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Lagarde, do BCE, comemora acordo EUA-Irã, mas temores de inflação continuam

15 June 2026 at 22:35

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, comemorou nesta segunda-feira (15) a notícia de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, afirmando que isso poderia ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, mas alguns membros do Banco alertaram que a medida não reduziria imediatamente a alta inflação da zona do euro.

Autoridades americanas e iranianas anunciaram no domingo (14) que chegaram a um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito, uma importante via de acesso para o transporte de energia, em um pacto preliminar que fez com que os preços do petróleo caíssem e diminuiu as apostas em aumentos de juros pelo BCE.

“Se essa notícia for confirmada pelos desdobramentos nos próximos dias e pela assinatura de um memorando de entendimento… é uma boa notícia. Só podemos comemorar”, declarou Lagarde à rádio France Culture. Ela alertou, no entanto, que “toda a questão do enriquecimento de urânio ainda precisa ser debatida, acordada e concluída na forma de um acordo”.

O BCE aumentou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos na semana passada, em uma tentativa de conter a inflação antes que o aumento nos custos de energia, consequência da interrupção no fornecimento devido à guerra no Oriente Médio, se espalhe ainda mais pela economia da zona do euro.

Os investidores financeiros, que em grande parte apostavam em mais dois aumentos da taxa de juro do BCE ao longo do próximo ano, reduziram as expectativas nesta segunda-feira (15). Agora, preveem apenas um aumento adicional, com uma probabilidade marginal de um novo aumento.

Em declarações posteriores em Frankfurt, Joachim Nagel, membro do Conselho do BCE, observou que a reação dos mercados financeiros ao acordo anunciado demonstrava que os investidores antecipavam uma solução duradoura para o conflito com o Irã.

Mas ele se mostrou mais cauteloso quanto ao impacto na inflação da zona do euro, afirmando que não haverá alívio imediato mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve, pois levaria meses para que o fornecimento de petróleo retornasse aos níveis pré-guerra.

“Não há alívio à vista em um futuro próximo”, destacou Nagel, que preside o Bundesbank, o banco central alemão. “Pelo contrário: mesmo que o Estreito de Ormuz se torne navegável novamente em breve, levaria meses para que o fornecimento de petróleo retornasse ao normal”, apontou.

Nagel reafirmou a opinião de que todas as opções – tanto manter as taxas de juros estáveis ​​quanto aumentá-las – permanecem em aberto para a próxima reunião de política monetária do banco central, nos dias 22 e 23 de julho.

O presidente do banco central da Eslováquia, Peter Kazimir, também afirmou que os danos ao fornecimento de petróleo não podem ser revertidos da noite para o dia e colocou em discussão a possibilidade de um maior aperto monetário.

Martins Kazaks, do Banco da Letônia, destacou em uma postagem que “a reposição das reservas provavelmente levará mais tempo” e que cada reunião está “em aberto” para um possível aumento da taxa de juros.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

Memorando dos EUA com Irã tem “cerca de uma página e meia”, diz Vance à CNN

15 June 2026 at 22:21

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse à CNN, nesta segunda-feira (15), que o memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã tem “cerca de uma página e meia”, descrevendo-o como uma estrutura ampla que deixa os detalhes para serem definidos durante futuras negociações técnicas.

“Sim, o memorando de entendimento tem cerca de uma página e meia, então é um documento muito geral”, disse o vice-presidente.

“Em relação a várias questões, teremos que resolver isso durante a fase de negociação técnica, mas o que o memorando de entendimento faz é estabelecer uma estrutura pela qual os iranianos obtêm os benefícios do acordo ao cumprirem suas obrigações”, acrescentou.

Vance disse que o “parágrafo um” do documento estabelece a expectativa de que o Irã se comprometa com a “paz e estabilidade regional”, o que, segundo ele, inclui não financiar grupos que os EUA consideram terroristas.

“O primeiro parágrafo do acordo afirma, na prática, que o Irã se compromete, assim como os Estados Unidos, com a paz e a estabilidade regional”, disse Vance.

