaliou que a estratégia da defesa de Vorcaro visava pressionar a PF (Polícia Federal) e a  PGR (Procuradoria-Geral da República) a aceitarem o acordo de delação premiada do ex-banqueiro.

Comparação com a Lava Jato

Para contextualizar a situação, Barreto recorreu à Operação Lava Jato como parâmetro de análise. Segundo ele, existe no histórico recente do país o exemplo de “uma operação um pouco descontrolada, de ataques sem uma estrutura hierárquica, os políticos empurrando uns aos outros em direção ao foco para conseguirem se livrar”.

Em contraposição, o especialista descreveu um modelo investigativo oposto: “uma investigação e um processo de apuração top-down, controlado com seus efeitos dosados”, no qual os envolvidos chegariam a estabelecer um cronograma para a divulgação de informações.

Sensação de controle que se desfez

Barreto relatou que, até recentemente, havia em Brasília a percepção de que o caso caminhava para um desfecho mais controlado.

Nesse cenário, o próprio Vorcaro estaria, nas palavras do especialista, “enrolando as organizações”, possivelmente após receber um recado para “segurar a onda” e, assim, conseguir se livrar da situação posteriormente. Essa sensação, no entanto, teria sido abalada pelos acontecimentos mais recentes.

O que se viu a partir de determinado momento, segundo Barreto, foi um vazamento atribuído, nos bastidores, à própria defesa de Vorcaro.

A estratégia teria consistido em especular sobre a existência de outros políticos envolvidos — incluindo o presidente do Senado e uma ala do PT — “de certa maneira para criar algum tipo de frisson na opinião pública, na imprensa para que a Polícia Federal, as instituições fossem pressionadas a aceitar” o acordo.

Para o especialista, trata-se de “uma jogada um pouco desesperada, talvez, da defesa”, que reacendeu o risco de o processo “perder o controle novamente com vazamentos”.

Barreto resumiu o momento como um limiar em que o país pode “entrar num bang-bang onde as instituições perdem um pouco o controle desse processo de investigação e de apuração”.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Cientistas do IPMA investigam verme marinho que tem potencial para nutracêutica, cosmética e farmacêutica

13 June 2026 at 02:03

Há um organismo marinho pouco estudado, mas com presença relevante nas águas costeiras nacionais, nomeadamente no estuário do rio Mira, que, pela sua atividade biológica (atividades antioxidante e anti-inflamatória), pode ser alvo de valorização e aplicações futuras em domínios como o nutracêutico, o cosmético ou mesmo o farmacêutico.

Trata-se do vermetídeo Vermetus triquetrus, que foi alvo de investigação por parte de uma equipa de investigadores do IPMA, no âmbito do projeto MAR2030 Genemare_Portugal, que visa a implementação de um repositório biológico da biodiversidade marinha das águas portuguesas, um bio-banco azul para o futuro.

Os André Breves, Carlos Cardoso, Cláudia Afonso, Joana Matos, Jorge Lobo-Arteaga, Cátia Bartilotti, Sabrina Sales, Sónia Pedro e Narcisa M. Bandarra publicaram um artigo pioneiro sobre o vermetídeo Vermetus triquetrus, «um gastrópode séssil que forma recifes e tem uma presença relevante na costa nacional (no presente artigo foram estudados espécimes do Estuário do Mira), mas negligenciado pela comunidade científica», salienta o IPMA.

O artigo visou aspetos da composição bioquímica do organismo e da sua atividade biológica (atividades antioxidante e anti-inflamatória) e diferenciou entre as duas principais unidades anatómicas do organismo, a massa visceral e o manto (head-foot).

Sul Informação
Vermetus triquetrus

O artigo intitulado “Unveiling the Hidden Biotechnological Potential of the Vermetid Gastropod Vermetus triquetrus: Insights into an Unexplored Marine Resource” foi publicado no passado dia 28 de maio na prestigiada revista científica da área, Marine Biotechnology, e, segundo o IPMA, «suscitou grande interesse e significativa repercussão dada a novidade de um estudo sobre este organismo».

O interesse pelo estudo foi também reforçado pelos resultados obtidos, «que mostraram elevados níveis de atividade biológica e permitiram identificar o V. triquetrus como uma fonte de compostos polifenólicos, especialmente no caso da massa visceral».

O artigo é de acesso livre e pode ser encontrado aqui: https://link.springer.com/article/10.1007/s10126-026-10632-3

Os investigadores do IPMA concluíram que, «dados os níveis de atividade biológica quantificados e os componentes presentes, não só se justifica um estudo mais aprofundado sobre a composição bioquímica e o refinamento das frações obtidas da biomassa, como também se pode procurar uma valorização e aplicações futuras destas frações em domínios como o nutracêutico, o cosmético ou mesmo o farmacêutico».

