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El Niño virá mais forte; veja impactos e áreas que devem ser mais afetadas

13 June 2026 at 12:00

Cientistas da NOAA (Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera), principal agência climática dos Estados Unidos, confirmaram oficialmente o retorno do El Niño. O fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e as projeções indicam que ele pode se intensificar significativamente nos próximos meses, com potencial para se tornar um episódio de forte intensidade histórica.

De acordo com um relatório divulgado na manhã desta quinta-feira (11), a NOAA aponta uma probabilidade de 60% de que o El Niño atinja intensidade forte até o final do ano, o que representa um agravamento considerável das previsões climáticas globais.

O que é o El Niño e como ele se desenvolve

O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes explicou que o El Niño consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico na região equatorial central. “Quando essa temperatura fica acima de meio grau, numa média de 30 anos, e durante três meses, caracteriza-se o início do El Niño”, afirmou.

Atualmente, a temperatura da região está 0,7°C acima da média histórica, configurando um evento de fraca intensidade, mas com tendência de crescimento. Segundo Pedro Côrtes, essa temperatura pode ultrapassar 2°C nos próximos seis meses, o que caracterizaria um El Niño forte.

Impactos esperados no Brasil

Pedro Côrtes destacou que os efeitos do fenômeno no Brasil seguem um padrão bem definido: aumento das chuvas na região Sul, tendência de secas no Norte e no Nordeste, e risco elevado de incêndios florestais no Centro-Oeste.

“Houve episódios, como recentemente, onde nós tivemos com o El Niño as enchentes no Rio Grande do Sul e secas históricas na Amazônia”, recordou o analista, citando rios que ficaram com volume de água drasticamente reduzido, isolando comunidades inteiras e causando mortes de animais.

O analista também alertou que o aquecimento global potencializa os efeitos do El Niño, independentemente da intensidade do fenômeno. “A gente não precisa ter um El Niño forte para que as consequências sejam exacerbadas em função do aquecimento global”, disse Pedro Côrtes.

Ele lembrou que a tragédia no Rio Grande do Sul, em abril de 2024, ocorreu quando o El Niño já estava em fase de enfraquecimento, o que demonstra a gravidade dos impactos mesmo fora do pico do fenômeno.

Fator que pode moderar os efeitos no Brasil

Pedro Côrtes apontou um elemento que pode ajudar a reduzir a intensidade dos impactos no país: Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês), fenômeno que alterna fases de águas quentes e frias no norte do Oceano Pacífico ao longo de décadas.

“Nós estamos numa fase fria e quando essa fase fria ocorre, nós não temos um evento tão forte para o Brasil”, explicou. Ainda assim, o analista foi categórico: “De qualquer forma, a gente vai enfrentar problemas com ele.”

Mais de 8 milhões vivem em áreas de risco

O pesquisador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) Giovanni Dolif alertou que o Brasil conta com mais de 8,5 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco, muitas das quais sequer têm conhecimento dessa situação. “Muitas dessas pessoas não têm noção de que vivem em uma área de risco”, afirmou.

Ele recomendou que a população busque informações junto à Defesa Civil para identificar o tipo de risco ao qual está exposta — seja inundação ou deslizamento de terra — e saiba como agir diante de alertas. Giovanni Dolif destacou ainda que a pressão da sociedade sobre as autoridades contribui para acelerar ações preventivas.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Presidência da COP30 apresenta premissas do Mapa do Caminho na Europa

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A Presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) compartilhou nesta sexta-feira (12), em reunião aberta em Bonn, na Alemanha, os elementos centrais do Mapa do Caminho internacional proposto para a transição energética.

Entre as quatro premissas definidas está a necessidade de atribuir responsabilidades diferenciadas a grupos sociais distintos, minimizando os impactos sobre as comunidades e trabalhadores dependentes de combustíveis fósseis.

Notícias relacionadas:

Presidida pelo Brasil, a COP30 foi realizada em Belém, no Pará, em novembro do ano passado, e pretende deixar o guia para a transição energética como legado. O documento será lançado antes da 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31), na cidade de Antália, Turquia, de 9 a 20 de novembro.

Foram apresentados na cidade alemã os resultados de uma consulta pública que colheu contribuição para o plano, que busca a substituição dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e equitativa.

A ideia é acelerar a transição energética nesta década crítica, de modo a alcançar emissões líquidas zero até 2050. Esse patamar significa que as emissões vão ser absorvidas de forma duradoura pela natureza e por outras medidas de remoção de dióxido de carbono da atmosfera, de modo que a concentração desse gás não continue a aumentar.

