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Morrer às comissões

A compra do Novobanco pelo grupo francês BPCE é um acontecimento estrutural no sistema financeiro português. Não é apenas mais uma transação; é a entrada em força de um dos grandes grupos europeus num mercado que até aqui vivia entre os sonhos de consolidação doméstica e a dúvida existencial sobre o futuro de um dos seus principais bancos.

O BPCE é um peso‑pesado. Em ativos globais, joga numa divisão em que os bancos portugueses nem sequer vão ao sorteio: dezenas de vezes maior dimensão, diversificação internacional, acesso a mercados de capitais que permitem captar financiamento a custos que um banco médio português dificilmente consegue. Essa escala não é um número bonito em relatórios, é uma vantagem competitiva real: dá capacidade para financiar grandes projetos, apoiar internacionalização e acomodar ciclos económicos adversos sem entrar logo em modo de sobrevivência.

Para as empresas nacionais isto pode dar uma ajuda. Um banco integrado num grupo como o BPCE pode oferecer mais produtos de banca de investimento, soluções de financiamento estruturado, apoio à emissão de dívida e acesso a redes internacionais. Potencialmente, é a porta de entrada das PME mais ambiciosas num circuito de financiamento que não para em Lisboa. Ao mesmo tempo, esta é uma entrada em grande, não um ensaio tímido.

O Novobanco é o quarto maior banco português, não um nicho, e passa a ser tratado como segundo mercado doméstico do grupo. Isso significa alocar capital, talento e tecnologia com outra ambição, tal como se viu quando a JP Morgan reforçou a presença na Alemanha, uma novidade a ter em conta e um sério aviso aos europeus: traz ferramentas globais para um mercado onde a estrutura de custos já é mais baixa, mas as margens ainda são interessantes. Portugal, com uma rede bancária a emagrecer, torna‑se um alvo óbvio para um gigante com apetite.

Este movimento contrasta com o que os bancos nacionais estão a fazer: fechar balcões, reduzir equipas, cortar caixas Multibanco, e a levar os clientes para aplicações e canais digitais. A revolução que passa por resolver tudo através do digital, com o mínimo de fricção e o mínimo de contacto pessoal – já começou. A questão é saber quem tem músculo tecnológico e escala de dados para ganhar esse jogo? Um grupo como o BPCE entra com plataformas, modelos de risco sofisticados, experiência em mercados mais competitivos e capacidade de investimento que pode acelerar essa transição em Portugal, em vez de apenas a gerir em modo defensivo.

Claro que há um trauma que paira no ar: a herança do BES, as injeções públicas, os anos de incerteza e profunda desconfiança. Mas é precisamente por isso que esta entrada francesa é relevante. Não estamos perante mais um fundo oportunista à espera de vender caro daqui a cinco anos. O que chega é um banco europeu de referência, com balanço, escala e estratégia, que não vem experimentar Portugal – vem instalar‑se; na verdade já está no Porto, com uma operação de respeito. Num sistema bancário que parece fechar-se sobre si próprio, ter um novo protagonista com esta dimensão é talvez o primeiro verdadeiro sinal da grande mudança que aí vem.

A banca americana de retalho já começou a molhar o pé, o Revolut já cá está. Compete à banca nacional deixar finalmente de limpar as feridas e avançar com alguma ousadia. Em abril, a diferença entre os depósitos das empresas e os créditos empresariais já era de três mil milhões. Uma perfeita anormalidade. Viver de comissões é, talvez, morrer lentamente às prestações.

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Revolut, la rivelazione del Ft: “Nel 2025 la Bce è intervenuta per limitare la crescita in Ue”

Il faro della Bce su Revolut, che cosa è successo

La Banca centrale europea è intervenuta lo scorso anno per frenare temporaneamente alcune attività di Revolut nel mercato europeo, imponendo limitazioni alla fintech più valorizzata del continente per timori legati alla velocità con cui venivano autorizzati e commercializzati nuovi prodotti finanziari. Secondo quanto riportato dal Financial Times, nell’estate del 2025 l’autorità di vigilanza ha circoscritto la possibilità per la divisione europea del gruppo di lanciare nuovi servizi nello Spazio economico europeo, chiedendo la correzione di alcune criticità riscontrate nelle procedure interne di approvazione.

L’istituto è stato inoltre tenuto ad affidare a un soggetto indipendente una verifica delle funzioni di gestione del rischio, compliance e supporto legale coinvolte nello sviluppo e nel lancio di nuovi prodotti. L’iniziativa della Bce mette in luce il delicato rapporto tra le strategie di espansione rapida delle fintech e le esigenze di controllo delle autorità, chiamate a tutelare i consumatori e a preservare la solidità del sistema finanziario.

La vicenda si inserisce anche nel più ampio confronto europeo sul difficile equilibrio tra regolamentazione e sostegno alla crescita di campioni tecnologici in grado di competere a livello globale, in particolare con i colossi statunitensi. Le attività europee di Revolut sono sottoposte alla supervisione congiunta della Bce e della banca centrale lituana, che nel 2018 ha rilasciato all’azienda la licenza bancaria europea.

Una fonte vicina alla società ha riferito che, a partire dalla scorsa estate, Revolut ha potenziato le proprie procedure interne di approvazione, introducendo controlli più stringenti e un maggiore coinvolgimento degli specialisti aziendali. Non è però chiaro se tutte le misure restrittive imposte dalle autorità siano state successivamente rimosse.

Nel frattempo, la fintech ha continuato ad ampliare la propria presenza sul mercato europeo, introducendo nuovi servizi come mutui, conti dedicati agli adolescenti e ulteriori sedi operative. Contattata dal quotidiano britannico, Revolut ha dichiarato di mantenere un “dialogo costante e costruttivo” con gli organismi di vigilanza, compresa la Bce, ribadendo il proprio impegno nel rispettare i più elevati standard di governance e controllo dei rischi.

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BCE colocou restrições à Revolut devido à rapidez de aprovação de novos produtos financeiros

BCE

O Banco Central Europeu (BCE) tomou medidas para restringir as operações da fintech Revolut no ano passado, avançou esta quarta-feira o Financial Times. Estas limitações à filial europeia da fintech, com sede no Reino Unido, deveu-se às preocupações sobre a rapidez com que a empresa aprovava novos produtos financeiros.

De acordo com fontes consultadas pela publicação britânica estas restrições temporárias, que foram aplicadas no verão passado, continuariam em vigor até que fossem corrigidas as “deficiências” nos processos de aprovação. A Revolut foi obrigada a realizar uma revisão por terceiros das suas funções de risco, conformidade e jurídicas que regem os lançamentos de novos produtos na Europa.

O Financial Times adianta também que as restrições foram ainda mais apertadas fora do bloco para a filial europeia da Revolut, impedindo-a de fazer aquisições ou de conquistar novos clientes fora do continente.

A publicação britânica referiu que o conselho europeu da Revolut foi informado das restrições em julho de 2025. Uma fonte referiu ao Financial Times que, desde o verão passado, a Revolut melhorou o seu processo interno de lançamento de produtos, com análises mais rigorosas de novas iniciativas por parte de especialistas internos.

A Revolut citada pela publicação britânica referiu que mantém um “diálogo contínuo e construtivo” com os seus reguladores, incluindo o Banco Central Europeu, como parte das suas operações normais enquanto banco totalmente licenciado. “A Revolut está empenhada nos mais elevados padrões de governação e gestão de riscos. Em conformidade com as expectativas de supervisão, reforçamos regularmente o nosso ambiente de controlo interno e os nossos processos operacionais”, acrescentou a fintech.

Já o BCE não prestou comentários.

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