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EUA x Irã: Saiba por que acordo provisório deverá ser assinado virtualmente

13 June 2026 at 19:58

Os planos para a assinatura virtual do acordo provisório foram concretizados no último dia para consolidar o acordo rapidamente e evitar imprevistos de última hora, disseram autoridades familiarizadas com o assunto.

Embora o presidente Donald Trump tenha dito na semana passada que esperava que a assinatura ocorresse presencialmente na Europa, com a presença do vice-presidente JD Vance representando os EUA, esses planos não se concretizaram.

Isso se deve em parte a complicações de agenda.

O presidente e o vice-presidente não viajam ao exterior simultaneamente por questões de segurança e continuidade, e Trump tem uma viagem marcada para a cúpula do G7 na França na madrugada de segunda-feira (115).

Levar Vance de um evento de assinatura na Europa a tempo da partida de Trump seria difícil.

Em vez disso, foi oferecida uma assinatura eletrônica para finalizar o acordo provisório. O receio entre alguns dos mediadores é que, quanto mais tempo demorar para que seja assinado, maior a probabilidade de que algo comprometa o progresso ou que uma ou as duas partes descumpram o acordo, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Até o momento, Washington e Teerã apresentaram versões um tanto conflitantes sobre o conteúdo do acordo, incluindo o auxílio financeiro que o Irã receberá.

Se essas divergências são meras diferenças na comunicação pública ou refletem algo mais profundo que poderia levar ao colapso do acordo, permanece incerto.

Impasse em assinatura

A IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) negou neste sábado (13) que um acordo provisório com os Estados Unidos seria assinado no domingo (14) e criticou a “insistência incomum” do presidente americano, Donald Trump, para assinar o acordo nesse dia.

O presidente americano e o Paquistão, mediador do conflito, afirmaram mais cedo neste sábado que o acordo provisório seria assinado no domingo.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os dois lados concordaram com uma estrutura para um acordo de paz e que Islamabad estava se preparando para uma assinatura eletrônica no domingo, seguida de negociações técnicas na próxima semana.

Mais cedo, neste sábado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a assinatura do acordo “não acontecerá amanhã”.

“A possibilidade de isso acontecer nos próximos dias não está descartada”, disse Baghaei, segundo a agência Tasnim. “No entanto, devido à instabilidade da outra parte, devemos ser cautelosos com quaisquer declarações a respeito desse processo.”

“Este não é um acordo final entre o Irã e os Estados Unidos, mas sim um memorando que descreve os principais pontos de discordância e esclarece que a guerra terminará”, acrescentou o porta-voz iraniano.

Um funcionário americano que falou com repórteres posteriormente se recusou a comentar sobre o cronograma, mas disse: “É um ótimo acordo e um acordo muito forte.”

Não é a primeira vez que os dois lados parecem estar perto de um acordo inicial para encerrar a guerra, que começou em 28 de fevereiro, com ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o Irã, mas Sharif escreveu na rede social X: “Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca.”

A guerra elevou drasticamente os preços globais da energia e matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, onde o conflito reacendeu a disputa entre Israel e o grupo militante Hezbollah, alinhado a Teerã.

O que está incluído no acordo?

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse na sexta-feira (12) que, embora mudanças no acordo ainda sejam possíveis, o acordo provisório demonstra que seu país saiu fortalecido do conflito.

Horas depois dessas declarações, forças americanas abateram vários drones iranianos de ataque unidirecional que se dirigiam para o Estreito de Ormuz, disse à agência de notícias Reuters uma fonte familiarizada com o assunto.

A fonte, que falou sob condição de anonimato, afirmou que os drones representavam uma ameaça ao tráfego comercial. O Comando Central dos EUA confirmou posteriormente a ação e disse que o estreito, uma importante via de acesso ao petróleo mundial, estava aberto.

Irã mantém o estreito sob bloqueio há meses, e a Marinha dos EUA bloqueia portos iranianos para reduzir suas exportações de petróleo.

O acordo provisório proposto prevê a reabertura do estreito e o levantamento do bloqueio naval americano, disseram fontes de todos os lados envolvidos nas negociações. As negociações sobre o programa nuclear iraniano — a justificativa declarada por Trump para iniciar a guerra — ocorreriam posteriormente.

