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Referendo na Suíça para limitar a população ameaça comunidade portuguesa

A Suíça vai a votos no domingo para decidir se limita a população do país a 10 milhões de pessoas.

A proposta para o referendo partiu do partido de extrema-direita SVP e visa limitar a entrada de cidadãos estrangeiros no país.

Mas os críticos avisam que, a acontecer, vai ter consequências devastadoras para a economia do país.

A vitória do “sim” vai obrigar o governo helvético a tomar medidas para limitar a população até 2050, incluindo fortes restrições à reunificação familiar, autorizações de residência e de asilo. As medidas são acionadas caso a meta de 9,5 milhões de pessoas de habitantes do país seja atingida ao longo das próximas décadas, segundo o “The Guardian”.

Mas se a meta de 10 milhões for atingida até 2050, a proposta vai mais além, obrigando o país a sair do acordo de livre circulação que mantém com a União Europeia (UE), o que significa o fim do acesso ao mercado europeu, sob condições mais vantajosas.

A Suíça é conhecida pelos seus referendos: se tiverem 100 mil subscritores no espaço de 18 meses, a proposta vai a votos. Tipicamente, ocorrem quatro vezes por ano. Mas têm sido usados pelo SVP para impor a sua agenda de extrema-direita.

A população suíça tem crescido mais depressa dos que a média da UE, subindo 23% desde 2022, ano em que a Suíça aderiu ao acordo de circulação com a UE. No mesmo período, a economia do país cresceu 24%.

O país conta com 27% de cidadãos estrangeiros entre os residentes e os apoiantes consideram que a entrada de trabalhadores vindos da União Europeia (UE) colocam pressão na habitação, escolas, transportes, sistema de saúde e o modo de vida suíço em geral. Mais de 250 mil portugueses vivem na Suíça, o que significa que medidas futuras podem vir a ter impacto na comunidade lusa.

O país conta com menos de 9,1 milhões de habitantes atualmente. O Observatório da Emigração estima o número de residentes estrangeiros acima dos 32%, eram menos de 20% no ano 2000, ano em que o país contava com 7,2 milhões de habitantes.

Já o número de residentes portugueses na Suíça é de 255 mil pessoas, segundo dados das autoridades helvéticas.

“Há uma certa preocupação, não por aqueles [portugueses] que já cá estão, mas por aqueles que eventualmente poderão vir a seguir, pois continuam a chegar ano após ano. A esses é que se colocará o problema se isto viesse a ser aprovado”, disse o conselheiro da comunidade portuguesa João Figueiredo à “Agência Lusa”.

O impedimento de reagrupamento familiar pode repetir o cenário da década de 80, quando os portugueses iam trabalhar durante alguns meses para depois regressarem.

“Não sentem que seja dirigida contra eles. A comunidade portuguesa é muito valorizada aqui na Suíça, os portugueses sempre foram considerados bons trabalhadores e cidadãos exemplares, que vêm para trabalhar e não para usufruir do sistema. É muito bem vista aqui”, afirmou João Figueiredo.

O SVP argumenta que a “imigração descontrolada está a levar a Suíça a crescer muito rapidamente. As consequências negativas são palpáveis em toda a sociedade”. O partido é o maior na Assembleia Federal, tendo a maioria mais larga desde 1999.

“A medida vende a ilusão de um almoço grátis e simplesmente não vai resolver os nossos problemas de habitação ou de trânsito”, segundo Rudolf Minsch, economista-chefe da patronal Economiesuisse.

O Governo suíço, ou Conselho Federal, já se mostrou coletivamente (pois conta com membros do SVP) contra a medida, avisando para os impactos negativos na estabilidade nacional, na economia e prosperidade do país.