Este estudo «faz parte de um esforço de investigação mais amplo e de longo prazo, almejando a expansão das fronteiras do saber sobre a grande biodiversidade nas nossas águas e o aprofundamento do conhecimento sobre os diferentes grupos de organismos marinhos, indo dos microorganismos aos animais vertebrados e compreendendo as dimensões genómica, metabolómica e biotecnológica aplicada», explica o IPMA.

Tal esforço e desafio para o futuro só é possível no âmbito do projeto Genemare_Portugal “Biobanco Azul – Banco Nacional dos Recursos Vivos Marinhos” – Projeto MAR2030 que financiou e suportou a todos os níveis a realização do estudo sobre o vermetídeo V. triquetrus.

Sul Informação
Vermetus triquetrus
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Polícia apura morte de PM por suposto envenenamento após troca de taças em Boa Viagem

12 June 2026 at 13:47

A Polícia Civil começou a colher pistas para tentar esclarecer um caso que até parece enredo de novela. Um policial militar morreu após passar mal no apartamento da ex-companheira, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na quinta-feira (11). A suspeita sobre a causa do óbito é de envenenamento. 

A vítima foi o cabo José Maria Alexandre da Silva Junior, de 40 anos, lotado no Regimento de Polícia Montada (RPMon). O corpo foi encontrado no quarto da ex-companheira, uma advogada de 48 anos, após ela procurar a polícia e informar que ele havia morrido.

Reprodução
José Maria Alexandre da Silva Junior era lotado no Regimento de Polícia Montada (RPMon) - Reprodução

Segundo as investigações, a mulher tem uma medida protetiva de urgência contra o policial militar. Mas, na madrugada da quinta-feira, após largar do plantão, ele foi ao endereço dela e subiu até o apartamento. Eles teriam passado horas ingerindo bebidas alcoólicas e energético. 

A mulher teria percebido, no entanto, que a taça dela havia sido trocada. E, desconfiada, fez uma nova troca. O policial militar continuou bebendo e passou mal por volta do meio-dia. Além dos lábios roxos, havia espuma na boca dele. 

Policiais do 19º Batalhão foram acionados. Após a confirmação da morte, foram apreendidas as taças e amostras do líquido ingerido pelo policial militar para a realização de perícia.

A ex-companheira prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberada. 

A reportagem ainda tenta contato com a mulher e com a defesa dela. 

INVESTIGAÇÃO

A Polícia Civil de Pernambuco registrou a ocorrência como "morte a esclarecer". Em nota, disse apenas que as investigações foram iniciadas e seguirão por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios. 

Com informações de Cinthia Ferreira, da TV Jornal

© RENATO RAMOS/JC IMAGEM

O crime será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)

Consórcio coordenado pela Universidade do Algarve já está a dar frutos científicos em Angola

12 June 2026 at 10:45

O Consórcio de Escolas de Ciências do Mar (CEMAR), coordenado pela Universidade do Algarve, já está a dar frutos científicos em Angola, graças ao trabalho de investigação sobre as principais espécies pelágicas de Angola levado a cabo por Domingas Perpétua André Quiatuhanga, uma das primeiras doutoradas formadas no âmbito deste consórcio.

Criado no âmbito do Centro Ciência LP e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), «o CEMAR tem vindo a afirmar-se como um instrumento estratégico de cooperação científica entre Portugal e os países de língua portuguesa, promovendo a formação avançada em Ciências do Mar», segundo a UAlg.

«Na UAlg, este percurso articula-se com a missão do Colégio Doutoral, orientada para a valorização da formação doutoral e para a aproximação dos doutorandos a contextos científicos, institucionais e internacionais. Desde 2022, o consórcio já acolheu mais de 50 doutorandos em várias instituições de ensino superior portuguesas», acrescentou.

A tese de Domingas Quiatuhanga foi desenvolvida no Programa de Doutoramento em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, «tendo como unidade de investigação e desenvolvimento de acolhimento o Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR). O trabalho contou ainda com a colaboração da Universidade do Namibe e de instituições angolanas ligadas à investigação pesqueira».

Sul Informação

«Centrada nas espécies Sardinella aurita e Sardinella maderensis, a investigação constitui a primeira avaliação integrada da dinâmica populacional destas espécies na costa sudoeste de Angola. Estes pequenos pelágicos representam recursos fundamentais para a segurança alimentar, para a economia regional e para a sustentabilidade das comunidades costeiras, numa zona particularmente sensível aos efeitos da pesca e das alterações climáticas, junto à região influenciada pela corrente de Benguela», explicou a universidade algarvia.

Com base em mais de 3.500 amostras recolhidas entre 2016 e 2017, «o estudo revelou que as duas espécies utilizam a costa sul de Angola como área crítica de reprodução, apresentando períodos de desova distintos, mas com pico em Fevereiro. Os resultados demonstram ainda que os tamanhos de maturação são significativamente superiores ao limite legal de captura, o que aponta para a necessidade de revisão das regras de pesca».

