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MARE alerta: Portugal na linha da frente da literacia do oceano, falta passar do conhecimento à ação

No Dia Mundial do Oceano, e no âmbito das celebrações dedicadas à Literacia do Oceano, Portugal vê a sua rota científica traçada a nível internacional. A editora Springer Nature acaba de publicar uma obra global em três volumes, editada por Teresa J. Kennedy (Universidade do Texas), que reúne cerca de 250 autores de 42 países […]

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Universidade de Coimbra coordena descoberta de novas orquídeas africanas

Duas novas espécies de orquídeas descobertas na África Central estão a ajudar cientistas a compreender melhor como plantas tropicais interagem com os seus polinizadores e a revelar um tipo de polinização raramente observado na natureza. O estudo, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra mostra, ainda, que estas espécies, agora identificadas, já se encontram ameaçadas de extinção.

As espécies, pertencentes ao género Rhipidoglossum, foram identificadas através de uma abordagem que combinou trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica. Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo pouco comum: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso mariposas noturnas, um comportamento raramente documentado.

Estas observações ajudam a confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.

As novas espécies foram encontradas em regiões da África Central, incluindo áreas montanhosas e florestas tropicais, consideradas importantes centros de biodiversidade. No entanto, apresentam uma distribuição limitada e já foram classificadas como ameaçadas, sobretudo devido à destruição de habitat.

Para os investigadores, este trabalho demonstra que a biodiversidade tropical é não só mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas. A falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e proteger estas espécies antes que desapareçam.

“No grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registo pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência. Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com maiores lacunas de informação. Estudos que combinem coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam”, refere Arthur Macedo, doutorando do CFE.

Os investigadores registaram ainda interações entre grilos e flores de orquídeas, um fenómeno extremamente raro e pouco documentado em escala global. Esta observação representa uma descoberta inédita e sugere que estes insetos poderão desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente.

“A grande diversidade floral de Rhipidoglossum deixa adivinhar muitas interações desconhecidas. Quem sabe se os grilos não poderão ser os polinizadores principais de alguma espécie na flora da África Tropical?”, questiona João Farminhão, investigador do CFE e orientador principal.

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Il caccia europeo franco-tedesco non verrà mai prodotto: progetto fallito a causa dello scontro tra Airbus e Dassault

Il fallimento era stato in qualche modo anticipato dalle indiscrezioni dei mesi scorsi. Oggi, ad ufficializzarlo ci hanno pensato fonti del governo tedesco: il progetto del caccia europeo costruito in partnership tra Francia e Germania attraverso i loro colossi dell’aviazione Airbus e Dassault è definitivamente fallito. L’aereo da combattimento Fcas (Future Combat Air System), quindi, non vedrà mai la luce. Rivelazioni giornalistiche sostenevano che il “tradimento” fosse opera di Friedrich Merz, più interessato al progetto curato da Italia, Regno Unito e Giappone (Global Combat Air Programme). Ed è proprio da Berlino che arriva l’annuncio della fine del progetto: “Il presidente Macron e il cancelliere federale sono giunti alla valutazione condivisa che le aziende coinvolte non siano riuscite a trovare un’intesa sulla costruzione di un caccia comune – spiegano fonti governative tedesche – Il cancelliere Merz ha quindi suggerito al presidente Macron di non proseguire nella costruzione di un aereo da combattimento comune”.

Il sistema d’armi era stato ideato per sostituire gradualmente i rispettivi caccia nazionali, oltre a quelli spagnoli, e vantava una tecnologia innovativa definita un ‘sistema di sistemi‘, dato che l’aereo pilotato avrebbe dovuto collaborare con sciami di droni e un cloud da combattimento. Un progetto da miliardi di euro che doveva entrare in funzione dagli anni Quaranta del 2000 e avrebbe avuto il merito di unificare i sistemi d’arma di tre fra i principali Paesi dell’Ue, ma che oggi deve essere considerato definitivamente abortito a causa di controversie durate anni su competenze, tecnologie e ripartizione degli appalti. L’unica eredità che questo progetto mai nato potrebbe lasciare è quella di un sistema comune europeo, con la rinuncia allo sviluppo franco-tedesco e la creazione esclusiva di un cloud militare europeo. Le fonti tedesche che hanno dato l’annuncio precisano non a caso che “questo rappresenta in qualche modo il sistema nervoso che mette in rete aerei, droni e altri componenti in un insieme integrato”.

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Atletas de Portimão apurados para Mundial de Hyrox

João Araújo e Marcos Barbosa, atletas do ginásio EPIC Fitness (Portimão) garantiram a qualificação para o Campeonato do Mundo de HYROX e vão representar Portugal e a cidade de Portimão no próximo dia 20 de junho, em Estocolmo (Suécia).

A qualificação foi conquistada após uma vitória marcante na prova de Bolonha, em Março deste ano, onde a dupla alcançou o 1.º lugar da sua categoria.

O HYROX, atualmente uma das modalidades de endurance e treino híbrido com maior crescimento mundial, combina corrida com exercícios funcionais de elevada intensidade, reunindo milhares de atletas em competições internacionais.

Para João Araújo, proprietário do ginásio EPIC Fitness e atleta de 44 anos, esta conquista representa muito mais do que um resultado desportivo. Depois de iniciar o percurso no HYROX em Novembro de 2024, numa altura em que a modalidade ainda dava os primeiros passos em Portugal, assumiu rapidamente um compromisso total com a competição, acumulando atualmente 15 provas internacionais e vários pódios além-fronteiras.

Ao seu lado estará Marcos Barbosa, de 48 anos, cujo percurso no HYROX começou em 2024, após mais de duas décadas ligadas ao surf e ao treino desportivo. Atualmente instrutor de ginásio e treinador de HYROX, Marcos descreve a modalidade como um verdadeiro ponto de viragem na sua vida pessoal e profissional.

A parceria competitiva entre os dois atletas começou na época 2025/2026, quando decidiram competir juntos na categoria Pro Duplas com um objetivo claro: alcançar o Campeonato do Mundo. Desde então, somaram vários resultados de destaque internacional, incluindo pódios em Poznan, Turim, Bolonha, Lisboa e Berlim, consolidando uma dupla marcada pela superação e espírito de equipa.

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Perseguição no mar do Algarve. Uma lancha rápida foi apreendida

Uma Embarcação de Alta Velocidade (EAV), alegadamente utilizada no narcotráfico, foi apreendida pela Polícia Marítima, com o apoio dos Fuzileiros da Marinha e em cooperação com a Polícia Judiciária. Esta apreensão resultou de ações de vigilância e fiscalização ao largo da costa algarvia.

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Tamara Fernández Varela: drugged, raped and filmed by her husband

She could hardly believe it. Sitting at home, Tamara Fernández Varela kept reading and re-reading the letter from the court in Carballo, in Spain’s northwestern Galicia region, notifying her that her ex-husband had drugged, raped and photographed her. It included six images. In some she appeared completely naked. “I kept looking at them and saying: it can’t be me. Such brutality doesn’t fit inside your head. A woman looking dead in a bed. And it’s me,” recalls the 43-year-old woman. Her mother and she both began to scream. They screamed so loudly that a frightened neighbor called an ambulance.

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© ÓSCAR CORRAL

Tamara Fernández Varela in Carballo (A Coruña), May 29, 2026.
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Despiste em Castro Marim faz um morto e um ferido grave

Uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida na sequência do despiste de uma viatura em Castro Marim. O acidente ocorreu ao início da tarde de hoje.

