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Filhote de canguru rejeitada ganha “mãe” humana em SP

Uma história que começou triste teve um final feliz: uma filhote de canguru-vermelho foi rejeitada pela mãe no Animália Park, em Cotia, na Grande São Paulo, porém terminou adotada por uma nova mãe mas, dessa vez, humana. 

A bióloga Thais Amaral, em conversa com à CNN Brasil, disse que o monitoramento 24 horas do parque identificou que a filhote de apenas cinco meses, nomeada de Eevee, foi expulsa da bolsa da mãe durante a noite, no final do mês de abril. Os veterinários correram e tentaram reintroduzí-la várias vezes, mas a rejeição permaneceu.

Por isso, foi introduzido os cuidados humanos, conforme protocolo do parque. Thais, que é coordenadora do setor de aves e filhotes do Animália Park, explicou o motivo que pode ter levado a mãe a rejeitar a filha. 

“A recusa não é algo incomum, é bem comum na verdade, principalmente em mães de primeira viagem, que era o caso. Pela falta de experiência ela acaba rejeitando esse filhote“, contou.

Após o resgate emergencial, Eeeve teve o que os especialistas chamam de “3 Hs” avaliados: hidratação, hipoglicemia e hipotermia. Com condição precária, Thaís assumiu os cuidados ininterruptos da canguru e já cuida dela há cerca de 40 dias. 

Na necessidade de criação de um vínculo parental, Eevee passou a ficar com a bióloga 24 horas por dia, indo para sua casa e recebendo seu constante amparo. Ela conta que hoje ela mama um leite específico de cinco em cinco horas, tem acompanhamento dos veterinários e já está bem melhor.

“No departamento de filhotes é preciso ter baixa rotatividade justamente para criar um vínculo. É necessária uma série padronizada de atividades e é melhor para a filhote que seja de uma maneira unificada. Tudo isso para se aproximar o máximo possível da vida natural”. Thais disse que, por exemplo, providenciou uma bolsa de feltro, tecido parecido com o pelo do canguru, para carregar a filhote como se ela ainda estivesse no marsúpio. 

O objetivo final é que ela seja reintegrada no grupo. Hoje ela já atende toda a curva de crescimento, melhorando em todos os aspectos de saúde. Eevee passa por uma fase de exploração do ambiente, em que assim como se estivesse com a mãe canguru, sai cerca de 20 minutos por dia para tomar um banho de sol – sempre acompanhada de Thais ou de um cuidador.

Segundo a especialista, já existe uma relação de mãe e filha. “Já me encarou como uma figura materna. É importante eu estar por perto para fornecer essa segurança. Ela é um animal super carismático, carinhosa e muito amada”.

Além do leite, Eevee começou a ser introduzida a suco de cenoura e, futuramente, alimentos sólidos. A filhote, assim como um bebê, requer cuidado constante. 

“Elá é muito inteligente e já entende o chamado pelo nome. Estamos agora na expectativa pela reintegração”, completou Thais.

A especialista ainda esclareceu que o objetivo primário no resgate de animais rejeitados é a tentativa de reintrodução com a mãe. “Sob nenhuma hipótese a gente retira o animal sem necessidade, fazemos várias tentativas e, quando vemos que não terá um amparo, o departamento de filhotes entra para fazer os primeiros cuidados”.

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“Salto pro extraordinário”, dizia página de empresa de rope jump em Limeira

A empresa responsavel pelos saltos de rope jump na Ponte do Esqueleto em Limeira (SP), onde uma mulher de 24 anos morreu neste sábado (13), tinha a premissa de um serviço de “salto pro extraordinário”. 

A mensagem aparecia no topo do perfil da Entre Cordas Oficial no Instagram, mas a página com mais de 80 mil seguidores foi deletada. A companhia ainda tinha no perfil a seguinte frase: “Você sonha. A gente realiza”. 

Página da companhia antes de ser deletada • Reprodução/Instagram

A vítima, que ainda não foi identificada, faleceu depois de ser jogada da ponte sem o equipamento adequado de segurança. A empresa não colocou a corda que deveria segurar a jovem, que foi lançada de uma grande altura.

