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Líderes da UE reunidos em Bruxelas para discutirem o orçamento

Começou ao final da tarde desta quinta-feira uma cimeira de dois dias dos líderes da União Europeia, que, a convite do presidente do Conselho Europeu, António Costa, vai debater uma série de assunto, entre eles o orçamento de longo prazo para o período de 2028-2034). a Ucrânia, a situação no Médio Oriente e a imigração também estão na agenda e, como não podia deixar de ser, os líderes ouvirão o presidente ubcraniano, Vilodymyr Zelenskyy sobre os últimos acontecimentos na Ucrânia.

No que diz respeito ao alargamento da União, os líderes irão discutir a abertura do primeiro conjunto de capítulos nas negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia. “Este é um reconhecimento da determinação, coragem e trabalho árduo demonstrados por ambos os países na promoção de reformas, mesmo diante de imensos desafios. E um sinal de que a oferta da UE de paz, estabilidade e oportunidades é inigualável”, refere António Costa na carta-convite. Nesse contexto, Costa observou que há um novo ímpeto no processo de alargamento, algo que também pôde ser constatado na recente cimeira UE-Balcãs Ocidentais em Tivat.

Os líderes do bloco irão analisar os progressos da agenda ‘Uma Europa, Um Mercado’, que define medidas concretas e cronogramas para iniciativas legislativas e políticas em cinco áreas-chave: simplificar as regras e reduzir os encargos administrativos; aprofundando e fortalecendo o mercado único; promover uma agenda comercial ambiciosa; reduzir os custos de energia e, ao mesmo tempo, promover a descarbonização; e acelerar a transformação digital e da inteligência artificial.

“A Europa precisa fazer a sua lição de casa econômica, mas, ao mesmo tempo, a concorrência justa em nível global exige condições equitativas”, disse o português que lidera o Conselho Europeu.

Os líderes também discutirão os desequilíbrios macroeconómicos globais e o seu impacto na competitividade e prosperidade da Europa. O debate terá como objetivo construir um entendimento comum sobre os desafios enfrentados e orientar o trabalho futuro da Comissão.

Os presentes “continuarão as discussões sobre o próximo quadro financeiro de longo prazo, com base no Conselho Europeu informal realizado no Chipre, de 23 a 24 de abril de 2026. Partindo do conjunto de propostas apresentado pela presidência cipriota em 11 de junho de 2026, debaterão os principais elementos do orçamento de longo prazo, incluindo o progresso na obtenção de novos recursos próprios. O objetivo é criar as condições para que se chegue a um acordo até o final do ano”, refere nota oficial do Conselho.

Os líderes da UE discutirão os últimos acontecimentos no Oriente Médio, “incluindo: o conflito no Irão e o seu impacto nos preços da energia; a situação dramática em Gaza e na Cisjordânia; e os desenvolvimentos no Líbano, incluindo o apoio contínuo da UE ao cessar-fogo e ao Estado libanês e ao seu povo”.

Espaço ainda para a União discutir a implementação da agenda de prontidão de defesa do bloco. “As recentes incursões de drones no espaço aéreo da UE, incluindo a queda de um drone russo carregado com explosivos na Roménia, destacaram a necessidade urgente de ações contínuas nesta área, inclusivamente por meio do fortalecimento da fronteira leste da EU”.

Por outro lado, os líderes da UE farão um balanço dos progressos alcançados na implementação das conclusões anteriores do Conselho Europeu sobre imigração, “para garantir que o trabalho continue em ritmo acelerado em todas as áreas prioritárias”.

Os líderes da UE farão ainda um balanço sobre os esforços para combater as drogas ilícitas, “um desafio que tem um impacto direto na vida dos cidadãos e nas sociedades europeias. Nesse contexto, discutirão a implementação da estratégia da UE em matéria de drogas”.

