Sete em cada dez brasileiros perceberam aumento nas despesas do dia a dia nos últimos 12 meses, de acordo com levantamento do Serasa. Em um cenário de pressão sobre o orçamento familiar e juros ainda elevados, apenas 19% da população afirma conseguir administrar pagamentos e despesas sem dificuldades.
A alta dos custos tem levado parte dos consumidores a recorrer ao crédito como ferramenta de reorganização financeira. Dados do Banco Bari mostram que 60% dos clientes que contrataram crédito nos últimos dois anos utilizaram os recursos principalmente para quitar dívidas.
De acordo com a pesquisa da Serasa, gastos com supermercado, contas recorrentes e moradia já representam 57% do orçamento das famílias brasileiras. O custo médio mensal chegou a R$ 3.520, com as regiões Sul e Sudeste registrando os maiores valores do país.
“O que se observa são mudanças no dia a dia financeiro dos brasileiros que requerem novas posturas. Além do aumento do custo de vida percebido por uma parcela considerável da população, também vemos alterações quanto ao uso do crédito, comumente utilizado como uma extensão da renda”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
“É justamente nesse cenário que a educação financeira se mostra, mais uma vez, como um pilar importante para o bem-estar das famílias brasileiras”, explica.
Os dados do banco também indicam que abril, julho e outubro concentraram os maiores volumes de aprovação de crédito em 2024 e 2025.
Segundo a instituição, os meses coincidem com períodos de maior planejamento financeiro, revisão de orçamento e expectativa de renda extra.
Esse comportamento reflete uma mudança na forma como os brasileiros utilizam o crédito, de acordo com Lucas Ortega, líder comercial e especialista em empréstimo com garantia de imóvel do Bari.
“O consumidor está mais atento às condições do crédito e busca soluções com parcelas equilibradas e prazos mais longos. O crédito deixou de ser utilizado apenas para consumo imediato e passou a ocupar um papel estratégico na reorganização financeira das famílias”, diz.
O levantamento mostra ainda que o recurso não é usado apenas para renegociação de dívidas. Entre os entrevistados, 16% contrataram crédito para investimentos e 7% para construção ou reforma, indicando um uso mais planejado do patrimônio e das linhas de financiamento.
“Quando observamos o peso crescente de despesas essenciais como moradia e alimentação, fica evidente que muitas pessoas recorrem ao crédito estruturado para recuperar previsibilidade financeira e reorganizar o orçamento de forma sustentável”, conclui Ortega.
A Copa do Mundo não movimenta só o futebol. Ela movimenta consumo, comércio e milhares de pequenos negócios espalhados pelo Brasil. De bares e restaurantes a e-commerces e serviços de entrega, o torneio se transformou em uma das maiores oportunidades de vendas do calendário para quem sabe se preparar.
O impacto da Copa na base da economia é gigante. Segundo levantamento recente do Sebrae, o torneio deve impulsionar quase 800 mil pequenos negócios somente no estado de São Paulo e o otimismo se repete pelo Brasil inteiro.
Os dados reforçam esse otimismo: mais de 70% dos empreendedores brasileiros estão confiantes no potencial do evento. E o histórico joga a favor. Na Copa anterior, 96% das empresas que investiram em ações temáticas colheram retornos relevantes.
“Quando o brasileiro se conecta emocionalmente com o futebol, ele consome mais experiência e gasta na ponta. O pequeno negócio que tem agilidade consegue capturar esse movimento muito mais rápido do que as grandes corporações”, afirma Lucas Conrado, CEO do Fundo de Impacto Estímulo.
Para ele, o evento é um verdadeiro acelerador de criatividade e de caixa, desde que o empreendedor saiba diferenciar faturamento de lucro e transforme o pico de atenção em relacionamento duradouro.
Muitos empreendedores já estão criando promoções ou combos temáticos. Outros estão lançando produtos específicos para o Mundial. Há também quem esteja ampliando estoque e ajustando horário de funcionamento.