“Parte disso, Jake, é que os iranianos precisam parar de financiar organizações terroristas violentas e de financiar a instabilidade regional”.

O que esperar do acordo entre EUA e Irã?

O Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo que encerrará o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA, reabrirá o Estreito de Ormuz e dará início a 60 dias de negociações sobre questões nucleares.

O texto do memorando de entendimento entre os dois países será divulgado publicamente. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que isso ocorrerá “muito em breve”, provavelmente após uma cerimônia formal de assinatura na sexta-feira (19).

Já um alto funcionário do governo Trump disse que o documento deverá ser publicado nas próximas 24 a 48 horas.

Veja o que se sabe — e o que ainda não se sabe — sobre os principais temas envolvidos:

Estreito de Ormuz

Os EUA afirmaram que o estreito será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, com Trump declarando que a passagem pela via marítima será “permanentemente livre de pedágios”.

No entanto, duas agências de notícias iranianas semioficiais informaram na segunda-feira (15) que, embora Teerã permita o trânsito gratuito durante a janela de 60 dias em que ocorrerão novas negociações, pretende cobrar taxas após esse período.

A agência Fars News afirmou que o Irã “pretende obter benefícios financeiros do tráfego comercial de navios pelo Estreito de Ormuz”.

Questões de segurança também influenciarão o cronograma da reabertura.

CNN informou anteriormente que o Irã instalou minas no estreito, e os negociadores precisarão chegar a acordos sobre como removê-las.

Cessar-fogo

O Paquistão, que mediou o acordo, declarou que ambos os lados “anunciaram o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

No entanto, o acordo não inclui uma exigência para que Israel se retire do Líbano, segundo um alto funcionário dos EUA na segunda-feira. Israel, que não é parte do acordo, reiterou que suas forças não deixarão o território libanês.

Os EUA manterão sua atual presença militar no Oriente Médio durante as negociações técnicas entre EUA e Irã, com uma redução planejada caso um acordo final seja alcançado, afirmou um alto funcionário do governo americano.

Questões nucleares

Os EUA disseram que o Irã forneceu garantias de que nunca desenvolverá uma arma nuclear. Contudo, não há compromissos concretos sobre o programa nuclear iraniano nem sobre seus estoques de urânio. Essas questões foram deixadas para negociações futuras.

Sanções e recursos congelados

O Irã afirmou que as negociações nucleares de 60 dias só começarão depois que os EUA liberarem bilhões de dólares em recursos financeiros congelados. Porém, uma autoridade americana declarou que nenhum valor será liberado sem compromissos claros por parte do Irã.

A economia

Os preços do petróleo caíram para os níveis mais baixos dos últimos três meses após o anúncio do acordo, mas ainda permanecem cerca de US$ 10 por barril acima dos níveis registrados antes do conflito.

Uma recuperação econômica mais ampla provavelmente levará meses para acontecer.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

Israel bombardeia Líbano após anúncio de acordo entre Irã e EUA

Logo Agência Brasil

Um drone israelense destruiu um carro em Kfar Tebnit, vila do Sul do Líbano, e matou o motorista, informou nesta segunda-feira (15) a Agência Nacional de Notícias (NNA) do país do Oriente Médio. Além disso, o jornalista libanês Hadi Abdel Moneim Hoteit foi alvo de ataques israelenses na mesma cidade.

“Ele foi transferido para o Hospital Najdeh Shaabia em Nabatieh, onde está sendo submetido a uma cirurgia na perna após ser ferido por estilhaços”, disse a agência estatal de notícias NNA, por volta das 11h de hoje, no horário local.

Notícias relacionadas:

Os ataques ocorrem horas após o anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos (EUA) e Irã, divulgado nesse domingo (14), que incluiria também o cessar-fogo no Líbano, que é uma das exigências de Teerã.

A continuação do conflito no Líbano poderia atrapalhar esse processo de paz. A expectativa é que seja assinado na sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça, um memorando de entendimento, entre representantes dos EUA e do Irã, que abriria caminho para o acordo de paz.