«A investigação conclui também que ambas as espécies apresentam crescimento mais lento e maior longevidade do que o esperado, reduzindo a sua capacidade de recuperação face à exploração pesqueira. Foram ainda identificadas alterações estruturais nas populações, com aumento de indivíduos de menor dimensão, sinal de pressão sobre os recursos. Outro dado relevante prende-se com a elevada ingestão de microplásticos, detetada em mais de dois terços dos indivíduos analisados, evidenciando novos riscos ambientais para estes ecossistemas marinhos», concluiu a UAlg.

Ao integrar ecologia trófica, reprodução, crescimento, variabilidade ambiental e poluição, esta tese fornece uma base científica essencial para apoiar a gestão sustentável das pescas em Angola, contribuindo para políticas públicas mais ajustadas aos desafios da segurança alimentar, da conservação dos recursos marinhos e da adaptação às alterações climáticas.

Este trabalho representa também um exemplo concreto do impacto do CEMAR e da Universidade do Algarve na qualificação de recursos humanos altamente especializados, no reforço da cooperação científica entre Portugal e Angola e na consolidação de uma nova geração de investigadores africanos em Ciências do Mar.

A conclusão deste doutoramento afirma, assim, o papel transformador da UAlg e do CEMAR na promoção da investigação marinha aplicada e no desenvolvimento sustentável do oceano nos países lusófonos costeiros.

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Caso Darik: 3 meses após cobrança do MPPE, polícia não esclareceu morte de atleta do Sport atingido pela PM

10 June 2026 at 17:27

A Polícia Civil vai pedir aumento de prazo para concluir as investigações da morte de Darik Sampaio da Silva, de 13 anos, atleta de futsal sub-14 do Sport Club do Recife. A reprodução simulada, cobrada há três meses pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ainda não foi realizada. O exame é fundamental para identificar o policial militar responsável pelos tiros que atingiram o adolescente. 

Darik foi morto durante perseguição policial contra suspeitos de roubar um carro, na Rua Professora Arcelina Câmara, no bairro do Jordão, Zona Sul do Recife, em 16 de março de 2024. O adolescente conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi atingido por duas balas perdidas.

Após a ocorrência, a Polícia Militar declarou que houve troca de tiros com os criminosos. Mas a Polícia Civil, baseada em perícias e na análise dos projéteis encontrados na cena do crime, apontou que apenas os militares atiraram. Na época, quatro deles confessaram, em depoimento, que realizaram disparos, mas se recusaram a participar da reprodução simulada, que foi cancelada.

Cortesia
Projéteis recolhidos no local onde adolescente foi morto eram apenas de armas da Polícia Militar, apontou perícia - Cortesia

A Polícia Civil chegou a concluir o inquérito com pedido de arquivamento, alegando não ter conseguido esclarecer a autoria dos tiros em Darik. Mas a juíza Fernanda Moura de Carvalho, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, afirmou que o arquivamento era precipitado e, com parecer favorável da Subprocuradoria-Geral de Justiça, determinou a retomada das investigações. 

No começo de março deste ano, perto da morte completar dois anos, o MPPE cobrou a realização da reprodução simulada - mesmo sem a presença dos PMs - e de uma perícia técnica para verificar a origem e a trajetória dos disparos em 90 dias, mas prazo não foi cumprido. 

POLÍCIA DIZ QUE INVESTIGAÇÃO CONTINUA

Questionada pela reportagem, a Polícia Civil afirmou, em nota, que as investigações permanecem em andamento na 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios, com a realização das diligências complementares requisitadas pelo MPPE. 

"Será solicitada a dilação do prazo para finalização do inquérito policial. Novas informações serão apresentadas às autoridades competentes tão logo os trabalhos investigativos sejam concluídos", disse. 

 

© ACERVO PESSOAL

Darik conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi baleado duas vezes

Caso Darik: 3 meses após cobrança do MPPE, polícia não esclareceu morte de atleta do Sport atingido pela PM

10 June 2026 at 17:27

A Polícia Civil vai pedir aumento de prazo para concluir as investigações da morte de Darik Sampaio da Silva, de 13 anos, atleta de futsal sub-14 do Sport Club do Recife. A reprodução simulada, cobrada há três meses pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ainda não foi realizada. O exame é fundamental para identificar o policial militar responsável pelos tiros que atingiram o adolescente. 

Darik foi morto durante perseguição policial contra suspeitos de roubar um carro, na Rua Professora Arcelina Câmara, no bairro do Jordão, Zona Sul do Recife, em 16 de março de 2024. O adolescente conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi atingido por duas balas perdidas.