De acordo com o Comando Regional de Emergência e Proteção Civil (CREPC) do Algarve, o alerta foi dado às 13h02, tendo o despiste ocorrido no Itinerário Complementar (IC) 27, via rodoviária que liga os concelhos de Castro Marim e Alcoutim.

Segundo a Arenilha TV, entre as vítimas está uma mulher grávida, sendo que a outra é um homem que foi encontrado em paragem cardiorrespiratória, depois de a viatura ter caído do viaduto, acabando por falecer no local apesar da assistência médica.

A GNR está a investigar as circunstâncias em que ocorreu o despiste.

No local estiveram operacionais dos bombeiros, elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), apoiados por várias viaturas e um helicóptero.

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Polícia Marítima apreende embarcação suspeita de narcotráfico

Uma Embarcação de Alta Velocidade (EAV) alegadamente utilizada por redes de tráfico de droga foi apreendida pela Polícia Marítima ao largo da costa algarvia, no âmbito de uma operação de vigilância e fiscalização desenvolvida pelo Comando Regional da Polícia Marítima do Sul, em cooperação com a Polícia Judiciária e com o apoio do Destacamento de Abordagem dos Fuzileiros da Marinha.

Em comunicado, a Autoridade Marítima Nacional (AMN) informou que a operação teve origem num alerta para a presença de uma Embarcação de Alta Velocidade (EAV) imobilizada em águas oceânicas a sul de Faro. Durante a aproximação dos meios das autoridades, foram ainda identificadas duas outras embarcações nas proximidades.

Segundo a AMN, “ao aperceberem-se da presença policial, as embarcações iniciaram uma fuga a alta velocidade”, levando ao desencadeamento de uma perseguição marítima.

Durante a ação, acrescenta a mesma fonte, “as embarcações suspeitas efetuaram diversas manobras evasivas com o objetivo de evitar a interceção”. Apesar dos esforços desenvolvidos pelos meios empenhados na operação, não foi possível intercetar as duas embarcações em fuga.

A embarcação inicialmente sinalizada acabou por ser apreendida e rebocada.

De acordo com a Autoridade Marítima Nacional, esta operação insere-se no esforço contínuo das autoridades para combater a utilização da costa portuguesa como plataforma logística para atividades criminosas transnacionais, em particular o tráfico de estupefacientes por via marítima.

A AMN sublinha ainda que a Polícia Marítima mantém “um elevado nível de vigilância e prontidão operacional”, recorrendo a meios navais, equipas especializadas e à cooperação permanente com entidades nacionais e internacionais, reforçando a capacidade de deteção, acompanhamento e interceção de embarcações suspeitas associadas ao narcotráfico.

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Em Junho, chega o Verão, pode ver-se os objetos de céu profundo e uma micro Lua cheia

O primeiro evento astronómico significativo deste mês de Junho tem lugar no dia 8, altura em que a Lua atinge a sua fase de quarto minguante junto à constelação do Aquário.

Na noite de dia 9, os planetas Vénus e Júpiter apresentar-se-ão a pouco mais de um grau e meio (três vezes o diâmetro da Lua) um do outro. Vénus será o mais brilhante destes dois planetas, situando-se entre Júpiter e Pólux, uma estrela situada numa das cabeças da constelação do Gémeos, até junto do planeta Júpiter. Vénus continuará a sua deslocação para leste ao longo do mês, chegando aos limites da constelação do Caranguejo no dia 12.

Ao final da madrugada de dia 10, a Lua irá nascer junto ao planeta Saturno e, dois dias depois, junto ao planeta Marte.

O planeta Mercúrio atingirá a sua maior elongação (afastamento relativamente à posição do Sol) no dia 15, coincidindo com a Lua Nova.

A presença da Lua na direção do Sol dar-nos-á a oportunidade de observarmos melhor a Via Láctea e alguns objetos do céu profundo, como a Nebulosa da Lagoa (ou Messier 8), uma nebulosa interestelar situada na constelação do Sagitário, ou os aglomerados estelares Messier 10 e o da Borboleta (Messier 6) situados, respetivamente, na constelação do Ofiúco e do Escorpião.

Como o nome “objetos de céu profundo” sugere, a observação destes astros requer a ausência de fontes de poluição luminosa, tais como as luzes das cidades.

Ao final do dia 16, a Lua passará ao lado de Mercúrio e, na madrugada seguinte, junto ao planeta Júpiter. De notar que a distância entre estes dois planetas irá diminuindo aos poucos, até chegarmos ao dia 25, altura em que distarão em cerca de quatro graus, i.e., pouco menos do que três dedos vistos com o braço estendido.

Por sua vez, ao final de dia 17, a Lua passará tão perto da direção do planeta Vénus que será possível ver este planeta a ser ocultado pela lua ao longo de uma faixa que vai do Canadá até ao nordeste brasileiro, passando pelo norte do México, e incluindo países como a Venezuela ou Cuba

Na noite de dia 18, não só iremos observar o alinhamento dos planetas Mercúrio, Júpiter e Vénus, mais a estrela Régulo, como também o crescente da Lua.

De todas as efemérides deste mês, a mais importante irá ocorrer as 9h25 da manhã de dia 21. Neste dia, a Terra atingirá o ponto da sua órbita no qual o hemisfério norte se encontra mais inclinado na direção do Sol: é o que neste hemisfério é conhecido por solstício de Verão por marcar o início desta estação.

Ao final deste mesmo dia 21, a Lua atinge a sua fase de quarto minguante, enquanto que a Lua Cheia chegará ao início da última madrugada do mês. No entanto, por esta última fase lunar ocorrer pouco depois da Lua ter atingido o seu apogeu (ponto da órbita mais alto), ela apresentar-se-á ligeiramente mais pequena do que é habitual: é o que se chama de micro Lua cheia.

Boas observações!

Sul Informação

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Encontrado corpo de homem desaparecido no rio Guadiana em Mértola

O corpo de um homem de 37 anos, de nacionalidade brasileira, foi encontrado ao final da tarde de domingo, 7 de junho, no rio Guadiana, na zona das Azenhas do Guadiana, concelho de Mértola, após uma operação de buscas desencadeada depois de a vítima ter desaparecido na água.

O alerta foi dado após o homem ter entrado em dificuldades no rio Guadiana, acabando por desaparecer da superfície da água na zona das Azenhas do Guadiana.

Na sequência da ocorrência, a Autoridade Marítima Nacional desencadeou uma operação de busca coordenada pelo Capitão do Porto e Comandante Local da Polícia Marítima de Vila Real de Santo António.

Nas buscas estiveram envolvidos tripulantes das Estações Salva-vidas de Vila Real de Santo António e Tavira, elementos do Comando Local da Polícia Marítima de Vila Real de Santo António, Bombeiros Voluntários de Mértola, militares da GNR, bem como equipas de mergulho dos Bombeiros Voluntários de Serpa e de Moura.

Após várias horas de buscas, as equipas de mergulho dos Bombeiros Voluntários localizaram um corpo submerso no rio Guadiana, procedendo à sua remoção da água. Tudo indica tratar-se do homem que se encontrava desaparecido desde o início da tarde.

O auto de verificação do óbito será realizado pela Delegada de Saúde Regional. Após contacto com o Ministério Público, o corpo será transportado para o Gabinete Médico-Legal do Baixo Alentejo pelos Bombeiros Voluntários de Mértola, para realização dos procedimentos legais necessários.

O Comando Local da Polícia Marítima de Vila Real de Santo António tomou conta da ocorrência.