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NATO 3.0 deixa dúvidas sobre empenhamento dos EUA

Os Estados Unidos exigem que a Europa assuma a liderança da sua própria segurança. A exigência foi deixada, sem rodeios e sem que pudessem subsistir dúvidas, pelo secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, no encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO que ocorreu esta quinta-feira em Bruxelas. O secretário da Defesa (e não o secretário de Estado Marco Rubio, o equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros) revelou que os Estados Unidos vão fazer uma revisão da sua posição no seio da aliança ao longo dos próximos seis meses (“ou mesmo antes”), avaliando quer o dinheiro que para ali destinam, quer a presença de tropas norte-americanas nas bases europeias.

Hegseth não deixou de recordar que os Estados-membros europeus recusaram ajudar a ação militar norte-americana no Irão – que apelidou de “uma vergonha” – para enfatizar que há uma espécie de ‘antes e depois’ dessa decisão. E que os aliados europeus terão de se habituar à nova postura que resultará da análise que está a ser feita. Das palavras do secretário da Defesa pareceu ficar explícito – implícito ficou de certeza – que os Estados Unidos vão cortar os níveis de financiamento da aliança e retirar elementos do exército destacados para a Europa. A ‘boleia’ dos Estados Unidos vai acabar.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, elogiou o esforço dos aliados europeus e do Canadá. Em 2025, o investimento destes países subiu mais de 90 mil milhões de dólares (um aumento de quase 20%), referiu na sua intervenção. A meta atual é fazer com que os países gastem 5% do PIB em defesa até 2035.

O encontro servia de preparação para a cimeira de chefes de Estado e de governo que ocorrerá dentro de um mês em Ancara, capital da Turquia – mas o ambiente que Hegseth impôs em Bruxelas, na sede da organização, não deixa antever um encontro cordato.

 

Portugal em Ormuz

Entretanto, ministro da Defesa Nacional, presente na reunião, afirmou que Portugal admite integrar operações de desminagem no Estreito de Ormuz com veículos não tripulados e está a estudar o reforço da sua participação nas missões da União Europeia no Médio Oriente. Citado pela Lusa, Nuno Melo referiu que Portugal está a “estudar a possibilidade” de reforçar a sua participação em operações navais no Médio Oriente.

O ministro lembrou que Portugal já participou nas operações navais da UE Aspides, no Mar Vermelho, e Atalanta, no Oceano Índico. “Ponderamos a possibilidade de reforço a três níveis. Um: de pessoal, no quartel-general. Segundo: no que tem que ver com a luta antiminas e aí com veículos não tripulados que serão entregues, se assim for decidido oportunamente. E também com a possibilidade de utilização de informações nacionais recolhidas via satélite e subaquáticas para esse esforço”, afirmou.

Nuno Melo indicou que “tudo isto que está a ser ponderado e será levado oportunamente a Conselho Superior de Defesa Nacional para que possa, nos termos da lei, ser decidido”.

Entretanto, o governo aprovou em Conselho de Ministros, esta quinta-feira, um novo decreto-lei que eleva a capacidade de recrutamento das Forças Armadas para perto de 31 mil militares (mais concretamente, 30.800).

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"Há portugueses com perfil" para mediar paz na Ucrânia

Montenegro falou em Bruxelas um dia após Costa ter iniciado contactos para abrir canais com Moscovo. Diz não ter posição fechada sobre a metodologia do processo.

© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

António Costa, já iniciou breves contactos diplomáticos para abrir vias de comunicação com a Rússia
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"Há portugueses com perfil" para mediar paz na Ucrânia

Montenegro falou em Bruxelas um dia após Costa ter iniciado contactos para abrir canais com Moscovo. Diz não ter posição fechada sobre a metodologia do processo.

© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

António Costa, já iniciou breves contactos diplomáticos para abrir vias de comunicação com a Rússia
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A trovoada de junho matou os porcos

VTM

Dos Fundegos vinham os primeiros raios, anunciando uma tragédia para a agricultura.

Os mais velhos vaticinavam que chegaria uma tempestade capaz de destruir as culturas já feitas. A sabedoria popular, guiada pelo desenho e pelas cores das nuvens, anunciava uma tarde arrasadora. Assim dizia uma velha sentada num banco de pedra, os óculos caídos sobre o nariz. Afagava de vez em quando um bichaninho peludo e ranhoso. Ao passar por ali uma mulher, sentenciou:

– Ó Olímpia, vem aí uma trovoada que vai pôr tudo de pantanas. Vamos ensaiar a prece a Santa Bárbara Bendita?