O Conselho Federal é composto por um executivo de sete membros. São eleitos pelos 246 membros da Assembleia Federal. Os sete membros representam os maiores partidos do país e as diferentes regiões linguísticas: alemão (a maioria com 62%)), seguido do francês (23%), do italiano (8%), as três línguas usadas pelo Governo federal (ainda existe o romanche falado por menos de 1% da população). O Conselho Federal é liderado por um presidente, que não conta com mais poderes, mas que lidera as reuniões e desempenha deveres de representação. Os sete membros do Conselho Federal acumulam várias pastas que estão habitualmente dispersas por mais ministros, como no Governo português, por exemplo.

Sindicatos, a maior associação patronal do país e a maioria das
duas câmaras legislativas já recomendaram o chumbo da proposta.

Tal como a restante Europa ocidental, a Suíça enfrenta uma bomba demográfica: mais de 27% da população vai ter mais de 65 anos até 2055, hoje em dia está nos 21%.

Também tal como na restante Europa ocidental, a imigração é um tema polémico no país dos Alpes, sendo explorado por movimentos de extrema-direita de forma inflamada para ganhos eleitorais.

Este é o primeiro referendo mundial sobre um limite à população de um pais. Outros países regulam a imigração através de legislação. Em termos de demografia, a China impôs durante décadas a lei de um único filho, para conter o crescimento de população.

As sondagens apontam para uma corrida renhida, com o “não” a liderar, com mais de 50% dos votos nos inquéritos.

Apesar de as urnas abrirem no domingo, mais de 90% dos eleitores que votam no referendo usam o voto-postal. Os resultados devem ser conhecidos ao final da tarde de domingo.

Para a medida ser aprovada, é preciso ganhar tanto o voto popular como a maioria nos 26 cantões suíços (23 inteiros e seis meios cantões (já estiveram unidos historicamente, mas separaram-se a dado momento)).

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EUA impediram passagem de 139 navios por Ormuz desde início do bloqueio

O Exército norte-americano confirmou ter até agora impedido a passagem de 139 navios mercantes pelo Estreito de Ormuz, cumprindo o encerramento do perímetro da zona decretado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

O bloqueio da passagem de navios de e para portos iranianos continua em vigor, apesar de Trump ter decidido na quinta-feira suspender os ataques à República Islâmica, alegando que os “últimos pontos” de um acordo preliminar com Teerão tinham sido aprovados.

“As forças norte-americanas continuam a aplicar rigorosamente o bloqueio contra o Irão. Em conformidade com tais normas, o CENTCOM desviou 139 navios mercantes e imobilizou nove, desde 13 de abril”, afirmou a Marinha norte-americana nas suas redes sociais.

A tensão no Estreito de Ormuz continua elevada, apesar do cessar-fogo vigente por tempo indeterminado.

O inquilino da Casa Branca anunciou na quinta-feira a suspensão dos ataques planeados contra o Irão, indicando que, após “conversas de alto nível” com responsáveis iranianos, todas as partes aprovaram os “últimos pontos” de um acordo para pôr fim à guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana contra o Irão há mais de três meses.

O Irão esclareceu apenas que, “assim que as autoridades competentes” cheguem a uma conclusão sobre as negociações, farão o anúncio, no âmbito das conversações em curso — mediadas pelo Paquistão —, após o cessar-fogo alcançado a 08 de abril, marcado por recentes trocas de ataques.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

O Paquistão posicionou-se como um mediador fundamental no conflito que alastrou ao Médio Oriente, negociando com êxito um cessar-fogo de duas semanas entre Teerão e Washington a 08 de abril, depois várias vezes prorrogado por Trump.

O objetivo era prosseguir as conversações indiretas para alcançar o levantamento das sanções internacionais ao Irão e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

Por agora, Teerão mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, e Washington, por sua vez, impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.

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Primeiro avião português vai competir no mercado global

É um avião pequeno capaz de aterrar praticamente em qualquer lugar, incluindo zonas montanhosas, ou no meio da selva. Transporta carga e pessoas, consegue largar paraquedistas, mas também realiza operações de busca e salvamento ou de evacuação médica. Também pode servir para transportar VIPs.

