Reading view

Irã alerta que Líbano é “força vital” de sua segurança regional”

A principal autoridade de segurança do Irã alertou neste domingo (14) que o Líbano ocupa uma posição central na estratégia de segurança regional de Teerã, afirmando que qualquer violação das “linhas vermelhas” da República Islâmica não será tolerada.

Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, escreveu na rede social X que “a unidade das frentes criou uma cadeia de segurança em defesa da região”.

“O Líbano é nossa força vital, e qualquer violação das linhas vermelhas da República Islâmica não será tolerada”, acrescentou.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também afirmou em uma publicação no X, neste domingo, que Israel “jamais conseguirá isolar e encurralar qualquer parte dos pilares da Resistência”, em uma aparente referência ao grupo militante libanês Hezbollah.

“A poderosa diplomacia do Irã garantirá a soberania e a integridade territorial do querido Líbano e colocará fim à loucura e ao belicismo do regime israelense”, acrescentou Ghalibaf, principal negociador iraniano nas conversações.

“Continuem, e nós também continuaremos”, escreveu Ghalibaf.

Os comentários das autoridades iranianas ocorreram depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu neste domingo que Israel não realizasse ataques contra o Líbano, enquanto Washington e Teerã negociam um memorando de entendimento relacionado à guerra.

“O ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido”, escreveu Trump na plataforma Truth Social. “Especialmente em um dia tão importante, quando estamos tão próximos de um acordo de paz com o Irã.”

Trump também declarou ao analista político e de assuntos globais da CNN e repórter do Axios, Barak Ravid, que a assinatura do memorando com o Irã continua prevista para ocorrer ainda neste domingo, apesar do mais recente ataque israelense a Beirute.

Nessas declarações, Trump fez duras críticas ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

  •  

Netanyahu quer reunião urgente com Trump após G7, diz fonte israelense

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está buscando uma reunião urgente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo uma fonte israelense, em meio ao que parece ser um aumento das tensões em relação às negociações com o Irã e ao cessar-fogo com o Hezbollah no Líbano.

Segundo a fonte, Netanyahu está tentando organizar um encontro após o retorno de Trump da cúpula do G7 na Europa na próxima semana, ou pouco depois disso.

Trump repreendeu duramente Israel no domingo (14), após as Forças de Defesa israelenses atacarem Beirute em resposta a disparos do Hezbollah contra o norte de Israel, afirmando que o ataque à capital libanesa “não deveria ter acontecido”. Ele também classificou o ataque do Hezbollah como “muito pequeno e sem significado”.

A troca pública de críticas contrasta fortemente com a frente unificada que os dois líderes demonstraram no início da guerra envolvendo o Irã e representa o mais recente episódio de uma série de divergências visíveis à medida que Trump tenta encerrar as hostilidades.

O presidente americano já havia limitado a liberdade de ação militar de Israel no Líbano; na semana passada, ordenou que Netanyahu cancelasse planos de ataque contra o Irã depois que Teerã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril.

De acordo com a fonte israelense, Netanyahu busca uma reunião com o presidente dos Estados Unidos após seu retorno do G7 para esclarecer e apresentar as posições de Israel nas negociações.

Israel está particularmente preocupado em preservar sua liberdade de atuação contra o Hezbollah no Líbano, enquanto o Irã pressiona pela retirada israelense, afirmou a fonte.

O governo israelense também teme que o acordo em negociação entre Washington e Teerã reduza a pressão econômica sobre o Irã sem abordar a questão nuclear, um resultado que poderia estabilizar o regime iraniano justamente em um momento em que Israel busca enfraquecê-lo ainda mais.

A CNN entrou em contato com o gabinete do primeiro-ministro israelense para comentar o assunto.

  •  

Trump diz que assinatura do acordo com Irã ocorrerá “ainda hoje mais tarde”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a assinatura do memorando com o Irã continua prevista para acontecer ainda neste domingo (14), apesar do mais recente ataque de Israel em Beirute.

“Estávamos programados para assinar o acordo esta manhã, e o ataque israelense em Beirute o atrasou. Acho que a assinatura ainda acontecerá mais tarde hoje, dentro de algumas horas. Mas o ataque israelense abalou as coisas”, disse Trump ao repórter do Axios e analista político e de assuntos globais da CNN, Barak Ravid, neste domingo.

Trump expressou sua discordância em relação à decisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de atacar Beirute. Mais cedo, o presidente publicou na plataforma Truth Social que o ataque a Beirute “não deveria ter acontecido” diante da iminente assinatura de um memorando de entendimento.

“Ligaram para mim e disseram: ‘Senhor, Israel está atacando Beirute’ — uma hora antes de assinarmos o acordo. Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. É muito ruim”, disse Trump a Ravid, segundo relato do jornalista no Channel 12.

Trump também afirmou a Ravid que comunicou a Netanyahu que estava muito “insatisfeito” com a situação.

Entenda como tensão em Ormuz afeta cessar-fogo entre EUA e Irã

  •  

Violência de gangues no Haiti desloca quase 600 mil pessoas em 2025

A violência gerada por gangues que operam no Haiti, particularmente na capital Porto Príncipe, expulsou de suas casas quase 600.000 pessoas durante 2025, fazendo com que o número de deslocados internos no país caribenho chegasse a 1,4 milhão, de acordo com um novo relatório da ACNUR, a Agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados.

Esses dados fazem parte do relatório anual de tendências globais da ACNUR, que analisa o fenômeno do deslocamento forçado no mundo.

Em nível global, 68,7 milhões de pessoas são deslocadas internas, diz o relatório publicado nesta quinta-feira. Embora o Haiti não esteja entre os países com mais casos — Sudão, com 9,1 milhões; Colômbia, com 7,2 milhões; e Síria, com 5,9 milhões —, a ACNUR alerta para o agravamento das condições de vida em seu território e para o risco que isso representa para a população.

“Ao longo de 2025, no Haiti, a violência relacionada a gangues, a desordem civil, os ataques direcionados contra civis e os confrontos violentos pelo controle territorial continuaram se intensificando, particularmente em Porto Príncipe e nas comunas vizinhas. Pouco mais de 574.300 haitianos foram deslocados internamente durante o ano. Como resultado, o número de deslocados internos aumentou drasticamente em 38%, chegando a 1,4 milhão no final de 2025”, diz o relatório.

“O Haiti se tornou cada vez mais inseguro, caracterizado por violações generalizadas dos direitos humanos e níveis alarmantemente altos de violência de gênero. Em resposta, em outubro de 2025 foi estabelecida uma Força de Supressão de Gangues por meio de uma resolução do Conselho de Segurança para combater a violência das gangues e melhorar a segurança de milhões de haitianos”, acrescenta.

Na América Latina, a Colômbia é o país com o maior número de deslocados internos, um fenômeno atribuído à violência gerada por diversos grupos armados e criminosos. Segundo a ACNUR, o número de casos no país sul-americano diminuiu 0,74% no último ano, passando de 7 milhões 265 mil em 2024 para 7 milhões 211 mil em 2025.

Haiti e Colômbia enfrentam alto risco humanitário, segundo ONGs

Haiti e Colômbia também figuram entre os países da América Latina que a organização não governamental Comitê Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês) mantém sob vigilância pelo risco de agravamento de crises humanitárias durante 2026, em um contexto global marcado por conflitos prolongados, deslocamentos forçados e redução da ajuda internacional.

O alerta faz parte da atualização de meio de ano da lista de emergência do IRC, um relatório que identifica os países mais expostos a emergências humanitárias. O Haiti aparece entre os 10 países com maior risco em nível global, enquanto a Colômbia integra o grupo ampliado de nações monitoradas pela organização.