Ti Olímpia respondeu-lhe que a aldeia já estava habituada às trovoadas de maio e junho. Entretanto, um homem de sacho ao ombro, bigode revirado, seguia para a Granja, cantarolando uma moda brejeira, como quem desdenha o aviso das velhas.

Mas a chuva, os relâmpagos e os trovões não tardaram. Em pouco tempo, a ribeira mal continha a cheia que descia pelas vertentes dos montes. E a velha azenha, à sua margem, tornou-se testemunha de uma tragédia que se abatia sobre Mateus.

Os relâmpagos rasgaram a negrura das nuvens: tudo parecia um inferno. A natureza em estado de guerra. As gotas caíam grossas, num ruído assustador, e os trovões rebentavam com tal violência que os mais medricas se benziam à pressa.

Cheirava a terra quente e molhada num odor intenso que subia do chão.

Estavam quarenta graus.

O ar era sufocante, quase irrespirável.

Um trovão, mais violento, fez correr a ti Carolina até casa da minha mãe. Pedia abrigo, pois sabia que ali ninguém temia as trovoadas. O que caía do céu era já uma tromba de água. As nuvens negras abafavam toda a aldeia.

Da Rua da Flores desciam cordas de água desenfreadas, arrastando tudo à sua passagem. A estrada nacional oferecia um quadro sinistro: lama, pedras e entulho.

Os cavalos dos ciganos, fustigados pelos mosquitos, sacudiam-se inquietos. O patriarca fazia estalar o chicote, enquanto os animais patinhavam na lama. Uma cigana grávida de 16 anos, abanou a cabeça em reprovação, recebendo também ela um açoite.

Os cachões de água, furiosos, galgaram a estrada junto à Casa da Dona Maria e invadiram a nitreira do conde, onde estavam vários porcos bem tratados.

Encurralados, sem possibilidade de fuga, os animais grunhiram, mas ninguém os ouviu. A mortandade, porém, não passou despercebida aos ciganos.

Com autorização do administrador do conde- César Augusto Monteiro- levaram os animais para as tendas onde viviam.

Pelas barrigas inchadas dos ciganinhos, dos cães e até dos cavalos, percebeu-se que o festim fora abundante.

Depois da trovoada devastadora, Mateus reergueu-se.

E a vida não tardou a recomeçar.

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Diplomacia de Israel corta contactos com Kaja Kallas

Ministro dos Negócios Estrangeiros israelita acusa a alta representante da UE de "calúnia de sangue", após ter comparado as ações de Israel em Gaza ao regime do apartheid sul-africano.

© MARTIN DIVISEK/EPA

Kallas visitou Israel e o território palestiniano da Cisjordânia em março de 2025, mantendo uma postura crítica em relação à ofensiva israelita em Gaza, mas frisou o direito de Israel à autodefesa
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Diplomacia de Israel corta contactos com Kaja Kallas

Ministro dos Negócios Estrangeiros israelita acusa a alta representante da UE de "calúnia de sangue", após ter comparado as ações de Israel em Gaza ao regime do apartheid sul-africano.

© MARTIN DIVISEK/EPA

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Aumenta a pressão para reverter o Brexit. “Perder tempo a olhar para o passado”, diz Starmer

Rivais do primeiro-ministro britânico defendem o regresso do Reino Unido à União Europeia. Keir Starmer alerta que não se deve “perder tempo a olhar para trás”, e garante que mantém o compromisso do programa eleitoral do Labour de não voltar a aderir ao bloco europeu. O Reino Unido e a União Europeia não devem perder tempo a “olhar para trás” para o Brexit, afirmou Keir Starmer esta quarta-feira, numa altura em que enfrenta pressões para reconsiderar o regresso do país à UE. O primeiro-ministro reafirmou o compromisso assumido no programa eleitoral do seu Governo de não voltar a entrar no

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UE debate apoio à Ucrânia com Zelensky

Na sequência das negociações de expansão do bloco, a UE volta a debater o apoio à Ucrânia numa cimeira de dois dias que começa esta quinta-feira. Luís Montenegro estará presente.

