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Trump volta a alegar fraude em eleição da Califórnia

14 June 2026 at 12:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repetiu na segunda-feira (8) alegações de que as eleições da Califórnia são manipuladas, contestando sem apresentar evidências os resultados de votação que mostravam o candidato republicano que ele apoiou na corrida pela prefeitura de Los Angeles aparentemente caminhando para a derrota.

O ataque de Trump ao sistema eleitoral da Califórnia e ao que ele chamou de tempo excessivo que o estado, controlado pelos democratas, leva para contar os votos foi a mais recente reviravolta em sua narrativa de longa data de que as eleições são manipuladas contra ele e outros republicanos.

Em uma participação no programa “Meet the Press”, da NBC, exibido no domingo (7), Trump abandonou a entrevista após a apresentadora Kristen Welker questionar suas alegações não comprovadas de que autoridades eleitorais da Califórnia estavam fraudando o processo porque, após vários dias, “ainda não estavam nem perto” de finalizar os resultados.

Na segunda-feira, Trump questionou os resultados que mostravam o republicano Spencer Pratt, ex-estrela de reality show que ele apoiou na disputa pela prefeitura de Los Angeles, caindo para o terceiro lugar atrás de dois democratas — a atual prefeita Karen Bass e a vereadora Nithya Raman — seis dias após o fechamento das urnas.

“Não é possível que Spencer Pratt tenha perdido o segundo turno em Los Angeles depois da grande vantagem que tinha”, escreveu Trump. “Eleições fraudadas!”

Autoridades da Califórnia responderam que o sistema eleitoral do estado está sujeito a rigorosas medidas de segurança, incluindo testes de equipamentos de votação, controles estritos na cadeia de custódia das cédulas e verificação de todas as assinaturas.

Trump também mencionou a disputa para governador da Califórnia, na qual o republicano que ele apoiou, o comentarista de TV Steve Hilton, estava atrás de dois democratas na primária, o ex-secretário de gabinete Xavier Becerra e o bilionário ativista ambiental Tom Steyer.

“Agora eles vão trabalhar no bom sujeito Steve Hilton”, escreveu Trump, sugerindo que os democratas estariam manipulando a contagem para excluir Hilton da disputa final.

Sob o sistema de “primária aberta” da Califórnia, todos os candidatos disputam em uma única cédula, em vez de cédulas separadas para democratas e republicanos e os dois mais votados avançam para a eleição geral no segundo turno, em novembro.

Bass emergiu como a candidata claramente na liderança entre os 14 concorrentes à prefeitura, conquistando quase 35% dos votos apurados até segunda-feira. Raman, que começou em terceiro lugar, ultrapassou Pratt pela posição de número 2 no domingo e permaneceu à frente dele na segunda-feira, com 27,12% dos votos contabilizados.

Pratt, ainda em terceiro lugar com 26,69% dos votos, insistiu nas redes sociais na segunda-feira que ainda tinha chance de garantir uma vaga no segundo turno de novembro.

“Pessoal, estamos lidando com uma diferença de uma fração de ponto percentual”, escreveu ele no X. “Ainda há centenas de milhares de votos restantes, e autoridades de LA deram mais três semanas para a contagem!”

No domingo, Pratt sugeriu que uma “virada líquida de mais de 43.000 votos desde terça-feira” teria vindo de cédulas de pessoas em situação de rua. Fazendo referência a uma contagem anual recente da população sem moradia da cidade, que registrou mais de 43.000 pessoas vivendo em situação de rua em qualquer noite em Los Angeles, Pratt escreveu: “43.000, hein? Onde já vi esse número antes…? Provavelmente nada.”

“Contando votos durante semanas”

O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano Mike Johnson, também se manifestou, levantando dúvidas sobre a integridade das eleições na Califórnia.

“Eles ficam contando votos por semanas depois da eleição”, disse ele. Questionado sobre evidências de fraude eleitoral, Johnson respondeu: “Algumas dessas práticas são tão diabólicas e tão distantes da origem que é impossível provar”.

As críticas republicanas ao sistema eleitoral da Califórnia se baseiam na repetição persistente de Trump de alegações falsas de que sua candidatura à Casa Branca em 2020 foi roubada.

