Bastidores. Porque é que BCE achou "necessário" subir juros

© Felix Schimdt/ECB

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) soma perdas de cerca de 500 milhões de euros com a Artlant PTA, fábrica de matérias-primas para a indústria das embalagens de plástico em Sines, avança o Expresso.
Passados quase 20 anos, o caso da Artlant PTA continua a ter impacto nas contas da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O banco financiou a construção da fábrica de Sines entre 2007 e 2016, concedendo cerca de 529 milhões de euros, mas o projeto, apoiado pelo Governo de José Sócrates, enfrentou vários problemas financeiros e acabou por entrar em insolvência em 2017.
No processo de liquidação da empresa, a CGD recuperou apenas cerca de 20 milhões de euros e poderá receber mais 13,7 milhões, embora esse valor esteja em risco devido a processos da Autoridade Tributária. Se a AT vencer, o banco terminará este dossiê com perdas superiores a 500 milhões de euros, recuperando menos de 4% do dinheiro emprestado.
O fracasso do projeto ficou associado às dificuldades da acionista espanhola La Seda de Barcelona, à forte concorrência internacional e a várias decisões de gestão. O caso foi ainda identificado pela auditoria da EY, em 2017, como um dos créditos mais problemáticos da história recente da CGD.
Se o apoio inicial da CGD à La Seda e à Artlant remonta ao mandato de Carlos Santos Ferreira, o agravamento dos problemas do grupo químico viria a atravessar as presidências de Faria de Oliveira (2008 a 2011) e José de Matos (2011 a 2016). E seria apontado como um dos créditos ruinosos da Caixa numa auditoria feita pela EY em 2017.
Foi em 2007 que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) começou a financiar uma fábrica de matérias-primas para a indústria das embalagens de plástico em Sines, a Artlant PTA. Apadrinhado pelo Governo de José Sócrates, esse investimento acabaria por não correr bem. A fábrica apenas arrancaria no final de 2011, com Portugal já sob assistência da troika e os promotores do projeto, os espanhóis da La Seda de Barcelona (LSB), também em crise. Pouco depois a fábrica entraria em dificuldades. Mas foi preciso chegar a 2026 para preparar o enterro de um dossiê delicado para a Caixa: agora na reta final, o processo de insolvência da Artlant terminará com perdas em torno de 500 milhões para o banco do Estado.
CGD: “A venda da Artlant é importante para o país, pelo caráter exportador da empresa”