“O Irã vai abrir o Estreito de Ormuz, isso é uma exigência. Ele poderá ser aberto sem pedágio. Assim que isso acontecer, nós suspenderemos nosso bloqueio”, disse o oficial americano que falou neste sábado (13).

“Isso acontecerá em conjunto, e parte da próxima etapa, a fase seguinte, será a desminagem do estreito”, afirmou o oficial, indicando que os países do G7 (Grupo dos Sete) poderiam ter um papel nisso.

Acordo entre EUA e Irã pode ser assinado neste fim de semana; entenda

13 June 2026 at 08:00

Autoridades dos EUA e do Irã afirmaram na sexta-feira (12) que um memorando de entendimento para encerrar o atual conflito está próximo de ser concluído, aumentando a expectativa de que o documento seja assinado nos próximos dias.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o acordo “nunca esteve tão próximo” e disse que o memorando poderá ser assinado remotamente após a conclusão das negociações finais.

Segundo autoridades americanas e iranianas, o documento serviria como uma etapa preliminar para um acordo mais amplo e abriria um período de 60 dias de negociações técnicas entre os dois países.

Entenda os pontos do acordo

De acordo com uma autoridade do governo dos Estados Unidos, o memorando inclui:

  • Reabertura do Estreito de Ormuz;
  • Fim do bloqueio americano aos portos iranianos;
  • Desmantelamento do programa nuclear iraniano;
  • Transferência do material nuclear enriquecido do Irã para os Estados Unidos, onde seria destruído;
  • Possível alívio gradual das sanções econômicas impostas a Teerã.

O governo americano afirma que qualquer benefício econômico só seria concedido após o cumprimento das obrigações por parte do Irã.

“Os iranianos não recebem nada no momento da assinatura”, afirmou uma autoridade americana. Segundo a fonte, cada etapa cumprida pelo regime iraniano resultaria em contrapartidas econômicas específicas.

Divergências

Apesar do avanço das negociações, Washington e Teerã seguem apresentando versões distintas sobre os termos do entendimento.

Enquanto os Estados Unidos destacam concessões iranianas relacionadas ao programa nuclear, o governo iraniano tem enfatizado pontos como o alívio das sanções, o respeito à soberania do país e o encerramento dos conflitos regionais.

Araghchi afirmou que o memorando incluirá não apenas questões nucleares e econômicas, mas também uma solução para os confrontos no Líbano e em “todas as outras frentes” do conflito regional.

O chanceler iraniano também declarou que o Irã está preparado para retomar a guerra caso os termos negociados não sejam cumpridos.

Israel mantém posição

Em meio às negociações, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país não pretende se retirar das áreas que ocupa no Líbano, na Síria e em Gaza.

Segundo Katz, Israel continuará atuando contra ameaças ligadas ao Irã e aos grupos armados apoiados por Teerã na região.

Tensão em Ormuz

No fim da noite de sexta-feira, o CENTCOM (Comando Central dos EUA) informou ter interceptado diversos drones iranianos próximos ao Estreito de Ormuz.

Segundo os militares americanos, as aeronaves buscavam interromper o tráfego marítimo comercial na região. O CENTCOM afirmou que todos os drones foram abatidos e que a navegação no corredor marítimo segue sem restrições.

(Com informações de Kevin Liptak, Sophia Saifi, Mitchell McCluskey, Alayna Treene, Oren Liebermann e Michael Williams, da CNN)

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

Perda de apoio dos EUA é maior risco para Israel, diz professor ao WW

13 June 2026 at 07:03

A possível perda do apoio dos Estados Unidos representa o principal risco estratégico para Israel no cenário internacional, segundo avaliação de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) e de Relações Internacionais da FGV (Fundação Getulio Vargas), em entrevista ao WW Especial, da CNN Brasil.

Ao analisar os desafios enfrentados pelo Estado israelense, Vieira, que também leciona no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), afirmou que questões internas, como as mudanças demográficas em curso no país, são relevantes, mas não suficientes, isoladamente, para ameaçar sua continuidade.

“O grande risco está do outro lado do Atlântico Norte”, afirmou. Segundo ele, uma eventual mudança no ambiente político americano pode reduzir significativamente o apoio histórico dado a Israel por Washington.

Vieira destacou que pesquisas apontam uma crescente resistência entre eleitores democratas ao apoio irrestrito dos Estados Unidos ao governo israelense. “Até três quartos dos eleitores democratas são contra, não vou dizer absolutamente, mas têm, no mínimo, um apoio crítico em relação aos Estados Unidos continuarem a apoiar Israel”, disse.

