Promessas e apelos a financiamento na conferência de Bona

© NUNO VEIGA/LUSA

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O conceito de carbono azul se refere ao dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado por ambientes marinhos, como manguezais, marismas (pântanos de água salgada) e pradarias. Esses ambientes funcionam como sumidouros do gás carbônico, ao retirá-lo da atmosfera, reduzindo os impactos do aquecimento global.
Notícias relacionadas:
“O oceano absorve cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produz mais da metade do oxigênio que respiramos, de acordo com dados da SOS Oceano”, diz Natali Piccolo, diretora do Programa Costeiro Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil).
“A Amazônia é comumente chamada de ‘pulmão do mundo’, mas o oceano cumpre o equivalente a esse papel. O que não descarta, claro, a importância da floresta tropical na regulação do clima”, completa.
Além disso, essas vegetações costeiras fornecem abrigo para a biodiversidade, sustentam a pesca artesanal e ajudam a proteger comunidades costeiras contra erosão, ressacas e eventos climáticos extremos.
O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, na costa da Amazônia, condição que coloca o país em posição estratégica para liderar soluções baseadas na natureza voltadas ao enfrentamento da crise climática.
Porém, para a analista de conservação do WWF-Brasil, Marina Corrêa, o oceano recebe menos atenção do que outros biomas brasileiros.
“O mar ainda é, em muitos aspectos, o sistema invisível da conservação brasileira. Historicamente, o oceano foi tratado como uma imensidão azul vazia, quando na verdade é um território vivo, cheio de biodiversidade, cultura, trabalho e modos de vida”, diz a analista.
Ela lembra que o Sistema Marinho-Costeiro brasileiro ocupa cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 40% do território nacional, e que mais da metade da população vive nesse ecossistema. Ainda assim, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica concentram a maior parte da atenção pública, política e financeira voltada à conservação.
O crescimento do interesse por projetos de carbono azul também tem levantado discussões sobre direitos territoriais e participação das comunidades tradicionais. Para a analista da WWF-Brasil, resultados duradouros dependem do respeito aos direitos territoriais e repartição justa dos benefícios gerados.
“O sucesso dessas iniciativas não deve ser medido apenas pela quantidade de carbono armazenado, mas também pela capacidade de fortalecer territórios, conservar a biodiversidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas que historicamente cuidam desses ecossistemas”, diz Marina Corrêa.
Quando degradados, esses ambientes deixam de oferecer serviços essenciais, como a manutenção dos estoques pesqueiros, a proteção natural da costa e a conservação da biodiversidade.
A destruição desses ecossistemas também pode liberar para a atmosfera o carbono acumulado ao longo de décadas ou séculos, agravando o aquecimento global.
Para organizações ambientais, proteger os oceanos significa também proteger empregos, segurança alimentar, culturas tradicionais e formas de subsistência construídas ao longo de gerações.
“Globalmente, a maior renda do oceano é gerada pela pesca, que sustenta 100 milhões de empregos e produz 80 milhões de toneladas de pescado marinho, além de 30 milhões de toneladas da aquicultura marinha, o que sustenta a segurança alimentar de milhares de pessoas, por fornecer proteína de alta qualidade”, diz Natali Piccolo.
No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos, segundo o Registro Geral da Atividade Pesqueira, do Ministério da Pesca e Aquicultura.
Nesse sentido, o trabalho conjunto de instituições públicas com organizações da sociedade civil é essencial para garantir um futuro mais promissor para os oceanos.
“Nossa atuação é sistêmica, para preencher as lacunas da proteção, manejo e restauração dos ecossistemas marinhos (manguezais, recifes de corais, restingas), enquanto ajudamos os povos do mar a prosperarem, bem como a sociedade brasileira a desenvolver o conhecimento e a experiência do oceano”, diz Natali Piccolo, da CI-Brasil.