As autoridades israelenses ainda não comentaram a notícia do ataque de hoje. Ainda nesta segunda-feira (15), a ANN noticiou que um drone israelense foi flagrado voando em baixa altitude na capital do país, Beirute.
 

Fumaça após ataque israelense em Nabatieh, no Líbano
 15 de junho de 2026    REUTERS/Stringer Fumaça após ataque israelense em Nabatieh, no Líbano
 15 de junho de 2026    REUTERS/Stringer
Fumaça após ataque israelense em Nabatieh, no Líbano 15 de junho de 2026 - Foto: Reuters/Stringer/Proibida reprodução

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Hezbollah ataca israelenses

Também nesta segunda-feira, o grupo político-militar Hezbollah informou que atacou um comboio do Exército inimigo no mesmo local onde foram registrados os ataques israelenses, na entrada da vila em Kfar Tebnit, por volta das 18h no horário local.

Segundo o Hezbollah, o ataque forçou os israelenses a recuarem e teria ocorrido “após observarmos uma força pertencente ao exército inimigo israelense, composta por um trator e dois tanques Merkava, avançando da área de Arnoun em direção ao ponto de travessia nos arredores de Kfar Tebnit”.

Impasse segue no Líbano

Apesar do anúncio de acordo entre EUA e Irã, que incluiria um cessar-fogo também no Líbano, o Exército Libanês pediu que os moradores do Sul do país não retornem ainda às suas residências devido ao risco de violações do acordo.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou, nesta segunda-feira, que desconhece os termos do acordo entre Irã e EUA em relação ao programa nuclear de Teerã, apontado por Israel e EUA como principal justificativa para atacar o Irã.

"Permaneceremos na zona tampão de segurança do Líbano pelo tempo que for necessário", disse Netanyahu em coletiva de imprensa, segundo o jornal The Jerusalem Post.

O Hezbollah, por sua vez, parabenizou o Irã pelo memorando de entendimento com os EUA.

“Afirmamos que o que foi alcançado é um prelúdio para completar o caminho da plena libertação de nossa terra, o retorno de nossos prisioneiros à sua pátria e famílias, o retorno de todo o povo, especialmente os moradores das aldeias da linha de frente”, disse comunicado do grupo divulgado pela TV Al Manar, ligada ao grupo xiita.

Guerra no Líbano

Desde o início da atual fase do conflito no Líbano, em 2 de março deste ano, foram mortas no país 3,7 mil pessoas e 11,7 mil ficaram feridas. Os dados são do Ministério da Saúde do Líbano.

A atual fase do conflito entre Israel e Hezbollah tem relação com a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o Norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a Defesa israelense.

Após mais de um ano de troca de ataques, foi costurado um acordo de cessar-fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro-ministro Benajmin Netanyahu, em novembro de 2024, após a morte de importantes lideranças do Hezbollah.

Porém, Israel seguiu com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano, que evitava reagir. Com o início da guerra no Irã, o Hezbollah retomou os ataques contra Israel alegando legítima defesa e resposta à violação do cessar-fogo vigente.

O conflito entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação de Israel no Líbano para perseguição dos grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país. Ao longo dos anos, o grupo se torna um partido político com assentos no Parlamento e participação nos governos. O Líbano ainda foi atacado pelo governo de Israel em 2006, 2009 e 2011.

Israel bombardeia Líbano após anúncio de acordo entre Irã e EUA

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Um drone israelense destruiu um carro em Kfar Tebnit, vila do Sul do Líbano, e matou o motorista, informou nesta segunda-feira (15) a Agência Nacional de Notícias (NNA) do país do Oriente Médio. Além disso, o jornalista libanês Hadi Abdel Moneim Hoteit foi alvo de ataques israelenses na mesma cidade.

“Ele foi transferido para o Hospital Najdeh Shaabia em Nabatieh, onde está sendo submetido a uma cirurgia na perna após ser ferido por estilhaços”, disse a agência estatal de notícias NNA, por volta das 11h de hoje, no horário local.

