Após a assinatura oficial do acordo de 14 pontos entre os Estados Unidos e o Irã, líderes mundiais saudaram os esforços diplomáticos.
Uma versão física do memorando de entendimento foi assinada pelo presidente Donald Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira (17) e, segundo autoridades iranianas e paquistanesas, entrou em vigor imediatamente.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o chamado “Memorando de Entendimento de Islamabad” determina como medidas iniciais a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e o início do fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
Saiba o que disseram
O presidente francês, Emmanuel Macron, que recebeu o presidente Donald Trump para um jantar durante a Cúpula do G7, afirmou que o acordo “abre caminho para uma paz duradoura” e levará à queda dos preços da energia.
O principal diplomata da China, o ministro das Relações Exteriores Wang Yi, também saudou o acordo EUA-Irã, dizendo, em um telefonema com seu homólogo iraniano, que “chegou o alvorecer da paz“, segundo a mídia estatal chinesa.
O Paquistão, que tem desempenhado um papel de mediação nas negociações entre Washington e Teerã, também endossou o acordo, segundo o primeiro-ministro Shehbaz Sharif.
“A assinatura deste acordo no mais alto nível dos respectivos governos demonstra o compromisso de ambos os lados com uma resolução diplomática do conflito”, disse ele.
Diversos senadores democratas americanos criticaram o acordo, afirmando que é um bom negócio para o Irã, mas não para os Estados Unidos.
O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pontuou que o acordo “será considerado um dos maiores desastres americanos, e isso porque Trump começou essa guerra”, acrescentando: “ele não sabia como terminá-la”.
Em declarações à imprensa no Capitólio, a senadora Elizabeth Warren : “Eu entendo como os iranianos saem ganhando com este memorando de entendimento, mas certamente não vejo como isso ajuda uma única família americana”.
E o senador democrata da Califórnia, Adam Schiff, afirmou: “Este parece ser um ótimo acordo para o Irã e um péssimo acordo” para os EUA. “É um acordo para chegar a um acordo sobre questões futuras, mas com poucos incentivos para o Irã realmente concordar com esses termos.”
El ministro de Asuntos Exteriores de Israel, Gideon Saar, ha anunciado este jueves que rompe “todo contacto” con la jefa de la diplomacia de la UE, Kaja Kallas, por unas declaraciones recientes a puerta cerrada, que le atribuyó un medio de comunicación, en las que comparaba Israel con la Sudáfrica del apartheid, en un encuentro durante su visita a México. En un comunicado, Saar ha acusado a Kallas de “llevar tiempo actuando de forma obsesiva y con flagrante injusticia hacia el Estado de Israel” y subraya que estará vetada “hasta que se retracte de la calumnia que profirió contra el único Estado judío del mundo”.
As negociações iniciais entre os Estados Unidos e o Irã ainda devem ocorrer na estância de montanha suíça de Bürgenstock na sexta-feira (19), informou o Ministério das Relações Exteriores da Suíça, após os países assinarem uma cópia do acordo.
“Até o momento, o plano continua sendo que os EUA e o Irã, juntamente com os mediadores Paquistão e Catar e outros países envolvidos, se encontrem amanhã em Bürgenstock para as negociações iniciais sobre a implementação do acordo”, afirmou o ministério em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (18), segundo a agência de notícias Reuters.
“Nenhuma informação adicional está disponível no momento sobre a programação e os detalhes desta reunião.”
O ministério informou à CNN na quarta-feira (17) que a cerimônia de assinatura ocorrerá no resort com vista para o Lago Lucerna, e não em Genebra, como planejado inicialmente.
Cerca de dois mil soldados farão a segurança do local, e uma zona de exclusão aérea sobre a montanha Bürgenstock será imposta de 18 a 20 de junho para garantir a segurança, informou o governo suíço.
Os Estados Unidos divulgaram na quarta-feira o texto oficial do memorando de entendimento firmado com o Irã no fim de semana.
Um alto funcionário do governo americano apresentou os 14 pontos do documento, que detalha medidas para a reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio de determinadas restrições financeiras ao Irã e estabelece expectativas para tratar do programa nuclear iraniano em futuras negociações técnicas.