Segundo a ONG, o mundo atravessa uma fase de crescente instabilidade na qual as crises se expandem mais rapidamente do que a capacidade de resposta internacional. O IRC afirma que sistemas-chave como a ajuda humanitária, a diplomacia e a proteção de refugiados estão enfraquecendo justamente quando mais são necessários.

“O resultado não é simplesmente uma maior instabilidade, mas um mundo que se torna progressivamente mais difícil de estabilizar”, diz o relatório.

Haiti entre os focos de maior preocupação

No caso do Haiti, o relatório alerta para o impacto da violência armada sobre a população civil e destaca o uso crescente de drones em cenários de conflito.

De acordo com o IRC, mais de 1.200 pessoas, incluindo pelo menos 17 crianças, morreram em ataques com drones desde 2025.

A organização alerta que essas tecnologias, cada vez mais acessíveis e menos regulamentadas, estão facilitando ataques em cidades e comunidades afastadas das linhas tradicionais de combate, com consequências devastadoras para a população civil. Outras organizações de direitos humanos também fizeram alertas nesse mesmo sentido.

O relatório também afirma que a expansão da violência e a deterioração das condições de segurança continuam agravando a crise humanitária em vários dos países incluídos na lista de monitoramento, entre eles o Haiti.

Deslocamento em níveis históricos

A publicação do relatório do IRC ocorre após a divulgação de novos dados da ACNUR que mostram que 118 milhões de pessoas permanecem deslocadas em todo o mundo, incluindo os 68,7 milhões de deslocados internos, um número que dobrou na última década e que continua próximo de níveis históricos máximos.

Segundo o IRC, cerca de 70% dos refugiados vive em situações de deslocamento prolongado, ou seja, há cinco anos ou mais longe de suas casas, sem perspectivas claras de retorno ou integração. A maioria vem de um grupo reduzido de países afetados por conflitos persistentes, entre eles Afeganistão, Sudão, Síria, Sudão do Sul, Mianmar e a República Democrática do Congo.

A ONG também alerta que quase 60% das pessoas deslocadas nunca cruzaram uma fronteira internacional, permanecendo dentro de seus próprios países, muitas vezes enfrentando novos deslocamentos provocados pela violência ou por fenômenos climáticos extremos.

“O primeiro recuo do deslocamento global em mais de uma década deveria ser uma boa notícia. No entanto, os números refletem sofrimento em uma escala histórica”, disse o presidente e CEO do IRC, David Miliband.

Miliband afirmou que grande parte da redução registrada neste ano se deve ao retorno de populações a países que ainda enfrentam crises profundas. “Retornos sem recursos não são uma solução; são um deslocamento duplicado”, declarou.

Menos recursos para responder às crises

O IRC também alertou para a queda da ajuda destinada aos países mais afetados por conflitos e fragilidade. Segundo seus cálculos, a proporção da assistência oficial ao desenvolvimento direcionada a esses Estados caiu de 43% em 2013 para 25% em 2024.

“As ferramentas para evitar uma piora existem: assistência em dinheiro, investimento contínuo em Estados frágeis e instituições multilaterais funcionais”, afirmou Miliband. “A questão é se os governos vão decidir usá-las ou permanecer à margem enquanto essa desordem crescente tira mais vidas e meios de subsistência.”

O relatório conclui que, sem maior investimento em ajuda humanitária e em mecanismos de prevenção e resposta, países vulneráveis como Haiti e Colômbia podem enfrentar maiores pressões sociais e humanitárias nos próximos meses.

 

 

  •  

Trump critica ataques de Israel ao Líbano e pede recuo de ofensiva

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou neste domingo (14) os ataques de Israel no sul de Beirute, capital libanesa. A ofensiva acontece na iminência da assinatura de um acordo provisório de paz entre Washington e Teerã.

“O ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão importante, quando estamos tão próximos de um Acordo de Paz com o Irã. Israel tem o direito de se defender contra ameaças, mas o ataque ao qual estava respondendo foi muito pequeno e sem relevância; ninguém foi ferido, machucado ou morto, e isso não deveria atrapalhar este processo tão importante”, escreveu o Republicano em sua rede social Truth Social.

Trump reiterou que o acordo de paz está próximo de acontecer e que a paz no Líbano faz parte dos termos. Ele pediu para que todas as partes recuem das ofensivas.

“Estamos muito próximos de um acordo que trará paz para a região, incluindo o Líbano, e todas as partes devem recuar. Não deve haver mais ataques de Israel em qualquer lugar do Líbano, mas também não deve haver mais ataques de qualquer outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel”, completou.

O Republicano fez, ainda, um apelo para que a oportunidade de paz não seja desperdiçada.

“Este pode ser o início de uma paz longa e maravilhosa — não vamos desperdiçar essa oportunidade!”, concluiu.

 

 

  •  

Análise: Dependência de Trump de funcionários interinos testa Constituição

Parece estranho que o presidente Donald Trump tenha nomeado um especialista em habitação para supervisionar a comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

Mas Trump mantém sua decisão de nomear de forma temporária Bill Pulte, o funcionário da área de habitação que o presidente quer que comece na próxima semana a “revolucionar as coisas” e sanear a instituição durante sua designação temporária à frente da comunidade de inteligência.

Os democratas, em protesto contra essa contratação, podem permitir que expire uma lei importante sobre vigilância estrangeira, enquanto os republicanos no Congresso estão agindo com urgência, segundo o mais recente relatório da CNN.

Parece um problema semelhante ao de líderes qualificados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças e da Administração de Alimentos e Medicamentos, que foram destituídos e ainda não foram substituídos.

O cargo de diretor-geral de Saúde Pública ainda não foi preenchido de forma permanente durante o segundo mandato de Trump.

O poder de Trump de avançar suas propostas de indicados para cargos-chave no Senado está diminuindo à medida que seu partido se prepara para as eleições de novembro, nas quais seus baixos índices de aprovação podem ser um peso para outros republicanos.

Como já fez em seu primeiro mandato, é provável que Trump recorra cada vez mais a diretores interinos em determinadas agências, ao menos enquanto a lei permitir.

Enquanto isso, ele continuará testando a própria lei, a Lei de Reforma de Vacâncias Federais de 1998, ao conceder a alguns assessores próximos uma enorme responsabilidade sobre múltiplas agências.

Esse não é um conceito novo no governo Trump, no qual o secretário de Estado Marco Rubio também atuou como arquivista interino, ou onde o diretor da Administração da Seguridade Social desempenha uma função dupla no cargo inventado de CEO do IRS, já que essa posição não pode mais ser ocupada legalmente de forma temporária.

O fio condutor de Pulte, o futuro diretor interino de Inteligência Nacional e diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação, cuja nomeação foi confirmada pelo Senado, não é nem a habitação nem a inteligência, mas sim, como informou a CNN, seu histórico de usar seu cargo federal para atacar os inimigos políticos de Trump.

Em 4 de junho, no Salão Oval, o presidente deixou claro que Pulte não permaneceria no cargo por muito tempo: “É um cargo interino, não é permanente”, declarou Trump.

E, em vez de alegar a necessidade de coordenar a inteligência em tempos de guerra, o presidente espera que, com Pulte no cargo, “ele possa descobrir algumas coisas sobre as eleições fraudulentas”.

“É um acúmulo de problemas de gestão”, comentou Max Stier, CEO da Partnership for Public Service, um grupo apartidário que defende um governo eficiente.

A administração pública, que já tem sido intimidada por tentativas de cortar cargos e eliminar o que Trump acredita ser um “estado profundo” conspirando contra ele, também precisa lidar com líderes que não têm experiência nas agências que dirigem.

“É uma receita para desperdício, corrupção, incompetência e um mau resultado para o povo americano”, afirmou Stier.