Assessores da Casa Branca e outras pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que a insistência nessas alegações de fraude em 2020 indica uma estratégia de Trump para justificar novas restrições ao voto e energizar sua base antes das eleições de novembro, que decidirão o controle do Congresso.

Ao classificar a eleição de 2020 como ilegítima, Trump também estaria preparando o terreno para contestar derrotas republicanas e enfraquecer democratas caso eles retomem o poder, segundo diversos especialistas eleitorais.

O processo prolongado de contagem de votos na Califórnia decorre principalmente de um sistema de votação por correio, criado para aumentar a participação eleitoral, o qual Trump há muito tempo afirma ser suscetível a fraudes.

A maior parte dos votos na Califórnia nas eleições recentes é enviada pelo correio, sendo aceitas cédulas carimbadas até uma semana após o dia da eleição, o que aumenta o tempo necessário para validação, processamento e apuração. Estados onde a votação ocorre majoritariamente presencialmente conseguem, portanto, finalizar os resultados mais rapidamente.

Meu vice será uma pessoa preparada e de preferência mulher, diz Flávio Bolsonaro

8 June 2026 at 22:47

Ao participar neste tarde do evento "Brasil de Ideias Mulher - Especial Eleição", organizado pelo Grupo Voto, o pré-candidato à presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, disse que tem até 14 de agosto para anunciar o candidato a vice na sua chapa, mas acenou para as mulheres, maioria majoritária da plateia, que seu vice será uma mulher.

"O prazo é até 14 de agosto. O que posso falar é que o perfil é de alguém que complemente a nossa chapa, uma pessoa preparada e de bem interessada, uma mulher", disse o pré-candidato.

Flávio começou sua fala fazendo uma defesa de seu pai, mais uma vez acenando para as mulheres, que o ex-presidente Jair Bolsonaro nunca foi contra as mulheres, que tudo se tratava de uma narrativa injusta.

Mas, na sessão de perguntas e respostas, ao ser confrontado por uma participante do evento que se o governo Bolsonaro fez alguma coisa em favor das mulheres, não soube se comunicar.

De acordo com a interlocutora, a comunicação nunca foi uma virtude do governo de Jair Bolsonaro. O senador concordou e acrescentou que o governo de seu pai não soube se comunicar não só com as mulheres, mas de modo geral.

"Meu pai é de uma outra geração, é mais rústico", disse Flávio emendando que é de uma outra geração, que tem duas filhas, que faria o necessário para protegê-las e que é aberto à comunicação de modo geral, que gosta de falar com jornalistas.

Nome para o ministério da Fazenda

O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), evitou nesta segunda-feira, 8, dar pistas sobre o perfil de seu ministro da Fazenda. Disse que fará o anúncio na hora certa e lembrou que seu pai, Jair Bolsonaro, quando candidato à Presidência em 2018, teve que antecipar a divulgação do economista Paulo Guedes como titular da Fazenda por conta da elevada incerteza sobre como seu governo iria comandar a economia.

Flávio participou nesta tarde do evento "Brasil de Ideias Mulher - Especial Eleição", organizado pelo Grupo Voto. Segundo ele, a pretensão é formar uma equipe "até melhor" do que a montada pelo ex-presidente.

O pré-candidato do PL passou a maior parte de sua participação no evento defendendo a gestão de seu pai ou criticando a gestão Lula. No que tange à economia, passou por temas como privatizações e empresas estatais que, de acordo com ele, mostram não ter condições de se sustentar por conta própria. Neste caso, citou os Correios, que, mesmo mantendo a condição de monopólio, têm apresentado recorrentes prejuízos.

Negou, no entanto, que pretende privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS) e atribuiu a uma falsa narrativa contra ele a pretensão de passar o sistema para a iniciativa privada. "Não pretendemos privatizar o SUS. O sistema tem uma grande capilaridade e é copiado por vários países", disse o pré-candidato.

Flávio apontou que, numa eventual gestão sua, pretende tomar as providências cabíveis para fazer o Brasil entrar para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de 38 países, chamado de o "clube dos ricos", que promove políticas para o crescimento econômico sustentável, o bem-estar social e a expansão do comércio mundial.