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Os ataques ocorrem horas após o anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos (EUA) e Irã, divulgado nesse domingo (14), que incluiria também o cessar-fogo no Líbano, que é uma das exigências de Teerã.

A continuação do conflito no Líbano poderia atrapalhar esse processo de paz. A expectativa é que seja assinado na sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça, um memorando de entendimento, entre representantes dos EUA e do Irã, que abriria caminho para o acordo de paz.

As autoridades israelenses ainda não comentaram a notícia do ataque de hoje. Ainda nesta segunda-feira (15), a ANN noticiou que um drone israelense foi flagrado voando em baixa altitude na capital do país, Beirute.
 

Fumaça após ataque israelense em Nabatieh, no Líbano
 15 de junho de 2026    REUTERS/Stringer Fumaça após ataque israelense em Nabatieh, no Líbano
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Fumaça após ataque israelense em Nabatieh, no Líbano 15 de junho de 2026 - Foto: Reuters/Stringer/Proibida reprodução

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Hezbollah ataca israelenses

Também nesta segunda-feira, o grupo político-militar Hezbollah informou que atacou um comboio do Exército inimigo no mesmo local onde foram registrados os ataques israelenses, na entrada da vila em Kfar Tebnit, por volta das 18h no horário local.

Segundo o Hezbollah, o ataque forçou os israelenses a recuarem e teria ocorrido “após observarmos uma força pertencente ao exército inimigo israelense, composta por um trator e dois tanques Merkava, avançando da área de Arnoun em direção ao ponto de travessia nos arredores de Kfar Tebnit”.

Impasse segue no Líbano

Apesar do anúncio de acordo entre EUA e Irã, que incluiria um cessar-fogo também no Líbano, o Exército Libanês pediu que os moradores do Sul do país não retornem ainda às suas residências devido ao risco de violações do acordo.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou, nesta segunda-feira, que desconhece os termos do acordo entre Irã e EUA em relação ao programa nuclear de Teerã, apontado por Israel e EUA como principal justificativa para atacar o Irã.

"Permaneceremos na zona tampão de segurança do Líbano pelo tempo que for necessário", disse Netanyahu em coletiva de imprensa, segundo o jornal The Jerusalem Post.

O Hezbollah, por sua vez, parabenizou o Irã pelo memorando de entendimento com os EUA.

“Afirmamos que o que foi alcançado é um prelúdio para completar o caminho da plena libertação de nossa terra, o retorno de nossos prisioneiros à sua pátria e famílias, o retorno de todo o povo, especialmente os moradores das aldeias da linha de frente”, disse comunicado do grupo divulgado pela TV Al Manar, ligada ao grupo xiita.

Guerra no Líbano

Desde o início da atual fase do conflito no Líbano, em 2 de março deste ano, foram mortas no país 3,7 mil pessoas e 11,7 mil ficaram feridas. Os dados são do Ministério da Saúde do Líbano.

A atual fase do conflito entre Israel e Hezbollah tem relação com a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o Norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a Defesa israelense.

Após mais de um ano de troca de ataques, foi costurado um acordo de cessar-fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro-ministro Benajmin Netanyahu, em novembro de 2024, após a morte de importantes lideranças do Hezbollah.

Porém, Israel seguiu com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano, que evitava reagir. Com o início da guerra no Irã, o Hezbollah retomou os ataques contra Israel alegando legítima defesa e resposta à violação do cessar-fogo vigente.

O conflito entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação de Israel no Líbano para perseguição dos grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país. Ao longo dos anos, o grupo se torna um partido político com assentos no Parlamento e participação nos governos. O Líbano ainda foi atacado pelo governo de Israel em 2006, 2009 e 2011.

Guerra no Oriente Médio elevou custos de transporte para 95% da indústria brasileira

O impacto da guerra no Oriente Médio chegou à indústria brasileira. Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao qual a reportagem teve acesso, mostra que 95% das empresas do setor industrial registraram algum aumento dos custos de transporte de mercadorias no primeiro trimestre de 2026. Além disso, 56% das companhias relataram alta elevada nos gastos com frete, seguro e logística.

