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Atlas vê melhora regulatória, mas mantém cautela sobre novos investimentos

18 June 2026 at 13:40

Após anunciar que suspendeu os planos de US$ 1 bilhão em novos investimentos no Brasil diante do aumento dos cortes de geração renovável e das incertezas regulatórias do setor elétrico, a Atlas Renewable Energy avalia que o ambiente para novos projetos começa a apresentar sinais de melhora.

A empresa, no entanto, evita falar em retomada de aportes e afirma que uma eventual volta dos investimentos dependerá da consolidação de medidas regulatórias ainda em discussão. Em entrevista à CNN Brasil durante o Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), o CEO da Atlas no país, Fabio Bortoluzo, afirmou que o Brasil ficou “on hold” para a companhia entre 2025 e 2026, período marcado pelo agravamento do chamado “curtailment”, quando usinas solares e eólicas são obrigadas a reduzir a produção por limitações do sistema elétrico.

A empresa, que tem como investidora a Global Infrastructure Partners (GIP), fundo ligado ao BlackRock, continua analisando oportunidades no mercado brasileiro, mas condiciona qualquer decisão a uma série de definições regulatórias consideradas fundamentais para restaurar a confiança dos investidores.

“Hoje a gente está estudando investimentos em baterias, principalmente, e eventuais novos projetos a depender desse desenrolar regulatório. A gente entende que tem muito potencial no Brasil e olha o país no longo prazo”, afirmou.

Entre elas estão a formalização do “termo de compromisso” que busca solucionar disputas relacionadas aos cortes de geração, as definições da Consulta Pública 45 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o novo marco regulatório para sistemas de armazenamento de energia.

Na avaliação da Atlas, o avanço da regulamentação das baterias foi o sinal mais relevante recebido pelo setor nos últimos meses.

“Esse é o fato mais relevante de todos esses. Esse é o sinal mais positivo que a gente recebeu recentemente no ambiente regulatório e que eu entendo que pode destravar bastante investimento no Brasil”, disse Bortoluzo. “Foi mais importante do que o anúncio do leilão de sistemas de armazenamento para este ano”, acrescenta.

Embora o mercado esteja concentrando atenções no futuro leilão de baterias, o executivo considera que a regulamentação permanente para o armazenamento terá impacto mais profundo por permitir a associação dos equipamentos tanto a usinas existentes quanto a novos empreendimentos.

A Atlas já acumula experiência na área em outros mercados. A companhia desenvolve atualmente projetos de baterias no Chile e considera a tecnologia uma das principais ferramentas para reduzir os efeitos dos cortes de geração e viabilizar novos investimentos em renováveis.

Apesar do maior otimismo, a empresa evita indicar qualquer decisão de investimento no curto prazo. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil voltar a receber aportes a partir de 2027, Bortoluzo respondeu que o potencial existe, mas depende do resultado das discussões em curso.

“O mercado brasileiro tem potencial para ter investimentos em 2027 de maneira geral e nós estamos estudando a depender do desenrolar regulatório”, afirmou.

No espelho das cidades, os desafios do desenvolvimento

18 June 2026 at 11:00

Costuma-se dizer que as cidades são o espelho de um país. A afirmação é verdadeira, mas talvez incompleta. As cidades não apenas refletem os desafios nacionais: elas são o lugar onde esses desafios se encontram, interagem e produzem seus efeitos mais concretos.

É nelas que se manifestam os gargalos da infraestrutura, as limitações da produtividade, os efeitos das mudanças climáticas, as dificuldades de mobilidade, os déficits habitacionais, as deficiências do saneamento e, cada vez mais, os desafios associados à transformação digital.

Ainda assim, continuamos tratando boa parte dessas questões como agendas independentes, desconectadas entre si e frequentemente afastadas do debate sobre desenvolvimento econômico.

Essa fragmentação talvez ajude a explicar uma das principais contradições do debate público brasileiro. Quando discutimos competitividade, normalmente pensamos em política industrial, ambiente de negócios ou comércio exterior. Quando discutimos inovação, pensamos em tecnologia. Quando discutimos sustentabilidade, pensamos em meio ambiente. Quando discutimos crescimento econômico, recorremos aos indicadores macroeconômicos.

Em todos esses casos, porém, raramente voltamos o olhar para os territórios onde esses fenômenos efetivamente acontecem. Como se produtividade, competitividade ou inovação existissem em abstrato, independentemente da qualidade das cidades em que pessoas vivem, trabalham, empreendem e investem.

A realidade sugere exatamente o contrário. A produtividade de uma economia depende não apenas da qualificação de sua força de trabalho ou da sofisticação de suas empresas, mas também da capacidade de seus sistemas urbanos funcionarem adequadamente. Trabalhadores que passam horas em deslocamentos diários perdem tempo, renda e qualidade de vida. Empresas instaladas em regiões com infraestrutura deficiente enfrentam custos mais elevados e menor competitividade. Territórios incapazes de oferecer serviços básicos adequados tornam-se menos atrativos para investimentos e para a retenção de talentos.

Em outras palavras, aquilo que frequentemente classificamos como problema urbano produz consequências diretas sobre o desempenho econômico do país.

O saneamento básico talvez seja um dos exemplos mais emblemáticos dessa interdependência. Durante décadas, o tema foi tratado principalmente como uma política de saúde pública, o que é compreensível diante de seus impactos sobre doenças, mortalidade e qualidade de vida.

Entretanto, seus efeitos ultrapassam em muito essa dimensão. A universalização do saneamento reduz custos hospitalares, melhora indicadores educacionais, aumenta a produtividade do trabalho, valoriza ativos imobiliários e amplia a capacidade de atração de investimentos. Quando uma cidade expande sua infraestrutura sanitária, ela não está apenas promovendo dignidade; está fortalecendo as condições para o desenvolvimento econômico de longo prazo.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado à habitação. O déficit habitacional não representa apenas a ausência de moradias adequadas. Ele influencia padrões de ocupação do solo, pressiona sistemas de transporte, amplia desigualdades territoriais e dificulta o acesso da população a oportunidades de emprego, educação e serviços públicos.

Da mesma forma, mobilidade urbana não pode ser compreendida apenas como uma questão de deslocamento. Trata-se de um elemento central para a integração econômica dos territórios, para a eficiência dos mercados de trabalho e para a própria dinâmica de crescimento das cidades.

A gestão de resíduos oferece outra perspectiva interessante sobre essa mudança de visão. Durante muito tempo, resíduos sólidos foram tratados quase exclusivamente como um passivo ambiental. Hoje, a expansão da economia circular demonstra que eles também podem ser compreendidos como ativos econômicos. O que antes era percebido como custo passa gradualmente a ser entendido como oportunidade.

Essa lógica torna-se ainda mais evidente quando observamos a emergência da infraestrutura digital. Datacenters, conectividade, processamento de dados, inteligência artificial e capacidade computacional costumam aparecer em debates relacionados à tecnologia, mas sua relevância já extrapola esse campo.

Cada vez mais, eles influenciam decisões de investimento, estratégias empresariais e a competitividade dos territórios. Se o século XX foi marcado pela expansão de rodovias, redes de energia e sistemas de saneamento, o século XXI provavelmente será caracterizado pela combinação entre infraestrutura física e infraestrutura digital como elementos indissociáveis do desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, a crescente complexidade desses desafios evidencia as limitações de abordagens excessivamente fragmentadas. Questões relacionadas à mobilidade, logística, drenagem urbana, saneamento ou destinação de resíduos frequentemente ultrapassam fronteiras municipais, exigindo coordenação regional e mecanismos mais sofisticados de governança.

Não por acaso, instrumentos como consórcios públicos e modelos de cooperação interfederativa vêm ganhando importância crescente. Em um país altamente urbanizado, a capacidade de coordenar políticas entre diferentes entes federativos deixa de ser uma questão meramente administrativa e passa a representar um fator estratégico para a execução de projetos estruturantes.

Há ainda uma dimensão internacional que merece atenção. Em um contexto de crescente competição global por investimentos, tecnologia, capital humano e infraestrutura estratégica, a qualidade dos territórios tornou-se um ativo econômico relevante.

Cidades competem por centros logísticos, polos industriais, hubs tecnológicos e empreendimentos capazes de gerar emprego e renda. A atratividade de um país depende, em grande medida, da atratividade de suas cidades. E cidades competitivas não são construídas apenas com incentivos econômicos; dependem de planejamento, infraestrutura, sustentabilidade, governança e capacidade de adaptação.

Talvez por isso o principal desafio brasileiro não seja a ausência de diagnósticos. O país conhece boa parte de seus gargalos e dispõe de soluções técnicas para enfrentá-los.