Intitulado “Memorando de Entendimento de Islamabad entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã”, o documento foi divulgado após críticas pelo fato de seu conteúdo não ter sido tornado público.
O memorando deverá ser formalmente assinado na sexta-feira (19), dando início a um prazo de 60 dias para a negociação dos termos finais de um acordo.
Leia os 14 pontos do acordo entre EUA e Irã na íntegra
Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã concordaram conjuntamente, de boa-fé, em [__ data], com os seguintes termos:
1 — Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã, bem como seus aliados na atual guerra, assinam este Memorando de Entendimento (MOU, na sigla em inglês) para declarar o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se, a partir de agora, a não iniciar qualquer guerra ou operação militar um contra o outro, bem como a se abster de ameaças ou do uso da força entre si, garantindo a integridade territorial e a soberania do Líbano. O acordo final confirmará o término permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, além de outras disposições previstas neste parágrafo.
2 — Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã comprometem-se a respeitar mutuamente sua soberania e integridade territorial e a não interferir nos assuntos internos um do outro.
3 — Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã comprometem-se a negociar e concluir um acordo final em um prazo máximo de 60 dias, prorrogável mediante consentimento mútuo.
4 — Imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento, os Estados Unidos iniciarão a retirada de seu bloqueio naval e de quaisquer perturbações ou impedimentos impostos à República Islâmica do Irã, comprometendo-se a encerrar completamente o bloqueio naval no prazo de 30 dias.
Durante esse período, o tráfego de embarcações será restabelecido gradualmente pela República Islâmica do Irã, em proporção aos níveis registrados antes da guerra. Os Estados Unidos também se comprometem a retirar suas forças das proximidades da República Islâmica do Irã no prazo de 30 dias após a assinatura do acordo final.
5 — Após a assinatura deste Memorando de Entendimento, a República Islâmica do Irã adotará todas as medidas possíveis para garantir, durante um período de 60 dias, a passagem segura e sem cobrança de taxas para embarcações comerciais que transitem entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, em ambas as direções.
O tráfego comercial será retomado imediatamente e, considerando a necessidade de remover obstáculos técnicos e militares, bem como realizar operações de desminagem, essas medidas serão implementadas pela República Islâmica do Irã dentro de 30 dias. O Irã também conduzirá diálogos com o Sultanato de Omã para definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, em consulta com os demais Estados costeiros do Golfo Pérsico, em conformidade com o direito internacional aplicável e com os direitos soberanos dos países litorâneos do Estreito de Ormuz.
6 — Os Estados Unidos da América, em conjunto com parceiros regionais, comprometem-se a desenvolver um plano definitivo e mutuamente acordado, no valor de pelo menos 300 bilhões de dólares, para a reconstrução e o desenvolvimento econômico da República Islâmica do Irã. O mecanismo de implementação desse plano será finalizado como parte de um acordo definitivo no prazo de 60 dias. Todas as licenças, isenções e autorizações necessárias para as respectivas transações financeiras serão concedidas pelos Estados Unidos da América.
7 — Os Estados Unidos da América comprometem-se a encerrar todos os tipos de sanções contra a República Islâmica do Irã, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA e todas as sanções unilaterais dos EUA, primárias e secundárias, de acordo com um cronograma acordado como parte do acordo final. A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América reconhecem a importância crítica da questão do fim das sanções acima mencionadas e expressam sua intenção de tratar imediatamente dessas questões nas negociações, a fim de alcançar um acordo mútuo.
8 — A República Islâmica do Irã reafirma que não buscará adquirir ou desenvolver armas nucleares. Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã concordaram em resolver a destinação do material enriquecido estocado por meio de um mecanismo a ser mutuamente acordado, conforme o cronograma mencionado no parágrafo sete, sendo que a metodologia mínima será a diluição no local, sob supervisão da AIEA.
As duas partes também concordaram em discutir a questão do enriquecimento e outros assuntos mutuamente acordados relacionados às necessidades nucleares do Irã, com base em uma estrutura satisfatória a ser definida no acordo final. O acordo final confirmará as disposições deste parágrafo. Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã reconhecem a importância crítica das questões nucleares acima mencionadas e expressam a intenção de tratá-las imediatamente nas negociações para alcançar um entendimento mútuo.