Após a ocorrência, a Polícia Militar declarou que houve troca de tiros com os criminosos. Mas a Polícia Civil, baseada em perícias e na análise dos projéteis encontrados na cena do crime, apontou que apenas os militares atiraram. Na época, quatro deles confessaram, em depoimento, que realizaram disparos, mas se recusaram a participar da reprodução simulada, que foi cancelada.

Cortesia
Projéteis recolhidos no local onde adolescente foi morto eram apenas de armas da Polícia Militar, apontou perícia - Cortesia

A Polícia Civil chegou a concluir o inquérito com pedido de arquivamento, alegando não ter conseguido esclarecer a autoria dos tiros em Darik. Mas a juíza Fernanda Moura de Carvalho, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, afirmou que o arquivamento era precipitado e, com parecer favorável da Subprocuradoria-Geral de Justiça, determinou a retomada das investigações. 

No começo de março deste ano, perto da morte completar dois anos, o MPPE cobrou a realização da reprodução simulada - mesmo sem a presença dos PMs - e de uma perícia técnica para verificar a origem e a trajetória dos disparos em 90 dias, mas prazo não foi cumprido. 

POLÍCIA DIZ QUE INVESTIGAÇÃO CONTINUA

Questionada pela reportagem, a Polícia Civil afirmou, em nota, que as investigações permanecem em andamento na 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios, com a realização das diligências complementares requisitadas pelo MPPE. 

"Será solicitada a dilação do prazo para finalização do inquérito policial. Novas informações serão apresentadas às autoridades competentes tão logo os trabalhos investigativos sejam concluídos", disse. 

 

© ACERVO PESSOAL

Darik conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi baleado duas vezes

Caso Darik: 3 meses após cobrança do MPPE, polícia não esclareceu morte de atleta do Sport atingido pela PM

10 June 2026 at 17:27

A Polícia Civil vai pedir aumento de prazo para concluir as investigações da morte de Darik Sampaio da Silva, de 13 anos, atleta de futsal sub-14 do Sport Club do Recife. A reprodução simulada, cobrada há três meses pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ainda não foi realizada. O exame é fundamental para identificar o policial militar responsável pelos tiros que atingiram o adolescente. 

Darik foi morto durante perseguição policial contra suspeitos de roubar um carro, na Rua Professora Arcelina Câmara, no bairro do Jordão, Zona Sul do Recife, em 16 de março de 2024. O adolescente conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi atingido por duas balas perdidas.

Após a ocorrência, a Polícia Militar declarou que houve troca de tiros com os criminosos. Mas a Polícia Civil, baseada em perícias e na análise dos projéteis encontrados na cena do crime, apontou que apenas os militares atiraram. Na época, quatro deles confessaram, em depoimento, que realizaram disparos, mas se recusaram a participar da reprodução simulada, que foi cancelada.

Cortesia
Projéteis recolhidos no local onde adolescente foi morto eram apenas de armas da Polícia Militar, apontou perícia - Cortesia

A Polícia Civil chegou a concluir o inquérito com pedido de arquivamento, alegando não ter conseguido esclarecer a autoria dos tiros em Darik. Mas a juíza Fernanda Moura de Carvalho, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, afirmou que o arquivamento era precipitado e, com parecer favorável da Subprocuradoria-Geral de Justiça, determinou a retomada das investigações. 

No começo de março deste ano, perto da morte completar dois anos, o MPPE cobrou a realização da reprodução simulada - mesmo sem a presença dos PMs - e de uma perícia técnica para verificar a origem e a trajetória dos disparos em 90 dias, mas prazo não foi cumprido. 

POLÍCIA DIZ QUE INVESTIGAÇÃO CONTINUA

Questionada pela reportagem, a Polícia Civil afirmou, em nota, que as investigações permanecem em andamento na 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios, com a realização das diligências complementares requisitadas pelo MPPE. 

"Será solicitada a dilação do prazo para finalização do inquérito policial. Novas informações serão apresentadas às autoridades competentes tão logo os trabalhos investigativos sejam concluídos", disse. 

 

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Darik conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi baleado duas vezes

Caso Darik: 3 meses após cobrança do MPPE, polícia não esclareceu morte de atleta do Sport atingido pela PM

10 June 2026 at 17:27

A Polícia Civil vai pedir aumento de prazo para concluir as investigações da morte de Darik Sampaio da Silva, de 13 anos, atleta de futsal sub-14 do Sport Club do Recife. A reprodução simulada, cobrada há três meses pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ainda não foi realizada. O exame é fundamental para identificar o policial militar responsável pelos tiros que atingiram o adolescente. 

Darik foi morto durante perseguição policial contra suspeitos de roubar um carro, na Rua Professora Arcelina Câmara, no bairro do Jordão, Zona Sul do Recife, em 16 de março de 2024. O adolescente conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi atingido por duas balas perdidas.