A dificuldade parece residir em outra questão: continuamos analisando problemas que são interdependentes como se fossem agendas isoladas. Habitação, saneamento, mobilidade, resíduos, infraestrutura digital, adaptação climática e desenvolvimento econômico não compõem capítulos separados de uma mesma história. São partes de um único processo de transformação territorial.

Se as cidades são o espelho do país, talvez seja hora de reconhecer que elas também são o mapa. É nelas que convergem os desafios relacionados à produtividade, competitividade, sustentabilidade, inovação e qualidade de vida.

E será nelas, igualmente, que o Brasil encontrará as condições para superar seus gargalos históricos e construir uma estratégia consistente de desenvolvimento para as próximas décadas.

*Bruno Sindona, presidente do Instituto da Cidades

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.

Mercado de caminhões prevê segundo semestre mais positivo

18 June 2026 at 11:00

Com a proximidade da Fenatran, principal feira de transporte e logística da América Latina, e uma nova edição do Move Brasil, programa de crédito do governo federal voltado à renovação de frota lançado em maio, o mercado nacional de caminhões projeta um segundo semestre mais positivo do que foi o início deste ano.

Apesar do crescimento geral do setor automotivo, que registrou mais de 479,6 mil veículos emplacados em abril, o segmento de caminhões apresentou baixa no período.

Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostraram que foram emplacadas 8,6 mil unidades, representando uma queda de 3,24% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em maio, o governo federal anunciou a segunda edição do Move Brasil, disponibilizando R$ 21,2 bilhões em linhas de crédito para aquisição de caminhões e ônibus. Desse valor, R$ 2 bilhões serão destinados especificamente aos motoristas autônomos.

Para o CEO da ABC Cargas, Danilo Guedes, empresa especializada no transporte de caminhões zero quilômetro, a iniciativa tem potencial para destravar investimentos que estavam represados desde os últimos anos.

“Existe uma demanda reprimida muito significativa no mercado. Muitas empresas adiaram a renovação de suas frotas em razão do custo elevado do crédito e da incerteza econômica. Com uma linha de financiamento mais robusta e condições mais acessíveis, a tendência é que parte desses investimentos volte a acontecer ao longo do segundo semestre”, avaliou.

Além da linha de crédito, a Fenatran, principal feira de transporte e logística da América Latina, é tradicionalmente responsável por movimentar negócios, lançamentos e investimentos em renovação de frota diante do ambiente propício para os frequentadores do evento.

“A combinação entre crédito disponível, necessidade de renovação dos veículos e o ambiente de negócios gerado pela Fenatran cria uma perspectiva positiva para o segundo semestre”, disse o executivo.

Ainda segundo ele, o mercado seguirá atento aos indicadores econômicos, mas há motivos concretos para acreditar em uma recuperação gradual da atividade do setor.

 

TCU valida reassentamento e obras do Anel Rodoviário de BH podem avançar

18 June 2026 at 08:00

As obras para a duplicação do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, no trecho da BR-381 entre a Avenida Cristiano Machado e o Rio das Velhas, tiveram um novo capítulo na última semana. O TCU (Tribunal de Contas da União) validou processo do ano passado relacionado ao reassentamento de famílias que vivem na área afetada pelas intervenções e tomou uma decisão que pode contribuir para destravar o empreendimento, aguardado há anos.

A Corte de Contas considerou que foram cumpridas as determinações feitas anteriormente no processo que acompanha a remoção e o reassentamento das famílias impactadas pelas obras. 

Segundo o tribunal, o acordo de permuta de áreas firmado entre o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), a Prefeitura de Belo Horizonte e a Urbel (Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte) permitirá o reassentamento de cerca de 900 famílias que ocupam a faixa de domínio da rodovia.

Com a decisão, o tribunal determinou que o processo permaneça suspenso por um período de um ano. Após esse prazo, o caso voltará a ser analisado para que a Corte decida se o acompanhamento deve continuar ou se as determinações poderão ser encerradas.

A duplicação do Anel Rodoviário está condicionada justamente à execução do plano de remoção e reassentamento das famílias de baixa renda que vivem na região. A ação será conduzida pela Urbel, enquanto os repasses financeiros ficarão a cargo do DNIT.

A proposta inicial previa a compra de terrenos para a construção de 630 unidades habitacionais vinculadas ao programa federal Minha Casa, Minha Vida. Para isso, em 2013, o município adquiriu 47 lotes da Caixa Econômica Federal pelo valor de R$ 4,9 milhões.

No entanto, após a aquisição, o MPF (Ministério Público Federal) e a Defensoria Pública da União passaram a atuar em defesa das comunidades afetadas. A intervenção resultou em um acordo judicial que suspendeu os repasses e determinou que o reassentamento fosse conduzido com apoio de peritos judiciais. Com isso, os terrenos comprados não chegaram a ser utilizados para a construção das moradias previstas.

A execução do projeto foi retomada apenas em outubro de 2016, por meio de uma nova modalidade de “compra assistida”, que previa a aquisição de imóveis já edificados para entrega direta às famílias beneficiadas.

Entretanto, em 2019, foi constatado que os terrenos adquiridos inicialmente continuavam sem utilização para os fins previstos no acordo e já haviam sido ocupados irregularmente. Segundo os registros do processo, não houve medidas efetivas para impedir novas invasões nas áreas compradas para o reassentamento.

Brazil Iron descarta competição do “ferro verde” com minério tradicional

17 June 2026 at 23:45

A Brazil Iron descarta que o chamado “ferro verde” vá competir diretamente com o minério de ferro tradicional no mercado global.

Em entrevista ao Mapa da Mina, programa da CNN Brasil dedicado ao setor mineral, Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, afirmou que o produto terá um mercado próprio, voltado a siderúrgicas e indústrias pressionadas a reduzir emissões de carbono.

Segundo ele, a tese da empresa não é substituir integralmente o minério de ferro usado atualmente pela indústria siderúrgica, mas ocupar uma fatia específica da cadeia, associada à descarbonização da produção de aço.

“Se a gente pensar no mercado global do minério de ferro, esse produto não vai se posicionar no mesmo patamar que o minério de ferro tradicional. Não vamos ter a substituição do minério de ferro original 100%. O que vai acontecer é a ampliação da participação do ferro verde na fabricação do aço por algumas questões”, disse.

A Brazil Iron tenta desenvolver na Bahia um projeto integrado de mineração e produção de HBI, sigla em inglês para “Hot Briquetted Iron”, ou ferro briquetado a quente. O produto é uma forma compactada de ferro reduzido diretamente, usado como insumo pela indústria siderúrgica.

Na prática, trata-se de um produto intermediário entre o minério de ferro e o aço.O HBI já passa por uma etapa industrial anterior, com maior valor agregado, e pode ser usado em rotas menos intensivas em carbono do que o processo tradicional baseado em carvão.

Souza argumenta que o mercado para esse tipo de produto será puxado por exigências climáticas, políticas públicas e compromissos de descarbonização assumidos por siderúrgicas e grandes consumidores industriais.

Um dos principais exemplos é o CBAM, mecanismo de ajuste de carbono na fronteira da União Europeia. A regra busca cobrar uma espécie de preço sobre as emissões embutidas em determinados produtos importados pelo bloco, incluindo ferro e aço. A Comissão Europeia define o mecanismo como uma forma de assegurar que um preço tenha sido pago pelas emissões de carbono incorporadas em mercadorias importadas.

Na avaliação da Brazil Iron, instrumentos desse tipo tendem a aumentar o interesse de siderúrgicas por insumos de menor emissão, especialmente em mercados como Europa e Ásia.

O executivo também citou o Japão como exemplo de país que tem criado políticas para financiar a descarbonização da indústria. O país tem usado instrumentos públicos, incluindo subsídios ligados à transição climática, para apoiar investimentos em novas rotas siderúrgicas, como fornos elétricos e processos menos dependentes de carvão.

Apesar do otimismo da empresa, ainda existem dúvidas no mercado sobre o tamanho real da demanda e, principalmente, sobre a disposição dos compradores em pagar mais caro por produtos de menor emissão.

A chamada “premiação verde” é um dos pontos centrais dessa discussão.

Em tese, siderúrgicas e consumidores finais poderiam aceitar pagar mais por insumos de baixa emissão para cumprir metas climáticas, atender regras regulatórias ou vender produtos com menor pegada de carbono. Na prática, porém, essa disposição ainda depende do avanço da agenda ESG, da pressão de governos, da regulação de carbono e da demanda de setores como automóveis, construção civil e bens industriais.

Grandes siderúrgicas europeias já apontaram que o custo da transição continua sendo um obstáculo e que o mercado ainda nem sempre aceita pagar prêmios suficientes por aço de menor emissão.

