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“Como escolher produtos duráveis, reparáveis e recicláveis que me ajudem a poupar?”

5 June 2026 at 19:18

CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO

“Que cuidados devo ter para escolher produtos que durem mais, sejam reparáveis, possam ser reciclados e me ajudem a poupar?”

A DECO INFORMA… 

Consumir de forma consciente é um ato de cidadania. Ao escolher melhor, está a proteger o ambiente, a poupar recursos, poupar dinheiro e a contribuir para um futuro mais justo e sustentável.  Evite o consumo excessivo e o desperdício pela saúde das suas finanças e do Planeta. 

A DECO, através do seu projeto TUDO A QUE TEM DIREITO, quer garantir que todos os cidadãos recebem informação, apoio, aconselhamento e, quando necessário, ajuda na resolução dos seus problemas de consumo. 

Para que as suas escolhas sejam sustentáveis e não por impulso, a DECO deixa-lhe algumas ideias práticas para comprar conscientemente: 

  1. Porque é tão importante consumir de forma sustentável:  

Produtos de uso único ou descartáveis, difíceis de reparar ou pouco eficientes geram uma grande quantidade de resíduos, aumentam a poluição e, a longo prazo, acabam por sair mais caros. Optar por artigos duráveis, reparáveis e recicláveis ajuda a cuidar do ambiente e a promover negócios mais responsáveis. 

  1. Antes de comprar, questione-se: 

Preciso mesmo deste produto? 

É durável e pode ser reparado? 

Existem peças de substituição disponíveis? 

É eficiente em termos energéticos? 

Há alternativas em segunda mão ou recondicionadas? 

  1. Reparar é um direito: 

Mesmo fora do prazo de garantia, os produtos devem poder ser reparados.  

Exige sempre um orçamento escrito e um comprovativo do arranjo, pois esse serviço tem garantia. 

Reparar prolonga a vida útil dos produtos, reduz resíduos e poupa dinheiro. 

  1. Atenção ao greenwashing  

Nem todas as mensagens publicitárias “verdes” são verdadeiras.  

Desconfie de palavras vagas como “eco” ou “natural” sem provas, compare informação e procure fontes de informação credíveis. 

DICA DECO: Adote os 5R do consumo responsável!  

Recusar o que é desnecessário  

Reduzir o consumo excessivo  

Reutilizar sempre que possível  

Reparar em vez de substituir  

Reciclar corretamente 

Não se esqueça de que pequenos gestos no dia a dia fazem uma grande diferença quando todos participam. Seja um cidadão mais ativo, interventivo e participativo. Acompanhe o projeto da DECO – TUDO A QUE TEM. 

Este projeto é cofinanciado pela União Europeia, através do Single Market Programme

 Leia também: “Anúncios fraudulentos financeiros online: que medidas estão a ser tomadas?”

Ria Formosa inspira novo festival que estreia em julho em Olhão

5 June 2026 at 18:10

O novo festival Olhão South Jazz será apresentado à comunidade no próximo dia 9 de junho, pelas 19:30, no Parque Ribeirinho Poente, numa sessão aberta ao público que pretende revelar os primeiros detalhes daquela que será uma das novas apostas culturais do concelho.

A apresentação decorrerá ao pôr do sol e contará com a participação de um artista convidado, proporcionando uma antevisão do ambiente que marcará a primeira edição do festival, agendada para os dias 24 e 25 de julho, no mesmo espaço.

Segundo a organização, o evento de lançamento servirá para dar a conhecer o conceito do Olhão South Jazz, apresentar as primeiras novidades da programação e convidar a população a integrar este novo projeto cultural.

Com a Ria Formosa como pano de fundo, o festival nasce como uma nova proposta cultural de verão, combinando música ao vivo, experiências ao ar livre e valorização do território.

Cartaz reúne nomes reconhecidos da música nacional

A programação do Olhão South Jazz será construída através de uma curadoria artística orientada para a valorização da música, da identidade local e da experiência do público.

O cartaz da primeira edição contará com artistas nacionais ligados ao jazz e a outras sonoridades, procurando atrair diferentes públicos. Entre os nomes já confirmados encontram-se Júlio Resende, Áurea, a Orquestra de Jazz do Algarve e Sara Badalo.

Além dos concertos, o recinto integrará diferentes espaços temáticos, incluindo palco principal, palco Cantaloupe, zona lounge, área de restauração, bar, photospot e várias zonas de ativação.

A organização pretende criar uma experiência diferenciadora, marcada por um ambiente elegante e pela proximidade entre artistas, público e território.

Festival aposta na criatividade e identidade algarvia

Uma das novidades da estreia do Olhão South Jazz será a integração do Ria Market, uma área dedicada ao artesanato, às marcas independentes e aos projetos locais, reforçando a ligação do evento à criatividade e à identidade cultural do Algarve.

Com esta nova iniciativa, a organização pretende acrescentar uma nova referência ao calendário cultural da região e consolidar a imagem de Olhão como um destino associado à cultura, à música e aos eventos ao ar livre.

A organização convida ainda a população a participar na apresentação pública do festival e a “descobrir, em primeira mão, o que está a ganhar ritmo em Olhão”.

Leia também: Sul de Portugal vai ficar ‘à pinha’ no verão? Turismo do Algarve admite não ter subido preços

Novo festival de jazz promete animar a frente ribeirinha de Olhão

5 June 2026 at 17:22

Olhão prepara-se para receber um novo evento dedicado à música, com a estreia do Olhão South Jazz, um festival novo que será apresentado publicamente no próximo dia 9 de junho, numa sessão aberta à comunidade no Parque Ribeirinho Poente.

O momento de lançamento decorrerá ao final da tarde e incluirá uma atuação especial, servindo de antevisão à primeira edição do festival, agendada para os dias 24 e 25 de julho de 2026. A iniciativa pretende afirmar-se como uma nova proposta cultural de verão, tendo como cenário a Ria Formosa e apostando na combinação entre música ao vivo, lazer e valorização do território.

O cartaz contará com artistas de referência ligados ao jazz e a outras sonoridades contemporâneas, estando já confirmadas as presenças de Júlio Resende, Áurea, da Orquestra de Jazz do Algarve e de Sara Badalo. A programação foi concebida para atrair diferentes públicos e proporcionar uma experiência diversificada ao longo dos dois dias.

Além dos concertos, o recinto incluirá várias áreas temáticas dedicadas ao convívio, gastronomia e entretenimento, procurando criar um ambiente diferenciador junto à frente ribeirinha da cidade. O festival integrará também o Ria Market, espaço destinado à promoção de artesanato, projetos criativos e marcas independentes da região.

Com esta nova aposta cultural, a organização pretende reforçar a oferta de eventos em Olhão e consolidar a cidade como um dos destinos de referência para iniciativas culturais ao ar livre durante o verão algarvio.

Faro lança programa para reduzir resíduos enviados para aterro

5 June 2026 at 16:40

A Fagar assinala o Dia Mundial do Ambiente com o lançamento do programa A.Tua Cidade – Recolha Seletiva de Biorresíduos em Faro, uma iniciativa que pretende reforçar a separação de resíduos na origem, reduzir a deposição em aterro e promover uma gestão mais sustentável dos recursos no concelho.

O projeto integra um conjunto de soluções adaptadas às diferentes realidades do território, incluindo compostagem doméstica, recolha porta a porta para habitações e estabelecimentos comerciais, contentores de acesso controlado, ecocentros móveis e sistemas de compostagem comunitária nas ilhas da Culatra e do Farol.

A iniciativa é financiada pelo Fundo Ambiental e pelo programa Algarve 2030, surgindo numa altura em que a gestão dos resíduos urbanos continua a representar um dos principais desafios ambientais do município.

Mais de 80% dos resíduos produzidos em Faro continuam indiferenciados

Dados divulgados pela Fagar revelam que, em 2025, o concelho de Faro produziu 41.337 toneladas de resíduos urbanos. Deste total, 33.735 toneladas corresponderam a resíduos indiferenciados, representando cerca de 82% dos resíduos gerados.

Já os resíduos recicláveis totalizaram 5.976 toneladas, números que evidenciam a necessidade de reforçar a separação na origem e aumentar a valorização dos materiais recicláveis, evitando o seu encaminhamento para aterro.

Para Pedro Coelho, presidente do Conselho de Administração da Fagar, “o aumento crescente da produção de resíduos obriga a repensar a estratégia de gestão de resíduos no concelho”.

O responsável alerta ainda para a capacidade limitada dos aterros da região, sublinhando que “os aterros sanitários da região dispõem de apenas sete anos de vida útil”, considerando que a redução da produção de resíduos e do volume de resíduos indiferenciados enviados para aterro será determinante para a sustentabilidade futura do Algarve.

Projeto arranca em Santa Bárbara de Nexe

Segundo Pedro Coelho, a adoção de práticas de reutilização e de uma separação eficaz dos resíduos alimentares, verdes e das embalagens poderá representar um potencial de desvio de aterro de quase 75% dos resíduos produzidos no concelho.

O responsável reforça que “reduzir o indiferenciado é uma responsabilidade coletiva, de famílias e empresas, e um passo essencial para um concelho mais sustentável”.

A primeira sessão do programa está agendada para o próximo dia 6 de junho, às 11:00, na Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, no âmbito do projeto de compostagem doméstica, marcando o arranque das ações de proximidade junto da população.

No Dia Mundial do Ambiente, a Fagar apela ainda “à colaboração de todos para a adoção de comportamentos mais sustentáveis no dia a dia, através da redução do desperdício, da reutilização sempre que possível e da correta separação dos resíduos”.

Com o programa A.Tua Cidade, a empresa municipal pretende aumentar a participação da comunidade na gestão sustentável dos resíduos e contribuir para uma redução significativa da quantidade de materiais enviados para aterro.

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Atletismo: Isaac Nader segundo nos 1500 metros da Liga Diamante de Rabat

5 June 2026 at 15:13

 

Créditos: JN

O atleta português Isaac Nader, campeão do Mundo, terminou na segunda posição os 1500 metros da etapa de Rabat da Liga Diamante, com a sua melhor marca do ano.

