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Maria Antónia – Uma Mulher exemplar (2)

VTM

No ano rotário de 2004-2005, ano em que Rotary fez 100 de existência, mereci a confiança da maioria dos membros do meu clube e fui eleito presidente do clube. Tal facto colocou em mim uma responsabilidade muito grande. A Maria Antónia como cônjuge desenvolveu uma atividade muito notável. Com peças de linho caseiro que tinha em casa, quase todas feitas por ela, levou a cabo vários leilões com a finalidade de arranjar receitas para desenvolver os projetos que eu e ela tínhamos no nosso programa de atividades para esse ano. Os seus “paninhos de linho” ganharam fama e proporcionaram receitas consideráveis.

Das várias iniciativas que levou a cabo, destacarei algumas.

A entrega de uma grua médica à APPC – Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, de Vila Real, para transporte de utentes.

Ajudas às Conferências de São Vicente de Paulo, da Sé e da Nossa Senhora da Conceição, em vários dos seus projetos.

Participou num Subsídio Equivalente patrocinado pelo Rotary Club de Vila Real, no ano em que fui presidente. Este projeto foi apoiado pela Fundação Rotária de Rotary Internacional e teve como parceiro o Rotary Club de Mairiporã, São Paulo, Brasil. Consistiu na compra de fraldas e equipamento didático para a Escola-Creche, chamada de Menina-Ulda, com 70 crianças, na faixa etária dos 6 meses aos 7 anos. A maior parte destas crianças viviam em casebres na favela de Francisco da Rocha, arredores de São Paulo.

A creche servia o pequeno almoço, o almoço e a merenda às crianças.

Com estas ajudas as mães das crianças podiam ter o seu emprego e o respetivo salário, o que era muito importante para estas famílias.

Na XXVII Conferência Distrital, 2009-2010, que teve como tema, “Educação e Cooperação: o Futuro de Rotary”, a Maria Antónia teve uma atividade muito importante na condição de Cônjuge do Governador do Distrito, que teve lugar na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro onde eu era professor.

Nessa condição ela dinamizou várias reuniões com os cônjuges dos rotários dos vários clubes do Distrito Rotário 1970.

Deixo aqui parte de um excerto que a Maria António escreveu na Carta do Governador do mês de agosto de 2009: é muito reconfortante para mim, ver o entusiasmo com que os cônjuges dos nossos clubes abraçam os meus projetos e como se propõem ajudar-me a concretizá-los. Penso que todas(os) juntas(os) conseguiremos levar o barco a bom termo e sentirmos a consciência do dever cumprido. As amizades que farei durante este ano serão, para mim, uma dádiva de Deus para toda a vida. Muito obrigada. O Futuro do Rotary também está nas nossas mãos.

Como é público, Deus levou a Maria Antónia para junto de Ele. Este texto é mais uma homenagem que lhe presto.

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Portugal é um dos 30 maiores países do mundo graças à extensa área marítima das regiões autónomas

11 June 2026 at 18:10

A dimensão marítima coloca Portugal entre os maiores do mundo

Celebrou-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Este ano, as comemorações oficiais decorreram na ilha Terceira, nos Açores, assinalando também os 50 anos da consagração constitucional da autonomia regional dos Açores e da Madeira. A escolha relembra uma realidade muitas vezes esquecida: a importância estratégica das regiões autónomas para a dimensão e projeção internacional de Portugal.

À primeira vista, Portugal pode parecer um país relativamente pequeno. Considerando apenas o território terrestre e as águas territoriais, soma cerca de 156 mil km² e ocupa apenas a 93.ª posição entre 172 países analisados (ainda assim, note-se que está a meio da tabela, o que contraria a ideia de sermos pequenos). No entanto, quando se inclui a Zona Económica Exclusiva (ZEE) — a área marítima sobre a qual o país detém direitos exclusivos de exploração económica — a dimensão portuguesa aumenta para cerca de 1,9 milhões de km², colocando Portugal na 29.ª posição mundial.

Grande parte desta dimensão marítima resulta das regiões autónomas. Os Açores representam mais de metade da ZEE portuguesa, com cerca de 954 mil km², enquanto a Madeira acrescenta aproximadamente 446 mil km². Em conjunto, estas duas regiões são responsáveis por mais de 80% da área marítima portuguesa.

Esta realidade confere ao país uma relevância estratégica muito superior à sugerida pela sua dimensão terrestre. Portugal beneficia de uma posição privilegiada no Atlântico, dispõe de acesso exclusivo a importantes recursos marinhos e possui um enorme potencial para atividades ligadas à economia azul, à investigação científica e à exploração sustentável dos oceanos.