Por isso, embora o ferro verde seja visto como uma rota promissora para reduzir emissões da siderurgia, sua viabilidade comercial em larga escala ainda depende de uma combinação de fatores: regulação climática mais dura, crédito público, compradores dispostos a pagar prêmio, certificação confiável de emissões e contratos de longo prazo.

Souza argumenta, no entanto, que os próprios contratos de venda futura negociados pela Brazil Iron mostram que existe interesse concreto pelo produto.

A empresa afirma ter dois contratos de offtake “muito amarrados”, equivalentes a dez anos de produção do projeto e avaliados em aproximadamente US$ 30 bilhões. Segundo o executivo, os compradores estão localizados principalmente na Ásia e na Europa.

Contratos de offtake são acordos de compra futura firmados antes do início da produção. No setor mineral, eles são considerados importantes para viabilizar projetos de grande porte, porque ajudam a comprovar demanda e podem dar mais segurança a financiadores, investidores e potenciais sócios.

“Tem siderúrgica e indústria final. Nossos compradores estão basicamente localizados na Ásia e na Europa. Esses são os mercados mais interessados nesse produto”, afirmou Souza.

A tese da Brazil Iron é que o ferro verde terá uma lógica comercial diferente da commodity tradicional. Enquanto o minério de ferro convencional segue muito ligado à demanda chinesa, ao teor do minério e ao ciclo global da construção e da indústria, o HBI de baixa emissão seria negociado em um mercado mais específico, associado à transição energética e à descarbonização da siderurgia.

O projeto da empresa está localizado na Bahia e prevê a integração entre mina, beneficiamento mineral, produção de pelotas e fabricação de HBI. A companhia estima investimento de US$ 5,7 bilhões.

A rota defendida pela empresa passa inicialmente pelo uso de gás natural, com menor emissão em relação ao processo tradicional a carvão. No futuro, a companhia afirma estudar a transição para hidrogênio verde e o uso de mecanismos de captura de carbono.

O projeto, no entanto, ainda precisa superar etapas decisivas antes de sair do papel. Entre os principais desafios estão o fechamento do financiamento, o avanço do licenciamento ambiental, a definição da infraestrutura logística, a contratação de energia e gás, a certificação da pegada de carbono do produto e a comprovação de que haverá mercado disposto a pagar pelo ferro de menor emissão.

 

Brazil Iron diz ter US$ 30 bi em offtakes “amarrados” com Ásia e Europa

17 June 2026 at 23:45

A Brazil Iron, mineradora anglo-brasileira que ainda nem começou a produzir no país, afirma já ter contratos de offtake “muito amarrados” para a venda de ferro verde a compradores da Ásia e da Europa.

Segundo Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, os acordos equivalem a cerca de dez anos de produção do projeto que a empresa pretende desenvolver na Bahia e somam aproximadamente US$ 30 bilhões.

“Já temos, na verdade, dois contratos de offtake muito amarrados, que correspondem a dez anos de produção desse produto de ferro verde. Isso nos dá uma cifra de mais ou menos US$ 30 bilhões em contratos de offtake”, disse.

As declarações foram dadas ao Mapa da Mina, programa da CNN Brasil dedicado ao setor mineral.

Contratos de offtake são acordos de compra futura firmados antes do início da produção.

No setor mineral, eles costumam ser considerados instrumentos importantes para viabilizar projetos de grande porte, porque ajudam a demonstrar demanda pelo produto e podem dar mais segurança a financiadores, investidores e potenciais sócios.

No caso da Brazil Iron, os acordos são vistos como parte central da estratégia para tirar do papel um projeto estimado em US$ 5,7 bilhões na Bahia, voltado à produção de HBI, sigla em inglês para “Hot Briquetted Iron”, ou ferro briquetado a quente.

O produto é uma espécie de ferro pré-processado, usado como insumo pela indústria siderúrgica. A tese da empresa é que o HBI produzido no Brasil pode ajudar siderúrgicas globais a reduzir emissões de carbono, especialmente em um momento em que a indústria do aço busca alternativas ao uso intensivo de carvão.

Souza afirmou que os contratos têm cláusulas de confidencialidade e, por isso, não poderia revelar os nomes das empresas envolvidas. Ele disse, no entanto, que os compradores incluem tanto siderúrgicas quanto consumidores industriais finais.

“Mas posso dizer que tem siderúrgica e indústria final. Nossos compradores estão basicamente localizados na Ásia e na Europa. Esses são os mercados mais interessados nesse produto”, afirmou.

A busca por HBI e outros insumos de menor emissão tem crescido com a pressão de governos, investidores e consumidores por cadeias industriais menos intensivas em carbono.

A siderurgia é uma das atividades industriais mais difíceis de descarbonizar e depende, em grande parte, de carvão mineral em rotas tradicionais de produção de aço.

Nesse contexto, empresas que conseguem produzir minério de alta qualidade, pelotas e ferro reduzido com menor pegada de carbono tentam ocupar um espaço considerado estratégico na transição energética. A Europa aparece como um dos mercados mais relevantes por causa de metas climáticas mais rígidas e da criação de mecanismos de cobrança sobre emissões embutidas em produtos industriais importados.

Além dos acordos de venda futura, a Brazil Iron também mantém conversas com o BNDES. Segundo Souza, as tratativas ainda estão em estágio inicial, mas há possibilidade de participação do banco no projeto.

“Existe uma possibilidade de o BNDES participar do nosso negócio”, disse o executivo, ao afirmar que uma eventual entrada do banco seria interessante para a companhia.

O movimento ocorre em meio ao interesse do BNDES em ampliar sua atuação no setor de minerais críticos e estratégicos, inclusive por meio da BNDESPar, braço de participações do banco. A instituição tem avaliado operações em que poderia entrar como sócia de empresas com projetos minerais no Brasil, em especial aqueles ligados à transição energética, à descarbonização e à agregação de valor no país.

Para a Brazil Iron, a presença do banco público poderia ajudar a dar mais robustez financeira e institucional ao empreendimento.

O projeto da emresa está localizado na Bahia e prevê a integração entre mina, beneficiamento mineral, produção de pelotas e fabricação de HBI. A Brazil Iron afirma que o empreendimento terá como base minério de ferro de alto teor e poderá aproveitar a oferta de energia renovável no Nordeste.

A empresa estima investimento de US$ 5,7 bilhões.

Apesar do avanço comercial informado pela companhia, o empreendimento ainda precisa superar etapas decisivas antes de sair do papel. Entre os principais pontos estão o fechamento do financiamento, o avanço do licenciamento ambiental, a definição da infraestrutura logística, o fornecimento de gás natural ou outras rotas energéticas e a comprovação, por certificação, da pegada de carbono do produto.

A rota tecnológica defendida pela empresa passa inicialmente pelo uso de gás natural para produzir HBI com menor emissão em comparação ao processo tradicional baseado em carvão. A Brazil Iron também afirma estudar, no futuro, a transição para hidrogênio verde e o uso de mecanismos de captura de carbono.

O HBI é considerado um produto intermediário entre o minério de ferro e o aço. Ele é produzido a partir do ferro reduzido diretamente, ou DRI, e compactado em briquetes para facilitar transporte, armazenagem e uso industrial. Por ter maior teor metálico e poder ser usado em rotas menos emissoras, o produto é visto como uma das apostas para a descarbonização da siderurgia global.

Se avançar, o projeto pode colocar a Bahia em uma nova etapa da cadeia global do aço, não apenas como fornecedora de matéria-prima, mas como polo de produção de ferro de baixo carbono.

 

Prefeitura de Senador Canedo realiza manutenção urbana em bairros da cidade

17 June 2026 at 20:07

As frentes de manutenção urbana seguem em andamento nesta segunda-feira (15) em diferentes regiões de Senador Canedo. Os serviços incluem recuperação de vias, drenagem, implantação e manutenção de meio-fio, boca de lobo e remoção de materiais descartados em áreas públicas.

Após a forte chuva registrada no município, as equipes de remoção de galhadas também intensificaram os atendimentos em pontos afetados, com a retirada de materiais que ficaram acumulados em vias e espaços públicos. O trabalho contribui para liberar acessos, reduzir transtornos à população e manter a cidade organizada após os impactos causados pelo temporal.

As equipes de tapa-buracos estão atuando na Nova Goiânia, Residencial Paraíso II, Residencial Parque dos Buritis, Recanto das Oliveiras e Jardim Ingá. O trabalho contribui para melhorar as condições de tráfego, dar mais segurança a motoristas e pedestres e garantir mais conservação às vias dos bairros.

