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© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

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Há um organismo marinho pouco estudado, mas com presença relevante nas águas costeiras nacionais, nomeadamente no estuário do rio Mira, que, pela sua atividade biológica (atividades antioxidante e anti-inflamatória), pode ser alvo de valorização e aplicações futuras em domínios como o nutracêutico, o cosmético ou mesmo o farmacêutico.
Trata-se do vermetídeo Vermetus triquetrus, que foi alvo de investigação por parte de uma equipa de investigadores do IPMA, no âmbito do projeto MAR2030 Genemare_Portugal, que visa a implementação de um repositório biológico da biodiversidade marinha das águas portuguesas, um bio-banco azul para o futuro.
Os André Breves, Carlos Cardoso, Cláudia Afonso, Joana Matos, Jorge Lobo-Arteaga, Cátia Bartilotti, Sabrina Sales, Sónia Pedro e Narcisa M. Bandarra publicaram um artigo pioneiro sobre o vermetídeo Vermetus triquetrus, «um gastrópode séssil que forma recifes e tem uma presença relevante na costa nacional (no presente artigo foram estudados espécimes do Estuário do Mira), mas negligenciado pela comunidade científica», salienta o IPMA.
O artigo visou aspetos da composição bioquímica do organismo e da sua atividade biológica (atividades antioxidante e anti-inflamatória) e diferenciou entre as duas principais unidades anatómicas do organismo, a massa visceral e o manto (head-foot).

O artigo intitulado “Unveiling the Hidden Biotechnological Potential of the Vermetid Gastropod Vermetus triquetrus: Insights into an Unexplored Marine Resource” foi publicado no passado dia 28 de maio na prestigiada revista científica da área, Marine Biotechnology, e, segundo o IPMA, «suscitou grande interesse e significativa repercussão dada a novidade de um estudo sobre este organismo».
O interesse pelo estudo foi também reforçado pelos resultados obtidos, «que mostraram elevados níveis de atividade biológica e permitiram identificar o V. triquetrus como uma fonte de compostos polifenólicos, especialmente no caso da massa visceral».
O artigo é de acesso livre e pode ser encontrado aqui: https://link.springer.com/article/10.1007/s10126-026-10632-3
Os investigadores do IPMA concluíram que, «dados os níveis de atividade biológica quantificados e os componentes presentes, não só se justifica um estudo mais aprofundado sobre a composição bioquímica e o refinamento das frações obtidas da biomassa, como também se pode procurar uma valorização e aplicações futuras destas frações em domínios como o nutracêutico, o cosmético ou mesmo o farmacêutico».
Este estudo «faz parte de um esforço de investigação mais amplo e de longo prazo, almejando a expansão das fronteiras do saber sobre a grande biodiversidade nas nossas águas e o aprofundamento do conhecimento sobre os diferentes grupos de organismos marinhos, indo dos microorganismos aos animais vertebrados e compreendendo as dimensões genómica, metabolómica e biotecnológica aplicada», explica o IPMA.
Tal esforço e desafio para o futuro só é possível no âmbito do projeto Genemare_Portugal “Biobanco Azul – Banco Nacional dos Recursos Vivos Marinhos” – Projeto MAR2030 que financiou e suportou a todos os níveis a realização do estudo sobre o vermetídeo V. triquetrus.

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