Marina Corrêa, da WWF Brasil, explica que a estratégia da organização para os próximos anos está organizada em quatro grandes frentes: fortalecimento das áreas marinhas protegidas, conservação e restauração de recifes de coral (ecossistema mais vulnerável às mudanças climáticas), promoção de uma transição energética justa e incidência política para fortalecer a governança dos oceanos no Brasil e internacionalmente.
O conceito de carbono azul se refere ao dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado por ambientes marinhos, como manguezais, marismas (pântanos de água salgada) e pradarias. Esses ambientes funcionam como sumidouros do gás carbônico, ao retirá-lo da atmosfera, reduzindo os impactos do aquecimento global.
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“O oceano absorve cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produz mais da metade do oxigênio que respiramos, de acordo com dados da SOS Oceano”, diz Natali Piccolo, diretora do Programa Costeiro Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil).
“A Amazônia é comumente chamada de ‘pulmão do mundo’, mas o oceano cumpre o equivalente a esse papel. O que não descarta, claro, a importância da floresta tropical na regulação do clima”, completa.
Além disso, essas vegetações costeiras fornecem abrigo para a biodiversidade, sustentam a pesca artesanal e ajudam a proteger comunidades costeiras contra erosão, ressacas e eventos climáticos extremos.
O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, na costa da Amazônia, condição que coloca o país em posição estratégica para liderar soluções baseadas na natureza voltadas ao enfrentamento da crise climática.
Porém, para a analista de conservação do WWF-Brasil, Marina Corrêa, o oceano recebe menos atenção do que outros biomas brasileiros.
“O mar ainda é, em muitos aspectos, o sistema invisível da conservação brasileira. Historicamente, o oceano foi tratado como uma imensidão azul vazia, quando na verdade é um território vivo, cheio de biodiversidade, cultura, trabalho e modos de vida”, diz a analista.
Ela lembra que o Sistema Marinho-Costeiro brasileiro ocupa cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 40% do território nacional, e que mais da metade da população vive nesse ecossistema. Ainda assim, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica concentram a maior parte da atenção pública, política e financeira voltada à conservação.
O crescimento do interesse por projetos de carbono azul também tem levantado discussões sobre direitos territoriais e participação das comunidades tradicionais. Para a analista da WWF-Brasil, resultados duradouros dependem do respeito aos direitos territoriais e repartição justa dos benefícios gerados.
“O sucesso dessas iniciativas não deve ser medido apenas pela quantidade de carbono armazenado, mas também pela capacidade de fortalecer territórios, conservar a biodiversidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas que historicamente cuidam desses ecossistemas”, diz Marina Corrêa.
Quando degradados, esses ambientes deixam de oferecer serviços essenciais, como a manutenção dos estoques pesqueiros, a proteção natural da costa e a conservação da biodiversidade.
A destruição desses ecossistemas também pode liberar para a atmosfera o carbono acumulado ao longo de décadas ou séculos, agravando o aquecimento global.
Para organizações ambientais, proteger os oceanos significa também proteger empregos, segurança alimentar, culturas tradicionais e formas de subsistência construídas ao longo de gerações.
“Globalmente, a maior renda do oceano é gerada pela pesca, que sustenta 100 milhões de empregos e produz 80 milhões de toneladas de pescado marinho, além de 30 milhões de toneladas da aquicultura marinha, o que sustenta a segurança alimentar de milhares de pessoas, por fornecer proteína de alta qualidade”, diz Natali Piccolo.
No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos, segundo o Registro Geral da Atividade Pesqueira, do Ministério da Pesca e Aquicultura.
Nesse sentido, o trabalho conjunto de instituições públicas com organizações da sociedade civil é essencial para garantir um futuro mais promissor para os oceanos.
“Nossa atuação é sistêmica, para preencher as lacunas da proteção, manejo e restauração dos ecossistemas marinhos (manguezais, recifes de corais, restingas), enquanto ajudamos os povos do mar a prosperarem, bem como a sociedade brasileira a desenvolver o conhecimento e a experiência do oceano”, diz Natali Piccolo, da CI-Brasil.