O professor também chamou atenção para transformações dentro da base republicana ligada ao Maga (Make America Great Again, sigla em inglês para “Faça a América Grande Novamente”), movimento político fundado por Trump.

Segundo ele, há um componente identitário relevante nesse grupo, associado à ideia de retorno a uma América definida por valores brancos, anglo-saxões e protestantes.

“Tem todo esse debate sobre os judeus serem considerados brancos ou não no contexto americano. Até 1945, eles eram super excluídos das universidades, não podiam entrar nas instituições de maior prestígio e estavam totalmente isolados do mainstream americano”, explicou.

Na avaliação do especialista, tanto democratas quanto republicanos podem, por razões distintas, representar desafios para a relação entre Washington e Tel Aviv no futuro.

“Caso os democratas voltem ao poder, haverá essa oposição por outro caminho. A ideia de que Israel não é mais um aliado confiável porque quer, em primeiro lugar, satisfazer interesses extremamente ideológicos e religiosos”, destacou.

Ao mesmo tempo, ele argumentou que setores do movimento conservador americano também podem rever sua posição em relação a Israel a partir de uma agenda política cada vez mais voltada para questões identitárias internas.

“O risco é de ambos os lados. Tanto o caminho republicano quanto o caminho democrata são pouco promissores para Israel, caso o país continue nessa toada”, avaliou.

Por fim, Vieira ressaltou que as mudanças demográficas em Israel ampliam os incentivos para a manutenção da atual trajetória política do país. Segundo ele, a população ortodoxa israelense cresceu de forma acelerada nas últimas décadas.

“Hoje a população ortodoxa seria de 14% a 15%, sendo que, no começo do século, era 7%. Ou seja, duplicou em 25 anos e continua aumentando”, concluiu.

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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Análise: Trump diz que guerra com o Irã acabou

EUA abatem drones iranianos perto do Estreito de Ormuz, diz Exército

13 June 2026 at 03:28

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) anunciou na noite desta sexta-feira (12) que as forças armadas americanas abateram vários drones iranianos de ataque unidirecional perto do Estreito de Ormuz.

O Irã lançou diversos drones de ataque que buscavam interromper o tráfego marítimo comercial próximo ao estreito, informou o CENTCOM em uma publicação no Facebook.

Os militares americanos afirmaram que suas forças “abateram todos eles nas últimas horas, enquanto o fluxo de tráfego pelo estreito continua sem impedimentos”.

“O corredor comercial internacional permanece aberto para trânsito”, afirmou o CENTCOM.

Possível acordo

A movimentação acontece em meio a especulações de um possível memorando de entendimento entre os EUA e o Irã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou mais cedo nesta sexta-feira que o acordo pdoerá ser assinado remotamente por ambas as partes nos próximos dias.

O documento será assinado e anunciado após as etapas finais das negociações, disse Araghchi.

O chanceler iraniano também afirmou que o documento deve abordar diversas questões, incluindo o programa nuclear do regime, o alívio das sanções e o bloqueio do Estreito de Ormuz.

O acordo, que ainda não foi assinado, inclui uma resolução para o conflito no Líbano “e em todas as outras frentes”, disse Araghchi .

Mais cedo, o chanceler iraniano disse que a assinatura do documento “nunca esteve tão próxima”.

Entenda os pontos do acordo

Uma autoridade do governo dos Estados Unidos detalhou vários pontos do acordo em negociação com o Irã, apresentando o documento como capaz de cumprir os objetivos do presidente Donald Trump nas tratativas.

Entre os pontos do esboço do acordo estão:

  • A reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.
  • O desmantelamento do programa nuclear iraniano, incluindo a transferência para os Estados Unidos do material enriquecido do Irã, que, segundo a autoridade, seria destruído no local e depois retirado do país.
  • O Irã seria “aliviado de grande parte das pressões econômicas às quais esteve submetido por muitos e muitos anos”, caso cumpra as disposições do acordo. “Esses benefícios só serão concedidos se eles realmente cumprirem o que foi acordado”, afirmou o funcionário.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

EUA preparavam missão para capturar urânio do Irã; Trump mandou suspender

13 June 2026 at 01:59

O principal comandante militar dos Estados Unidos fez uma visita secreta e urgente ao quartel-general do Comando Central dos EUA (Centcom), na Flórida, no fim do mês passado, para receber pessoalmente informações sobre planos de enviar tropas terrestres ao Irã. O objetivo era tomar à força o urânio altamente enriquecido do país — componente essencial para a produção de uma arma nuclear, disseram à CNN duas fontes familiarizadas com o assunto.

