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EUA preparavam missão para capturar urânio do Irã; Trump mandou suspender

13 June 2026 at 01:59

O principal comandante militar dos Estados Unidos fez uma visita secreta e urgente ao quartel-general do Comando Central dos EUA (Centcom), na Flórida, no fim do mês passado, para receber pessoalmente informações sobre planos de enviar tropas terrestres ao Irã. O objetivo era tomar à força o urânio altamente enriquecido do país — componente essencial para a produção de uma arma nuclear, disseram à CNN duas fontes familiarizadas com o assunto.

As reuniões foram consideradas tão urgentes e sensíveis que exigiram que o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, deixasse às pressas um encontro de altos oficiais da Otan, em Bruxelas, e retornasse a Tampa, na Flórida, em 19 de maio, segundo as fontes. A natureza urgente e de alto nível das discussões mostra o quão perto o governo esteve de autorizar a arriscada operação terrestre.

Um porta-voz do Estado-Maior Conjunto se recusou a comentar os preparativos para uma possível operação.

Posteriormente, Caine apresentou ao presidente Donald Trump as opções para uma missão desse tipo, disse uma das fontes.

No entanto, Trump decidiu suspender os planos após ser alertado de que a operação provavelmente provocaria uma forte retaliação iraniana, prolongando a guerra e mergulhando a economia global em uma turbulência ainda maior, segundo as fontes. Trump também demonstrou preocupação com a possibilidade de um número significativo de baixas americanas.

O planejamento avançado ocorreu enquanto Trump afirmava repetidamente que EUA e Irã estavam próximos de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz e concluir as negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Na quinta-feira, Trump disse que os dois países poderiam assinar um acordo em breve, possivelmente já no fim de semana.

Mas as discussões sobre o envio de tropas terrestres ao Irã mostram o quão perto os EUA estiveram de uma grande escalada do conflito.

“Muito risco”, disse uma das fontes familiarizadas com os planos. Segundo ela, não foi surpreendente que Trump tenha optado por não dar sinal verde à operação.

Teerã e a “opção nuclear” econômica

Caso as negociações fracassem e a guerra seja retomada, Teerã também tem considerado uma “opção nuclear” econômica, disseram à CNN três pessoas familiarizadas com o tema: convencer os Houthis, principal força aliada do Irã no Iêmen, a fechar o estreito de Bab el-Mandeb — uma das rotas marítimas mais importantes do mundo e ponto estratégico para o comércio global, especialmente após meses de fechamento do Estreito de Ormuz.

Um alto funcionário do governo americano respondeu a um pedido de comentário da CNN nesta sexta-feira com uma lista de condições que o Irã supostamente aceitou nas negociações, incluindo a destruição e remoção do material nuclear, o desmantelamento do programa nuclear, a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do financiamento iraniano a grupos armados aliados. Apenas depois disso haveria alívio de sanções.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o memorando de entendimento deve tratar do programa nuclear iraniano e do alívio de sanções, entre outros temas, incluindo uma solução para o conflito no Líbano “e em todas as outras frentes”.

Ainda de acordo com Araghchi, uma declaração sobre o futuro controle do Estreito de Ormuz deverá ser divulgada “em breve”.

O estoque de urânio do Irã

Garantir o controle do urânio altamente enriquecido do Irã continua sendo um dos principais objetivos de Trump que ainda não foi alcançado, seja por meio da diplomacia ou da força militar.

Embora o presidente tenha mencionado repetidamente a possibilidade de os EUA confiscarem o material à força, ele tem relutado em avançar com uma operação que possa resultar em muitas baixas americanas.

Ao comentar outra possível ação militar — a tomada da ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã — Trump afirmou à Fox News esta semana: “Não sei se os americanos têm disposição para isso”.

Apesar dos riscos, a possibilidade de apreender o urânio do Irã — especialmente as cerca de 970 libras (aproximadamente 440 quilos) enriquecidas a níveis próximos aos necessários para armas nucleares — ainda não foi totalmente descartada.

A frustração de Trump aumentou à medida que o Irã demorava a aceitar um acordo que exigiria concessões significativas em seu programa nuclear, incluindo a entrega voluntária de seus estoques de urânio enriquecido. Segundo fontes da CNN, esse material está distribuído entre várias instalações nucleares iranianas, principalmente nos complexos de Isfahan, Natanz e Fordow, enterrados profundamente em túneis subterrâneos.