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Massacre do Rio: “Era pra ser o morto 123”

Douglas não pensou que fosse tiro, muito menos de fuzil. Parecia um soco muito forte no lado direito do rosto. Mas era bala de calibre 7.62 rasgando seu maxilar após atravessar o vidro do carro. Em entrevista à Agência Pública, as lembranças voltam em flashes: ameaças para que saísse do automóvel com mãos na cabeça, a porta que não abria, o zumbido de mais disparos cortando o vento, sua esposa pedindo socorro, vizinhos gritando “é trabalhador”. Lembra também de não conseguir falar, pois sua língua estava em pedaços, e da nuca melada de sangue por causa de um projétil que passou de raspão e que, por um centímetro ou menos, não explodiu sua cabeça.

Era noite de 28 de outubro de 2025, data da maior chacina da história do país. No amanhecer daquele dia, 2,5 mil policiais entraram nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, mataram 117 pessoas e perderam cinco agentes de segurança: no total, foram 122 mortos no massacre, onze a mais que o do Carandiru, em 1992, na cidade de São Paulo. 

Douglas Christian da Silva, 31 anos, poderia ter sido o morto número 123, como lhe diziam os policiais que o vigiavam no Hospital Geral de Bonsucesso, para onde ele foi levado e ficou 57 dias. 

Foi tudo muito rápido: aproximadamente 11 horas após o início da Operação Contenção, Douglas saiu do condomínio onde morava com a esposa e dois filhos, a menos de 5 quilômetros do Complexo do Alemão, para fazer uma entrega. Levou produtos naturais de emagrecimento, que sua mulher vendia, para uma cliente do mesmo bairro, Inhaúma. Pensou que voltaria em poucos minutos, antes que as crianças dormissem, mas foi perseguido por quatro policiais militares do Batalhão Tático de Motociclistas ao se aproximar de casa.

Após ser alvejado por policiais, Douglas ficou 57 dias internado no Hospital Geral de Bonsucesso
Após ser alvejado por policiais, Douglas ficou 57 dias internado no Hospital Geral de Bonsucesso

“Disseram que mandaram eu parar, mas não vi e nem ouvi ninguém até escutar os tiros. Atiraram pra matar, miraram na minha cabeça”, afirma, na sala de casa, enquanto sua filha Duda, de 9 anos, estuda no sofá para a prova de geografia. Ele ficou 17 dias em coma. Precisou ser entubado e passar por uma traqueostomia para sobreviver, pois estava engolindo sangue e o mesmo se acumulava nos pulmões. Quando reabriu os olhos e acordou, viu um policial de plantão dentro do quarto. Alguns dias depois, teve um ataque de pânico quando o efeito da sedação começou a passar e, como não estava algemado naquele momento – o que ocorria de vez em quando a pedido da equipe médica, para realização de algum procedimento –, tirou todos os fios de monitoramento e tubos conectados ao seu corpo, entre eles a sonda nasogástrica por onde se alimentava. “Parecia um pesadelo, eu não estava consciente e acabei me jogando no chão”, conta. Carine Ferreira de Andrade, de 30 anos, casada com Douglas há nove, passou semanas sem ver o marido.  

Ele estava sob custódia do Estado.  

Só depois Douglas compreendeu que, na madrugada seguinte a ele ser baleado, os dois policiais que fizeram disparos, Francisco das Chagas Garcia Júnior e Allan Souza Rocha, apresentaram na 44ª Delegacia de Polícia, também em Inhaúma, um revólver calibre 38. Disseram que a arma pertencia a Douglas e que ele próprio indicou onde ela estaria assim que saiu do carro. Imagens a que a Agência Pública teve acesso, filmadas com celular por vizinhos do condomínio, mostram um dos PMs colocando sobre o automóvel todos os objetos que estavam no seu interior. É possível ver os produtos de emagrecimento e uma mochila escolar do caçula do casal, Benjamin, de 6 anos. Não havia revólver, que só foi apresentado na delegacia às 4h22 da manhã – Douglas foi baleado por volta das 21h.   

Também não houve exame residuográfico. Ou seja, não há nada, nem foto, nem vídeo, nem exame que conecte a arma ao Douglas.   

PMs apresentaram revólver atribuído a Douglas horas após a ação; não há foto, vídeo ou exame que o ligue à arma
PMs apresentaram revólver atribuído a Douglas horas após a ação; não há foto, vídeo ou exame que o ligue à arma

“Pode observar que um policial até ajuda meu marido a se levantar”, observa Carine à reportagem. “Eles estavam desesperados, sabiam que erraram. Se tivesse uma arma no carro, ela teria aparecido na hora, na frente de todos, e não com o dia quase amanhecendo. Eles só queriam saber de tirar o carro do lugar, não queriam chamar ambulância e nem perícia.” Segundo documento da Polícia Civil anexado ao inquérito, a perícia no automóvel só foi acionada quando os policiais chegaram à delegacia, para onde o veículo já havia sido levado. 

A sorte, conta Carine, foi que chegou uma viatura com outros dois policiais que levaram ela e Douglas ao hospital, de onde ele só saiu dois meses depois – pesando 59 quilos, 21 a menos do que seu peso no início da internação. “O policial ainda disse ‘vamos levar ele pro Hospital Geral de Bonsucesso, se for para o Hospital Getúlio Vargas, ele não vai sobreviver’”, recorda. Não apareceram gravações feitas por policiais, embora no Rio seja obrigatório o uso de câmeras corporais. 

Apenas um dos policiais o tratava com respeito no leito de cuidados intensivos. “Quando eu urinava na fralda, ligavam o ar condicionado no máximo e me deixavam sem cobertor, para eu sentir frio. Eu chegava a bater o queixo de tanto frio”, diz.

Ouvia eles conversando na troca de plantão. Falavam ‘esse aí era pra ser o morto 123’
Operação Contenção resultou em 121 mortos e é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro
Operação Contenção resultou em 122 mortos e é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro

Acusado de homicídio e porte ilegal de uma arma que nunca foi sua  

O caso de Douglas não é simples. Apesar de ser réu primário, os policiais o acusam de tentativa de homicídio qualificado, desobediência e porte ilegal de arma. Os crimes imputados contrariam evidências de sua inocência identificadas por um grupo de analistas forenses independentes, que elaborou uma reconstrução em 3D fornecida à Agência Pública: a partir de depoimentos, da única perícia feita no carro, das câmeras de vizinhos e do sistema de segurança do condomínio de Douglas. Se for condenado, pode pegar mais de 20 anos de sentença. 

Quando recebeu a reportagem, Douglas tinha uma tornozeleira eletrônica vigiando cada passo. Às 19h do dia da entrevista, como em todos os dias, o aparelho começou a vibrar – era hora de voltar para casa, embora ele ainda tivesse muitas entregas a fazer. Como a família está precisando de dinheiro, arriscou fazer uma última entrega, por ser perto de casa, enquanto a esposa, preocupada, aguardava na janela. “Chegou”, disse aliviada ao vê-lo se aproximar. 

“É uma situação inacreditável. Eles quase me matam e depois me processam”, resume o entregador e pequeno empreendedor, que hoje vende sucos e lanches naturais com Carine, aluna da faculdade de nutrição, e também trabalha com delivery em uma loja de pipoca. 