9 — Até a conclusão do acordo final, os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã concordam em manter o status quo. A República Islâmica do Irã manterá o status atual de seu programa nuclear, e os Estados Unidos da América não imporão novas sanções nem deslocarão forças adicionais para a região.
10 — Os Estados Unidos da América comprometem-se a que, imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento e até a suspensão total das sanções, o Departamento do Tesouro dos EUA emitirá isenções para a exportação de petróleo bruto iraniano, produtos petrolíferos e derivados, bem como para todos os serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros, transporte e outros.
11 — Os Estados Unidos da América comprometem-se a disponibilizar integralmente, para uso, os fundos e ativos congelados ou restritos da República Islâmica do Irã após a implementação deste Memorando de Entendimento. Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã acordarão mutuamente os procedimentos relativos à liberação desses fundos durante as negociações. Tais recursos, estejam eles mantidos na conta original ou transferidos, deverão ser totalmente utilizáveis para pagamento a qualquer beneficiário final designado pelo Banco Central da República Islâmica do Irã. Os Estados Unidos da América comprometem-se a emitir todas as licenças e autorizações necessárias nesse sentido.
12 — Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã concordam que será estabelecido um mecanismo executivo para monitorar a implementação bem-sucedida deste Memorando de Entendimento e o cumprimento futuro do acordo final.
13 — Após a assinatura deste Memorando de Entendimento, e condicionado ao início da implementação dos parágrafos 1, 4, 5, 10 e 11 deste documento, bem como à continuidade dessas medidas, os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã iniciarão negociações sobre o acordo final exclusivamente em relação aos demais parágrafos.
14 — O acordo final será endossado por uma resolução vinculante do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite de quarta-feira (17) que o acordo de paz firmado entre Washington e Teerã “não foi fácil”, ao comentar a assinatura do memorando de entendimento entre os dois países.
A declaração foi feita durante um jantar no Palácio de Versalhes, na França, oferecido pelo presidente francês, Emmanuel Macron.
“Não foi fácil”, disse Trump após assinar o documento, segundo vídeo divulgado por Macron. Em publicação nas redes sociais, o líder francês afirmou que o plano de 14 pontos “abre caminho para uma paz duradoura” e poderá contribuir para a redução dos preços da energia.
O acordo também foi recebido com entusiasmo pela China. Em conversa telefônica com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, declarou que “chegou o alvorecer da paz”.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Wang afirmou que o próximo passo será garantir que todas as partes cumpram os compromissos assumidos. Ele também destacou a importância de uma solução para a navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
Para Pequim, o entendimento entre EUA e Irã representa uma notícia positiva. Além de preservar um governo aliado da China em Teerã, a possível reabertura plena do Estreito de Ormuz reduz riscos ao abastecimento energético chinês, já que o país importa grandes volumes de petróleo e gás que passam pela hidrovia.
Acordo já está em vigor
Uma versão física do memorando de entendimento foi assinado por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira e, segundo autoridades iranianas e paquistanesas, entrou em vigor imediatamente.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, mostrando o memorando de entendimento com os EUA após assiná-lo • Ahmad Moeini Jam/IRNA
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o chamado “Memorando de Entendimento de Islamabad” determina como medidas iniciais a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e o início do fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
Sharif disse ainda que Paquistão e Catar atuarão como mediadores da próxima fase das negociações, que deverá ocorrer nas próximas semanas.
Fim imediato da guerra entre EUA, Irã e aliados, incluindo o Líbano.
Respeito mútuo à soberania e não interferência nos assuntos internos.
Prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo.
Fim gradual do bloqueio naval dos EUA e retirada de forças da região.
Reabertura do Estreito de Ormuz com passagem segura e sem taxas.
Plano de reconstrução do Irã de pelo menos US$ 300 bilhões.
Suspensão gradual das sanções impostas ao Irã.
Compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.
Manutenção do status quo até o acordo final, sem novas sanções.
Autorização para exportações iranianas de petróleo e serviços relacionados.