Também estão sendo realizados serviços de drenagem, boca de lobo e meio-fio. No Residencial Ecológico Araguaia, os trabalhos acontecem na Rua A-14, com a equipe de drenagem profunda. O setor também recebe ações de meio-fio. No Residencial Marília, a execução é de drenagem superficial. Já no Jardim Todos os Santos, as equipes trabalham com drenagem superficial e meio-fio. O Ecoponto também recebe serviço de boca de lobo.

Outra frente em andamento é a remoção de materiais, com atendimento no Residencial Prado, Jardim Todos os Santos, Residencial Buritis, Parque dos Buritis e Porto Seguro. A ação auxilia na limpeza urbana, evita o acúmulo de resíduos em locais inadequados e contribui para a organização dos espaços públicos.

Os serviços são executados pela Prefeitura de Senador Canedo, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos, dentro da rotina diária de manutenção da cidade. As equipes seguem distribuídas conforme o cronograma da pasta, as demandas identificadas em cada região e as necessidades ocasionadas pelas chuvas.

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Canadense prevê R$ 955 milhões para projeto de terras raras e titânio em MG

17 June 2026 at 17:11

A canadense Resouro Strategic Metals publicou, na última terça-feira (16), uma avaliação econômica preliminar para o projeto Tiros, de terras raras e titânio, em Minas Gerais.

O estudo prevê uma operação inicial com investimento de US$ 191,1 milhões, o equivalente a cerca de R$ 955 milhões, considerando o câmbio de R$ 5 usado pela própria companhia no documento.

O projeto Tiros fica em Minas Gerais e é apresentado pela empresa como um ativo de grande escala, com potencial para produção de terras raras e dióxido de titânio.

A Resouro afirma que o projeto tem 1,4 bilhão de toneladas em recursos medidos e indicados, com teor médio de 12% de dióxido de titânio. O depósito também tem 4.000 ppm de óxidos de terras raras, ou 0,4% do material analisado. Dentro desse grupo, 1.100 ppm, ou 0,11%, correspondem às chamadas terras raras magnéticas, consideradas mais valiosas por serem usadas na produção de ímãs permanentes para motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

Apesar do tamanho do recurso mineral, a companhia propõe começar por uma operação menor, concentrada em uma área de alto teor.

O plano inicial prevê o processamento de 500 mil toneladas por ano durante 20 anos, com alimentação total de 9,5 milhões de toneladas de minério. Essa área representa menos de 1% do recurso medido e indicado já anunciado pela empresa.

O estudo indica que essa primeira fase teria teor médio de 26,3% de dióxido de titânio e 10.832 ppm de óxidos de terras raras, o equivalente a cerca de 1,08% do material analisado. Isso significa que a Resouro pretende começar o projeto por uma área mais rica do depósito, com concentração de terras raras bem acima da média geral do recurso.

A operação seria a céu aberto, com mineralização próxima da superfície e, segundo a empresa, com lavra considerada simples, sem necessidade inicial de desmonte complexo.

A Resouro também afirma que o desenho ambiental considera o uso de rejeitos empilhados a seco.

A avaliação econômica preliminar, conhecida pela sigla em inglês PEA, é uma etapa inicial dos estudos de um projeto mineral.

Ela serve para estimar, ainda de forma conceitual, se um empreendimento pode ser economicamente viável. O PEA não equivale a um estudo de viabilidade definitivo, não declara reservas minerais e ainda precisa ser sucedido por fases mais avançadas, como estudos de pré-viabilidade e viabilidade.

No caso da Resouro, o próprio documento ressalta que a avaliação é preliminar e tem precisão estimada de mais ou menos 50%. Ou seja, o projeto ainda está distante da produção comercial e dependerá de novas etapas de engenharia, testes metalúrgicos, licenciamento ambiental, financiamento e acordos comerciais.

Mesmo com essas ressalvas, os números apresentados pela companhia são fortes. O PEA aponta valor presente líquido pós-impostos de US$ 714,9 milhões, com taxa de desconto de 8%, e taxa interna de retorno de 44,2%. Antes dos impostos, o valor presente líquido sobe para US$ 1,138 bilhão, com retorno de 62,7%. O prazo de retorno do investimento, no cenário pós-impostos, foi estimado em 1,9 ano.

A estratégia da Resouro é desenvolver uma operação com duas fontes de receita: uma ligada ao dióxido de titânio e outra às terras raras. O processamento previsto resultaria em concentrados de TiO₂ e em um carbonato misto de terras raras.

Segundo a empresa, os próximos passos incluem novas sondagens nas áreas previstas para a cava inicial, geração de amostras adicionais, novos testes metalúrgicos, otimização da rota de processamento, estudos ambientais, engajamento com comunidades e avanço do licenciamento.

A Resouro é uma empresa incorporada no Canadá e listada nas bolsas da Austrália e do Canadá. No Brasil, além do projeto Tiros, a companhia também tem o projeto Novo Mundo, de ouro. O ativo de terras raras e titânio, porém, é hoje o principal projeto estratégico da empresa no país.

O anúncio ocorre em meio ao aumento da disputa global por minerais críticos, especialmente terras raras, usadas em cadeias como energia limpa, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa. O Brasil tem sido observado por empresas estrangeiras e governos ocidentais como possível fornecedor alternativo em cadeias hoje concentradas na China.

Apesar dos números positivos, o projeto ainda está em fase inicial.

Belém será sede da maior feira de mineração da América Latina em 2027

17 June 2026 at 16:13

A cidade de Belém (PA) foi escolhida como sede da EXPOSIBRAM 2027, uma das maiores feiras da mineração da América Latina. O anúncio ocorreu na noite desta terça-feira (16), promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

O evento reuniu representantes da indústria mineral, autoridades, lideranças empresariais e parceiros institucionais para marcar o início dos preparativos para a realização da feira e congresso, que ocorrerá entre os dias 20 e 23 de setembro de 2027, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia.

Durante o coquetel de lançamento, o IBRAM destacou a importância estratégica de Belém e da região amazônica para o desenvolvimento da mineração brasileira e para os debates relacionados à sustentabilidade, inovação e desenvolvimento socioeconômico.

“O Pará acelera rapidamente para se tornar a primeira província mineral do país. E apesar de ser, assim, tão potente na mineração, ainda conhece pouco do seu potencial. Nossa proposta é falar no evento sobre os desafios tecnológicos para construir novas soluções na área de energia, eletrônica, mas também de como a gente faz para melhorar a nossa relação com as comunidades e garantir que as riquezas fiquem aqui.“, disse o diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário.

Também participaram do evento o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, além de representantes da Agência Nacional de Mineração (ANM), empresas do setor mineral e autoridades locais.

Segundo a organização, a escolha de Belém para sediar novamente a EXPOSIBRAM reforça o papel do Pará como protagonista da mineração nacional.

O estado concentra alguns dos principais projetos minerais do país e tem papel relevante na produção de minérios estratégicos para a transição energética global.

“Será um evento que vai trazer não só as discussões do futuro da mineração, mas vai debater e reafirmar compromissos com a nossa gente, com o meio ambiente, com o desenvolvimento econômico do nosso estado, com a agenda das relações internacionais. Estamos diante de desafios e minerais críticos e precisamos nos posicionar.”, declarou Alex Carvalho.

A expectativa é que a edição de 2027 reúna milhares de participantes entre empresários, especialistas, pesquisadores, estudantes, investidores e representantes do poder público.

A programação deverá incluir debates sobre inovação tecnológica, sustentabilidade, descarbonização, segurança operacional, desafios regulatórios e oportunidades para o setor mineral.

St George capta mais de R$ 215 milhões para projeto de terras raras em MG

17 June 2026 at 16:11

A australiana St George Mining anunciou que recebeu compromissos para levantar 60 milhões de dólares australianos, o equivalente a mais de R$ 215 milhões, para acelerar o desenvolvimento do projeto Araxá, em Minas Gerais, voltado à exploração de terras raras e nióbio.

Segundo comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira (17), a captação será feita por meio de uma colocação institucional em duas etapas, com a emissão de 600 milhões de novas ações ordinárias ao preço de A$ 0,10 por papel.

Os recursos serão usados para avançar o desenvolvimento do ativo, incluindo estudos de viabilidade e preparação para uma futura decisão final de investimento.

A operação teve apoio de investidores institucionais já presentes na companhia, incluindo a Hancock Prospecting, empresa da bilionária australiana Gina Rinehart e maior acionista da St George.

A Hancock se comprometeu a subscrever A$ 20 milhões, ou cerca de R$ 72 milhões, equivalentes a 200 milhões de novas ações. Após a conclusão da colocação, a empresa deve deter aproximadamente 10,5% da St George.