Segundo a Presidência da COP30, o Mapa do Caminho será direcionado por quatro premissas principais:

  • "Refletir as circunstâncias nacionais diversas, incluindo diferentes níveis de desenvolvimento socioeconômico, acesso à energia, dependência de combustíveis fósseis, capacidade de transição, entre outros, sem recorrer a categorizações simplistas;
  • "Ser uma ferramenta não prescritiva, flexível e orientada à implementação prática, criando impulso para roteiros nacionais e permitindo trajetórias determinadas nacionalmente e específicas para cada país";
  • "Propor um marco/conjunto de princípios que avalie a dependência de combustíveis fósseis e a prontidão para a transição dos países de forma multidimensional, incluindo indicadores energéticos, econômicos, institucionais e sociais";
  • ⁠"Incorporar abordagens de transição justa, responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e respectivas capacidades, inclusividade, saúde, gênero, povos indígenas e direitos humanos, assegurando ampla aceitação social e minimizando os impactos sobre as comunidades e trabalhadores dependentes de combustíveis fósseis".

Ainda de acordo com a Presidência da COP30, as barreiras nacionais e internacionais à transição energética se dividem em quatro grandes temas, cada um com questões específicas a serem tratadas:

  • econômicas e financeiras;
  • tecnológicas e de infraestrutura;
  • institucionais e de governança;
  • sociais e políticas.

Consulta pública

A proposta recebeu contribuições de 115 países e 247 atores não estatais. Segundo a Presidência da COP30, o nível de engajamento foi acima do esperado para uma iniciativa lançada há apenas seis meses.

As consultas realizadas até agora indicam que o mapa do caminho deverá se concentrar menos em metas uniformes e mais nos obstáculos concretos que dificultam a transição, como dependência fiscal do petróleo, subsídios aos combustíveis fósseis, acesso a financiamento, desenvolvimento industrial e proteção de trabalhadores e comunidades dependentes do setor. 

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, lembrou que a recente crise geopolítica no Oriente Médio mostrou com muita clareza como os combustíveis fósseis estão ligados a vulnerabilidades, e que é preciso lidar com isso no caminho global.

"A grande vantagem da implementação é que temos muito mais liberdade para implementar do que para negociar. A negociação exige consenso; a implementação não", diz o diplomata.

Presidência da COP30 apresenta premissas do Mapa do Caminho na Europa

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A Presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) compartilhou nesta sexta-feira (12), em reunião aberta em Bonn, na Alemanha, os elementos centrais do Mapa do Caminho internacional proposto para a transição energética.

Entre as quatro premissas definidas está a necessidade de atribuir responsabilidades diferenciadas a grupos sociais distintos, minimizando os impactos sobre as comunidades e trabalhadores dependentes de combustíveis fósseis.

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Presidida pelo Brasil, a COP30 foi realizada em Belém, no Pará, em novembro do ano passado, e pretende deixar o guia para a transição energética como legado. O documento será lançado antes da 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31), na cidade de Antália, Turquia, de 9 a 20 de novembro.

Foram apresentados na cidade alemã os resultados de uma consulta pública que colheu contribuição para o plano, que busca a substituição dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e equitativa.

A ideia é acelerar a transição energética nesta década crítica, de modo a alcançar emissões líquidas zero até 2050. Esse patamar significa que as emissões vão ser absorvidas de forma duradoura pela natureza e por outras medidas de remoção de dióxido de carbono da atmosfera, de modo que a concentração desse gás não continue a aumentar.

Segundo a Presidência da COP30, o Mapa do Caminho será direcionado por quatro premissas principais:

  • "Refletir as circunstâncias nacionais diversas, incluindo diferentes níveis de desenvolvimento socioeconômico, acesso à energia, dependência de combustíveis fósseis, capacidade de transição, entre outros, sem recorrer a categorizações simplistas;
  • "Ser uma ferramenta não prescritiva, flexível e orientada à implementação prática, criando impulso para roteiros nacionais e permitindo trajetórias determinadas nacionalmente e específicas para cada país";
  • "Propor um marco/conjunto de princípios que avalie a dependência de combustíveis fósseis e a prontidão para a transição dos países de forma multidimensional, incluindo indicadores energéticos, econômicos, institucionais e sociais";
  • ⁠"Incorporar abordagens de transição justa, responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e respectivas capacidades, inclusividade, saúde, gênero, povos indígenas e direitos humanos, assegurando ampla aceitação social e minimizando os impactos sobre as comunidades e trabalhadores dependentes de combustíveis fósseis".

