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Análise: Lula faz críticas indiretas às políticas de Trump no G7

17 June 2026 at 14:54

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na terça-feira (16), da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, e aproveitou o encontro para fazer críticas indiretas às políticas do governo dos Estados Unidos.

Sentado praticamente frente a frente com o presidente americano, Donald Trump, e com o anfitrião, Emmanuel Macron, Lula discursou em uma sessão sobre desenvolvimento sem citar nominalmente nem Trump nem os Estados Unidos.

Críticas ao protecionismo e ao unilateralismo

Em seu discurso, o presidente brasileiro criticou o neoliberalismo, apontando-o como responsável pela desigualdade econômica.

Em seguida, afirmou que “o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas” — uma referência, segundo o enviado especial e analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, às tarifas impostas por Trump a diversos países, dando início a guerras comerciais e ao protecionismo da economia americana.

Soberania dos estados e crime transnacional

Lula também defendeu o respeito à soberania dos Estados no combate ao crime transnacional e ao tráfico de drogas, afirmando que esse esforço deve incorporar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol.

A declaração foi interpretada como uma crítica lateral à decisão do governo americano de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como entidades terroristas — uma decisão unilateral com a qual o governo brasileiro não concorda.

 

Reunião com líder japonesa e agenda do Mercosul

Antes do discurso, Lula se reuniu com Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão, para discutir as bases de um possível acordo de livre comércio entre o Japão e os países do Mercosul. Segundo Lula, o anúncio do início dessas negociações deve ocorrer no Paraguai no dia 30 de junho, durante a reunião de cúpula do Mercosul.

Outros temas da cúpula

A cúpula também foi marcada por discussões sobre conflitos internacionais. Pela manhã, os líderes do G7 se reuniram com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que pediu mais pressão sobre a Rússia para que o país aceite negociar o fim da guerra.

Além disso, líderes do Egito, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos se encontraram com Trump para discutir os detalhes de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para o fim da guerra no Oriente Médio.

A cúpula continua nesta quarta-feira (17), com Lula previsto para fazer duas participações públicas: uma sobre desigualdades econômicas e outra sobre inteligência artificial.

Análise: ausência de cumprimento entre Lula e Trump não tem significado especial

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna avaliou que o fato de Trump não ter ido cumprimentar Lula durante a foto oficial da cúpula não deve ser interpretado como um sinal negativo.

Segundo Lourival, o presidente americano recebeu Lula por três horas na Casa Branca em março e tinha outras prioridades no encontro, como articulações em torno do Estreito de Ormuz e conversas com líderes do Oriente Médio envolvidos em um fundo de US$ 300 bilhões ligado às negociações com o Irã.

O analista também destacou que Trump separa bem os interesses comerciais dos Estados Unidos das relações pessoais com outros líderes, ressaltando que a chamada “química” entre os dois não significa concessões em temas como tarifas ou o sistema de pagamentos Pix — que, segundo o Lourival, é “uma criação legítima do Brasil” e não deve ser objeto de recuo por parte do governo brasileiro.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Vídeo: Japão simula invasão de urso em escola com funcionário fantasiado

17 June 2026 at 12:30

A prefeitura de Tochigi, na região central do Japão, realizou simulações de uma resposta de emergência a uma invasão de urso selvagem em uma escola primária nesta quarta-feira (17), em meio a um aumento no número de avistamentos de ursos.

A simulação consistia na identificação de um urso selvagem no campus da escola, com a participação da polícia local, caçadores credenciados e funcionários do governo.

Além de mapas e gráficos impressos que auxiliaram no processo, um drone de observação também sobrevoou o “urso” — que era interpretado por um funcionário do governo local vestido com uma fantasia e máscara de urso. O “urso” foi finalmente encurralado próximo a um curral de cabras e subjugado pelos caçadores.

Os funcionários locais também tiveram a oportunidade de praticar o disparo de spray de pimenta contra ursos em réplicas de papelão em tamanho real.

 

Os ataques de ursos aumentaram drasticamente no Japão, inclusive em áreas urbanas, o que levou o governo a criar uma força-tarefa este ano para reduzir os incidentes. No ano fiscal de 2025, o país registrou um recorde de 238 vítimas, incluindo 13 mortes, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

No início de junho, um ataque de urso na cidade de Fukushima deixou pelo menos quatro pessoas feridas. Imagens de câmeras de segurança de um dos incidentes mostram o animal perseguindo um homem e o derrubando no chão.