As reuniões foram consideradas tão urgentes e sensíveis que exigiram que o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, deixasse às pressas um encontro de altos oficiais da Otan, em Bruxelas, e retornasse a Tampa, na Flórida, em 19 de maio, segundo as fontes. A natureza urgente e de alto nível das discussões mostra o quão perto o governo esteve de autorizar a arriscada operação terrestre.

Um porta-voz do Estado-Maior Conjunto se recusou a comentar os preparativos para uma possível operação.

Posteriormente, Caine apresentou ao presidente Donald Trump as opções para uma missão desse tipo, disse uma das fontes.

No entanto, Trump decidiu suspender os planos após ser alertado de que a operação provavelmente provocaria uma forte retaliação iraniana, prolongando a guerra e mergulhando a economia global em uma turbulência ainda maior, segundo as fontes. Trump também demonstrou preocupação com a possibilidade de um número significativo de baixas americanas.

O planejamento avançado ocorreu enquanto Trump afirmava repetidamente que EUA e Irã estavam próximos de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz e concluir as negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Na quinta-feira, Trump disse que os dois países poderiam assinar um acordo em breve, possivelmente já no fim de semana.

Mas as discussões sobre o envio de tropas terrestres ao Irã mostram o quão perto os EUA estiveram de uma grande escalada do conflito.

“Muito risco”, disse uma das fontes familiarizadas com os planos. Segundo ela, não foi surpreendente que Trump tenha optado por não dar sinal verde à operação.

Teerã e a “opção nuclear” econômica

Caso as negociações fracassem e a guerra seja retomada, Teerã também tem considerado uma “opção nuclear” econômica, disseram à CNN três pessoas familiarizadas com o tema: convencer os Houthis, principal força aliada do Irã no Iêmen, a fechar o estreito de Bab el-Mandeb — uma das rotas marítimas mais importantes do mundo e ponto estratégico para o comércio global, especialmente após meses de fechamento do Estreito de Ormuz.

Um alto funcionário do governo americano respondeu a um pedido de comentário da CNN nesta sexta-feira com uma lista de condições que o Irã supostamente aceitou nas negociações, incluindo a destruição e remoção do material nuclear, o desmantelamento do programa nuclear, a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do financiamento iraniano a grupos armados aliados. Apenas depois disso haveria alívio de sanções.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o memorando de entendimento deve tratar do programa nuclear iraniano e do alívio de sanções, entre outros temas, incluindo uma solução para o conflito no Líbano “e em todas as outras frentes”.

Ainda de acordo com Araghchi, uma declaração sobre o futuro controle do Estreito de Ormuz deverá ser divulgada “em breve”.

O estoque de urânio do Irã

Garantir o controle do urânio altamente enriquecido do Irã continua sendo um dos principais objetivos de Trump que ainda não foi alcançado, seja por meio da diplomacia ou da força militar.

Embora o presidente tenha mencionado repetidamente a possibilidade de os EUA confiscarem o material à força, ele tem relutado em avançar com uma operação que possa resultar em muitas baixas americanas.

Ao comentar outra possível ação militar — a tomada da ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã — Trump afirmou à Fox News esta semana: “Não sei se os americanos têm disposição para isso”.

Apesar dos riscos, a possibilidade de apreender o urânio do Irã — especialmente as cerca de 970 libras (aproximadamente 440 quilos) enriquecidas a níveis próximos aos necessários para armas nucleares — ainda não foi totalmente descartada.

A frustração de Trump aumentou à medida que o Irã demorava a aceitar um acordo que exigiria concessões significativas em seu programa nuclear, incluindo a entrega voluntária de seus estoques de urânio enriquecido. Segundo fontes da CNN, esse material está distribuído entre várias instalações nucleares iranianas, principalmente nos complexos de Isfahan, Natanz e Fordow, enterrados profundamente em túneis subterrâneos.