Liberação de ativos e fundos iranianos congelados no exterior.
Criação de mecanismo de monitoramento para fiscalizar o acordo.
Início das negociações finais após implementação das medidas iniciais.
Validação do acordo final pela ONU, por meio do Conselho de Segurança.
O memorando também prevê a criação de um mecanismo de monitoramento para acompanhar o cumprimento das medidas e a elaboração de um acordo final, que deverá ser submetido ao Conselho de Segurança da ONU.
Apesar do anúncio, o entendimento enfrenta resistência nos Estados Unidos. Parlamentares democratas criticaram o texto por considerarem que ele oferece vantagens excessivas ao Irã.
Entre os republicanos, as reações foram divididas: enquanto alguns classificaram o acordo como um erro estratégico, aliados de Trump afirmaram que o documento pode fortalecer a posição americana na região.
Autoridades dos dois países ressaltam que o memorando é apenas a primeira etapa de um processo que deverá ser aprofundado nas negociações técnicas previstas para os próximos 60 dias.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou nesta quinta-feira (18) que o país está deslocando duas embarcações para o Mar Vermelho em preparação para uma possível operação militar no Estreito de Ormuz.
“Enquanto conversamos, nosso caça-minas Fulda e o navio de apoio Mosel estão atravessando o Canal de Suez em direção ao Mar Vermelho”, disse Pistorius a jornalistas em Bruxelas, antes de uma reunião com ministros da Defesa da Otan, segundo a Reuters.
O ministro ressaltou que qualquer participação em operações de remoção de minas dependeria da autorização do Irã e de Omã. Segundo ele, a eventual missão também estará condicionada ao avanço das negociações entre Teerã e os Estados Unidos.
Questionado sobre quais países teriam oferecido apoio para uma eventual operação de remoção de minas iranianas na região, Trump respondeu: “Todos eles”.
“Os que possuem esse tipo de equipamento se comprometeram, mas todos concordaram em participar de alguma forma”, acrescentou o presidente.
O plano de paz, composto por 14 pontos e assinado por Estados Unidos e Irã, encerra os confrontos entre os dois países e abre caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O documento também inclui o compromisso de Teerã de não adquirir nem desenvolver armas nucleares, embora questões mais amplas relacionadas ao programa nuclear iraniano permaneçam sem resposta.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta quinta-feira (18) que vê com bons olhos o memorando firmado entre os Estados Unidos e o Irã.
“Recebo o acordo com satisfação. Acho que o presidente Trump fechou um bom acordo”, disse Rutte a jornalistas em Bruxelas, antes de uma reunião dos ministros da Defesa da aliança militar.
Segundo ele, o memorando ajudará a reduzir a capacidade nuclear iraniana e a restabelecer a liberdade de navegação na região.
O plano de paz, composto por 14 pontos e assinado por Estados Unidos e Irã, encerra os confrontos entre os dois países e abre caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz. O documento também inclui o compromisso de Teerã de não adquirir nem desenvolver armas nucleares, embora questões mais amplas relacionadas ao programa nuclear iraniano permaneçam sem resposta.
Rutte acrescentou que a garantia da navegação no Estreito de Ormuz não está sob responsabilidade direta da Otan. Ainda assim, afirmou que a aliança poderá colaborar caso seja solicitada.
“Se a Otan puder desempenhar algum papel, então, naturalmente, estaremos sempre dispostos a ajudar”, declarou.
Como a CNN mostrou, na quarta-feira (17), durante um jantar no Palácio de Versalhes, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou oficialmente uma cópia do acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Posteriormente, a agência de notícias estatal iraniana IRNA divulgou imagens do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinando o acordo.
Após as assinaturas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que o memorando de entendimento foi “oficialmente finalizado”, informou a missora estatal iraniana IRIB.
“Foi acordado que o memorando de entendimento Irã-EUA seria assinado digitalmente“, disse Baghaei, citado pela IRIB, acrescentando que, embora haja planos para que equipes de negociação estejam em Genebra, não haverá cerimônia de assinatura na Suíça.
O texto oficial do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã foi divulgado e gerou análises sobre sua real efetividade. Em entrevista, Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), avaliou no WW o documento e apontou que a natureza de Trump revela que o acordo provisório é, na prática, uma “aposta”.