Veja o vídeo aqui. 

A Polícia Militar atendeu a ocorrência no interior de São Paulo e informou que, segundo as informações preliminares, a vítima participava da atividade acompanhada por instrutores.

Pessoas no local teriam realizado manobras de RCP até a chegada da equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Porém, o óbito foi constatado no local por politraumatismo. A ocorrência permanece em andamento.

A CNN Brasil tenta contato com a empresa.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública), informou que o caso é investigado pela Polícia Civil. Leia na íntegra:

“A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros atendem, desde às 9h55 deste sábado (13), uma ocorrência de queda de pessoa na trilha da Ponte do Esqueleto, em Limeira. Segundo informações preliminares, a vítima participava de uma atividade de bungee jump. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e constatou o óbito no local. O caso está sendo registrado pela Polícia Civil”. 

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Mulher que morreu em rope jump: empresa responsável tinha 80 mil seguidores

A empresa responsável por saltos de ‘rope jump’ na Ponte do Esqueleto em Limeira (SP), onde uma mulher morreu na manhã deste sábado (13), tinha mais de 80 mil seguidores em uma rede social.

A vítima de 24 anos, que ainda não foi identificada, faleceu depois de ser jogada da ponte sem o equipamento adequado de segurança. A empresa não colocou a corda que deveria segurar a jovem, que foi lançada de uma altura de cerca de 35 metros.

No perfil da Entre Cordas no Instagram, duas mensagens serviam como slogan da empresa para atrair clientes: ““Você sonha. A gente realiza” e “Um salto pro extraordinário”. 

Pessoas que estavam no local filmaram o momento em que a mulher é arremessada da ponte. No vídeo, é possível vê-las gritando ao ver que jovem foi lançada sem corda

A Polícia Militar atendeu a ocorrência no interior de São Paulo e informou que, segundo as informações preliminares, a vítima participava da atividade acompanhada por instrutores.

Pessoas no local teriam realizado manobras de RCP até a chegada da equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Porém, o óbito foi constatado no local por politraumatismo. A ocorrência permanece em andamento.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública), informou que o caso é investigado pela Polícia Civil. Leia na íntegra:

“A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros atendem, desde às 9h55 deste sábado (13), uma ocorrência de queda de pessoa na trilha da Ponte do Esqueleto, em Limeira. Segundo informações preliminares, a vítima participava de uma atividade de bungee jump. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e constatou o óbito no local. O caso está sendo registrado pela Polícia Civil”. 

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Funcionário do Aeroporto de Guarulhos é preso com 70 kg de cocaína

Um funcionário do Aeroporto Internacional de Guarulhos foi preso em flagrante pela Polícia Federal por tráfico internacional de drogas, na última quarta-feira (10).

Segundo a PF, agentes do Núcleo de Inteligência da Unidade identificaram o homem que atuava no embarque de bagagens na rampa de aeronaves do terminal na Grande São Paulo.

O funcionário tentava embarcar uma mala que continha 70 kg de cocaína em um voo com destino a Lisboa, em Portugal.

A droga estava embalada e armazenada em tijolos pretos para tentar enganar as autoridades. O homem foi autuado em flagrante.

A PF não informou se o homem tinha algum antecedente criminal ou se tinha relação com alguma organização criminosa especializada no tráfico de entorpecentes para o exterior.

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Sistema de água e mesquita da era Mameluca são descobertos no Egito

Um sistema de abastecimento de água e uma mesquita da Era Mameluca no Egito foram descobertos por arqueólogos na região do Castelo Salah al-Din Al-Ayoubi, mais conhecido como Cidadela de Saladino, no Cairo.

A descoberta foi feita por uma missão arqueológica egípcia-francesa conjunta entre o Conselho Supremo de Arqueologia do Egito e o Instituto Francês de Arqueologia Oriental (IFAO). A Cidadela é uma fortaleza da era medieval com grandes muralhas construída no século XII durante as Cruzadas.