É o LUS-222, o primeiro avião desenhado e produzido em Portugal. Vai destinar-se a fins civis, mas também militares. É um investimento público-privado. Com um alcance de mais de 2 mil km, atinge 370 km/h, com capacidade para transportar 19 passageiros e 2.700 kg de carga.

A aeronave ainda está em fase de desenvolvimento e começa a ser testado em 2028 com o objetivo de chegar ao mercado em 2031.
“Sendo o LUS-222 uma aeronave commuter, concebida como uma plataforma multifuncional e de duplo uso, tanto para missões civis e como de defesa/segurança, os mercados preferenciais para este segmento de aeronave que podemos destacar são países da América do Sul, África e Sudeste Asiático”, revelou ao JE Frederico Aguiar-Branco, gestor do CEiiA, parceiro do projeto em conjunto com a EEA Aircraft and Maintenance. Vai receber 140 milhões do PRR.

Quais as mais-valias do LUS? O gestor destaca a rampa traseira que permite a “largada de paraquedistas e de carga durante o voo, algo que neste momento é bastante requisitado e que não existe disponível”.

E a capacidade de reconverter a cabine para outros tipos de operação, do transporte de passageiros ao transporte de carga.
O LUS-222 também vai ter capacidade para fazer operações de evacuação médica e de busca e resgate, para detetar pessoas com necessidade de salvamento para as evacuar. Outra das componentes é o transporte VIP, com a redução do número de lugares para 12 para tornar a cabine “mais confortável”.

O trem de aterragem fixo permite aterrar em pistas curtas e não pavimentadas, o que “também é uma exigência que esta aeronave deve cumprir, porque naturalmente não tem acesso a infraestruturas aeroportuárias muito modernizadas e os próprios países que as operam muitas vezes necessitam deste tamanho de aeronave para conseguir fazer operações, nomeadamente o Brasil, por exemplo, na região do Amazonas, o Peru ou o Chile”.

O LUS está a ser desenvolvido desde 2021. Até 2028, vai ter lugar a produção dos dois protótipos da aeronave para o ‘rollout, o momento de saída da aeronave do hangar, poder ser concretizado em 2028. A produção em série está prevista que seja a partir de 2031, a partir do Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, onde já existe um cluster de aviação.

O avião vai ser produzido pela EEA Aircraft and Maintenance, sociedade detida pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), que fica responsável pela engenharia, e pelos espanhóis da Cosmos.

A linha de montagem final do LUS poderá produzir “12 aeronaves por ano” no mínimo, num máximo de até “20 aeronaves”, conforme a procura.

Daqui a dois anos, os dois primeiros protótipos vão ser testados numa “base aérea da Força Aérea Portuguesa” para “confirmar que será um “produto que vai ser aceite no mercado, para não estarmos a converter uma infraestrutura para depois não haver a procura que tínhamos projetado”. O projeto só avança para a produção em série depois de “confirmada a capacidade por parte tanto da EEA Aircraft que é a empresa que vai comercializar a aeronave, quer por parte da procura”.

O LUS-222 pertence à categoria aeronave regional ligeira, um mercado que não conta com nenhum fabricante atualmente, com os grandes construtores a ignorarem este mercado, por as margens não serem tão atrativas face às aeronaves de grandes dimensões. “Há aqui um nicho de mercado e conseguimos posicionar-nos para o que o mercado vai necessitar. Estamos a falar de cinco mil aeronaves em 15 anos que vão deixar de poder operar por estarem em fim de vida útil. São aeronaves que estão a operar desde os anos 60/70 e não houve nenhuma modernização deste tipo de segmento”.

“Temos uma aeronave moderna, com materiais mais leves, com custos de horas de voo mais baixos, para poder substituir os aviões que são operados para transporte de passageiros ou por empresas de logística”, concluiu Frederico Aguiar-Branco.