Marina Corrêa, da WWF Brasil, explica que a estratégia da organização para os próximos anos está organizada em quatro grandes frentes: fortalecimento das áreas marinhas protegidas, conservação e restauração de recifes de coral (ecossistema mais vulnerável às mudanças climáticas), promoção de uma transição energética justa e incidência política para fortalecer a governança dos oceanos no Brasil e internacionalmente.
A América Latina, a África e o Sudeste Asiático são detentores de 90% de tudo que ainda resta de floresta tropical no mundo e de 80% de toda a biodiversidade do planeta.
“Agora, a gente tem um fórum para chamar de nosso, e, a partir daqui, as nossas demandas, oportunidades e também as soluções que são desenvolvidas aqui no Sul Global vão ser discutidas e vão ser amplificadas para o mundo”.
O objetivo do evento é influenciar a agenda mundial e construir um ecossistema de ações que discuta natureza e clima e possa conectar políticas públicas, finanças, ciência, cultura e movimentos de base.
O encontro aconteceu meses antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), marcada para novembro, em Antalya, na Turquia.
A proposta dos organizadores é fazer com que o Rio de Janeiro receba anualmente representantes de todo o mundo, para discutir problemas e soluções que atendam às necessidades daqueles que são os mais vulneráveis, mas, ao mesmo tempo, os que já contribuem enormemente com as soluções necessárias para a questão da biodiversidade e do clima.
Na discussão dos elementos que podem contribuir rapidamente para frear o aquecimento global, um destaque é a redução das emissões de metano. Na avaliação de Medeiros, esse tema é especial, porque o mundo percebeu agora que é preciso ter soluções rápidas.
Medeiros destacou que um terço das emissões que mais afetam a mudança do clima estão relacionadas a gases como o metano. Esse gás tem um tempo de permanência na atmosfera muito curto, de cerca de 10 a 12 anos, o que significa que se dissipa muito rápido.
“Se 30%, ou um terço do problema do aquecimento é causado pelo acúmulo de metano na atmosfera, essa talvez seja uma via mais eficiente e mais rápida de a gente conseguir reduzir em 30% o problema do aquecimento global”, argumentou.
O idealizador do Rio Nature & Climate Week destacou que o metano é gerado fortemente nos resíduos domésticos e industriais que vão para os aterros, cuja decomposição naturalmente produz esse gás, que vai para a atmosfera.
Uma das vias para reduzir sua emissão é investir em tecnologias que hoje já são amplamente dominadas para capturar esse metano, transformando-o, por exemplo, em biogás. A outra via é a da transição alimentar, já que a pecuária também está entre as emissoras de metano.
“É absolutamente inconcebível que a gente continue ainda em uma curva de produção de proteína animal ou de grãos que servem para alimentar a cadeia da produção de proteína animal, de frango, boi, porco”.
A ex-secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e atual CEO e diretora-executiva da COP30, Ana Toni, endossou que “reduzir as emissões de metano é uma das formas mais rápidas de ganhar tempo na luta contra a mudança do clima”.
“Trata-se de um gás de efeito estufa extremamente potente, cerca de 80 vezes mais impactante que o CO₂ no curto prazo, mas que permanece na atmosfera por um período relativamente menor”.
Ana Toni participou do Fórum de Emergência Climática, realizado pela organização Uma Gota no Oceano durante a Rio Nature & Climate Week. Ela ponderou que, por essas características, a ação sobre o metano produz resultados mais imediatos.
“O mais importante é que já existem tecnologias disponíveis e soluções economicamente viáveis. O desafio agora é transformar esse tema técnico em uma agenda compreendida e abraçada pela sociedade, e é aí que a comunicação desempenha um papel fundamental”, sugeriu.
Entre os eventos paralelos ao fórum principal realizados nesta sexta-feira (5), destaque para a oficina “Vozes que Plantam o Futuro”, uma experiência de formação, recreação e mobilização socioambiental para crianças e jovens do Complexo do Alemão, realizada na Casa Voz. O objetivo foi criar um plantio coletivo permanente na Casa Voz e fortalecer o vínculo das juventudes com o território, a sustentabilidade e o cuidado coletivo.