A missão faz parte de um projeto científico realizado em duas áreas ao redor do castelo, nas regiões de Arab al-Yasar e al-Hattaba. O objetivo é estudar, documentar e reabilitar as áreas históricas ao redor do castelo histórico. 

Sharif Fathi, Ministro do Turismo e Arqueologia do Egito, afirma que estas descobertas representam uma adição de qualidade à compreensão da estrutura urbana e funcional da área da Cidadela através dos tempos islâmicos.

Ele ressalta que o objetivo da força-tarefa é preservar o patrimônio civil egípcio e destacar o valor histórico do Cairo, salientando que as novas descobertas contribuem para enriquecer o conhecimento da história da Cidade Velha e apoiar planos para desenvolver arqueólogos.

Sistema hidráulico

Na área de Arab al-Yasar, foi encontrado um dos mais importantes sistemas de abastecimento de água para o castelo, onde escavações resultaram na descoberta de dois poços enormes para armazenar e levantar água, cada um ligado a um sistema de condutores para levantar água dos níveis inferiores aos superiores.

A profundidade do primeiro poço é de cerca de 10 metros, enquanto a profundidade do segundo atinge oito metros. O trabalho de escavação ainda está em andamento dentro deles para chegar aos tanques de armazenamento inferior, segundo o ministério egípicio.

Os poços foram construídos utilizando enormes blocos de pedra, cobertos pelos restos de um sistema integrado de quatro entradas rotativas e uma rede de esgotos de pedra que transportava água para o castelo, numa extensão direta do sistema de drenagem.

O Secretário-Geral do Conselho Supremo de Arqueologia, Hisham Alithi, acrescentou que que uma série de elementos arquitetônicos e de serviço associados ao funcionamento deste sistema também foram descobertos, entre eles trilhos de movimento de animais utilizados na gestão de condutores, salas de habitação, armazenamento de ração e tanques de rega de animais, graças a vários pisos de pedra que refletem um nível avançado de engenharia e gestão de água durante a era Mameluca

Segundo a revista Archaeology News, as estruturas parecem estar conectadas diretamente ao famoso aqueduto do Cairo, conhecido como Sur Magra al-Oyoun, que levava água por grande parte da cidade.

Mesquita e artefatos exclusivos

Restos de uma mesquita também foram identificadas na área de al-Hattaba. Uma câmara funerária ligada à mesquita também foi desenterrada, juntamente com uma coleção de túmulos que remontam a vários períodos islâmicos e contendo ossadas, graças a um túmulo provavelmente datado do início da Era Islâmica, contribuindo para uma compreensão mais profunda do histórico da região.

A expedição também encontrou uma coleção distinta de artefatos, entre eles escadas de cerâmica usadas para levantar água e moedas que remontam às eras Mameluca e Otomana, graças a uma série de ferramentas relacionadas com a vida diária durante os séculos XVIII e XIX, incluindo ornamentos, selos de metal, moedas e armas permanece.

Pierre Talais, diretor do Instituto Francês de Arqueologia Oriental, destacou que foram encontradas evidências arqueológicas mais proeminentes da evolução das infraestruturas e sistemas de gestão da água no Cairo, refletindo um nível avançado de planejamento urbano e engenharia que a cidade testemunhou durante os tempos islâmicos.

Já o diretor da missão, Mohammed Ibrahim, afirma que estudos arqueológicos e arquitetônicos preliminares sugerem que algumas dessas instalações remontam às obras do sultão al-Nasir Muhammad ibn Qalawun, já que as escavações durante a atual temporada revelaram um novo canal de água indo para Oeste em direção aos estábulos do sultão, o que pode contribuir para o restabelecimento de um número de instalações arquitectónicas importantes nas proximidades do castelo.

O instituto francês informa que são realizados trabalhos de documentação arquitetônica e fotográfica nos mais altos níveis de precisão, juntamente com a digitalização de todas as descobertas arqueológicas, com a criação de uma base de dados com os resultados das escavações e informações históricas relacionadas com o Castelo Salah al-Din Ayubi e seus arredores, seguindo os últimos sistemas científicos em documentação e gestão do património cultural.