A agência de notação financeira Morningstar DBRS anunciou hoje a subida do rating de emissor de longo prazo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de “A” para A (high), mantendo a tendência em Estável. A agência reviu ainda em alta o rating de curto prazo para R-1 (middle) (anteriormente R-1 (low)) e melhorou a perspetiva dos depósitos de longo prazo de Estável para Positiva.
Esta melhoria reflete a solidez financeira e a resiliência do banco público português, num contexto de forte rentabilidade e consolidação da qualidade dos seus ativos.
Em comunicado a agência de rating anuncia que “elevou os seus credit ratings da Caixa Geral de Depósitos, incluindo o Long-Term Issuer Rating e o Long-Term Senior Debt credit rating para A (high) de “A”. A Morningstar DBRS também elevou o Short-Term Issuer Rating credit rating do Bank para R-1 (middle) de R-1 (low). Simultaneamente, a Morningstar DBRS confirmou os credit ratings de Long-Term Deposits e Short-Term Deposits do Bank em A (high) e R-1 (middle), respetivamente, uma vez que estão ao mesmo nível da República de Portugal (Portugal; com rating A (high) e Positive trend pela Morningstar DBRS). A DBRS alterou a trend do Long-Term Deposits credit rating do Bank para Positive de Stable. As trends dos restantes credit ratings mantêm-se Stable. A DBRS também subiu a Intrinsic Assessment (IA) da CGD para A (high) de “A” e manteve a sua Support Assessment em SA3″.
De acordo com a DBRS, a revisão em alta da nota da CGD é sustentada por uma geração de resultados “robusta e resiliente”, impulsionada pelo crescimento sólido do crédito e por uma gestão controlada dos custos operacionais.
Em 2025, a CGD registou lucros recorde de 1.900 milhões de euros (um crescimento de 9,8% em termos homólogos). No primeiro trimestre de 2026, a tendência positiva manteve-se, com os lucros a atingirem os 396,7 milhões de euros.
O rácio de eficiência (cost-to-income) fixou-se em 30,7% no total do ano de 2025 e em 39,1% no primeiro trimestre de 2026, valores que demonstram uma estrutura operacional altamente otimizada.
Apesar da descida das taxas de juro ter pressionado a margem financeira para 2,4% em 2025 (face aos 2,8% em 2024), o primeiro trimestre de 2026 já deu sinais de recuperação, com um crescimento em cadeia de 5,6%.
A agência de rating destacou também a melhoria contínua na qualidade do balanço do banco liderado do por Paulo Macedo. O rácio de crédito malparado (NPL ratio) desceu para 1,4% no final de março de 2026 (abaixo da média europeia de 1,9%).
No que toca à CGD em Moçambique (onde está através do BCI), o rácio de exposição não produtiva (NPE) subiu ligeiramente para 1,7% devido ao incumprimento da dívida soberana de Moçambique. Excluindo este impacto geopolítico específico, o rácio NPE fixar-se-ia nuns limpos 1,0%.
Ao nível da solvabilidade, o grupo CGD apresenta uma posição de capital considerada “forte”, com um rácio CET1 de 21,2% em março de 2026, o que representa uma almofada confortável de 11,8% acima dos requisitos mínimos regulamentares.
As melhorias na notação de crédito refletem a geração de resultados robusta e resiliente da CGD, apoiada por um crescimento de crédito sólido, uma elevada margem de juros líquida, custos operacionais bem controlados e um custo de risco negativo, mesmo num ambiente de taxas de juro mais normalizado
A confirmação dos ratings de depósitos da CGD em A (high) — agora com tendência Positiva — coloca o banco em total alinhamento com a avaliação soberana da República de Portugal (atualmente classificada em A (high) com tendência Positiva pela DBRS).
Para que o rating da CGD volte a subir no futuro, a agência avisa que será necessária uma trajetória contínua de rentabilidade ao longo do ciclo económico e, fundamentalmente, uma subida prévia ou concomitante do próprio rating de Portugal. Por outro lado, uma deterioração material prolongada nos resultados ou na qualidade dos ativos poderá resultar numa revisão em baixa.
O Banco Montepio publicou, esta sexta-feira, o seu Framework inaugural de Obrigações Verdes, Sociais e de Sustentabilidade (Green, Social and Sustainability Bond Framework, o “Framework”).
Este framework define a abordagem do Banco à emissão de obrigações verdes, sociais e de sustentabilidade, bem como de outros instrumentos de financiamento sustentável, “proporcionando aos investidores transparência sobre a afetação dos fundos a projetos com benefícios ambientais e sociais claros e mensuráveis”.
O documento está enquadrado na estratégia global de sustentabilidade do Banco Montepio e tem como objetivo “canalizar capital para atividades que contribuam para a transição para uma economia de baixo carbono, mais inclusiva e socialmente responsável”.
O framework está alinhado com os Green Bond Principles 2025, Social Bond Principles 2025 e Sustainability Bond Guidelines 2021 da ICMA, “incluindo ainda um exercício de mapeamento, numa base de melhores esforços”, face ao Regulamento da Taxonomia da União Europeia.
“No âmbito ambiental, o framework contempla categorias elegíveis como edifícios verdes, eficiência energética e energias renováveis. Na vertente social, abrange áreas como habitação acessível, promoção do emprego e acesso a serviços essenciais, nomeadamente cuidados de saúde, com foco em populações vulneráveis e desfavorecidas. O Banco Montepio obteve uma Second Party Opinion da DNV, que confirma o alinhamento do Framework com os princípios relevantes da ICMA. O framework e a respetiva Second Party Opinion encontram-se disponíveis para consulta pública no website do Banco Montepio”, diz a instituição bancária.