Especialistas em energia nuclear questionam se uma operação militar americana conseguiria localizar e verificar todo o material, quanto mais removê-lo de forma segura em condições hostis. Acredita-se que o urânio ainda esteja em forma gasosa, como estava na última inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em junho de 2025.

O Irã expulsou os inspetores internacionais no mês seguinte, após ataques aéreos conjuntos de EUA e Israel contra suas instalações nucleares. Embora esses bombardeios tenham causado danos, não destruíram todo o material nuclear, que permaneceu nos túneis subterrâneos.

Em entrevista recente, o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, alertou que o estoque existente poderia permitir ao Irã produzir até dez bombas nucleares, caso o país decidisse transformar seu programa em um projeto militar.

A comunidade de inteligência dos EUA acredita saber onde está todo esse material graças ao monitoramento aéreo contínuo, segundo duas fontes. Além do urânio altamente enriquecido, o Irã possui grandes quantidades de material de baixo enriquecimento que poderia ser usado para fabricar uma “bomba suja”.

Uma operação extremamente arriscada

Segundo reportagens anteriores da CNN, garantir fisicamente o controle do urânio exigiria uma grande força terrestre americana, incluindo centenas de operadores de forças especiais.

“Seria absurdamente difícil vasculhar aqueles túneis e todos os recipientes”, disse uma fonte. “Teríamos de estabelecer uma presença maciça. Na prática, teríamos de invadir.”

Comandantes militares classificaram uma operação desse tipo entre os níveis “alto” e “extremo” de risco aceitável para forças especiais, o que significa que ela poderia resultar em um número significativo de baixas americanas, mesmo em caso de sucesso.

Riscos de uma resposta iraniana

Caso uma operação terrestre para capturar o urânio fosse lançada, o fechamento do estreito de Bab el-Mandeb — cenário previsto em avaliações de inteligência — poderia causar danos econômicos catastróficos à economia mundial.

Uma fonte familiarizada com essas avaliações destacou que os Houthis ainda não retomaram ataques em larga escala contra navios americanos ou europeus, limitando suas ações principalmente a embarcações ligadas a Israel. Ampliar os alvos representaria uma escalada significativa.

Segundo as fontes, o Irã evitou até agora recorrer aos Houthis dessa forma porque sabe que isso poderia comprometer as negociações de paz em andamento.

O Exército regular iraniano foi significativamente enfraquecido, mas as principais ameaças para tropas americanas seriam os túneis armadilhados onde o urânio está armazenado, além de mísseis antiaéreos e lançados do ombro. O país também mantém uma parcela significativa de seus estoques de drones e mísseis balísticos.

Dan Caine e outros líderes militares já haviam alertado sobre a escala, a complexidade e o potencial de baixas americanas em uma campanha prolongada contra o Irã. Eles também advertiram que uma guerra extensa afetaria significativamente os estoques de armamentos e a prontidão militar dos EUA.

Apesar de declarações anteriores sobre a possibilidade de capturar o urânio, Trump minimizou essa opção na quinta-feira, em declarações no Salão Oval: “Ninguém vai chegar perto dele porque está enterrado sob uma montanha”, afirmou o presidente.

Pesquisa: 6 em cada 10 americanos veem guerra com o Irã como erro

Israel diz que não vai recuar no Líbano em meio a possível acordo EUA-Irã

13 June 2026 at 01:35

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou nesta sexta-feira (12) que Israel não vai se retirar dos territórios que ocupa no Líbano. A declaração surge em meio ao possível acordo entre Estados Unidos e Irã.

“Israel não se retirará das zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza”, declarou Katz. “Nossa doutrina de segurança é firme e clara: agimos contra ameaças próximas e distantes e buscamos resultados decisivos, não compromissos ou concessões”, acrescentou.

Katz afirmou ainda que os Estados Unidos e Israel têm um “interesse comum” em impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

Ele disse esperar que esse princípio seja mantido, “juntamente com outros relacionados aos mísseis e às organizações terroristas por procuração” — uma referência aos grupos armados que o Irã apoia no Oriente Médio.

Possível acordo entre EUA e Irã

O Irã sugeriu nesta sexta-feira que um acordo com os Estados Unidos estava próximo e poderia ser assinado nos próximos dias. A Casa Branca também sinalizou otimismo, embora uma autoridade do governo Donald Trump tenha dito que alguns detalhes ainda precisam ser acertados.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, o memorando de entendimento deve incluir o programa nuclear iraniano, o alívio de sanções e o bloqueio ao Estreito de Ormuz, além de uma solução para o conflito no Líbano “e em todas as outras frentes”.