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Vídeo: Moto “pelada” é flagrada em rodovia de Santa Catarina

Uma moto “pelada” foi flagrada na rodovia SC-370 em Gravatal, no sul de Santa Catarina, na tarde desta sexta-feira (12). O condutor foi abordado e, segundo a polícia, agia como se o veículo estivesse normal. 

A Polícia Militar Rodoviária viu o motorista dirigindo a moto em condições já desfavoráveis: tarde chuvosa, pista escorregadia e visibilidade reduzida. Mas a situação só piorou. 

A Honda Biz, em precário estado de conservação, estava com licenciamento vencido desde 2018. O motorista dirigia com ela no acostamento da rodovia, ao ser abordado pelos militares.

Durante a vistoria, a polícia verificou que a moto não tinha retrovisores, não possuía painel e estava sem o banco. Além disso, o sistema de iluminação estava totalmente inoperante, com peças frouxas e pneus carecas.

A moto, que representava um verdadeiro perigo sobre rodas, foi flagrada em vídeo pelos policiais. Veja:

A polícia ressaltou o risco que a situação apresentava para o próprio motorista e para outros que dirigiam na rodovia, ainda mais durante a chuva.

O condutor da Biz ainda utilizava chinelo para dirigir, calçado inadequado para os pedais, e não tinha o curso específico obrigatório de reciclagem. A moto foi autuada e recolhida, e o motorista liberado.

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SP: Ex-auditor é acusado de corrupção com concessionária de carros de luxo

O ex-auditor fiscal da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo), Artur Gomes da Silva Neto, foi denunciado por um esquema de corrupção passiva envolvendo a concessionária de veículos de luxo Autostar. Outras duas pessoas do grupo supostamente liderado por Artur também foram denunciadas.

A denúncia foi apresentada nesta semana pelo Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) do Ministério Público de São Paulo. Artur está preso preventivamente por outro processo por acusações de crimes que geraram um prejuízo bilionário ao Estado.

Na nova acusação, que decorre das investigações sobre fraudulenta aprovação de créditos de ICMS junto à Sefaz, o MP cita o mesmo modelo criminoso, mas com peculiaridades em favor da Autostar e outras empresas do grupo Automob. Outras ações penais tratam de acusações envolvendo Ultrafarma, Fast Shop e os postos de combustível da Rede 28.

No geral, o esquema combinava uma manipulação dolosa de arquivos por “fator de multiplicação” sobre os ressarcimentos com uma tramitação privilegiada de pedidos administrativos, conduzidos pelo ex-auditor.

Segundo o MP, no caso da Autostar, Artur manteve “idêntica relação de prestação fraudulenta de “assessoria tributária” em duas gestões distintas do mesmo conjunto de empresas. Primeiro com o antigo diretor-presidente da rede da companhia e depois com a venda das empresas ao grupo Automob.

Duas pessoas citadas como envolvidas no esquema, além do antigo presidente da Autostar, já realizaram ANPPs (Acordos de Não-Persecução Penal) com a acusação. Por isso, colaboraram com informações ao Ministério Público e não foram denunciados.

O esquema da propina

A acusação aponta que a proprina foi convencionada da seguinte forma:

  • O ex-presidente da Autostar aceitou pagar de 5% e 7% do montante líquido, mas apenas quando estes valores ficassem disponíveis a ele;
  • Após a aquisição da empresa pela Automob, um advogado organizou para que o grupo fosse remunerado com 10% dos créditos apurados e liberados pela Sefaz, sendo 6% destinados a Artur.

O MP explica que os pagamentos não chegaram a ser feitos por causa da deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, que prendeu o dono da Ultrafarma Sidney Oliveira.

Por isso, a nova denúncia não imputa o crime de lavagem de dinheiro, mas apenas corrupção passiva, já que a consumação depende somente da solicitação ou a aceitação de promessa de vantagem, conforme o artigo 317 do Código Penal.

A denúncia revela que Artur deferiu pessoalmente seis pedidos de ressarcimento de ICMS-ST em favor da Autostar, e vistou as respectivas notas fiscais de ressarcimento, totalizando R$ 100.649.999,99.

