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Papa usa jato do rei da Espanha para voltar ao Vaticano após falha em avião

12 June 2026 at 19:29

O papa Leão XIV embarcou em um jato Falcon cedido pelo rei da Espanha após um problema técnico impedir a decolagem do avião em que o pontífice estava. A falha atrasou o retorno da Ilha de Tenerife ao Vaticano nesta sexta-feira (12), último dia da visita de uma semana à Espanha.

O governo espanhol informou que o avião da Força Aérea usado pelo rei levaria o papa e vários membros de sua delegação a Roma. O restante da delegação e os jornalistas viajarão em outro avião enviado de Madri.

Leão XIV já havia embarcado para o voo original, operado pela Iberia, após se despedir do rei Felipe e de outras autoridades espanholas, mas foi escoltado de volta ao terminal.

Em comunicados divulgados após o papa desembarcar, o comandante informou uma falha do motor, provavelmente por causa do vento. Mais tarde, afirmou que o problema não poderia ser resolvido imediatamente e que os passageiros teriam que deixar o avião.

A Iberia informou em nota que o avião teve um problema técnico não especificado e que um avião substituto estava sendo enviado de Madri para completar a viagem até Roma nesta sexta-feira.

Ao final da viagem à Espanha, o papa Leão visitou as Ilhas Canárias — uma das principais portas de entrada para na Europa para imigrantes que se arriscam nas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.

O papa fez uma severa advertência aos traficantes de pessoas e aos grupos criminosos que exploram imigrantes desesperados, dizendo que eles deveriam se arrepender perante Deus ou enfrentar o inferno.

O pontífice também pediu aos líderes globais que tratem os imigrantes com mais humanidade.

Papa Leão critica IA: Veja os principais pontos da encíclica do pontífice

Avaria obriga Papa a regressar em avião de Felipe VI

12 June 2026 at 18:39
O Airbus 320 da Iberia sofreu uma falha técnica no motor no aeroporto de Tenerife Norte. Felipe VI emprestou o seu Falcon para transportar Leão XIV até Roma.

© Alberto Valdes/EPA

Pouco antes das 16h30 locais, o Papa desceu do avião, acompanhado pelo rei Felipe VI

Avaria obriga Papa a regressar em avião de Felipe VI

12 June 2026 at 18:39
O Airbus 320 da Iberia sofreu uma falha técnica no motor no aeroporto de Tenerife Norte. Felipe VI emprestou o seu Falcon para transportar Leão XIV até Roma.

© Alberto Valdes/EPA

Pouco antes das 16h30 locais, o Papa desceu do avião, acompanhado pelo rei Felipe VI

Papa é retirado de avião após problema técnico e adia retorno a Roma

12 June 2026 at 16:57

O papa Leão XIV teve que adiar seu retorno a Roma após seu avião apresentar um problema técnico nesta sexta-feira (12). O pontífice completou uma viagem de uma semana à Espanha.

A aeronave que transportava o papa, funcionários do Vaticano e jornalistas se preparava para taxiar até a pista quando o comandante anunciou que havia um problema de manutenção.

Leão, que já havia embarcado após ser recebido pelo rei Felipe VI e outras autoridades espanholas, foi então escoltado pelo monarca de volta ao aeroporto.

Em um segundo comunicado, após Leão ter desembarcado, o comandante disse que o motor provavelmente não havia ligado devido ao vento. Ele afirmou que a aeronave seria rebocada para ficar de frente para o vento e que tentariam ligar o motor novamente.

Mais tarde, o piloto disse que o problema não poderia ser resolvido imediatamente e que os passageiros deveriam desembarcar.

Um porta-voz da Iberia, companhia que opera o avião em que o papa viajará, disse que o avião apresentou um problema técnico não especificado e que uma aeronave substituta estava sendo enviada de Madri para fazer a viagem a Roma nesta sexta-feira.

Quem é Robert Prevost, o papa Leão XIV?

“Todos nós somos migrantes”, diz papa Leão XIV em último dia na Espanha

12 June 2026 at 13:15

O papa Leão XIV se encontrou com migrantes em Tenerife nesta sexta-feira (12), último dia de sua visita de uma semana à Espanha, durante a qual o pontífice pediu aos líderes mundiais que tratassem os migrantes com mais humanidade.

“De certa forma, todos nós somos migrantes”, disse ele à plateia.

O pontífice, que tem se mostrado mais incisivo em suas críticas à direção da liderança global nos últimos meses, está visitando as Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol na costa oeste da África, como culminação de sua visita de três paradas.

As ilhas são uma das principais portas de entrada para a Europa para migrantes, que arriscam uma travessia mortal pelas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.