O presidente-executivo da St George, John Prineas, afirmou que o projeto Araxá tem potencial para ser desenvolvido em um cronograma acelerado, por reunir mineralização de alto teor a partir da superfície, logística favorável e localização em uma região mineradora já consolidada.

Segundo ele, governos e empresas privadas no mundo têm buscado novas cadeias de suprimento para minerais críticos.

“O recurso de classe mundial em Araxá tem potencial para ser desenvolvido em um cronograma acelerado, com mineralização de alto teor começando na superfície e logística favorável em uma região mineradora estabelecida”, disse Prineas, em comunicado.

Gina Rinehart, presidente-executiva da Hancock, afirmou que a empresa vê o projeto brasileiro como parte relevante da cadeia global de minerais críticos.

A declaração reforça o interesse de grupos estrangeiros por ativos de terras raras no Brasil, em meio à corrida de países ocidentais para reduzir a dependência de cadeias concentradas na China.

A captação será dividida em duas rodadas. Na primeira, a St George deve emitir aproximadamente 424,5 milhões de novas ações, levantando cerca de A$ 42,4 milhões. Na segunda, sujeita à aprovação dos acionistas, serão emitidas aproximadamente 175,5 milhões de ações, com captação prevista de A$ 17,6 milhões.

A primeira rodada deve ser liquidada em 23 de junho, com emissão das novas ações no dia seguinte. Já a segunda etapa depende de aval dos acionistas em assembleia extraordinária marcada para 10 de julho.

O projeto Araxá está localizado em Minas Gerais e combina dois minerais considerados estratégicos para cadeias industriais de alta tecnologia. As terras raras são usadas em ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas e equipamentos eletrônicos, enquanto o nióbio tem aplicação em ligas metálicas de alto desempenho.

Apesar do avanço financeiro, o projeto ainda não está em produção. A captação sinaliza avanço no desenvolvimento do ativo, mas não representa início imediato de produção.

Na última semana, a mineradora australiana divulgou que testes metalúrgicos iniciais demonstraram que o minério encontrado próximo à superfície pode ser beneficiado para gerar concentrados separados dos dois minerais críticos.

O principal resultado foi a produção de um concentrado com teor de até 40,2% de óxido de nióbio. Em outro teste, a companhia obteve teor de 39,6%, com recuperação de 54,3% do nióbio presente no minério.

Segundo a St George, os resultados são comparáveis aos alcançados por operações comerciais que processam mineralizações semelhantes às encontradas em Araxá. Nesse tipo de depósito, as taxas de recuperação normalmente variam entre 40% e 60%.

Os testes também indicaram a possibilidade de recuperar terras raras durante o processamento do nióbio. A companhia produziu uma corrente concentrada com teor de 15,7% de óxidos totais de terras raras.

O projeto, que ainda está em fase de desenvolvimento, vem sendo acompanhado de perto por empresas e governos estrangeiros.

A St George ainda precisa concluir estudos metalúrgicos, econômicos e de engenharia antes de tomar uma decisão sobre a construção da mina.

Lições para os próximos leilões do setor elétrico

17 June 2026 at 11:02

A contratação era necessária. O sistema elétrico brasileiro enfrenta um desafio que vai além da geração de energia: garantir potência disponível nos momentos em que a demanda atinge o pico e em que ocorre redução de produção de fontes renováveis. Com a expansão acelerada de fontes não controláveis, recursos energéticos que podem ser acionados quando necessários pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) tornam-se cada vez mais relevantes para assegurar o atendimento do consumo.

Foi para suprir essa lacuna que o governo realizou, em 18 e 20 de março, o Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP), contratando quase 19 GW de potência a partir de 100 empreendimentos.

A necessidade era incontestável. Nas conclusões do PEN 2025, o ONS é explícito: “No sentido de busca do equilíbrio estrutural em termos de atendimento aos requisitos de potência, é premente a realização de leilões anuais de reserva de capacidade na forma de potência, uma vez que os estudos do PEN 2024 já indicaram violação dos critérios de garantia de suprimento de potência em 2025, e os resultados do PEN 2025 mostram aprofundamento das violações com o decorrer dos anos avaliados.”

Havia urgência, e urgência tem preço.

A política pública precisa ser explicitada

Realizar o leilão era a decisão correta. Mas a ausência de clareza sobre os critérios que orientaram suas escolhas estruturais é um problema distinto que pode ser evitado no futuro se o formulador de política energética – o Ministério de Minas e Energia (MME) – dedicar mais atenção a este processo.

O MME tem prerrogativa para definir quanto contratar de cada tipo de usina, em que prazo e sob quais condições. Essa discricionaridade está prevista nos parâmetros de demanda da Portaria MME 118/2025 e é uma escolha de política pública legítima. O que falta é explicar o raciocínio adotado: Como foi feita a divisão entre produtos? Quais critérios guiaram a proporção entre fontes e tecnologias? O que explica a repentina e drástica revisão dos preços tetos? Houve avaliação das condições concorrenciais para disciplinar os preços de cada um dos produtos?

Sem essas respostas, surgem questionamentos compreensíveis sobre o certame. Investidores ficam sem referência para planejar empreendimentos futuros. Consumidores podem contestar se a política energética que balizou o leilão de fato atende aos seus interesses de curto e longo prazo e equilibra segurança de oferta com modicidade tarifária.

Essa falta de clareza pode comprometer a concorrência em certames futuros e encarecer a energia para o consumidor. Junto com as diretrizes e sistemática dos leilões, o MME deveria explicitar os seus objetivos e justificativas para os critérios adotados.

No Reino Unido, por exemplo, há o escrutínio de um painel independente de especialistas (Panel of Technical Experts – PTE) que avalia tecnicamente as decisões de política energética do Departamento de Segurança Energética e Carbono Zero (DESNZ) que balizam os leilões de capacidade. Este processo é documentado e a revisão de julho de 2025 está disponível em www.gov.uk/government/publications/neso-electricity-capacity-report-2025-findings-of-the-panel-of-technical-experts.

O atraso acumulado obrigou o governo a contratar um volume expressivo em um momento de alta demanda global por turbinas termelétricas, com reflexo direto nos preços. Parte relevante do custo do certame tem origem nesse histórico, e não apenas no desenho do leilão.

Os resultados pedem contexto

Os dados oficiais da CCEE revelam dinâmicas muito distintas entre os produtos leiloados. No leilão de 18 de março, que envolveu hidrelétricas, termelétricas a gás e a carvão mineral, o deságio geral foi de 5,52%, mas os oito produtos registraram deságios individuais que variaram de 0,01% (POTT-2027) a 13,57% (POTT-2031). No leilão de 20 de março, voltado a usinas a óleo e biodiesel, o deságio chegou a 50,14%. 

Tratar qualquer indicador agregado como medida uniforme de desempenho obscurece mais do que esclarece. A análise rigorosa exige desagregar os dados e ler cada resultado à luz das condições que o produziram: estrutura do edital, demanda a ser atendida, intensidade da competição por produto e condições das cadeias de suprimento globais. Só assim é possível identificar o que precisa ser corrigido e o que já funcionou.

Segurança jurídica acima de qualquer revisionismo

Após o leilão, o debate extrapolou o campo regulatório e entrou no terreno jurídico e legal. Um dos competidores pediu a anulação ou renegociação de rodadas ou de todo o processo por insatisfações pontuais, e membros do Congresso solicitaram esclarecimentos ao MME e acionaram diversas autoridades: Ministério Público, TCU e Cade.

Em relação à solicitação de um dos competidores, a literatura econômica é clara sobre os efeitos nocivos de renegociações ex-post. Bajari, Houghton e Tadelis (2014) mostram que a expectativa de revisão posterior distorce o comportamento dos agentes já na fase de lances, que adotam uma precificação agressiva inicial para assegurar a seleção no certame com a expectativa de negociar concessões posteriores. Guasch (2004), em estudo sobre concessões na América Latina, documenta como a recorrência de renegociações corrói a credibilidade dos processos e eleva o custo de capital nos certames seguintes.

E no que se refere ao envolvimento das autoridades, os aprendizados de março devem ser convertidos em aprimoramentos concretos, incluindo: (a) definir política energética com objetivos claros e bem embasados que permitem, inclusive, entender ex-post a dosimetria das quantidades contratadas de cada produto/fonte do leilão; e (b) evitar mudanças abruptas às vésperas do leilão.

Os aprimoramentos devem ser feitos, mas questionar contratos já assinados, com horizonte de 10 a 15 anos, não corrige o passado e apenas compromete o futuro. O revisionismo precisa ser evitado porque a qualidade dos ambientes regulatório e jurídico se constrói leilão a leilão, com coerência técnica, previsibilidade processual e segurança jurídica.