© OLIVIER HOSLET/EPA

Os líderes deverão ainda trocar impressões sobre a competitividade da economia europeia e a relação com a China, bem como sobre a situação no Médio Oriente
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UE debate apoio à Ucrânia com Zelensky

Na sequência das negociações de expansão do bloco, a UE volta a debater o apoio à Ucrânia numa cimeira de dois dias que começa esta quinta-feira. Luís Montenegro estará presente.

© OLIVIER HOSLET/EPA

Os líderes deverão ainda trocar impressões sobre a competitividade da economia europeia e a relação com a China, bem como sobre a situação no Médio Oriente
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O TJUE, Portugal e a febre anti-abuso

Há acórdãos que resolvem um litígio – e depois há acórdãos que obrigam um sistema fiscal inteiro a olhar para o espelho. O recente Acórdão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) no caso Nova Iberomoldes (processo C-837/24, com Acórdão de 4 de Junho de 2026) pertence, creio, à segunda categoria, porque atinge um nervo exposto do nosso regime tributário: a tendência para transformar normas concebidas para combater abusos fiscais em regras de tributação automática.

A velha Sisa (esse fóssil fiscal que mudou de nome para IMT, mas continua a assombrar o imobiliário português) nasceu para tributar transmissões onerosas de imóveis. Com o tempo, a lei passou também a alcançar transmissões de participações sociais em sociedades com imóveis. A lógica é simples: se alguém compra uma sociedade cujo valor está essencialmente em imóveis, pode estar, na prática, a comprar os imóveis sem pagar imposto sobre a compra dos imóveis. Palavra-chave: pode.

O problema começa quando uma linha de defesa contra manobras artificiais passa a funcionar como rede de malha fina lançada sobre operações empresariais normais. Apanha o peixe certo, mas também a arte, o pescador e a traineira.

O artigo 2.º do Código do IMT (CIMT) começa pela incidência clássica: transmissões onerosas de imóveis situados em Portugal. Depois, a lei alargou o conceito até incluir a aquisição de participações sociais em sociedades com património imobiliário relevante. Durante muito tempo, esta ficção respeitava sobretudo a sociedades de pessoas e sociedades por quotas, mas em 2020, passou a abranger também sociedades anónimas, desde que se verifiquem, em síntese, três requisitos: mais de 50% do activo em imóveis portugueses, não afectos a actividade operacional, e aquisição que coloque alguém com pelo menos 75% do capital social.

Ora, o caso em notícia explica-se sem latim fiscal: uma sociedade holding foi constituída e o seu capital foi realizado através de entradas em espécie: em vez de dinheiro, o accionista entregou participações sociais noutras sociedades. Entre elas estava o capital de uma sociedade com imóveis no activo. A Autoridade Tributária entendeu que a nova sociedade adquirira, indirectamente, domínio sobre imóveis em Portugal e liquidou IMT, nos termos da lei.

O contribuinte respondeu que a operação era uma entrada de capital e uma reestruturação protegida pela Directiva 2008/7/CE, relativa aos impostos indirectos sobre reuniões de capitais. O Tribunal deu-lhe razão: quando uma operação se qualifica como reestruturação abrangida pela Directiva, Portugal não pode cobrar IMT apenas porque, por trás das participações transmitidas, existem imóveis.

O Tribunal não acabou com o IMT sobre transmissões indirectas de imóveis, nem abriu uma auto-estrada para meter prédios dentro de sociedades e vender as sociedades por baixo do radar. Decidiu algo mais preciso: uma ficção fiscal nacional não pode transformar uma reestruturação empresarial protegida pelo Direito da União Europeia numa transmissão imobiliária tributável.