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Seleção nacional vai aterrar no futuro aeroporto Donald Trump

A seleção portuguesa de futebol já levantou voo rumo aos Estados Unidos da América (EUA).

Destino? Palm Beach International Airport, no estado da Flórida. Mas este aeroporto vai passar a chamar-se President Donald J. Trump International Airport a partir de 1 de julho.

É uma estreia nos EUA, ter um aeroporto com o nome de um presidente ainda no cargo.

A seleção das quinas vai ficar sediada neste condado a norte da cidade de Miami.

O seu hotel é o Four Seasons Resort Palm Beach, com os treinos a terem lugar no complexo desportivo Gardens North County District Park.

Mas Palm Beach é também conhecida por ser um dos locais de eleição do presidente norte-americano.

Entre o hotel das quinas e o hotel de Donald Trump, Mar-a-Lago, onde o presidente passa os seus fins-de-semana, distam apenas 7km.

Também o atual embaixador dos EUA em Portugal, John Arrigo, é originário de West Palm Beach, a maior cidade do condado de Palm Beach.

John Arrigo é amigo de longa data de Donald Trump e foi nomeado diretamente pelo presidente.

Curiosamente, as quinas vão ficar hospedadas num estado do país com pouca presença de emigrantes portugueses, que estão localizados maioritariamente nos estados do nordeste dos EUA.

Os códigos de identificação do aeroporto também vão mudar. O código da FAA e da ICAO vão passar a ser ‘DJT’ e ‘KDJT’ a partir de 9 de julho. Já o código da IATA continua a ser ‘PBI’.

A seleção das quinas partiu a bordo de um A330 CS-TUM (TP9035), batizado como Nuno Álvares Pereira, e decorado com o lema “It´s Portugal Time”.

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Portugal escreve a Bruxelas em defesa das empresas

Portugal escreveu uma carta a Bruxelas a defender a indústria nacional. Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e da Energia, pede à Comissão Europeia que tenha em conta os impactos negativos que as novas regras para as emissões poluentes vão ter em setores industriais cruciais para Portugal, como a cerâmica, vidro e cimento. Em causa está a atualização em curso dos valores de referência (benchmark) do sistema de comércio emissões poluentes (EU ETS) para o período de 2026–2030 que vai reduzir o número de licenças gratuitas concedidas às empresas, aumentando os custos destas para comprarem as respetivas autorizações. Isto vai tornar as empresas menos competitivas face aos concorrentes fora da UE e pode levar companhias a mudarem a sua produção para, mais uma vez, fora da UE.
“Estou a escrever para transmitir as preocupações de Portugal (…) que é particularmente relevante para atividades industriais que dependem de processos de alta temperatura, incluindo cerâmica, vidro, cimento e outros setores intensivos em energia”, segundo a carta escrita por Maria da Graça Carvalho a que o JE teve acesso. A missiva é dirigida à espanhola Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão para a transição energética e ao neerlandês Wopke Hoekstra, comissário para o Clima, e foi entregue na quinta-feira em Bruxelas.
Portugal defende assim um “congelamento temporário dos valores de referência relevantes nos níveis de 2021–2025 poderia constituir uma solução proporcional de transição” até uma revisão mais ampla do sistema, isto é, os benchmarks usados atualmente devem continuar a ser usados, para continuar a garantir licenças gratuitas.
Lisboa deseja também que a revisão dos benchmarks seja feita em conjunto com melhor acesso a financiamento europeu, apoio à eletrificação e aos gases renováveis como biometano ou hidrogénio verde.
Oque pretende a Comissão Europeia?´ Quer reduzir o número de licenças gratuitas emitidas nos próximos quatro anos, obrigando as empresas a comprar mais licenças no mercado de carbono, aumentando custos. Estas companhias usam gás na sua produção e estão classificadas sob um palavrão: ‘hard-to-abate’, isto é, são difíceis de descarbonizar, porque não é simples ou exequível trocar o gás por eletricidade. Ora, isto significa que os seus produtos ficam menos competitivos face aos concorrentes de fora da União Europeia que não têm custos equivalentes nos seus países de origem. Por outro lado, aumenta o risco de fuga de carbono com a subida dos custos, isto é, as empresas podem decidir levar a sua produção para fora daUE:ou seja, fim de empregos europeus, mas continuando a emitir poluição global.
Apesar de garantir que Portugal “mantém-se plenamente comprometido com os objetivos climáticos da União e com o EU ETS” para reduzir emissões, a governante defende que é “essencial” que o sistema continue a “proporcionar um quadro previsível, realista e proporcional para a descarbonização industrial, preservando simultaneamente a competitividade da indústria europeia e evitando a fuga de carbono”.
A ministra recorda o “contexto particularmente desafiante para as indústrias intensivas em energia. As empresas europeias continuam a enfrentar custos energéticos elevados, forte concorrência global e necessidades significativas de investimento para descarbonizar os seus processos de produção. Neste contexto, uma redução abrupta da cobertura de alocação gratuita (…) poderá ter um impacto desproporcionado em setores onde ainda não existem alternativas de baixo carbono economicamente viáveis”.
A proposta da Comissão pode “aumentar significativamente os custos de cumprimento, reduzir a capacidade financeira dos operadores para investir na descarbonização e, em última análise, aumentar o risco de fuga de carbono. Portugal está igualmente preocupado com o facto de uma revisão substancial dos benchmarks (…) poder gerar incerteza regulatória adicional para os operadores”, escreveu a ministra Maria da Graça Carvalho.