A dimensão marítima portuguesa poderá ainda crescer significativamente. Portugal submeteu às Nações Unidas uma proposta de extensão da sua plataforma continental que continua em análise. Caso seja aprovada, a área marítima sob jurisdição nacional poderá atingir cerca de 4 milhões de km², colocando Portugal entre os 20 maiores países do mundo em dimensão territorial e marítima.

Num dia dedicado a Portugal, vale a pena recordar que uma parte importante da dimensão, influência e potencial estratégico do país se deve ao mar — e, em particular, aos Açores e à Madeira.

  • Os factos vistos à lupa por André Pinção Lucas e Juliano Ventura – Uma parceria do POSTAL com o Instituto +Liberdade

Leia também: Gasolina em Portugal é das mais caras do mundo e esforço para abastecer é dos maiores entre as economias mais desenvolvidas

Ainda o Transporte Público Gratuito

11 June 2026 at 17:36

VTM

Penso que não será a última.

Há 5 anos, enquanto candidato à Câmara Municipal de Vila Real pela coligação “Vila Real à Frente”, propus no meu programa eleitoral uma medida que considerava estruturante para o desenvolvimento do concelho: os transportes públicos gratuitos em todo o concelho.

Esta proposta foi prontamente criticada pelos nossos adversários — um sinal inequívoco da sua relevância, utilidade e importância no debate político.

As eleições autárquicas de 2025 trouxeram uma novidade, o PSD, inacreditavelmente, não apresentou ao eleitorado esta proposta, e, a candidatura vencedora também não. Ficamos então com uma certeza, até às próximas eleições, esta proposta fica em banho-maria, e os vila-realenses terão de esperar por melhores dias.

Em Vila Real, onde vemos carros, vemos problemas.

Temos pouco espaço e muitos carros, o que afeta a nossa qualidade de vida.

A quantidade de carros por habitante não para de crescer.

Se todos nós, tivéssemos de sair de casa ao mesmo tempo, não é preciso um exercício de grande imaginação para perceber o caos que se instalaria. Já hoje esse caos existe.

Este problema dificilmente se resolve, apenas, com apelos ao bom senso, são necessárias políticas públicas, é preciso decisão. Porque no fundo o que é visível no dia a dia é: mais trânsito, mais emissões, mais tempo perdido e menos cidade.

A alternativa não é simples, mas é clara: passa por investir seriamente no transporte público.

Em Portugal, Cascais e Loulé foram cidades pioneiras e têm o sistema de transporte público gratuito implementado desde 2021. Em abril passado, Viseu aprovou esta medida, o Porto aprovou a mesma medida em maio. Até ao fim do ano Guimarães prevê implementar esta medida.

E nós?

O silêncio em torno desta matéria contrasta com a dinâmica observada noutras cidades, onde a mobilidade pública assume um papel cada vez mais central nas políticas urbanas.

Numa altura em que cada vez mais cidades portuguesas avançam para a gratuitidade dos transportes públicos, encarando-a como um investimento na qualidade de vida, na coesão social e na sustentabilidade ambiental, em Vila Real o assunto parece não despertar interesse político.

Entretanto as vozes nas redes sociais aumentam o tom de indignação, perante a possibilidade dos nossos impostos pagarem a ousadia das cidades que optaram por esta medida.

Em 2021, Vila Real não quis ir para a frente, e, neste caso também não avançou.

A interioridade e o atraso em relação ao país, não é culpa, apenas, do estado central.

Todos nós temos a nossa quota-parte de responsabilidade pelos caminhos que se vão escolhendo, pelas decisões que apoiamos e por aquelas que deixamos passar em silêncio. No fundo, também enquanto sociedade, participamos ativa ou passivamente, na definição das prioridades e das escolhas que moldam o nosso quotidiano.

Um dia teremos o transporte público gratuito, e nesse dia, as vozes repetirão a frase batida do nosso eterno atraso: “mais vale tarde do que nunca!”

É este o nosso fado.

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O crime no espaço público

11 June 2026 at 15:52

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Isto surge da ideia de que os ambientes onde os indivíduos se inserem afetam os seus comportamentos, o que faz com que alguns ambientes sejam mais criminógenos que outros. Ou seja, existem espaços que, devido às suas características, podem potenciar a ocorrência do crime.