Como revela o vídeo da reportagem, os depoimentos dos policiais têm uma série de inconsistências. Eles alegam que Douglas atirou neles primeiro ao ser perseguido, mas as imagens mostram que todos os vidros do carro estavam fechados, e a única marca de projétil na janela do motorista tem altura compatível com o ferimento no rosto de Douglas, segundo o estudo em 3D feito pelos analistas forenses. E a única perícia no automóvel – feita no pátio da delegacia após os policiais tentarem trocar os pneus e chamarem um guincho privado para levá-lo embora, o que pode configurar fraude processual – confirma que os cinco tiros identificados no veículo foram disparados de fora para dentro.

Esse mesmo laudo de dez páginas – afirma que o tiro que atravessou o vidro do motorista, além de ter sido disparado de fora para dentro, foi de frente para trás, ou seja, a moto acelerou para ultrapassar o automóvel e o policial que disparou estava posicionado na frente do carro.

  • Laudo pericial contesta versão da polícia
    Laudo pericial contesta versão da polícia
  • Laudo pericial contesta versão da polícia
    Laudo pericial contesta versão da polícia
  • Laudo pericial contesta versão da polícia
    Laudo pericial contesta versão da polícia
  • Laudo pericial contesta versão da polícia
    Laudo pericial contesta versão da polícia

Como não houve perícia interna no veículo e tampouco na cena do crime, a reconstrução 3D gerou um cenário provável, a partir do estudo de trajetórias aproximadas, utilizando um modelo idêntico ao veículo da vítima (um Hyundai HB20) e um modelo humano com a mesma altura de Douglas. Para determinar o caminho inicial do projétil (do atirador ao rosto da vítima) que provavelmente o atingiu, em razão da compatibilidade de alturas entre a marca e o ferimento na mandíbula, os analistas combinaram a foto do vidro perfurado ao modelo 3D do carro, definindo a altura exata do ponto de entrada. E a partir das fotos dos ferimentos, identificaram um segundo ponto, no rosto de Douglas. 

Sequelas 

Além do processo a que responde, Douglas ficou com sequelas graves do tiro que tomou. Para reconstruir o maxilar, os médicos do hospital retiraram 13 centímetros da fíbula de sua perna esquerda e colocaram esse osso na base do maxilar. Com isso, ele perdeu os movimentos dos dedos do pé esquerdo. E com o impacto da batida do carro no meio-fio de seu condomínio, ele sofreu uma lesão no joelho direito que o impede de caminhar corretamente. 

Mas ele anda, “e o importante é não ficar parado”, diz, apoiando-se nas paredes ao subir as escadas de sua casa. 

No dia 11 de março, mais um passo em sua recuperação com a retirada da traqueostomia – procedimento cirúrgico que cria uma pequena abertura na parte frontal do pescoço para alimentação. No mesmo dia, foi liberado para voltar a comer pela boca depois de cinco meses. Nos primeiros dois meses após ser baleado, ficou sem falar e sem ver os filhos enquanto estava no hospital. Ele e a família se comunicavam por cartas e bilhetes. O primeiro que ele escreveu para Carine foi: “São coisas ruins que vêm para o bem. Vai passar, eu creio”. 

Douglas ficou sob custódia no hospital até 24 de dezembro de 2025, véspera do Natal, quando ganhou alta. Com a ajuda de um advogado, Carine conseguiu uma decisão judicial de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Ele não pode sair de casa entre 19h e 6h de segunda a sexta, e em nenhum momento de feriados e fins de semana. Está em casa, com sua família, e há duas semanas voltou a trabalhar fazendo entregas, sempre dentro dos horários estipulados. 

Conseguiu uma prótese dentária doada por um dentista, pois perdeu dez dentes com o tiro. Ainda precisa de fisioterapia para as duas pernas e para reaprender a mastigar e engolir – por enquanto, só come comida líquida ou pastosa. Ele chegou a pagar algumas sessões de fisioterapia, mas cada uma custa R$ 100 e, por isso, precisou parar. “Estava pesando no orçamento, ainda mais comigo nessas condições, ainda sem poder trabalhar normalmente”, lamenta.

Também precisa de um psicólogo que atenda pelo SUS, pois se sente inseguro ao sair na rua, mas tanto esse profissional quanto um fisioterapeuta precisam ser indicados por um médico da Clínica da Família – eles estão esperando uma consulta há três meses.

“Na sexta-feira passada, a polícia me parou durante uma entrega. Tremi igual vara verde. Fiquei com medo, mas mostrei meu celular, meu WhatsApp e o policial viu que sou trabalhador. Foi gentil, me deu boa noite. Mas e se ele não acreditasse?”, indaga. 

A Pública perguntou à Polícia Militar sobre a conduta dos policiais, pediu explicações sobre a razão pela qual eles tiraram o carro de Douglas do local em vez de acionarem a perícia e indagou o motivo pelo qual imagens das câmeras corporais não foram apresentadas no processo. A resposta: “De acordo com a Corregedoria-Geral, dois procedimentos apuratórios foram instaurados em relação a esta ocorrência. Ambos foram arquivados”. Quanto às câmeras corporais, que são de uso obrigatório, a corporação nada disse.

Segundo relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, dos 2.500 policiais envolvidos na Operação Contenção, apenas 183 utilizaram câmeras, menos de 8% do efetivo mobilizado. Dessa câmeras, 52 passaram por uma análise preliminar no Ministério Público do Rio de Janeiro, que concluiu que 17,6% dos policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) que atuaram na ação retiraram as câmeras corporais do uniforme. Outros 8% obstruíram intencionalmente as imagens durante a ação. 

Com tornozeleira eletrônica, Douglas cumpre prisão domiciliar. “As pessoas na rua veem a tornozeleira e me olham como se eu fosse um monstro.”
Com tornozeleira eletrônica, Douglas cumpre prisão domiciliar. “As pessoas na rua veem a tornozeleira e me olham como se eu fosse um monstro.”

Sem informação e sem defesa 

O defensor André Castro, coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, afirma que o bloqueio de informações por parte das autoridades do estado é quase absoluto. Do total de 117 vítimas civis, os defensores estão cuidando de 20 casos – os outros estão sem defesa ou com advogados particulares, como Douglas. 

“Mas a situação de quem está sem defensor e sem advogado não difere muito das outras. Não estamos tendo acesso a nada”, afirma Castro. “Pedimos acesso aos laudos e não recebemos. Pedimos as câmeras dos policiais, nos deram 500 horas de imagens, mas existem mais de 3 mil horas no total. Tem muita imagem dos policiais nas viaturas, na base, preparando a operação – ou seja, recebemos só uma pequena fração e ainda assim não foi aleatória, nada do que é confronto está ali. Uma pessoa pode ter sido executada, outra podia estar atirando na polícia. Precisamos ter elementos que indiquem o que aconteceu.”  

Em um documento anexado aos autos do processo, o advogado de Douglas, Gilberto Santiago Lopes, afirma que “os policiais, em um ato de desespero ao perceberem que erraram ao disparar cinco vezes em direção ao veículo do denunciado, alteraram o local do fato, imputaram à vítima uma arma e ainda retiraram o veículo do local”. Ele pede que sejam disponibilizadas as imagens das câmeras corporais dos policiais e requer a absolvição sumária do cliente. A história de Douglas chamou a atenção da imprensa internacional e foi apresentada de maneira proeminente em um documentário da Al Jazeera, chamado Brazil’s Bloody War in the Favelas (A Guerra Sangrenta do Brasil nas Favelas).     

