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Arko Advice: Caso Master e pautas-bomba dominam cenário em Brasília

A questão do Banco Master segue provocando expectativa e preocupação entre os atores políticos e na mais alta Corte do país. A avaliação é de Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice. A revista Veja publicou reportagem que afeta Davi Alcolumbre, segundo a qual ele teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. Além disso, a Polícia Federal comunicou que rejeitou a proposta de acordo de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, embora uma nova proposta esteja sendo negociada com a Procuradoria-Geral da República.

Mesmo diante da possibilidade de rejeição do acordo, o caso deve continuar influenciando a disputa eleitoral de outubro, uma vez que as investigações prosseguem independentemente de qualquer acordo. Segundo Noronha, o Banco Master já produziu reflexos importantes no cenário sucessório, e ainda persistem muitas dúvidas sobre o alcance político das investigações.

No campo econômico, Noronha destacou a intensa preocupação do governo com projetos que ampliam o gasto fiscal, denominados de pautas-bomba. O Senado já aprovou uma proposta relacionada a dívidas rurais com impacto estimado em R$ 140 bilhões ao longo dos próximos 13 anos, segundo a equipe econômica, que sinalizou que Lula pode vetar o projeto ou recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso ele avance.

Houve ainda uma manifestação de Gilmar Mendes que, sem citar o projeto especificamente, defendeu que medidas que ampliem despesas públicas sejam acompanhadas das respectivas fontes de financiamento. A agenda legislativa segue intensa, apesar da proximidade com o calendário eleitoral.

Hugo Mota anunciou a intenção de votar na semana de 15 a 19 de junho, um projeto de lei de autoria do governo que trata das especificidades de determinadas categorias profissionais no contexto do debate sobre o fim da escala 6×1. O objetivo, segundo Noronha, é destravar a pauta da Câmara, já que o projeto tramita em regime de urgência constitucional. Entre as propostas que Hugo Mota pretende votar estão o projeto que aumenta o faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) — classificado pela equipe econômica como pauta-bomba por ter impacto fiscal estimado em cerca de R$ 50 bilhões — e o projeto sobre inteligência artificial.

No Senado, a expectativa recai sobre a Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1. Davi Alcolumbre continua demonstrando resistência ao projeto, enquanto o governo insiste para que a matéria avance o mais rapidamente possível.

Judiciário, economia e agenda externa

No âmbito do Judiciário, Noronha destacou um julgamento previsto para a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal envolvendo Eduardo Bolsonaro. O caso decorre de declarações públicas e postagens em redes sociais nas quais ele afirmou ter atuado para incentivar sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo, a PGR e a Polícia Federal. A tendência, segundo Noronha, é que ele seja condenado, gerando mais desgaste no campo bolsonarista.

Na agenda econômica, está prevista a reunião do Banco Central para decidir a taxa de juros, com expectativa de nova redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Pesquisas eleitorais também devem ser divulgadas, com pelo menos dois levantamentos já registrados, do BTG Pactual e do CNT-MDA. No plano externo, Lula viaja para a França para participar da reunião do G7, ocasião em que pretende conversar com Donald Trump sobre tarifas — tema que também se tornou objeto de disputa eleitoral, inclusive com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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Perda de apoio dos EUA é maior risco para Israel, diz professor ao WW

A possível perda do apoio dos Estados Unidos representa o principal risco estratégico para Israel no cenário internacional, segundo avaliação de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) e de Relações Internacionais da FGV (Fundação Getulio Vargas), em entrevista ao WW Especial, da CNN Brasil.

Ao analisar os desafios enfrentados pelo Estado israelense, Vieira, que também leciona no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), afirmou que questões internas, como as mudanças demográficas em curso no país, são relevantes, mas não suficientes, isoladamente, para ameaçar sua continuidade.

“O grande risco está do outro lado do Atlântico Norte”, afirmou. Segundo ele, uma eventual mudança no ambiente político americano pode reduzir significativamente o apoio histórico dado a Israel por Washington.

Vieira destacou que pesquisas apontam uma crescente resistência entre eleitores democratas ao apoio irrestrito dos Estados Unidos ao governo israelense. “Até três quartos dos eleitores democratas são contra, não vou dizer absolutamente, mas têm, no mínimo, um apoio crítico em relação aos Estados Unidos continuarem a apoiar Israel”, disse.

O professor também chamou atenção para transformações dentro da base republicana ligada ao Maga (Make America Great Again, sigla em inglês para “Faça a América Grande Novamente”), movimento político fundado por Trump.

Segundo ele, há um componente identitário relevante nesse grupo, associado à ideia de retorno a uma América definida por valores brancos, anglo-saxões e protestantes.

“Tem todo esse debate sobre os judeus serem considerados brancos ou não no contexto americano. Até 1945, eles eram super excluídos das universidades, não podiam entrar nas instituições de maior prestígio e estavam totalmente isolados do mainstream americano”, explicou.

Na avaliação do especialista, tanto democratas quanto republicanos podem, por razões distintas, representar desafios para a relação entre Washington e Tel Aviv no futuro.

“Caso os democratas voltem ao poder, haverá essa oposição por outro caminho. A ideia de que Israel não é mais um aliado confiável porque quer, em primeiro lugar, satisfazer interesses extremamente ideológicos e religiosos”, destacou.

Ao mesmo tempo, ele argumentou que setores do movimento conservador americano também podem rever sua posição em relação a Israel a partir de uma agenda política cada vez mais voltada para questões identitárias internas.