Além dos setores mais óbvios, como o da alimentação, bebidas e artigos esportivos, a Copa transborda para o varejo de moda, serviços de entrega e e-commerce de vizinhança.
“Quem souber envelopar o seu produto com o contexto cultural da Copa vai conseguir atrair esse cliente”, destaca Conrado.
Para o período entre junho e julho, o Grupo Alife Nino estima receber mais de 500 mil pessoas em suas operações, considerando marcas de bares como Tatu Bola, Boa Praça, Eu Tu Eles, Rainha e Princesa, além de experiências especiais criadas para o campeonato.
Para atender à demanda esperada, o grupo investiu na ampliação da estrutura de transmissão dos jogos, com instalação de painéis de LED em unidades selecionadas e TVs de grandes formatos estrategicamente posicionadas para garantir melhor visibilidade das partidas.
A operação também foi reforçada com experiências exclusivas voltadas para o período, incluindo eventos com open bar, ativações em parceria com marcas, campanhas promocionais, brindes para clientes, apresentações de música ao vivo após os jogos e lançamentos gastronômicos desenvolvidos especialmente para o campeonato.
A expectativa é que o torneio tenha impacto direto no consumo das casas. A projeção do grupo é registrar um ticket médio entre R$ 250 e R$ 300 durante a Copa, impulsionado pelo aumento do tempo de permanência dos clientes, pelo consumo compartilhado e pelas experiências criadas para acompanhar as partidas da seleção brasileira.
Além do incremento de receita, a competição também é vista como uma oportunidade estratégica para ampliar a base de clientes e fortalecer a relação com consumidores que passam a frequentar as casas em um momento de alto engajamento emocional e social.
“A Copa do Mundo é uma oportunidade importante para o setor porque o consumidor busca muito mais do que assistir aos jogos. Investimos em estrutura de transmissão, ativações com marcas, experiências gastronômicas e programação musical para transformar os bares em destinos de entretenimento durante o campeonato. Quando conseguimos unir esporte, gastronomia e experiência, aumentamos o fluxo, o tempo de permanência e o potencial de consumo dos clientes”, afirma Flávio Sarahyba, VP de Relações Institucionais do Grupo Alife Nino.
A Oleh Conceito, marca de jóias banhadas em ouro 18k, criou uma coleção exclusiva inspirada na Copa do Mundo 2026.
A linha conta com seis modelos, todos produzidos em quantidade limitada e com preços a partir de R$ 49. Segundo a empresária, Heloísa Checchia, fundadora da marca, o investimento inicial foi de aproximadamente R$ 2 mil. A decisão, porém, foi tomada com cautela.
“Confesso que, no início, fiquei receosa em investir. A sensação era de que as pessoas estavam mais preocupadas em pagar boletos do que em entrar no clima da Copa. Por isso, comecei com um investimento menor para testar a aceitação do público. Percebi que, aos poucos, as pessoas começaram a entrar no clima do evento. O interesse pelas peças foi maior do que eu imaginava, e isso me deu segurança para investir mais na coleção.”
A expectativa da empreendedora é de um crescimento de cerca de 10% no volume de vendas durante o período da Copa.
“Grandes eventos geram conversas, emoção e identificação. Para os pequenos negócios, essa é uma oportunidade de criar produtos com significado, atrair novos clientes e fortalecer o relacionamento com quem já acompanha a marca”, reforça.
Os três passos para garantir lucro no caixa
Para quem quer transformar o buzz da Copa em resultado real, Conrado resume em três passos essenciais:
Entenda a sua operação antes de expandir. Se você aumentar o estoque ou mudar de horário, o caixa precisa aguentar esse fôlego antes do dinheiro entrar. O capital precisa vir acompanhado de gestão.
Cuide da precificação. O custo do insumo não pode engolir o lucro do combo. Cada promoção temática precisa ter a margem calculada com cuidado.
Use a Copa para ganhar um cliente recorrente. A meta não é vender mais uma única vez. A ideia é transformar a atenção da Copa em venda, e essa venda em relacionamento para o resto do ano.