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Golfo quer drones portugueses para se defender do Irão

Só nos primeiros 40 dias de guerra, o Irão lançou mais de 4.600 ataques de drones contra os países seus vizinhos. Até há relativamente pouco tempo, os seis países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (CGG) tinham como certo que a sua defesa estava assegurada pelos Estados Unidos, mas tudo mudou desde 28 de fevereiro, com o Irão a lançar ataques sem parar e com os países obrigados a defenderem-se sozinhos. É neste cenário que cresce a procura por drones portugueses por parte dos países do Golfo Pérsico. É verdade que o interesse já existia antes, mas a guerra no Médio Oriente só veio acelerar o desejo pelas aeronaves não-tripuladas com selo português.

“Ainda antes desta guerra, estivemos no Dubai em novembro onde a presença de várias empresas portuguesas, tanto na área de drones como na área de sistemas de comunicação, como na área de software e de estruturas. Já olhavam para este mercado com especial apetite”, disse ao Jornal Económico o presidente do AED Cluster Portugal, que junta as empresas da indústria de defesa nacional, José Neves.

“Naturalmente, o cenário neste momento faz com que os países nessa zona do globo tenham uma urgência maior na aquisição de produtos”, afirmou, apontando que Portugal já tem “produtos desenvolvidos e testados em cenário operacional”, segundo o líder da AED, apontando que os drones reúnem maior interesse.

Uma das empresas que tem feito o seu caminho no Golfo Pérsico é a Beyond Vision que produz drones na sua fábrica em Alverca. A companhia está agora a desenvolver um sistema que vai permitir aos seus drones neutralizar drones Shahed, produzidos no Irão, mas usados também pelos russos. Já tinha registado várias vendas no Médio Oriente, no setor civil, mas o foco agora é “no setor da defesa, muito pelo que se está a passar com o Irão”.