Em seguida, ainda como auditor fiscal da Sefaz-SP, coordenou a preparação dos arquivos e a transmissão deles ao sistema da Secretaria, realizada na sede da Autostar pessoalmente por Maria Hermínia de Jesus, outra denunciada, no dia 26 de junho de 2025.

Os arquivos referem-se ao período entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024, para as mesmas filiais que já haviam sido beneficiadas pelo esquema, indicando a continuidade da fraude, apesar da mudança da operação das concessionárias depois de assumidas pela Automob.

Corrupção passiva

De acordo com a denúncia, junto com Artur Neto, Fátima Rizzardi e Maria Hermínia cometeram corrupção passiva ao solicitar e aceitar promessa de vantagem indevida entre dezembro de 2020 e julho de 2024. 

Por seis vezes, o trio receberia de 5% e 7% dos ganhos que o ex-presidente da Autostar teria, para auxiliar as concessionárias da companhia a obter o ressarcimento de créditos de ICMS-ST “de modo célere e superfaturado“.

Além disso, o grupo, também entre julho de 2024 e julho de 2025, aceitou propina de 10% do proveito proporcionado às empresas, a partir de outra pessoa investigada.

“O grupo liderado por Artur Gomes da Silva Neto atuava como uma verdadeira consultoria informal embutida na própria estrutura da Sefaz“, afirma o MP em um trecho do documento. A acusação demonstra que o trio orientava os executivos das empresas contribuintes sobre as informações a serem fornecidas, gerava e manipulava os arquivos a serem transmitidos, e instruía as respostas a notificações por ele próprio expedidas, acelerando o deferimento dos créditos.

Mensagens de áudio enviadas por Artur à Fatima e Maria Hermínia indicam que o grupo manipulava os dados que seriam transmitidos à Secretaria, adicionando um “turbo”. Com uma meta de “multiplicar por 5”, o objetivo era inflar artificialmente os créditos de ICMS a serem ressarcidos.

No final, os ressarcimentos eram obtidos com valores majorados artificialmente, “numa fraude que somente foi possível pela conivência do auditor fiscal subscritor das decisões administrativas”, conforme a denúncia.

O MP pede a condenação do grupo por seis vezes de corrupção passiva em concurso material. À CNN Brasil, a defesa de Artur afirmou que vai se manifestar tecnicamente no processo. Veja o posicionamento:

“A Defesa de Artur Gomes da Silva Neto, representada pelo Dr. Júlio César De Nigris Boccalini, não fará juízo de mérito pela imprensa, especialmente sobre vídeo ou documentos cuja origem, integralidade, contexto e cadeia de custódia ainda precisam ser controlados nos autos. A Defesa já requereu acesso integral aos procedimentos relacionados e se manifestará tecnicamente no processo. Qualquer acusação deve ser demonstrada por prova lícita, íntegra, contextualizada e submetida ao contraditório. Artur seguirá se defendendo nos autos, com serenidade e respeito ao Poder Judiciário”. 

Em nota, a Automob afirma que a denúncia se refere a período anterior à aquisição da Autostar. Leia na íntegra:

“A Companhia informa que tomou conhecimento da existência de denúncia envolvendo fatos supostamente ocorridos em uma de suas controladas. Com relação à matéria divulgada nesta data (11/06), os fatos se referem a período anterior à aquisição da empresa, concluída em abril de 2022. Em relação ao período sob a atual administração, a Companhia esclarece que não há registros de utilização de créditos fiscais oriundos de benefícios concedidos pelo Estado de São Paulo. Os créditos tributários são previamente validados antes do seu aproveitamento e seguem absoluto cumprimento à legislação e conformidade regulatória. A Companhia reafirma seu compromisso com a ética, a integridade e o cumprimento das obrigações legais e regulatórias, permanecendo à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes”. 

“Não confie no MP”: cartas revelam orientações de ex-auditor preso em SP

Prisão por fraudes em ICMS

Na última quarta-feira (10), o ex-auditor foi preso novamente, após ser solto no dia 2 de junho, por continuar praticando crimes mesmo sob medidas cautelares, no âmbito do esquema de corrupção e fraudes no ICMS. Ele foi alvo de mandados de prisão preventiva e encontrado em sua casa em Ribeirão Pires (SP).