A combinação de juros elevados no Brasil e no exterior tem levado empresas a adiar decisões de expansão e novos investimentos, enquanto aguardam maior clareza sobre o cenário econômico global.
Apenas projetos considerados essenciais ou de alta rentabilidade seguem avançando, de acordo com o economista do Itaú Unibanco, Pedro Renault. Enquanto isso, grande parte do setor produtivo permanece em compasso de espera.
“O que a gente vê é uma perspectiva de menor demanda à frente e um apetite menor para investir. Só os projetos muito óbvios, muito rentáveis, acabam saindo do papel”, afirmou o economista ao CNN Money.
A avaliação ocorre em um momento de endurecimento da política monetária em diferentes economias. Nesta semana, o BCE (Banco Central Europeu) elevou os juros pela primeira vez em quase três anos, diante da aceleração da inflação impulsionada pelo aumento de custos de energia após a guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
A autoridade monetária também revisou para cima suas projeções inflacionárias para este ano e o próximo.
Na Ásia, o mercado também espera uma nova alta de juros pelo BoJ (Banco do Japão), na reunião que se encerra na próxima terça-feira (16). A expectativa é de que a taxa básica avance de 0,75% para 1%, o maior nível desde 1995, refletindo a preocupação da instituição com os impactos inflacionários do conflito no Oriente Médio.
Para Renault, esse movimento global ajuda a explicar por que o processo de flexibilização monetária no Brasil tende a ser mais lento.
“Existe um consenso de que o Brasil precisa conter a dinâmica da dívida pública. Se isso acontecer, você cria um ciclo virtuoso, com menos pressão inflacionária e espaço para juros mais baixos”, afirmou.
O economista ainda afirmou que o cenário atual tem afetado diretamente os planos das empresas. Setores dependentes de crédito, como material de construção, eletrodomésticos e parte da indústria, sentem mais intensamente os efeitos dos juros elevados, já que o financiamento mais caro reduz a demanda e dificulta a viabilidade de novos projetos.
Por outro lado, investimentos considerados estratégicos ou obrigatórios seguem em andamento. Como é o caso de segmentos ligados à infraestrutura, como concessões de saneamento e rodovias, além de áreas que demandam investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento, como a indústria farmacêutica e automotiva.
Segundo o sócio da Blackbird, José Gaino, o diferencial de juros continua sendo importante para atrair capital estrangeiro e evitar migração de recursos para economias consideradas mais seguras, como a dos EUA.
“Os fatores globais são o que mais vêm impactando essa reprecificação dos juros. Se os juros brasileiros caem enquanto os norte-americanos sobem, há uma tendência de o investidor preferir alocar recursos nos EUA”, explicou.
Além disso, de acordo com Gaino, muitas empresas têm preferido aguardar uma definição mais clara do cenário econômico antes de ampliar investimentos ou assumir novos compromissos financeiros.
“O que a gente percebe é um movimento muito de aguardar, de entender o que vai acontecer diante de toda essa instabilidade dos últimos meses. Hoje o empresário consegue esperar porque está alocado em uma Selic elevada, rendendo em torno de 14%”, disse o executivo em entrevista ao CNN Money.
O sócio da Blackbird afirma ainda que o principal impacto dos juros altos tem aparecido na gestão financeira das empresas, especialmente entre aquelas que enfrentam prazos cada vez mais longos para receber de clientes enquanto precisam manter despesas operacionais em dia.
‘”O que a gente vem observando é que as empresas estão recebendo com prazos muito esticados e precisam trazer esse valor para o presente para honrar seus pagamentos. O custo de capital mais alto deixa esse processo mais caro e aumenta a pressão sobre os negócios”, explicou.
Segundo o executivo, esse ambiente tem contribuído para o aumento da inadimplência e por crédito de curto prazo.
Na avaliação de Gaino, enquanto os juros permanecerem em níveis elevados e persistirem as incertezas globais, a tendência é de manutenção da postura defesniva por parte dos empreendedores brasileiros.