A escolha de Pulte por parte de Trump levanta questionamentos

A ascensão de Pulte, em particular, levanta duas questões distintas sobre como Trump tem conduzido o governo dos Estados Unidos:

  • O primeiro problema é o uso que Trump faz de funcionários interinos para contornar, temporariamente, o processo de confirmação do Senado, que pode ser controverso e político mesmo nas melhores circunstâncias. Todos os presidentes já fizeram isso, mas Trump o faz com muito mais frequência e de forma mais aberta. Em seu primeiro mandato, ele falou da “flexibilidade” que a ausência do processo de confirmação lhe proporcionava. Sem se importar com o fato de isso estar previsto na Constituição.
  • O segundo problema é o acúmulo de responsabilidades não relacionadas entre o grupo de assessores de confiança de Trump, o que criou múltiplas combinações de funções incomuns.

Em última análise, ambos os assuntos acabam sendo objeto de leis.

A lei que criou o cargo de diretor de Inteligência Nacional (DNI, na sigla em inglês), por exemplo, exige que qualquer pessoa indicada “possua ampla experiência em segurança nacional”.

Quando o anúncio foi feito, Pulte nem sequer tinha autorização de segurança, embora também não tenha sido indicado para o cargo permanente.

No entanto, outra parte da lei estabelece que, se ocorrer uma vacância, o vice-diretor principal de Inteligência Nacional “atuará em substituição” ao DNI durante esse período. O atual vice-diretor principal de Inteligência Nacional é um experiente ex-funcionário da CIA chamado Aaron Lukas.

Mas aqui entra outra lei.

A Lei de Vacâncias Federais de 1998 foi aprovada com apoio bipartidário para limitar a capacidade do presidente Bill Clinton de contornar a aprovação dos legisladores em nomeações políticas importantes que exigem confirmação do Senado. Em Washington, essas vagas são chamadas de PAS.

A Lei de Vacâncias estabelece um sistema um tanto complexo para preencher essas vagas.

Em primeiro lugar, determina que cargos de nomeação presidencial com confirmação do Senado só podem ser ocupados por seus vice-diretores, outros altos funcionários da agência ou outro funcionário confirmado pelo Senado. Pulte é um funcionário confirmado pelo Senado.

Mas também existem limites de tempo. Um funcionário interino só pode exercer o cargo por 210 dias após a abertura da vaga.

Se o presidente nomeia um substituto permanente, esse prazo de 210 dias é interrompido durante o processo de indicação. O presidente dispõe de mais um período de 210 dias para um interino caso a primeira indicação falhe ou seja retirada. Mas não há um terceiro período.

Segundo o Escritório de Responsabilidade Governamental dos EUA, presidentes de ambos os partidos têm violado sistematicamente essa lei.

Trump deixou cargos vagos em vez de nomear candidatos permanentes

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, já estava ocupado com a guerra comercial de Trump quando também recebeu a função de chefiar o Escritório de Ética Governamental.

Essa entidade deveria, em teoria, prevenir conflitos de interesse na administração, assim como o Escritório do Conselheiro Especial, que desempenha um papel importante no apoio a denunciantes do governo.

Trump não parece ver muita utilidade para nenhum dos dois cargos em seu segundo mandato. Nenhum deles tem atualmente um líder permanente.

As comissões estão sem figuras-chave

A Comissão Eleitoral Federal, que deveria ser bipartidária, atualmente não conta com comissários suficientes para iniciar investigações.

A Junta de Proteção dos Sistemas de Mérito dos EUA, responsável por lidar com reclamações de funcionários federais, conta de certa forma com quórum, mas apenas porque seu presidente, Henry Kerner, aprovado pelo Senado, também atua como vice-presidente interino.

Centenas de cargos políticos vagos

Segundo a organização sem fins lucrativos Partnership for Public Service, de Stier, existem cerca de 1.300 cargos que exigem aprovação do Senado.

Essa organização monitora mais de 800 cargos importantes, e mais de 270 deles não têm um indicado pela administração Trump.

Cerca de 100 cargos têm um candidato indicado, mas ainda não confirmado pelo Senado. De fato, essa taxa de confirmação para o “Trump 2.0” é ligeiramente superior à da administração Biden ou do primeiro governo Trump.

Mas a forma como Trump se apoia em funcionários interinos coloca à prova as leis que definem como essas vagas devem ser preenchidas e o espírito da Constituição, que tentou forçar um compromisso entre legisladores e o presidente ao exigir o “aconselhamento e consentimento” do Senado para altos funcionários do governo.

“Essa parece ser a principal lição que ele aprendeu em seu primeiro mandato: escolher pessoas que façam o que ele quer, não importa o quê, em vez de escolher pessoas que defendam a Constituição, o Estado de Direito e que sejam capazes de liderar essas organizações tão importantes e complexas, que tiveram um enorme impacto no público americano”, afirmou Stier.

  •  

Entenda o plano de Mamdani para a crise de moradia de Nova York

Os promotores imobiliários investiram milhões para impedir que Zohran Mamdani se tornasse prefeito da cidade de Nova York, alegando que suas políticas destruiriam a cidade.

Agora, no entanto, Mamdani busca o apoio deles.

Mamdani foi eleito com uma plataforma que incluía o congelamento do preço dos aluguéis e da habitação pública, e propôs durante a campanha um plano de US$ 100 bilhões para criar um modelo de habitação social no estilo de Viena.

No entanto, seu novo plano de US$ 22 bilhões para tirar a cidade de Nova York da crise habitacional depende dos promotores imobiliários.

Sua estratégia utiliza políticas orientadas pelo mercado, flexibilizando as regulamentações de construção, relaxando as restrições de zoneamento e resgatando o degradado parque de habitações públicas da cidade por meio de financiamento privado, para impulsionar seus objetivos social-democratas de 200.000 moradias acessíveis na próxima década.

Mamdani mudou de opinião sobre o “papel do mercado privado na construção de moradias” no final de sua campanha, e detalhou sua evolução política em um discurso na semana passada.

Os sucessos em Austin, Minneapolis e Seattle demonstraram que flexibilizar as leis de zoneamento e outras regulamentações é necessário para construir mais moradias e reduzir os aluguéis, afirmou.

Sua trajetória evidencia as tensões entre a ideologia política e os desafios da construção de moradias.

O desenvolvimento de novas habitações nos Estados Unidos é extremamente complexo e está cheio de obstáculos, como as leis de zoneamento e os processos de revisão pública, que variam de acordo com o código postal.

É especialmente difícil em Nova York, uma cidade com alto custo de vida, onde a terra é escassa e as regulamentações são rígidas. Mamdani está buscando soluções de compromisso para construir habitações acessíveis para os nova-iorquinos de baixa e média renda.

“Pode até ser ideologicamente socialista, mas a cidade está muito limitada em relação às suas possibilidades”, afirmou Eric Kober, pesquisador sênior do centro de estudos de políticas públicas Manhattan Institute e ex-alto funcionário do Departamento de Planejamento Urbano da cidade de Nova York.

Mamdani é um “YIMBY de esquerda”, disse Kober, referindo-se ao movimento YIMBY (“Yes, in my backyard” ou “Sim, no meu quintal”, em tradução livre) a favor do desenvolvimento imobiliário. Mas seu plano de habitação ainda contém políticas como regulamentações de aluguel que pressionam os promotores privados e podem enfraquecer a capacidade da cidade de construir tantas moradias quanto outras cidades.

“O setor privado não está fazendo isso por caridade”, concluiu Kober. “Se não permitirmos que eles lucrem, eles investirão em outro lugar.”

Congelamento do preço dos aluguéis

Austin, Minneapolis e Seattle mostraram a Mamdani que construir mais moradias de todos os tipos é fundamental para aliviar a crise habitacional de uma cidade como Nova York.