Na Praça Tiradentes, região central do Rio, ocorreu, à tarde, o evento “Periferias urbanas, assentamentos informais adequados, sustentáveis e resilientes contra o racismo ambiental”, promovido em parceria pelos ministérios da Igualdade Racial e das Cidades.
De acordo com os dois ministérios, a crise climática não produz impactos neutros. E, em cidades marcadas por desigualdades estruturais, o racismo, a xenofobia e outras formas de violência acabam determinando as populações que estão mais expostas aos riscos ambientais, menos protegidas pelas infraestruturas urbanas e mais excluídas dos mecanismos de adaptação climática.
O encerramento oficial do Rio Nature & Climate Week está programado para este sábado (6), com show gratuito na Enseada de Botafogo, do qual participarão cantores internacionais e brasileiros.
O evento é realizado pela organização Global Citizen Live Rio e tem como principal atração a cantora Lauryn Hill, que celebrará os 30 anos do álbum The Score. O evento também terá participações de Wyclef Jean, YG Marley, Zion Marley e da cantora brasileira Ludmilla.
A América Latina, a África e o Sudeste Asiático são detentores de 90% de tudo que ainda resta de floresta tropical no mundo e de 80% de toda a biodiversidade do planeta.
“Agora, a gente tem um fórum para chamar de nosso, e, a partir daqui, as nossas demandas, oportunidades e também as soluções que são desenvolvidas aqui no Sul Global vão ser discutidas e vão ser amplificadas para o mundo”.
O objetivo do evento é influenciar a agenda mundial e construir um ecossistema de ações que discuta natureza e clima e possa conectar políticas públicas, finanças, ciência, cultura e movimentos de base.
O encontro aconteceu meses antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), marcada para novembro, em Antalya, na Turquia.
A proposta dos organizadores é fazer com que o Rio de Janeiro receba anualmente representantes de todo o mundo, para discutir problemas e soluções que atendam às necessidades daqueles que são os mais vulneráveis, mas, ao mesmo tempo, os que já contribuem enormemente com as soluções necessárias para a questão da biodiversidade e do clima.
Na discussão dos elementos que podem contribuir rapidamente para frear o aquecimento global, um destaque é a redução das emissões de metano. Na avaliação de Medeiros, esse tema é especial, porque o mundo percebeu agora que é preciso ter soluções rápidas.
Medeiros destacou que um terço das emissões que mais afetam a mudança do clima estão relacionadas a gases como o metano. Esse gás tem um tempo de permanência na atmosfera muito curto, de cerca de 10 a 12 anos, o que significa que se dissipa muito rápido.
“Se 30%, ou um terço do problema do aquecimento é causado pelo acúmulo de metano na atmosfera, essa talvez seja uma via mais eficiente e mais rápida de a gente conseguir reduzir em 30% o problema do aquecimento global”, argumentou.
O idealizador do Rio Nature & Climate Week destacou que o metano é gerado fortemente nos resíduos domésticos e industriais que vão para os aterros, cuja decomposição naturalmente produz esse gás, que vai para a atmosfera.
Uma das vias para reduzir sua emissão é investir em tecnologias que hoje já são amplamente dominadas para capturar esse metano, transformando-o, por exemplo, em biogás. A outra via é a da transição alimentar, já que a pecuária também está entre as emissoras de metano.
“É absolutamente inconcebível que a gente continue ainda em uma curva de produção de proteína animal ou de grãos que servem para alimentar a cadeia da produção de proteína animal, de frango, boi, porco”.
A ex-secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e atual CEO e diretora-executiva da COP30, Ana Toni, endossou que “reduzir as emissões de metano é uma das formas mais rápidas de ganhar tempo na luta contra a mudança do clima”.
“Trata-se de um gás de efeito estufa extremamente potente, cerca de 80 vezes mais impactante que o CO₂ no curto prazo, mas que permanece na atmosfera por um período relativamente menor”.