* Eduardo Müller Monteiro e Richard Hochstetler são diretor executivo e diretor regulatório do Instituto Acende Brasil 

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.

O abandono que o país escolhe manter nos trilhos

17 June 2026 at 11:00

A malha ferroviária brasileira é extremamente limitada em relação às dimensões do país. O Brasil tem apenas 3,6 km de ferrovia para cada 1.000 km² do território nacional, ocupando um modesto 10º lugar quando comparado com outros países, o que representa um décimo da densidade observada nos Estados Unidos.

Se considerarmos que dois terços das ferrovias brasileiras estão abandonadas ou subutilizadas temos, na verdade, apenas 1,2 km de ferrovia operando para cada 1.000 km² do território. Essa realidade nos coloca em uma posição vergonhosa no ranking mundial.

O abandono ou subutilização de trechos ferroviários é um problema histórico e sem perspectivas de solução. Na desestatização da malha operada pela RFFSA, realizada no final do século passado, foi adotado um modelo de concessão que tinha como objetivo maximizar a geração de outorga e, para isto, congelou a malha ferroviária no estado em que se encontrava.

O fluxo de caixa utilizado para calcular o valor da outorga previa apenas investimentos na manutenção das ferrovias ativas. O modelo não contemplava nenhum investimento na modernização ou recuperação dos trechos ferroviários que já se encontravam abandonados ou subutilizados pela estatal.

Os investimentos previstos para ampliação da capacidade e melhoria da segurança eram vinculados à evolução da demanda, traduzida nas metas de transporte. Estas metas, por sua vez, eram definidas com base no mercado atendido historicamente pelas ferrovias. Quanto aos trechos abandonados ou subutilizados, não houve nenhum diagnóstico e nenhuma proposta para reverter a sua condição.

Estes trechos não estavam abandonados por alguma razão subjetiva ou simples leniência. Eles se encontravam nesta situação porque não tinham demanda suficiente para justificar economicamente a sua exploração, seja porque exigiam grandes aportes de investimentos para sua inserção competitiva no mercado, seja pela falta de aderência de traçados construídos no final do século XIX à dinâmica da economia moderna.

Não foram as concessionárias que receberam a outorga no final dos anos 1990 que abandonaram a malha. Elas apenas mantiveram o status quo desses trechos conforme estava contemplado nos estudos técnicos que orientaram o processo de concessão.

O processo recente de renovação das concessões ferroviárias seria a oportunidade para encaminhar uma solução para o problema das ferrovias que só servem para criar uma ilusão de ótica sobre o tamanho real da malha. No entanto, utilizamos novamente o momento para aperfeiçoar o modelo de extração de valor das ferrovias para contribuir com o equilíbrio das contas públicas, desonerando o Estado de construir novas ferrovias, mas deixando de lado as ações para modernização da malha existente.

Além de fazer um plano de negócios que maximiza o pagamento de outorga, pretende-se engordar a arrecadação com a indenização pela degradação da infraestrutura abandonada. Na maior parte dos casos, essa malha foi concedida já degradada e sua recuperação não estava contemplada no estudo de viabilidade original.

O mais grave ainda é a falta de uma avaliação racional sobre quais trechos ainda possuem interesse estratégico para atendimento das necessidades de movimentação de cargas e do deslocamento das pessoas e quais são definitivamente descartáveis. Reabilitar ramais por mero apego geográfico é um erro, a decisão deve se basear na real necessidade de atendimento de demanda e na relação custo-benefício social e econômico-financeiro. Alguns trechos são ligações estruturantes importantes, mas exigem investimentos pesados em traçado e bitola, para se conectar à malha moderna, e só se viabilizam com aporte de recursos públicos.

O Brasil precisa expandir sua malha construindo novas ferrovias em regiões desatendidas, mas precisa, também, avaliar estrategicamente os trechos importantes para a logística nacional. Não estamos falando de parte desprezível, trata-se de dois terços das nossas ferrovias. Algumas delas podem cumprir papel fundamental no atendimento às necessidades logísticas, especialmente no abastecimento do mercado interno, mas precisam de um modelo de parceria público privada que garanta a viabilidade econômica e financeira do investimento.

Podemos ter uma malha ferroviária ampla, abrangente e num padrão compatível com o século XXI. Para isso, precisamos separar o que é ativo economicamente viável, com e sem participação pública, do que é passivo antieconômico irrecuperável. O planejamento deve criar condições para viabilizar os investimentos nos trechos deficitários da malha ferroviária, que se justificam pelo interesse público em atender as necessidades do país, e construir novos eixos, direcionando o escasso recurso público de forma cirúrgica para gerar atratividade ao capital privado, sem malabarismos arrecadatórios que desviam recursos para outras finalidades.

* Bernardo Figueiredo, é economista, com pós-graduação em Análise de Elaboração de Projetos e mais de 50 anos de experiência na área de transportes.

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Após longas reuniões, governo e relator fecham acordo sobre MP do Frete

17 June 2026 at 08:00

Após um dia de negociações e mudanças de posição, o governo federal e o deputado Zé Trovão (PL-SC), relator da medida provisória que estabelece regras para o pagamento do piso mínimo do frete, chegaram a um novo acordo sobre o texto. 

Com isso, a expectativa é que a proposta seja votada na comissão mista da MP e no plenário do Congresso ainda nesta quarta-feira (17).

A intenção inicial do relator era concluir a tramitação da matéria na Câmara dos Deputados já na terça-feira (16), porém a reunião da comissão mista precisou ser cancelada após pedidos de ajustes no relatório por parte do governo. 

Na segunda-feira (15), Zé Trovão apresentou o relatório a representantes dos transportadores, caminhoneiros autônomos e do setor produtivo. Após a reunião, o parlamentar também se encontrou com integrantes do governo federal, que deram aval à versão apresentada, segundo apuração da CNN.

No entanto, na manhã de terça-feira, o Executivo voltou atrás e pediu alterações no texto. O principal ponto de divergência envolvia os dispositivos de anistia relacionados a multas. Também houve questionamentos sobre regras de contratação da categoria e sobre seguros, mas esses trechos acabaram mantidos.

Ao longo do dia, Zé Trovão e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, permaneceram em negociações para construir uma nova versão que atendesse tanto ao governo quanto ao relator. O acordo foi fechado apenas por volta das 22h.

A principal mudança em relação ao relatório apresentado na segunda-feira foi a reformulação do dispositivo que tratava das punições aplicadas a caminhoneiros envolvidos nos bloqueios de rodovias realizados após as eleições de 2022. 

Na primeira versão, o texto previa uma anistia ampla, abrangendo multas, processos e condenações relacionados às manifestações. No novo relatório, a anistia foi restringida apenas às multas aplicadas em decorrência daqueles atos.

Outra alteração foi a inclusão de dispositivos relacionados a multas por excesso de peso por eixo, ampliando o escopo das infrações que poderão ser alcançadas pelas novas regras.

O relatório também reforça o Procargas, programa já previsto na versão anterior. A nova redação detalha medidas voltadas à renovação de frota, capacitação profissional e modernização logística.

O texto mantém integralmente a possibilidade de sindicatos e cooperativas instalarem pontos próprios de abastecimento e adquirirem combustíveis diretamente da cadeia de distribuição. O tema ganhou destaque nas negociações.

A intenção de Trovão é aprovar o texto também  no Senado ainda nesta semana levando em consideração o curto prazo para o vencimento da MP – o texto caduca no dia 16 de julho. 

O receio do relator é que caso a votação seja novamente adiada não haja tempo hábil para essa apreciação já que na próxima semana não terá sessão do Congresso Nacional e, depois disso, estará muito próximo do recesso parlamentar, marcado para 20 de julho.

Mercado tem incorporado o risco dos projetos de energia renovável

17 June 2026 at 00:20

Os cortes na geração de energia eólica e solar determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), prática conhecida como “curtailment”, estão alterando a percepção de risco dos investidores sobre os projetos de energia renovável no Brasil. O efeito tem sido sentido tanto no valor de mercado das empresas quanto na capacidade de captação de recursos, segundo avaliação do chefe de banco de investimento do UBS BB, Anderson Brito.

Em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN, o executivo afirmou que o mercado passou a incorporar esse novo risco na precificação dos ativos de geração renovável, especialmente nos segmentos eólico e solar.

Segundo o executivo, embora o risco de construção dos empreendimentos hoje seja maior do que há pouco mais de uma década, a principal preocupação dos investidores está relacionada ao desempenho operacional dos ativos, incluindo o ambiente de contratação da energia, o risco de despacho e o volume efetivamente gerado e comercializado.