Segundo o relatório, o cenário é reflexo da escalada dos conflitos entre Estados Unidos, Irã e Israel, iniciados em 28 de fevereiro. A crise levou ao fechamento do Estreito de Hormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo.

Entre as empresas que registraram aumento nas despesas de transporte, 52% apontaram relação direta com os conflitos na região. Outros 35% consideram essa associação moderada. Apenas 5% afirmam que a alta dos custos não tem ligação com a guerra.

A pesquisa da CNI foi realizada entre 16 de abril e 5 de maio e ouviu 145 empresas de todos os portes, distribuídas por 31 setores industriais em todas as regiões do país. O levantamento buscou medir os impactos do choque internacional do petróleo sobre as operações das companhias e avaliar a percepção do setor em relação às medidas adotadas pelo governo federal.

O efeito foi mais intenso entre empresas ligadas ao comércio exterior. Seis em cada dez exportadoras afirmaram que o aumento dos custos está fortemente associado ao conflito, enquanto 37% apontaram impacto moderado. Entre as importadoras, a percepção foi semelhante.

Os dados também mostram que a elevação dos preços do petróleo atingiu diferentes modais logísticos. No transporte marítimo nacional, 40% das empresas registraram forte aumento de custos e 50% relataram alta moderada. Já no transporte marítimo internacional, 54% apontaram forte aumento e 38%, crescimento moderado.

No transporte rodoviário nacional, principal modal utilizado no Brasil, 54% das empresas registraram forte elevação dos custos, enquanto 41% relataram aumento moderado. No transporte rodoviário internacional, 42% apontaram forte aumento e 56% observaram alta moderada.

Petróleo mais caro pressiona logística e inflação

A média trimestral do petróleo Brent passou de US$ 63,10 por barril no quarto trimestre de 2025 para US$ 78,10 no primeiro trimestre de 2026, período marcado pelo início da crise entre Estados Unidos, Irã e Israel. Em março, durante o auge das tensões, a cotação chegou a superar US$ 113 por barril.

Na semana passada, o barril fechou em US$ 87,33 após uma queda impulsionada pelas expectativas de um acordo que poderia resultar na reabertura do Estreito de Hormuz, corredor marítimo por onde circulam entre 20% e 30% de todo o petróleo consumido no mundo.

Como os combustíveis representam um dos principais componentes do transporte de cargas, a alta foi rapidamente repassada para toda a cadeia logística, elevando os custos de produção e distribuição no Brasil. O movimento acaba pressionando os preços ao consumidor e contribuindo para o avanço da inflação.

A alimentação no domicílio registrou alta de 1,65% em maio, segundo dados do IBGE. Trata-se do maior índice para o mês desde 2008, quando a variação foi de 2,27%.

Embora a guerra seja apontada como o principal fator por trás do aumento dos fretes, as empresas também citam problemas estruturais do país. A tributação sobre o transporte foi mencionada por 36% dos entrevistados, enquanto os custos de fornecedores apareceram em 26% das respostas. Questões relacionadas à mão de obra foram citadas por 24% das empresas.

A CNI também avaliou a reação do setor às medidas anunciadas pelo governo federal em março para reduzir os impactos da disparada do petróleo. Entre as ações estão o subsídio ao diesel, a desoneração temporária de PIS/Pasep e Cofins sobre o combustível e a criação de uma alíquota de 12% de Imposto de Exportação sobre as vendas externas de petróleo bruto, com o objetivo de ampliar a oferta interna.

Apesar disso, a percepção predominante entre os empresários é de baixa efetividade. Para 54% dos entrevistados, as medidas terão pouco impacto na redução dos custos de transporte nos próximos meses. Outros 16% classificam as iniciativas como ineficazes. Apenas 3% acreditam que elas serão efetivas.