Os investidores terão em breve uma nova maneira de apostar na trajetória da SpaceX: as opções sobre as ações devem começar a ser negociadas na terça-feira (16), com expectativas de que a atividade inicial seja intensa, volátil e provavelmente cara.
As opções sobre a empresa de foguetes e espaçonaves de Elon Musk seguirão a estreia recorde na Nasdaq nesta sexta-feira, quando as ações subiram mais de 25%, elevando o valor de mercado da companhia para mais de US$ 2 trilhões.
A bolsa de opções Cboe Global Markets espera que as opções de ações da SpaceX comecem a ser negociadas na terça-feira, disse um porta-voz. Os participantes do mercado esperam que um amplo leque de investidores provavelmente entre no mercado assim que as opções começarem a ser negociadas, desde acionistas buscando proteção contra perdas até operadores se posicionando para a volatilidade das ações.
“Espero uma demanda explosiva”, disse Ophir Gottlieb, diretor executivo da Capital Market Laboratories. “A maior IPO (oferta pública inicial) de todos os tempos, ligada a um dos empreendedores mais controversos da história, buscando o que pode ser uma das metas de longo prazo mais ambiciosas de todos os tempos, gerará igualmente um dos maiores volumes iniciais de opções em dólares já registrados.”
As opções, que dão aos detentores o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender ações a um preço predeterminado dentro de um determinado período, oferecem aos investidores uma maneira de baixo custo de obterem exposição às ações de uma empresa e de expressar suas opiniões sobre movimentos de preço de curto prazo e posicionamento de longo prazo.
As opções geralmente são listadas poucos dias após a estreias de ações. A SpaceX abriu a US$ 150 nesta sexta-feira, acima do preço de IPO de US$ 135, e estava sendo negociada em torno de US$ 172 nesta tarde, tornando-se a sexta maior empresa dos EUA em valor de mercado, com mais de US$ 2 trilhões.
Espere alta e baixa
Se a SpaceX se comportar de forma semelhante às ações da montadora de carros elétricos Teslade, ela será mais volátil do que a média das ações, impulsionando a atividade de opções.
O beta de cinco anos da Tesla — uma medida de volatilidade — é de 1,81, de acordo com dados da LSEG, onde um valor de 1 significa que a volatilidade da ação está em linha com o mercado.
“Acho que veremos muita volatilidade na ação” disse Seth Hickle, diretor de investimentos da Mindset Wealth Management, acrescentando que a volatilidade implícita nas opções pode ser “muito alta”.
Os investidores esperam que a atividade se concentre em torno de eventos-chave, incluindo o primeiro relatório trimestral da empresa como entidade de capital aberto e possíveis inclusões em índices de ações importantes.
A Nasdaq já ajustou suas regras para facilitar a entrada da SpaceX no Nasdaq 100. A MSCI disse que aplicará regras de inclusão antecipada para grandes IPOs, enquanto a S&P Global descartou a inclusão por via rápida no S&P 500, índice de mercado amplo.
“Nos perguntaram ‘Em que dia as opções serão listadas?’ mais vezes do que em qualquer IPO de que me lembro”, disse Chris Murphy, codiretor de estratégia de derivativos da Susquehanna, uma formadora de mercado.
Os céticos também podem usar opções para expressar visões pessimistas sem o risco de vender a descoberto as ações da SpaceX, embora isso não seja barato.
“Com uma posição vendida, seu risco é teoricamente ilimitado, seus custos de empréstimo podem ser punitivos e, em um mercado com poucas ações em circulação como o da SPCX, um ‘short squeeze’ pode acabar com você antes mesmo de você ter a certeza de que estava certo sobre os fundamentos”, disse Luke Lango, analista-chefe de tecnologia da empresa de pesquisa financeira InvestorPlace.
Para concorrer, os apostadores podem registrar seus jogos até uma hora antes do sorteio, às 20h, em qualquer casa lotérica credenciada pela Caixa, pelo site ou aplicativo do banco. O bilhete simples, com seis números marcados, custa R$ 6.