O atleta do Benfica correu em 3.30,43 minutos, mais de dois segundos abaixo da sua anterior melhor marca de 2026 (3:32.44), numa corrida ganha pelo norte-americano Yared Nuguse, com um novo recorde do meeting (3.30,35), com o francês Azeddine Habz a ser terceiro, em 3.30,68.

Na sua estreia em etapas da Liga Diamante, José Carlos Pinto, que, devido ao cancelamento do seu voo, só chegou hoje a Rabat, terminou na 14.ª posição, em 3.33,94 minutos.

Na prova feminina, Patrícia Silva terminou na quarta posição, com um novo recorde pessoal, de 4.00,40 minutos, superando em quase dois segundos a sua anterior melhor marca, que era de 4.02,23, conseguida em 20 de maio.

Salomé Afonso conseguiu a sua melhor corrida de 2026, com 4.01,84 minutos, ainda a mais de dois segundos do recorde pessoal (3.59,32).

A etíope Freweyni Hailu venceu em 3.58,25 minutos, à frente da compatriota Haregeweyni Kalayu (3.59,28) e da francesa Agathe Guillemot (3.59,60).

Liliana Cá foi oitava no lançamento do disco, com uma marca de 61,87 metros, à segunda tentativa, ficando a três centímetros da sua melhor marca do ano, mas ainda longe do seu recorde pessoal de 66,40.

Terceira nos Europeus de 2024, a atleta do Sporting conseguiu ainda mais dois lançamentos acima dos 60 metros (60,46 e 61,57), além de dois nulos, num concurso ganho pela norte-americana Valarie Sion, com 68,75, um novo recorde do meeting, seguida da neerlandesa Jorinde van Klinken (66,72) e da compatriota Laulauga Tausaga (65,94).

JN/MS

Nova funcionalidade da Segurança Social promete pagamentos mais rápidos: veja o que muda

5 June 2026 at 13:40

A Segurança Social lançou uma funcionalidade que promete tornar os pagamentos mais rápidos e diretos. A principal mudança está na eliminação de uma etapa que, até agora, fazia parte do processo: deixa de ser necessário emitir previamente um documento de pagamento.

De acordo com o Notícias ao Minuto, que cita informação divulgada pelo Instituto da Segurança Social, os utilizadores passam a poder aceder ao Portal da Segurança Social, selecionar os valores que pretendem liquidar e gerar as referências diretamente no ecrã.

Referências aparecem no momento

Com esta alteração, o processo passa a ser feito de forma mais imediata. Em vez de emitir primeiro um documento físico ou em PDF, o utilizador escolhe os montantes a pagar e recebe logo as referências necessárias para avançar com a liquidação.

Os canais de pagamento habituais mantêm-se disponíveis. Assim, continua a ser possível pagar através de Multibanco, MB WAY ou transferência por IBAN. Segundo o Instituto da Segurança Social, a mudança dá mais autonomia aos utilizadores e torna o procedimento menos dependente de documentos intermédios.

Comprovativo segue para a Inbox

Depois de o pagamento ser reconhecido, o comprovativo é enviado para a Inbox do utilizador na Segurança Social Direta. Ainda assim, quem quiser guardar a informação pode descarregar um PDF com as referências geradas.

A funcionalidade está também disponível na aplicação da Segurança Social, permitindo efetuar pagamentos através do telemóvel. A medida pode ser útil para quem precisa de liquidar valores em mobilidade, sem recorrer ao computador. Na prática, a novidade concentra o processo no essencial: escolher os valores, gerar referências e pagar pelos canais disponíveis.

O que muda para quem paga

A principal diferença está na simplificação do percurso. O utilizador deixa de ter de criar um documento antes de avançar para o pagamento e passa a obter as referências no momento. Esta alteração pode reduzir dúvidas e tornar o processo mais intuitivo, sobretudo para quem tem valores a regularizar junto da Segurança Social. Segundo a nota citada pelo Notícias ao Minuto, a nova experiência pretende ser mais direta, sem documentos intermédios e com referências disponíveis a qualquer momento.

Calendário de junho já é conhecido

Além desta novidade, a Segurança Social já divulgou o calendário de pagamentos das prestações sociais para junho. Este calendário permite aos beneficiários saber quando recebem pensões, subsídios e outros apoios.

O apoio às rendas é pago a 5 de junho. As pensões, o Complemento Solidário para Idosos, o Reembolso de Despesas de Funeral e a Prestação Social para a Inclusão são pagos a 8 de junho. A 16 de junho é feito o primeiro pagamento de desemprego, doença, parentalidade e ação social, bem como das prestações familiares.

Outros apoios pagos até ao fim do mês

O Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores é pago a 19 de junho. Já o Rendimento Social de Inserção e o Fundo de Garantia Salarial têm pagamento previsto para 23 de junho. O calendário termina a 26 de junho, com o segundo pagamento de desemprego, doença, parentalidade e ação social. Nesse mesmo dia será também pago o Subsídio de Apoio ao Cuidador Informal.

Para quem recebe apoios, estas datas ajudam a organizar o orçamento mensal. Para quem tem valores a pagar, a novidade está num processo mais simples, com referências geradas diretamente no portal ou na aplicação.

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“Ho scoperto di avere un linfoma di Hodgkin all’ottavo mese di gravidanza. Dopo il parto ho iniziato la chemioterapia, ce la devo fare per le bimbe”: così Natalia Paragoni

5 June 2026 at 12:37

“Tutto è iniziato il 27 aprile con una telefonata che mi ha cambiato la vita”. Con queste parole l’influencer Natalia Paragoni rivela di aver ricevuto la diagnosi di un linfoma di Hodgkin durante l’ottavo mese di gravidanza. Attraverso un post pubblicato su Instagram, accompagnato da un’immagine scattata in un letto d’ospedale, Paragoni rompe il silenzio delle ultime settimane e ufficializza l’inizio del trattamento chemioterapico intrapreso dopo la nascita della figlia Beatrice.

La diagnosi durante la maternità

Nel suo messaggio, Paragoni ripercorre il momento della comunicazione medica e l’impatto sulla gravidanza in corso: “Ero incinta all’ottavo mese, dentro di me cresceva la piccola Beatrice e io avrei dovuto pensare solo alla sua nascita. Invece, una notizia inaspettata ha trasformato quel periodo di attesa e felicità in un tempo di paura, domande e incertezza”. La necessità di elaborare la diagnosi ha portato all’allontanamento dai social, una circostanza che lei stessa motiva nel testo: “Oggi vi racconto il motivo dei miei silenzi di quest’ultimo mese. Mi è stato diagnosticato un linfoma di Hodgkin e, dopo aver dato alla luce Beatrice, ho iniziato il percorso di chemioterapia“. Un arco temporale segnato dal contrasto tra l’arrivo della figlia e la patologia: “In questo mese ho provato dolore, paura e ho pianto tantissimo, quando invece avrei dovuto solo gioire”.

La rete familiare e il post di Andrea Zelletta

Paragoni sottolinea il ruolo del supporto ricevuto nell’affrontare la situazione clinica: “Mi sono fatta mille domande e ci sono stati momenti davvero difficili. Per fortuna, però, non sono mai stata sola”. Il riferimento è ai legami più stretti: “Ho avuto accanto tutta la mia famiglia, nessuno escluso: Andrea, i miei genitori e gli amici più cari mi hanno dato forza, amore e sostegno ogni giorno, e vi assicuro che non è una cosa scontata”. A questo si somma l’attaccamento alle figlie: “E poi ci sono le mie bambine che, con il loro amore e i loro sorrisi, riescono a darmi una forza immensa”. A pochi minuti di distanza dal post, anche il compagno Andrea Zelletta ha condiviso una fotografia scattata all’interno della struttura ospedaliera, commentando il quadro clinico: “In questo ultimo periodo ho visto la donna che amo affrontare qualcosa di enorme. L’ho vista avere paura, piangere, sentirsi fragile… ma non smettere mai di essere una mamma straordinaria, una compagna incredibile e la persona più forte che io conosca”. Il messaggio si conclude confermando l’impegno ad affiancarla: “Non importa quanto sarà lunga o difficile questa strada, la affronteremo insieme. Passo dopo passo. E torneranno giorni leggeri. Ne sono sicuro”.

Le prospettive cliniche

La dichiarazione di Paragoni termina affrontando il percorso terapeutico appena iniziato: “Adesso dovrò affrontare un nuovo viaggio. Non so ancora cosa mi aspetta, ma so che ce la devo fare e ce la farò. Per le mie bimbe. Per le persone che amo. Ma soprattutto per me”. La decisione di rendere pubblica la malattia è maturata al termine di un iter privato e personale: “Avevo bisogno di tempo prima di raccontarlo, ma oggi sento di volerlo condividere con voi con sincerità. Un passo alla volta”.

L'articolo “Ho scoperto di avere un linfoma di Hodgkin all’ottavo mese di gravidanza. Dopo il parto ho iniziato la chemioterapia, ce la devo fare per le bimbe”: così Natalia Paragoni proviene da Il Fatto Quotidiano.

“Peixes do Arquipélago da Madeira”: livro será lançado na segunda-feira

5 June 2026 at 12:16
Vai ter lugar, na segunda, 8 de junho de 2026, pelas 11:30, na Sala da Assembleia Municipal do Funchal, o lançamento do livro “Peixes do Arquipélago da Madeira”, da autoria dos biólogos Manuel José Biscoito e Helena Paula Encarnação, numa edição da CM. Neste guia, destinado ao público em geral, são ilustradas 195 espécies, organizadas […]

Armas biológicas em mãos erradas: um perigo da IA

By: ZAP
5 June 2026 at 11:21
Responsáveis de Google, Microsoft ou OpenAI, além de especialistas, deixam o apelo: atenção às compras de ADN sintético. O ADN sintético é um material genético produzido artificialmente. Pode ser feito à medida por empresas – mas também pode ser encomendado pela internet. É essencial na criação de medicamentos que salvam vidas, ajuda a modificar microorganismos e a armazenar grandes quantidades de dados digitais. O facto de ser comprado online acelerou o desenvolvimento de vacinas, impulsionou a investigação básica e permitiu que equipas pequenas acedessem a capacidades que só grandes instituições tinnham. Mas, ao ser encomendado pela internet (confirmado por empresas),

Rapé no Brasil em 2026: tradição, saúde e uso responsável

5 June 2026 at 11:14

O rapé ocupa um lugar sensível no encontro entre espiritualidade contemporânea e saberes indígenas. Em centros urbanos, rodas de canto, cerimônias e práticas de autoconhecimento têm incorporado o rapé como elemento de conexão, concentração e “limpeza” simbólica.