“O nível de taxa de desconto em solar e eólica está aumentando se comparado com plantas de hidrelétricas”, afirmou.

Na prática, uma taxa de desconto maior reduz o valor presente dos fluxos de caixa futuros dos projetos, pressionando a avaliação das empresas e tornando mais difícil a obtenção de financiamento ou novos investimentos.

O tema ganhou relevância nos últimos anos com o aumento dos episódios de “curtailment”. Os cortes ocorrem quando o ONS determina a redução da geração de determinadas usinas para preservar a segurança e a estabilidade do sistema elétrico. Embora a energia deixe de ser produzida por decisão operacional do sistema, os empreendedores alegam perda de receita e defendem compensações financeiras.

O mercado não fala ainda de casos de insolvência relacionados ao problema, mas algumas empresas já enfrentam dificuldades financeiras decorrentes da redução de receitas e quebra de covenants (descumprimento de condições ou cláusulas restritivas estabelecidas em contratos de financiamento).

Os dados mais recentes apontam prejuízos acumulados que ultrapassam R$ 4 bilhões. Diante desse cenário, as empresas aguardam uma solução do governo federal por meio de um termo de compromisso que estabeleça mecanismos de ressarcimento pelas perdas sofridas.

Caso a compensação seja efetivamente implementada, o custo deverá ser repassado aos consumidores de energia. Isso porque o ressarcimento tende a ocorrer por meio do ESS (Encargo de Serviços do Sistema), mecanismo utilizado para cobrir custos associados à operação do sistema elétrico e que é pago pelos consumidores nas tarifas de energia.

Energia seguirá como carro-chefe de fusões e aquisições no Brasil, diz UBS

17 June 2026 at 00:10

O setor de energia deverá continuar como o principal motor do mercado de fusões e aquisições (M&As) no Brasil nos próximos anos. A avaliação é do chefe de banco de investimento do UBS BB, Anderson Brito, que destaca a relevância do segmento para investidores locais e estrangeiros e o volume de oportunidades em áreas como energia elétrica, saneamento e óleo e gás.

Segundo o executivo, o chamado segmento de “power and utilities” (que engloba energia elétrica, saneamento e óleo e gás) respondeu por aproximadamente 40% do volume total de fusões e aquisições registradas no país na última década.

“Em 2025, tivemos por volta de US$ 50 bilhões de M&As para o país. E o setor de energia, incluindo power and utilities e óleo e gás, teve 40% deste volume. Algo em torno de R$ 120 bilhões”, afirmou em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Para Brito, o protagonismo do setor é sustentado pela soma de grandes grupos internacionais já estabelecidos no país com empresas brasileiras com forte atuação. Entre os investidores globais, ele cita Iberdrola, Enel, EDF, EDP, State Grid e China Three Gorges (CTG). Do lado nacional, destaca companhias como Eneva, Áxia (antiga Eletrobras) e Equatorial.

O executivo afirma que a atividade permanece aquecida em 2026, não apenas em fusões e aquisições, mas também em operações de mercado de capitais e financiamentos.

“Quando olhamos os números de 2026 em relação aos de 2025, vemos transações relevantes, do ponto de vista de fusões e aquisições, mas também de ‘equity’ e ‘capital markets’. Há várias transações sendo precificadas e mais ainda do ponto de vista de dívida local e dívida internacional”, disse.

Na visão do banqueiro, o Brasil segue sendo um destino relevante para investidores estrangeiros, apesar de desafios ligados à volatilidade jurídica e cambial. “Para investidor internacional, o Brasil é uma geografia relevante, previsível, mas que tem alguma volatilidade, principalmente do ponto de vista jurídico e taxa de câmbio”, afirmou.

Maior atratividade

Entre os segmentos com maior potencial, Brito acredita que as hidrelétricas continuarão atraindo interesse de investidores devido à previsibilidade operacional, ao histórico consolidado da tecnologia e à presença de diversos grupos globais especializados nesse tipo de ativo.

Recentemente a EDP vendeu três hidrelétricas e a Engie aprovou a oferta de ações para adquirir parte da hidrelétrica de Jirau.

O setor de óleo e gás também permanece no radar. O executivo cita movimentos recentes, como a aquisição do controle da Brava pela Ecopetrol e a compra da operação da Raízen na Argentina pela Mercuria, como exemplos de um mercado que continua dinâmico diante do cenário global do petróleo.

Saneamento segue ativo

No saneamento, a expectativa também é de forte atividade nos próximos anos. Segundo Brito, o país possui um volume expressivo de investimentos já contratados e um ambiente favorável para novos projetos.

“Temos um nível de capex de saneamento contratado para o Brasil de aproximadamente R$ 900 bilhões para os próximos seis ou sete anos e o nível de penetração de saneamento ainda é baixo no subsegmento. Além disso, há várias privatizações vindo no pipeline e privatizações bem-sucedidas, como Sabesp e Copasa”, afirmou.

De acordo com o executivo, o segmento conta ainda com fatores que reforçam a atratividade para investidores, como a disponibilidade de financiamento, o apoio governamental e o fortalecimento do ambiente regulatório.

“Existe um apetite dos bancos para dar financiamento no subsegmento, existe apoio do governo e um ambiente regulatório mais robusto”, concluiu.

Lula cobra industrialização de países com minerais críticos no G7

16 June 2026 at 20:02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (16), que países detentores de minerais críticos participem das etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva, com industrialização, transferência de tecnologia e formação de capacidades nacionais.

A declaração foi feita durante participação na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, em um momento em que as principais economias avançadas discutem formas de reduzir a dependência da China no fornecimento e no processamento de insumos estratégicos para as transições energética e digital.

“As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores. Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais”, afirmou Lula.

A fala funciona como um recado direto aos países ricos, que têm buscado ampliar o acesso a reservas de lítio, níquel, cobre, terras raras, grafite e outros minerais considerados essenciais para baterias, carros elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos militares e tecnologias de ponta.

Nos últimos meses, o G7 intensificou as discussões para criar mecanismos de cooperação voltados à segurança de suprimento de minerais críticos.

A estratégia tem como pano de fundo a forte concentração da China em etapas de processamento, refino e produção de componentes industriais, especialmente no caso das terras raras e dos ímãs permanentes.

O Brasil, porém, tem defendido que a diversificação das cadeias globais não pode se limitar à substituição de fornecedores chineses por novos exportadores de matéria-prima.

Na avaliação do governo brasileiro, acordos internacionais no setor precisam incluir investimento produtivo, processamento local e agregação de valor nos países que detêm as reservas minerais.

A posição brasileira é de que os minerais críticos devem ser tratados como ferramenta de desenvolvimento industrial e diplomacia econômica.

O governo tem repetido, em negociações com Estados Unidos, União Europeia e países asiáticos, que o país não pretende apenas vender minério bruto, mas atrair etapas de beneficiamento, refino, separação e transformação industrial.

Essa diretriz aparece em acordos e memorandos firmados ou negociados pelo Brasil com países como Índia, Arábia Saudita e Coreia do Sul.

Em comum, esses instrumentos buscam ampliar a cooperação em minerais críticos, tecnologia, pesquisa, transição energética e cadeias produtivas de maior valor agregado.

A cobrança de Lula também ocorre em meio à tramitação, no Brasil, de uma nova política nacional para minerais críticos e estratégicos.

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados e em análise no Senado amplia o papel do Estado na coordenação do setor, cria um conselho ligado à Presidência da República e prevê instrumentos para estimular a industrialização em território nacional.

Entre os pontos centrais da proposta está a possibilidade de o governo definir projetos prioritários e estabelecer requisitos ou compromissos de agregação de valor associados à produção e à exportação de minerais críticos.

A ideia é evitar que o Brasil permaneça apenas na etapa inicial da cadeia, como fornecedor de insumos estratégicos para a indústria de outros países.

O tema ganhou força porque minerais críticos passaram a ser vistos como ativos geopolíticos.

Países desenvolvidos querem cadeias mais seguras e menos expostas a restrições comerciais, enquanto países detentores de reservas buscam capturar uma fatia maior dos ganhos econômicos gerados pela transição energética.

No caso brasileiro, o governo avalia que o país reúne três vantagens competitivas: reservas minerais relevantes, disponibilidade de energia renovável e autonomia diplomática para negociar com diferentes blocos econômicos.

A aposta é usar esses fatores para atrair investimentos e evitar uma nova rodada de dependência externa baseada apenas na exportação de commodities.