Ainda de acordo com a Presidência da COP30, as barreiras nacionais e internacionais à transição energética se dividem em quatro grandes temas, cada um com questões específicas a serem tratadas:

  • econômicas e financeiras;
  • tecnológicas e de infraestrutura;
  • institucionais e de governança;
  • sociais e políticas.

Consulta pública

A proposta recebeu contribuições de 115 países e 247 atores não estatais. Segundo a Presidência da COP30, o nível de engajamento foi acima do esperado para uma iniciativa lançada há apenas seis meses.

As consultas realizadas até agora indicam que o mapa do caminho deverá se concentrar menos em metas uniformes e mais nos obstáculos concretos que dificultam a transição, como dependência fiscal do petróleo, subsídios aos combustíveis fósseis, acesso a financiamento, desenvolvimento industrial e proteção de trabalhadores e comunidades dependentes do setor. 

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, lembrou que a recente crise geopolítica no Oriente Médio mostrou com muita clareza como os combustíveis fósseis estão ligados a vulnerabilidades, e que é preciso lidar com isso no caminho global.

"A grande vantagem da implementação é que temos muito mais liberdade para implementar do que para negociar. A negociação exige consenso; a implementação não", diz o diplomata.

Aquecimento global chegou a 1,37 ºC em 2025

12 June 2026 at 00:20
O Acordo de Paris, que definia limite do aquecimento global em 1,5°C em relação à época pré-industrial, vai ser ultrapassado nos próximos quatro anos. 2025 foi terceiro ano mais quente de sempre.

© BARBARA WALTON/EPA

O aquecimento global atingiu os 1,37°C em 2025, revelou o relatório da Terra Copernicus

Aquecimento global chegou a 1,37 ºC em 2025

12 June 2026 at 00:20
O Acordo de Paris, que definia limite do aquecimento global em 1,5°C em relação à época pré-industrial, vai ser ultrapassado nos próximos quatro anos. 2025 foi terceiro ano mais quente de sempre.

© BARBARA WALTON/EPA

O aquecimento global atingiu os 1,37°C em 2025, revelou o relatório da Terra Copernicus

Carbono azul ganha espaço na agenda climática dos oceanos

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Na corrida para frear as emissões causadoras do aquecimento global, ambientalistas chamam a atenção para um aliado pouco lembrado: o "carbono azul". No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta segunda-feira (8), especialistas destacam o papel dos ecossistemas costeiros no enfrentamento das mudanças climáticas.

O conceito de carbono azul se refere ao dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado por ambientes marinhos, como manguezais, marismas (pântanos de água salgada) e pradarias. Esses ambientes funcionam como sumidouros do gás carbônico, ao retirá-lo da atmosfera, reduzindo os impactos do aquecimento global.

Notícias relacionadas:

“O oceano absorve cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produz mais da metade do oxigênio que respiramos, de acordo com dados da SOS Oceano”, diz Natali Piccolo, diretora do Programa Costeiro Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil).

“A Amazônia é comumente chamada de ‘pulmão do mundo’, mas o oceano cumpre o equivalente a esse papel. O que não descarta, claro, a importância da floresta tropical na regulação do clima”, completa.

Além disso, essas vegetações costeiras fornecem abrigo para a biodiversidade, sustentam a pesca artesanal e ajudam a proteger comunidades costeiras contra erosão, ressacas e eventos climáticos extremos.

 

Paranaguá (PR), 18/05/2026 – Manguezal na Baía de Paranaguá, área da Grande Reserva da Mata Atlêntica, onde ocorre monitoramento por pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Paranaguá (PR), 18/05/2026 – Manguezal na Baía de Paranaguá, área da Grande Reserva da Mata Atlêntica, onde ocorre monitoramento por pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Manguezal na Baía de Paranaguá, área da Grande Reserva da Mata Atlântica, onde ocorre monitoramento por pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Costa brasileira

O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, na costa da Amazônia, condição que coloca o país em posição estratégica para liderar soluções baseadas na natureza voltadas ao enfrentamento da crise climática.

Porém, para a analista de conservação do WWF-Brasil, Marina Corrêa, o oceano recebe menos atenção do que outros biomas brasileiros.