“O risco é de ambos os lados. Tanto o caminho republicano quanto o caminho democrata são pouco promissores para Israel, caso o país continue nessa toada”, avaliou.

Por fim, Vieira ressaltou que as mudanças demográficas em Israel ampliam os incentivos para a manutenção da atual trajetória política do país. Segundo ele, a população ortodoxa israelense cresceu de forma acelerada nas últimas décadas.

“Hoje a população ortodoxa seria de 14% a 15%, sendo que, no começo do século, era 7%. Ou seja, duplicou em 25 anos e continua aumentando”, concluiu.

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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Análise: Trump diz que guerra com o Irã acabou

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Pressão criou condição para EUA e Irã quererem fim da guerra, diz professor

Um possível acordo provisório de paz entre Estados Unidos e Irã pode ser assinado nos próximos dias, segundo análise do professor de Relações Internacionais Danny Zahreddine, ao WW.

Para ele, a pressão econômica mútua entre os dois países criou uma condição favorável para que ambos os lados busquem uma saída do conflito.

Zahreddine destacou que, desta vez, há um elemento novo que diferencia o atual momento das declarações anteriores sobre um possível entendimento.

“O posicionamento público do ministro das Relações Exteriores, o Abbas Araghchi, dizendo que eles não chegaram tão perto quanto chegaram agora”, foi apontado pelo professor como um sinal relevante de avanço nas negociações.

Pressões econômicas de ambos os lados

O professor explicou que a pressão imposta pelos americanos aos portos iranianos, impedindo o Irã de exportar petróleo pelo Golfo Pérsico, combinada com as pressões que os próprios Estados Unidos enfrentam em razão dos preços do petróleo e dos fertilizantes, criou um cenário em que os dois lados têm interesse em resolver o impasse.

Segundo Zahreddine, os termos do acordo já estariam prontos há mais de duas semanas, e a questão era apenas o timing escolhido pelos americanos para anunciá-lo como uma vitória política.

Divisões internas no governo iraniano

Zahreddine também chamou atenção para as tensões internas no governo iraniano.

De um lado, a linha mais dura, ligada à Guarda Revolucionária, se opõe a qualquer acordo que considere desfavorável, preferindo uma postura de confronto total.

Do outro, uma ala mais moderada e reformista, representada pelo próprio Araghchi, enxerga o protocolo de entendimento como uma vitória razoável.

Essa divisão interna representa um dos principais desafios para a conclusão do acordo.

Apesar do otimismo cauteloso, o professor ressaltou que o presidente americano, Donald Trump, já afirmou, por quase 40 vezes desde abril, que um acordo estava prestes a ser assinado.

Por isso, Zahreddine concluiu que é necessário aguardar a semana seguinte para uma avaliação mais precisa sobre a real possibilidade de um entendimento definitivo entre os dois países.

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Defesa de Vorcaro pressiona PF com jogada “desesperada”, diz especialista

O caso envolvendo Daniel Vorcaro e a possibilidade de uma delação premiada ganhou novos contornos após o que especialistas descrevem como uma manobra da defesa do ex-banqueiro.

Para Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, o vazamento de informações e a ventilação de possíveis novos nomes — majoritariamente políticos — configuram uma jogada “desesperada” para pressionar as autoridades competentes.

Em entrevista ao WW nesta sexta-feira (12), Barreto avaliou que a estratégia da defesa de Vorcaro visava pressionar a PF (Polícia Federal) e a  PGR (Procuradoria-Geral da República) a aceitarem o acordo de delação premiada do ex-banqueiro.

Comparação com a Lava Jato

Para contextualizar a situação, Barreto recorreu à Operação Lava Jato como parâmetro de análise. Segundo ele, existe no histórico recente do país o exemplo de “uma operação um pouco descontrolada, de ataques sem uma estrutura hierárquica, os políticos empurrando uns aos outros em direção ao foco para conseguirem se livrar”.

Em contraposição, o especialista descreveu um modelo investigativo oposto: “uma investigação e um processo de apuração top-down, controlado com seus efeitos dosados”, no qual os envolvidos chegariam a estabelecer um cronograma para a divulgação de informações.

Sensação de controle que se desfez

Barreto relatou que, até recentemente, havia em Brasília a percepção de que o caso caminhava para um desfecho mais controlado.

Nesse cenário, o próprio Vorcaro estaria, nas palavras do especialista, “enrolando as organizações”, possivelmente após receber um recado para “segurar a onda” e, assim, conseguir se livrar da situação posteriormente. Essa sensação, no entanto, teria sido abalada pelos acontecimentos mais recentes.

O que se viu a partir de determinado momento, segundo Barreto, foi um vazamento atribuído, nos bastidores, à própria defesa de Vorcaro.

A estratégia teria consistido em especular sobre a existência de outros políticos envolvidos — incluindo o presidente do Senado e uma ala do PT — “de certa maneira para criar algum tipo de frisson na opinião pública, na imprensa para que a Polícia Federal, as instituições fossem pressionadas a aceitar” o acordo.

Para o especialista, trata-se de “uma jogada um pouco desesperada, talvez, da defesa”, que reacendeu o risco de o processo “perder o controle novamente com vazamentos”.

Barreto resumiu o momento como um limiar em que o país pode “entrar num bang-bang onde as instituições perdem um pouco o controle desse processo de investigação e de apuração”.

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