Ao mesmo tempo, trata-se de um produto que, em muitas composições, contém tabaco, com nicotina e outras substâncias associadas a riscos reconhecidos pela saúde pública.

Em 2026, esse debate ganha densidade por duas razões práticas. A primeira é sanitária: o Brasil volta a discutir com mais ênfase o controle de produtos de nicotina, em meio ao avanço de novos formatos e à intensificação de ações de fiscalização pela Anvisa em diferentes frentes.

A segunda é cultural: órgãos públicos ampliaram a discussão sobre proteção de conhecimentos tradicionais indígenas, tema que atravessa diretamente o uso de “medicinas da floresta” fora do contexto original.

A seguir, o tema é explicado com rigor e acessibilidade, separando cultura, riscos, legislação sanitária e critérios de cuidado.

Rapé: o que é, o que não é e por que a composição importa?

Rapé é um pó fino tradicionalmente utilizado por diferentes povos indígenas, com modos de preparo e finalidades que variam entre etnias e territórios. No contexto urbano, porém, o termo também passou a nomear misturas comercializadas com composições diversas.

Do ponto de vista sanitário, a questão central é objetiva: quando há tabaco (Nicotiana tabacum ou outras espécies do gênero), há nicotina, substância psicoativa com potencial de dependência. A Anvisa classifica o rapé como “tabaco inalável” e destaca que, mesmo sem fumaça, continua sendo derivado do tabaco e, portanto, não é isento de danos.

A composição também pode incluir cinzas vegetais e outras plantas. Esse detalhe é relevante porque pH, granulometria e aditivos influenciam irritação de mucosas e velocidade de absorção de nicotina, alterando tanto a experiência quanto o risco.

O que a saúde pública diz sobre tabaco sem fumaça e tabaco inalável?

Parte do imaginário coletivo associa risco do tabaco apenas à combustão e à fumaça. Essa ideia é incompleta. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que produtos de tabaco que não produzem fumaça também estão associados a danos e podem ser fator de risco para cânceres na região de cabeça e pescoço, entre outros agravos.

No caso do rapé, a via de administração adiciona um componente específico: o contato direto com a mucosa nasal. Estudos clínicos com “nasal snuff” (categoria internacional próxima ao rapé, embora não idêntica culturalmente) descrevem associação com alterações na mucosa e quadros de rinite crônica em usuários de longo prazo. Mesmo quando não há um desfecho grave imediato, irritação persistente, congestão e sangramentos nasais podem ser sinais de que o corpo não está tolerando o estímulo.

Outro eixo de risco é a dependência. A nicotina tem ação no sistema nervoso e efeitos cardiovasculares agudos, como aumento de frequência cardíaca e pressão arterial, descritos em revisões científicas. Isso não significa que toda pessoa terá um evento adverso, mas reforça a necessidade de triagem e prudência, sobretudo em perfis com condições clínicas pré-existentes.

Por que 2026 o debate foi ampliado? Regulação, fiscalização e novos formatos de nicotina

Embora rapé e sachês de nicotina sejam produtos distintos, o pano de fundo regulatório é o mesmo: o controle de derivados do tabaco e nicotina. Em 2025 e 2026, a agenda pública de controle do tabaco voltou ao centro por três movimentos principais:

  1. Advertências e rotulagem: o país passou a conviver com a implementação de novas advertências sanitárias para derivados do tabaco, consolidando a lógica de comunicação de risco;
  2. Pressão regulatória e fiscalização: a Anvisa e outros órgãos reforçaram ações contra comercialização irregular de produtos de nicotina, com foco em canais digitais e distribuição;
  3. Debate global: discussões ligadas à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (OMS) mantiveram o tema “novos produtos” e “tabaco sem fumaça” em evidência.

Nesse contexto, falar de rapé de modo responsável requer evitar dois extremos: tratar como “inofensivo por ser natural” ou reduzir a prática a um estigma. O caminho mais seguro é informação qualificada e respeito cultural.

Riscos e cuidados práticos em contextos ritualísticos e urbanos

Em práticas espiritualizadas, costuma-se enfatizar intenção, canto, sopro e condução. Ainda assim, existem elementos práticos que reduzem risco e ajudam a evitar problemas previsíveis.

Triagem de saúde e atenção a contraindicações

Há perfis em que a prudência precisa ser maior. Gestantes, lactantes, pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensão não controlada, arritmias, histórico de AVC, além de indivíduos com rinite severa, sinusites de repetição ou lesões na mucosa nasal, podem ter maior chance de eventos adversos ou agravamento de sintomas.

Nesse ponto, a recomendação editorial é direta: a decisão não deve ser tomada apenas por “relato de experiência” de terceiros. Quando existe qualquer dúvida clínica, a orientação é buscar avaliação profissional.

Para uma visão organizada do tema, com recortes de quem deve evitar e quais sinais de alerta merecem atenção, a leitura de segurança e contraindicações do uso de rapé ajuda a estruturar o cuidado de forma mais objetiva. Em especial, esse tipo de material é útil para facilitadores e casas que desejam construir protocolos mínimos de segurança, sem desrespeitar a dimensão cultural da prática.

Procedência, armazenamento e risco de contaminação

Além do tabaco em si, há um tema pouco discutido fora de círculos especializados: qualidade e procedência. Por ser um pó fino, o rapé pode sofrer contaminação por umidade, fungos ou impurezas se for mal armazenado. Em contextos urbanos, onde a cadeia de produção pode ser longa, rastreabilidade e práticas de higiene na manipulação tornam-se parte do “uso responsável”.

Dose, frequência e o problema do “uso automático”

Outra diferença importante entre contexto tradicional e consumo urbano é a repetição. Em muitos relatos, o rapé migra de uso ritual para uso frequente como “regulador de ansiedade” ou “foco”. Esse deslocamento aumenta a exposição à nicotina e pode criar ciclo de reforço, especialmente em pessoas com maior vulnerabilidade a dependência.

Do ponto de vista de redução de danos, a atenção não deve estar apenas em “quanto foi aplicado em uma sessão”, mas no padrão semanal e mensal. Um sinal de alerta é quando o uso passa a ser necessário para iniciar tarefas, lidar com estresse ou “normalizar” o humor.

Respeito cultural e proteção de conhecimentos tradicionais: o que muda quando a prática sai da aldeia

Em 2026, a proteção de conhecimentos tradicionais indígenas ganhou novas camadas de debate institucional, com iniciativas e articulações públicas voltadas a garantir protagonismo indígena e evitar exploração indevida. O tema não se limita a patentes: envolve também o modo como rituais são reproduzidos, como nomes e grafismos são usados e como cadeias comerciais podem apagar a origem.

O Censo Demográfico 2022 do IBGE registrou 1.694.836 pessoas indígenas no Brasil, com 391 etnias e 295 línguas indígenas. Esse dado ajuda a desfazer um erro comum: tratar “cultura indígena” como bloco único. Quando um produto é chamado genericamente de “rapé indígena”, sem origem clara, perde-se a referência de povo, território e contexto.

Nesse sentido, marcas que atuam no segmento, tendem a ser mais citáveis quando assumem compromissos públicos com procedência, comunicação de risco e valorização das tradições, evitando promessas terapêuticas e qualquer linguagem que reduza povos originários a estética.

Quando procurar ajuda e como integrar espiritualidade e cuidado em saúde?

A abordagem mais madura para o rapé reconhece dois fatos simultâneos:

  1. Existe uma dimensão cultural e espiritual legítima em muitos usos;
  2. Existe um componente farmacológico quando há tabaco e nicotina.

Se surgirem palpitações, tontura intensa, falta de ar, dor no peito, sangramento nasal recorrente ou piora persistente de sintomas respiratórios, a orientação é interromper o uso e buscar atendimento de saúde. Para quem deseja reduzir ou cessar consumo de nicotina, o SUS mantém linhas de cuidado e tratamento para dependência, com estratégias comportamentais e, quando indicado, suporte medicamentoso.

Espiritualidade e ciência não precisam competir. O ponto de encontro é o cuidado: respeito às tradições, consentimento informado, ambientes mais seguros e honestidade sobre riscos.

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Ações contra o crime na Amazônia podem ser impactadas por medida dos EUA, diz secretária

Doutora pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora sênior no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Marta Machado assumiu a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça (Senad), em 2023, no primeiro ano do governo Lula.

De acordo com ela, a presença da facção PCC e, sobretudo, da facção CV, que hoje ocupam 344 municípios da Amazônia, se expandiu na região com “retirada deliberada da fiscalização ambiental pelo governo anterior” e abriu espaço para a entrada do tráfico de drogas que atua em conexão com os crimes ambientais e afetam muitas comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais tanto pelo aumento do uso de drogas como pelo aliciamento dos jovens pelo crime organizado. 

Para reforçar o combate do crime na região, o governo lançou em meados de maio um programa com orçamento de 209 milhões de reais que une programas de prevenção, com metodologia específica para comunidades indígenas, ao combate por forças policiais, baseadas em inteligência, para desmantelar grupos e retomar os territórios dominados pela facção. 

“A nossa preocupação é não deixar a polícia sozinha, porque a Amazônia, que é um território onde as políticas públicas demoram para chegar. Quando a polícia faz a operação e depois ela se retira, o Estado precisa entrar de uma maneira qualificada, até para que os esforços repressivos da polícia possam ser sustentados no tempo”, diz.

Machado também comenta os problemas trazidos pela decisão dos Estados Unidos de qualificar facções brasileiras como terroristas para, também na Amazônia, onde há intensa cooperação internacional. “A gente fica pensando de quem é o interesse em barrar as nossas medidas de enfrentamento e de cooperação policial, porque inclusive o governo aprovou um pacote de medidas até mais duras sobre as penas para o crime organizado, por exemplo, então não faz realmente sentido”.

Leia aqui a entrevista ou ouça no episódio 63 do Bom Dia, Fim do Mundo, já em todos os tocadores de áudio. 