Em abstracto, a regra interna parece prudente. Na prática, o IMT acabou por incidir sobre operações societárias onde pode não haver venda de imóveis, especulação imobiliária ou abuso. A reestruturação de empresas é uma necessidade normal da vida económica: grupos reorganizam participações, criam holdings, simplificam estruturas, refinanciam actividades e separam riscos. Quando estes movimentos passam por sociedades com imóveis, o IMT aproxima-se perigosamente de uma taxa de fricção sobre a organização das empresas.

É certo que o artigo 60.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais oferece uma válvula de segurança para certas operações de reestruturação, oferecendo isenções de IMT e de Selo; mas não resolve o problema de fundo: aquilo que deveria ser regra aparece como benefício fiscal, dependente de fiscalização posterior e de uma margem prática de enorme incerteza (o que não é bom para o negócio, e muitas vezes o estraga).

Mas generalizando, o que importa destacar, a meu ver, é que esta decisão do TJUE é mais do que um episódio técnico sobre uma Directiva pouco conhecida. É um sinal sonoro de uma linha jurisprudencial europeia que vem sendo construída há anos em defesa do contribuinte: o combate ao abuso é legítimo, mas exige abuso.

Em Cadbury Schweppes, o Tribunal apontou para montagens puramente artificiais, desligadas da realidade económica. Em Eqiom e Enka, recusou presunções gerais de fraude ou abuso. Em Deister Holding e Juhler Holding, travou uma regra nacional assente nesse tipo de presunções. E em Foggia, caso português, recordou que uma reestruturação pode ter razões económicas válidas mesmo gerando vantagens fiscais, desde que estas não sejam predominantes.

A lição é simples: uma norma anti-abuso não pode ser um piloto automático. Para a sua aplicação não basta carregar no botão. Tem de haver análise concreta, realidade económica e proporcionalidade. O Estado pode combater a fraude, fechar atalhos artificiais e tributar transmissões imobiliárias encapotadas. Mas não pode usar o vocabulário do abuso para criar uma incidência fiscal sem abuso.

Essa é a tentação portuguesa – e europeia, pelo menos nos tempos mais recentes: normas de incidência (ou de anti-abuso) largas, cómodas e agressivas, potencialmente violadoras do princípio constitucional da legalidade do imposto. O contribuinte entra no processo já com ar de culpado, obrigado a explicar que a sua reorganização não é uma trapaça fiscal. No caso, e como bom exemplo, a lei abstém-se de distinguir entre quem reorganiza uma empresa e quem, abusivamente, monta uma capa societária para vender prédios sem imposto.

Para o Estado do Orçamento, esta indiferença é tentadora. Para o Estado de Direito, é tóxica.

Obviamente, o Acórdão Nova Iberomoldes não resolve todos os problemas. Haverá sempre casos fora da Directiva 2008/7/CE, casos abusivos e planeamentos artificiais que continuarão a poder ser atacados, e ainda bem. Mas um sistema fiscal sério não pode ser preguiçoso. A Autoridade Tributária deve investigar o abuso onde ele exista, prová-lo e fundamentá-lo.

A consequência prática desta decisão parece-me clara: o artigo 2/2/d do CIMT tem de ser lido à luz do Direito da União Europeia. Deve ser afastada a aplicação automática da norma a operações de capitalização e reestruturação protegidas pela Directiva – e o legislador faria bem em criar regras de segurança para reorganizações empresariais genuínas.

O mais importante a assinalar é que o TJUE tem vindo a assumir um papel que deveria caber antes de mais aos legisladores: deixar claro que a luta contra o abuso fiscal não justifica tudo. O TJUE não está a proteger aldrabices, mas sim a proteger contribuintes contra normas cegas, excessivas e perfunctórias.

O combate ao abuso fiscal precisa de acertar num alvo legítimo. Disparar primeiro e perguntar depois constitui doutrina aceitável em maus filmes de guerra; já num Estado de Direito, é apenas má pontaria com excesso de danos colaterais.

Ou dito de outra forma: façam-nos o favor de não abusar das cláusulas anti-abuso.