Há cerca de uma semana, avistamentos repetidos de um urso-negro paralisaram completamente a cidade vizinha de Utsunomiya, com mais de 500 mil habitantes.

As autoridades optaram por fechar quase 100 escolas públicas locais e até mesmo o campus universitário por três dias consecutivos como medida de segurança. O urso foi finalmente subjugado em um bairro residencial da cidade em 9 de junho.

Japão registou um défice comercial de 2.032 milhões de euros em maio

17 June 2026 at 10:45

O Japão registou em maio um défice comercial de 378.600 milhões de ienes (cerca de 2.032 milhões de euros à taxa de câmbio atual), informou hoje o Governo.

O saldo negativo surge após três meses consecutivos de excedente, embora represente uma redução de 42,8% em relação ao défice registado no mesmo mês do ano anterior, de acordo com o relatório mensal publicado pelo Ministério das Finanças japonês.

As exportações japonesas cresceram 17% em termos homólogos no quinto mês de 2026, atingindo os 9,51 biliões de ienes (cerca de 51.050 milhões de euros), enquanto as importações aumentaram 12,5%, atingindo os 9,89 biliões de ienes (53.090 milhões de euros).

Com a China, o seu maior parceiro comercial, o Japão registou em maio um défice de 649.700 milhões de ienes (3.488 milhões de euros), mais 3,9% do que o registado no ano passado.

Com a primeira economia mundial e o seu segundo parceiro comercial, os Estados Unidos, o país asiático obteve um excedente de 357.000 milhões de ienes (1.916 milhões de euros), o que representa uma redução de 19,9% em relação ao ano anterior.

Com a União Europeia, o terceiro maior parceiro comercial, o Japão registou um saldo negativo no valor de 250.700 milhões de ienes (1.346 milhões de euros), 19,1% menos do que no mesmo mês de 2025.

Em relação ao Brasil, o Japão reduziu o défice em 3,5% em termos homólogos, para 49.599 milhões de ienes (266 milhões de euros), enquanto o saldo negativo com o Chile aumentou 29,5%, para 125.528 milhões de ienes (674 milhões de euros).

Em contrapartida, o Japão registou um excedente comercial com o México no valor de 79.298 milhões de ienes (426 milhões de euros), um aumento de 63% em relação ao ano anterior.

Adeptos japoneses limpam tudo e dão lição até no trânsito

17 June 2026 at 08:07
Enquanto o Reino Unido proíbe redes sociais a menores de 16 anos para os tirar do ecrã, os jovens do Japão mostram civismo no Mundial: festejam no sinal verde e limpam as bancadas a seguir ao jogo.

Depois de BCE e Japão, seguem-se Fed e Banco de Inglaterra

17 June 2026 at 07:01

Depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter arrancado duas semanas intensas de reuniões dos bancos centrais com uma subida de 25 pontos base (pb) e de o Banco do Japão (BoJ) ter dado seguimento com igual mexida, agora é a Reserva Federal dos EUA que se reúne, isto um dia antes do Banco de Inglaterra (BoE). No entanto, em ambos os casos, a expectativa é de uma manutenção do atual nível, sobretudo face à assinatura iminente do acordo de paz entre os EUA e o Irão.

O mercado está a dar como praticamente adquirido que a reunião desta quarta-feira não trará alterações nos juros diretores da maior economia do mundo, isto apesar do disparo recente da inflação que levou o indicador a 4,2% em maio, o valor mais alto desde abril de 2023. O acordo iminente entre norte-americanos e iranianos para pôr fim à guerra começada em fevereiro está a fazer descer os preços do barril de petróleo, mas, nos EUA, um corte de juros nunca foi o cenário base para os investidores.

Olhando para as taxas implícitas de mercado fornecidas pela FedWatch Tool, do CME Group, é constatável que o mercado atribui atualmente, na véspera do anúncio da decisão de política monetária, uma probabilidade de 99,6% à manutenção do atual intervalo entre 3,5% e 3,75%, mas, há um mês, essa probabilidade era de 98,7%. Ou seja, um mês não alterou as perspetivas dos investidores, pelo que o memorando de entendimento entre Washington e Teerão não é o fator chave nesta equação.

Ainda assim, os analistas antecipam que a Fed “elimine o viés acomodatício adotado desde o início do atual ciclo de cortes de juros”, mostrando assim uma “crescente preocupação com a inflação persistente”, explica Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da AllianzGI.