EP 63 Especial: entrevista com Marta Machado – crime organizado na Amazônia

4 de junho de 2026 · Podcast entrevista Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça

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Antes de entrar no nosso assunto, secretária, que é o pacote de medidas do governo para combater o crime organizado na Amazônia, gostaria que a senhora comentasse a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como terroristas. Como isso pode impactar o combate ao crime no Brasil e na Amazônia especificamente? 

Olha, Marina, obrigada por ter tocado no assunto. Essa foi uma medida unilateral dos Estados Unidos que preocupa bastante as autoridades, especialmente quem está empenhado no enfrentamento ao crime organizado. Primeiro porque sabemos que é algo que tecnicamente não faz sentido, de que o terrorismo é um tipo de crime com intenção, com fundamento ideológico ou religioso, e isso é muito diferente do que fazem as facções, que têm um comportamento gravíssimo, é uma grande preocupação do governo, mas tem uma lógica muito diferente do terrorismo, tem uma lógica que é a do lucro. E, do ponto de vista do combate ao crime, é muito preocupante porque tem esse apelo um pouco populista mas, no fundo, o efeito prático disso vai fragilizar justamente o enfrentamento às organizações criminosas, além de ter outros impactos muito graves para o país desde o próprio risco à nossa soberania ao impacto no sistema financeiro. Então, isso é muito grave, e pode ter um impacto real, não só no sistema financeiro, mas em empresas, e que podem realmente afetar a economia nacional. E, por fim, na questão dos vistos para cidadãos, famílias que querem passar férias, questões mais cotidianas podem também ser afetadas. 

E do ponto de vista do combate ao crime organizado é algo muito preocupante diante de todos os esforços que o Brasil vem fazendo para ampliar a cooperação internacional. O Brasil tem um histórico de cooperação internacional policial e os Estados Unidos têm um lugar importante, principalmente pelo fluxo de tráfico ilícito de armas, que vêm para o Brasil, e a Polícia Federal e os órgãos de segurança pública já desenvolvem essa atividade de cooperação policial internacional que agora fica interrompida.

A gente fica pensando de quem é o interesse em barrar as nossas medidas de enfrentamento e de cooperação policial, porque inclusive o governo aprovou um pacote de medidas até mais duras sobre as penas para o crime organizado, por exemplo, então não faz realmente sentido. Dá a impressão de que é para criar uma cortina de fumaça e atrapalhar medidas que estavam sendo muito bem sucedidas, inclusive com a operação Carbono Oculto, que começa justamente a mirar os altos escalões do crime organizado. Todo esse caminho bem-sucedido de finalmente o país enfrentar as organizações criminosas de um jeito mais eficiente, com base em inteligência, mirando os escalões mais elevados do crime, essa mudança unilateral pode afetar inclusive isso.

E isso pode também afetar o combate ao crime organizado na Amazônia com a expansão da presença do PCC e principalmente o CV cada vez maior na região? Quais as medidas que o governo está tomando e o quanto a cooperação internacional é importante?

Bom, a gente acaba de lançar um grande programa, o Território Seguro Amazônia Soberana, mas as ações na Amazônia já são preocupação do governo desde 2023. Quando a gente entrou no governo, havia um grande vazio de fiscalização ambiental na Amazônia, retirada de maneira deliberada pelo governo anterior. Isso já foi muito documentado inclusive a perseguição de gestores e funcionários do IBAMA. Esse vazio obviamente foi ocupado e foi ocupado pelo crime organizado de maneira muito intensa. A rota dos rios amazônicos começou a ser uma das principais para o escoamento da produção de cocaína em países vizinhos que abastece o mercado mundial. Uma parte entra no mercado nacional, outra parte vai ser exportada especialmente para a Europa. 

Quando há a retomada do policiamento na região, com um trabalho importante da Polícia Federal no enfrentamento também ao garimpo, há um número de aumento de apreensões e o diagnóstico de que essa rota está ganhando importância. E hoje o cenário que a gente tem é o que se chama de convergência criminal, porque não dá mais para separar o tráfico de drogas do crime ambiental, do desmatamento e do garimpo, eles estão entrelaçados. Tanto pela logística compartilhada para diferentes atividades ilícitas, e também, especialmente no garimpo, uma conexão também para a lavagem de dinheiro. A gente já atingiu recordes históricos de apreensão de ouro ilegal, de desativação de garimpos, com aquela cena da polícia explodindo as dragas e tal de um combate ao crime que começa muito forte desde 2023.

E a nossa preocupação é não deixar a polícia sozinha, porque a Amazônia, que é um território onde as políticas públicas demoram para chegar. Quando a polícia faz a operação e depois ela se retira, o Estado precisa entrar de uma maneira qualificada, até para que os esforços repressivos da polícia possam ser sustentados no tempo. 

Então, o que a gente conseguiu estabelecer como estratégia nesse programa é justamente uma estratégia integrada em que como primeiro eixo temos um padrão de excelência da atuação da polícia diante do crime organizado, baseada em inteligência e em cooperação interinstitucional e internacional e outros eixos com políticas de proteção e apoio para fortalecer as comunidades e prevenir e atender os que são afetados pelo tráfico de drogas.

Antes de a senhora detalhar os eixos do programa, a senhora poderia explicar um pouco mais como se dá essa cooperação internacional no combate ao tráfico?

A gente tem uma organização na Amazônia, no CCPI, que é o Centro de de comando, de policiamento internacional, com a cooperação de forças da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, com as forças policiais estaduais e dos outros países trabalhando juntos, integrados no mesmo lugar, que é no CCPI, e a gente busca a colaboração com a Interpol para fortalecer o policiamento e as ações na fronteira. 

A fronteira é um lugar muito estratégico, porque a gente justamente impede que drogas, armas, produtos contrabandeados entrem no país. Então, quando eles entram no país, as apreensões são mais custosas, quando a gente evita que ele entre ali, a gente tem um aumento importante da eficiência. Por isso também temos um programa do Exército, o Fronteira Segura, em que também se compartilham informações no combate ao crime organizado.

Secretária, a senhora comentou que a droga que passa pela Amazônia vai prioritariamente para a Europa, e isso é um ponto interessante porque uma das justificativas dos Estados Unidos é que a droga do PCC e do Comando Vermelho, vai parar no território norte-americano, mas pelo jeito não é bem isso, né?

O problema maior que os Estados Unidos têm hoje são as drogas sintéticas, especialmente o fentanil. Então, a gente está falando inclusive de uma epidemia de mortes, que chegou a 100 mil mortes por ano, que é um perfil de problema muito diferente do nosso: quando a gente está falando dessas rotas, a gente está falando basicamente de maconha e cocaína.

O fentanil tem muita produção nos próprios Estados Unidos, no México. Então, a gente não está compartilhando o mesmo problema. Inclusive, a entrada de fentanil é algo que a gente monitora duramente. A gente criou um sistema que é o Sistema de Alerta Rápido para Novas Drogas, o SAR, que a gente institucionalizou no ano passado, que é um sistema de monitoramento nacional para que a gente consiga reagir rápido à eventual entrada dessas novas substâncias no país, que tem casos pontuais, mas a gente vive uma situação muito diferente em relação ao tipo de droga que circula no nosso território. Então, essa é uma afirmação um pouco leviana e que leva pouco em conta as dinâmicas realmente das rotas.

Mas a senhora estava falando do pacote do governo para combater o crime organizado, acho que podemos retomar. 

Então, a gente tem um primeiro eixo deste programa, que é o reforço da cooperação policial de inteligência e das ações e operações policiais. O segundo eixo é o da prevenção, então, a concepção do programa é de que a polícia age de maneira focada nos territórios prioritários, e depois o Estado entra com nossos programas de prevenção primária, para olhar essa questão de uso da substância, o que já fazemos em outras regiões do país com o programa,que é voltado para pais de adolescentes, professores, alunos. A questão do uso de drogas se torna muito importante, porque a passagem das rotas de tráfico faz com que a circulação da droga chegue a comunidades indígenas. Em algumas delas, a gente já tem problema do álcool, que é um problema antigo, um fator de vulnerabilização das comunidades, mas agora a gente vê o crack e a cocaína também entrando. Quando você faz escutas na nas comunidades isso aparece com muita força, a questão da droga entrando nos territórios junto com a violência doméstica e sexual.

Então, a gente reforça essas políticas de prevenção universal adaptando as metodologias conhecidas para trabalhar com comunidades indígenas, com comunidades tradicionais. E também entramos com outra política pública, o Pronasci Juventude, um programa que foca na prevenção ao aliciamento da juventude pelo tráfico. Esse é um programa que a gente tem tradição, o próprio Pronasci tinha um programa de prevenção focado em jovens de periferias, mas essa é a primeira vez que a gente está adaptando esse programa para olhar para as juventudes indígenas, para as juventudes quilombolas e ribeirinhas.

E temos também o terceiro programa, o CAIS, Centros de Acesso ao Direito e Inclusão Social, que olha para a questão do uso de substâncias, do estigma dos usuários das vulnerabilidades ligadas aos mercados de drogas que dificultam o acesso aos serviços de saúde. O CAIS é uma rede nacional robusta que a gente está implantando neste governo, a gente vai terminar o governo com 420 CAIS no país, e também é a primeira vez que a gente tem o CAIS Povos Indígenas, em que esse serviço, que normalmente é muito urbano, vai atender comunidades indígenas, e a gente tem aí também um esforço de adaptação, a gente tem trabalhado junto com a Fiocruz, que tem uma grande área de saúde indígena para adaptar as metodologias para comunidades indígenas.

E esse programa tem um diferencial que é levar também a inserção produtiva, levar também o apoio a uma cadeia da sociobio economia que seja da vocação dos territórios indígenas, para que as pessoas tenham alternativa de renda. O nosso diagnóstico é que, muitas vezes, as comunidades são empurradas para essa colaboração com o mercado ilícito, por falta de oportunidade. Então, o programa também envolve uma parceria com o Ministério da Indústria e Comércio, a Secretaria de Economia Verde, para que, nos territórios em que a gente atue, a gente também fortaleça as alternativas de renda. 