Ana Toni participou do Fórum de Emergência Climática, realizado pela organização Uma Gota no Oceano durante a Rio Nature & Climate Week. Ela ponderou que, por essas características, a ação sobre o metano produz resultados mais imediatos.
“O mais importante é que já existem tecnologias disponíveis e soluções economicamente viáveis. O desafio agora é transformar esse tema técnico em uma agenda compreendida e abraçada pela sociedade, e é aí que a comunicação desempenha um papel fundamental”, sugeriu.
Entre os eventos paralelos ao fórum principal realizados nesta sexta-feira (5), destaque para a oficina “Vozes que Plantam o Futuro”, uma experiência de formação, recreação e mobilização socioambiental para crianças e jovens do Complexo do Alemão, realizada na Casa Voz. O objetivo foi criar um plantio coletivo permanente na Casa Voz e fortalecer o vínculo das juventudes com o território, a sustentabilidade e o cuidado coletivo.
Na Praça Tiradentes, região central do Rio, ocorreu, à tarde, o evento “Periferias urbanas, assentamentos informais adequados, sustentáveis e resilientes contra o racismo ambiental”, promovido em parceria pelos ministérios da Igualdade Racial e das Cidades.
De acordo com os dois ministérios, a crise climática não produz impactos neutros. E, em cidades marcadas por desigualdades estruturais, o racismo, a xenofobia e outras formas de violência acabam determinando as populações que estão mais expostas aos riscos ambientais, menos protegidas pelas infraestruturas urbanas e mais excluídas dos mecanismos de adaptação climática.
O encerramento oficial do Rio Nature & Climate Week está programado para este sábado (6), com show gratuito na Enseada de Botafogo, do qual participarão cantores internacionais e brasileiros.
O evento é realizado pela organização Global Citizen Live Rio e tem como principal atração a cantora Lauryn Hill, que celebrará os 30 anos do álbum The Score. O evento também terá participações de Wyclef Jean, YG Marley, Zion Marley e da cantora brasileira Ludmilla.
O levantamento é parte da iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo (Beat the Heat), que integra a plataforma global Coalizão pelo Resfriamento (Cool Coalition). A iniciativa reúne atualmente 258 cidades em todo o mundo, incluindo 105 no Brasil.
Três quartos (75%) das cidades não utilizam dados de forma estruturada para apoiar decisões sobre o tema, enquanto 85% dependem de recursos externos para implementar medidas de adaptação. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos relacionados ao fenômeno.
O estudo também aponta que as ações adotadas atualmente se concentram principalmente em soluções baseadas na natureza. Medidas como arborização urbana, criação de áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas estão presentes em 77% dos municípios participantes.
Em contrapartida, estratégias de resfriamento passivo em edificações e espaços urbanos, como ventilação cruzada, pavimentos permeáveis, isolamento térmico e uso de materiais refletivos, aparecem em apenas 21% ou menos das cidades.
Outra fragilidade identificada está nas compras públicas. Mais de 80% dos municípios ainda não desenvolveram critérios sustentáveis voltados ao resfriamento urbano, indicando que o tema permanece pouco incorporado às políticas estruturantes de gestão pública.
Os pesquisadores explicam que calor extremo não é apenas “um dia muito quente”, mas quando, por dois ou mais dias seguidos, o calor acumulado durante o dia não é dissipado à noite.
A temperatura é acumulada em um efeito “escada”, que pode ser percebido quando a casa não esfria ao anoitecer, o mormaço sobe do asfalto, o sono piora e a disposição desaparece. Corpos, edificações, sistemas de água, energia e agricultura deixam de se recuperar, e os riscos à saúde e ao funcionamento da cidade aumentam.
Segundo os pesquisadores, o calor extremo deixou de ser apenas um desconforto sazonal para se tornar uma ameaça crescente à saúde pública.