Entre os motivos apontados estão as dúvidas sobre a capacidade fiscal do governo para manter os incentivos por um período prolongado, o receio de aumento da carga tributária no futuro e a concentração do mercado de combustíveis, que pode limitar o repasse dos benefícios aos preços finais. (FOLHAPRESS/ANDRÉ BORGES)

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Líderes internacionais elogiam acordo EUA-Irã e cobram sua implementação

15 June 2026 at 01:33

Lideranças internacionais elogiaram a conclusão do acordo entre os Estados Unidos e o Irã neste domingo, 14. "Congratulo calorosamente os EUA e o Irã por terem alcançado um acordo de paz que prevê um cessar-fogo imediato e permanente, a reabertura do Estreito de Ormuz, bem como uma estrutura para novas negociações. Isso representa um passo crucial rumo à solução pacífica do conflito", disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterrez, em seu perfil no X.

Na mesma linha, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que apela "à implementação rápida e completa do acordo por todos os beligerantes". A guerra teve início no final de fevereiro, quando os EUA e Israel atacaram o Irã. O Líbano foi tragado para o conflito, após o Hezbollah, grupo libanês aliado ao Irã, alvejar Israel em retaliação. Desde então, Israel invadiu o Sul do Líbano e vem bombardeando continuamente posições no país vizinho.

"Este acordo deve permitir a reabertura urgente e incondicional do Estreito de Ormuz, que a missão internacional estabelecida pela França com o Reino Unido está pronta para acompanhar", disse Macron.

De modo semelhante, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que o acordo anunciado neste domingo "é um passo muito importante rumo ao fim da guerra, à garantia de estabilidade para a região do Oriente Médio e para a reabertura do Estreito de Ormuz".

"Este acordo abre também o caminho para uma negociação global em prol da paz e da segurança de todos no Oriente Médio. Esta deverá permitir responder às preocupações relacionadas aos programas nuclear e balístico do Irã, bem como à sua política de desestabilização regional", acrescentou Macron.

Da mesma forma, Starmer destacou que deve ser dada especial atenção à adoção do acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz - e que ele permaneça aberto - e que "elementos detalhados do acordo nuclear sejam finalizados". "Nós estamos prontos para apoiar as conversas técnicas que vão começar agora", declarou.

Programa nuclear

Em comunicado conjunto, os governos da França, Reino Unido, Alemanha e Itália disseram que "este é um momento de oportunidade para restabelecer a estabilidade regional e estabilizar a economia mundial".

"A reabertura urgente do Estreito de Ormuz, com liberdade de navegação incondicional e sem restrições, é indispensável. Comprometemo-nos a desempenhar nosso papel para que isso aconteça - em conformidade com nossas respectivas exigências constitucionais - inclusive por meio de uma missão estritamente defensiva e independente destinada a tranquilizar o tráfego comercial e a conduzir operações de retirada de minas", diz o comunicado.

O documento acrescenta que "o Irã nunca deve ter uma arma nuclear". "Estamos prontos para trabalhar com os Estados Unidos, o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) com esse objetivo. Estamos dispostos a suspender as sanções relevantes em resposta a medidas claras e verificáveis por parte do Irã relacionadas ao seu programa nuclear", destacam os governos no comunicado.

© Reprodução do X / @ONU_fr

"Representa um passo crucial", disse António Guterrez

Estados Unidos e Irã: o que já se sabe sobre o acordo de paz entre os países

15 June 2026 at 00:21

Os Estados Unidos anunciaram, neste domingo (14), um acordo de paz para colocar fim aos mais recentes desentendimentos belicosos com o Irã e aliados do Oriente Médio. O tratado foi desenhado em duas etapas: um cessar-fogo militar imediato e uma janela técnica para resolver os problemas de longo prazo. Os pontos principais incluem negociações que ainda estão sendo fechadas, com condições impostas por ambos os lados. Veja a seguir alguns pontos divulgados informalmente pela mídia local. 