Também nesta sexta-feira, uma autoridade americana afirmou que o possível acordo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz; o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos; o desmantelamento do programa nuclear iraniano; a transferência de estoques de urânio enriquecido. A fonte do dos Estados Unidos, no entanto, não mencionou o Líbano.

Sobre o alívio das sanções, a autoridade americana disse que “esses benefícios só serão concedidos se o Irã realmente cumprirem o que foi acordado”.

Irã diz que declaração conjunta com Omã sobre Ormuz será divulgada em breve

12 June 2026 at 22:10

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou na noite desta sexta-feira (12) que uma declaração conjunta com Omã sobre o futuro controle do Estreito de Ormuz deve ser divulgada “em breve”.

Araghchi disse à televisão estatal iraniana que a declaração será divulgada em conjunto com o governo omanita, segundo a agência de notícias semioficial ISNA. O Estreito de Ormuz está situado entre o território de ambas as nações.

Os comentários surgem em meio a rumores de que um suposto acordo entre os EUA e o Irã estaria sendo finalizado, com sua assinatura prevista para os próximos dias.

Autoridades americanas destacaram vários pontos do memorando de entendimento, incluindo a reabertura completa do estreito e o levantamento do bloqueio americano aos portos iranianos ao longo do estreito.

Acordo aborda o Estreito de Ormuz

Araghchi disse que o memorando abordará diversas questões, incluindo o programa nuclear do regime, o alívio das sanções e o bloqueio do Estreito de Ormuz.

O acordo, que ainda não foi assinado, inclui uma resolução para o conflito no Líbano “e em todas as outras frentes”, disse Araghchi à televisão estatal iraniana.

O memorando também abordará outras fontes de tensão na relação entre Washington e Teerã, incluindo uma declaração escrita dos EUA afirmando que “respeitam a soberania do Irã”, disse o chanceler.

Entenda os pontos do acordo

Uma autoridade do governo dos Estados Unidos detalhou vários pontos do acordo em negociação com o Irã, apresentando o documento como capaz de cumprir os objetivos do presidente Donald Trump nas tratativas.

Entre os pontos do esboço do acordo estão:

  • A reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.
  • O desmantelamento do programa nuclear iraniano, incluindo a transferência para os Estados Unidos do material enriquecido do Irã, que, segundo a autoridade, seria destruído no local e depois retirado do país.
  • O Irã seria “aliviado de grande parte das pressões econômicas às quais esteve submetido por muitos e muitos anos”, caso cumpra as disposições do acordo. “Esses benefícios só serão concedidos se eles realmente cumprirem o que foi acordado”, afirmou o funcionário.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

Memorando com EUA pode ser assinado remotamente nos próximos dias, diz Irã

12 June 2026 at 21:53

Um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã poderá ser assinado remotamente por ambas as partes nos próximos dias, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em pronunciamento na televisão estatal nesta sexta-feira (12).

O documento será assinado e anunciado após as etapas finais das negociações, disse Araghchi.

O chanceler iraniano também afirmou que o documento deve abordar diversas questões, incluindo o programa nuclear do regime, o alívio das sanções e o bloqueio do Estreito de Ormuz.

O acordo, que ainda não foi assinado, inclui uma resolução para o conflito no Líbano “e em todas as outras frentes”, disse Araghchi .

Mais cedo, o chanceler iraniano disse que a assinatura do documento “nunca esteve tão próxima”.

Entenda os pontos do acordo

Uma autoridade do governo dos Estados Unidos detalhou vários pontos do acordo em negociação com o Irã, apresentando o documento como capaz de cumprir os objetivos do presidente Donald Trump nas tratativas.

Entre os pontos do esboço do acordo estão:

  • A reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.
  • O desmantelamento do programa nuclear iraniano, incluindo a transferência para os Estados Unidos do material enriquecido do Irã, que, segundo a autoridade, seria destruído no local e depois retirado do país.
  • O Irã seria “aliviado de grande parte das pressões econômicas às quais esteve submetido por muitos e muitos anos”, caso cumpra as disposições do acordo. “Esses benefícios só serão concedidos se eles realmente cumprirem o que foi acordado”, afirmou o funcionário.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

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