Uma das coisas que dão força a Douglas são seus filhos. Duda, a mais velha, é craque de futebol no time da escolinha. Recentemente foi campeã de um torneio no Centro de Formação Zico. “Mostra a medalha, filha”, pede o pai, e a menina atende, orgulhosa. “Era eu quem a levava aos treinos e jogos. Agora não dá. Quando saio com minha família durante a semana, as pessoas na rua vêem a tornozeleira e me olham como se eu fosse um monstro. Fim de semana fico trancado em casa”, conta. 

Quando ele estava no hospital, Duda lhe escreveu um bilhete que Douglas lê e relê ao se sentir triste. “Pai, quando você estiver nos piores momentos, eu, Maria Eduarda, vou te amar da Terra à Lua ida e volta.” Ele agradece a Deus por ter sobrevivido, mas reza todos os dias para ter sua vida de volta.

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Albufeira acolhe conferência sobre o Decreto Lei 108/2026 do ‘Novo Urbanismo’ publicado a 29 de maio

15 de junho – 09h00 / 16h00 ‘O NOVO URBANISMO – AS TRANSFORMAÇÕES IMPLEMENTADAS NA GESTÃO DO TERRITÓRIO PELO DECRETO – LEI N.º 108/2026’

Numa iniciativa do urbanista António Góis Nóbrega e integrada no Ciclo de Conferências sobre Urbanismo, Habitação e Qualidade de Vida, por si promovido e sem quaisquer fins lucrativos, decorre no Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira, no próximo dia 15 de junho, entre as 09h00 e as 16h00, a conferência subordinada ao tema: ‘O Novo Urbanismo – As Transformações Implementadas na Legislação do Território, pelo Decreto Lei N.º 108/2026’.

Publicado no dia 29 de maio, este normativo vem alterar profundamente, alguns dos aspetos essenciais da legislação que envolve a gestão urbanística.

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, INEVITÁVEL NA GESTÃO URBANÍSTICA, A RESOLUÇÃO DE CONFLITOS POR ARBITRAGEM E A RESPONSABILIZAÇÃO DOS INTERVENIENTES SÃO TEMAS A DEBATER E A APROFUNDAR

O novo diploma alivia e até isenta o controlo prévio municipal dos projetos e das obras em muitas situações, remetendo ao promotor e aos técnicos responsáveis a responsabilidade pelo cumprimento da lei e consequentemente da segurança e salubridade, mas estabelecem prazos para controlo sucessivo das operações urbanísticas.

ATÉ QUE PONTO AS AUTARQUIAS ASSUMIRÃO A RESPONSABILIDADE CIVIL PELOS ATOS PRATICADOS NO ÂMBITO DA GESTÃO URBANÍSTICA?

O planeamento e a gestão do território envolvem matéria fundamental em todos os setores relacionados com a vida humana.

A terra representa o suporte da existência e estabelece as suas regras específicas quanto á forma como o ser humano deve desenvolver as suas atividades.

NESTE EVENTO SERÃO DEBATIDAS, FRONTALMENTE, QUESTÕES PERTINENTES E DE SUSTENTABILIDADE DE TODO O SISTEMA DE CONTROLO PÚBLICO NO ÂMBITO DA GESTÃO URBANÍSTICA

A defesa, a sobrevivência, a seguranças, a saúde pública ou privada, a habitação, a família, a educação, cultura, tudo acontece no meio em que vivemos.

O debate objetivo e produtivo, a partilha de informação e a troca de conhecimentos neste domínio, mostra-se tão relevante como a qualidade da sociedade que construímos.

A NOVA LEI ALIVIA O CONTROLO PREVENTIVO POR PARTE DA CÂMARAS MUNICIPAIS, ASSIM, A PERGUNTA: SEM O CONTROLO PRÉVIO DAS CÂMARAS MUNICIPAIS, COM QUE METODOLOGIA, A ENGENHARIA GARANTIRÁ A SEGURANÇA E SALUBRIDADE DAS EDIFICAÇÕES?

Foram convidadas a participar em parceria, entre outras, as Ordens Profissionais diretamente envolvidas e que desempenham um papel fulcral, tanto na interpretação das regras, como e especialmente, na sua aplicação prática.

Foram convidados a participar na conferência:

  • Ordem dos Engenheiros; – (confirmada)
  • Ordem dos Advogados – (confirmada)
  • ASMIP – Associação dos Mediadores do Imobiliário – (confirmada)
  • Ordem dos Arquitetos;
  • O Prof. Doutor Rosaldo Rossetti – Categrático Especialista em Inteligência Artificial aplicada ao urbanismo – U. Porto
  • Associação Portuguesa de Arbitragem – Inovação na Resolução de Conflitos na Gestão Urbanística – DL 108/2026
  • A APPC _ Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores

Participam ainda, como oradores:

  • Dr. João Luis Gonçalves – Procurador – Tribunal Central Administrativo – Autor do Livro – ‘A Responsabilidade Civil das Autarquias’
  • António Góis Nóbrega – Urbanista e organizador do Ciclo de Conferências – URBANISMO, HABITAÇÃO E QUALIDADE D VIDA.

ENVOLVIDOS TÉCNICOS PROJETISTAS E DIRETORES DE OBRAS, A FIM DE SE APROFUNDAR A DIGNIDADE DO TERMO DE RESPONSABILIDADE, OU SEJA, O TERMO SUBSCRITO PELO TÉCNICO, GARANTIRÁ, EFETIVAMENTE, O CUMPRIMENTO DA LEGALIDADE E A SEGURANÇA JURÍDICA.

Estas e muitas outras questões importantes e oportunas, serão abordadas nesta Conferência que tem como Media Partner o jornal diariOnline Região Sul. O debate consciente e informado é a base essencial de qualquer política pública credível.

Tendo em consideração a lotação da sala, as inscrições serão aceites pela ordem de registo e regularização. A participação na conferência tem um custo de 90,00€, valor que deve ser pago através de transferência bancária para o NIB: 0045.7012.4000.1231702.11, enviando depois o comprovativo para o e-mail: urbanismoordenamento@gmail.com. Para participar pode inscrever-se clicando aqui.

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Odemira lança edição zero da Bienal dedicada à arte, ciência e comunidade

A edição zero da Bienal Arte e Ciência de Odemira vai decorrer de 3 e 5 de outubro, numa iniciativa da Câmara Municipal deste concelho do litoral alentejano.

Trata-se de uma nova plataforma internacional de criação, experimentação e pensamento contemporâneo ligada ao território, às comunidades e à diversidade cultural e ecológica da região.

Com curadoria de Hugo Cruz, a iniciativa pretende afirmar Odemira como um espaço de encontro entre arte, ciência, ambiente, educação e participação cidadã, através de um programa que cruza residências artísticas, espetáculos, instalações e obras em espaço público, conversas e oficinas.

Tendo como tema “Tentemos”, esta edição inaugural parte da ideia de experimentação como ponto de ignição para imaginar outras realidades futuras, integrando o exercício de tentar o “e se…” nas práticas artísticas, culturais e sociais do cotidiano.

A Bienal propõe, segundo a Câmara de Odemira, «um espaço de dúvida, escuta e construção coletiva, valorizando processos colaborativos e abordagens interdisciplinares que aproximem pessoas, territórios e saberes diversos».

Com uma forte aposta na colaboração e na criação coletiva, a programação da Bienal desenvolverá um conjunto de residências artísticas que articularão os conhecimentos do território com o pensamento contemporâneo internacional.

Esta abordagem visa estimular novas formas de imaginar e construir o presente e o futuro, entendendo as comunidades como os lugares centrais da experiência cultural e reforçando uma cultura descentralizada, acessível e participativa, com efeito artístico, social e territorial.

