Sejam bem-vindos aos EUA e ao Mundial, a menos que…

Omar Abdulkadir Artan já entrou na história do Mundial apesar de lhe ter sido barrada a entrada nos EUA. Aos 34 anos, Omar é considerado o melhor árbitro africano da atualidade (África é a segunda confederação mais representada no Campeonato do Mundo) e foi convocado pela FIFA para dirigir jogos mas, à chegada ao Aeroporto Internacional de Miami e apesar de ter um visto FIFA, foi barrado pelas autoridades de imigração nos EUA, sem qualquer motivo para repatriar o árbitro.
Aos olhos da polícia de imigração norte-americana, o “pecado” de Omar foi só um: nascer na Somália (seria o primeiro somali a apitar ao mais alto nível). O país está na lista negra das restrições de viagens imposta pela administração Trump e a justificação passa por “proteger a nação de ameaças terroristas estrangeiras”.
FIFA nada pode fazer
A FIFA prontificou-se a vir a público explicar a situação mas com uma declaração que surpreende pela demonstração de impotência para contornar um obstáculo básico num Mundial de futebol: que os protagonistas possam entrar no país anfitrião, independentemente da sua origem: “O governo anfitrião é quem determina, em última instância, quem recebe o visto e quem tem entrada no país”, destacou o organismo. Entre os 48 países que se qualificaram para o Mundial mais concorrido de sempre, há quatro que irão enfrentar sérias restrições impostas pela administração Trump (pelos mesmos motivos que cidadãos somalis também não podem entrar): Irão, Haiti, Senegal e Costa do Marfim. Mesmo neste universo de quatro países há algumas diferenças: iranianos e haitianos estão proibidos de entrar (segurança nacional, alega o governo), enquanto senegaleses e costa-marfinenses podem requisitar alguns vistos, embora enfrentem restrições ou validade limitada dos vistos.
Prevendo esta situação, a FIFA assinou com os EUA, e em devido tempo, um memorando em que as autoridades norte-americanas se comprometiam em facilitar a concessão de vistos e até a simplificar procedimentos já existentes e que tudo isso fosse feito sem discriminações. Mas há letras pequenas no acordo: os EUA salvaguardam a possibilidade de que essas exceções não afetassem as regras nacionais de imigração e segurança dos países anfitriões. Como sempre, o diabo está nos detalhes.
Irão: proibido pernoitar
E quanto ao Irão, as limitações já se fazem sentir. Enquanto prosseguem os bombardeamentos, os jogadores iranianos que vão disputar o Mundial já sabem que terão de entrar e sair dos EUA (os jogos de Taremi e companhia serão em Los Angeles e Seattle) no mesmo dia de cada partida, saindo da sua base de concentração no norte do México e abdicando do centro de estágios previsto inicialmente para Tucson, no Arizona. O embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, destacou que 15 membros da delegação iraniana, na sua maioria dirigentes e integrantes da comissão técnica, ainda não têm visto americano, o que representa um “desafio” para a equipa. A FIFA terá dado orientações à delegação iraniana que as deslocações da comitiva podem ser feitas de avião particular ou por terra.
E o turismo?
Até determinada altura, as reservas obtidas até ao momento não permitiam antecipar um cenários de receitas extraordinárias para o turismo destas regiões. Um dos responsáveis hoteleiros ouvidos pelo “Financial Times” não tem dúvidas em apontar o dedo à administração Trump e às suas políticas de restrição à imigração e respetivo policiamento, mas também à enorme instabilidade com que a Casa Branca tem gerido a guerra no Irão.















