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Estudo de investigadores do ABC sobre ratinho espinhoso africano abre pistas na investigação do cancro

10 June 2026 at 10:39

Um estudo de uma equipa de investigadores do Algarve Biomedical Center Research Institute (ABC- Ri) sobre o ratinho espinhoso africano lança novas pistas sobre a investigação do cancro, revelou a Universidade do Algarve (UAlg).

Os resultados do estudo, realizado em parceria com o Instituto de Investigação Biomédica Sols-Morreale (IIBM-CSIC-UAM), «abrem novas perspetivas de investigação sobre os mecanismos biológicos que podem contribuir para a prevenção do cancro e para avanços na medicina regenerativa», lê-se, em comunicado.

O ratinho espinhoso africano (Acomys) alvo do estudo publicado na revista Scientific Reports é uma espécie conhecida «pela sua elevada capacidade de regeneração tecidular e resistência ao desenvolvimento de tumores».

Ao contrário da maioria dos mamíferos, que cicatrizam quando sofrem uma lesão, este roedor consegue regenerar pele, músculo e até recuperar ligações funcionais na medula espinhal.

«Esta capacidade tornou-o um modelo de grande interesse para o estudo da regeneração dos tecidos», explica a academia.

Durante décadas, o cancro foi descrito como “uma ferida que nunca cicatriza”, porque tanto a reparação dos tecidos como o desenvolvimento tumoral envolvem uma intensa multiplicação de células.

Esta semelhança levou os investigadores a considerar que «os organismos com maior capacidade de regeneração poderiam também ter uma maior propensão para desenvolver cancro».

No entanto, os resultados deste estudo apontam noutra direção: os investigadores compararam a resposta do ratinho espinhoso com a de ratinhos de laboratório convencionais (Mus musculus), após ambos serem submetidos a um modelo experimental de indução de tumores na pele.

«Enquanto os ratinhos convencionais desenvolveram vários tumores, os ratinhos espinhosos não desenvolveram nenhum», concluíram.

Para perceber as razões desta diferença, a equipa analisou, ao longo de 28 dias, a atividade dos genes das duas espécies.

Os resultados mostram que o ratinho espinhoso «desencadeia uma resposta biológica diferente» quando exposto a fatores que podem provocar cancro.

Em concreto, este animal «ativa mais rapidamente genes que ajudam a impedir o desenvolvimento do processo cancerígeno e apresenta também uma resposta imunitária mais eficaz, envolvendo células capazes de eliminar células potencialmente cancerígenas».

Além disso, quando o dano é controlado, «a atividade destes genes regressa rapidamente aos níveis normais».

Outro aspeto importante observado foi o aumento da morte celular programada nas zonas lesionadas. Este mecanismo permite eliminar células com alterações genéticas antes que estas se transformem em células cancerígenas.

«Estes resultados indicam que a capacidade regenerativa e a resistência ao cancro não são incompatíveis, podendo antes estar relacionadas», explica Wolfgang Link, investigador do CSIC e autor correspondente do estudo.

«O ratinho espinhoso desenvolveu mecanismos altamente eficazes para controlar a proliferação celular, ativando tanto o sistema imunitário como vias supressoras de tumores», esclarece.

Este trabalho posiciona os mecanismos de regeneração tecidular «como uma possível chave para a prevenção do cancro».

Compreender como o ratinho espinhoso consegue controlar a multiplicação celular «poderá ajudar a identificar novos alvos terapêuticos e contribuir para o desenvolvimento de estratégias inovadoras para a prevenção e tratamento do cancro humano, bem como para avanços na medicina regenerativa.

A equipa responsável pelo estudo e pela publicação do artigo é composta por Marta Vitorino, Gonçalo G. Pinheiro, Inês Grenho, Inês M. Araújo, Bibiana Ferreira, Wolfgang Link e Gustavo Tiscornia, investigadores da Universidade do Algarve.

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UAlg participa em estudo com ratinho espinhoso para perceber o cancro

9 June 2026 at 15:45

Investigação com participação da UAlg identificou mecanismos biológicos associados à resistência a tumores no ratinho espinhoso africano.

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Queda de diagnósticos de cancro na epidemia de Covid-19

8 June 2026 at 17:56
As diminuições mais significativas nos diagnósticos registaram-se durante os primeiros quatro meses do confinamento e afetaram mais o cancro da próstata, da mama e da pele.

© Getty Images/iStockphoto

Foram analisados dados de 2,6 milhões de doentes dos registos de cancro em diferentes países

Recetores de sabor amargo podem ajudar no combate ao cancro

8 June 2026 at 10:17
Investigadores portugueses descobrem "um novo potencial biomarcador e alvo terapêutico" no combate aos tumores cerebrais. Recetores de sabor amargo podem influenciar célular tumorais.

© Boston Globe via Getty Images

Recetores do sabor amargo podem ser a solução no tratamento de um dos tumores cerebrais malignos mais difíceis de tratar.

