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3 de junho: a hotelaria e a restauração do Norte disseram “basta”

VTM

Depois da greve geral de 11 de dezembro, que mobilizou mais de três milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o país, depois das manifestações nas empresas e nas ruas, os trabalhadores voltaram a dizer o que já tinham dito: este pacote não passa.

Em todo o Norte, a resposta foi concreta e visível. Na indústria, a greve dos trabalhadores da AUMOVIO parou a produção. Na cantina do hospital de Chaves, os trabalhadores do setor privado da ITAU aderiram a 100%, reduzindo o serviço aos mínimos legais. Nas cantinas escolares, os trabalhadores da Gertal fecharam as portas e juntaram-se aos funcionários públicos e professores para fechar as escolas. A greve não ficou num setor nem numa categoria: quem trabalha para o Estado e quem trabalha para uma empresa privada, pararam juntos. Foi transversal, foi coletiva e foi forte.

Para os trabalhadores da hotelaria, da restauração e das cantinas, não há “meio pacote” aceitável. Este setor já conhece de perto o que é a precariedade, os horários impossíveis, as folgas que não se cumprem e os salários que não chegam ao fim do mês. O pacote laboral não traz nada de novo para estes trabalhadores… traz apenas mais do mesmo, agravado e legitimado por lei.

É preciso que o Governo entenda o que está perante si. Este pacote não veio na sua campanha eleitoral. Não foi discutida qualquer alteração à legislação laboral em período de campanha, certamente não neste sentido de ataque aos direitos dos trabalhadores. A própria negociação em sede de concertação social pôs de lado a CGTP-IN, a maior central sindical do país. Não há negociações sérias sem ela. E mesmo assim, o pacote laboral não saiu da mesa de negociações… vai agora para o parlamento, mais uma vez a tentar ser imposto por cima algo que já foi veementemente rejeitado pelos trabalhadores.

A única alternativa que resta ao Governo é mostrar humildade e retirar o pacote laboral. A força que encheu as ruas, que parou as cantinas e fechou as escolas, não vai desaparecer. Pelo aumento dos salários, pelo fim da precariedade, contra o pacote laboral: a luta continua.

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