“Ninguém abandona sua terra, sua família e suas raízes de livre e espontânea vontade quando pode viver em paz. Deixamos para trás nossas memórias, nossos entes queridos e uma parte de nossos corações, na esperança de encontrar uma vida melhor”, disse o migrante nigeriano Bousso Diouf em um discurso ao papa no evento.

Papa exige “caminhos legais e seguros para a imigração”

Localizadas a mais de mil quilômetros da Espanha continental, as Ilhas Canárias receberam um número recorde de 46.843 migrantes irregulares em 2024, em comparação com menos de mil em 2015, segundo dados oficiais.

Mais de três mil pessoas morreram em 2025 tentando chegar às ilhas, segundo a ONG Caminando Fronteras.

O pontífice disse ao Parlamento espanhol, na segunda-feira (8), que a falta de ajuda aos migrantes do mundo está desafiando “os fundamentos éticos da ordem internacional”.

Na quinta-feira (11), ele pediu “vias legais e seguras” para a imigração, cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas e financiamento para o resgate de migrantes em perigo no mar.

O mundo precisa fazer mais para erradicar a pobreza, as guerras e a corrupção que forçam os migrantes a fugir de suas casas, afirmou ele.

“Não basta gerenciar as chegadas, divulgar estatísticas, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois que elas já ocorreram”, continuou o papa.

Juan Carlos Lorenzo, coordenador da Comissão Espanhola para Refugiados nas Ilhas Canárias, disse à agência de notícias Reuters que a visita de Leão XIV foi um “marco significativo”.

“Servirá como uma forte afirmação da defesa dos direitos humanos, do respeito e da dignidade que todas as pessoas merecem, independentemente de sua origem”, disse Lorenzo.

Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, implementando um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

A iniciativa, no entanto, atraiu críticas de líderes da ultradireita e o país enfrenta dificuldades com a lentidão na concessão de status legal a milhares de pessoas em situação migratória indefinida.

"Todos somos migrantes", afirma Leão XIV

12 June 2026 at 12:07
Papa falava num encontro com imigrantes em Tenerife, Espanha. "Todos, de algum modo, somos migrantes, todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial", disse Leão XIV.

© MIGUEL BARRETO/EPA

Durante a visita, o Papa ouviu vários testemunhos de migrantes, que agradeceram à Igreja Católica

"Todos somos migrantes", afirma Leão XIV

12 June 2026 at 12:07
Papa falava num encontro com imigrantes em Tenerife, Espanha. "Todos, de algum modo, somos migrantes, todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial", disse Leão XIV.

© MIGUEL BARRETO/EPA

Durante a visita, o Papa ouviu vários testemunhos de migrantes, que agradeceram à Igreja Católica

Seguro, Papa Leão XIV e os desafios da democracia

12 June 2026 at 06:03
Analisámos o primeiro 10 de Junho de António José Seguro, a visita do Papa Leão XIV a Espanha e os alertas do MAI para os riscos do crime organizado, populismo e desinformação.

Seguro, Papa Leão XIV e os desafios da democracia

12 June 2026 at 06:03
Analisámos o primeiro 10 de Junho de António José Seguro, a visita do Papa Leão XIV a Espanha e os alertas do MAI para os riscos do crime organizado, populismo e desinformação.

Leão XIV e os limites morais do poder

12 June 2026 at 00:22
Perante o Congreso de los Diputados, Leão XIV – o primeiro Papa a discursar na sede do poder legislativo de Espanha – voltou a Salamanca. E fê-lo de propósito.

Leão XIV e os limites morais do poder

12 June 2026 at 00:22
Perante o Congreso de los Diputados, Leão XIV – o primeiro Papa a discursar na sede do poder legislativo de Espanha – voltou a Salamanca. E fê-lo de propósito.

Magnifica Humanitas: inteligência e bom senso

12 June 2026 at 00:10

A encíclica Magnifica Humanitas constitui um notável exercício de inteligência e de bom senso num contexto de profunda irracionalidade global. Oferece uma leitura integrada da crise contemporânea – simultaneamente geopolítica, geoeconómica e civilizacional – recentrando o debate na primazia do ser humano sobre as lógicas de poder, superioridade ou domínio tecnológico.

Sem cair no proselitismo, o texto formula uma crítica incisiva às dinâmicas dominantes: a naturalização da competição entre potências, a instrumentalização da economia e a crescente militarização das relações internacionais. Ao fazê-lo, desmonta a ideia de inevitabilidade que frequentemente acompanha as leituras da ordem mundial, alertando para um défice crescente de inteligência e de bom senso nas decisões coletivas.

É neste quadro que surge a sua tese mais incisiva: no mundo atual, a guerra deixou de poder ser considerada justa. A capacidade destrutiva dos meios disponíveis, amplificada pela tecnologia e pela inteligência artificial, transforma qualquer conflito numa falência da política e da razão.