Estas características são, muitas vezes, o que se chama de incivilidades que, no fundo, são manifestações de desordem, transmitindo a perceção a quem ali vive ou passa de que aquela zona é caracterizada pela falta de ordem e de cuidado. Essas desordens podem ir desde edifícios em ruínas, lixo no chão e pouca iluminação a problemas sociais visíveis na rua (mendicidade, violência, álcool, drogas).

Estes contextos podem potenciar o medo do crime, porque o facto de estas incivilidades não serem reparadas durante longos períodos de tempo sugere que aquele espaço não é cuidado, nem vigiado, o que faz com que as pessoas fiquem mais receosas em utilizá-lo, abrem-se as portas aos ofensores motivados e surgem cada vez mais oportunidades para a prática do crime nesses locais .

De facto, tem-se verificado que para nos sentirmos seguros é fundamental termos a perceção de que dominamos o ambiente, por esse motivo, tendemos a encarar espaços bem iluminados, limpos, com edifícios cuidados e onde temos uma visão ampla do espaço, como mais seguros. Em contrapartida, espaços mal iluminados, estreitos, com um número elevado de possíveis refúgios para o ofensor (arbustos, muros, etc), reduzidas possibilidades de fuga (barreiras físicas ou incapacidade de pedir ajuda) e sinais de abandono (graffiti, vidros partidos, etc) tendem a transmitir uma perceção de insegurança.

Neste sentido, surge a Prevenção Situacional do crime, que visa reduzir as oportunidades para a prática do crime, através da modificação das condições ambientais, nomeadamente, a introdução de barreiras físicas ou obstáculos, aumentar o risco de deteção do crime – melhor iluminação, instalação de sistemas de videovigilância – e reduzir as recompensas ou benefícios associados ao crime. Isto significa que estas estratégias de prevenção vão procurar aumentar os custos e riscos percebidos associados ao cometimento do crime, aumentando o esforço e a dificuldade da prática criminal. O objetivo é tornar a prática do crime tão difícil e com uma probabilidade tão elevada de ser apanhado, que o ofensor desista de passar ao ato.

Desta forma, cuidar do espaço urbano além de assegurar a harmonia estética e visual, pode ainda potenciar o sentimento de segurança dos cidadãos.

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3 de junho: a hotelaria e a restauração do Norte disseram “basta”

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Depois da greve geral de 11 de dezembro, que mobilizou mais de três milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o país, depois das manifestações nas empresas e nas ruas, os trabalhadores voltaram a dizer o que já tinham dito: este pacote não passa.

Em todo o Norte, a resposta foi concreta e visível. Na indústria, a greve dos trabalhadores da AUMOVIO parou a produção. Na cantina do hospital de Chaves, os trabalhadores do setor privado da ITAU aderiram a 100%, reduzindo o serviço aos mínimos legais. Nas cantinas escolares, os trabalhadores da Gertal fecharam as portas e juntaram-se aos funcionários públicos e professores para fechar as escolas. A greve não ficou num setor nem numa categoria: quem trabalha para o Estado e quem trabalha para uma empresa privada, pararam juntos. Foi transversal, foi coletiva e foi forte.

Para os trabalhadores da hotelaria, da restauração e das cantinas, não há “meio pacote” aceitável. Este setor já conhece de perto o que é a precariedade, os horários impossíveis, as folgas que não se cumprem e os salários que não chegam ao fim do mês. O pacote laboral não traz nada de novo para estes trabalhadores… traz apenas mais do mesmo, agravado e legitimado por lei.

É preciso que o Governo entenda o que está perante si. Este pacote não veio na sua campanha eleitoral. Não foi discutida qualquer alteração à legislação laboral em período de campanha, certamente não neste sentido de ataque aos direitos dos trabalhadores. A própria negociação em sede de concertação social pôs de lado a CGTP-IN, a maior central sindical do país. Não há negociações sérias sem ela. E mesmo assim, o pacote laboral não saiu da mesa de negociações… vai agora para o parlamento, mais uma vez a tentar ser imposto por cima algo que já foi veementemente rejeitado pelos trabalhadores.

A única alternativa que resta ao Governo é mostrar humildade e retirar o pacote laboral. A força que encheu as ruas, que parou as cantinas e fechou as escolas, não vai desaparecer. Pelo aumento dos salários, pelo fim da precariedade, contra o pacote laboral: a luta continua.