Após a ocorrência, a Polícia Militar declarou que houve troca de tiros com os criminosos. Mas a Polícia Civil, baseada em perícias e na análise dos projéteis encontrados na cena do crime, apontou que apenas os militares atiraram. Na época, quatro deles confessaram, em depoimento, que realizaram disparos, mas se recusaram a participar da reprodução simulada, que foi cancelada.

Cortesia
Projéteis recolhidos no local onde adolescente foi morto eram apenas de armas da Polícia Militar, apontou perícia - Cortesia

A Polícia Civil chegou a concluir o inquérito com pedido de arquivamento, alegando não ter conseguido esclarecer a autoria dos tiros em Darik. Mas a juíza Fernanda Moura de Carvalho, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, afirmou que o arquivamento era precipitado e, com parecer favorável da Subprocuradoria-Geral de Justiça, determinou a retomada das investigações. 

No começo de março deste ano, perto da morte completar dois anos, o MPPE cobrou a realização da reprodução simulada - mesmo sem a presença dos PMs - e de uma perícia técnica para verificar a origem e a trajetória dos disparos em 90 dias, mas prazo não foi cumprido. 

POLÍCIA DIZ QUE INVESTIGAÇÃO CONTINUA

Questionada pela reportagem, a Polícia Civil afirmou, em nota, que as investigações permanecem em andamento na 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios, com a realização das diligências complementares requisitadas pelo MPPE. 

"Será solicitada a dilação do prazo para finalização do inquérito policial. Novas informações serão apresentadas às autoridades competentes tão logo os trabalhos investigativos sejam concluídos", disse. 

 

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Darik conversava com duas amigas, na calçada da casa de uma delas, quando foi baleado duas vezes

Investigadores desenvolvem tecnologia para criar ecrãs flexíveis que dobram e esticam sem se partir

10 June 2026 at 14:15

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um novo condutor transparente e ultra-resiliente que promete transformar o futuro dos dispositivos wearables, dos ecrãs táteis e de tecnologias de recolha de energia.

Esta investigação propõe uma solução inovadora para um dos principais desafios da eletrónica moderna: desenvolver filmes condutores que são simultaneamente transparentes e elásticos, capazes de se esticar, dobrar e acompanhar o movimento humano sem comprometer o seu desempenho elétrico.

No centro desta descoberta está uma arquitetura nanométrica tridimensional em forma de giroide, preenchida com metal líquido. Esta estrutura geométrica avançada permite que o material suporte deformações extremas, incluindo alongamentos, torções e compressões, mantendo uma condutividade elétrica estável e eficiente.

estudo, publicado na revista npj Flexible Electronics, do grupo Nature, resulta de uma colaboração entre o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), o Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores e o Departamento de Física da FCTUC.

Segundo os investigadores, a nova abordagem ultrapassa as limitações dos condutores tradicionais, que tendem a partir ou degradar-se quando sujeitos a esforços mecânicos repetidos. Para além da elevada elasticidade, o novo composto combina duas características raramente conciliáveis: elevada condutividade elétrica e transparência ótica, essenciais para aplicações em tecnologias de visualização e interfaces inteligentes.

“Os ecrãs, touchscreens e células solares atuais continuam a ser fundamentalmente frágeis. O nosso objetivo é criar eletrónica macia, resiliente e sustentável, capaz de resistir a dobragens, alongamentos, impactos e até perfurações sem perder funcionalidade”, explica Mahmoud Tavak, líder do estudo e investigador do ISR.

“Os resultados incluem dispositivos eletroluminescentes capazes de esticar até 600%, enquanto o próprio condutor transparente suporta deformações até 1400%, o que significa que pode esticar até 14 vezes o seu comprimento original”, acrescenta.

Para validar o potencial da inovação, a equipa integrou o novo condutor em dispositivos optoeletrónicos e sistemas de eletroluminescência, demonstrando a sua aplicabilidade em contextos reais.

De acordo com Mahmoud Tavak, este avanço representa “um passo decisivo rumo a uma eletrónica verdadeiramente integrada no quotidiano”, aproximando a tecnologia da flexibilidade e adaptabilidade dos sistemas biológicos.

Este trabalho de investigação é financiado pelo projeto Liquid 3D do Conselho Europeu de Investigação (ERC) (Grant Agreement n.º 101045072).

Sul Informação

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Estudo de investigadores do ABC sobre ratinho espinhoso africano abre pistas na investigação do cancro

10 June 2026 at 10:39

Um estudo de uma equipa de investigadores do Algarve Biomedical Center Research Institute (ABC- Ri) sobre o ratinho espinhoso africano lança novas pistas sobre a investigação do cancro, revelou a Universidade do Algarve (UAlg).