Cessação imediata e permanente de todas as ações militares diretas entre as forças dos EUA e do Irã. O pacto estabelece explicitamente que o cessar-fogo se estende aos teatros de guerra regionais, incluindo uma trégua nos combates no Líbano envolvendo o grupo Hezbollah.

Os Estados Unidos oficializaram a suspensão imediata do bloqueio naval que mantinham sobre os portos comerciais iranianos, permitindo que o país volte a escoar sua produção e receba suprimentos.

A assinatura do memorando abre formalmente um prazo de 60 dias para negociações técnicas profundas sobre o programa nuclear do Irã. A pauta prioritária será o destino dos estoques iranianos de urânio altamente enriquecido e o recolhimento de resíduos.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã destacou internamente que o acordo foi redigido sob uma "atmosfera de contínua desconfiança" mútua, funcionando mais como um freio de emergência pragmático do que como um reatamento de amizade diplomática.

Como funcionará a reabertura do Estreito de Ormuz?

A interrupção do tráfego marítimo no estreito disparou os preços globais de energia nas últimas semanas. A normalização da via seguirá as seguintes diretrizes:

Donald Trump emitiu um comunicado ordenando que o estreito opere de forma totalmente livre de pedágios ou taxas de passagem criadas durante o conflito. O lema publicado pelo governo americano foi direto: "Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir".

O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou que o processo de reabertura física começa imediatamente. Contudo, para que navios petroleiros comerciais voltem a transitar em segurança total, as marinhas precisarão limpar as minas navais e remover ameaças remanescentes. O Pentágono estima que o ambiente estará 100% livre e seguro em até 30 dias, desde que o Irã colabore ativamente na segurança local.

A mídia estatal de Teerã pontuou que o fluxo de tráfego marítimo nas águas do Golfo voltará a ocorrer "sob arranjos organizacionais iranianos", respeitando as fronteiras marítimas que já existiam antes da escalada da guerra.

Mediadores paquistaneses e catarianos garantem que os governos de Washington e Teerã mantiveram a palavra para o protocolo que ocorrerá na Suíça.

© REPRODUÇÃO

Estreito de Ormuz é um dos pontos centrais do acordo entre EUA e Irã

Diplomacia histórica: entenda o conflito dos EUA e Irã ao longo do tempo

15 June 2026 at 00:16

O anúncio de um acordo de paz definitivo entre os Estados Unidos e o Irã — mediado pelo Paquistão e com assinatura oficial marcada para o próximo dia 19 de junho, na Suíça — põe fim imediato às operações militares diretas que vinham escalando de forma alarmante. Mais do que encerrar os embates recentes e reabrir o vital Estreito de Ormuz, o tratado tenta virar a página de quase cinco décadas de uma das rivalidades mais profundas e perigosas da geopolítica moderna. Para entender o peso histórico deste momento, confira a cronologia dos principais pontos de ruptura que moldaram o conflito entre Washington e Teerã até a atualidade.

O Histórico do conflito

1953 | O Golpe de Estado (Operação Ajax): A CIA (agência de inteligência norte-americana) e o serviço secreto britânico orquestram a derrubada do primeiro-ministro iraniano democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo do país. O poder é devolvido ao xá Mohammad Reza Pahlavi, transformando o Irã em um forte aliado ocidental, mas gerando um profundo ressentimento popular contra os EUA.

1979 | A Revolução Islâmica e a Crise dos Reféns: O xá é deposto e o aiatolá Ruhollah Khomeini assume o poder, instituindo uma teocracia xiita e rotulando os EUA como o "Grande Satã". Em novembro, estudantes islâmicos invadem a embaixada americana em Teerã, mantendo 52 americanos como reféns por 444 dias.

1980 | Ruptura Diplomática e Guerra Irã-Iraque: Washington rompe formalmente os laços diplomáticos com Teerã e passa a apoiar implicitamente (e depois explicitamente) o Iraque de Saddam Hussein na longa e sangrenta guerra contra o Irã (1980-1988).