De acordo com Flávio, ingressar na OCDE significa uma oportunidade de o Brasil recuperar o seu grau de investimento, o chamado selo de bom pagador, e atrair investimentos. Ele também voltou a criticar a elevada taxa de juro básico do País, atualmente em 14,50% ao ano, e a carga tributária que, nas palavras dele, afasta investidores do País.

© Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

Meu vice será uma pessoa preparada e de preferência mulher, diz Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República

Peru elege neste domingo 9º presidente em dez anos de crise política

Logo Agência Brasil

Os cerca de 27 milhões de eleitores do Peru vão às urnas neste domingo (7) para eleger o nono presidente em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e seis foram destituídos pelo poderoso parlamento peruano, tido como o poder de fato no país vizinho.

Neste domingo, enfrentam-se no 2º turno a direitista Keiko Fujimori, que teve 17,1% dos votos no 1º turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que fechou a primeira votação com 12,0% dos votos.

Notícias relacionadas:

Apesar da vantagem no primeiro turno da filha do ex-ditador do Peru Alberto Fujimori (1990-2000), analistas apontam para um cenário de incerteza no resultado da eleição presidencial.

O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressaltou à Agência Brasil que a presença da Fujimori cria uma polarização na eleição peruana.

“Essa polarização natural tem a ver com as últimas décadas e é possível que novos votos anti-Fujimori apareçam. Sanchéz tem conseguido representar o legado do anti-fujimorismo que é uma força política que eu acredito que é majoritária”, comentou.

Ao mesmo tempo que herda os votos do pai Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos - o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas - Keiko também herda a rejeição ao antigo presidente.

Já o deputado Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro, tem prometido uma reforma constitucional para enterrar a Carta Magna herdada do fujimorismo, além de defender reformas sociais para ampliação de direitos.

“Ele pegou o chapéu do Castillo [símbolo ligado aos setores rurais do país]. Também representa o voto do interior que é mais difícil de medir nas pesquisas”, completou.

O ex-presidente Pedro Castillo venceu a eleição de 2021 contra a Keiko Fujimori, mas acabou destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural e indígena do país.

Geopolítica do Peru

A eleição deste domingo no Peru é mais uma a influenciar a correlação de forças no continente, que tem pendido para um alinhamento mais estreito com os Estados Unidos (EUA), como visto em Equador, Bolívia, Argentina e Chile.

O especialista em política na América Latina Salvador Schavelzon avalia que a vitória de Fujimori deve resultar nesse alinhamento mais estreito não só com os Estados Unidos de Donald Trump, mas também com toda extrema-direita do continente.

Por outro lado, Schavelzon pondera que a vitória de Sanchéz não deve representar uma ruptura com Washington ou com os governos de direita da região devido, entre outros motivos, a fragilidade dos governos progressistas e nacionalistas na América do Sul, ainda incapazes de criar um polo “anti-imperialista” na região.

“Ele vem de uma prática política mais pragmática. O interesse dele, caso ganhe, vai ser se consolidar, o que vai ser difícil por ter muita oposição no Congresso, que já vãi tentar desestabilizá-lo. Acho que ele não vai ter como prioridade buscar uma posição geopolítica diferente porque nem tem possibilidades, nem um contexto para ele fazer essa escolha”, concluiu.

Crise política

O último presidente do Peru que cumpriu o mandato foi Ollanta Humala (2011-2016). Em seu governo, estourou o escândalo de corrupção envolvendo a empresa brasileira Odebrecht.

Em 2025, ele foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Ele sempre negou as acusações, que considera fruto de perseguição política. Hoje está preso em Lima. 

Outro ex-presidente preso é Pedro Castillo, condenado a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe e rebelião. 

Em seu lugar, assumiu a vice Dina Boluarte, que reprimiu com violência as manifestações contra a destituição de Castillo, com um saldo de 49 pessoas mortas, segundo cálculo da Anistia Internacional. 

Com baixíssima aprovação popular, Boluarte acabou destituída pelo Congresso no dia 10 de outubro de 2025. No lugar, assumiu o presidente do Parlamento no Peru, José Jerí, em uma gestão que durou apenas quatro meses. 