Os resultados do estudo, realizado em parceria com o Instituto de Investigação Biomédica Sols-Morreale (IIBM-CSIC-UAM), «abrem novas perspetivas de investigação sobre os mecanismos biológicos que podem contribuir para a prevenção do cancro e para avanços na medicina regenerativa», lê-se, em comunicado.

O ratinho espinhoso africano (Acomys) alvo do estudo publicado na revista Scientific Reports é uma espécie conhecida «pela sua elevada capacidade de regeneração tecidular e resistência ao desenvolvimento de tumores».

Ao contrário da maioria dos mamíferos, que cicatrizam quando sofrem uma lesão, este roedor consegue regenerar pele, músculo e até recuperar ligações funcionais na medula espinhal.

«Esta capacidade tornou-o um modelo de grande interesse para o estudo da regeneração dos tecidos», explica a academia.

Durante décadas, o cancro foi descrito como “uma ferida que nunca cicatriza”, porque tanto a reparação dos tecidos como o desenvolvimento tumoral envolvem uma intensa multiplicação de células.

Esta semelhança levou os investigadores a considerar que «os organismos com maior capacidade de regeneração poderiam também ter uma maior propensão para desenvolver cancro».

No entanto, os resultados deste estudo apontam noutra direção: os investigadores compararam a resposta do ratinho espinhoso com a de ratinhos de laboratório convencionais (Mus musculus), após ambos serem submetidos a um modelo experimental de indução de tumores na pele.

«Enquanto os ratinhos convencionais desenvolveram vários tumores, os ratinhos espinhosos não desenvolveram nenhum», concluíram.

Para perceber as razões desta diferença, a equipa analisou, ao longo de 28 dias, a atividade dos genes das duas espécies.

Os resultados mostram que o ratinho espinhoso «desencadeia uma resposta biológica diferente» quando exposto a fatores que podem provocar cancro.

Em concreto, este animal «ativa mais rapidamente genes que ajudam a impedir o desenvolvimento do processo cancerígeno e apresenta também uma resposta imunitária mais eficaz, envolvendo células capazes de eliminar células potencialmente cancerígenas».

Além disso, quando o dano é controlado, «a atividade destes genes regressa rapidamente aos níveis normais».

Outro aspeto importante observado foi o aumento da morte celular programada nas zonas lesionadas. Este mecanismo permite eliminar células com alterações genéticas antes que estas se transformem em células cancerígenas.

«Estes resultados indicam que a capacidade regenerativa e a resistência ao cancro não são incompatíveis, podendo antes estar relacionadas», explica Wolfgang Link, investigador do CSIC e autor correspondente do estudo.

«O ratinho espinhoso desenvolveu mecanismos altamente eficazes para controlar a proliferação celular, ativando tanto o sistema imunitário como vias supressoras de tumores», esclarece.

Este trabalho posiciona os mecanismos de regeneração tecidular «como uma possível chave para a prevenção do cancro».

Compreender como o ratinho espinhoso consegue controlar a multiplicação celular «poderá ajudar a identificar novos alvos terapêuticos e contribuir para o desenvolvimento de estratégias inovadoras para a prevenção e tratamento do cancro humano, bem como para avanços na medicina regenerativa.

A equipa responsável pelo estudo e pela publicação do artigo é composta por Marta Vitorino, Gonçalo G. Pinheiro, Inês Grenho, Inês M. Araújo, Bibiana Ferreira, Wolfgang Link e Gustavo Tiscornia, investigadores da Universidade do Algarve.

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UAlg participa em estudo com ratinho espinhoso para perceber o cancro

9 June 2026 at 15:45

Investigação com participação da UAlg identificou mecanismos biológicos associados à resistência a tumores no ratinho espinhoso africano.

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Maioria dos portugueses defende prioridade máxima para cuidados paliativos no SNS, revela estudo

Mais de dois terços dos inquiridos num estudo da Universidade de Coimbra divulgado hoje consideram que os cuidados paliativos devem ter prioridade máxima no Serviço Nacional de Saúde e 65,4% dizem preferir morrer em casa.

O estudo populacional foi realizado entre 8 e 24 de maio de 2026 e envolveu 1.041 adultos residentes em Portugal Continental, tendo como objetivo analisar “a perceção dos portugueses sobre os cuidados paliativos e o local de morte preferencial”.

Os resultados divulgados em comunicado pela Universidade de Coimbra (UC) mostram que 85,4% dos inquiridos reconhecem a importância elevada destes cuidados, dos quais 67,1% defendem que devem ter “prioridade máxima” no SNS e 18,3% “prioridade alta”.

Para a coordenadora do estudo, Bárbara Gomes, investigadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia, “os resultados trazem novos dados para apoiar as políticas públicas e reforçar a resposta do SNS no apoio aos cuidados em fim de vida”.