1988 | A Tragédia do Voo 655 da Iran Air: No auge da "Guerra dos Petroleiros" no Golfo Pérsico, o navio de guerra norte-americano USS Vincennes abate por engano um avião comercial iraniano, matando todas as 290 pessoas a bordo. O episódio solidifica a desconfiança mútua.

2002 | O "Eixo do Mal" e a Questão Nuclear: O presidente George W. Bush inclui o Irã no chamado "Eixo do Mal" (junto com Iraque e Coreia do Norte). No mesmo ano, revelações sobre instalações secretas de enriquecimento de urânio dão início à crise internacional sobre o programa nuclear iraniano, resultando em duras sanções econômicas globais.

2015 | O Acordo Nuclear (JCPOA): Sob a gestão de Barack Obama, o Irã e as potências mundiais assinam o Plano de Ação Conjunto Global. O Irã aceita limitar drasticamente seu programa nuclear em troca do alívio das sanções econômicas, marcando o maior momento de relaxamento de tensões em décadas.

2018 | A Política de "Pressão Máxima": Donald Trump retira unilateralmente os EUA do acordo nuclear e restabelece sanções econômicas severas e asfixiantes contra o Irã, paralisando a economia do país persa. Teerã responde retomando gradualmente o enriquecimento de urânio acima dos limites permitidos.

2020 | O Assassinato de Qasem Soleimani: Um ataque de drone ordenado por Trump mata o principal general do Irã, Qasem Soleimani, em Bagdá. O Irã retalia com ataques de mísseis contra bases americanas no Iraque, levando os dois países à beira de uma guerra aberta.

2025–2026 | Escalada Direta e Bloqueio de Ormuz: Após meses de hostilidades indiretas regionalizadas envolvendo milícias apoiadas pelo Irã e forças americanas/israelenses, o cenário evolui para confrontos militares diretos no início de 2026. O Irã impõe um bloqueio rigoroso ao Estreito de Ormuz, sufocando o comércio global de energia.

O que muda com o acordo atual?

O pacto alcançado neste fim de semana prevê não apenas o cessar-fogo permanente e a suspensão do bloqueio naval americano, mas estabelece uma janela crítica de 60 dias para que equipes técnicas finalizem os termos de desarmamento, a destinação do urânio altamente enriquecido do Irã e o cronograma de alívio definitivo das sanções financeiras.

A assinatura no dia 19 de junho representa o esforço mais contundente do século XXI para encerrar o ciclo de retaliações e redesenhar a arquitetura de segurança do Oriente Médio.

Embora o texto completo do Memorando de Entendimento (MoU) só vá a público na cerimônia oficial de assinatura do dia 19 de junho, na Suíça, os mediadores e as lideranças dos dois países já detalharam os termos centrais e o modelo de reabertura da rota de energia mais sensível do planeta.

© VAHID SALEMI / ESTADÃO CONTEÚDO

Acordo põe fim imediato às operações militares diretas que vinham escalando de forma alarmante

Paquistão anuncia acordo de paz entre os EUA e o Irã

14 June 2026 at 23:30

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou neste domingo, 14, que os Estados Unidos e o Irã chegaram ao que ele chamou de Acordo de Paz, que inclui um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano.

"As duas partes declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano", explicou Sharif em uma mensagem publicada nas redes sociais.

A cerimônia oficial de assinatura do acordo será na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, indicou Sharif, que aproveitou para expressar sua gratidão aos Estados Unidos e ao Irã "por seu compromisso em alcançar uma solução diplomática para o conflito"

"Também queremos destacar nossos irmãos na mediação", assinalou Sharif, referindo-se assim ao Catar "por seu apoio para alcançar este acordo", à Arábia Saudita por sua "liderança visionária" e à Turquia "por suas imensas contribuições".

Agora, os mediadores promoverão uma série de reuniões que serão realizadas ainda esta semana. "Esses contatos de pré-implementação estabelecerão as bases para as conversas técnicas e a cerimônia oficial de assinatura", explicou.

© ALI MOHAMMADI / divulgação

Estados Unidos e Irã assumiram compromisso em "alcançar uma solução diplomática para o conflito"
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