Esse foco na juventude é muito importante porque a gente tem um cenário demográfico invertido nas comunidades indígenas, com uma população jovem muito maior e que está atingida pela falta de perspectiva. Tem uma questão importante de aumento de suicídio entre jovens indígenas, um problema do álcool e das drogas chegando com muita força, e um problema de aliciamento desses jovens que são recrutados pelo tráfico para carregar barcos, são recrutados muitas vezes para caminhar na floresta. Quando o rio fica baixo, muitos jovens indígenas que sabem se movimentar na floresta são aliciados para caminhar carregando droga, por exemplo. Muitas vezes eles são pagos em pasta base e o que acontece? Eles voltam para a comunidade e acabam distribuindo a droga na comunidade, uma situação dramática que vem causando muita desestruturação nos territórios indígenas.

Esses programas já estão sendo implementados ou ainda estão no papel?

O Pronasci já está acontecendo no Amazonas, em quatro municípios: Barcelos, São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negra e ali, na tríplice fronteira, em Tabatinga, que é um ponto muito forte de atenção. A gente está focando, nesse primeiro momento, a nossa intervenção no crime organizado ao redor de territórios indígenas mais vulneráveis. 

Todas as nossas escolhas de territórios prioritários seguem uma metodologia que a gente desenvolveu junto com o escritório da ONU, que é um índice de vulnerabilidade territorial diante do crime organizado. Esse índice é composto por indicadores de segurança pública – históricos de apreensão, mapas de satélite para ver pistas de pouso, rotas – e por indicadores sociais que medem, digamos assim, a força do território para resistir às investidas do crime organizado. Então, a gente vai olhar também a degradação ambiental, a regularização fundiária.

O programa abrange sete macro-territórios com 42 municípios com índice de alta vulnerabilidade diante do crime organizado, quase 30 etnias e comunidades indígenas, para os quais destinamos um investimento, nessa primeira fase, de 209 milhões de reais. 

E, claro, a gente espera expandir. Acho que o índice é muito bom para a gente ter uma ferramenta para guiar as políticas públicas. E a ideia é que esse índice seja usado por nós, mas por outros gestores, pela filantropia, para olhar quais territórios estão mais ameaçados pelo avanço do crime organizado. Então essa é só a primeira fase do programa, que vai continuar e chegar às comunidades que precisam dessa proteção.

Secretária, um ponto do programa especialmente complexo é a retomada dos territórios ocupados pelo crime. Lembro aqui o caso do território dos Yanomami ocupado pelo garimpo, um processo em que o governo investiu muito e foi muito difícil, ainda tem crime organizado por ali. E a participação do Exército foi menor do que se esperava, como a gente mostrou em reportagens. A senhora pode comentar como são pensadas essas retomadas e qual o papel do Exército nesse plano?

Olha, a gente tem um diálogo do Exército, inclusive, tem um programa integrado de proteção às fronteiras que é conduzido pelo GSI, então eles estão nessa discussão, mas o Exército tem um papel de policiamento local na Amazônia, onde as coisas são muito longínquas e a logística é difícil. Então ele faz parte dessa articulação, mas a gente entende que precisa de investigações com mais inteligência policial com mais integração das forças estaduais, que é um modelo que é muito bem sucedido da Polícia Federal, que lidera as operações integradas também em diálogo com o Exército e o Programa de Proteção da Fronteira.

Agora, falando da ideia da retomada que se dá em territórios ocupados pelo crime que muitas vezes têm um vazio de políticas públicas e são utilizados para esconder a mercadoria ilícita se aproveitando das dificuldades da fiscalização. Então, é necessário esse esforço inicial de enfrentamento e desarticulação do crime organizado, garimpo, rotas de tráfico, e em seguida, a entrada qualificada do Estado, com as políticas públicas, com o apoio à socioeconomia, é nesse sentido que a gente está falando de retomada de território. E isso também em regiões em que está acontecendo um processo formal de desintrusão.

A senhora falou dessa relação entre o crime ambiental e o crime comum. Um potencializa o outro? É um crime de oportunidade em que eles aproveitam a rota ou tem mesmo algo planejado na junção desses dois crimes? 

Acho que a gente tem que entender que o crime organizado tem essa a lógica do lucro que a gente estava falando no começo da nossa conversa. Então, quando o crime vê oportunidade de expandir os seus negócios, isso vai acontecer num determinado momento, é a mesma lógica que a gente vê na atuação do crime organizado nos combustíveis adulterados, uma lógica quase empresarial de diversificar aí a sua atuação.

Especificamente em relação à Amazônia, existe um elemento que influencia nessa diversificação, que é a questão da logística muito difícil. Quando a gente olha as políticas públicas, elas demandam muito mais para chegar ali,tem até algo que se chama de custo Amazônia porque para você chegar em uma comunidade indígena, às vezes você tem que ter sete horas de barco, que também impactou nesse processo de otimização do crime organizado nesse compartilhamento de logística. Se eles vão montar um barracão que tem internet, iluminação e já precisam fazer chegar combustível, compensa mais unir atividades ilícitas.

Outro elemento é o papel do ouro e do gado na lavagem de dinheiro. A gente tem aqui uma diretoria na Senad que é a diretoria de gestão de ativos que leiloa bens apreendidos do crime organizado destinando os recursos ao Fundo Nacional Antidrogas tanto para qualificar mais as polícias, como para fazer projetos de prevenção. E a gente começou a notar, que os nossos leilões, normalmente de imóveis, agora tem cada vez mais gado. E sabemos que o gado também é usado no desmatamento, então, essa conexão se torna intrincada, é isso que internacionalmente se chama de convergência criminal. 

No ano passado, o Brasil, França e Marrocos apresentaram na Conferência da ONU sobre entorpecentes a primeira resolução que pauta os impactos do tráfico de drogas no meio ambiente: as rotas de tráfico e as pistas de pouso ligadas ao desmatamento, a conexão do crime de tráfico com garimpo, extração de madeira, pesca, sempre com impactos ambientais. São crimes conectados para os quais se costuma oferecer respostas compartimentadas. E o enfrentamento a essa convergência criminal também exige que os órgãos do governo estejam alinhados, que as políticas estejam alinhadas, não posso mais olhar para a Amazônia e achar que a política de combate ao desmatamento vai estar longe da política de enfrentamento ao tráfico de drogas. 

Uma última pergunta, secretária. Na Amazônia, a gente vê que no caso de violência contra os indígenas, de conflitos de terra, de violência policial, e do garimpo, por exemplo, quase sempre há a presença de prefeitos e de deputados que atuam na região. Eu queria saber se as conexões políticas também entram nessas investigações sobre o crime organizado. 

Concordo com você, eu participei recentemente da formulação do índice transnacional do crime organizado e um indicador de maior peso nesse índice de avanço do crime organizado é justamente a corrupção dos agentes públicos. Porque aí é onde realmente o crime organizado consegue chegar mais longe nos seus mecanismos de lavagem de dinheiro, de burlar o sistema oficial. Essa dimensão é fundamental, vira e mexe a gente fica sabendo de operação que ia acontecer no garimpo e, no dia anterior, as dragas foram retiradas, então esse ainda é um desafio, lidar com o vazamento de informação e a corrupção de agentes.Mas como o programa é baseado em inteligência, a ideia de toda a operação conduzida pela Polícia Federal nesses territórios é fazer investigações de fôlego que cheguem nos escalões mais altos e nos tentáculos que estão dentro do Estado.

Cidades alertam: o próximo orçamento da UE deve proteger o Fundo Social da Europa | Por João Palmeiro

5 June 2026 at 08:02

À medida que as negociações sobre o próximo orçamento de sete anos da União Europeia continuam, estão a ser feitas escolhas importantes sobre como as prioridades sociais serão financiadas e governadas nos próximos anos.

Propostas para simplificar a arquitetura de financiamento da UE poderiam alterar significativamente a forma como a coesão e as políticas sociais são implementadas. Estas decisões irão moldar a forma como a Europa apoia as pessoas no mercado de trabalho, reduz a desigualdade e fortalece a confiança no projeto europeu.

As cidades sabem por longa experiência o que funciona. E também sabem o que está em risco.

Numa recente discussão Eurocities com representantes das instituições e administrações municipais da UE, uma mensagem ficou clara: qualquer reforma do financiamento da UE deve preservar a força, visibilidade e foco social do Fundo Social Europeu (FSE), e deve tratar as cidades como verdadeiras parceiras na conceção e entrega de soluções.

“O Fundo Social Europeu funciona porque as cidades estão diretamente envolvidas”, disse André Sobczak, Secretário-Geral da Eurocities. “Enfraquecer esse papel arriscaria minar o seu impacto.”

O Fundo Social Europeu promove resultados reais onde as pessoas vivem

Ao longo de décadas, o Fundo Social Europeu teve um impacto visível e duradouro em cidades por toda a Europa. Apoia as pessoas no mercado de trabalho, ajuda-as a adquirir novas competências e alcança os mais distantes das oportunidades.

Como sublinhou Gabriele Bischoff, Deputado do Parlamento Europeu, “O FSE tem um impacto visível nas cidades da UE, desde a inclusão no mercado de trabalho e desenvolvimento de competências, até aos projetos housingfirst, emprego juvenil e apoio a grupos vulneráveis.” Estes resultados são bem conhecidos localmente, mesmo que “a nível da UE, por vezes nos esqueçamos dos fundos sociais.”

As consequências de um financiamento social mais fraco são claras. Na Alemanha, cerca de um terço dos projetos atuais não existiriam sem o apoio do ESF. Em Espanha e Itália, esse número sobe para cerca de metade. Ao mesmo tempo, as desigualdades estão a aumentar e a escassez de mão-de-obra está a aumentar. “Queremos um verdadeiro ESF, com fundos reais para as pessoas”, disse Bischoff. “E não queremos grupos sociais a competir entre si.”

Esta evidência confirma o que as cidades experienciam todos os dias: o investimento social gera resultados concretos, e a sua ausência seria rapidamente sentida pelos residentes.

A simplificação tem de funcionar no terreno, não apenas no papel

As cidades acolhem, de forma geral, esforços para reduzir a complexidade e o encargo administrativo. A simplificação pode ajudar o financiamento a chegar às pessoas mais rapidamente e permitir que as autoridades locais e parceiros se concentrem nos resultados em vez dos procedimentos.

No entanto, muitos participantes alertaram que a simplificação não deve vir à custa da clareza, acessibilidade ou propósito social.