De acordo com Hugo Cruz, curador do evento, «esta Bienal pretende ser um cruzamento onde nos encontramos para tomarmos outras direções. A ideia é tentar a construção de um lugar de encontros improváveis e inadiáveis entre as comunidades locais, seus protagonistas e vivências quotidianas, a natureza, os espaços públicos e artistas de Odemira, do país e do mundo».

«É um apelo a tentarmos imaginar-nos de outras formas, a nos reencantarmos com todas possibilidades que a vida pode ter – isso implica que pelo menos TENTEMOS», acrescenta.

Nas palavras de Hélder Guerreiro, presidente da Câmara de Odemira, «esta Bienal inaugura uma das bases estratégicas e é um dos pilares da nossa proposta de ação política: um exercício criativo de cerzir os dois pensamentos distintos que estão no centro da cultura e da ciência, permitindo gerar mais valor e mais conhecimento aplicado que contribua para o aumento da qualidade de vida e atratividade do território. É o que nos move, que nos inspira e que mobiliza para que TENTEMOS a realização desta Bienal».

A edição inaugural decorrerá entre 3 e 5 de outubro e marcará o início de um ciclo de criação e pensamento contemporâneo em Odemira, afirmando a cultura como motor de desenvolvimento territorial, coesão social e sustentabilidade.

O programa completo será lançado em setembro.

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Vídeo: Homem é agredido com porrete e sofre ferimentos na cabeça e no tórax após briga

Um homem ficou ferido após sofrer uma agressão física na tarde de sábado (06/06), na Rua dos Tupinambás, nas proximidades de um estabelecimento comercial, no bairro Mangabeira, em Feira de Santana. O caso ocorreu por volta das 15h40 e mobilizou equipes da Polícia Militar.

Segundo informações da corporação, policiais do 25º Batalhão da Polícia Militar foram acionados pelo Centro Integrado de Comunicação (Cicom) para verificar uma denúncia de lesão corporal. Ao chegarem ao endereço informado, os militares constataram que o agressor já havia fugido.

Testemunhas relataram que a vítima foi atingida com golpes de porrete. Equipes que atuaram na ocorrência identificaram lesões na região da cabeça e do tórax, além de sangramento aparente provocado pelas agressões.

Após a avaliação inicial, profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizaram os primeiros atendimentos no local. Em seguida, o homem foi encaminhado para uma unidade hospitalar para receber cuidados médicos.

A vítima foi levada ao Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), onde permaneceu sob observação médica. Uma guarnição da Polícia Militar acompanhou o deslocamento até a unidade de saúde.

Foto e Vídeo: Redes Sociais

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Exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser vista em Moura

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo”, do Museu Botânico do Instituto Politécnico de Beja, está patente na Galeria do Espírito Santo, em Moura, até 30 de junho.

Esta exposição apresenta algumas das mais emblemáticas plantas alentejanas, que na Primavera e no Verão dão cor agroecossistemas alentejanos.

Os registos fotográficos foram feitos durante levantamentos florísticos realizados por João Portugal, no Baixo Alentejo.

A investigação científica associada a este trabalho é da autoria de Paula Nozes e Luís Mendonça de Carvalho.

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 09h00 e as 12h30 e as 14h00 e as 17h30.

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Ventos estranhos fornecem as pistas mais convincentes obtidas até à data de atividade magnética em exoplanetas

Uma equipa de astrónomos encontrou as pistas mais convincentes obtidas até à data de que alguns planetas fora do nosso Sistema Solar podem ser magnéticos. Com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), e do telescópio Gemini North, os investigadores mediram as velocidades dos ventos em sete exoplanetas muito quentes, semelhantes a Júpiter.

As observações revelaram que os ventos nestes planetas são muito provavelmente regidos por campos magnéticos, proporcionando a primeira medição fiável de magnetismo em planetas fora do Sistema Solar.

“Esta descoberta abre uma nova janela na investigação de exoplanetas. Trata-se da primeira vez que é possível comparar os ambientes magnéticos de outros mundos, um passo fundamental para, em última análise, compreender quais os planetas que podem manter-se habitáveis, conservar a sua água e, talvez, um dia, albergar vida tal como a conhecemos”, diz Julia Seidel, astrónoma no Laboratoire Lagrange, Observatoire de la Côte d’Azur, em França, e autora principal do estudo publicado na Nature Astronomy.

O campo magnético da Terra influencia a nossa atmosfera de maneiras complexas e é, por isso, um factor determinante para compreendermos como é que o nosso planeta é capaz de suportar vida. Existem também campos magnéticos noutros planetas do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno. No entanto, nos últimos 15 anos, ainda ninguém tinha conseguido medir diretamente a intensidade de campos magnéticos em exoplanetas, o que aconteceu agora.

A equipa, no entanto, não tinha como objetivo inicial medir campos magnéticos, mas sim ventos. Foram medidas as velocidades do vento em sete exoplanetas que orbitam estrelas diferentes: gigantes gasosos como Júpiter, cada um deles situado muito próximo da sua estrela anfitriã e com acoplamento de maré, ou seja, com a rotação sincronizada com a órbita.

Tal como nós vemos apenas um lado da Lua, também estes planetas mantêm sempre uma face voltada para a sua estrela, o que resulta num lado diurno escaldante e num lado noturno gelado. Esta diferença de temperaturas entre os dois lados do planeta dá origem a um clima muito diferente do existente na Terra, com a criação de ventos tremendamente fortes.

As velocidades dos ventos nos exoplanetas observados variam entre cerca de 7200 km/hora e mais de 25 000 km/hora. Em termos de comparação, em Júpiter os ventos mais rápidos atingem velocidades de cerca de 1500 km/hora.

“Inicialmente queríamos verificar se os ventos atmosféricos se comportavam do mesmo modo em todos os planetas quentes,” explica Seidel, que já trabalhou como astrónoma no ESO, no Chile. Para as medições, a equipa utilizou dados do instrumento ESPRESSO, instalado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama, e dum instrumento semelhante colocado no telescópio Gemini North, no Havai, EUA.

Ao analisarem como é que a velocidade dos ventos variava em função da temperatura do planeta, os investigadores viram surgir um padrão muito intrigante: quanto mais quente o planeta, mais lento o vento.

“Este resultado é totalmente contraintuitivo porque, em condições iguais, os planetas quentes dispõem, naturalmente, de mais energia para acelerar os ventos! Assim, suspeitámos que algo deveria estar a acontecer para fazer com que a velocidade dos ventos fosse menor nos planetas mais quentes”, explica Vivien Parmentier, coautor do estudo e professor no Laboratoire Lagrange, em França.

A equipa concluiu que a explicação mais plausível para este mistério passa, muito provavelmente, pela presença de campos magnéticos na globalidade do planeta, já que estes campos podem funcionar como um travão, abrandando assim o movimento de partículas carregadas na atmosfera.

Os dados permitiram aos investigadores inferir a intensidade do campo magnético em cada um dos planetas estudados, tendo-se descoberto que é comparável à dos campos encontrados no nosso Sistema Solar: aproximadamente quatro vezes mais forte do que o de Saturno, ou cerca de metade da intensidade do de Júpiter.

Campos magnéticos tão intensos poderão afetar mais do que apenas os ventos nestes planetas distantes. “Na Terra conhecemos a beleza das auroras boreais e austrais, onde partículas carregadas do Sol colidem com o nosso campo magnético e são guiadas para os pólos, colidindo com gases na atmosfera para produzir espetáculos coloridos de verde, rosa e roxo“, explica a coautora do estudo Bibiana Prinoth, ex-doutoranda da Universidade de Lund, na Suécia, e atualmente astrónoma do ESO em Garching, na Alemanha.