“As atas sugerem que o equilíbrio interno se deslocou para uma postura mais restritiva, dada a crescente incerteza sobre a duração e os efeitos económicos do conflito no Médio Oriente”, acrescenta. Tal ficaria também em linha com a postura do novo presidente, Kevin Warsh, conhecido por ser agressivo contra a inflação.

Além da leitura mais recente do índice de preços no consumidor (IPC), o índice de gastos pessoais de consumo (PCE), a medida preferida da Fed na avaliação da inflação, mostra o indicador subjacente acima do objetivo de 2% desde 2021 e com uma tendência crescente nos últimos meses, reforçando a necessidade de lidar com a pressão cada vez mais abrangente nos preços.

Por outro lado, o novo presidente do banco central “herda o Comité mais dividido em mais de três décadas, com três membros votantes a já discordarem do viés acomodatício em Abril, enquanto o governador cessante, Stephen Miran, voltou a votar a favor de um corte na taxa de juro”. Isto combinado com os comentários de Warsh no passado sobre ‘mudança de regime’ na Reserva Federal podem complicar os primeiros tempos do banqueiro.

Daniel Murray, diretor interino de investimentos e líder da unidade de pesquisa da EFGAM, argumenta precisamente que a conferência de imprensa será “mais animada do que habitual”, dados os comentários passados de Warsh, o ambiente em que se estreia na presidência do banco central e a sua vontade explícita de reduzir a comunicação da Fed.

“Apesar de Warsh ser altamente educado e um antigo governador da Fed, a vontade de comunicar menos pode estar relacionada com o facto de que não é um economista treinado, pelo que poderá ficar desconfortável com as questões de jornalistas experientes em política monetária norte-americana”, escreve.

Japão e Austrália divergem

A reunião da Fed finaliza dois dias após o BoJ ter seguido o rumo do BCE e ter subido taxas em 25 pb, levando o indicador de referência a 1% – o valor mais alto dos juros diretores nipónicos em 31 anos. E as subidas não devem ficar por aqui.

O governador interino, Shinichi Uchida, sinalizou que o banco central continuará a combater a pressão nos preços e voltará a subir taxas, dado o risco de espiral inflacionista. O acordo entre EUA e Irão dá algum alívio, mas a pressão nos custos das empresas tem sido transmitida à economia via preços e também salários, arriscando uma inflação mais entrincheirada e persistente.

A decisão era tomada como adquirida pelos mercados, que já precificavam a subida, mas nem por isso foi unânime, com um dissidente entre os oito votantes. Ainda assim, com os juros em 1% e a taxa de inflação a chegar a 1,4% na leitura mais recente, a taxa real permanece negativa.

Como tal, e dada a fraqueza do iene nos mercados cambiais aliada a ganhos salariais consideráveis, o mercado inclina-se para nova subida este ano, independentemente do desfecho do conflito americano-israelita no Médio Oriente. O banco ING aponta para outubro para esta nova subida.

Mais a sul, o Banco da Reserva da Austrália (RBA) optou por manter esta terça-feira as taxas sem mexidas, embora sinalizando prováveis novas subidas no horizonte. Foi a primeira reunião este ano do banco central australiano sem mexidas nos juros, isto após três subidas que deixaram os juros de referência em 4,35%.

Mais de metade dos analistas ouvidos pelo Canal 9 australiano apostam em pelo menos mais uma subida de juros até final do ano e mais de 60% destes apontam para a próxima reunião, em agosto.

Falcões ingleses perdem fôlego

Além do Japão, também o Reino Unido vê o banco central reunir esta semana, sendo improvável uma mexida em junho – e até mesmo no resto do ano.

Os investidores chegaram a equacionar uma subida perante novo choque energético, embora se dividissem entre junho e julho, mas o entendimento entre norte-americanos e iranianos já pressiona a cotação do petróleo em baixa, sendo expectável uma certa normalização do mercado energético nos próximos meses.

Como tal, a possibilidade de uma subida esta quinta-feira deixou de estar em cima da mesa e o mercado antecipa agora apenas 25% de probabilidades de tal acontecer em julho, além de ter ajustado em baixa as previsões para as mexidas nos juros de referência de três para apenas uma este ano.

Ainda assim, e olhando para a tendência recente nas votações do banco, não seria surpreendente ver dissidentes. O banco ING antecipa pelo menos dois votos a favor de nova subida, o que deixaria o resultado em 7-2 no Comité do BoE.

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