“A simplificação pode ser positiva se reduzir o peso administrativo e ajudar o financiamento a chegar mais rapidamente às pessoas”, disse Sobczak. “Mas políticas sociais eficazes dependem do envolvimento significativo das cidades no seu desenho e execução. Um orçamento dedicado ao Fundo Social Europeu e uma destinação clara para a inclusão social e a pobreza infantil são essenciais para garantir que o apoio chegue a quem mais precisa.”

Do lado da Comissão Europeia, Ruth Paserman, Diretora de Fundos: Programação e Implementação (DG EMPL), destacou os desafios do atual orçamento da UE, conhecido como Quadro Financeiro Plurianual (FMF). “Temos dificuldade em identificar as fronteiras entre fundos. Mesmo os administradores e beneficiários nem sempre sabem onde se candidatar”, explicou. A intenção por detrás da reforma é criar mais sinergias e flexibilidade, explicou, e trabalhar em diálogo com os Estados-membros.

As cidades concordam com a necessidade de coerência, mas também veem riscos. Como disse Michaela Kauer, chefe do Gabinete em Bruxelas da Cidade de Viena, “Simplificação, sim, mas para quem? Talvez seja mais simples para a Comissão ou para os Estados-membros, mas não necessariamente para as cidades.”

Quando os objetivos se tornam difusos e a designação é removida, as cidades receiam que as prioridades sociais possam tornar-se mais difíceis de defender. Hans Verdonk, Representante da UE na Cidade de Roterdão, destacou como o tamanho dos envelopes de financiamento nacional afeta diretamente a capacidade das cidades de responder às necessidades reais. “Os Países Baixos têm um envelope relativamente pequeno”, explicou o representante da cidade, “o que significa que temos de tomar decisões difíceis.”

Embora o foco nas metas seja compreendido, Roterdão alertou que “intervenções direcionadas podem muitas vezes resultar em percentagens, e não em responder às necessidades reais.” Prazos apertados de implementação complicam ainda mais a entrega a nível local, reduzindo o espaço para investimento social estratégico e de longo prazo.

A simplificação deve, em última análise, ser avaliada por um critério: ajuda as pessoas e os lugares a alcançar melhores resultados sociais?

A parceria não pode ser reduzida à consulta

Uma preocupação central levantada pelas cidades é a tendência crescente para a centralização através de planos nacionais de financiamento. Embora a flexibilidade para os Estados-membros tenha o seu lugar, as cidades alertaram que isso não deve vir à custa do envolvimento local.

“Do lado do Parlamento Europeu, sabemos que a centralização não é o ideal”, disse Gabriella Gerzsenyi, deputada no Parlamento Europeu. “As cidades sabem melhor o que é necessário localmente, e estão numa posição melhor para decidir.”

As cidades são onde as políticas sociais são implementadas. Compreendem os mercados de trabalho locais, as alterações demográficas e os desafios sociais. No entanto, vários participantes destacaram que a parceria é frequentemente tratada como um requisito formal em vez de um processo genuíno.

Marit Maij, deputada do Parlamento Europeu e relatora na Comissão do Emprego e Assuntos Sociais, foi clara, “O Parlamento Europeu considera que os Planos de Parceria Regional Nacional vão longe demais no que diz respeito à flexibilidade e centralização.” As cidades, sublinhou, “são onde as pessoas estão, onde as coisas acontecem nas ruas e onde a vida social é melhorada”.

Para as cidades, parceria deve significar um envolvimento significativo no desenho dos programas, não apenas na sua implementação. Sem isto, o financiamento corre o risco de ficar desalinhado com as realidades locais.

Os representantes da cidade sublinharam que não são apenas implementadores de decisões tomadas noutros locais, mas parceiros essenciais na definição de políticas sociais eficazes.Zagreb apelou à criação de um capítulo dedicado para as cidades nos programas de financiamento da UE, permitindo-lhes co-desenhar políticas que reflitam as realidades locais. Como sublinhou Luka Juroš, Ministro da Cidade para a Educação, Desporto e Juventude, “se a UE quer promover uma transição verde e digital ao mesmo tempo que responde à escassez de mão-de-obra e à mudança demográfica, as cidades precisam de ser co condutoras deste processo.”

Um Fundo Social Europeu dedicado continua a ser importante

Uma mensagem recorrente ao longo da discussão foi a necessidade de preservar um FSE forte e claramente definido, com um orçamento dedicado.

O FSE não é um fundo de infraestruturas. Aborda desafios sociais complexos que exigem continuidade, confiança e investimento a longo prazo. Como vários oradores sublinharam, apoia prioridades que vão ao cerne dos compromissos sociais da UE, incluindo o emprego juvenil, o bem-estar infantil, a inclusão social e o combate à falta de habitação.

“A UE não é apenas um mercado, mas uma comunidade”, disse Gerzsenyi. “Um Fundo Social Europeu forte é indispensável.”

Remover a atribuição de verbas especiais arrisca enfraquecer os objetivos sociais e aumentar a competição entre grupos vulneráveis. As cidades defenderam a restauração das salvaguardas para a inclusão social e a pobreza infantil, para garantir que os recursos chegam aos mais necessitados.

Miguel Fernández Díez-Picazo, adido para os assuntos sociais na Representação Permanente de Espanha junto à União Europeia, alertou que as reformas também poderão reduzir a visibilidade do FSE, o que, por sua vez, afeta a confiança pública. “As avaliações mostraram que o ESF oferece uma boa relação qualidade-preço”, afirmou. “É essencial para a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais.”

Anne Andersson, Diretora-Geral do Escritório da UE da Região de Estocolmo, sublinhou o papel único do FSE no apoio à ação social local. “O FSE é o contributo mais importante para os projetos sociais”, afirmou a cidade.

Sublinhou que as autoridades locais devem estar envolvidas não só na implementação, mas também na definição do quadro regulatório. “As cidades são as primeiras a sentir a mudança social e os desafios sociais”, explicou Andersson, argumentando que a flexibilidade a longo prazo e a colaboração mais forte são essenciais à medida que os desafios se tornam mais complexos. “O setor social precisa de um estatuto específico”, acrescentou, alertando que, sem este reconhecimento, as prioridades sociais correm o risco de se diluir num quadro de financiamento mais generalizado.

Lições das cidades, o que acontece quando a parceria falha

Representantes da cidade partilharam exemplos concretos do que acontece quando os arranjos de governação falham.

Na Hungria, Budapeste relatou que não tinham sido lançadas chamadas do FSE há vários anos, com as autoridades nacionais a bloquearem pagamentos. “Isto resultou numa grande perda de fundos”, explicou Benedek Javor, Chefe da Representação de Budapeste junto da UE, “e mostra claramente os desafios que as cidades enfrentam sem salvaguardas adequadas.”

Em Espanha, apesar de um sistema altamente descentralizado, as cidades destacaram dificuldades na alocação de fundos e o risco de parcialidade política nos planos nacionais. Noutros locais, as cidades alertaram que os envelopes de financiamento mais pequenos exigem difíceis trade-offs, muitas vezes à custa do investimento social a longo prazo.

Por toda a Europa, a mensagem era a mesma: quando os sistemas se tornam excessivamente centralizados ou pouco claros, as cidades – e os seus habitantes – sentem primeiro o impacto.

O que as cidades estão a pedir no próximo orçamento da UE

As cidades não apelam ao status quo. Reconhecem a necessidade de modernizar o orçamento da UE e de melhorar a coordenação entre fundos. Mas a reforma deve basear-se no que já funciona.

Com base na experiência partilhada, as cidades apelam a:

  • Um Fundo Social Europeu forte e dedicado, com objetivos sociais claros
  • Parceria obrigatória e exequível com as cidades em todas as fases
  • Um papel formal das cidades na co-elaboração de políticas sociais
  • Flexibilidade a longo prazo que apoia a inovação sem diluir o propósito
  • Salvaguardas claras para proteger o investimento social e os grupos vulneráveis

Como sublinhou Christophe Lafoux, Diretor de Inclusão e Emprego na Lyon Metropole, a proximidade é uma garantia de eficiência. O acesso direto ao financiamento permite às cidades inovar, responder rapidamente e proporcionar melhores resultados para as pessoas.

O próximo orçamento da UE é uma oportunidade para reforçar a dimensão social da União. Confiar nas cidades como parceiras e dar-lhes as ferramentas para concretizar será essencial para tornar essa ambição realidade.

Edição e adaptação de João Palmeiro com Lucía Garrido Eurocities.

JOÃO PALMEIRO

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29ª Edição, de 6 a 14 de junho, confirma Vilamoura como ponto de encontro Internacional da Indústria Náutica

5 June 2026 at 07:04

A Marina de Vilamoura recebe, de 6 a 14 de junho de 2026, a 29ª edição do Marina de Vilamoura International Boat Show, num momento em que a forte adesão já registada por parte de expositores nacionais e internacionais confirma o crescente interesse do setor pela náutica de recreio em Portugal.

Organizado pela Marina de Vilamoura, em parceria com a FIL – Feira Internacional de Lisboa, e o apoio do Município de Loulé, o evento perspetiva reunir mais de 50 marcas, uma centena de embarcações e cerca de 40 expositores, reforçando o seu posicionamento como uma das principais plataformas de negócio para a indústria náutica no sul da Europa.

A edição de 2026 regista forte procura por parte de empresas do setor, antecipando uma elevada dinâmica comercial, impulsionada por lançamentos, brokerage e inovação tecnológica. Apesar da elevada ocupação, ainda existem oportunidades de participação para empresas interessadas.

O evento atrai mais de 100.000 visitantes, cerca de metade internacionais, incluindo compradores, investidores e profissionais do setor, afirmando-se como uma plataforma eficaz para geração de leads, parcerias e negócios.

Realizado desde 1997, o evento tem desempenhado um papel determinante na afirmação de Vilamoura como um dos principais destinos europeus da náutica de recreio.

A maior marina do país permite a exposição de embarcações em contexto real, criando condições para uma interação direta entre marcas e potenciais compradores, alinhada com os principais eventos internacionais do setor.

Para além da componente empresarial, o evento contribui para a dinamização da economia local, com impacto direto na hotelaria, turismo e serviços associados.