O Pnuma alerta que o fenômeno provoca cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, número superior ao de fatalidades causadas por enxurradas e deslizamentos no mesmo período.
A CEO da COP30, Ana Toni, avalia que a adaptação a essa nova realidade demanda colaboração entre diferentes setores da sociedade e níveis de governo, com apoio nacional e internacional.
“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo", destaca Ana Toni.
Criado em 2025, o Mutirão Contra o Calor Extremo busca apoiar municípios na elaboração de diagnósticos, planos de ação e estratégias de financiamento para ampliar a resiliência urbana.
Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas para o tema, enquanto 28% planejam implementar intervenções em áreas consideradas mais vulneráveis. A expectativa é que as ações beneficiem cerca de 7 milhões de pessoas entre os 50 milhões de habitantes das cidades envolvidas.
A necessidade de acelerar essas iniciativas ganha ainda mais relevância diante da possibilidade de formação de um “Super El Niño” na segunda metade de 2026. As previsões foram corroboradas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O fenômeno poderá intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, aumentar a frequência de ondas de calor no Centro do país e provocar chuvas extremas na Região Sul.
O levantamento é parte da iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo (Beat the Heat), que integra a plataforma global Coalizão pelo Resfriamento (Cool Coalition). A iniciativa reúne atualmente 258 cidades em todo o mundo, incluindo 105 no Brasil.
Três quartos (75%) das cidades não utilizam dados de forma estruturada para apoiar decisões sobre o tema, enquanto 85% dependem de recursos externos para implementar medidas de adaptação. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos relacionados ao fenômeno.
O estudo também aponta que as ações adotadas atualmente se concentram principalmente em soluções baseadas na natureza. Medidas como arborização urbana, criação de áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas estão presentes em 77% dos municípios participantes.
Em contrapartida, estratégias de resfriamento passivo em edificações e espaços urbanos, como ventilação cruzada, pavimentos permeáveis, isolamento térmico e uso de materiais refletivos, aparecem em apenas 21% ou menos das cidades.
Outra fragilidade identificada está nas compras públicas. Mais de 80% dos municípios ainda não desenvolveram critérios sustentáveis voltados ao resfriamento urbano, indicando que o tema permanece pouco incorporado às políticas estruturantes de gestão pública.
Os pesquisadores explicam que calor extremo não é apenas “um dia muito quente”, mas quando, por dois ou mais dias seguidos, o calor acumulado durante o dia não é dissipado à noite.
A temperatura é acumulada em um efeito “escada”, que pode ser percebido quando a casa não esfria ao anoitecer, o mormaço sobe do asfalto, o sono piora e a disposição desaparece. Corpos, edificações, sistemas de água, energia e agricultura deixam de se recuperar, e os riscos à saúde e ao funcionamento da cidade aumentam.
Segundo os pesquisadores, o calor extremo deixou de ser apenas um desconforto sazonal para se tornar uma ameaça crescente à saúde pública.
O Pnuma alerta que o fenômeno provoca cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, número superior ao de fatalidades causadas por enxurradas e deslizamentos no mesmo período.
A CEO da COP30, Ana Toni, avalia que a adaptação a essa nova realidade demanda colaboração entre diferentes setores da sociedade e níveis de governo, com apoio nacional e internacional.
“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo", destaca Ana Toni.
Criado em 2025, o Mutirão Contra o Calor Extremo busca apoiar municípios na elaboração de diagnósticos, planos de ação e estratégias de financiamento para ampliar a resiliência urbana.
Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas para o tema, enquanto 28% planejam implementar intervenções em áreas consideradas mais vulneráveis. A expectativa é que as ações beneficiem cerca de 7 milhões de pessoas entre os 50 milhões de habitantes das cidades envolvidas.
A necessidade de acelerar essas iniciativas ganha ainda mais relevância diante da possibilidade de formação de um “Super El Niño” na segunda metade de 2026. As previsões foram corroboradas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O fenômeno poderá intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, aumentar a frequência de ondas de calor no Centro do país e provocar chuvas extremas na Região Sul.