Bárbara Gomes salienta a necessidade de “alinhar os serviços com as preferências e necessidades reais da população”.

Os dados revelam também que 65,4% dos participantes preferem morrer em casa, com 58,1% a ter preferência pela própria habitação, 7,3% em casa de familiares ou amigos, enquanto 8,1% escolheria uma unidade de cuidados paliativos.

A maioria dos inquiridos (55,1%) revelou já ter cuidado ou apoiado um familiar ou amigo próximo nos últimos meses de vida.

“As conclusões do estudo permitem inferir uma vontade populacional de reforço das estruturas de respostas domiciliárias, garantindo que os cuidados paliativos chegam às pessoas onde elas realmente desejam estar e fomentar políticas públicas com foco no doente”, afirma a coautora do trabalho e investigadora da FMUC, Mayra Delalibera.

Mayra Delalibera salienta que “a percentagem de pessoas que prefere morrer em casa é superior à obtida num inquérito semelhante realizado em 2010 (65% vs. 51%), o que indica um aumento desta preferência”.

Bárbara Gomes complementa: “Temos hoje sensivelmente o mesmo número de equipas domiciliárias de cuidados paliativos no SNS que tínhamos há dez anos; e teríamos menos não fosse o apoio de cinco novas equipas pela Fundação “la Caixa” desde 2021, no âmbito do Programa Humaniza”.

“Sabemos que estas equipas especializadas duplicam as chances de os doentes morrerem em casa com melhor controlo sintomático”, afirma.

Para Bárbara Gomes, “é urgente reforçar ou redirecionar verba da saúde para aumentar o número destas equipas e para incentivar financeiramente as carreiras dos profissionais que nelas trabalham, para reter e atrair mais”.

“A população pede e as vidas de milhares de doentes e de famílias em situação de doença terminal (adultos e crianças) não esperam pelo próximo Orçamento de Estado”, defende.

O estudo foi financiado pela Cátedra Floriani em Cuidados Paliativos da FMUC e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Em defesa de um acesso equitativo a cuidados paliativos de qualidade, a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos lançou uma petição, que já reúne cerca de 8.000 assinaturas e pode ser assinada em https://peticaopublica.com/?pi=PT131164.

“Em Portugal, mais de 150 mil pessoas vivem anualmente com sofrimento associado a doença grave, progressiva e incurável. Destas, entre 70 e 85 mil morrem todos os anos com necessidade de cuidados paliativos. A elas juntam-se ainda milhares de crianças e jovens com doenças complexas que beneficiariam deste acompanhamento especializado”, lê-se na petição.

Segundo recomendações europeias, o país necessitaria de mais de 100 equipas comunitárias e intra-hospitalares e cerca de 1.000 camas especializadas, mas segundo a associação “a cobertura existente representa apenas uma fração desse valor, com fortes assimetrias territoriais e falta de respostas adequadas em várias regiões do país”.

Os peticionários apelam à expansão destas equipas em todo o país e ao reforço da Rede Nacional de Cuidados Paliativos, através do aumento de camas e respostas especializadas para adultos e crianças, tanto em hospitais de agudos como na rede.

Vacina da dengue do Butantan é suspensa após investigação de duas mortes

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o início de investigações para apurar relatos de eventos adversos graves registrados após a aplicação do imunizante.

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Segundo informações divulgadas pela pasta, foram notificados três casos considerados graves, além de duas mortes que estão sendo analisadas pelas autoridades de saúde. Os episódios motivaram a abertura de uma investigação para verificar se existe alguma relação entre as ocorrências e a vacinação.

Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que, até o momento, não há comprovação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina. De acordo com ele, as apurações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias dos casos registrados.

Ministério orienta acompanhamento de vacinados

Como medida preventiva, o governo federal recomendou que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento. A orientação tem como objetivo monitorar possíveis reações adversas e garantir atendimento rápido caso surjam sintomas que demandem atenção médica.

O Ministério da Saúde informou ainda que aproximadamente 500 mil doses já foram aplicadas em todo o país desde o início da campanha de vacinação. A estratégia de imunização começou neste ano, tendo como público prioritário os profissionais da área da saúde.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina representa um marco para a ciência nacional por ser a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil. O imunizante também se destaca por ser o primeiro do mundo contra a doença administrado em dose única, característica que foi considerada um avanço na ampliação da cobertura vacinal.

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Universidade de Coimbra coordena descoberta de novas orquídeas africanas

Duas novas espécies de orquídeas descobertas na África Central estão a ajudar cientistas a compreender melhor como plantas tropicais interagem com os seus polinizadores e a revelar um tipo de polinização raramente observado na natureza. O estudo, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra mostra, ainda, que estas espécies, agora identificadas, já se encontram ameaçadas de extinção.