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A Encíclica “Magnifica Humanitas”

11 June 2026 at 12:49

VTM

É um texto longo, que merece uma leitura paciente e pausada nos próximos tempos, onde o Papa aborda as novas questões sociais que se levantam na atualidade, onde há o sério risco de se degradar ou diluir a pessoa humana, nomeadamente com o uso pouco ético, ponderado e criterioso da ferramenta poderosa e extraordinária que é a inteligência artificial, usada já em vários âmbitos da vida humana.

Alguns já insinuaram que mais uma vez a Igreja parece estar contra o progresso e o desenvolvimento, o que não é verdade, empresa que se revelaria, aliás, inglória e infrutífera, como quando se quer parar o vento com as mãos. O Papa não diaboliza a inteligência artificial, mais do que uma vez elogia o contributo importante que teve o progresso científico e tecnológico ao longo da história, permitindo uma melhoria significativa e assinalável na qualidade de vida do ser humano. A tecnologia é boa, é bem-vinda, contudo é preciso saber usá-la de forma responsável ao serviço da pessoa humana e do bem comum de toda a humanidade. Esta é, aliás, a ideia mestra desta Encíclica: no centro da vida deve estar a pessoa humana, sempre o respeito pelo humano, a humanidade, e não ferramentas que a possam substituir, distorcer ou apagar, como é a inteligência artificial.

São muitos os desafios que a inteligência artificial coloca à humanidade, que exigem uma séria reflexão. Primeiro que tudo, está nas mãos de poucos, que se estão a tornar cada vez mais poderosos, cujo conceito de bem e de mal desconhecemos, assim como intenções e interesses. Muito poder nas mãos de poucos não é bom para a humanidade. Depois, ninguém tem dúvidas de que a inteligência artificial vai tirar muitos empregos. O que fazer com muito trabalhador que não tem emprego? Para onde direcionar a ação humana e que outras formas de sustento haverá para a pessoa humana? No campo da informação, de forma traiçoeira, vemos proliferar muita notícia falsa e a engorda da manipulação. Como salvaguardar a verdade? No âmbito da ética, a inteligência artificial não sabe o que é o bem e o que é o mal. Não pode ter um protagonismo excessivo nas decisões da humanidade. E como usá-la corretamente no contexto da guerra, retirando o ser humano de cena, favorecendo a ideia de guerra justa e a desresponsabilização humana? Eis alguns desafios, que pedem reflexão ética.

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Dia Internacional do Ritmo Cardíaco – O seu coração vai ao ritmo certo?

11 June 2026 at 12:14
Artigo de Opinião do Dr. Pedro Carreira, do Núcleo de Estudos de Insuficiência Cardíaca da SMPI Todos nós já sentimos uma palpitação — um susto, um golo da nossa seleção, uma surpresa inesperada. Na maioria das vezes, são situações passageiras e sem importância. Mas, nalguns casos, esse batimento irregular pode ser sinal de uma arritmia, […]

Transição energética, o contributo a nível local

11 June 2026 at 10:45

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No passado dia 27 de maio, a RTP apresentou um muito interessante programa – o Episódio nº 3 do Grande Debate – exatamente, sobre esta problemática. Vários especialistas em presença, nomeadamente, dois ex-responsáveis governativos pelas questões da energia – Nuno Ribeiro da Silva e João Galamba. Integravam, ainda, o painel pessoas da área empresarial ou da investigação, claramente competentes. Dois dias depois, pude ler na newsletter “The European Correspondent” um trabalho sobre a crise energética e a sua resolução a nível local. Deve notar-se que esta newsletter, fundada por Julius Fintelman em 2022, é feita por jornalistas de toda a Europa que tratam temas das suas regiões com interesse não só para Bruxelas, mas para todo o continente, designadamente, na área da política, economia e cultura, e procuram fazê-lo de modo independente. Este trabalho trata a crise energética e a sua resolução a nível local. Por isso mesmo me despertou especial interesse.

Começa por apresentar o desafio: «será que a sua cidade está a fazer o suficiente para garantir energia segura?» E afirma que «os municípios podem fornecer energia limpa, local e acessível durante e após uma crise.» Apresenta três exemplos de municípios europeus que desenvolvem uma especial atividade procurando respostas para alcançar esse objetivo: Guimarães, Malaunay, no norte da França e Valencia, em Espanha. De Guimarães destaca o ser no presente ano Capital Verde Europeia e algumas atividades que envolvem os habitantes locais bem como o desenvolvimento de uma comunidade energética destinada a abastecer edifícios públicos e residenciais; de Malaunay realça a produção de energia com painéis solares nos edifícios do município e a expansão para edifícios privados criando comunidades energéticas; em Valência, as autoridades oferecem os telhados do município a organizações de cidadãos que produzem energia para si, comprometendo-se a ceder 10% ao município e a 5% a famílias vulneráveis ​​identificadas pelos serviços sociais locais para ajudar a reduzir seus custos com eletricidade. Experiências bem interessantes.