“O mar ainda é, em muitos aspectos, o sistema invisível da conservação brasileira. Historicamente, o oceano foi tratado como uma imensidão azul vazia, quando na verdade é um território vivo, cheio de biodiversidade, cultura, trabalho e modos de vida”, diz a analista.

Ela lembra que o Sistema Marinho-Costeiro brasileiro ocupa cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 40% do território nacional, e que mais da metade da população vive nesse ecossistema. Ainda assim, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica concentram a maior parte da atenção pública, política e financeira voltada à conservação.

Povos tradicionais 

O crescimento do interesse por projetos de carbono azul também tem levantado discussões sobre direitos territoriais e participação das comunidades tradicionais. Para a analista da WWF-Brasil, resultados duradouros dependem do respeito aos direitos territoriais e repartição justa dos benefícios gerados.

“O sucesso dessas iniciativas não deve ser medido apenas pela quantidade de carbono armazenado, mas também pela capacidade de fortalecer territórios, conservar a biodiversidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas que historicamente cuidam desses ecossistemas”, diz Marina Corrêa.

Quando degradados, esses ambientes deixam de oferecer serviços essenciais, como a manutenção dos estoques pesqueiros, a proteção natural da costa e a conservação da biodiversidade.

A destruição desses ecossistemas também pode liberar para a atmosfera o carbono acumulado ao longo de décadas ou séculos, agravando o aquecimento global.

 

Bragança (PA), 13/06/2025 – Garças no manguezal de Ajuruteua, próximo à Vila dos Pescadores, na área da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Bragança (PA), 13/06/2025 – Garças no manguezal de Ajuruteua, próximo à Vila dos Pescadores, na área da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Garças no manguezal de Ajuruteua, próximo à Vila dos Pescadores, na área da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Além do carbono

Para organizações ambientais, proteger os oceanos significa também proteger empregos, segurança alimentar, culturas tradicionais e formas de subsistência construídas ao longo de gerações.

“Globalmente, a maior renda do oceano é gerada pela pesca, que sustenta 100 milhões de empregos e produz 80 milhões de toneladas de pescado marinho, além de 30 milhões de toneladas da aquicultura marinha, o que sustenta a segurança alimentar de milhares de pessoas, por fornecer proteína de alta qualidade”, diz Natali Piccolo.

No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos, segundo o Registro Geral da Atividade Pesqueira, do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Nesse sentido, o trabalho conjunto de instituições públicas com organizações da sociedade civil é essencial para garantir um futuro mais promissor para os oceanos.

“Nossa atuação é sistêmica, para preencher as lacunas da proteção, manejo e restauração dos ecossistemas marinhos (manguezais, recifes de corais, restingas), enquanto ajudamos os povos do mar a prosperarem, bem como a sociedade brasileira a desenvolver o conhecimento e a experiência do oceano”, diz Natali Piccolo, da CI-Brasil.

Marina Corrêa, da WWF Brasil, explica que a estratégia da organização para os próximos anos está organizada em quatro grandes frentes: fortalecimento das áreas marinhas protegidas, conservação e restauração de recifes de coral (ecossistema mais vulnerável às mudanças climáticas), promoção de uma transição energética justa e incidência política para fortalecer a governança dos oceanos no Brasil e internacionalmente.

Carbono azul ganha espaço na agenda climática dos oceanos

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Na corrida para frear as emissões causadoras do aquecimento global, ambientalistas chamam a atenção para um aliado pouco lembrado: o "carbono azul". No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta segunda-feira (8), especialistas destacam o papel dos ecossistemas costeiros no enfrentamento das mudanças climáticas.

O conceito de carbono azul se refere ao dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado por ambientes marinhos, como manguezais, marismas (pântanos de água salgada) e pradarias. Esses ambientes funcionam como sumidouros do gás carbônico, ao retirá-lo da atmosfera, reduzindo os impactos do aquecimento global.

Notícias relacionadas:

“O oceano absorve cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produz mais da metade do oxigênio que respiramos, de acordo com dados da SOS Oceano”, diz Natali Piccolo, diretora do Programa Costeiro Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil).

“A Amazônia é comumente chamada de ‘pulmão do mundo’, mas o oceano cumpre o equivalente a esse papel. O que não descarta, claro, a importância da floresta tropical na regulação do clima”, completa.

Além disso, essas vegetações costeiras fornecem abrigo para a biodiversidade, sustentam a pesca artesanal e ajudam a proteger comunidades costeiras contra erosão, ressacas e eventos climáticos extremos.