Nos exoplanetas estudados, as auroras induzidas magneticamente podem ser ainda mais espetaculares. A equipa aguarda com expetativa a chegada do Extremely Large Telescope do ESO, que ajudará a caracterizar não só grandes exoplanetas, semelhantes a Júpiter, mas também outros mais pequenos, como a Terra, possivelmente até detectando gases que possam produzir auroras nestes mundos distantes. “Gosto de imaginar que alguns destes mundos têm um céu repleto não só de estrelas, mas também de vastas cortinas de luz colorida a dançar sobre um planeta, onde em metade há um dia perpétuo e noutra metade uma noite interminável,” afirma Prinoth.

Sul Informação

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Governo anuncia colocação de mais de 5.400 professores em zonas carenciadas

VTM

As listas definitivas de colocação de docentes da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário foram publicadas pela Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE). De acordo com os dados, foram colocados 19.172 professores, dos quais 5.454 em zonas do país com dificuldades na atração e retenção de docentes.

O ministério, liderado por Fernando Alexandre, afirmou que a colocação antecipada, a mais de três meses do início do ano letivo de 2026/2027, é crucial para garantir a estabilidade e o planeamento da vida pessoal e profissional dos docentes e das escolas. No Quadro de Zona Pedagógica 45, que inclui localidades como Amadora e Cascais, foram colocados 2.814 professores, enquanto no Quadro de Zona Pedagógica 46, que abrange Alcochete e Setúbal, foram alocados 1.124 docentes.

O MECI destacou que as áreas com maior carência foram o 1.º Ciclo do Ensino Básico, com 3.090 colocações, a Educação Especial 1, com 1.784, e a Educação Pré-Escolar, com 1.697. O 1.º Ciclo do Ensino Básico tem enfrentado uma escassez significativa de docentes nos últimos anos.

Além disso, 14.396 professores de carreira mudaram de local de vínculo através do concurso interno, enquanto 4.776 docentes foram integrados nos quadros do MECI através do concurso externo. O ministério também informou que os candidatos admitidos ao concurso externo que não foram colocados poderão participar na ‘contratação inicial’ a partir de 06 de julho.

Os docentes colocados têm um prazo de cinco dias úteis para aceitar a colocação na plataforma eletrónica SIGRHE da AGSE. O MECI anunciou que, a partir do ano letivo de 2027/2028, o modelo de colocação de docentes sofrerá alterações significativas, com a introdução de um concurso interno e externo anual, que garantirá a mobilidade dos docentes já vinculados e a satisfação de necessidades permanentes.

O ministério sublinhou que este novo modelo visa respeitar a expectativa de conciliação da profissão docente com a vida familiar, assegurando que a colocação respeitará sempre a graduação profissional. Haverá também um concurso contínuo ao longo do ano para atender às necessidades temporárias das escolas, permitindo a mobilidade interna dos professores e o recrutamento de novos docentes disponíveis para ensinar.

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Termo de identidade e residência para detido por violência doméstica

VTM

A detenção ocorreu na passada terça-feira, na sequência de uma denúncia que dava conta de agressões no interior de uma habitação. Quando chegaram ao local, os militares da Guarda Nacional Republicana encontraram a vítima com lesões na zona da cabeça, alegadamente provocadas durante uma discussão entre o casal.

Segundo a GNR, as diligências realizadas permitiram apurar que a mulher estaria a ser alvo de violência física, verbal e psicológica de forma continuada. A investigação revelou ainda a existência de comportamentos de controlo, insultos e humilhações dirigidos à vítima.

O suspeito foi detido em flagrante delito por militares do Posto Territorial de Macedo de Cavaleiros, com o apoio do Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE).

Presente ao Tribunal Judicial de Macedo de Cavaleiros para primeiro interrogatório judicial no dia seguinte à detenção, foram-lhe aplicadas as medidas de coação de proibição de contactos com a vítima e de aproximação à mesma a uma distância inferior a 200 metros. Ficou ainda sujeito a termo de identidade e residência.

A GNR relembra que a violência doméstica é um crime público e apela à denúncia de todas as situações de que haja conhecimento, através das autoridades competentes ou das linhas de apoio disponíveis.

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“Punições são quase simbólicas”, diz Amanda Paschoal sobre violência de gênero na política

A violência política de gênero segue sendo uma das principais barreiras à participação das mulheres na vida pública. Segundo levantamento do Instituto Alziras, 92% das pessoas acusadas por esse tipo de violência são homens, evidenciando a desigualdade que ainda marca os espaços de poder. 

Em ano eleitoral, esses ataques ganham destaque nas redes sociais e espaços de poder, com as mulheres e pessoas LGBTQIA+ entre os principais alvos. Ainda assim, são elas que continuam construindo projetos políticos comprometidos com uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva, a exemplo da deputada federal Erika Hilton e da vereadora Amanda Paschoal (PSOL-SP), que, mesmo sendo constantemente alvo de transfobia e violência política, atuam em temas de grande apelo popular e que mobilizam diretamente o debate público nacional, como a proposta pelo fim da escala 6×1.

Neste episódio do Pauta Pública, Andrea Dip conversa com Paschoal sobre os desafios da participação política em tempos de avanço da extrema direita. A partir de sua própria experiência como alvo de violência política, Amanda analisa o papel das fake news, a lentidão das instituições na responsabilização dos agressores e os riscos desta realidade para a democracia. 

“As candidatas agora vão sofrer com as mentiras, com as fake news e com a misoginia, com a violência de gênero que é tão presente na nossa sociedade e tão explorada pela extrema direita”, afirma.

Confira os principais trechos da entrevista e ouça o podcast abaixo.

EP 219 A luta por uma democracia mais justa e inclusiva – com Amanda Paschoal

5 de junho de 2026 · Amanda Paschoal fala sobre violência política, transfobia e a disputa pelo futuro da democracia brasileira

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Qual é sua trajetória na vida e como você entrou para a política?

Eu nasci no extremo sul de São Paulo, perto do Grajaú. Cresci em Aracaju (SE) e volto para São Paulo com 18 anos. Através das experiências profissionais que tive aqui na cidade, que foram sempre subempregos, e também através de contatos que eu fui criando de redes de afeto e redes de militância, eu chego até o ativismo.

Eu cheguei até a militância através da educação popular quando ingressei num cursinho popular preparatório para o Enem, para vestibulares, que é o cursinho Transformação, ainda está em curso. Eu participei desse projeto no projeto piloto e acho que eu fiquei uns quatro meses de agosto até dezembro e aí eu ingresso na universidade, em gestão de turismo no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e sigo nesse coletivo na construção dando suporte para construção e para a manutenção do próprio coletivo e lá eu construí também outro coletivo, que é o TRANSarau, que é um coletivo de arte e depois surgiu uma possibilidade de trabalhar com a Érika Hilton.

Comecei primeiramente na recepção do mandato dela e fazendo as reuniões de articulação política e depois de eu assumi a agenda dela e me tornei a sua principal assessora, em 2021, logo quando ela se elege para vereadora, como a mulher mais bem votada do país e aí passamos para a campanha de deputada federal e vou com ela pra Brasília. Aí chegam pautas importantíssimas como a pauta do fim da 6×1, que chegou através do Rick Azevedo, e é um grande sonho realizado para toda a sociedade brasileira e um direito dos trabalhadores que vai ser alcançado.