Essas cidades flexibilizaram suas leis de zoneamento e outras restrições nos últimos anos para construir moradias, o que contribuiu para a redução dos preços dos aluguéis. Austin, por exemplo, aumentou seu parque habitacional em 10,5% entre 2021 e 2024, e os aluguéis caíram 4%.

Mamdani quer que a cidade de Nova York siga esse caminho. No entanto, ele mantém suas políticas socialistas favoritas de habitação.

Mamdani apoia um congelamento dos preços dos aluguéis que seria aplicado a quase um milhão de apartamentos com aluguel regulado na cidade de Nova York, quase metade do parque de aluguéis da cidade. O Conselho de Diretrizes de Aluguel, designado pessoalmente por Mamdani, votará este mês para decidir sobre possíveis aumentos de aluguel dessas unidades.

Muitos prédios antigos com apenas apartamentos de aluguel regulado enfrentam forte pressão financeira. O aumento vertiginoso dos custos de serviços públicos, seguros e mão de obra, sem um incremento na receita, provocou o deterioro de alguns edifícios, levando os proprietários a inadimplirem seus empréstimos.

Um estudo revelou que congelar os aluguéis por quatro anos poderia levar alguns desses edifícios com aluguel regulado à falência, especialmente nos distritos periféricos de Nova York.

Mamdani anunciou uma isenção que permite a alguns proprietários com dificuldades financeiras, que recebem subsídios municipais, aumentar os aluguéis das unidades vazias, mas a maioria dos apartamentos regulados na cidade não atenderia aos requisitos.

Se a situação financeira desses prédios continuar se deteriorando, a cidade terá dificuldade para cobrir o déficit.

“Promete muito pouco alívio à crise financeira no que diz respeito a moradias com aluguel 100% regulado”, disse Kober. “Essa crise vai piorar.”

O sucesso de Minneapolis, um dos modelos de Mamdani para expandir a oferta de moradias, enfraquece seu apoio ao controle de aluguéis.

Em 2022, a vizinha St. Paul promulgou leis rígidas de controle de aluguéis, enquanto Minneapolis as rejeitou e se concentrou em flexibilizar as leis de zoneamento para acelerar a construção de moradias.

A construção de moradias cresceu em Minneapolis e estagnou em St. Paul. Os aluguéis em ambas as cidades evoluíram em direções opostas.

St. Paul agora está recuando em algumas partes de suas leis de controle de aluguéis.

  •  

Análise: Ataques letais da Ucrânia levam a guerra para dentro da Rússia

Quando Elena Vladimirovna acordou por volta das 4h da manhã com o som de um zumbido alto sobre seu apartamento na região de Moscou, ela olhou pela janela e viu vários drones no céu.

O barulho rapidamente diminuiu, e ela pensou que o perigo tinha passado. Mas então veio um forte estrondo vindo de perto.

“Embaixo de nós, sob a varanda, há uma cobertura como uma saliência. O drone caiu nessa cobertura e então pegou fogo; começou a sair uma fumaça preta”, ela relembrou. Um cômodo do seu apartamento no quinto andar pegou fogo.

A mãe de dois filhos, de 56 anos, que preferiu não revelar seu nome completo à CNN, disse que ela e um de seus filhos correram em direção ao incêndio com baldes e bacias de água. Mas, quando ouviram uma explosão, perceberam que deveriam pegar o cachorro e fugir.

O prédio dela em Zelenogrado foi apenas um entre muitos atingidos em uma onda massiva de ataques de drones ucranianos em 17 de maio.

Os moradores das maiores cidades da Rússia em grande parte têm sido poupados das realidades diárias da guerra da Rússia com a Ucrânia, que agora está em seu quinto ano. Mas, à medida que a Ucrânia passa a lançar cada vez mais ataques de longo alcance dentro do país, essa situação está mudando.

Além da ameaça direta representada pelos drones, os russos estão enfrentando crescentes escassez de combustível, já que os ataques da Ucrânia às refinarias de petróleo limitam o fornecimento.

Motoristas na Crimeia, sob controle russo, lidaram com racionamento de gasolina nesta semana após ataques ucranianos restringirem as entregas.

Ao mesmo tempo, a economia em contração, novas restrições ao acesso à internet, bloqueios de aplicativos de mensagens populares e preocupações com a vigilância estatal estão contribuindo para uma sensação mais ampla de inquietação, que já começa a se refletir em dados de pesquisas de opinião.

Drones ucranianos caíram sobre a segunda maior cidade da Rússia, a cidade natal do presidente Vladimir Putin, São Petersburgo, horas antes do início, na quarta-feira (10), do principal fórum de negócios e economia do Kremlin (SPIEF). Colunas de fumaça preta cobriam o céu enquanto milhares de participantes chegavam à cidade.

Destacando a capacidade da Ucrânia de atingir profundamente o território russo e interromper a vida cotidiana dos russos, os moradores de São Petersburgo foram orientados a permanecer em casa no sábado, último dia do SPIEF, após um segundo ataque de drones ucranianos na cidade e arredores.

Uma moradora de Kronstadt, uma cidade portuária próxima a São Petersburgo, disse à CNN que as paredes de sua casa estavam tremendo e vibrando desde as 3h da manhã, no horário local, no sábado.

Ela podia ouvir os drones voando por perto. “Era impossível dormir. O zumbido era tão alto que eu tinha medo de que nosso prédio pudesse ser atingido de alguma forma”, disse ela, embora soubesse que os ucranianos provavelmente estavam mirando instalações militares na região.

Ela disse que podia ouvir os sistemas antimísseis russos tentando derrubar os drones. Kronstadt fica na ilha de Kotlin, a cerca de 30 km a oeste de São Petersburgo, e foi fundada como um posto de defesa marítima da antiga capital russa no início do século XVIII.

Em 17 de maio, pelo menos três pessoas foram mortas na região de Moscou depois que a Ucrânia atacou a Rússia com mais de 500 drones, segundo autoridades russas. O que atingiu o prédio de Elena causou danos em vários andares, mas não houve vítimas graves.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou a onda de ataques como “totalmente justificada”.

“Desta vez, os ataques de longo alcance da Ucrânia chegaram à região de Moscou, e estamos enviando uma mensagem clara aos russos: o governo deles deve acabar com esta guerra”, disse ele.

Elena afirmou que estava grata por estar viva. Mas, vários dias depois, ainda havia um grande buraco onde deveria estar um vidro da janela, e as paredes reconstruídas estavam vazias e inacabadas, um lembrete de um conflito que, para alguns russos, parece estar se aproximando cada dia mais.

“Espero que não venham mais. Nós ainda estamos vivos. Isso é o mais importante”, disse Elena.

Em seguida, em voz baixa, ela disse esperar que a guerra termine em breve.

“Não há guerra para vocês, querida população de Moscou”

Como acontece com muitos russos que vivem perto da capital, os anos de guerra e sanções moldaram o pano de fundo da vida cotidiana de Elena sem interrompê-la completamente, fazendo com que a violência pareça distante de uma forma que é inimaginável para os ucranianos que foram diretamente submetidos à campanha militar da Rússia.

Alexandra Arkhipova, antropóloga social da École Normale Supérieure, em Paris, que pesquisa o humor e as tendências da opinião pública russa, disse à CNN que surgiu um contrato social informal entre o Kremlin e os moradores das grandes cidades da Rússia após a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022.

Segundo ela, as autoridades pareciam estar enviando a mensagem de que “não há guerra para vocês, queridos moscovitas”.

“A prefeitura de Moscou se esforçou muito para fazer parecer que não há guerra acontecendo. Isso foi um compromisso com os moradores de Moscou: ‘vivam suas vidas, não há guerra para vocês’”, disse ela.

Arkhipova, que vive em exílio autoimposto e foi classificada como “agente estrangeira” pelas autoridades russas em 2023, acredita que a comunicação oficial agora mostra sinais de desgaste, após uma repressão estatal ao acesso à internet e o bloqueio de aplicativos de mensagens populares, incluindo WhatsApp e Telegram. “Além disso, agora também há novos impostos”, afirmou ela.