Segundo Moita, os 14 pontos revelados no documento diferem, em parte, do que vinha circulando nas mídias iranianas — incluindo as agências Fars e Merkel, ligadas à Guarda Revolucionária —, mas não divergem significativamente dos termos que os próprios iranianos haviam declarado anteriormente. “É algo extremamente impressionante um tratado desse sair”, afirmou o professor.
O professor destacou que não há empolgação nem na região nem dentro dos próprios Estados Unidos em relação ao acordo. Moita relatou ter ouvido, em um evento fechado sobre a crise, uma frase que resume bem o momento: “Em fevereiro os Estados Unidos tentaram bombardear o Irã para uma mudança de regime e desde domingo os Estados Unidos estão tentando ganhar o Irã por meio de dinheiro para uma mudança de regime”.
Moita também chamou atenção para uma declaração de Trump feita em coletiva realizada em Evian, na França, na qual o republicano afirmou que, se o acordo desse certo, o sucesso seria dele, mas se fosse um fracasso, o problema seria de JD Vance.
“Isso também mostra a natureza do Trump de que esse acordo é uma aposta”, disse o professor. Trump teria ainda declarado que, caso o acordo não funcionasse, retomaria os bombardeios em 60 dias.
Irã “jogou bem” e obtém vitória político-ideológica
Para Moita, o acordo, de certa forma, retira a capacidade de dissuasão americana por pressão. Isso porque figuras como Mohammad Bagher Ghalibaf, Ahmad Vahid e o círculo próximo a Khamenei são consideradas muito mais endurecidas, por entenderem que sobreviveram a um ataque conjunto americano e israelense.
“Se sobreviveram a essa capacidade de todo esse poderio da maior potência militar do planeta e da maior potência militar regional, não há mais como o Irã sofrer uma pressão diferente disso”, analisou.
O professor avaliou ainda que a resistência de Trump em intensificar a campanha militar acabou encorajando o Irã, que “jogou muito duro e soube jogar muito bem”. Apesar de ser um regime combalido — que enfrentou uma guerra prejudicial em junho do ano passado, protestos dramáticos e uma economia em situação delicada —, o Irã consegue agora, segundo Moita, “talvez a mais preciosa de todas as vitórias, que é a vitória no campo político-ideológico“.
Essa conquista, concluiu o professor, pode dar uma sobrevida ao regime caso se traduza nos recursos e riquezas prometidos pelo governo Trump.
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Um novo vídeo mostra o momento em que presidente Donald Trump assina a versão impressa do acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã nesta quarta-feira (17).
Donald Trump assinou o documento pouco antes do jantar oferecido pelo presidente francês Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes. O secretário de Estado americano Marco Rubio aparece em pé atrás de Trump no momento da assinatura.
O vídeo foi publicado pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Dan Scavino, após Trump deixar Versalhes.
“Pouco antes do jantar desta noite em Versalhes, na França, oferecido pelo presidente Emmanuel Macron, o presidente Donald Trump assinou o Memorando de Entendimento com o Irã”, anunciou Scavino.
Após a assinatura, os EUA enviaram aos iranianos uma fotografia do documento assinado, informou à CNN uma autoridade americana.
De acordo com o Paquistão, que tem desempenhado um papel de mediação nas negociações entre EUA e Irã, o acordo provisório entrou em vigor imediatamente.
“Como primeiro passo, a República Islâmica do Irã reabrirá imediatamente o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos da América levantarão imediatamente o bloqueio naval”, disse o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif.
Antes disso, o vice-presidente americano JD Vance e o negociador-chefe do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, haviam assinado o memorando de modo digital, no domingo.
Além da reabertura do Estreito de Ormuz, e do fim do bloqueio dos EUA a portos iranianos, o texto do acordo afirma que o Irã não vai “adquirir ou desenvolver” armas nucleares. Em contrapartida, os americanos devem emitir licenças que permitirão ao Irã exportar petróleo, além de criar um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o país.