E aí, quando chegou o final de 2023 para o começo de 2024, surgiu a necessidade da formação de uma nova figura política, de uma nova liderança para tocar o município, que ficou descoberto por uma travesti, no caso, porque a Erika foi para Brasília. E aí ela me fez a proposta. Eu aceitei. Foi um desafio muito grande, mas que recebi com muita honra e com muita responsabilidade, por poder estar à frente desse projeto e dar continuidade ao legado tão incrível que ela construiu aqui na Câmara.

Junto com o Suplicy, ela esteve à frente da Comissão de Direitos Humanos. Foi a primeira a propor e presidir uma CPI [Comissão Parlamenar de Inquérito] para investigar a violência contra pessoas trans aqui em São Paulo. Depois veio a campanha, que foi muito intensa, foram 50 dias, mas uma campanha muito gostosa de fazer. Por mais desgastante que seja rodar São Paulo inteira, foi muito importante ver o reconhecimento e a receptividade das pessoas para uma nova liderança trans ocupar esse cargo. Aí tivemos a eleição, com esse sucesso e esses números que foram realmente muito impressionantes, mas ainda com muitos desafios.

O episódio de nomeação da Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, no dia 11 de março, foi algo extremamente importante e simbólico. Ao mesmo tempo, essa nomeação despertou muito ódio e violência, não apenas por parte do pessoal de sempre, mas também de mulheres cisgênero. Como você avalia esse momento e essas reações?

Eu acho que a Erika foi muito corajosa e muito necessária ao pleitear esse posto. Ela já era vice-presidenta da comissão na composição do ano passado. Todo esse ódio direcionado a ela é reflexo de uma construção social que explora e capitaliza o ódio contra pessoas trans e travestis.

Quando homens ocuparam a presidência da comissão, não houve essa mobilização nem esse nível de violência. Foi um ódio que mobilizou setores da sociedade e que, inclusive, colocou novamente em risco as pessoas trans que estão na ponta. Acho que esse é um fator importante.

A Erika foi muito desrespeitada e muito violentada por ocupar esse cargo. E isso acontece apesar do trabalho que ela desenvolve. Pela avaliação dos próprios projetos apresentados por ela sobre a pauta das mulheres em Brasília, 26 propostas, ela é a deputada federal que mais apresentou iniciativas voltadas às mulheres.

Não podemos separar ou considerar menos humana e menos digna de ocupar um espaço de poder uma pessoa unicamente por sua identidade de gênero. Acredito que a parte mais tensa desse embate já tenha passado, mas o problema continua. Esse é um tema do qual os setores da extrema direita sempre tentarão tirar proveito político, justamente porque conseguem capitalizar o fato de a Erika ser uma travesti ocupando esse posto.

A estratégia é tentar deslegitimar o trabalho dela, questionar sua capacidade de conduzir os trabalhos da comissão e, em alguns casos, até impedir que ela desenvolva plenamente suas atividades à frente de uma comissão tão importante para as mulheres do país.

Por outro lado, toda essa repercussão também trouxe visibilidade para a própria comissão. Muita gente sequer sabia da existência dela e passou a conhecê-la. Talvez isso permita mobilizar mais pessoas em torno de um trabalho que a Erika sempre realizou com excelência em Brasília, independentemente da comissão em que atuou.

Tenho certeza de que ela conseguirá desenvolver um bom trabalho, apresentar pautas importantes, defender bons requerimentos e seguir lutando pela vida, pela dignidade e pelos direitos das mulheres, meninas e crianças do nosso país.

Sobre o feminismo radical, retomando a questão das feministas que se posicionam contra a presença de mulheres trans nesses espaços, eu considero isso um grande desserviço. Vimos, por exemplo, a autora de Harry Potter [J. K. Rowling] financiar, no Reino Unido, ações para impedir que pessoas trans fossem reconhecidas como mulheres.

Toda essa agenda desumaniza pessoas trans. Enquanto vemos uma população extremamente vulnerabilizada e precarizada, uma parcela do feminismo dedica sua energia a combater uma diferença dentro da pluralidade do que significa ser mulher. Ao fazer isso, acaba se aliando ao patriarcado e ao fundamentalismo, forças que nos colocam abaixo da condição de humanidade.

Quando levantam essa bandeira, acabam se somando às mesmas estruturas que fazem mulheres cis e trans enfrentarem, até hoje, realidades marcadas pela violência e pela desigualdade.

Você mencionou a importância de responsabilizar quem pratica violência política. E essa responsabilização parece ser uma estratégia que a extrema direita utiliza com frequência, acionando a Justiça constantemente. Ao mesmo tempo, muitas vezes quem sofre violência política encontra dificuldades para obter respostas das instituições. Você mesma foi alvo desse tipo de violência e buscou responsabilização. Como avalia esse cenário?

Olha, tem um dado importante: na violência política de gênero, 92% dos acusados são homens [segundo levantamento do Instituto Alziras]. Então, a gente tem um ambiente muito hostil para as mulheres na carreira política. E, na verdade, é um ambiente hostil para as mulheres em todos os espaços da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, existe uma morosidade muito grande das instituições responsáveis por punir essas pessoas.

Foi o caso do próprio Marçal. Tudo bem que foi uma violência contra outro homem, mas ainda assim uma violência política contra um candidato. Teve também o governador Tarcísio, que divulgou uma fake news no próprio dia da eleição, dizendo que os presidiários votavam no Boulos. E a gente vê uma série de situações acontecendo sem que haja punição adequada.

Foi o que aconteceu comigo. No primeiro dia da primeira sessão plenária da Câmara Municipal, o Pavanato [Lucas Pavanato (PL/SP)] cometeu transfobia contra mim. Ele me chamou de homem durante a sessão. Eu acionei tanto o Ministério Público quanto a Corregedoria. A Corregedoria sequer admitiu o processo.

Teve ainda uma situação bastante intrigante: o relator da Corregedoria responsável pelo caso, que também é do PL, utilizou inteligência artificial para elaborar o relatório que recomendava a inadmissibilidade da minha denúncia.

Já o Ministério Público alegou que a questão não era de sua competência e que deveria ser tratada pela própria Câmara, por meio da sua instância parlamentar. Pode até ser um protocolo institucional, mas isso revela um problema muito grave.

Nós precisamos pensar em estratégias para dar mais rapidez à resolução desse tipo de violência. Mulheres — especialmente as candidatas que disputarão as próximas eleições — vão sofrer com mentiras, fake news, misoginia e violência de gênero, que são tão presentes na nossa sociedade e tão exploradas pela extrema direita.

Hoje, essas práticas acontecem sem a devida responsabilização. As punições, quando existem, são quase simbólicas. Não têm o peso que deveriam ter.

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China expands its spy networks across the European Union and beyond

Chinese espionage in the European Union and neighboring countries reveals its full scope when certain pieces are connected. The May 20 arrest in Germany of a German couple of Chinese origin who were taking military-technology information from universities is a particularly notable case. But it is only one of many. The episode exposes a strategy of large-scale, coordinated infiltration when placed alongside other arrests in EU member states and neighboring countries. In total, around 30 agents and collaborators have been uncovered in Europe and its vicinity in just the past two years; some were arrested, several expelled, and others are awaiting trial. China typically denies all espionage allegations and describes them as slander.

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© Pool (Getty Images)

Jian G., a German citizen and assistant to far-right MEP Maximilian Krah (of AfD), last September at the Dresden court where he was sentenced to four years and nine months in prison for spying for China.
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