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Pedido de vista adia julgamento sobre pesquisa que indicou queda de Flávio

10 June 2026 at 00:53

A ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pediu vista (mais tempo de análise) e interrompeu nesta terça-feira (9) o julgamento sobre a decisão de Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto AtlasIntel. O levantamento apontava uma redução da vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da disputa presidencial.

A liminar foi concedida por Nunes Marques na segunda-feira (8). Como a decisão foi tomada individualmente, o caso foi levado ao plenário para análise dos demais ministros.

A suspensão da pesquisa foi solicitada pelo PL, partido de Flávio. Na ação, a legenda alegou que o questionário utilizava imagens e áudios que associavam o senador a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o que teria influenciado as respostas dos entrevistados.

Ao conceder a liminar, Nunes Marques afirmou haver, de fato, indícios de que a metodologia empregada na pesquisa poderia ter contaminado as respostas dos eleitores.

Durante a sessão desta terça, ministros destacaram a importância de um exame mais aprofundado do caso, por entenderem que a decisão irá estabelecer um precedente, ou seja, um parâmetro para futuras análises do tribunal sobre pesquisas eleitorais.

“Eu entendo que esse pedido de vista é bastante relevante, não em relação ao próprio caso, mas para reflexão dos critérios objetivos que essa Corte poderá firmar em relação às metodologias. Se esse é o caminho que o tribunal pretende seguir ou se adotaríamos uma postura diferente”, disse Kassio Nunes Marques.

Já o ministro Dias Toffoli afirmou que a pesquisa em questão já foi divulgada e produziu seus efeitos, por isso, o julgamento serve mais para que a Corte defina regras gerais sobre pesquisas eleitorais, que servirão para todos os candidatos e institutos.

“Essa pesquisa já foi divulgada, já surtiu efeito. Se pesquisas são retrato de momento, esse momento já passou. Mas aqui estamos a definir quais parâmetros essa Corte vai ter para qualquer pesquisa e para qualquer candidato. Não podemos decidir de uma forma em relação a um candidato e de outra forma em relação a outro”, afirmou.

Para ele, o tribunal também deve discutir se é admissível que pesquisas exibam vídeos ou áudios antes de formular perguntas aos entrevistados.

Sustentações orais

No início do julgamento, representantes das partes puderam apresentar seus argumentos aos ministros.

A advogada do PL e ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri afirmou que cabe à Justiça Eleitoral fiscalizar a transparência, a confiabilidade e a integridade das pesquisas, por seu potencial de influenciar o eleitorado.

Segundo ela, o levantamento da AtlasIntel utilizou uma metodologia incomum, realizada pela internet, em que os participantes podem navegar livremente pelo questionário, o que compromete a lisura das respostas.

A advogada argumentou ainda que a disposição das perguntas poderia influenciar as posições dos respondentes e sustentou que a avaliação sobre a imagem de Flávio Bolsonaro só aparecia após os entrevistados terem sido expostos a conteúdos que, segundo ela, continham insinuações negativas.

Em defesa da AtlasIntel, o advogado Gualter Bezerra afirmou que a representação do PL não apontou violação da legislação eleitoral nem das normas do TSE sobre pesquisas. Segundo ele, o partido apenas discordou da metodologia utilizada para medir a repercussão de um fato político público.

O advogado destacou ainda que pesquisas semelhantes já foram registradas no TSE, citando como exemplo um levantamento realizado neste ano sobre o impacto da participação de Lula no Carnaval do Rio de Janeiro.

Dias Toffoli toma posse como ministro efetivo do TSE

9 June 2026 at 23:42

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tomou posse nesta terça-feira (9) como ministro efetivo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Toffoli ocupava uma vaga de ministro substituto desde 14 de maio, quando a então presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, anunciou que anteciparia sua saída da Corte Eleitoral. Ao transmitir o comando do TSE ao ministro Kassio Nunes Marques, ela também renunciou ao período restante de seu mandato como ministra, que poderia se estender até agosto.

Esta é a segunda vez que Toffoli assume vaga de ministro efetivo na Corte Eleitoral. Antes da posse nesta terça, o ministro foi aprovado pelo plenário do STF em votação simbólica.

Com a efetivação, abriu-se uma vaga para magistrado substituto na Corte, que será ocupada pelo ministro Flávio Dino, seguindo o sistema de rodízio das cadeiras destinadas ao STF no tribunal eleitoral.

Durante a cerimônia nesta terça, Dias Toffoli se disse emocionado com a nova condução ao cargo após 14 anos de sua primeira posse como ministro efetivo. “Quero dedicar mais ainda dos meus esforços, do meu trabalho e da minha capacidade [à Justiça Eleitoral], sempre defendendo que quem decide o processo eleitoral é o povo, não é a Justiça”, afirmou.

Já o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, parabenizou o colega e prestou homenagens: “Para todos nós magistrados desta Corte, é uma honra compartilhar este plenário com um ministro cuja experiência, serenidade e reconhecida capacidade conciliadora tanto engrandece o ambiente institucional”, disse.

Com as recentes alterações na composição, o TSE chega ao ciclo eleitoral de 2026 sob o comando de ministros indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de contar com integrantes nomeados ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) pela ex-presidente Dilma Rousseff e com magistrados próximos ao ministro Alexandre de Moraes.