Em 17 de fevereiro do mesmo ano, o Congresso destituiu Jerí, vindo a assumir o cargo interinamente José María Balcázar Zelada por eleição indireta do poderoso Parlamento peruano. 

Peru elege neste domingo 9º presidente em dez anos de crise política

Logo Agência Brasil

Os cerca de 27 milhões de eleitores do Peru vão às urnas neste domingo (7) para eleger o nono presidente em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e seis foram destituídos pelo poderoso parlamento peruano, tido como o poder de fato no país vizinho.

Neste domingo, enfrentam-se no 2º turno a direitista Keiko Fujimori, que teve 17,1% dos votos no 1º turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que fechou a primeira votação com 12,0% dos votos.

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Apesar da vantagem no primeiro turno da filha do ex-ditador do Peru Alberto Fujimori (1990-2000), analistas apontam para um cenário de incerteza no resultado da eleição presidencial.

O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressaltou à Agência Brasil que a presença da Fujimori cria uma polarização na eleição peruana.

“Essa polarização natural tem a ver com as últimas décadas e é possível que novos votos anti-Fujimori apareçam. Sanchéz tem conseguido representar o legado do anti-fujimorismo que é uma força política que eu acredito que é majoritária”, comentou.

Ao mesmo tempo que herda os votos do pai Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos - o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas - Keiko também herda a rejeição ao antigo presidente.

Já o deputado Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro, tem prometido uma reforma constitucional para enterrar a Carta Magna herdada do fujimorismo, além de defender reformas sociais para ampliação de direitos.

“Ele pegou o chapéu do Castillo [símbolo ligado aos setores rurais do país]. Também representa o voto do interior que é mais difícil de medir nas pesquisas”, completou.

O ex-presidente Pedro Castillo venceu a eleição de 2021 contra a Keiko Fujimori, mas acabou destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural e indígena do país.

Geopolítica do Peru

A eleição deste domingo no Peru é mais uma a influenciar a correlação de forças no continente, que tem pendido para um alinhamento mais estreito com os Estados Unidos (EUA), como visto em Equador, Bolívia, Argentina e Chile.

O especialista em política na América Latina Salvador Schavelzon avalia que a vitória de Fujimori deve resultar nesse alinhamento mais estreito não só com os Estados Unidos de Donald Trump, mas também com toda extrema-direita do continente.

Por outro lado, Schavelzon pondera que a vitória de Sanchéz não deve representar uma ruptura com Washington ou com os governos de direita da região devido, entre outros motivos, a fragilidade dos governos progressistas e nacionalistas na América do Sul, ainda incapazes de criar um polo “anti-imperialista” na região.

“Ele vem de uma prática política mais pragmática. O interesse dele, caso ganhe, vai ser se consolidar, o que vai ser difícil por ter muita oposição no Congresso, que já vãi tentar desestabilizá-lo. Acho que ele não vai ter como prioridade buscar uma posição geopolítica diferente porque nem tem possibilidades, nem um contexto para ele fazer essa escolha”, concluiu.

Crise política

O último presidente do Peru que cumpriu o mandato foi Ollanta Humala (2011-2016). Em seu governo, estourou o escândalo de corrupção envolvendo a empresa brasileira Odebrecht.

Em 2025, ele foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Ele sempre negou as acusações, que considera fruto de perseguição política. Hoje está preso em Lima. 

Outro ex-presidente preso é Pedro Castillo, condenado a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe e rebelião. 

Em seu lugar, assumiu a vice Dina Boluarte, que reprimiu com violência as manifestações contra a destituição de Castillo, com um saldo de 49 pessoas mortas, segundo cálculo da Anistia Internacional. 

Com baixíssima aprovação popular, Boluarte acabou destituída pelo Congresso no dia 10 de outubro de 2025. No lugar, assumiu o presidente do Parlamento no Peru, José Jerí, em uma gestão que durou apenas quatro meses. 

Em 17 de fevereiro do mesmo ano, o Congresso destituiu Jerí, vindo a assumir o cargo interinamente José María Balcázar Zelada por eleição indireta do poderoso Parlamento peruano. 

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