As espécies, pertencentes ao género Rhipidoglossum, foram identificadas através de uma abordagem que combinou trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica. Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo pouco comum: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso mariposas noturnas, um comportamento raramente documentado.

Estas observações ajudam a confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.

As novas espécies foram encontradas em regiões da África Central, incluindo áreas montanhosas e florestas tropicais, consideradas importantes centros de biodiversidade. No entanto, apresentam uma distribuição limitada e já foram classificadas como ameaçadas, sobretudo devido à destruição de habitat.

Para os investigadores, este trabalho demonstra que a biodiversidade tropical é não só mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas. A falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e proteger estas espécies antes que desapareçam.

“No grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registo pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência. Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com maiores lacunas de informação. Estudos que combinem coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam”, refere Arthur Macedo, doutorando do CFE.

Os investigadores registaram ainda interações entre grilos e flores de orquídeas, um fenómeno extremamente raro e pouco documentado em escala global. Esta observação representa uma descoberta inédita e sugere que estes insetos poderão desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente.

“A grande diversidade floral de Rhipidoglossum deixa adivinhar muitas interações desconhecidas. Quem sabe se os grilos não poderão ser os polinizadores principais de alguma espécie na flora da África Tropical?”, questiona João Farminhão, investigador do CFE e orientador principal.

Ator é encontrado morto em motel após entrar no local com outras duas pessoas

6 June 2026 at 02:23

O ator José Patrik Machado, de 32 anos, encontrado morto na madrugada desta sexta-feira (5) em um motel de Campo Grande (MS), teve trajetória marcada pela atuação artística e pela participação ativa na cena cultural da capital sul-mato-grossense.

Patrik fez parte da companhia de teatro Adote entre 2015 e 2020, período em que participou de montagens, apresentações e projetos culturais desenvolvidos pelo grupo. Após a confirmação da morte, integrantes da companhia manifestaram pesar e destacaram a dedicação, o talento e o carisma do artista.

Além da carreira nos palcos, ele também atuava profissionalmente como escrevente em um cartório da cidade, função que exercia há mais de uma década.

De acordo com informações apuradas pelas autoridades, o corpo foi encontrado em um quarto de motel localizado na região do Jardim Paulista. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e aguarda os resultados dos exames periciais para esclarecer a causa do óbito.

As primeiras informações indicam que o ator havia chegado ao local acompanhado de outras pessoas, que deixaram o estabelecimento antes da descoberta do corpo. Os investigadores trabalham para reconstruir os últimos momentos de Patrik e identificar eventuais testemunhas que possam contribuir com o caso.

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Flávio Bolsonaro pede que STF declare Moraes suspeito para julgar caso Master

5 June 2026 at 21:00

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare o ministro Alexandre de Moraes suspeito para atuar em processos relacionados ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ele requer que petições já direcionadas a Moraes sejam remetidas ao ministro André Mendonça relator do caso Master no Supremo. O pedido foi protocolado na última segunda-feira, 1º, e será analisado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

Na petição, os advogados de Flávio apontam uma possível relação entre Moraes e Vorcaro. Eles citam supostas trocas de mensagens entre os dois e o contrato firmado pelo Master com a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Segundo documentos fiscais enviados à CPI do Crime Organizado, do Senado, o escritório de Viviane recebeu R$ 80,2 milhões do banco para prestar serviços jurídicos.

INCLUSÃO DE FLÁVIO NO CASO

O pedido de Flávio foi feito após Moraes solicitar um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a inclusão de Flávio no inquérito que mira seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eduardo é réu por suposta coação no curso do processo e obstrução à Justiça no julgamento da trama golpista, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado.

O despacho de Moraes atendeu a um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele pediu a investigação de Flávio após o site The Intercept Brasil revelar que o senador pediu a Vorcaro R$ 134 milhões para bancar o filme Dark Horse, inspirado na trajetória do pai. Cerca de R$ 61 milhões foram pagos e enviados a um fundo ligado a Eduardo nos EUA. A suspeita é que o dinheiro tenha sido usado para bancar a atuação do ex-deputado contra autoridades brasileiras.

"Esses dois dados objetivos nos permitem dizer, sempre com o máximo respeito, que sua Excelência não teria a imparcialidade necessária para processar e julgar o requerimento enviado pelo Deputado Federal Lindbergh Farias, mormente porque tal requerimento envolve não só o Banco Master, mas também Daniel Vorcaro", diz a petição.

Flávio também requer que a solicitação de Lindbergh seja retirada do inquérito relatado por Moraes e protocolada em uma nova ação, a ser distribuída "por prevenção" ao ministro André Mendonça, indicado ao STF por Bolsonaro.

© Carlos Moura/Agência Senado

O pedido de Flávio foi feito após Moraes solicitar um parecer da PGR sobre a inclusão de Flávio no inquérito
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