O TSE é composto por sete ministros efetivos: três oriundos do STF, dois do STJ e dois juristas escolhidos pelo presidente da República a partir de listas elaboradas pelo Supremo.

No mês passado, os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça assumiram, respectivamente, a presidência e a vice-presidência da Corte Eleitoral. Ambos foram indicados ao STF por Bolsonaro. É a primeira vez que ministros nomeados pelo ex-presidente comandam o TSE.

Kassio quer regras para uso de rede social por membros da Justiça Eleitoral

9 June 2026 at 23:06

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, criou um grupo de trabalho para elaborar propostas de regulamentação do uso de redes sociais por servidores e colaboradores da Justiça Eleitoral. A medida foi formalizada em portaria publicada nesta terça-feira (9).

De acordo com o texto, a futura regulamentação deverá ter como foco a preservação da imparcialidade dos agentes da Justiça Eleitoral, a proteção da imagem institucional, o fortalecimento da confiança pública e a integridade do processo eleitoral. O objetivo é reunir contribuições para a elaboração de uma norma que estabeleça regras para a atuação desses profissionais em ambientes digitais.

O grupo ficará responsável por analisar normas já existentes, decisões e boas práticas relacionadas ao comportamento de agentes públicos nas redes sociais, com atenção especial às experiências do Poder Judiciário.

Também deverá propor diretrizes específicas para a atuação em plataformas digitais e elaborar uma minuta com regras aplicáveis a todos os integrantes da Justiça Eleitoral.

A portaria determina que o grupo apresente um relatório conclusivo em até 30 dias. O documento servirá de base para a elaboração do ato normativo que poderá disciplinar a presença de servidores e colaboradores da Justiça Eleitoral nas redes sociais.

A iniciativa ocorre em meio ao aumento das discussões sobre a ética e a conduta de magistrados na vida privada. Em fevereiro deste ano, antes de deixar a presidência do TSE, a ministra Cármen Lúcia apresentou a presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais uma carta de recomendação sobre a conduta de juízes para o pleito de 2026.

Ela defendeu a necessidade de reforçar parâmetros de comportamento alinhados aos valores constitucionais diante do que classificou como um cenário de “questionamentos mundiais e nacionais” sobre instituições democráticas.

Na lista, a ministra incluiu como “inaceitáveis” as manifestações de juízes eleitorais nas redes sociais sobre a escolha pessoal de voto ou sinalizações favoráveis a candidatos, partidos ou ideologias.

TSE cria comissão permanente para discutir IA na Justiça Eleitoral

9 June 2026 at 20:50

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kássio Nunes Marques, criou uma comissão permanente para discutir e acompanhar o uso de ferramentas de IA (Inteligência Artificial) pela Justiça Eleitoral.

A medida foi oficializada em portaria publicada nesta terça-feira (9). De acordo com o documento, o grupo será responsável por elaborar um plano para orientar o uso da tecnologia tanto nas atividades administrativas quanto nos julgamentos conduzidos pela Justiça Eleitoral.

A comissão terá como uma de suas principais atribuições propor medidas para o combate à desinformação e à disseminação de notícias falsas, um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades eleitorais nos últimos anos.

O colegiado também deverá elaborar diretrizes para garantir que ferramentas de Inteligência Artificial sejam utilizadas de forma segura, transparente e em conformidade com princípios éticos. Caberá ainda ao grupo definir critérios para a contratação, aquisição e desenvolvimento dessas tecnologias pelos órgãos da Justiça Eleitoral.

Outra tarefa da comissão será criar padrões para integração e compartilhamento de sistemas entre os tribunais eleitorais, além de manter um cadastro nacional das soluções de Inteligência Artificial desenvolvidas ou utilizadas pela Justiça Eleitoral.

Ainda de acordo com a portaria, a comissão também acompanhará parcerias firmadas com universidades e instituições especializadas em Inteligência Artificial para ampliar a capacidade técnica da Justiça Eleitoral em identificar e enfrentar crimes praticados no ambiente digital.

Desafio da IA

Ao assumir a presidência do TSE no mês passado, o ministro Kássio Nunes Marques citou a Inteligência Artificial como um dos principais desafios para as eleições de 2026. Segundo ele, o processo eleitoral passou a ser fortemente impactado pelo ambiente digital e pelas plataformas tecnológicas.

Desde o ano passado o TSE passou a conduzir estudos e iniciativas para antecipar riscos relacionados ao uso de IA, especialmente após a disseminação de vídeos hiper-realistas.

Em 2024, durante as eleições municipais, o Tribunal regulamentou pela primeira vez o uso de Inteligência Artificial na propaganda eleitoral, proibindo deepfakes. Também foi proibida a publicação de conteúdos manipulados para divulgar fatos falsos ou descontextualizados com potencial de afetar o equilíbrio da disputa eleitoral.

Para o pleito deste ano, sob a relatoria de Nunes Marques, as regras foram ampliadas: ficou proibida a publicação, republicação e o impulsionamento de conteúdos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas após o seu encerramento.

O uso de IA em postagens também precisa ser, obrigatoriamente, sinalizado.

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