“Os países do Médio Oriente não estavam programados para a necessidade de terem armamento ou proteção para os níveis de que realmente necessitavam. Este evento foi um ‘abre-olhos’. Estavam muito focados no turismo e outras áreas. Claramente mudaram o foco para a defesa. Os drones, pela exposição que estão a ter na Ucrânia, são um dos equipamentos mais procurados. Temos tido vários pedidos dos diferentes países do Médio Oriente”, disse o presidente da empresa Dário Pedro.
Também a portuguesa produtora de drones Tekever tem vendido para esta região, com a procura a vir de trás. “A realidade e os dados mostram que essa procura um bocadinho generalizada cresceu em quase todos os grandes blocos. Desde o continente americano, de norte a sul, ao asiático, ao Médio Oriente. Temos processos de venda em países do MédioOriente, como em muitos outros países”, disse ao JE Pedro Petiz, diretor de desenvolvimento estratégico da Tekever.

O mais recente unicórnio português (com valorização nos mil milhões de dólares) destaca que só trabalha com mercados “alinhados com a estratégia europeia e da NATO. Depois temos outro tipo de países que, não sendo da NATO, estão tipicamente alinhados”, com a empresa a notar “mais procura” nestes mercados, o que muitas vezes passa por “parcerias locais”.
Olhando especificamente para a Arábia Saudita, um empresário português no país dá o seu testemunho sobre a forma como os drones portugueses são vistos neste mercado. “No World Defense Show, que aconteceu em Fevereiro, a AICEP fez um excelente trabalho porque juntou uma série de empresas num stand único e para além disso vimos stands de empresas portuguesas como a Tekever e Beyond Vision. Este World Defense Show teve um impacto enorme porque há um enorme interesse em tudo o que é defesa”, disse ao JE a partir de Riade Guy de Sousa, diretor-geral da Asasat, companhia de desenvolvimento imobiliário. O empresário dá o exemplo do Public Invesment Fund (PIF), o megafundo público saudita que mudou a sua estratégia para apostar mais numa “série de indústrias e cadeias de valor em todos os sectores. Existe a necessidade de tirar a dependência da economia dos combustíveis fósseis. Creio que haverá interesses exploratórios da Arábia Saudita, através destas instituições, em variadíssimas empresas portuguesas”, afirma.

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Gigantes de inteligência artificial preparam entrada em Wall Street a valer 12 vezes o PIB português

Três gigantes da Inteligência Artificial (IA) preparam a sua entrada em bolsa este ano. Juntas valem 3,6 biliões de dólares (3,1 biliões de euros) e prometem trazer muito capital a Wall Street. O valor é 12 vezes superior à riqueza gerada anualmente pela economia portuguesa, uma pipa de massa.

A OpenAI foi a tecnológica mais recente a juntar-se à lista de empresas que preparam a Oferta Pública Inicial (IPO em inglês) este ano, tendo entregado a documentação esta semana junto do regulador de mercado norte-americano, o SEC, revelou a “Bloomberg”.

Das três gigantes da IA, a SpaceX de Elon Musk é a que vale mais: 1,8 biliões de dólares (mais de 1,5 biliões de euros). Segue-se a Anthopic, responsável pelo ‘chatbot’ Claude, com 965 mil milhões de dólares (840 mil milhões de euros) e a OpenAI com 852 mil milhões (740 mil milhões).

A companhia liderada por Sam Altman disse que ainda não decidiu o timing do IPO, admitindo que pode “demorar um pouco”, pois há certas questões que prefere realizar enquanto não estiver em bolsa, não dando detalhes, e reconhecendo que até pode vir a acelerar o processo se for no seu melhor interesse.

A OpenAI foi responsável pelo disparo na IA generativa com o lançamento do ChatGPT no final de 2022, com o ‘chatbot’ a tornar-se sinónimo de IA para uma boa parte do mundo.

Mas a concorrência não dorme e a companhia está a enfrentar uma concorrência cada vez mais feroz, com a Anthropic e a Google a acelerarem.

A “Bloomberg” sublinha que a companhia falhou metas internas de receitas e de crescimento, com vários executivos a saírem da empresa.

Se se confirmar o calendário, o mundo vai assistir a um novo duelo entre os arqui-rivais Sam Altman e Elon Musk. O fundador da SpaceX já tentou processar a OpenAI e o seu presidente, mas não conseguiu.