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Harry Kane sobra em campo e Inglaterra bate Croácia por 4 a 2 na Copa

Logo Agência Brasil

A Inglaterra levou a melhor sobre a Croácia, com vitória pora 4 a 2 no primeiro clássico europeu da Copa do Mundo, disputado no AT&T Stadium, na cidade de Dallas(Estados Unidos). Os Três Leões - apelido da seleção britânica - mostraram determinação em campo para buscar o segundo título mundial, após jejum de 60 anos. No jogo de abertura do Grupo L do Mundial, o atacante Hary Kane balançou a redes duas vezes para os britânicos e tornou-se o maior artilheiro do país, ao lado de Gary Lineker, com 10 gols. Bellinghan e Rashford completaram o placar dos Três Leões, enquanto Baturina e Musa descontaram para os croatas, os Xadrezistas (apelido em alusão ao uniforme).

Three points for the Three Lions 🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿#FIFAWorldCup

— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 17, 2026

Notícias relacionadas:

A Croácia começou pressionando a saída de bola dos ingleses, mas durou muito pouco. Os Três Leões apostaram em contra-ataques velozes pela direita. E logo aos 8 minutos, após cobrança de escanteio, Modric se adiantou para cortar a bola, mas acabou atingindo Madueke, filho de nigerianos nascido na Inglaterra. Após revisão do VAR, o árbitro anotou pênalti a favor dos ingleses. O camisa 9 Harry Kane cobrou duas vezes: na primeira delas, o goleiro Livakovic defendeu, mas o VAR identificou que o goleiro croata não manteve um dos pés na linha, como manda a regra. O árbitro mandou repetir, e Kane abriu placar com um chute forte, à direita de Livakovic, que caiu para o outro lado.  Musa e 

O gol motivou ainda mais os ingleses, que enfileiram contra-ataques perigosos. Num deles, aos 20 minutos, Kane deu passe para Bellingham arrancar com a bola até a área, mas o goleiro Livcokovic se adiantou e defendeu.

Aos 35 minutos, a Croácia roubou a bola próximo à intermediária e iniciou a jogada do empate. Após levantamento na área, Sucic rolou para Baturina deixar tudo igual em Dallas: 1 a 1. Mas nem deu tempo de comemorar: seis minutos depois, os Três Leões voltaram a liderar  o placar com gol de bola parada. Em jogada ensaiada, Rice cobrou escanteio na medida para Kane cabecear, ao subir sozinho vindo de trás.

E quem já aguardava o intervalo do jogo, ainda viu a Croácia arrancar novo empate último minuto do jogo, após Pasalic lançar na grande área para Perisic, que escorou para Musa marcar um golaço.

Starting strong! 💪 pic.twitter.com/iytFvfNbUr

— England (@England) June 17, 2026

No segundo tempo, logo o primeiro minuto, os ingleses voltaram a liderar o placar. A jogada começou com Elliot Anderson, que lançou para na direita para Bellinghan. O atacante arrancou, invadiu a área e chutou cruzado para o fundo da rede, apliando para 3 a 1 a vantagem dos britânicos. A partir daí, pressão total no campo da Croácia. Aos 3 minutos, após escanteio, o lateral O’Reilly cabeceia livre para o gol, mas a bola vai para fora. Seis minutos depois, O’Reilly de novo tenta fazer marcar de cabeça, mas Livakovic evita, mas dá rebote e faz outra defesa incrível.

A Inglaterra sufoca a Croácia e faz Livakoviv brilhar novamente aos 11 minutos, ao pegar um chute de Harry Kane dentro da área.

Após a parada para a hidratação, os croatas esboçaram uma reação. Aos 30 minutos, Marco Pasalic desferiu um foguete para o fundo do gol, mas o goleiro Pickford espalmou para longe. No minuto seguinte, foi a vez de Matanovic mandar um bola perigosa, e novamente o goleiro britânico fez bela defesa.

A noite era mesmo dos Três Leões. Aos 39 minutos, os ingleses selaram a vitória por 4 a 2, com linda jogada iniciada pelo atacante Saka do lado direito. Ele se livra da marcação e rola para Rashford, que invadiu a área e chutou certeiro no canto esquerdo do gol croata.