Artur já configura como réu em sete ações penais movidas pelo Ministério Público de São Paulo. Até a próxima semana, ele deve ser denunciado em outras três investigações.

Ao todo, ele responde por mais de 130 vezes de lavagem de dinheiro e corrupção nos esquemas relacionados às empresas Fast Shop, Ultrafarma e a Rede 28. Os casos foram investigados durante as operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo, todas realizadas pelo Ministério Público paulista.

O ex-auditor da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo), exonerado em agosto de 2025, foi preso em casa nessa quarta, alvo de dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão. Com ele, foram encontrados diversos documentos evidenciando a contínua prática criminosa, mesmo sob medidas cautelares.

Documentos obtidos pela reportagem também detalham os impactos financeiros do esquema liderado por Artur, identificados desde o início das investigações nos primeiros meses de 2025, que somam R$ 8,53 bilhões em prejuízos ao Estado.

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Narcolanchas: inovação do crime acelera tráfico internacional de drogas

Uma investigação da Polícia Federal revelou uma nova arma do crime organizado para o tráfico internacional de drogas por rotas marítimas, principalmente para a Europa: as narcolanchas.

Nessa quinta-feira (11), a superintendência da PF na Bahia realizou uma operação contra um esquema de tráfico de cocaína da Máfia dos Balcãs. O fluxo começava com a obtenção da droga em países latinos como Bolívia, Peru e Colômbia, passando pelo Brasil, com parada na Àfrica Ocidental para então chegar aos países europeus.

A complexa rota do tráfico transoceânico culmina em destinos importantes na Sérvia, Croácia e Bósnia. Os portos brasileiros de Santos e de Salvador servem como intermediários cruciais para a viagem pelo Atlântico, até a chegada em Cabo Verde, por exemplo, onde ocorre o reabastecimento e transbordo para à Europa.

No transporte da droga, inovações são cada vez mais utilizadas para dificultar o rastreamento do fluxo criminoso pelas autoridades. As narcolanchas, supervelozes, semi-rígidas ou infláveis, são usadas para transporte rápido em rotas curtas ou para abastecer embarcações maiores em alto-mar. 

Elas são projetadas para atingir velocidades acima de navios de patrulha convencionais, representando maior desafio tático para forças de segurança marítima no Oceano Atlântico. Com os veículos, o crime organizado explora os seguintes pontos:

  • Maior dificuldade de interceptação em tempo real;
  • Design compacto e semi-rígido reduz a visibilidade em radar e inspeção visual
  • Transporte de carga entre embarcações maiores em alto-mar, fora do alcance das autoridades

A investigação aponta que modelos de embarcações também são utilizados como “espinha dorsal” da rota marítima do tráfico. Veleiros são usados em longas travessias e “narcossubmarinos” são projetadas para máxima discrição. A Marinha Portuguesa já apreendeu um submergível que transportava mais de 1,7 tonelada de cocaína.

A apreensão do veleiro “Oceania Dos” com 2,8 toneladas de cocaína em 2023, interceptado a 600 milhas náuticas de Cabo Verde, originou a investigação que culminou na operação “Balcãs”, dessa quinta.

Adaptações do crime

O Cartel dos Balcãs é um dos principais compradores de cocaína exportada do Brasil, com uma crescente demanda pela droga cada vez mais pura e lucros que alimentam outras atividades criminosas como lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

Mesmo com o aumento da fiscalização pela Polícia Federal e Marinha de diversos países, o crime organizado têm alterado rotas, métodos e dinâmicas. Um exemplo são os itinerários constantemente alterados para evitar padrões detectáveis pelas agências de inteligência. 

Além das narcolanchas, a tecnologia subaquática com Narcossubmarinos e embarcações semissubmersíveis tornam as interceptações cada vez mais complexas.

As múltiplas camadas de intermediários, passando por exemplo por Brasil e África Ocidental, dificultam também a identificação dos líderes das organizações criminosas

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