Estas gigantes tecnológicas além de desenvolverem inteligência artificial, necessitam de comprar chips valiosos e espaço em centros de dados para alimentar o trabalho dos seus ‘chatbots’.

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Emiratis querem dar trinca a hambúrgueres em Portugal

A gestora estatal de capital de risco de Abu Dhabi está interessada em comprar uma cadeia de hambúrgueres em Portugal.

A Mubadala está a preparar uma oferta pela empresa que detém a cadeia Burger King em Portugal e Espanha, detida pelo fundo britânico Cinven.

O “Expansion” revela que a Mubadala já contratou assessores para apresentar a oferta pela Restaurant Brand Europeu (RBE), que gere também as cadeias Popeyes e Tim Horton na Ibéria.

Outros interessados são os fundos americanos Meritage Group e Apollo Global Management, segundo o jornal espanhol, que preparam as ofertas não-vinculativas para apresentar nas próximas semanas.

A Mubadala chegou a ser acionista da EDP e é atualmente acionista da petrolífera espanhola Moeve.

A Burger King ibérica era detida pela Ibersol, mas foi vendida no final de 2022 por 260 milhões de euros à RBI, num total de 158 restaurantes.

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Estádio do Boavista FC recebe proposta superior a 25 milhões

O estádio do Boavista FC recebeu uma proposta superior a 25 milhões de euros no leilão de insolvência que terminou esta terça-feira.

A última de 12 licitações deu entrada esta tarde, com a última a atingir os 25,7 milhões de euros, ainda abaixo do valor mínimo de quase 33 milhões de euros, segundo a leiloeira Leilosoc.

O leilão inclui o estádio do Bessa, assim como o complexo desportivo do Boavista, na cidade do Porto, que obteve 15 licitações, com a última a ser de 6,5 milhões de euros, acima do valor mínimo.

Os licitadores são principalmente do setor desportivo e imobiliário, segundo a leiloeira.

Longe dos dias de glória, o Boavista Futebol Clube está agora em processo de insolvência e viu vários ativos a serem vendidos.

Num passado longínquo, a 18 de maio de 2001, este clube da invicta conseguiu derrubar o domínio dos três grandes ao fim de 70 anos de primeira liga. No jogo frente ao Desportivo dos Aves, o Boavista Futebol Clube sagrou-se campeão nacional ao com 100 anos de história. A equipa era então capitaneada por Pedro Emanuel, treinada por Jaime Pacheco e presidida por João Loureiro.

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Donos da mina de Boticas lamentam nova tentativa de atrasar projeto de lítio

Os donos do projeto de lítio de Boticas, distrito de Vila Real, lamentam a nova tentativa de travar o projeto.

A Savannah confirmou esta terça-feira que recebeu uma ordem de suspensão temporária dos trabalhos de geotecnica dada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, na sequência de uma providência cautelar.

“A Savannah lamenta mais uma tentativa por parte da Direção do Baldio de Covas do Barroso e da UDCB de atrasar o processo de desenvolvimento do Projeto Lítio do Barroso, sendo esta a terceira
vez que submetem providências cautelares aos tribunais”, segundo comunicado divulgado hoje.

“Estamos em total acordo com a Senhora Ministra do Ambiente e da Energia que referiu recentemente: “o verdadeiro “flagelo” no que toca à demora dos projetos são as providências cautelares e não os processos de licenciamento, que são “rigorosos” e têm tempo limite”, pode-se ler na nota.

A companhia britânica garante que vai “com tranquilidade, esperar pelo desenvolvimento do processo de apreciação dos méritos da referida providência cautelar. A Savannah irá também, com toda a normalidade, retomar os trabalhos assim que tenha confirmação para o fazer pelas autoridades competentes, tal como aconteceu no ano passado, em 2025”.

