Fotos: Romulo Ávila
Toronto voltou a celebrar e a entrar no verão em grande estilo com mais uma edição do Do West Fest, que decorreu entre os dias 5 e 7 de junho de 2026, em Little Portugal. O evento, que já se tornou uma das festas de rua mais emblemáticas da cidade, transformou cerca de 16 quarteirões da Dundas Street West — entre Ossington Avenue e Lansdowne Avenue — num espaço pedonal dedicado à música, arte, gastronomia e cultura comunitária.
A presentado pela Little Portugal Toronto BIA, o festival chegou à sua 13.ª edição com uma programação diversificada e acessível a todas as idades, reforçando o seu papel como ponto de encontro entre residentes, visitantes e artistas locais. Ao longo dos três dias, vários palcos deram vida ao festival, incluindo o Transmit Stage, o Lulaworld Stage e o Community Stage, com atuações de música ao vivo que abrangeram diferentes estilos e influências culturais.
Paralelamente, artistas de rua e “buskers” animaram o percurso do festival, criando um ambiente contínuo de espetáculo ao ar livre.
A oferta gastronómica foi outro dos grandes destaques, com restaurantes da zona, “food trucks” e esplanadas alargadas a servirem pratos que refletiram a diversidade culinária do bairro. A componente artística também esteve em evidência, com murais, exposições, workshops e intervenções urbanas que reforçaram a identidade criativa da comunidade.
O evento incluiu ainda várias atividades familiares, tornando-se num espaço inclusivo onde crianças e adultos puderam participar em experiências interativas e culturais.
Com entrada gratuita, o Do West Fest voltou a afirmar-se como uma celebração da vida urbana e da cultura local, promovendo o espírito comunitário que caracteriza a Little Portugal. Apesar da grande afluência, o evento decorreu num ambiente festivo e organizado, com restrições de trânsito e desvios de transporte público implementados ao longo do fim de semana.
Tendo registado nesse ano uma participação superior à edição de 2025 e prevendo-se que ultrapassou a marca de um milhão de visitantes ao longo do fim de semana, um número que constituiu um novo recorde do evento.
“Em balanço da edição deste ano, Anabela Taborda, Chair de Little Portugal Toronto BIA destacou o forte envolvimento da comunidade portuguesa, a adesão crescente dos comerciantes locais e o apoio demonstrado aos vendedores sediados em Toronto. “O festival continua a ser uma oportunidade importante para celebrar o património cultural do bairro, ao mesmo tempo que apoia os negócios locais e reúne a comunidade em geral”, referiu a líder da organização.
Entre os momentos mais marcantes da edição de 2026 esteve a expansão da programação destinada às crianças, através da criação de uma zona familiar dedicada, com espetáculos e atividades especialmente concebidos para os mais novos. Outro dos destaques foi a ativação de um palco junto à Ossington Avenue, transformado num novo centro do festival graças ao apoio da LiUNA Local 183. A mudança de um dos três palcos principais para este espaço permitiu criar uma área mais acessível e confortável para os visitantes.
“Ao realocarmos um dos nossos três palcos principais para este espaço, conseguimos criar um ambiente mais acessível, com assentos suficientes e espaço para os visitantes se reunirem confortavelmente”, explicou Taborda.
Cultura portuguesa em destaque
A celebração da cultura portuguesa manteve-se como um dos pilares centrais do Do West Fest. Ao longo do fim de semana, milhares de visitantes tiveram oportunidade de assistir a desfiles e atuações que refletiram a riqueza das tradições lusas presentes em Toronto. Grupos como o Luso Can Tuna, Os Bombos do Arsenal e o Grupo de Folclore do Centro Comunitário da Associação Migrante de Barcelos levaram às ruas da Dundas Street West manifestações culturais que marcaram o ambiente do festival. Ao mesmo tempo, a organização procurou dar visibilidade a uma nova geração de artistas portugueses radicados na cidade, com atuações de Sara Dantas, Marito Marques e Jonatan Haller Pereira.
“Orgulhamo-nos de mostrar alguns dos talentos portugueses excecionais da cidade. Estes músicos ajudam a moldar a próxima geração da expressão cultural portuguesa em Toronto”, sublinhou a líder do BIA.
Objetivos alcançados
Para a organização, os objetivos definidos para esta edição foram cumpridos. “Os nossos objetivos principais eram apoiar os negócios locais, celebrar a cultura e o património do bairro e criar um evento comunitário inclusivo, e acreditamos que alcançámos esses objetivos”, afirmou Anabela Taborda.
Ainda assim, a entidade reconhece que um evento desta dimensão traz desafios logísticos e operacionais, garantindo que serão analisadas as lições retiradas desta edição para melhorar futuras realizações.
Futuro passa por consolidar o crescimento
Sem planos para alterar radicalmente o formato do festival, a Chair garante que continuará a procurar formas de reforçar a segurança, apoiar o comércio local e valorizar as diversas culturas que caracterizam o bairro.
“Continuamos a reconhecer tanto as contribuições históricas como as atuais da comunidade portuguesa, que desempenha um papel vital na formação desta área”, destacou.
Numa mensagem dirigida à comunidade, a BIA agradeceu o contributo de residentes, empresários, voluntários, artistas, patrocinadores e visitantes. “O festival existe graças a esta comunidade, e continuamos comprometidos em garantir que ele reflita as pessoas, culturas e negócios locais que tornam Little Portugal um lugar tão especial”, afirmou Anabela Taborda.
A organização acrescenta que continuará a ouvir atentamente o feedback dos moradores e participantes para garantir que o Do West Fest mantenha o espírito comunitário que o caracteriza desde a sua criação.
“Estamos incrivelmente orgulhosos das raízes portuguesas do bairro e das muitas comunidades que agora consideram esta área a sua casa. O Do West Fest é uma oportunidade para celebrar essa história partilhada, apoiar os negócios locais, mostrar talentos locais e reunir pessoas”, concluiu.
Mais do que um festival, o Do West Fest consolidou-se como um retrato vivo de Toronto no início do verão — onde a rua se transforma em palco e a comunidade assume o protagonismo.
Romulo Ávila/MS