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Harry Kane sobra em campo e Inglaterra bate Croácia por 4 a 2 na Copa

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A Inglaterra levou a melhor sobre a Croácia, com vitória pora 4 a 2 no primeiro clássico europeu da Copa do Mundo, disputado no AT&T Stadium, na cidade de Dallas(Estados Unidos). Os Três Leões - apelido da seleção britânica - mostraram determinação em campo para buscar o segundo título mundial, após jejum de 60 anos. No jogo de abertura do Grupo L do Mundial, o atacante Hary Kane balançou a redes duas vezes para os britânicos e tornou-se o maior artilheiro do país, ao lado de Gary Lineker, com 10 gols. Bellinghan e Rashford completaram o placar dos Três Leões, enquanto Baturina e Musa descontaram para os croatas, os Xadrezistas (apelido em alusão ao uniforme).

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A Croácia começou pressionando a saída de bola dos ingleses, mas durou muito pouco. Os Três Leões apostaram em contra-ataques velozes pela direita. E logo aos 8 minutos, após cobrança de escanteio, Modric se adiantou para cortar a bola, mas acabou atingindo Madueke, filho de nigerianos nascido na Inglaterra. Após revisão do VAR, o árbitro anotou pênalti a favor dos ingleses. O camisa 9 Harry Kane cobrou duas vezes: na primeira delas, o goleiro Livakovic defendeu, mas o VAR identificou que o goleiro croata não manteve um dos pés na linha, como manda a regra. O árbitro mandou repetir, e Kane abriu placar com um chute forte, à direita de Livakovic, que caiu para o outro lado.  Musa e 

O gol motivou ainda mais os ingleses, que enfileiram contra-ataques perigosos. Num deles, aos 20 minutos, Kane deu passe para Bellingham arrancar com a bola até a área, mas o goleiro Livcokovic se adiantou e defendeu.

Aos 35 minutos, a Croácia roubou a bola próximo à intermediária e iniciou a jogada do empate. Após levantamento na área, Sucic rolou para Baturina deixar tudo igual em Dallas: 1 a 1. Mas nem deu tempo de comemorar: seis minutos depois, os Três Leões voltaram a liderar  o placar com gol de bola parada. Em jogada ensaiada, Rice cobrou escanteio na medida para Kane cabecear, ao subir sozinho vindo de trás.

E quem já aguardava o intervalo do jogo, ainda viu a Croácia arrancar novo empate último minuto do jogo, após Pasalic lançar na grande área para Perisic, que escorou para Musa marcar um golaço.

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No segundo tempo, logo o primeiro minuto, os ingleses voltaram a liderar o placar. A jogada começou com Elliot Anderson, que lançou para na direita para Bellinghan. O atacante arrancou, invadiu a área e chutou cruzado para o fundo da rede, apliando para 3 a 1 a vantagem dos britânicos. A partir daí, pressão total no campo da Croácia. Aos 3 minutos, após escanteio, o lateral O’Reilly cabeceia livre para o gol, mas a bola vai para fora. Seis minutos depois, O’Reilly de novo tenta fazer marcar de cabeça, mas Livakovic evita, mas dá rebote e faz outra defesa incrível.

A Inglaterra sufoca a Croácia e faz Livakoviv brilhar novamente aos 11 minutos, ao pegar um chute de Harry Kane dentro da área.

Após a parada para a hidratação, os croatas esboçaram uma reação. Aos 30 minutos, Marco Pasalic desferiu um foguete para o fundo do gol, mas o goleiro Pickford espalmou para longe. No minuto seguinte, foi a vez de Matanovic mandar um bola perigosa, e novamente o goleiro britânico fez bela defesa.

A noite era mesmo dos Três Leões. Aos 39 minutos, os ingleses selaram a vitória por 4 a 2, com linda jogada iniciada pelo atacante Saka do lado direito. Ele se livra da marcação e rola para Rashford, que invadiu a área e chutou certeiro no canto esquerdo do gol croata.

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