A empresa disse que só foi notificada hoje e que a suspensão só produz efeitos a partir desta data, “ao contrário do veiculado pelo grupo de sempre e que comprova o carácter ilegal do bloqueio feito na semana passada aos trabalhos das nossas equipas no terreno”.

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Portugueses concluem projeto de baterias na América

A EDP Renováveis concluiu um projeto de baterias no estado do Arizona, nos Estados Unidos da América.

Este é o seu maior sistema de armazenamento de baterias com capacidade de 200 MW/800 MWh, suficiente para abastecer mais de 44 mil famílias.

O projeto Flatland Energy Storage vai contribuir para “garantir um fornecimento fiável durante períodos de maior procura e para apoiar o crescimento das necessidades energéticas do estado”.

“Os sistemas elétricos estão a tornar-se cada vez mais complexos e a procura de energia continua a aumentar, tornando cada vez mais importante o investimento em sistemas mais resilientes. Projetos de armazenamento de energia à escala, como este — o maior dentro do Grupo EDP até à data — são fundamentais para reforçar a estabilidade e a resiliência da rede, bem como para assegurar um desempenho mais fiável do sistema”, disse Miguel Stilwell d’Andrade, presidente-executivo do Grupo EDP.

Este projeto vai gerar mais de 17 milhões de euros de impacto económico local e regional ao longo da sua vida útil, incluindo receitas para as autoridades locais.

“A EDP Renováveis América do Norte é um dos principais promotores e operadores de infraestruturas de energia limpa no Arizona, com cerca de 600 MW de capacidade operacional bruta em energia solar e armazenamento, abastecendo o equivalente a mais de 113.000 lares”, segundo a companhia.

A EDP conta com um portfólio de mais de 460 MW de armazenamento em operação e em construção nos Estados Unidos, Europa, América do Sul e Ásia-Pacífico.

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Estaleiro da Mitrena em Setúbal vai a concurso

O Porto de Lisboa-Setúbal (PLS) está a dar os primeiros passos para lançar o concurso de concessão e futuro modelo de exploração do estaleiro da Mitrena em Setúbal, agora concessionado à Lisnave.

Neste âmbito, o PLS vai lançar um concurso para contratar os “estudos especializados necessários à preparação do concurso de concessão e futuro modelo de exploração”.

Desta forma, serão desenvolvidos os “estudos técnicos, jurídicos, económico-financeiros e operacionais que irão suportar o programa de concurso e o respetivo caderno de encargos”.

Objetivo: “valorizar uma infraestrutura que emprega cerca de dois mil trabalhadores e apresenta elevado potencial nas áreas da reparação naval, reciclagem verde de navios, construção naval, indústria marítima, apoio à economia azul e produção de energia eólica offshore”.

“Esta decisão representa mais um passo na estratégia Portos 5+ e na valorização dos ativos portuários, industriais e logísticos nacionais de base marítima, promovendo a modernização das infraestruturas, a atração de investimento privado e a criação de condições para um crescimento sustentável das atividades marítimo-portuárias”, segundo Vítor Caldeirinha, presidente do Conselho de Administração do Porto Lisboa-Setúbal.

A ideia é “reforçar a capacidade do Estaleiro da Mitrena para atrair investimento privado, gerar emprego qualificado e consolidar Setúbal como polo estratégico da economia marítima e industrial”.

A Lisnave detém a concessão da Mitrena desde 1997 e a atual concessão termina a 31 de julho de 2027 e “tem-se afirmado como uma referência técnica no mercado global de manutenção naval, consolidando a sua posição como um dos maiores estaleiros do Atlântico Norte, com capacidade de servir os maiores navios do mundo e os mais importantes armadores internacionais”.

O PLS prossegue a sua estratégia de “modernização e valorização dos seus ativos estratégicos, preparando o futuro de uma infraestrutura com relevância nacional para os setores marítimo, industrial e logístico”.

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