Por cá conheço um caso que tem tanto de inovador como de frustrante. Exatamente, no âmbito do programa INOVAR+2.0. Foi a tentativa de criar numa aldeia um bairro solar. Algo de semelhante ao que acontece em Malaunay. Um morador dispunha-se a distribuir o excedente da sua produção em painéis fotovoltaicos pelos vizinhos. A E-Redes criou problemas. E as expetativas goraram-se. Frustração, pois!

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Portugal Vacation

11 June 2026 at 00:36
Photo: @copyright

The holiday season here at home is in full swing.  By this, I mean that tourists from all over place are converging here, taking advantage of the fantastic weather.  My vacations always coincide or are directly tied to those of my friends and family that are finding their way over. 

Rarely do the planets align so that my wife and I take time off, so the time taken to spend with people who come not only to go to the beach, but to also include us in their itinerary, is like the vacation we can’t seem to take on our own.  In the last couple of weeks alone, there have been many kilometres driven, many late nights, and many great meals.  An uncle visiting from Toronto, a family reunion set up around my sister’s birthday, (first at our house, then off to a restaurant for cabrito and bacalhau.  Then, back to our house).  Niece and nephew visiting with respective beaus; seeing the local sights that will wow just about anybody, and albeit these four have travelled extensively, their level of enjoyment told me that here, we have something special.  Sunday, off to Porto to see the Cure in a packed stadium.  Those sixty-somethings played a two-and-a-half-hour set! It was sweet to see a band as iconic as that for the first time.  I had never seen so many old timers wearing band attire.

Before all this, we had received a couple of dear friends from Toronto, and then another from Tomar, who came to visit bearing tickets to the theatre for the four of us.  This is more action than we experience in a year!  Makes me think we may need to consider taking a little more initiative.  I’m exaggerating, but you get my drift.  Sometimes we spend too much time thinking about things, something that eventually may end up taking up all of our time.  Plus, it’s nice to also do things in your own time.  It’s so easy to sit back and relax the same way you always do, hell, it’s even very pleasurable, but there’s so much out there, even close by, that anyone can enjoy.  It’s like being invited to a party, not really wanting to go, but you can’t say no, yet soon after arriving you’re glad you went.  We really need to get off our butts and start enjoying ourselves.  Who cares about CNN and Netflix.  They’ll always be there, but it doesn’t mean you have to be.  One of the best moves my wife and I pulled off was cancelling cable.  We got sick and tired of watching the same crap every day.  That was 12, or so, years ago.  Since then, we’ve watched whatever we find interesting on the half-dozen open signal channels available.  Actually, since three of them are riddled with soap operas and reality shows, we really only have three to choose from, on a good day. But that’s ok, miraculously one finds other things to do! Go figure!  Even at night, there are other things to do besides TV.

Let’s get out there, folks, who knows what you’ll find.  If you can, stay up good and late every once in a while, I find it energizing!

Fiquem bem!

Raul Freitas/MS

Será uma recessão inevitável?

11 June 2026 at 00:18

A pergunta já não é se a economia portuguesa vai abrandar. Uma economia dependente do turismo, como a nossa, numa crise de combustíveis, está em apuros. Apesar de não se antever para já falhas no abastecimento de jet fuel, em maio, o preço da energia na Europa já tinha subido 10,9%. A inflação não se ficará pelos combustíveis, porém, como escrevi logo a 17 de março. A combinação do bloqueio em Hormuz com o impacto de um fenómeno climático El Niño sem precedentes vai, com elevado grau de probabilidade, criar uma crise alimentar um pouco por todo o mundo. 

Sabemos o que isso significa. O dinheiro vai faltar no bolso de milhões de pessoas e empresas. Ao contrário do que prevê a teoria económica, as pessoas não vão antecipar as suas decisões de consumo e investimento. Apesar de estarmos em situação de pleno emprego e de grande escassez de oferta, não haverá capacidade de rever salários e contratos para compensar plenamente os efeitos da inflação. Teremos, por isso, uma segunda dose do que nós, economistas, chamamos “estagflação” – a conjugação de estagnação com inflação.