Arkhipova disse que os russos estavam procurando maneiras de contornar as novas medidas, que incluem a introdução gradual do aplicativo de mensagens estatal Max como ferramenta obrigatória em cargos do setor público.

Algumas pessoas estão baixando aplicativos que fazem parecer que o Max está instalado em suas telas, explicou, enquanto outras estão comprando celulares “descartáveis”, amplamente chamados de “MAXofones”, para manter suas comunicações privadas separadas, diante do receio de vigilância governamental.

“Eslavos estão matando eslavos”

O vizinho de Elena, Maxim, que também preferiu não revelar seu sobrenome, é um dos que possui um segundo celular.

“Olha, eu até tenho dois telefones agora, um para o MAX, outro só meu. Entendeu?” disse Maxim.

Ele estava em sua dacha, uma cabana no campo usada nos fins de semana, quando o drone atingiu o prédio em 17 de maio. Ao voltar para Zelenograd, descobriu que as autoridades haviam arrombado a porta para avaliar os danos.

“Quem disse a eles que podem fazer isso?” disse ele, gesticulando para a porta da frente. Maxim expressou frustração com a lentidão dos reparos e ressentimento pela invasão de sua privacidade, à medida que os trabalhadores entravam e saíam.

Mas sua raiva parecia ir além da interrupção causada pelos reparos.

“Eu sou meio lituano”, disse ele. “Toda a minha família na Lituânia está simplesmente chocada com o fato de ucranianos e russos estarem morrendo. Isso é o que mais importa. Eslavos estão matando eslavos”, disse ele.

“Eu sou totalmente a favor de isso acabar. Andem logo com isso, porra!”, acrescentou.

“Agora eu me assusto com tudo”

Embora seja difícil medir a opinião pública por meio de pesquisas na Rússia devido a leis que criminalizam a “descredibilização” das forças armadas, o Centro Levada, um instituto de pesquisa independente, constatou em uma pesquisa de abril que 62% dos entrevistados eram favoráveis à abertura de negociações de paz, enquanto apenas 27% disseram que as operações militares deveriam continuar.

Embora a pesquisa tenha sido realizada antes dos ataques mais recentes, ela parece refletir um crescente sentimento de cansaço e exaustão na capital, onde a guerra está, aos poucos, chegando para mais perto do cotidiano.

A apenas cerca de 30 metros da Praça da Vitória, na cidade de Khimki, a cerca de 18 km a noroeste do centro de Moscou, outro drone atingiu um prédio residencial em um ataque em massa no mês passado.

Um buraco escurecido agora marca os dois andares superiores de um arranha-céu com vista para a praça, que abriga um monumento que retrata um veterano da Segunda Guerra Mundial e um participante do que a Rússia chama de sua “operação militar especial” lado a lado.

Putin repetidamente traçou uma ligação direta entre a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia e a derrota da Alemanha nazista pela União Soviética na Segunda Guerra Mundial. A inscrição no monumento aponta para isso, e diz: “Preservando o passado, defendemos o futuro!”

Quando a CNN visitou Khimki, quatro dias após o ataque, Nadezhda estava do lado de fora do prédio olhando para os danos expostos. Ela contou que estava lá em 17 de maio, quando o drone sobrevoava a área.

“Minha mãe mora perto. Eu cheguei e estava esperando minha mãe, e ele passou por cima de mim. Então ouvi um estrondo um segundo depois, e minha mãe saiu,” disse ela, acrescentando que ambas tentaram se aproximar para ver se poderiam ajudar, mas foram impedidas pelos socorristas.

Embora ninguém que ela conhecesse tenha se ferido, o susto a deixou abalada.

“Agora eu me assusto com tudo, mesmo que seja só uns adolescentes soltando fogos de artifício, e eu fico tão tensa,” disse ela.

Yelena, que caminhava perto do prédio danificado com seu filho de 10 anos, contou à CNN que sua família acordou na noite do ataque com o som de drones zumbindo no céu.

“Isso não parava, continuava sem fim,” disse ela. “Eu gostaria de paz. Tomara que tudo isso acabe logo.”

  •  

Trump volta a alegar fraude em eleição da Califórnia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repetiu na segunda-feira (8) alegações de que as eleições da Califórnia são manipuladas, contestando sem apresentar evidências os resultados de votação que mostravam o candidato republicano que ele apoiou na corrida pela prefeitura de Los Angeles aparentemente caminhando para a derrota.

O ataque de Trump ao sistema eleitoral da Califórnia e ao que ele chamou de tempo excessivo que o estado, controlado pelos democratas, leva para contar os votos foi a mais recente reviravolta em sua narrativa de longa data de que as eleições são manipuladas contra ele e outros republicanos.

Em uma participação no programa “Meet the Press”, da NBC, exibido no domingo (7), Trump abandonou a entrevista após a apresentadora Kristen Welker questionar suas alegações não comprovadas de que autoridades eleitorais da Califórnia estavam fraudando o processo porque, após vários dias, “ainda não estavam nem perto” de finalizar os resultados.

Na segunda-feira, Trump questionou os resultados que mostravam o republicano Spencer Pratt, ex-estrela de reality show que ele apoiou na disputa pela prefeitura de Los Angeles, caindo para o terceiro lugar atrás de dois democratas — a atual prefeita Karen Bass e a vereadora Nithya Raman — seis dias após o fechamento das urnas.

“Não é possível que Spencer Pratt tenha perdido o segundo turno em Los Angeles depois da grande vantagem que tinha”, escreveu Trump. “Eleições fraudadas!”

Autoridades da Califórnia responderam que o sistema eleitoral do estado está sujeito a rigorosas medidas de segurança, incluindo testes de equipamentos de votação, controles estritos na cadeia de custódia das cédulas e verificação de todas as assinaturas.

Trump também mencionou a disputa para governador da Califórnia, na qual o republicano que ele apoiou, o comentarista de TV Steve Hilton, estava atrás de dois democratas na primária, o ex-secretário de gabinete Xavier Becerra e o bilionário ativista ambiental Tom Steyer.

“Agora eles vão trabalhar no bom sujeito Steve Hilton”, escreveu Trump, sugerindo que os democratas estariam manipulando a contagem para excluir Hilton da disputa final.

Sob o sistema de “primária aberta” da Califórnia, todos os candidatos disputam em uma única cédula, em vez de cédulas separadas para democratas e republicanos e os dois mais votados avançam para a eleição geral no segundo turno, em novembro.

Bass emergiu como a candidata claramente na liderança entre os 14 concorrentes à prefeitura, conquistando quase 35% dos votos apurados até segunda-feira. Raman, que começou em terceiro lugar, ultrapassou Pratt pela posição de número 2 no domingo e permaneceu à frente dele na segunda-feira, com 27,12% dos votos contabilizados.

Pratt, ainda em terceiro lugar com 26,69% dos votos, insistiu nas redes sociais na segunda-feira que ainda tinha chance de garantir uma vaga no segundo turno de novembro.

“Pessoal, estamos lidando com uma diferença de uma fração de ponto percentual”, escreveu ele no X. “Ainda há centenas de milhares de votos restantes, e autoridades de LA deram mais três semanas para a contagem!”

No domingo, Pratt sugeriu que uma “virada líquida de mais de 43.000 votos desde terça-feira” teria vindo de cédulas de pessoas em situação de rua. Fazendo referência a uma contagem anual recente da população sem moradia da cidade, que registrou mais de 43.000 pessoas vivendo em situação de rua em qualquer noite em Los Angeles, Pratt escreveu: “43.000, hein? Onde já vi esse número antes…? Provavelmente nada.”

