Terminal Camaragibe: Improviso do Estado nas obras de requalificação do TI irrita e coloca passageiros em risco
A reforma estrutural do Terminal Integrado de Camaragibe (TI), uma intervenção que deveria ter sido entregue ainda na Copa do Mundo de 2014, finalmente saiu do papel, mas segue gerando muita desordem e negligência do poder público. Além dos transtornos para pegar os ônibus - que sem área para estocagem circulam lotados -, muitos passageiros têm se arriscado para fazer a travessia na principal via da cidade - a Avenida Belmino Correia - para acessar o transporte no sentido subúrbio.
Orçada em R$ 30 milhões, a obra empurrou a operação de transporte para pontos externos provisórios, transformando o cotidiano de 50 mil usuários em um verdadeiro teste de resistência. O que se observa, contudo, é que o planejamento para mitigar os impactos dessa interdição foi insuficiente para garantir o mínimo de dignidade e conforto à população.
INSEGURANÇA VIÁRIA E PERIGO NA TRAVESSIA ÀS ESCURAS
Passageiros e operadores têm alertado que o improviso do Estado na gestão das paradas provisórias atingiu um nível crítico de periculosidade, especialmente para os passageiros que se deslocam em direção ao subúrbio, especialmente ao município de São Lourenço da Mata.
Isso porque, sem a estrutura do terminal, as pessoas estão sendo obrigadas a atravessar a Avenida Belmiro Correia sem segurança, misturando-se ao tráfego intenso de veículos. O agravante é que o trecho não tem iluminação adequada ou sinalização semafórica, forçando homens e mulheres a se arriscarem no escuro total para conseguir embarcar.
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Embora a instalação de paradas e melhorias na travessia tenham sido prometidas, até o momento, a população segue desamparada e exposta a atropelamentos.
“Tem sido um sufoco. As pessoas saem do metrô e correm para pegar o ônibus, que agora precisa ser pego do outro lado da rua, na parada da 1002, como chamamos. Até tem um semáforo no cruzamento, mas ele fica distante e ninguém vai andar até ele para voltar para a parada depois. Foi tudo muito feito sem cuidado e o medo é alguém ser atropelado nessa correria”, desabafa a vendedora Maria Cecília Silva, que todos os dias está enfrentando esse risco para chegar em casa, em São Lourenço da Mata.
A falta de abrigos adequados é outro ponto de revolta, deixando milhares de usuários expostos ao sol intenso ou à chuva em calçadas extremamente apertadas. O sentimento de abandono é geral.
ABANDONO E QUEDA DE DEMANDA
Como consequência direta da desorganização, o sistema de transporte coletivo já registra uma queda de 6% na demanda em menos de um mês de reforma. Cansados de esperar no relento e de enfrentar a insegurança, muitos passageiros estão abandonando os ônibus e migrando para alternativas como os motoapps (Uber Moto e 99 Moto).
Para piorar, os transtornos das obras coincidiram com a redução operacional do metrô para manutenção, o que elevou o tempo de espera nas plataformas para mais de 30 minutos, empurrando ainda mais pessoas para o transporte privado e perigoso.
O próprio Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) admite que a operação está sendo realizada, literalmente, no meio da rua. A gestão reconhece as dificuldades de realizar ajustes complexos, como a inversão de circulação e o aumento de frota, alegando que a capacidade de injetar novos veículos é limitada.
O fato de os ônibus precisarem ser estocados em garagens distantes dificulta a mobilização imediata para atender picos de demanda, evidenciando uma falha logística que penaliza diretamente o usuário. Com uma previsão de duração de 12 meses, a reforma do TI Camaragibe caminha para ser um ano de martírio e medo para quem circula pela região.


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