Para os jogos feitos pelo site da Caixa, o valor mínimo para apostar na Mega-Sena é de R$ 30, seja para uma única aposta ou mais.
Para fazer uma aposta maior, com sete números, o preço sobe para R$ 35. A seguir, confira os valores para se jogar e probabilidades de ganhar a Mega-Sena:
Bolão
Uma forma de apostar na Mega-Sena, além dos jogos individuais, é formar um grupo para escolher os números, o chamado bolão.
Ao ser registrada no sistema, a aposta gera um recibo de cota para cada participante, que pode resgatar a sua parte do prêmio individualmente.
Os bolões têm valor mínimo de R$ 15 e cada cota deve ser de pelo menos R$ 6, sendo possível realizar um bolão de no mínimo duas e no máximo 100 cotas.
O apostador também pode adquirir cotas de bolões organizados pelas lotéricas. Basta solicitar ao atendente a quantidade de cotas que deseja e guardar o recibo para conferir a aposta no dia do sorteio.
Nesse caso, poderá ser cobrada uma tarifa de serviço adicional de até 35% do valor da cota, a critério da lotérica.
Premiação
O prêmio bruto corresponde a 43,35% da arrecadação. Dessa porcentagem:
17% ficam acumulados e são distribuídos aos acertadores dos 6 números nos concursos de final 0 ou 5;
10% ficam acumulados para a primeira faixa — sena — do último concurso do ano de final 0 ou 5 (Mega da Virada).
Não havendo acertador em qualquer faixa, o valor acumula para o concurso seguinte, na respectiva faixa de premiação.
Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).
O governo Trump deu luz verde para que a Paramount Skydance adquira a Warner Bros. Discovery em uma megafusão que irá remodelar Hollywood.
A aprovação concedida na tarde de sexta-feira pelo Departamento de Justiça, embora esperada, foi um passo fundamental na busca da Paramount para adquirir a CNN, a HBO, o estúdio cinematográfico da Warner Bros. e outros ativos da Warner Bros. Discovery.
O Departamento de Justiça afirmou em comunicado que “não é provável que a transação resulte em prejuízo à concorrência ou aos consumidores americanos, incluindo no que diz respeito a: (1) streaming de vídeo sob demanda (“SVOD”); (2) televisão linear; e (3) desenvolvimento, produção ou distribuição de filmes pelos estúdios para exibição nos cinemas”.
A Paramount disse estar grata ao Departamento de Justiça pela “análise minuciosa” e acrescentou: “Continuamos focados em concluir a transação o mais rápido possível e em proporcionar seus benefícios aos consumidores, criadores e à indústria do entretenimento como um todo.”
A Paramount e a Warner Bros. Discovery (também conhecida como WBD) ainda enfrentam uma possível ação judicial movida por uma coalizão de procuradores-gerais estaduais, que afirmam que o governo Trump não está cumprindo a legislação antitruste.
A ação judicial em nível estadual poderia retardar o processo de fusão, embora os executivos da Paramount afirmem que tal ação seria improcedente.
Um porta-voz do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, disse, em resposta à decisão do Departamento de Justiça, que “a fusão entre a Warner Bros. e a Paramount continua sob investigação pelo Departamento de Justiça da Califórnia”.
A senadora Elizabeth Warren, uma das críticas mais veementes ao acordo, classificou a aprovação do Departamento de Justiça como “uma péssima notícia para todos os americanos que não querem que bilionários alinhados a Trump controlem o que assistem e quanto pagam” e instou os procuradores-gerais estaduais a intervir.
“O acordo entre a Paramount e a Warner Bros. cheira a corrupção e tráfico de influência”, disse a senadora. “Essa luta não acabou. Os procuradores-gerais estaduais devem bloquear essa fusão.”
As empresas também continuam aguardando análises importantes por parte da União Europeia e do Reino Unido. Os órgãos reguladores desses países estão avaliando se o acordo poderia prejudicar a concorrência.