“Contando votos durante semanas”

O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano Mike Johnson, também se manifestou, levantando dúvidas sobre a integridade das eleições na Califórnia.

“Eles ficam contando votos por semanas depois da eleição”, disse ele. Questionado sobre evidências de fraude eleitoral, Johnson respondeu: “Algumas dessas práticas são tão diabólicas e tão distantes da origem que é impossível provar”.

As críticas republicanas ao sistema eleitoral da Califórnia se baseiam na repetição persistente de Trump de alegações falsas de que sua candidatura à Casa Branca em 2020 foi roubada.

Assessores da Casa Branca e outras pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que a insistência nessas alegações de fraude em 2020 indica uma estratégia de Trump para justificar novas restrições ao voto e energizar sua base antes das eleições de novembro, que decidirão o controle do Congresso.

Ao classificar a eleição de 2020 como ilegítima, Trump também estaria preparando o terreno para contestar derrotas republicanas e enfraquecer democratas caso eles retomem o poder, segundo diversos especialistas eleitorais.

O processo prolongado de contagem de votos na Califórnia decorre principalmente de um sistema de votação por correio, criado para aumentar a participação eleitoral, o qual Trump há muito tempo afirma ser suscetível a fraudes.

A maior parte dos votos na Califórnia nas eleições recentes é enviada pelo correio, sendo aceitas cédulas carimbadas até uma semana após o dia da eleição, o que aumenta o tempo necessário para validação, processamento e apuração. Estados onde a votação ocorre majoritariamente presencialmente conseguem, portanto, finalizar os resultados mais rapidamente.

  •  

Trump diz que acordo será assinado no domingo; Irã questiona prazo; entenda

No sábado (13), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um acordo com o Irã “está programado para ser assinado amanhã”, acrescentando que a assinatura levaria à reabertura do Estreito de Ormuz.

Embora Teerã também tenha sinalizado que as partes estão próximas de um acordo sobre os termos, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã negou planos para uma assinatura no domingo (14) e criticou a “insistência incomum” de Trump nessa data.

Isso marca a mais recente divergência entre declarações dos EUA e do Irã durante uma intensa rodada de diplomacia nos últimos dias.

Se um memorando de entendimento entre Washington e Teerã for assinado, ele dará início a um novo período de 60 dias de negociações sobre como implementar a estrutura, disse um funcionário dos EUA na sexta-feira.

Aqui está o que mais você precisa saber:

  • Assinatura virtual: planos para um encontro presencial foram abandonados em favor de uma possível assinatura eletrônica, disseram à CNN autoridades familiarizadas com o assunto. A decisão foi tomada devido a desafios logísticos e na tentativa de evitar atrasos que poderiam comprometer o processo de negociação, disse uma fonte.
  • Trump deve se reunir com líderes do Oriente Médio: o presidente dos EUA deixará a Casa Branca na madrugada de segunda-feira (15), chegando à França para a cúpula do G7 desta semana. Na tarde de terça-feira (16), Trump participará de um almoço de trabalho com líderes do G7 e do Oriente Médio, disse um alto funcionário do governo.
  • Ligações diplomáticas: o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, conversou com Trump no sábado sobre seus esforços para encerrar o conflito com o Irã, destacando a importância de que “qualquer acordo resulte em uma paz duradoura e estável”. Já o primeiro-ministro do Catar conversou com seu homólogo paquistanês em uma ligação separada no sábado, na qual destacou o apoio ao papel de Islamabad na mediação das negociações entre EUA e Irã.
  • Morador de Teerã cético sobre possível acordo: “Olha, eles atingiram nossos comandantes, atingiram nosso líder. Eles cruzaram todas as linhas vermelhas. Não devemos fazer um acordo. Nós tínhamos dito que iríamos nos vingar. Onde está nossa vingança? Devemos nos vingar”, disse o morador local Ebrahim Sa’adat à Agência de Notícias da Ásia Ocidental (WANA) em um vídeo compartilhado com a Reuters.

Entenda como tensão em Ormuz afeta cessar-fogo entre EUA e Irã

  •  

Quem foi Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua com atuação no Brasil

Pouco depois das 21h de sexta-feira (12), no horário local, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez um anúncio incomum em sua plataforma de mídia social Truth Social.

Trump disse que os EUA e a Venezuela haviam colaborado para matar Héctor Rusthenford Guerrero Flores, também conhecido como “Niño Guerrero” e identificado como o principal líder da notória gangue criminosa Tren de Aragua, que os EUA designaram como uma Organização Terrorista Estrangeira no início do segundo mandato de Trump.

O ataque contra Guerrero Flores foi “rápido e letal”, afirmou Trump, acrescentando que, sob sua liderança, os EUA irão “encontrar esses assassinos cruéis e chefes do tráfico a qualquer hora, em qualquer lugar, e enviá-los às profundezas do inferno onde eles pertencem”.

Em sua publicação, Trump incluiu um vídeo de 10 segundos do suposto assassinato, mostrando uma visão aérea de um prédio com telhado de metal galvanizado sendo destruído por uma explosão.

O governo da vice-presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou em um comunicado separado que a operação conjunta foi realizada “no sudeste do estado de Bolívar”, na Venezuela, acrescentando que os EUA e a Venezuela haviam trocado tanto informações de inteligência quanto apoio técnico especializado.

Até que o ataque conjunto fosse anunciado na sexta-feira, o paradeiro de Guerrero Flores era desconhecido. O líder criminoso, que, segundo as autoridades, ajudou a fundar o Tren de Aragua, estava foragido há anos, com antecedentes criminais que se estendem por décadas.

Trump descreveu Guerrero Flores como “infame” em seu anúncio, mas poucos americanos provavelmente sabem algo sobre ele.

Quem tiver curiosidade encontraria poucas informações em registros e declarações governamentais. A página de procurado de Guerrero Flores no Departamento de Estado tem apenas uma foto granulada em preto e branco, com sua altura e peso listados como “desconhecidos”.

Então, quem foi “Niño Guerrero”?

Direto de Aragua

Embora a biografia de Guerrero Flores no Departamento de Estado seja breve, ela inclui seu nome completo e data de nascimento, embora, curiosamente, isso difira da data de nascimento registrada em documentos judiciais venezuelanos.

Ambos os documentos afirmam que Héctor Rusthenford Guerrero Flores nasceu na cidade de Maracay, capital do estado venezuelano de Aragua, em 1983.

De acordo com uma decisão da Suprema Corte da Venezuela de 2018, o histórico criminal de Guerrero Flores começou em 2005, quando ele foi preso pelo assassinato de um oficial. Anos depois, em setembro de 2012, ele escapou de uma notória prisão em Tocorón, Aragua, antes de ser recapturado em 2013.

Foi após sua recaptura, em algum momento entre 2013 e 2015, que o Tren de Aragua começou a assumir sua forma atual.

O grupo gradualmente acumulou mais poder e território dentro da prisão de Tocorón, e o Tren de Aragua passou a se aliar a outras gangues criminosas para expandir sua influência. Ele acabou controlando o bairro San Vicente, na cidade natal de Guerrero Flores, Maracay, segundo o think tank InSight Crime e relatórios do Observatório Venezuelano da Violência.

Em 15 de dezembro de 2016, um tribunal do estado de Aragua condenou Guerrero Flores a 17 anos e dois meses de prisão por doze crimes, incluindo homicídio doloso, fuga da custódia, ocultação de arma de guerra, tráfico de drogas e associação criminosa.

No entanto, o controle do Tren de Aragua dentro da prisão de Tocorón era tão absoluto, com piscinas e restaurantes construídos pelos próprios presos dentro dos muros do presídio, que manter Guerrero Flores encarcerado ali era tão eficaz quanto deixá-lo livre.