Especialistas em energia nuclear questionam se uma operação militar americana conseguiria localizar e verificar todo o material, quanto mais removê-lo de forma segura em condições hostis. Acredita-se que o urânio ainda esteja em forma gasosa, como estava na última inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em junho de 2025.

O Irã expulsou os inspetores internacionais no mês seguinte, após ataques aéreos conjuntos de EUA e Israel contra suas instalações nucleares. Embora esses bombardeios tenham causado danos, não destruíram todo o material nuclear, que permaneceu nos túneis subterrâneos.

Em entrevista recente, o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, alertou que o estoque existente poderia permitir ao Irã produzir até dez bombas nucleares, caso o país decidisse transformar seu programa em um projeto militar.

A comunidade de inteligência dos EUA acredita saber onde está todo esse material graças ao monitoramento aéreo contínuo, segundo duas fontes. Além do urânio altamente enriquecido, o Irã possui grandes quantidades de material de baixo enriquecimento que poderia ser usado para fabricar uma “bomba suja”.

Uma operação extremamente arriscada

Segundo reportagens anteriores da CNN, garantir fisicamente o controle do urânio exigiria uma grande força terrestre americana, incluindo centenas de operadores de forças especiais.

“Seria absurdamente difícil vasculhar aqueles túneis e todos os recipientes”, disse uma fonte. “Teríamos de estabelecer uma presença maciça. Na prática, teríamos de invadir.”

Comandantes militares classificaram uma operação desse tipo entre os níveis “alto” e “extremo” de risco aceitável para forças especiais, o que significa que ela poderia resultar em um número significativo de baixas americanas, mesmo em caso de sucesso.

Riscos de uma resposta iraniana

Caso uma operação terrestre para capturar o urânio fosse lançada, o fechamento do estreito de Bab el-Mandeb — cenário previsto em avaliações de inteligência — poderia causar danos econômicos catastróficos à economia mundial.

Uma fonte familiarizada com essas avaliações destacou que os Houthis ainda não retomaram ataques em larga escala contra navios americanos ou europeus, limitando suas ações principalmente a embarcações ligadas a Israel. Ampliar os alvos representaria uma escalada significativa.

Segundo as fontes, o Irã evitou até agora recorrer aos Houthis dessa forma porque sabe que isso poderia comprometer as negociações de paz em andamento.

O Exército regular iraniano foi significativamente enfraquecido, mas as principais ameaças para tropas americanas seriam os túneis armadilhados onde o urânio está armazenado, além de mísseis antiaéreos e lançados do ombro. O país também mantém uma parcela significativa de seus estoques de drones e mísseis balísticos.

Dan Caine e outros líderes militares já haviam alertado sobre a escala, a complexidade e o potencial de baixas americanas em uma campanha prolongada contra o Irã. Eles também advertiram que uma guerra extensa afetaria significativamente os estoques de armamentos e a prontidão militar dos EUA.

Apesar de declarações anteriores sobre a possibilidade de capturar o urânio, Trump minimizou essa opção na quinta-feira, em declarações no Salão Oval: “Ninguém vai chegar perto dele porque está enterrado sob uma montanha”, afirmou o presidente.

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Israel diz que não vai recuar no Líbano em meio a possível acordo EUA-Irã

13 June 2026 at 01:35

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou nesta sexta-feira (12) que Israel não vai se retirar dos territórios que ocupa no Líbano. A declaração surge em meio ao possível acordo entre Estados Unidos e Irã.

“Israel não se retirará das zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza”, declarou Katz. “Nossa doutrina de segurança é firme e clara: agimos contra ameaças próximas e distantes e buscamos resultados decisivos, não compromissos ou concessões”, acrescentou.

Katz afirmou ainda que os Estados Unidos e Israel têm um “interesse comum” em impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

Ele disse esperar que esse princípio seja mantido, “juntamente com outros relacionados aos mísseis e às organizações terroristas por procuração” — uma referência aos grupos armados que o Irã apoia no Oriente Médio.