O Paquistão, que tem desempenhado um papel de mediação nas negociações entre EUA e Irã, endossou o memorando recém-assinado, publicou o primeiro-ministro Shehbaz Sharif no X.
“O Memorando de Entendimentos de Islamabad entrará em vigor imediatamente e, como primeiro passo, a República Islâmica do Irã reabrirá imediatamente o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos da América levantarão imediatamente o bloqueio naval”, disse Sharif, reiterando alguns pontos do texto do acordo.
O primeiro-ministro paquistanês afirmou que seu país, junto com o co-mediador Catar, sediará a cerimônia oficial marcada para sexta-feira (19) na Suíça “para comemorar este evento histórico e iniciar as negociações em nível técnico”.
“A assinatura deste acordo no mais alto nível dos respectivos governos demonstra o compromisso de ambas as partes com uma resolução diplomática do conflito”, disse Sharif.
Líderes assinaram o acordo
Mais cedo, durante um jantar no Palácio de Versalhes, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou oficialmente uma cópia do acordo entre os Estados Unidos e o Irã. A informação foi divulgada por Trump durante uma conversa com repórteres ao deixar o local.
“Está assinado […] Assinei em Versalhes, acabei de assinar”, disse Trump.
Just prior to this evenings dinner at Versailles in France, hosted by President @EmmanuelMacron—President @realDonaldTrump signed the Iran Memorandum of Understanding, once Secretary Rubio received it…
Posteriormente, a agência de notícias estatal iraniana IRNA divulgou imagens do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinando o acordo.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, mostrando o memorando de entendimento com os EUA após assiná-lo • Ahmad Moeini Jam/IRNA
Após as assinaturas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que o memorando de entendimento foi “oficialmente finalizado”, informou a missora estatal iraniana IRIB.
“Foi acordado que o memorando de entendimento Irã-EUA seria assinado digitalmente”, disse Baghaei, citado pela IRIB, acrescentando que, embora haja planos para que equipes de negociação estejam em Genebra, não haverá cerimônia de assinatura na Suíça.
O memorando de entendimento entre o Irã e os EUA foi “oficialmente finalizado” após ser assinado digitalmente por ambos os países, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, segundo a emissora estatal IRIB.
“Foi acordado que o memorando de entendimento Irã-EUA seria assinado digitalmente”, disse Baghaei, citado pela IRIB, acrescentando que, embora haja planos para que equipes de negociação estejam em Genebra, não haverá cerimônia de assinatura na Suíça.
Anteriormente, um funcionário americano havia dito que uma cerimônia formal de assinatura ocorreria na sexta-feira (19), com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance.
Segundo o próprio Ministério, o acordo entrou em vigor nesta quarta-feira.
“O memorando Irã-EUA agora está oficialmente finalizado porque ambos os lados o assinaram”, disse Baghaei.
De acordo com o porta-voz do ministério, violar o memorando “terá um custo maior” após a assinatura pelos dois presidentes, informou a IRIB.
Baghai afirmou que, se o texto for revisado agora, não haverá nada nele que já não tenha sido discutido, segundo a emissora estatal.
“Já tínhamos, mais ou menos, abordado todos esses pontos anteriormente”, disse Baghaei.
O memorando, segundo ele, enfatiza que as negociações de 60 dias se concentrarão exclusivamente na questão nuclear e no alívio das sanções.
“A sábia decisão da República Islâmica foi não negociar a questão nuclear nesta fase”, afirmou Baghaei, citado pela IRIB. “Decidiu-se que o foco deveria ser o fim da guerra, e conseguimos isso”, afirmou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou oficialmente uma cópia do acordo entre os Estados Unidos e o Irã durante o jantar desta quarta-feira (17), no Palácio de Versalhes.
A informação foi confirmada por Trump ao falar com repórteres enquanto deixava o local.
“Está assinado […] Assinei em Versalhes, acabei de assinar”, disse Trump.
Um oficial americano informou à Reuters que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também assinou o acordo nesta quarta-feira. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o acordo já está em vigor.
Trump e o vice-presidente americano, JD Vance, já haviam assinado virtualmente o Memorando de Entendimento com o Irã, disse outra alta autoridade do governo americano no início desta semana.