Foi somente quando o governo venezuelano assumiu o controle total da instalação em outubro de 2023 que descobriram que ele havia desaparecido. Ele havia se tornado um fugitivo e assim permaneceu até sua morte.

O Departamento de Estado dos EUA ofereceu uma recompensa de 5 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura ou condenação.

Em dezembro de 2025, o escritório do procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York acusou Guerrero Flores de ordenar, dirigir e facilitar atos de terrorismo dentro dos Estados Unidos.

De gangue de prisão a organização terrorista estrangeira

Com Guerrero Flores no comando, o Tren de Aragua não apenas expandiu sua presença na Venezuela, como também chegou a outros países da região e, supostamente, até cruzou o Atlântico.

Segundo o InSight Crime, a gangue mantém presença na Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile. Enquanto isso, a Transparencia Venezuela, braço venezuelano da organização não governamental Transparency International, afirma que o grupo criminoso também opera no Brasil e na Costa Rica.

Da mesma forma, autoridades mexicanas relataram prisões de supostos líderes e pessoas ligadas ao Tren de Aragua. Em 2023, uma investigação da CNN documentou sua presença nos Estados Unidos.

Em março de 2024, o irmão de Guerrero Flores, Gerso, foi preso em Barcelona, na Espanha, e extraditado para a Venezuela alguns meses depois. Pouco mais de um ano depois, a polícia espanhola prendeu 13 indivíduos que descreveu como a primeira célula conhecida do Tren de Aragua desmantelada no país.

Em julho de 2024, o então presidente dos EUA, Joe Biden, designou o Tren de Aragua como uma grande organização criminosa transnacional. Mas, no início de seu segundo mandato, Donald Trump foi além, assinando uma ordem executiva que classificou a gangue como organização terrorista estrangeira. Logo depois, Equador, Peru e Argentina seguiram o mesmo caminho.

O Tren de Aragua e outras gangues latino-americanas estão no centro da primeira onda de deportações do governo Trump. Desde o início de seu segundo mandato, o presidente e seus aliados têm argumentado, dentro e fora dos tribunais, que a presença de supostos membros de gangues dentro dos Estados Unidos faz parte de uma “invasão” mais ampla ao país vinda de sua fronteira sul.

O governo dos EUA usou esse argumento para deportar centenas de pessoas em março de 2025, após Trump invocar a Lei de Inimigos Estrangeiros.

Alguns meses depois, em setembro, o Departamento de Defesa dos EUA começou a perseguir supostas embarcações de tráfico de drogas que operavam no Caribe e no leste do Pacífico, algumas das quais, segundo as autoridades, estariam ligadas à gangue venezuelana.

Mais de 200 pessoas morreram nos ataques dos EUA contra essas embarcações. O governo Trump não apresentou provas públicas da presença de narcóticos nos navios atacados, nem de suas ligações com cartéis de drogas.

  •  

Análise: As principais armadilhas de um acordo entre EUA e Irã

Há, de repente, um novo otimismo de que o governo Trump chegue a um acordo com o Irã para estender o cessar-fogo e começar a pôr fim à guerra e, desta vez, não apenas na cabeça do presidente Donald Trump.

Até mesmo o ministro das Relações Exteriores do Irã afirma que um acordo “nunca esteve tão próximo”.

Mas é importante observar que, mesmo havendo motivos para esse otimismo, isso não seria um acordo de paz em si. Seria apenas o primeiro passo de um processo muito mais longo.

Chegar até aqui provavelmente foi a parte mais fácil; o que vem depois será ainda mais difícil.

O acordo provisório em discussão envolveria essencialmente um entendimento entre os dois lados sobre alguns pontos mais simples, como o fim da restrição imposta pelo Irã ao Estreito de Ormuz e o bloqueio americano nas proximidades, enquanto se estabelece um prazo de 60 dias e uma agenda para resolver as questões mais complexas.

O governo Trump também afirma que o Irã concordou com concessões muito importantes, mas a mídia iraniana apresenta uma versão bastante diferente desse acordo preliminar.

Na manhã de sexta-feira (12), ficou ainda mais evidente o caráter delicado do que está por vir.

Depois que veículos de mídia ligados ao governo iraniano divulgaram detalhes de um possível acordo que pareciam muito favoráveis a Teerã, Trump criticou duramente seus líderes como “pessoas muito desonrosas para lidar”, com quem “não existe negociação de boa-fé”.

Então, o que Trump estaria tentando resolver com seus interlocutores considerados irremediavelmente desonestos?

Vamos analisar alguns dos possíveis pontos de atrito e por que Trump pode ter dificuldades para vender os termos finais ao público americano como uma conquista real.

Interrupção do programa nuclear do Irã

Este é o aspecto mais importante de qualquer possível acordo de paz e é extremamente complexo.

O governo Trump está sinalizando que o Irã estaria concordando em desmantelar seu programa nuclear e se comprometendo “indefinidamente” a não construir uma arma nuclear. Mas, mesmo que isso seja verdade, os detalhes de como isso aconteceria e de como seria aplicado no futuro são fundamentais e já foram, antes, um grande ponto de conflito. Provavelmente levará semanas apenas para resolver isso.

Um alto funcionário do governo afirmou na sexta-feira que haveria um novo “regime de inspeções”, mas os detalhes ainda são escassos.

Por exemplo, o Irã teria de abrir mão de todo o seu programa nuclear, incluindo partes que aparentemente poderiam ter uso civil? Ou apenas concordaria em não enriquecer urânio além de certo nível, o que teoricamente impediria o acesso a material de grau bélico?

Pelo que parece, é a segunda opção, com o funcionário afirmando na sexta-feira que “não nos incomodamos com a ideia de usinas de energia civis no Irã”.

E, crucialmente, como os inspetores garantiriam que o Irã está cumprindo qualquer acordo?

Trump tem promovido a ideia de que o compromisso do Irã de não construir uma arma nuclear seria uma grande vitória. Mas, na realidade, o Irã afirma há muitos anos que não está fazendo isso.

O verdadeiro ponto central aqui seria como o governo Trump garantiria o cumprimento do acordo.

Somando-se às complicações, o presidente dos EUA precisará deixar claro como esse acordo seria melhor do que o negociado pelo governo Obama, já que ele o critica constantemente como sendo fraco demais. Aquele acordo previa restrições ao enriquecimento de urânio pelo Irã e contava com a verificação de cumprimento pela agência nuclear das Nações Unidas.

O grande obstáculo aqui é que há muitos “falcões do Irã” dentro do próprio partido de Trump que afirmam que Teerã simplesmente não pode ser confiável para cumprir os termos de qualquer acordo. As falas de Trump na sexta-feira sobre a falta de confiabilidade do Irã evidenciam claramente esse problema.

Urânio altamente enriquecido do Irã

O urânio que já está altamente enriquecido também traz seus próprios problemas. O governo Trump afirmou que o Irã precisa entregá-lo, mas ele está enterrado profundamente no subsolo após ataques aéreos dos EUA há um ano.

E Trump tem sugerido repetidamente, de forma bastante explícita, que os EUA talvez não consigam obter esses materiais.

Ele levantou a possibilidade de que o Exército americano apenas “soterre” as áreas e as monitore. “Isso está tão profundamente no subsolo que eu não me importo com isso”, disse ele em um momento em abril.

Também há alguma discussão sobre a possibilidade de esse urânio ser “rebaixado”, de modo que não fique tão altamente enriquecido, mas permaneça em posse do Irã como combustível.

Um alto funcionário do governo afirmou na sexta-feira que o acordo provisório envolve que o urânio seja “destruído no local e depois retirado do país”. No entanto, ele reconheceu que “vai levar um pouco de tempo para descobrir” exatamente como isso acontecerá.

É difícil imaginar como Trump poderia apresentar isso como uma grande vitória sem obter o urânio enriquecido que o Irã já possui.