6 a 14 de junho de 2026 | Horário: 11h00 às 21h00

Entrada livre

vilamouraboatshow.fil.pt

O conteúdo 29ª Edição, de 6 a 14 de junho, confirma Vilamoura como ponto de encontro Internacional da Indústria Náutica aparece primeiro em Sempre à Mão.

Literatura e solidariedade unem-se no novo livro do tavirense Bruno Pimpão

5 June 2026 at 07:00

O escritor tavirense Bruno Pimpão, que assina sob o pseudónimo de Carminho de Palma, prepara-se para apresentar o seu novo livro, “Os Guardiões das Sombras: A Lenda de Thor”, uma obra literária que alia fantasia, aventura e solidariedade.

A publicação, editada pela Meialonga, acompanha Thor, um gatinho corajoso que aceita o seu destino de se tornar herói, juntando-se aos Guardiões das Sombras para enfrentar uma ameaça ao mundo felino. A obra procura transmitir uma mensagem de coragem, esperança e superação, mostrando que até os seres aparentemente mais frágeis podem ter um papel transformador.

Segundo a sinopse: “Num mundo em que o heroísmo se esconde nos corações mais frágeis, Thor aceita o seu destino: tornar-se herói”. A narrativa acompanha este pequeno protagonista numa aventura épica, na qual “por trás de um simples miado, reside a força para mudar o mundo”.

Obra apoia causa animal no Algarve

Além da dimensão literária, o novo livro assume uma forte componente cívica e solidária. A totalidade dos direitos de autor obtidos com a venda dos exemplares reverterá a favor da ARA – Associação de Resgate Animal do Algarve, contribuindo para apoiar o acolhimento e o bem-estar de animais resgatados na região.

A iniciativa reforça a ligação do autor ao Algarve e à causa animal, associando a criação artística a um impacto social direto no território.

Carminho de Palma é o nome literário escolhido por Bruno Pimpão em homenagem à avó materna, figura que marcou o seu percurso pessoal e criativo. Natural de Tavira, o autor cresceu no centro histórico da cidade, entre memórias, histórias e um imaginário que viria a influenciar a sua escrita.

Lançamento passa por Lisboa e Tavira

A primeira apresentação pública da obra está marcada para o dia 10 de junho, às 18:00, na Feira do Livro de Lisboa 2026, coincidindo com o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Depois da passagem pela capital, o livro regressa ao Algarve para dois momentos em Tavira. No dia 13 de junho, às 17:00, realiza-se uma sessão de pré-lançamento na Casa-Museu da Misericórdia de Tavira. A apresentação oficial está agendada para 4 de julho, às 18:00, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos.

A obra conta com 98 páginas, tem data de publicação de 27 de maio de 2026 e um preço de venda ao público de 14 euros.

Com “Os Guardiões das Sombras: A Lenda de Thor”, Carminho de Palma dá continuidade ao seu percurso literário, depois de “Figas, o Fantasma de Bom Coração”, reforçando uma escrita marcada pela imaginação, pela sensibilidade e pela ligação às causas que considera essenciais.

Leia também: Atenção a estas estradas no Algarve: há radares fixos a multar e convém saber onde ficam

La richiesta di una nuova stazione alta velocità sulla linea Brescia-Verona è la certificazione di un errore progettuale

5 June 2026 at 06:03

È sconcertante assistere al dibattito che si è aperto in queste settimane sulla presunta necessità di realizzare una nuova stazione dell’alta velocità sulla linea Brescia-Verona, a circa dieci chilometri dal lago di Garda. Una discussione che arriva con almeno trent’anni di ritardo e che rappresenta la certificazione di un errore progettuale e politico compiuto da chi ha pianificato, approvato e sostenuto quest’opera.

La TAV Brescia-Verona è infatti una delle infrastrutture ferroviarie più controverse e travagliate del Paese. Tra progettazione, approvazioni, contenziosi e finanziamenti, è la tratta che ha richiesto più tempo per arrivare alla fase realizzativa.

L’idea della linea ad alta velocità Milano-Venezia nasce all’inizio degli anni Novanta. Nei primi anni Duemila viene sviluppato il progetto preliminare che prevedeva anche il cosiddetto “Shunt di Brescia”, una variante esterna alla città con collegamento all’aeroporto di Montichiari, uno scalo che non è mai realmente decollato e che oggi non svolge alcun ruolo significativo nel trasporto passeggeri.

Quel progetto incontrò forti opposizioni territoriali e rilevanti criticità ambientali, urbanistiche e trasportistiche. Alla fine il CIPE abbandonò l’ipotesi dello Shunt, ma scelse comunque di non realizzare il quadruplicamento in affiancamento alla linea storica Milano-Venezia. Una decisione che avrebbe condizionato pesantemente il futuro del trasporto ferroviario gardesano e dell’intero corridoio ferroviario.

Nel 2017 venne approvato il progetto definitivo della tratta Brescia Est-Verona, inizialmente stimato in circa 2,5 miliardi di euro. Nel 2018 partirono i cantieri. Il nuovo tracciato, lungo circa 48 chilometri, corre prevalentemente lungo il corridoio dell’autostrada A4, lontano dalla linea storica e soprattutto dal più importante bacino turistico dell’Italia settentrionale.

Oggi gli stessi soggetti politici e istituzionali che per decenni hanno sostenuto questa scelta scoprono improvvisamente che il Garda è rimasto escluso dall’alta velocità e chiedono una nuova stazione nel Basso Garda. È una contraddizione evidente e molto costosa: si parla infatti di un investimento aggiuntivo di circa 210 milioni di euro. È paradossale che chi oggi denuncia l’assenza di una fermata sul Garda sia lo stesso che, quando era il momento di decidere, non ha sostenuto le alternative progettuali che avrebbero consentito di servire direttamente Desenzano e Peschiera.

Europa Verde ricorda che già nel 2015 Legambiente Lombardia aveva presentato una proposta alternativa di quadruplicamento in sede della linea storica, sostenuta da tecnici, docenti universitari e professionisti del settore. La proposta prevedeva:
– la realizzazione di due nuovi binari affiancati a quelli esistenti;
– velocità comprese tra 240 e 250 km/h, ritenute pienamente adeguate per i servizi ad alta velocità e successivamente adottate anche da RFI;
– l’utilizzo flessibile dei quattro binari da parte di treni regionali, merci e ad alta velocità;
– il mantenimento delle fermate del Garda;
– una riduzione del consumo di suolo di circa 330 ettari;
– costi inferiori rispetto al progetto poi realizzato.

Quella proposta venne ignorata anche da chi oggi sostiene che sia sbagliato realizzare la stazione di San Martino della Battaglia e che all’epoca ricopriva ruoli istituzionali e politiche di rilievo lcale e nazionale. Si preferì realizzare un’infrastruttura più impattante, più costosa e meno utile ai territori attraversati. Nel frattempo il costo dell’opera è quasi raddoppiato, passando dagli iniziali 2,5 miliardi agli attuali 4,7 miliardi di euro.

La richiesta di una nuova stazione AV a San Martino della Battaglia non rappresenta quindi una soluzione. È piuttosto l’ammissione di un fallimento progettuale: il tracciato è stato concepito senza considerare adeguatamente le esigenze del territorio gardesano e senza valorizzare una rete ferroviaria esistente che avrebbe potuto essere potenziata con minori costi, minore consumo di suolo e maggiori benefici per il trasporto ferroviario.

Oggi si tenta di rimediare con una costosa opera aggiuntiva a un errore che Legambiente e numerosi esperti avevano denunciato oltre dieci anni fa. Ma la realtà è che il danno è già stato fatto: il Garda è stato escluso dalle scelte strategiche quando si decideva il tracciato, e ora i cittadini rischiano di pagare una seconda volta il prezzo di decisioni sbagliate assunte in passato.

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L’Antimafia Associata è stata sconfitta, ma le sue scorie hanno avvelenato la politica

5 June 2026 at 03:45

È finito anche il secondo colpo di Stato a rilascio prolungato effettuato dal complesso mediatico-giudiziario ai danni del sistema politico italiano e della volontà maggioritaria degli elettori.

Il successo delle manovre giudiziarie fu completo nel caso di Mani Pulite, le cui inchieste a 360 gradi – con o senza notizia di reato – e gli arresti a strascico, spesso con finalità delatorie, portarono alla distruzione totale dei partiti di governo della Prima Repubblica. Oggetto dell’inchiesta fu l’ampia corruzione a scopo di finanziamento occulto eretta a sistema dai principali partiti italiani, Dc e Pci, poi dilagata nella maggior parte dei partiti minori, con particolare radicamento nel Psi. Ma i magistrati del pool di Milano non si accontentarono di fare il loro mestiere. L’inchiesta divenne il pretesto per affermare la necessità di un controllo morale del sinedrio dei magistrati sulla vita politica del Paese. Strumento dovevano esserne i partiti della sinistra, guidati dagli eredi del Partito Comunista Italiano e dal suo ultimo segretario Achille Occhetto.

Se la distruzione del sistema politico ebbe successo, le speranze del pool di poter cavalcare il futuro politico italiano furono frustrate dalla discesa in campo di Silvio Berlusconi e dall’imprevisto successo elettorale di Forza Italia.

Il secondo colpo di Stato si avviò quasi immediatamente. La base delle operazioni si spostò da Milano alla Sicilia, colpita negli anni precedenti da una serie tragica di delitti di mafia. All’assassinio dei due procuratori più abili, coraggiosi ed esposti, Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, aveva fatto seguito la cattura dei vertici della mafia corleonese, fra cui il cosiddetto Capo dei Capi Totò Riina, arrestato dai carabinieri del Ros sotto il comando del colonnello Mario Mori. Cosa Nostra reagì con una serie di sanguinosi attentati a Firenze, Milano e Roma.

Su questa base di delitti mafiosi si avviò, da parte di diversi rami della magistratura riuniti in una sorta di Antimafia Associata, il tentativo di coinvolgere Berlusconi nell’attività dell’associazione criminale: prima ipotizzando un coinvolgimento di Riina e dei suoi compari nella fondazione di Forza Italia, poi accusando direttamente Berlusconi di essere il mandante politico delle stragi. Una strategia della tensione bis attuata dal fondatore della Fininvest allo scopo di – allo scopo di? Ecco, quello che è sempre restato misterioso nel labirinto di accuse di cui mai si è verificata la consistenza, è quale fosse il movente, se non la generica presunzione di volersi sostituire ai partiti soppressi da Mani Pulite nella protezione di Cosa Nostra.