As guerras em curso – na Europa e no Médio Oriente – constituem, no seu conjunto, uma expressão paradigmática dessa falha. Deixaram de exprimir qualquer racionalidade estratégica compreensível, mas antes a incapacidade de conter a escalada e de privilegiar soluções políticas. São sinais de desordem e manifestações de ausência de inteligência prática e de bom senso que se tornam particularmente perigosas no contexto de fragmentação global e confronto acrescido que estamos a atravessar.

A mensagem é clara e traduz uma visão exigente: a persistência da lógica de confronto conduz a situações cada vez mais críticas. Por isso, a encíclica afirma a prioridade da cooperação, da negociação e do multilateralismo, propondo uma reconstrução ativa da confiança no sistema internacional.

Na Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV emerge como um dos dirigentes mais lúcidos do espaço europeu contemporâneo. E é interessante notar que a sua postura converge de forma notável com a de Mario Draghi sobre a crise económica e política da União Europeia. Ambos recusam as narrativas imobilistas e insistem na necessidade de encarar a realidade tal como ela é – e não como desejaríamos que fosse. Quer na análise das fragilidades estruturais da Europa, quer na perceção da nova centralidade da geoeconomia e da tecnologia, encontramos em ambos uma mesma atitude intelectual de rigor analítico, ausência de ilusões e sentido de responsabilidade histórica.

A encíclica remete-nos para a estupidez inteligente de Robert Musil – essa forma moderna de irracionalidade que se disfarça sob a aparência da racionalidade técnica — e lembra-nos, ainda, a reflexão posterior de Carlo Cipolla, de que a verdadeira estupidez reside na capacidade de causar simultaneamente dano aos outros e a si próprio. Muitas dinâmicas atuais – da escalada geopolítica à fragmentação económica – parecem materializar esta combinação paradoxal: sistemas altamente complexos, orientados por racionalidades parciais, mas que convergem para irracionalidades integradas e globais altamente destrutivas.

Em síntese, Magnifica Humanitas afirma que, na fase atual da crise geoeconómica e geopolítica, a escassez decisiva não é de recursos, mas de inteligência e de bom senso. E, neste contexto, afirmar que a guerra só pode ser injusta não é apenas um imperativo ético – é uma expressão de inteligência e de lucidez estratégica, condição hoje indispensável à própria sobrevivência civilizacional.

A Encíclica “Magnifica Humanitas”

11 June 2026 at 12:49

VTM

É um texto longo, que merece uma leitura paciente e pausada nos próximos tempos, onde o Papa aborda as novas questões sociais que se levantam na atualidade, onde há o sério risco de se degradar ou diluir a pessoa humana, nomeadamente com o uso pouco ético, ponderado e criterioso da ferramenta poderosa e extraordinária que é a inteligência artificial, usada já em vários âmbitos da vida humana.

Alguns já insinuaram que mais uma vez a Igreja parece estar contra o progresso e o desenvolvimento, o que não é verdade, empresa que se revelaria, aliás, inglória e infrutífera, como quando se quer parar o vento com as mãos. O Papa não diaboliza a inteligência artificial, mais do que uma vez elogia o contributo importante que teve o progresso científico e tecnológico ao longo da história, permitindo uma melhoria significativa e assinalável na qualidade de vida do ser humano. A tecnologia é boa, é bem-vinda, contudo é preciso saber usá-la de forma responsável ao serviço da pessoa humana e do bem comum de toda a humanidade. Esta é, aliás, a ideia mestra desta Encíclica: no centro da vida deve estar a pessoa humana, sempre o respeito pelo humano, a humanidade, e não ferramentas que a possam substituir, distorcer ou apagar, como é a inteligência artificial.

São muitos os desafios que a inteligência artificial coloca à humanidade, que exigem uma séria reflexão. Primeiro que tudo, está nas mãos de poucos, que se estão a tornar cada vez mais poderosos, cujo conceito de bem e de mal desconhecemos, assim como intenções e interesses. Muito poder nas mãos de poucos não é bom para a humanidade. Depois, ninguém tem dúvidas de que a inteligência artificial vai tirar muitos empregos. O que fazer com muito trabalhador que não tem emprego? Para onde direcionar a ação humana e que outras formas de sustento haverá para a pessoa humana? No campo da informação, de forma traiçoeira, vemos proliferar muita notícia falsa e a engorda da manipulação. Como salvaguardar a verdade? No âmbito da ética, a inteligência artificial não sabe o que é o bem e o que é o mal. Não pode ter um protagonismo excessivo nas decisões da humanidade. E como usá-la corretamente no contexto da guerra, retirando o ser humano de cena, favorecendo a ideia de guerra justa e a desresponsabilização humana? Eis alguns desafios, que pedem reflexão ética.

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