Ativos congelados do Irã

É aqui que a retórica antiga de Trump pode realmente voltar para prejudicá-lo.

Lá em 2016, ele e outros republicanos criticaram duramente o governo Obama por entregar ao Irã US$ 400 milhões em dinheiro em uma transação ligada à libertação de reféns e ao acordo nuclear.

O dinheiro não era tecnicamente um presente. Ele foi usado para resolver reivindicações em um tribunal internacional em Haia relacionadas a um fracasso em um acordo de armas de 1979. Mas a repercussão política foi negativa, e Trump e outros afirmaram que o dinheiro seria usado para o terrorismo.

(O valor de US$ 400 milhões foi, na verdade, a primeira parcela de um total de US$ 1,7 bilhão que seria devido ao Irã.)

Hoje, o Irã aparentemente está exigindo a liberação de uma quantia muito maior de seus ativos congelados: US$ 24 bilhões.

Quando a possível liberação dos ativos foi noticiada pela primeira vez em abril, Trump afirmou: “Nenhum dinheiro será transferido de forma alguma, sob nenhuma forma ou circunstância”.

Mas ele pode estar fazendo um jogo semântico, diferenciando o desbloqueio de ativos da entrega direta de dinheiro. Essa parece ser a linha tênue que o governo Trump pode acabar seguindo, pelo menos a julgar pela publicação do vice-presidente JD Vance na plataforma X na sexta-feira.

Vance reiterou que o Irã não receberia “dinheiro em espécie”, mas acrescentou que “nenhum fundo está sendo liberado simplesmente por assinar um acordo ou participar de uma reunião”. Isso sugere que, de fato, os recursos poderiam ser desbloqueados em algum momento.

Mas, tecnicamente, o pagamento de 2016 também envolvia dinheiro que já era, em teoria, de posse do Irã.

Com base nas linhas vermelhas públicas do Irã, parece que algum tipo de compensação financeira precisa estar envolvida. Mas, se isso acontecer, Trump se expõe a acusações semelhantes de estar entregando dinheiro ao Irã que poderia ser usado para o terrorismo.

Abertura do Estreito de Ormuz

Embora muitos dos detalhes corram o risco de parecer semelhantes ao acordo nuclear do Irã feito por Obama, o Estreito de Ormuz traz uma nova variável para essas negociações.

Afinal, a guerra deu ao Irã uma grande vitória estratégica nesse ponto. Ela provou que o Irã é capaz de, de forma eficaz, fechar o estreito e impactar negativamente toda a economia global como uma forma de pressão.

A grande questão aqui não é tanto se o Irã abrirá mão do controle efetivo do estreito por enquanto; o governo Trump certamente exigiria isso. O ponto central é como o acordo trata a aparente capacidade do Irã de bloquear o estreito no futuro.

Se essa questão não for resolvida e o restante do acordo parecer muito semelhante ao acordo nuclear de Obama, será relativamente fácil para os críticos de Trump argumentarem que se trata de um acordo pior.

Grupos de procuração do Irã

No início, Trump e seus aliados afirmaram que um de seus objetivos mais importantes era garantir que o Irã não pudesse mais financiar seus grupos, como o Hamas e o Hezbollah, que espalham violência na região.

Quando Trump afirmou falsamente há dois meses que o Irã havia aceitado todas as suas exigências, ele disse que isso incluía o compromisso de parar de apoiar todos os grupos de procuração.

Mas depois disso, Trump e o governo praticamente deixaram de falar sobre o assunto.

Um alto funcionário do governo afirmou à CNN na sexta-feira que o Irã está concordando em não financiar grupos terroristas. Mas, novamente, mesmo que isso seja verdade, o problema está nos detalhes como isso funcionaria na prática e como seria verificado.

E se Trump não conseguir algo sólido nessa frente, isso significará que ele falhou em cumprir um de seus quatro principais objetivos definidos no início da guerra.

  •  

Ex-esposa de Bill Gates reage e chama Epstein de “abominável” em entrevista

Bill Gates e Melinda French Gates estão novamente lidando com o passado do cofundador da Microsoft e seus antigos laços com Jeffrey Epstein.

Nesta semana, Bill Gates testemunhou no Congresso americano sobre suas interações anteriores e sua ex-esposa falando recentemente sobre sua “reação visceral” ao falecido criminoso sexual condenado.

Em uma entrevista ao Guardian publicada no sábado (13), Melinda French Gates, filantropa que se divorciou de Gates em 2021, disse que teve pesadelos após um encontro com Epstein e ficou abalada ao falar com a repórter sobre suas impressões do homem que quase encerrou a entrevista.

“Você já esteve na presença de alguém que simplesmente sabe que é mau?”, refletiu French Gates ao Guardian sobre suas impressões iniciais de Epstein. Ela disse à entrevistadora na ocasião que seu coração estava “acelerado”, segundo o relato.

“Precisamos ouvir nossos sentimentos sobre as pessoas”, acrescentou ao Guardian. “Já chega. Não consigo responder mais perguntas.”

A ex-esposa de Bill Gates, que chamou Epstein de um “ser humano abominável, um homem horrível” e, em um momento da entrevista, admitiu que “este é um tema difícil para mim”, disse à entrevistadora que estava tendo uma “reação visceral” às perguntas que estava recebendo, segundo o relato do Guardian.

Defendendo mais transparência para garantir justiça a todas as vítimas de Epstein, ela enfatizou que “o sistema de justiça não fez o seu trabalho. Não fez o seu trabalho. Ponto final.”

Poucos dias antes da publicação da entrevista, seu ex-marido esteve no Capitólio prestando depoimento por horas a portas fechadas ao Comitê de Supervisão da Câmara, após a divulgação de documentos de Epstein no início deste ano levantar questionamentos sobre seus vínculos com o falecido criminoso sexual condenado.

Esses documentos revelaram uma série de alegações gráficas e não verificadas, além de um grau de coordenação filantrópica entre Gates e Epstein que era mais detalhado do que se sabia anteriormente.

A entrevista foi uma das de maior destaque até agora antes do comitê e ocorreu depois de Melinda French Gates ter sugerido anteriormente que quaisquer perguntas relacionadas a Epstein deveriam ser respondidas por seu ex-marido e outras pessoas.

Gates foi apresentado a Epstein em 2011 e testemunhou que o falecido criminoso sexual condenado prometeu que poderia arrecadar bilhões de dólares para a saúde global.

Ele disse aos legisladores que não tinha conhecimento dos crimes de Epstein e que Epstein tentou usar informações sobre sua vida pessoal — incluindo o fato de que ele havia sido infiel em seu casamento — para pressioná-lo a retomar o contato após o fim da relação, conforme relatou a CNN.

“Descobri que Epstein tomou conhecimento de informações sensíveis sobre minha vida pessoal, incluindo o fato de que eu havia sido infiel no meu casamento. Esses casos não tinham relação com minhas interações com Epstein, mas foram dolorosos para minha família”, testemunhou Gates na quarta-feira (10), segundo suas declarações preparadas.

Gates descreveu suas interações com Epstein como “limitadas” e afirmou em seu testemunho que elas terminaram completamente em dezembro de 2014.

Ainda assim, o encontro com Epstein, ele disse aos legisladores, foi um “grave erro de julgamento” de sua parte.

“Como o público agora pode ver, com base no que foi divulgado nos arquivos, Epstein estava tentando usar informações sobre minhas infidelidades — além de muitas mentiras que ele acrescentou a isso — para me pressionar a retomar o contato com ele. Ele não teve sucesso nessa tentativa, mas isso mostra algumas das formas como ele tentou usar suas interações comigo para promover sua própria agenda. Eu nunca deveria ter me encontrado com Epstein em primeiro lugar”, disse Gates, segundo suas declarações preparadas.

  •  
❌