Teve 42 tratamentos contra o cancro durante 7 anos – mas não tinha cancro

By: ZAP
6 June 2026 at 12:15
Foi submetido a 42 procedimentos desnecessários antes de ser descoberto erro do sistema nacional de saúde do Reino Unido. Um homem inglês passou 7 anos a acreditar que sofria de uma forma rara e incurável de cancro no sangue, submetendo-se a diversos exames e tratamentos (42 no total). Até que descobriram que o diagnóstico estava errado. Não tinha qualquer cancro. Tudo começou em 2017, quando foi encaminhado para o departamento de hematologia do Hospital George Eliot, em Nuneaton, porque estava com constante cansaço, contagem elevada de glóbulos vermelhos e níveis anormais de ferro. Simon Pearson recebeu o diagnóstico no ano

Dupla “revolução” na luta contra o cancro. Oncologistas choraram

By: ZAP
3 June 2026 at 16:30
Injeção já destruiu tumores na cabeça e no pescoço; será testada em Portugal. No cancro do pâncreas, um fármaco originou aplausos e lágrimas. Como resume Vera Lúcia Arreigoso, no Expresso, são notícias destas que “qualquer jornalista de saúde queria muito escrever”. Até são duas, no mesmo dia; e ambas foram anunciadas na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago. Primeiro, o novo tratamento anti-cancro de cabeça e pescoço. É uma injeção que já destruiu tumores num ensaio clínico com 102 pessoas. A injeção tem uma nova substância, a amivantamab. Realiza três ações: bloqueia o EGFR (proteína

Tratamento revolucionário contra o cancro pode transformar as doenças auto-imunes

3 June 2026 at 09:00
Os investigadores estão a testar a terapia com células CAR T como forma de reiniciar o sistema imunitário no lúpus, na doença de Graves e noutras condições em que as defesas do organismo se descontrolam. Aos 49 anos, a esclerose múltipla de Jan Janisch-Hanzlik estava a destruir-lhe a liberdade de viver a vida que desejava. Abandonou o seu trabalho ativo de enfermagem para assumir uma função de secretária. As quedas frequentes deixavam-na com medo de pegar nos netos ao colo. Teve de se mudar para uma casa maior para arranjar espaço para a cadeira de rodas que receava poder vir a

Mucosite: um efeito secundário frequente no tratamento do cancro que exige atenção e prevenção

1 June 2026 at 17:30

Os tratamentos utilizados no combate ao cancro, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia, sobretudo quando aplicados na região da cabeça e pescoço, podem provocar vários efeitos secundários. Um dos mais frequentes e debilitantes é a mucosite, uma inflamação da mucosa da boca e da garganta que pode afetar os lábios, as gengivas e outras estruturas da cavidade oral.

A mucosite é considerada um dos efeitos secundários com maior impacto na qualidade de vida das pessoas em tratamento oncológico.

Nem todos os medicamentos utilizados no tratamento do cancro provocam mucosite, mas trata-se de um sintoma relativamente comum, que exige vigilância, prevenção e intervenção precoce.

Geralmente, o doente apresenta irritação da mucosa e úlceras semelhantes a aftas, que podem causar dor intensa ao mastigar, engolir ou mesmo ao beber líquidos.

A dor e o desconforto dificultam a alimentação e a fala, afetando não só o bem-estar físico, como o emocional do doente.

Apesar de existirem tratamentos para a mucosite, a prevenção continua a ser uma das estratégias mais eficazes. Manter uma boa higiene oral é fundamental, com escovagem dos dentes após as refeições e antes de dormir, utilizando uma escova de cerdas macias e uma pasta de dentes adequada para dentes sensíveis.

O uso de elixires sem álcool para bochechar após as refeições ajuda a manter a boca limpa, enquanto a hidratação dos lábios e da mucosa oral é essencial. Evitar o tabaco é igualmente recomendado, pois o fumo agrava a irritação da mucosa e atrasa a cicatrização.

Quando a mucosite já está presente, a alimentação deve ser adaptada para reduzir o desconforto e garantir uma nutrição adequada. Alimentos cremosos e fáceis de mastigar e engolir, como sopas, purés, batidos, fruta cozida, gelatinas, arroz e massa bem cozidos, bem como carne e peixe desfiados ou triturados, são opções a considerar.

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Os alimentos devem ser ingeridos à temperatura ambiente, evitando temperaturas muito quentes ou muito frias, e as refeições devem ser fracionadas ao longo do dia, com pequenas quantidades ingeridas várias vezes. A ingestão de água, entre 1,5 e 2 litros por dia, é fundamental, podendo ser consumida em pequenos goles durante as refeições para facilitar a deglutição. Em alguns casos, e se o tratamento permitir, a aplicação de frio na mucosa, como gelo ou gelados, pode aliviar a dor.

Por outro lado, devem ser evitados alimentos secos ou ásperos, como torradas, tostas, frutos secos e bolachas, bem como alimentos salgados, ácidos, cítricos ou muito condimentados. Bebidas alcoólicas, gaseificadas e com cafeína, como café e chá preto, também podem agravar a irritação da mucosa e devem ser reduzidas ou evitadas.

Nos últimos anos, o uso de produtos naturais na prevenção e no tratamento da mucosite tem sido alvo de investigação científica. O mel tem demonstrado resultados promissores, com evidência de redução da dor e da gravidade das lesões. Outros produtos naturais, como camomila, própolis, cúrcuma e aloe vera, apresentam algumas evidências de eficácia, mas ainda necessitam de mais estudos antes de serem integrados de forma sistemática na prática clínica.

É fundamental que os doentes informem a sua equipa de saúde ao primeiro sinal de mucosite oral. Para além das medidas de higiene, alimentação e cuidados gerais, pode ser necessária medicação específica para aliviar os sintomas e prevenir complicações.

A deteção precoce e o acompanhamento adequado permitem reduzir o impacto da mucosite, melhorar a qualidade de vida e garantir a continuidade dos tratamentos oncológicos com maior segurança e conforto.

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