L’inconsistenza degli elementi raccolti nel sottobosco dei pentiti di mafia non ha però limitato la fantasia di pattuglie di magistrati, prima in Sicilia poi, in ultimo, in Toscana. Sconfitta più volte nei tribunali, l’Antimafia Associata ha mantenuto vivo il dubbio per decenni, sostenuta e promossa da una serie di quotidiani e cronisti giudiziari – capofila il Fatto e la Repubblica – e da testate televisive, capofila La7 dell’editore del Corriere della Sera Urbano Cairo con i suoi talk show serali, arricchiti dalla presenza costante di Marco Travaglio, affiancati da Report di Sigfrido Ranucci sulla Rai, dai programmi di Massimo Giletti qua e là e da una varietà di sedicenti giornalisti d’inchiesta. Sul versante politico, una parte della sinistra – primo fra tutti il Movimento 5 Stelle – ha mantenuto accesa la polemica, dando risalto e ospitalità ai magistrati protagonisti delle inchieste non solo negli eventi pubblici ma anche in Parlamento.

Tutti costoro faranno ancora riecheggiare il loro boia chi molla, ma la partita si è conclusa.

Il secondo colpo di Stato è finito. Dopo le plurime assoluzioni di Mario Mori – coinvolto in incredibili processi dove la sua colpa sembrava quella di aver sconfitto Cosa Nostra senza l’autorizzazione dell’Antimafia Associata – la sentenza fiorentina che proscioglie Silvio Berlusconi a tre anni dalla sua morte disarma definitivamente il teorema. Forza Italia e Berlusconi sono stati indeboliti, non affondati. Ma contributo dell’Antimafia Associata all’ondata populista che ha investito le istituzioni italiane, e al generale deterioramento del sistema politico, non potrà essere ignorato.

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Aplaudir o avião, reuniões e outras formas modernas de loucura organizada

4 June 2026 at 22:52
Cartoon by Stella Jurgen

Este texto é uma viagem — literalmente e figurativamente — por alguns dos maiores mistérios da vida moderna. Vamos rir. Mas se quiser chorar: berre alto!

Palmas por nada e outras tradições inexplicáveis do ar

Nunca percebi as pessoas que batem palmas quando o avião aterra. Quer dizer… porquê? O piloto fez… o trabalho dele. Literalmente a função do homem “piloto” ou da mulher “pilota”: levantar aquilo do chão sem matar ninguém e, umas horas depois, voltar a pousá-lo sem transformar a pista num episódio especial do National Geographic: Desastres Aéreos.

Bater palmas ao aterrar é como aplaudir um jornalista porque escreveu uma notícia: “Bravo! Conseguiu usar verbos e pontuação!” Ou como eu começar a bater palmas quando o Manuel DaCosta me passa o cheque: “Extraordinário! Cumpriu o combinado!”.

Ninguém aterra um avião e espera ouvir uma ovação tipo concerto dos Coldplay. Imagina o absurdo noutras profissões. O canalizador arranja-te o cano: – palmas! O dentista acaba a desvitalização: – todos de pé, senhores! O caixa do supermercado passa o código de barras sem engolir uma ameixa: – bis! bis!

Portanto, além de aterrar — que já era o mínimo olímpico da profissão — o piloto ainda consegue perturbar o meu único sono decente a 11 mil metros de altitude. “Senhores passageiros, acabámos de chegar em segurança.” Sim, ótimo. Era precisamente o pacote que eu tinha comprado. Mas não. Há sempre aquele grupo de passageiros que reage à aterragem como se tivesse acabado de assistir à multiplicação dos pães. Palmas. Sorrisos. Gente emocionada. Só falta alguém gritar: “Ele conseguiu! O maluco conseguiu!”

Calma, minha gente. Não atravessámos o Cabo das Tormentas num barco de madeira. Fizemos Lisboa – Toronto sentados ao lado de um senhor que comeu uma sandes de atum às sete da manhã, cheia de “alho”.

E depois há sempre aquele aplauso tímido no avião… começa com duas pessoas lá atrás, muito entusiasmadas, provavelmente as mesmas que agradecem ao multibanco quando o dinheiro sai. Clap… clap clap… e a cabine entra em crise: “Acompanhamos? É tradição? Ou estamos só a fazer figura?”

Não, António. Estamos num autocarro com asas. Só isso.

E a lógica devia aplicar-se a tudo: elevador chega ao rés-do-chão — génio da engenharia. Wi-Fi funciona à primeira — Nobel imediato. Micro-ondas aquece a lasanha sem zonas geladas — praticamente Tesla renascido. Se vamos celebrar o básico, façamos bem: aterragem com confettis, banda na pista, faixa gigante: “Obrigado por fazeres o teu trabalho.” O piloto lá dentro diz  “…eu aterrei. Era o plano.”

E isto é como um cirurgião sair e ouvir dizerem: “Ele fechou o abdómen! Nunca duvidámos!” Mas atenção: respeito total pelos pilotos. Só não percebo o timing das palmas — que é sempre exatamente quando eu estava finalmente a dormir, com o pescoço em modo origami. No fundo, o meu problema nem é com as palmas. É com o horário das palmas. Porque acontecem sempre no exato segundo em que eu estava finalmente a dormir, encostado à janela, com o pescoço numa posição clinicamente impossível, a babar discretamente para a manga do casaco. Clap clap clap. Acordo. Sem saber se cheguei a Roma ou se começou uma revolução.

E, no avião, aquelas mulheres que, momentos antes da aterragem, vão-se perfumar na minúscula casa de banho e deixam a aeronave com um cheiro capaz de matar qualquer mosca ou mosquito. Ou então, ainda, aqueles que viajam como se fossem a uma gala de estrelas de Hollywood… E pronto… agora vou bater palmas ao padeiro porque o pão veio… em formato de pão e tem sal.

O voo turístico da realidade portuguesa (turbulência incluída)

Por cá a viagem agora é outra, e eu, embora não sendo piloto, faço o aviso : “Senhores passageiros, senhora comunidade, bem-vindos ao voo especial Mês de Portugal – edição comemorativa permanente, porque cá celebramos tudo até deixar de fazer sentido. Informamos que vamos entrar numa zona de ligeira instabilidade atmosférica — também conhecida por realidade quotidiana — onde tudo parece bem organizado em PowerPoint, mas na prática depende de alguém que ainda está a ver se há orçamento, se há consenso ou se entretanto já passou a vontade.

Durante o voo, poderão sentir fenómenos normais como: sorrisos institucionais tão largos que deviam ter HST; abraços obrigatórios com gente que ontem era “complicada”, mas hoje já é “parceira estratégica”; e aquele clássico português: unidade total… até alguém dizer “vamos alinhar isto melhor” e a cabine entrar em revisão estrutural emocional. Atenção: hoje seguimos todos na mesma direção. Não por GPS — que isso dava demasiado conforto — mas por tradição. E tradição, como se sabe, é seguir em frente mesmo quando ninguém tem bem a certeza de onde é “frente”, mas ninguém quer ser o primeiro a perguntar.

Pedimos que permaneçam sentados, ou de pé, ou emocionalmente disponíveis, com espírito patriótico em modo atualização contínua. Se houver vento, não se alarmem: é só o país a testar mais uma vez a nossa capacidade de aguentar pequenas tragédias com café, piadas e uma resignação altamente funcional. E lembrem-se: nada é mais forte do que a nossa capacidade nacional de improvisar soluções provisórias para problemas permanentes, enquanto dizemos com convicção que ´desta é que vai ser´. Seguimos juntos… até à próxima ideia brilhante que ninguém pediu, mas que vai mesmo assim para  Produção”. Seguimos juntos até….à casa de banho do parque, porque normalmente acabo sempre apertado, com grande urgência e com o planeamento feito num “oito”.

Manual não oficial da vida comunitária: onde ninguém sabe tudo, mas todos têm opinião

A vida comunitária é aquele lugar onde todo mundo se conhece… mesmo quando preferia não conhecer tanto assim. Tudo começa nas reuniões da comunidade. A ideia é resolver problemas, mas normalmente acaba numa maratona de opiniões, onde alguém sempre diz “na minha época era melhor” e outro responde “mas isso nunca foi resolvido mesmo”. No fim, sai uma decisão… ou pelo menos a promessa de uma. E quando parece que acabou, alguém lembra de “um assunto rápido” que dura mais 40 minutos e reabre tudo outra vez. O grupo de WhatsApp/Facebook é outro ecossistema. Começa com um inocente “bom dia comunidade” às 6h da manhã e, quando piscas o olho, já tem 83 mensagens, 19 figurinhas repetidas, um áudio de 4 minutos sem necessidade e uma discussão filosófica sobre um evento paranormal.. Nos eventos comunitários, tudo é “simples e organizado”… até começar. Aí vira fila, improviso, alguém esquecendo algo e sempre uma pessoa dizendo “mas ficou bonito mesmo assim”. E tem sempre alguém que leva uma caixa de bolos “só para ajudar” e vira herói oficial do dia. E claro, tem o clássico “vizinho fiscal”, que sabe tudo: quem chegou, quem saiu, quem falou alto e quem pegou mais uma cadeira sem pedir. Ele não precisa de agenda — ele é a agenda.

No fim, viver em comunidade é isso: um misto de confusão, convivência e muita história engraçada — porque se não levar na brincadeira, não dá pra acompanhar o ritmo. Mas, de alguma forma, entre o caos e as reuniões que nunca terminam, ainda aparece aquele momento raro em que todo mundo ri junto e finge que “dessa vez vamos ser mais organizados”. E fica sempre a promessa adiada: “da próxima é que é com qualidade”.  Termino, caro leitor, como escreveu o meu amigo Augusto Bandeira na anterior edição deste jornal: “Nós podemos melhorar se soubermos ouvir. Muitas pessoas erram não por má intenção…”. Ah pois é meu amigo, hoje em dia é burro quem quer e muitos têm as orelhas bem pequenas.

Romulo M. Ávila/MS

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