Possível acordo entre EUA e Irã

O Irã sugeriu nesta sexta-feira que um acordo com os Estados Unidos estava próximo e poderia ser assinado nos próximos dias. A Casa Branca também sinalizou otimismo, embora uma autoridade do governo Donald Trump tenha dito que alguns detalhes ainda precisam ser acertados.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, o memorando de entendimento deve incluir o programa nuclear iraniano, o alívio de sanções e o bloqueio ao Estreito de Ormuz, além de uma solução para o conflito no Líbano “e em todas as outras frentes”.

Também nesta sexta-feira, uma autoridade americana afirmou que o possível acordo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz; o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos; o desmantelamento do programa nuclear iraniano; a transferência de estoques de urânio enriquecido. A fonte do dos Estados Unidos, no entanto, não mencionou o Líbano.

Sobre o alívio das sanções, a autoridade americana disse que “esses benefícios só serão concedidos se o Irã realmente cumprirem o que foi acordado”.

Papa usa jato do rei da Espanha para voltar ao Vaticano após falha em avião

12 June 2026 at 19:29

O papa Leão XIV embarcou em um jato Falcon cedido pelo rei da Espanha após um problema técnico impedir a decolagem do avião em que o pontífice estava. A falha atrasou o retorno da Ilha de Tenerife ao Vaticano nesta sexta-feira (12), último dia da visita de uma semana à Espanha.

O governo espanhol informou que o avião da Força Aérea usado pelo rei levaria o papa e vários membros de sua delegação a Roma. O restante da delegação e os jornalistas viajarão em outro avião enviado de Madri.

Leão XIV já havia embarcado para o voo original, operado pela Iberia, após se despedir do rei Felipe e de outras autoridades espanholas, mas foi escoltado de volta ao terminal.

Em comunicados divulgados após o papa desembarcar, o comandante informou uma falha do motor, provavelmente por causa do vento. Mais tarde, afirmou que o problema não poderia ser resolvido imediatamente e que os passageiros teriam que deixar o avião.

A Iberia informou em nota que o avião teve um problema técnico não especificado e que um avião substituto estava sendo enviado de Madri para completar a viagem até Roma nesta sexta-feira.

Ao final da viagem à Espanha, o papa Leão visitou as Ilhas Canárias — uma das principais portas de entrada para na Europa para imigrantes que se arriscam nas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.

O papa fez uma severa advertência aos traficantes de pessoas e aos grupos criminosos que exploram imigrantes desesperados, dizendo que eles deveriam se arrepender perante Deus ou enfrentar o inferno.

O pontífice também pediu aos líderes globais que tratem os imigrantes com mais humanidade.

Papa Leão critica IA: Veja os principais pontos da encíclica do pontífice

Governo Trump detalha termos de acordo provisório com o Irã

12 June 2026 at 18:40

Uma autoridade do governo dos Estados Unidos detalhou vários pontos do acordo em negociação com o Irã, apresentando o documento como capaz de cumprir os objetivos do presidente Donald Trump nas tratativas.

Entre os pontos do esboço do acordo estão:

  1. A reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.
  2. O desmantelamento do programa nuclear iraniano, incluindo a transferência para os Estados Unidos do material enriquecido do Irã, que, segundo a autoridade, seria destruído no local e depois retirado do país.
  3. O Irã seria “aliviado de grande parte das pressões econômicas às quais esteve submetido por muitos e muitos anos”, caso cumpra as disposições do acordo. “Esses benefícios só serão concedidos se eles realmente cumprirem o que foi acordado”, afirmou o funcionário.

A questão do alívio econômico ao Irã tem sido um dos principais pontos de impasse nas negociações entre os dois países. A fonte insistiu que qualquer flexibilização só ocorrerá após o Irã tomar medidas concretas para cumprir o acordo.

“Os iranianos não recebem nada no momento da assinatura do memorando de entendimento (MOU, na sigla em inglês) nem durante a própria negociação”, disse a autoridade.

“O que eles recebem são recompensas econômicas pelo cumprimento de suas obrigações no âmbito do acordo. Portanto, se entregarem o material nuclear conforme prometido, receberão algo. Se desmantelarem seus programas ou instalações nucleares, receberão outra compensação. E, se realmente se comprometerem com a paz e a estabilidade regional, receberão benefícios adicionais além disso”, acrescentou a fonte.

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