El Niño leva ONS a poupar reservatórios do Sul para garantir suprimento
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) está preparando uma estratégia para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre o setor elétrico brasileiro, com foco na preservação dos reservatórios da região Sul para garantir o atendimento da demanda de potência nos meses mais críticos do ano.
Durante participação no Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), o diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, disse que a principal preocupação da entidade é um eventual atraso das chuvas na região Norte, onde estão localizadas hidrelétricas consideradas estruturantes para o sistema, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.
Segundo ele, dependendo da intensidade e da configuração do fenômeno climático, a redução das afluências nessas usinas pode comprometer a disponibilidade de potência justamente no período de transição entre a estação seca e o início das chuvas.
“A principal preocupação com o El Niño (…) é atrasar a chuva na região Norte do país, onde estão os projetos estruturantes”, afirmou.
Para enfrentar esse cenário, o operador pretende preservar ao máximo os reservatórios considerados estratégicos para o atendimento da ponta de carga, especialmente na Região Sul.
“A gente trabalha já com o que aprendeu ao longo desde o final de 2020 e a crise de 2021, que é deixar posicionados e resguardados os reservatórios estratégicos para atendimento de potência”, disse.
De acordo com Zucarato, o objetivo é manter os reservatórios do Sul o mais cheios possível até a aproximação do período chuvoso. A estratégia busca preservar a capacidade de geração justamente nos momentos de maior necessidade do sistema.
Segundo Zucarato, se as condições hidrológicas exigirem, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) poderá autorizar o despacho de usinas fora da ordem de mérito econômico para preservar os reservatórios considerados estratégicos.
A estratégia envolve especialmente a gestão dos estoques nas bacias dos rios Grande e Paranaíba, que influenciam diretamente a geração de importantes usinas do sistema, como Itaipu.
“A chuva não vai fazer o reservatório subir mais por causa do volume, mas ajuda o reservatório a andar de lado, o que é ótimo para não descer”, afirmou.