O cenário hoje é, todavia, diferente do de 2022. Por um lado, o choque energético é menor, mas é mais distribuído pelo globo, mitigando a procura externa. Por outro lado, o mundo não está a viver o boom pós-pandemia e os correspondentes ajustes nas cadeias de abastecimento. Na verdade, a União Europeia cresceu apenas 0,1% no 1.º trimestre deste ano, com Portugal a registar uma variação nula em cadeia. O crescimento salarial registou também uma forte desaceleração nos meses anteriores à ofensiva americano-israelita, tanto na Europa, como em Portugal. A estagnação não é apenas consequência da inflação – ela já cá estava e aconteceu coincidirem no tempo.

No caso de Portugal, o cenário é um pouco mais alarmante. Os primeiros sinais eram preocupantes, como aqui tive oportunidade de esmiuçar. Entretanto, confirmou-se que Portugal perde quota de mercado nas suas exportações, após uma década a registar ganhos – uma tendência que está para durar, segundo o que Bruxelas antecipa. A medíocre situação económica do país contrasta com a nossa vizinha Espanha, mesmo com tão infame governo socialista e sem orçamentos. Com várias obras a transitarem do PRR para financiamento nacional, a recuperação das tempestades por fazer e, ainda, a crise inflacionista, é lamentável que Miranda Sarmento tenha esbanjado o excedente que herdou em nada que se veja. Se for para cumprir as regras, logo na altura em que era preciso gastar, será tempo de apertar o cinto.

Quem o vai sentir? Em primeiro lugar, as famílias e as empresas. Aliás, já o estão a sentir. Nos últimos 6 meses, a confiança dos consumidores caiu uns impressionantes 10 pontos. A verdade é que, nos últimos anos, temos assistido a um “comprar de tempo” para a economia portuguesa, com um crescimento galopante do endividamento do setor privado não-financeiro. Mas este tapa-buracos está a acabar. As taxas de juro estão já a subir. Os bancos em toda a Europa estão já a apertar as condições de crédito. E o BCE ainda não decidiu nada.

Tudo aponta para que o faça na sua próxima reunião. O Governador do Banco de Portugal já declarou a sua posição de “falcão”, querendo subir as taxas de juro “mais cedo do que mais tarde”. É uma irresponsabilidade perante um país cujo crédito está altamente exposto. É, sobretudo, um contrassenso dada a natureza temporária dos choques, a sua insensibilidade à variação das taxas de juro e o não haver  sinais credíveis de que as expetativas de médio-prazo de inflação “desancoraram”. Assim sendo, uma política monetária restritiva não é só desnecessária como também ineficaz. Sem ganho real, é apenas um castigo para todos nós enfrentarmos. Já está tudo mais caro e estes políticos-feitos-magos da economia monetária decidiram tornar a prestação da casa, do carro, da empresa mais cara ainda. Da parte do PS, já chamámos Álvaro Santos Pereira ao Parlamento para prestar explicações.

A gestão destas crises coloca, pois, em perspetiva um risco crescente de recessão. Se em 2022, onde havia alguma pressão do lado da procura, esta já era a resposta errada, agora ainda mais o é. Mas há sempre alternativas – está longe de ser inevitável que a economia ceda. É preciso mitigar os impactos da crise, não apenas entre os mais pobres e vulneráveis, e é preciso apoiar a transformação industrial que permita conter os preços através da recuperação, por outras vias, da oferta e, não, através da contenção da procura. A inflação combate-se produzindo mais, transportando melhor e dependendo menos.

Havia uma altura em que a economia do lado da oferta (“supply-side economics”) era um fetiche de direita. Hoje, é um adorno retórico no discurso de tantos, com palavras caras como “autonomia estratégica”, mas sem reais decisões nem recursos para as concretizar. Havia uma altura em que o apoio ao custo de vida era sempre pouco. Hoje, o apoio é menor, mas isso é um facto para quem está na oposição.

Contudo, por detrás das folhas de Excel e dos argumentos políticos, estão pessoas e as suas vidas. Estão empresas e os seus projetos de crescimento. Está a casa, a mobilidade, a comida e a energia toda mais cara, toda de uma só vez. Está um sufoco sobre o qual não temos qualquer culpa, sobre o qual não podemos fazer nada, mas cuja fatura vamos ter de pagar. E são sempre os mesmos a pagar. Tal como haverá sempre alguns que se safam. Se nada fizermos, a recessão parecerá inevitável, mas terá sido, sobretudo, escolhida. E com consequências para o nosso contrato social que nenhum de nós quer imaginar.

Miguel Costa Matos/MS

 

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