A Paramount afirma que o acordo é “fundamentalmente favorável à concorrência”. Quanto à perspectiva de assumir o controle da CNN, o que tem causado preocupação entre grupos defensores da liberdade de imprensa, a empresa afirma que se compromete a “investir no futuro do jornalismo, e não a prejudicá-lo”.
A Paramount tem buscado obter todas as aprovações necessárias e assumir o controle da WBD no terceiro trimestre do ano, ou seja, até o final de setembro. Internamente, os líderes da Paramount têm falado sobre a possibilidade de superar todos os obstáculos em julho, embora o cronograma das análises europeias torne isso improvável.
A ousada oferta pela WBD — que é muitas vezes maior que a Paramount — tem sido fonte de controvérsia há meses, em parte devido aos laços estreitos da Paramount com o presidente Donald Trump e aos esforços percebidos da empresa para ganhar o favor de seu governo.
O negócio é financiado pelo aliado de Trump, Larry Ellison, o bilionário cofundador da Oracle, cujo filho, David Ellison, tornou-se CEO da Paramount por meio de uma fusão no ano passado.
Os críticos do acordo com a WBD apontaram a reestruturação da CBS News pela Paramount e de programas como o “60 Minutes” — há muito alvo da ira de Trump — como evidência da disposição da empresa em ceder à pressão política.
Bruce Springsteen criticou a Paramount por apaziguar Trump na rede principal da empresa, a CBS, durante um dos últimos episódios do “The Late Show with Stephen Colbert” no mês passado. Depois de criticar Trump, Springsteen disse: “Larry e David Ellison acham que precisam bajulá-lo para conseguir o que querem”.
Os executivos da Paramount rejeitaram essa narrativa em particular, embora os Ellisons tenham falado pouco sobre o assunto em público.
Trump comentou publicamente sobre a Paramount ao longo do tempo, às vezes retratando os Ellisons como seus amigos e expressando especificamente interesse em que a família assumisse a CNN.
“É imperativo que a CNN seja vendida”, disse Trump em dezembro, quando a Netflix estava vencendo uma complexa guerra de lances pelos ativos. Os comentários indicaram que ele preferia a oferta hostil de aquisição da Paramount.
A Paramount saiu vitoriosa em fevereiro, e então teve início o processo de análise regulatória.
No final de abril, a Paramount organizou um jantar incomum em Washington com Trump, membros de seu gabinete e um pequeno grupo de jornalistas e executivos da CBS News. Entre os convidados estavam: o chefe do Departamento de Justiça, o procurador-geral interino Todd Blanche, e o presidente da FCC, Brendan Carr.
Em maio, a análise do acordo pelo Departamento de Justiça avançou rapidamente, com depoimentos de alguns executivos da Paramount e uma longa reunião com David Ellison.
O interrogatório foi conduzido por funcionários de carreira, e não por nomeados por Trump, revelou à CNN uma pessoa a par do processo.
Ainda assim, toda a análise regulatória foi ensombrada por acusações de favoritismo político e nepotismo. Vários legisladores democratas prometeram investigar questões relacionadas à Paramount e a Trump caso seu partido vença as eleições de meio de mandato.
“Agradecemos a análise minuciosa do Departamento de Justiça sobre esta transação, bem como o trabalho das outras agências que concluíram suas análises e concederam aprovação até o momento”, disse a Paramount na sexta-feira. “Este acordo é pró-competitivo, resultando em uma empresa mais forte e melhor posicionada para competir contra plataformas tecnológicas dominantes em um setor cada vez mais marcado pela intensa competição por público, talentos, tecnologia e investimentos.”
O fundador e CEO da SpaceX, Elon Musk, torna-se oficialmente hoje o primeiro trilionário do mundo. Ninguém mais jamais chegou nem perto desse patrimônio líquido.
Na verdade, é preciso somar as estimativas de riqueza das quatro pessoas mais ricas do mundo — os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, o fundador da Oracle, Larry Ellison, e o fundador da Amazon, Jeff Bezos — para sequer chegar perto do valor que Musk representa atualmente.