A fonte americana afirmou que agora Trump assinou uma cópia impressa.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, assinou o documento virtualmente pelo lado iraniano no início desta semana, disse a alta autoridade do governo.
Uma cerimônia formal de assinatura com Vance ainda deve ocorrer na sexta-feira (19), disse a autoridade americana.
Detalhes do acordo
Os Estados Unidos divulgaram nesta quarta-feira (17) o texto oficial do memorando de entendimento firmado com o Irã no fim de semana.
Um alto funcionário do governo americano apresentou os 14 pontos do documento, que detalha medidas para a reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio de determinadas restrições financeiras ao Irã e estabelece expectativas para tratar do programa nuclear iraniano em futuras negociações técnicas.
Intitulado “Memorando de Entendimento de Islamabad entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã”, o documento foi divulgado após críticas pelo fato de seu conteúdo não ter sido tornado público.
“Trata-se, fundamentalmente, de um acordo que nos permite reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz, comprometer os iranianos a destruir o material nuclear remanescente e criar um mecanismo pelo qual, se os iranianos demonstrarem um comportamento mais cooperativo, responderemos ampliando o alívio econômico e das sanções, o que pode tornar o país mais próspero”, afirmou o alto funcionário americano.
O memorando deverá ser formalmente assinado na sexta-feira (19), dando início a um prazo de 60 dias para a negociação dos termos finais de um acordo.
A CNN já havia informado anteriormente sobre uma minuta do entendimento que detalhava as condições propostas.
O texto oficial divulgado pelos Estados Unidos é semelhante ao rascunho, mas apresenta algumas diferenças de redação e faz referência a uma “metodologia mínima” para neutralizar o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido — ponto que não constava na versão preliminar.
Os termos do acordo de paz assinado digitalmente pelos EUA e o Irã foram divulgados nesta quartafeira (17). O memorando de entendimento preliminar estabelece uma folha de rota estruturada em 14 diretrizes principais, projetadas para cessar o conflito armado imediato e criar as bases para um tratado permanente no Oriente Médio em um prazo de 60 dias. A previsão é de que os países formalizem a negociação em evento nesta sexta-feira (19).
O ponto de partida do documento determina o fim imediato e permanente de todas as operações militares e frentes de combate entre as forças norte-americanas, iranianas e seus respectivos aliados. O pacto ordena explicitamente a interrupção completa dos confrontos no território do Líbano. Ambas as nações assumem o compromisso formal de abdicar do uso da força, de agressões e de ameaças mútuas, respeitando a soberania nacional e as fronteiras territoriais vigentes.
Desmobilização naval e livre circulação no Estreito de Ormuz
Para assegurar a estabilização das rotas comerciais globais, o acordo prevê a total desobstrução do Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos assumem a obrigação de suspender o bloqueio naval na região e iniciar a retirada progressiva de suas frotas e ativos militares posicionados nas proximidades das águas iranianas. Em contrapartida, o governo do Irã compromete-se a neutralizar e remover as minas navais instaladas ao longo do estreito, garantindo a livre e segura navegação da marinha mercante internacional no tráfego local dentro de um período regulamentar de 30 dias.
Programa nuclear e salvaguardas
No âmbito atômico, o Irã aceitou congelar temporariamente o enriquecimento de urânio, mantendo o seu programa nuclear estritamente nos níveis de capacidade atuais. O texto preliminar estabelece o compromisso de Teerã de não buscar o desenvolvimento ou a aquisição de armas nucleares enquanto as negociações para o tratado definitivo de paz estiverem em andamento. A definição sobre o destino final das reservas de urânio já enriquecido foi postergada e será discutida nas próximas rodadas diplomáticas.
Compensações econômicas e alívio de sanções
Como contrapartida às concessões de segurança, o rascunho dita a flexibilização das sanções financeiras impostas pelos EUA. O Departamento do Tesouro norte-americano deverá viabilizar o descongelamento gradual de ativos e fundos econômicos iranianos retidos no exterior. Além disso, o documento prevê a criação de um plano de assistência internacional voltado à reconstrução estrutural e ao fomento do desenvolvimento econômico regional, com investimentos estimados em cerca de US$ 300 bilhões.