© ANA MARTINGO/OBSERVADOR

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A compra do Novobanco pelo grupo francês BPCE é um acontecimento estrutural no sistema financeiro português. Não é apenas mais uma transação; é a entrada em força de um dos grandes grupos europeus num mercado que até aqui vivia entre os sonhos de consolidação doméstica e a dúvida existencial sobre o futuro de um dos seus principais bancos.
O BPCE é um peso‑pesado. Em ativos globais, joga numa divisão em que os bancos portugueses nem sequer vão ao sorteio: dezenas de vezes maior dimensão, diversificação internacional, acesso a mercados de capitais que permitem captar financiamento a custos que um banco médio português dificilmente consegue. Essa escala não é um número bonito em relatórios, é uma vantagem competitiva real: dá capacidade para financiar grandes projetos, apoiar internacionalização e acomodar ciclos económicos adversos sem entrar logo em modo de sobrevivência.
Para as empresas nacionais isto pode dar uma ajuda. Um banco integrado num grupo como o BPCE pode oferecer mais produtos de banca de investimento, soluções de financiamento estruturado, apoio à emissão de dívida e acesso a redes internacionais. Potencialmente, é a porta de entrada das PME mais ambiciosas num circuito de financiamento que não para em Lisboa. Ao mesmo tempo, esta é uma entrada em grande, não um ensaio tímido.
O Novobanco é o quarto maior banco português, não um nicho, e passa a ser tratado como segundo mercado doméstico do grupo. Isso significa alocar capital, talento e tecnologia com outra ambição, tal como se viu quando a JP Morgan reforçou a presença na Alemanha, uma novidade a ter em conta e um sério aviso aos europeus: traz ferramentas globais para um mercado onde a estrutura de custos já é mais baixa, mas as margens ainda são interessantes. Portugal, com uma rede bancária a emagrecer, torna‑se um alvo óbvio para um gigante com apetite.
Este movimento contrasta com o que os bancos nacionais estão a fazer: fechar balcões, reduzir equipas, cortar caixas Multibanco, e a levar os clientes para aplicações e canais digitais. A revolução que passa por resolver tudo através do digital, com o mínimo de fricção e o mínimo de contacto pessoal – já começou. A questão é saber quem tem músculo tecnológico e escala de dados para ganhar esse jogo? Um grupo como o BPCE entra com plataformas, modelos de risco sofisticados, experiência em mercados mais competitivos e capacidade de investimento que pode acelerar essa transição em Portugal, em vez de apenas a gerir em modo defensivo.
Claro que há um trauma que paira no ar: a herança do BES, as injeções públicas, os anos de incerteza e profunda desconfiança. Mas é precisamente por isso que esta entrada francesa é relevante. Não estamos perante mais um fundo oportunista à espera de vender caro daqui a cinco anos. O que chega é um banco europeu de referência, com balanço, escala e estratégia, que não vem experimentar Portugal – vem instalar‑se; na verdade já está no Porto, com uma operação de respeito. Num sistema bancário que parece fechar-se sobre si próprio, ter um novo protagonista com esta dimensão é talvez o primeiro verdadeiro sinal da grande mudança que aí vem.
A banca americana de retalho já começou a molhar o pé, o Revolut já cá está. Compete à banca nacional deixar finalmente de limpar as feridas e avançar com alguma ousadia. Em abril, a diferença entre os depósitos das empresas e os créditos empresariais já era de três mil milhões. Uma perfeita anormalidade. Viver de comissões é, talvez, morrer lentamente às prestações.

O Bison Bank anunciou publicamente o seu apoio à Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima através do projeto “Explica-me”. Esta iniciativa, focada no apoio ao estudo de crianças e jovens provenientes de famílias com menores rendimentos, visa reforçar a igualdade de oportunidades no acesso à educação e incentivar o tecido empresarial a contribuir para o desenvolvimento social da região.
Segundo o banco liderado por António Henriques, o “Explica-me”, criado em 2015, funciona como um programa semanal de apoio ao estudo, dinamizado por jovens voluntários.
O público-alvo são crianças e jovens em situação de vulnerabilidade económica, devidamente sinalizados pelos serviços sociais da Cáritas e o objetivo é colmatar lacunas de aprendizagem de estudantes que, por norma, não dispõem deste tipo de suporte no ambiente familiar.
A relevância do projeto foi severamente acentuada este ano. As cheias e tempestades que assolaram a região de Leiria no passado mês de janeiro agravaram a situação de fragilidade de muitas famílias. Neste cenário de crise, a continuidade do apoio educativo tornou-se um pilar essencial para garantir a estabilidade e as perspetivas de futuro dos jovens locais.
Para as instituições envolvidas, a parceria surge como uma resposta direta às dificuldades deixadas pelos fenómenos climáticos extremos.
“Estes contributos são fundamentais para a continuidade do ‘Explica-me’, especialmente num momento em que o equilíbrio das famílias que apoiamos foi posto à prova,” destaca Nelson Costa, Diretor de Serviço da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima. “Desta forma conseguimos garantir que estas crianças e jovens continuam a ter o suporte educativo de que necessitam para construir um futuro com mais oportunidades.”
Por parte do Bison Bank, este investimento enquadra-se de forma estratégica na sua política de responsabilidade social, fortemente direcionada para a promoção da literacia.
“As tempestades de janeiro mostraram-nos a vulnerabilidade das comunidades perante fenómenos extremos, mas também a extraordinária resiliência da população,” afirma António Henriques, CEO do Bison Bank. “A literacia, seja ela financeira ou geral, é uma ferramenta essencial para a reconstrução e para a resiliência a longo prazo.”
O CEO sublinha ainda que apoiar o “Explica-me” é uma forma de investir no “ativo mais valioso de qualquer comunidade: o futuro das suas crianças”, garantindo que os jovens não interrompem o seu percurso educativo e ajudando a construir uma sociedade mais justa e preparada para os desafios futuros.