 

Paranaguá (PR), 18/05/2026 – Manguezal na Baía de Paranaguá, área da Grande Reserva da Mata Atlêntica, onde ocorre monitoramento por pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Paranaguá (PR), 18/05/2026 – Manguezal na Baía de Paranaguá, área da Grande Reserva da Mata Atlêntica, onde ocorre monitoramento por pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Manguezal na Baía de Paranaguá, área da Grande Reserva da Mata Atlântica, onde ocorre monitoramento por pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Costa brasileira

O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, na costa da Amazônia, condição que coloca o país em posição estratégica para liderar soluções baseadas na natureza voltadas ao enfrentamento da crise climática.

Porém, para a analista de conservação do WWF-Brasil, Marina Corrêa, o oceano recebe menos atenção do que outros biomas brasileiros.

“O mar ainda é, em muitos aspectos, o sistema invisível da conservação brasileira. Historicamente, o oceano foi tratado como uma imensidão azul vazia, quando na verdade é um território vivo, cheio de biodiversidade, cultura, trabalho e modos de vida”, diz a analista.

Ela lembra que o Sistema Marinho-Costeiro brasileiro ocupa cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 40% do território nacional, e que mais da metade da população vive nesse ecossistema. Ainda assim, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica concentram a maior parte da atenção pública, política e financeira voltada à conservação.

Povos tradicionais 

O crescimento do interesse por projetos de carbono azul também tem levantado discussões sobre direitos territoriais e participação das comunidades tradicionais. Para a analista da WWF-Brasil, resultados duradouros dependem do respeito aos direitos territoriais e repartição justa dos benefícios gerados.

“O sucesso dessas iniciativas não deve ser medido apenas pela quantidade de carbono armazenado, mas também pela capacidade de fortalecer territórios, conservar a biodiversidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas que historicamente cuidam desses ecossistemas”, diz Marina Corrêa.

Quando degradados, esses ambientes deixam de oferecer serviços essenciais, como a manutenção dos estoques pesqueiros, a proteção natural da costa e a conservação da biodiversidade.

A destruição desses ecossistemas também pode liberar para a atmosfera o carbono acumulado ao longo de décadas ou séculos, agravando o aquecimento global.

 

Bragança (PA), 13/06/2025 – Garças no manguezal de Ajuruteua, próximo à Vila dos Pescadores, na área da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Bragança (PA), 13/06/2025 – Garças no manguezal de Ajuruteua, próximo à Vila dos Pescadores, na área da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Garças no manguezal de Ajuruteua, próximo à Vila dos Pescadores, na área da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Além do carbono

Para organizações ambientais, proteger os oceanos significa também proteger empregos, segurança alimentar, culturas tradicionais e formas de subsistência construídas ao longo de gerações.

“Globalmente, a maior renda do oceano é gerada pela pesca, que sustenta 100 milhões de empregos e produz 80 milhões de toneladas de pescado marinho, além de 30 milhões de toneladas da aquicultura marinha, o que sustenta a segurança alimentar de milhares de pessoas, por fornecer proteína de alta qualidade”, diz Natali Piccolo.

No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos, segundo o Registro Geral da Atividade Pesqueira, do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Nesse sentido, o trabalho conjunto de instituições públicas com organizações da sociedade civil é essencial para garantir um futuro mais promissor para os oceanos.

“Nossa atuação é sistêmica, para preencher as lacunas da proteção, manejo e restauração dos ecossistemas marinhos (manguezais, recifes de corais, restingas), enquanto ajudamos os povos do mar a prosperarem, bem como a sociedade brasileira a desenvolver o conhecimento e a experiência do oceano”, diz Natali Piccolo, da CI-Brasil.

Marina Corrêa, da WWF Brasil, explica que a estratégia da organização para os próximos anos está organizada em quatro grandes frentes: fortalecimento das áreas marinhas protegidas, conservação e restauração de recifes de coral (ecossistema mais vulnerável às mudanças climáticas), promoção de uma transição energética justa e incidência política para fortalecer a governança dos oceanos no Brasil e internacionalmente.

Alterações climáticas mataram mais de 16 mil europeus em 2022

19 June 2023 at 13:52
Mais de 16 mil europeus morreram na sequência das alterações climáticas em 2022, ano em que a Europa aqueceu mais 2,3 graus em relação ao período pré-industrial (1850-1900), anunciaram a ONU e o programa da União Europeia Copernicus.

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