 

Copasa: contrato com BH viabiliza investimentos em municípios de Minas

16 June 2026 at 19:35

A presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, garantiu em entrevista à CNN nesta terça-feira (16) que a companhia de esgoto recém-privatizada levará os investimentos necessários a todos os municípios de Minas Gerais.

A Copasa fornece serviços a 636 municípios mineiros e o processo de privatização levou a questionamentos de alguns prefeitos, com receios de que a desestatização poderia deixar os municípios menores e menos lucrativos desatendidos.

“É importante a gente lembrar qual é o modelo regulatório de Minas Gerais, que é o modelo discricionário. Ele traz o conceito de ‘subsídio cruzado’, exatamente para que municípios como Belo Horizonte, em que já renovamos o contrato até 2073 e é um pilar financeiro muito importante para a companhia, possa garantir os investimentos necessários em todos os municípios do estado de Minas Gerais que atuamos”, afirmou.

Até o momento, mais de 600 prefeituras ainda não assinaram aditivos ou renovações até 2073.

Segundo Marília Carvalho de Melo, há um ponto na legislação que garante aos municípios os instrumentos necessários para serem atendidos com os serviços de água e esgoto necessários.

“O artigo 14 da lei de saneamento nos traz essa oportunidade de conversão dos contratos de programa para contratos de concessão e isso é muito importante para a segurança dos próprios municípios na garantia do atingimento das metas do marco [de saneamento], que a gente deve lembrar que é uma obrigação dos municípios. A Copasa é uma ferramenta para a obtenção dessas metas. Os contratos novos trazem metas muito específicos de garantia”, declarou.

O Novo Marco Legal do Saneamento Básico, aprovado e sancionado em 2020, estabelece metas de universalizar os serviços de água potável a 99% da população e de coleta e tratamento de esgoto a 90% até 2033.

“Desde que eu cheguei à companhia, nós estamos em diálogos muito próximos com todos os prefeitos, a associação mineira dos municípios e tivemos uma mesa de negociação muito relevante no Tribunal de Contas de Minas Gerais para municípios em que a gente opera água e não opera esgoto. E a gente retoma agora [as conversas], após o precesso de desestatização”, disse.

“Temos prazo até setembro para que essa conversão seja feita e nesse diálogo com transparência com os município”, concluiu.

Perfin amplia fatia na Copasa e vira segunda maior acionista da companhia

16 June 2026 at 18:01

A gestora Perfin ampliou sua participação na Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), ultrapassando os 20% e se tornou a segunda maior acionista da companhia mineira, ficando atrás apenas da Equatorial.

Com a ampliação, a empresa agora tem 20,11% do capital da Copasa. Anteriormente, a fatia era de 15,25%.

Segundo Fato Relevante, a ampliação ocorre após a compra de 1.077.500 ações ordinárias de emissão da Copasa.

Agora, a divisão acionária da Copasa fica da seguinte forma:  

  • Equatorial (30%)
  • Governo de Minas Gerais (5%)
  • Demais acionistas (65%)

Nesta terça-feira (16), a Copasa realizou a cerimônia de toque de campainha, realizado nesta terça (16), na B3, em São Paulo, dando fim ao processo de desestatização da estatal.

Na última quinta-feira (11), a Equatorial divulgou que foi confirmada como investidor ​de referência selecionado na oferta pública de distribuição secundária de ações da companhia mineira de água e esgoto à sua controlada Gerais Saneamento.

Após vencer o processo de privatização, o CEO da Equatorial, Augusto Miranda, afirmou que com a aquisição a empresa irá acelerar os investimentos buscando a universalização completa dos serviços até 2033, ano limite determinado pelo Marco Legal do saneamento.

“Acreditamos no saneamento como instrumento de transformação (…) vamos acelerar a universalização,  ampliar os investimentos”, afirmou.

No início do mês, a Equatorial venceu a disputa pela estatal mineira após ser a única proponente, já que a Aegea não apresentou nova oferta.

O valor oferecido foi de R$49,03 por ação, diante do preço mínimo definido pela Copasa de R$ 47,23 por ação, um superávit de quase R$ 2.

O governo mineiro tinha 50% da Copasa e passou a deter 5% e terá o poder de veto (golden share) em decisões.

“Vamos acelerar a universalização”, diz CEO da Equatorial sobre Copasa

16 June 2026 at 15:59

Após vencer o processo de privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), o CEO da Equatorial, Augusto Miranda, afirmou que com a aquisição a empresa irá acelerar os investimentos buscando a universalização completa dos serviços até 2033, ano limite determinado pelo Marco Legal do saneamento.

A fala ocorreu durante a cerimônia de toque de campainha, realizado nesta terça (16), na B3, em São Paulo.

Na última quinta-feira (11), a companhia divulgou que foi confirmada como investidor ​de referência selecionado na oferta pública de distribuição secundária de ações da companhia mineira de água e esgoto à sua controlada Gerais Saneamento.

“Acreditamos no saneamento como instrumento de transformação (…) vamos acelerar a universalização,  ampliar os investimentos”, afirmou.

Sancionado em 2023, o marco já ultrapassou metade do prazo, espalhando dúvidas sobre a capacidade de alcance das metas fixadas até 2033.

O Novo Marco Legal do Saneamento estipulou que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.

No início do mês, a Equatorial venceu a disputa pela estatal mineira após ser a única proponente, já que a Aegea não apresentou nova oferta.

O valor oferecido foi de R$49,03 por ação, diante do preço mínimo definido pela Copasa de R$ 47,23 por ação, um superávit de quase R$ 2.

O governo mineiro tinha 50% da Copasa e agora passa a deter 5% e terá o poder de veto (golden share) em decisões.

Ainda segundo o executivo, a privatização irá abrir “um novo capítulo” para a companhia, mencionando que “o melhor ainda está por vir”.

A operação de privatização representou um dos movimentos mais relevantes do setor de infraestrutura desde a privatização da Sabesp e reforça a estratégia do grupo de ampliar sua atuação além do segmento de energia elétrica.

O processo se tornou a segunda maior privatização do setor de saneamento no Brasil feita em bolsa, atrás apenas do processo da companhia paulista, em 2024, que movimentou quase R$ 15 bilhões.

Após IPO nos EUA, mineradora acelera projeto de terras raras na Bahia

16 June 2026 at 15:45

A Rare Earths Americas, mineradora de terras raras com projetos nos Estados Unidos e no Brasil, contratou a consultoria global Hatch para avançar nos estudos técnicos do projeto Alpha, ativo de terras raras localizado na Bahia.

A contratação ocorre pouco mais de um mês depois de a companhia concluir uma oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos, na qual levantou aproximadamente US$ 63,3 milhões em recursos brutos. As ações da empresa começaram a ser negociadas na NYSE American em maio.

Segundo comunicado ao mercado, a Hatch ficará responsável pela avaliação inicial do Alpha. O estudo terá foco em plano inicial de lavra, metalurgia, infraestrutura, visão geral do licenciamento e economia do projeto.

A primeira fase da avaliação deve ser concluída em 6 a 8 semanas. Já a avaliação inicial completa está prevista para o início de 2027.

A empresa também informou que pretende avançar, em paralelo, em etapas preparatórias para um futuro estudo de pré-viabilidade, conhecido como PFS. A Rare Earths Americas planeja perfurar 13.400 metros no projeto Alpha ao longo do restante do ano.

O objetivo da campanha de sondagem é elevar a classificação dos recursos minerais de inferido para medido e indicado, categorias de maior confiança geológica.

O projeto Alpha é um ativo de terras raras em argilas iônicas localizado na Bahia. Segundo dados da companhia, o projeto reúne 36 licenças e mais de 496 km² de áreas, com recurso mineral estimado em 201,7 milhões de toneladas.

A empresa afirma que neodímio, praseodímio, disprósio e térbio representam mais de 24% dos óxidos contidos no projeto. Esses elementos são usados na cadeia de ímãs permanentes de alto desempenho, com aplicações em veículos elétricos, turbinas eólicas, defesa, eletrônicos e robótica.

Em comunicado, o CEO da Rare Earths Americas, Donald Swartz, afirmou que a contratação da Hatch representa um passo “crítico” para acelerar o desenvolvimento do Alpha.

“Com a intensificação da demanda global por fontes seguras de terras raras pesadas fora da China, estamos avançando com urgência e disciplina”, disse.

Apesar do avanço, o projeto ainda está em fase de estudos. Etapas como pré-viabilidade, engenharia, licenciamento, testes metalúrgicos e definição de rota de processamento ainda serão necessárias antes de uma eventual decisão de investimento.

A Rare Earths Americas se apresenta como uma companhia em estágio de exploração, voltada ao desenvolvimento de um portfólio de ativos de terras raras pesadas nos Estados Unidos e no Brasil.

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